sexta-feira, 28 de novembro de 2014

'Governo Dilma é a o mais reacionário da história', diz Villa



O historiador e colunista de VEJA Marco Antonio Villa e Joice Hasselmann avaliam, no 'Aqui entre Nós', a formação da nova equipe econômica nomeada pela presidente Dilma Rousseff. Villa afirma que com o "jeitinho Dilma de ser" Joaquim Levy, novo ministro da Fazenda, dificilmente suportará permanecer no governo que é o mais corrupto e reacionário de todos os tempos.

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE X

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[I] Quando garoto gostava muito de ir ao circo. Achava o maior barato! Admirava a coragem dos trapezistas,  a desenvoltura dos malabaristas, o destemor dos domadores de feras e, principalmente, a graça inocente dos palhaços que desjeitosamente invadiam o picadeiro com suas travessuras.

Nesses idos, sempre ouvia um e outro dizer que o palhaço era uma figura triste, que o sorriso do jocoso homem maquiado e de nariz vermelho era melancólico. Quando menino, confesso, não entendia a razão de declarações como essa. Hoje, após sentir os golpes de Cronos em minha carne, compreendo a melancolia do homem que se fantasia de louco para diversão da patuleia. E como compreendo.

[II] Levar qualquer coisa a sério num país onde praticamente nada é encarado por esse viés é uma tarefa inglória. Num país onde quase todo mundo quer se dar bem ou, ao menos, não ser mal visto por outrem, ousar agir de maneira descente não é apenas um esquisitice. É uma ofensa. Enfim, numa terra onde, dum modo geral, as pessoas informam-se apenas para ter assunto pra prosear e não para realmente conhecer, qualquer um que tenha a petulância de realizar a segunda opção estará pedindo para ser condenando ao dissabor do ostracismo em meio a multidão.

[III] Ter opinião sobre tudo é um claro sinal de que não se sabe patavina de nada. Ter opinião sobre praticamente nada é uma demonstração dum sincero desejo de querer saber algo sobre alguma coisa. Agora, manter-se sempre calado apenas denuncia um medo inconfesso de ser tachado de louco pelos insanos que vivem fazendo posse de esclarecido e que, na real, não sabem nada.

[IV] Estamos todos em franca decadência. Só não percebe isso quem já realizou-se plenamente em sua decrepitude.

[V] Tenho calafrios quando ouço alguém falar em “cultura”, sobre sua importância. Tais irritações ocorrem-me porque, em regra, quem muito fala nela, na tal da “cultura”, não sabe o que isso, não tem o menor interesse nela e morre de raiva de todo aquele que realmente tenha amor por ela.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE IX

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[I] O governo está tentando liquidar as contas desse ano no BLACK FRIDAY, mas não está dando muito certo não. As ditas contas não estão apetecendo o gosto da freguesia que, na verdade, está espumando de raiva diante do que está sendo apresentado.

[II] Zoeira pouca é bobagem, o negócio é parar com essa rapinagem que faz do erário público um ninho de víboras e do Estado um antro de vadiagem.

[III] Não é por maldade não, mas esse negócio de aparelhar o Estado e dizer que é para o bem do povo já passou dos limites de novo e de novo e de novo... está mais do que na hora de parar com essa folia... de pararem essa esbórnia.

[VI] O petrolão está em oferta, é a grande liquidação do ano! De brinde você leva uns dólares na cueca e, na mala, um corrupto com um sofisticado ceroulão blindado contra CPI's de todos os naipes e contra toda ordem de delação.

[V] Não existe escolha graciosa. A liberdade cobra seu preço. A corrupção e o totalitarismo também.

[VI] O líder do DEM não xingou Renan Calheiros na Câmara. Não mesmo. Ele apenas qualificou as ações de Renan de acordo com os seus efeitos que, de fato, não são nem um pouco elogiosos. Fazer o que?

[VII] Refutar um idiota é o mesmo que tentar fazer um bêbado andar em linha reta. Ele jura que está fazendo isso, apesar de apenas cambalear de lá pra cá.

[VIII] Um idiota encontra um sentido para sua porca vida quando junta-se com pessoas que têm uma vida sem sentido como a dele para confortá-lo em sua idiotia formando uma assembleia de alienados inconsequentes.

[IX] A meleca é geral. Acima de tudo, a meleca está sendo democraticamente distribuída à toda sociedade para melhor preservar a (des)razão que aparelha o Estado brasileiro, que o dominou da cabeça aos pés. Resumindo: os lucros socialmente obtidos foram, em sua maioria, privatizados nas mãos da pacutia e os prejuízos distribuídos democraticamente para toda sociedade contribuinte.

[X] Se a (des)razão do Estado instrumentalizado for preservada, a sociedade irá terminar amargurada e arruinada. E sem direito de reclamar da felação que lhe foi outorgada. Lamento.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

[vídeo] O Petrolão e os sete pecados capitais do PT



Ao que tudo indica, o escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e grandes empreiteiras do país não tem paralelos na história do mundo. A opinião é de Marco Antonio Villa, que, no "Aqui entre Nós" de hoje, debate com os colunistas de VEJA Augusto Nunes e Joice Hasselmann a semana e os sete pecados capitais já cometidos pelo PT.

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Uns dizem que a casa caiu. Outros que está caindo. Porém, há outros tantos que garantem que o que houve até o momento foi apenas um resvalo.

II
Quem muito acusa os outros de corrupto, fazendo pose de ético, é porque sabe corromper melhor e, por isso, não tolera serviço mal feito.

III
Quando o dinheiro é ganho com o próprio suor, o limite é o vermelho; quando é ganho com o suor dos outros, os vermelhos ignoram o limite.

IV
Quando um esquerdista está no poder e realiza toda sorte de populismos com o dinheiro dos cidadãos contribuintes pra tirar toda ordem de vantagem política, tal prática é chamada de programa social. Agora, quando qualquer outro faz a mesma coisa, ou similar, não. Ai é coronelismo mesmo.

V
No tempo dos coronéis davam-se presentinhos ao cidadão bem mandado. Hoje, na era da informática, um cartão é o presente dado.

VI
Nunca na história desse país falou-se tanto da história desse país para disfarçar os malfeitos presentes nesse país.

VII
Dizem que devemos acabar com todos os malfeitos que emporcalham a República, porém, o problema é que os ditos malfeitos são muito benfeitos.

VIII
Antigamente, a galerinha dizia: não quero saber de trabalho. O esquema é conseguir um emprego.

O tempo passou e o sonhado emprego foi deixado de lado. A nova moda era conseguir um bom cargo.

E o tempo passa, como passa, e hoje, essa história de cargo também virou coisa do passado. O canal agora é fazer parte dum esquema propinário.

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The Noite (25/11/14) - Entrevista com Reinaldo Azevedo


Danilo Gentili entrevista Reinaldo Azevedo, que acaba de lançar mais um livro, o “Objeções de um Rottweiller Amoroso”.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE VII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
A alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo; a alegria do povo será ver o impeachment da Dillma no ano novo. A tristeza do Jeca é despedir-se do seu rancho no meio da mata; a da Dillma e sua turma será dizer adeus a palaciana mamata.

II
Impeachment não é golpe. Repito: não é golpe não. É uma possibilidade que nos é facultada pela Constituição. Golpe, vou te dizer, é manipular a letra da lei pra favorecer a implantação dum projeto totalitário como o que é defendido e sonhado pela galera do PT.

III
Cabeça de esquerdóide é algo patológico. Para esse tipo humano, tudo o que favorece o partido, e à revolução, é bom. Bem bom. Tudo que é contrário a seus devaneios rubro-canhotos de sua seita partidária, é do mal. Do mal...

E tem mais! Muitos desses indivíduos desacreditam de Deus. Outros tantos, apenas duvidam da Igreja. Mas todos, cada um a sua maneira, fazem do marxismo seu credo e do Partido seu Deus.

E ai daquele que ousar falar mau de seus ídolos! Eles fazem beicinho e espumam de tanta indignação ou, no mínimo, ficam se carcomendo no lá no fundinho do seu coração.

IV
Há uma grande pobreza de imaginação habitando o coração de muitos brasileiros. Isso não significa que as pessoas estejam pouco habilitadas a fantasiar a realidade. Não é disso que se trata.

Quando afirmamos que as pessoas estão com a sua capacidade imaginativa desfalecida constatamos apenas que, dum modo geral, muitas pessoas não são capazes de conceber determinadas possibilidades de realização humana quando veem diante de suas vistas a presença de certas variáveis, de determinados indícios que apontam para esse ou para aquele caminho.

Incapacidade de conceber ações humanas possíveis, inevitavelmente, acarreta numa impossibilidade de compreensão, e mesmo de reação, a determinados planos que estão sendo desenrolados, inadvertidamente, bem debaixo de nossas ventanas.

V
Chamar Geraldo Alckmin de “Tucano linha dura” é um verdadeiro estupro a linguagem. Aliás, coloquemos os pingos nos “is”: chamar o Tucanato, que não passa duma esquerda soft, de direita ou de neoliberal, é um verdadeiro bacanal conceitual onde usa-se as palavras não para representar a realidade tal qual se apresenta às nossas vistas, mas sim, para realizar uma espécie de masturbação intelectual onde as palavras são utilizadas de acordo com as epidérmicas sensações que nos causam. Resumindo: é pura sacanagem.

VI
Spinosa nos ensina que tornamo-nos escravos na medida em que o que nos ocorre é determinado por forças exteriores. Doutra parte, tornamo-nos livre a medida que nos tornamos capazes de sermos o agente determinante de nossos atos.

Troando por dorso: se para emitirmos um parecer, uma avaliação sobre os nossos atos, precisarmos que esse seja confirmado pelos ditames duma ideologia infame, e pela mútua bajulação e confirmação de nossos pares reunidos em torno das mesmas ilusões partidárias, é porque estamos mui distantes da condição dum cidadão livre. E o pior é que sentimo-nos satisfeitos com o peso dos grilhões que vergam nossa vontade; faceiros com o aguilhão que ferroa nossa inteligência.

Fazer o que? Romper os grilhões seria um bom começo. Informar-se sem um prévio filtro ideologicamente estabelecido que nos prende numa masmorra de preconceitos, que chamamos pelo pseudônimo doce de consciência crítica, mas que, no fundo, não passa duma alienação rasteira, seria de bom alvitre.

VII
Entendamos uma coisa: o fato dum sujeito criticar o PT não significa, necessariamente, que ele seja filiado ou partidário do PSDB. É difícil de entender que muitas pessoas não são nem petistas e muito menos tucanas?

Aliás, nunca, repito, nunca ocorre aos fiéis dessas igrejinhas rubras do Butantã que uma pessoa desaprova as políticas do PT simplesmente porque discorda de sua concepção de mundo, de seus atos, de seus postulados e que repudia os seus atuais resultados e seus inaceitáveis objetivos? Ao que tudo indica, não. A limitação ocular não permite.

Por fim, ouse explicar isso para um fanático. Vai ser triste. Essa gente apenas repete um punhado de frases de efeito e outro tanto de cacoetes mentais para não se sentir perdido em meio a sua irrevogável confusão mental. Ouse explicar algo para um sujeito assim e você compreenderá que, para essa gente, alienação pouca é bobagem.

VIII
Há mais coisas entre o céu e a terra que a horda petistas e a chusma tucana.

IX
Tá certo peidar, mas cagar em toda economia e querer disfarçar o fedor chamando a meleca geral de superavit negativo é forçar a amizade.


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

[vídeo] O papel da Igreja no mundo político, por Pe. Paulo Ricardo



“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. A separação entre Igreja e Estado é uma das contribuições mais importantes da religião cristã para a história da humanidade. Mas, como promover uma justa laicidade do Estado, sem cair no perigo do “laicismo”? O que se pode esperar politicamente da Igreja, seja qual for o contexto histórico e geográfico em que o mundo se encontre?

domingo, 23 de novembro de 2014

Com a morte na alma

por Paulo Briguet

O que mais me espanta na esquerda é que ela nutre um poderoso sentimento de revolta contra a estrutura da realidade. Para não enlouquecer diante dos fatos, o militante esquerdista comum – que individualmente pode até ser um bom sujeito – é obrigado a mergulhar numa espiral de autoengano, numa rede de mentiras que os companheiros tecem para si mesmos. Foi dessa espiral demoníaca que me livrei ao abandonar as ilusões do socialismo.

Exercício curioso é analisar as ofensas que você passa a receber depois que deixa de ser esquerdista. Os xingamentos mais comuns são os seguintes: fascista, nazista, reacionário, intolerante, fundamentalista e raivoso.

Fascista? Não custa lembrar que o fascismo é aquela doutrina que defende “tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”. Em que medida um defensor das privatizações e da economia de mercado feito eu se encaixaria nessa frase?

Nazista? O nacional-socialismo defende a rígida discriminação racial e coloca o judeu como supremo inimigo da coletividade. Um amigo dos judeus e defensor do Estado de Israel, como eu, seria qualificado de que maneira pelos nazistas de verdade?

Reacionário? Sou eu quem preconiza o controle da mídia, a criminalização de opiniões e a supressão de liberdades públicas? Sou reacionário apenas na medida em que reajo contra essas porcarias.

Intolerante? Você já conversou dez minutos comigo?

Raivoso? Por quê? Porque defendo a instituição da família, santuário do amor e da paz social? Raivoso por ser contrário ao aborto, uma das piores formas de assassinato?

Fundamentalista? Por preferir racionalidade a ideologia? Por acreditar que ciência e fé são compatíveis?

Além da montanha de 100 milhões de cadáveres no último século, o pior legado da esquerda materialista foi o de dividir e envenenar até as mais puras relações de afinidade humana. Ao instaurar um clima de permanente desconfiança e patrulhamento, a esquerda está matando a alma das pessoas, depois de provar que sabe como ninguém matar-lhes os corpos.

Fonte: http://www.jornaldelondrina.com.br/blogs/comoperdaodapalavra/

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE VI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Conforme os anos passam, cada vez mais faz-se presente em nossas conversações, cenas vividas por nós. E as cenas que acabam sendo apresentadas à mesa, de forma indiscreta, refletem a vida que, bem ou mal, vivemos até o momento em que estamos a parlar.

II
Cair não é feio não. É humano. Faz parte da vida, de nossa jornada por esse vale de lágrimas. Porém, rastejar é feio. Humilhar-se, a procura de lisonja, mais ainda.

Cair, levantar, cair novamente e continuar a lutar sem permitir que a poeira levantada pela peleja ofusque nosso olhar na direção do horizonte que pretendemos alcançar e, acima de tudo, sem perder, jamais, a fé. Isso é tudo.

III
Joaquim Nabuco, certa feita, declarou que toda sua psicologia estaria contida nas palavras do livro do Gênese que rezam que Deus fez o homem a Sua imagem e semelhança.

Mais adiante ele afirmou que toda sua estética também encontrava-se sintetizada em algumas poucas palavras do mesmo livro da Sagrada Escritura que afirmam que Deus viu que tudo era bom.

Compartilho dessa visão e, colocaria uma passagem a mais. Penso que um trecho que simboliza todo drama da humanidade é o que nos é apresentado na cena onde a serpente diz que, se ousarmos..., seremos como deuses.  

Pois é, caímos todos nessa tentação e, orgulhosamente, estamos, dia após dia, pervertendo nossa psicologia, nossa percepção estética e, consequentemente, nosso senso de realidade.

VI
Umas das principais modinhas modernosas é a de dizer que ninguém é culpado de nada, que a responsabilidade deve sempre ser atribuída a terceiros.

Modinhas como essa fundam-se na falsa ideia de que todos somos seres inocentes e bonzinhos ao estilo do velho bom selvagem de Rousseau.

Tendo isso em vista, é salutar lembrar a obviedade apontada por Pascal Bruckner: dizer que nunca somos culpados é o mesmo que dizer que nunca somos capazes.

E é isso o que acontece quando nos entregamos a idolatria do coitadismo: imolamos a liberdade, a nossa individualidade e tudo o mais que nos humaniza, para aliviar nossa consciência de toda e qualquer responsabilidade.

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sábado, 22 de novembro de 2014

[áudio] Solenidade de Cristo Rei - Jesus Cristo, Rei das nações

 
Em 1925, com a encíclica Quas Primas, o Papa Pio XI instituía a Festa de Cristo, Rei do Universo. O que o Santo Padre queria com este gesto? Em que sentido se diz que Jesus é "Rei"? Neste Testemunho de Fé, Padre Paulo Ricardo explica em que consiste o reinado social de Nosso Senhor e como isto interfere diretamente nas realidades políticas e temporais de nossa época.

Fonte: https://padrepauloricardo.org/

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE V

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
A dissimulação é uma constante na sociedade brasileira. Não que em outras sociedades não exista um coeficiente de fingimento. Não é isso.

O problema é que em nossas terras nós superamos, e muito, todos os índices de fingimento, fazendo dele não apenas uma nuança ocasional que é utilizada para sobreviver. Aqui, dissimular, é um estilo de vida.

Não são poucos os que fazem da mentira sua profissão. E o número daqueles que encaram a dissimulação como uma vocação não é nem um pouco menor. Por essas e outras que esse é o problema número um de nossa sociedade.

Dum modo geral nos contentamos com a imitação e, em vista disso, ignoramos por completo a necessidade de toda e qualquer possibilidade de realização.

Por exemplo: não almejamos ser realmente bons; contentamo-nos em parecermos bons e, naturalmente, sentirmos que somos bonzinhos.

Não almejamos viver de acordo com o espírito republicano. Pelo contrário! Ficamos satisfeitos em fazer pose de cidadão e de sentirmo-nos portadores dum senso de justiça que, na prática, ignoramos.

Por fim, uma sociedade, onde a média geral das pessoas, investidas ou não de poder, age e, inconfessadamente, pensa assim, está fadada a ser um parque cenográfico com pessoas de papelão que vivem a  desmoralizar a democracia enquanto brincam de cidadão.

II
Russel Kirk adverte-nos: “o ideólogo não pode governar bem; mas, tampouco o pode o oportunista”. Ao ler essas palavras, invariavelmente, podemos ver, diante de nossas vistas, a cara escarrada da brasilidade estatizante. 

Dum lado temos uma chusma de ensandecidos com seus delírios ideológicos. Esses são disciplinados, organizados em falanges pós-modernas (posicionadas nas ruas, ambientes virtuais e instituições), com o intento de recuperar na América Latina o que o movimento revolucionário perdeu no Leste Europeu no começo dos anos 90 da centúria passada. Em resumo: é a turminha do Foro de São Paulo.

Na outra ponta, infelizmente, os oportunistas não são poucos. Desorganizados, eles formam uma verdadeira horda. Com sua mente pragmática e imediatista, pensam apenas em tirar vantagem pra si e para seus correligionários, pouco importando as consequências para o futuro da república. Resumindo: eles se importam pouco com o presente e com o futuro da nação porque são incapazes de conceber algo diverso da sordidez vivida por eles junto ao poder.

Por fim, em meia a essa confusão, existe aqui e acolá alguns estadistas perdidos. Algumas pessoas que são capazes de pensar a nação em termos mais amplos do que as limitações da alienação ideológica reinante e mais dignos que a rapinagem profissional que parasita as úberes estatais.

Verdade seja dita: os estadistas são poucos. Pouquíssimos. Mas, esses poucos, fazem a diferença.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Resposta ao Debate da ALESC sobre doutrinação marxista na escola pública

Avivando a mente conservadora

Por Russel Kirk

O mais espirituoso de nossos homens públicos, Eugene McCarthy, comentou há alguns meses atrás que, hoje em dia, ele usa a palavra “liberal” meramente como um adjetivo. Essa é uma medida do triunfo da mentalidade conservadora nos últimos anos - incluindo o triunfo do lado conservador da mente e do caráter do próprio Sr. McCarthy.

Talvez seja suficiente, na maioria das vezes, utilizar a palavra “conservador” principalmente como um adjetivo. Pois não existe nenhum Modelo Conservador e conservadorismo não é ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar para a ordem social civil. O movimento ou corpo de opinião conservador pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista sobre um bom número de assuntos, não havendo qualquer Test Act[1] ou Thirty-Nine Articles[2] do credo conservador. Em essência, a pessoa conservadora é simplesmente aquela que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Caos e a noite primordial”[3]. Este é, a propósito, um breve prefácio para algumas observações não metódicas sobre o que a mente conservadora requer hoje.

Na América, a grande onda da opinião pública hoje arrasta em uma direção conservadora, levando tudo à sua frente: como Tocqueville nos instruiu, tal é, geralmente, a forma de opinião em nações democráticas. Os eleitores mexicano-americanos claramente se deslocaram nessa direção há menos de dois anos atrás e irão mais longe ainda; agora, as pesquisas do The New York Times e da CBS sugerem que a população afro-americana se volta para a mesma direção.

Tanto os assuntos externos quanto as questões internas impelem a nação em direção a políticas conservadoras de longo alcance. No entanto, poderia ser concebível que esses tremendos sucessos conservadores dos anos recentes cessassem? Pode a onda da opinião pública começar a arrastar novamente, com uma maré vazante, conduzindo ao grande abismo muitos destroços americanos?

Sim.
Qual a causa?
Estupidez.

Não foi totalmente sem razão que, um século atrás, John Stuart Mill chamou os conservadores de "o partido estúpido." Quatro décadas atrás, quando, na Grã-Bretanha, o governo Attlee aboliu as cadeiras universitárias na Câmara dos Comuns, Winston Churchill declarou que os socialistas eram "contra o cérebro"[4]. Assim os socialistas eram e são. Mas, um bom número de pessoas conservadoras em 1986, encontrando-se apenas em segundo lugar na busca da estupidez, se esforçam mais.

Alguns anos atrás, comentei no decorrer de um discurso que é requerida imaginação conservadora em nosso tempo. Um homem de negócios na platéia retorquiu, “nós não precisamos de qualquer imaginação: precisamos ser práticos”. É disso que estou falando.

Menos de 40 anos atrás, começou uma renovação - considerada pelos liberais como um recrudescimento - do pensamento e da imaginação conservadora. Como o fabianismo na Grã-Bretanha duas gerações antes, mas prosseguindo em direção oposta, esse "Novo Conservadorismo" contribuiu, trinta anos mais tarde, para vitórias em grande escala nas eleições. Nos Estados Unidos, como antes na Grã-Bretanha, ideias persuasivas combinaram ou coincidiram com circunstâncias favoráveis; e, assim, o curso político de uma grande nação foi alterado, poderosamente.

Na Grã-Bretanha, contudo, os sucessos intelectuais dos fabianos e as vitórias eleitorais do Partido Trabalhista foram acompanhados pelo desenvolvimento de periódicos, editoras de livros e associações universitárias favoráveis ao socialismo. Nos Estados Unidos, au contraire, relativamente poucos ganhos intelectuais para a causa conservadora ocorreram desde 1953. (O ano de 1953 foi marcado pela publicação e recepção cordial de livros conservadores de R. A. Nisbet, Daniel Boorstin, Clinton Rossiter, Russell Kirk e outros: um ano em que os liberais começaram a ouvir).

É verdade que várias revistas de elenco conservador sério são publicadas atualmente, embora nenhuma de tremenda circulação. Mas novas publicações liberais ou radicais também têm surgido. As principais mídias de resenhas de livros são nitidamente mais hostis em relação a qualquer livro suspeito de conservadorismo político ou de ortodoxia religiosa do que o eram nos anos cinqüenta. Quanto à publicação de livros, no ano de 1953 havia apenas uma editora de livros sérios respeitável e consistente, a Henry Regnery; e em 1986 ainda há apenas uma, a mesma Henry Regnery, que obtém apenas uma ligeira assistência das fundações e dos homens de grandes recursos que presumivelmente deveriam estar interessados em manter a mente conservadora viva.

Nas universidades e faculdades, os quadros de funcionários estão muito mais dominados por radicais do que estavam no início dos anos cinquenta - em parte por causa das violentas bobagens da Nova Esquerda que obteve postos durante o final dos anos sessenta e início dos anos setenta e que agora estão fortalecidos por assumirem cargos permanentes[5]. As maiores fundações - a maioria delas - estão dominadas pela mentalidade humanitária da Ford Foundation, a qual avalia o diabo[6] de acordo com o grau de conservadorismo dele.

Assim, o movimento conservador está debilitado, intelectualmente e quanto ao suporte, no exato momento de sua ascendência popular. (A propósito, os grandes homens de negócio da América, salvo raras exceções, nunca têm servido de apoio para causas realmente conservadoras; se, de algum modo, eles pensam sobre política, é do mesmo modo como pensam sobre equipes esportivas profissionais: “Vencer é o nome do jogo”). Isto pode vir a ser um empobrecimento fatal.

Pois a necessidade mais premente do movimento conservador na América é vivificar sua própria reta razão e sua imaginação moral. A geração ascendente, que já ganhou um tipo de conservadorismo irracional em quase todos os campi das universidades, deve estar ciente de que as opiniões e as políticas conservadoras podem ser, ao mesmo tempo, intelectualmente respeitáveis e agradavelmente vivazes.

Vitórias nas urnas são desfeitas em pouco tempo, se não forem apoiadas pela arte duradoura da persuasão. Um movimento político que imagina poder subsistir por slogans e por um pretenso "pragmatismo" atualmente é tombado ao término do próximo carnaval político, bradando novos[7] slogans.

Não estou insinuando que o povo conservador deva definir a formação de uma ideologia conservadora; pois o conservadorismo é a negação da ideologia. O homem público conservador se volta para a constituição, o costume, a convenção, o consenso antigo, a prescrição, o precedente, como guias - não para as abstrações estreitas e fanáticas da ideologia. Estou dizendo, antes, que, a não ser que mostremos à nova geração o que merece ser conservado e de que modo proceder acerca do trabalho de preservação com inteligência e imaginação, a presente onda de opinião conservadora vai nos lançar sobre uma costa severa, rochosa e inacessível, talvez com um selvagem atrás de cada árvore. Líderes conservadores devem declarar, como Demóstenes: “Cidadãos, suplico-vos que penseis!”

A existência de várias facções no interior do movimento conservador não deve nos alarmar demasiadamente. Todos os movimentos políticos reformistas de grande escala, no início, são alianças de vários grupos e interesses que têm em comum, principalmente, uma antipatia em relação ao que tem sido o poder político dominante. Os jornalistas, para sua própria deleitação, inventam ou exaltam rótulos tais como “Direita Antiga”, “Tradicionalistas”, “Neoconservadores”, “Libertários”, “Nova Direita”, “Direita Fundamentalista” e similares. Mas, esses grupos e categorias se sobrepõem e se misturam. Dos membros mais excêntricos dessa frouxa coalizão conservadora pode-se esperar que caiam gradualmente em excentricidades mais novas[8] - e não resultará em nenhuma grande perda. Ênfases variadas sobre este ou aquele aspecto da política pública permanecerão entre os diversos agrupamentos conservadores; mas, um suficiente terreno comum pode ser cultivado para manter uma unidade útil em certas grandes questões - supondo-se que abjuramos qualquer ideologia estreita e que condescendemos para pensar. Se, pelo contrário, líderes conservadores complacentemente imaginam que conjeturar e avançar através dos erros será suficiente, então os futuros historiadores poderão descrever a tentativa de acordar as mentes e corações conservadores durante a segunda metade do século vinte como uma Mississippi Bubble[9] intelectual.

A principal demarcação entre os grupos conservadores americanos de hoje, parece-me, é o abismo fixado entre (por um lado) todos aqueles homens e mulheres conservadores que, tendo visão ampla, argumentam que a atividade intelectual e o despertar da imaginação são requeridos com urgência; e (do outro lado do desfiladeiro) todas aquelas pessoas declaradamente "pragmáticas" que concebem um governo conservador como aquele que se mantém na função por servir ou aplacar certos interesses poderosos - e assim previne que algo desagradável sobrevenha sobre aqueles nos postos de poder.

O ideólogo não pode governar bem; mas, tampouco o pode o oportunista[10]. Pessoas conservadoras na política precisam se manter à distância da Scylla de abstração e da Charybdis de oportunismo[11]. Assim é que pessoas com pensamento e pontos de vista conservadores devem rejeitar os abraços das seguintes categorias de zelotes políticos:

Daqueles que nos impelem a vender os Parques Nacionais para promotores privados.

Daqueles que acreditam que pelos esfomeados sul-africanos nós podemos servir Jesse Jackson[12] e conquistar o voto dos negros em massa.

Daqueles que cortejariam as feministas em declínio mediante a abolição da liberdade acadêmica através de uma nova peça de legislação de "Direitos Civis".

Daqueles que nos instruem dizendo que "o critério do mercado" representa a totalidade da economia política e da moral.

Daqueles que imaginam que a política externa pode ser conduzida com zelo religioso, sobre uma base de direito absoluto e injustiça absoluta.

Daqueles que, imaginando que todos os erros e atos maliciosos são obra de uma “elite” maligna ou enganada, gritam com Carl Sandburg[13], “The people, yes!”

Daqueles que nos asseguram que as grandes corporações não podem fazer nada de errado.

Daqueles que discursam principalmente da Comissão Trilateral, dos Bilderburgers (14) e do Council on Foreign Relations.

E de várias outras gentry[15] que abjuram o liberalismo, mas não são capazes de conservar nada que vale a pena ser conservado.

Tem alguém deixado o campo conservador? Sim.

Existem sobreviventes até aos nossos dias, um elenco conservador de caráter e de mente, capaz de sacrifício, pensamento e sonoro sentimento. Esse tipo de mentalidade conservadora foi discernida na América por Tocqueville um século e meio atrás, por Maine e Bryce há um século, e por Julián Marías há vinte anos. Se bem despertadas em mente e consciência, tais pessoas - realmente muito numerosas nestes Estados Unidos - são capazes de reforma e revigoramento conservador duradouros. Mas, se a trombeta der um som incerto, quem sairá para a batalha?


Notas:

1 - Test Act - qualquer lei ou princípio que estabeleça que a elegibilidade de uma pessoa para um cargo público dependa da confissão da religião oficial. Na Escócia, o princípio foi adotado imediatamente após a Reforma, e um ato de 1567 emitiu a confissão da fé reformada como condição para se assumir um cargo público. [N. do T.]

2 - Thirty-nine Articles - declaração doutrinal da Igreja da Inglaterra que, junto com o Book of Common Prayer, apresenta sua liturgia e sua doutrina. [N. do T.]

3 - A expressão Chaos and Old Night é oriunda do poema épico Paradise Lost (linha 544, livro I), de John Milton. Este utilizou a expressão para se referir ao “material” a partir do qual Deus ordenou e criou o mundo. [N. do T.]

4 - Against brains no original. [N. do T.]

5 - Tenure no original - um professor universitário que tem tenure pode permanecer em seu emprego permanentemente, geralmente depois de ter atuado por um determinado número de anos. [N. do T.]

6 - Fiend no original - um espírito maligno ou demônio; o diabo; uma pessoa perversa ou cruel. [N. do T.]

7 - Fresher no original - mais frescos, novatos, calouros. [N. do T.]

8 - Fresher no original. [N. do T.]

9 - Mississippi Bubble - um esquema financeiro elaborado na França do século XVIII que desencadeou um frenesi especulativo e terminou em colapso financeiro. [N. do T.]

10 - Time-server no original - uma pessoa que muda seus pontos de vista para poder se adequar às circunstâncias prevalecentes ou à moda; servo de ocasião. [N. do T.]

11 - Between Scylla and Charybdis - expressão derivada da mitologia grega utilizada para se referir a uma situação envolvendo dois perigos onde a tentativa de evitar um aumenta o risco do outro. Scylla e Charybdis, segundo o livro XII da Odisséia de Homero, eram dois monstros que ocupavam as águas estreitas percorridas por Odisseu em suas viagens. A distância entre os monstros era pequena, de modo que afastar-se de um significava aproximar-se do outro. [N. do T.]

12 - Político cujas indicações para a candidatura à Presidência do EUA pelo Partido Democrata foram as mais bem sucedidas de um afro-americano até 2008, quando Obama conquistou a nomeação. [N. do T.]

13 - Poeta, historiador e romancista americano. Em meio a Grande Depressão, escreveu um testamento poético ao poder do povo de avançar, de seguir em frente, intitulado The People, Yes (1936). [N. do T.]

14 - Aqui trata-se de uma referência satírica ao Bilderberg Group, também conhecido comoBilderberg conference ou Bilderberg Club, uma conferência realizada anualmente com a presença majoritária de pessoas influentes da Europa e da América do Norte, isto é, governantes, políticos, banqueiros, industriais e gente do campo trabalhista, educacional e das comunicações.

15 - Gentry - pessoas de boa posição social, especificamente a classe de pessoas próxima ou logo abaixo da nobreza em posição e nascimento; pequena nobreza ou aristocracia. [N. do T.]



Tradução: José Junio Souza da Costa
Disponível no Russell Kirk Center.
Fonte: http://midiasemmascara.org

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE IV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Organização, disciplina, paciência, perseverança e destemor. Essas são palavras-chave para se lutar o bom combate. Para se enfrentar as provações que nos são apresentadas pela vida.

Sem isso, qualquer esforço, por mais digno e honrado que seja, reduz tudo a ranhetice e molecagem, pois, como nos ensina São Bernardo de Claraval, não basta querer fazer o bem; é necessário fazer bem feito para que não pereçamos numa intenção sem realização.

Perseverar, sem medo, com paciência, sem esquecermos, jamais, de realizarmos tudo com firmeza de propósito. Esse é o ponto. O resto é colóquio flácido.

II
As vezes o mundo parece que desaba sobre nós. Dói! Dá a impressão que seremos esmagados e esquecidos por tudo e todos como se nunca tivéssemos existido e caminhado pelas vielas desse vale de lágrimas.

Aí, nesses momentos, olhamos para o alto e clamamos por misericórdia. Clamamos por ela por não estarmos compreendendo que é ela que está sendo derramada sobre nossa cabeça.

Isso mesmo! É muito difícil compreendermos os planos de Deus, mas, mais difícil que isso é aceitar a Sua vontade e realmente mudarmos de vida. Isso exige de nós uma  decisão forte para realmente mudarmos o rumo de nossa jornada. Decisão essa que, muitas das vezes, nos esquivamos, com os mais variados subterfúgios.

Por isso, se a vida está sendo dura conosco, agradeçamos, porque é um gesto de misericórdia dos céus. Um gesto incompreendido por nós.

Se o fardo está vergando nossas costas, mudemos nossa atitude perante a vida e aí compreenderemos o ensino que nos é apresentado pelo Sublime Pedagogo com seus inusitados métodos.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

[vídeo] "A Petrobras virou bodega", diz Reinaldo Azevedo


No "Aqui entre nós" com Joice Hasselmann e Reinaldo Azevedo, o colunista de VEJA.com defendeu a demissão imediata da presidente da Petrobras, Graça Foster, e disse que as declarações dadas por ela durante entrevista ontem provam que ela está fora do juízo perfeito.

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE III

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Só para constar: consciência não tem cor.

II
Aqueles sujeitinhos que não tiram a palavra conscientização da boca são, dum modo geral, indivíduos alienados de si e, por isso mesmo, imaginam que o mundo deveria ser tal qual o seu umbigo. E isso é toda sua consciência crítica. Bem crítica (Obs.: eles adoram essa palavra também).

III
José Bonifácio adverte: "os que não têm medo comandam os que têm". É simples assim.

VI
Não acredito que as pessoas devam tomar consciência disso ou daquilo porque essa conversa de conscientização é pra lá de cafona. Coisa de militonto com duas mãos esquerdas. O que é necessário é simplesmente que as pessoas queiram informar-se, movidas por uma brutal e sincera vontade de conhecer a verdade. Aliás, os militontos que tanto gostam de fazer pose de gente consciente e esclarecida poderiam, uma vez ou outra, realmente procurar conhecer os fatos sem mutilá-los para melhor enquadrá-los em seu tateante mundinho ideológico. Poderiam, quem sabe um dia, permitir que os fatos se manifestem e se apresentem aos seus olhos como eles são, sem procurar subterfúgios para justificá-los e pervertê-los para o conforto de sua consciência crítica.

VII
O Brasil cai 20 posições no ranking de infraestrutura. Vejam só! Mais uma conquista petista para atravancar a nação rumo ao "pugresso"! Uma conquista inédita! Um feito técnico e administrativo como nunca se viu antes na história desse país. E você fica falando mal da presente(a) de nosso finado país. Como pode uma coisa dessa? Como pode? Isso é muito feio, muito feio, cidadão malvado...

VIII
Todo indivíduo que acredita que a militância política em prol duma ideologia totalitária seja uma espécie de missão salvífica sofre do que poderíamos chamar de complexo de Rousseau. Tal qual o filosofante de Genebra, essa gente julga-se ser a encarnação rediviva duma utopia totalitária, do homem novo.

E por agirem desse modo acabam por tornar-se um tipo peculiar de misantropo. Essas enfermas almas acreditam, candidamente, que são almas puras, que estão acima do bem e do mal simplesmente porque professam a crença na infalibilidade e na inevitabilidade do socialismo.

Ou seja: essa gente, crítica e consciente, como eles gostam de se autodenominar, se acha profundamente virtuosa por nutrir todas as suas esperanças nessa crença secular e, em vista disso, acaba transferindo o pecado, as falhas humanas, para os outros. Sejam esses outros um grupo de pessoas ou uma mera fantasmagoria abstrata (o sistema, o imperialismo, ou coisa do gênero). O importante é que a culpa seja sempre dos outros, nunca dos imaculados rubros.

Por fim, todo o sujeito que sofre do complexo de Rousseau, acaba afundando-se num inconfesso ressentimento em relação a tudo e a todos e afogando-se num ódio indisfarçável ao ser humano, mesmo que procure dissimular esse ódio com infindáveis declarações de amor pela humanidade.

IX
A galera muito crítica e consciente de tudo tem consigo uma regra áurea que seria mais ou menos assim: a verdade só é legítima se estiver de acordo com as suas convicções ideológicas e a sinceridade só é crível se massagear suavemente o seu ego ideologicamente deformado. Ponto. É simples assim.

O HangOut do Juízo Final (Lobão e o prof. Olavo de Carvalho)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Encontro com a Palavra - Luiz Felipe Pondé


Palestra com Luis Felipe Ponde. Realização Graciosa Country Club e UniBrasil.

A essência do conservadorismo

Por Russel Kirk 

Uma amiga minha, a quem chamaremos senhorita Worth, teve uma conversa com uma vizinha – senhora Williams, digamos – que, no dia anterior, havia vendido um belo prédio antigo, há muito tempo pertencente à sua família, o qual seria demolido para que muitos automóveis usados fossem postos a venda no lugar. A senhora Williams tinha certos arrependimentos; mas, disse ela em caráter definitivo, “você não pode parar o progresso”. Ela ficou surpresa com a resposta da senhorita Worth, que foi esta: “Não, muitas vezes não; mas você pode tentar”.

A Senhorita Worth não acreditava que o Progresso, com P maiúsculo, é uma coisa boa em si mesma. O Progresso pode ser bom ou mau, dependendo da direção a qual se está progredindo. É perfeitamente possível, e não raramente ocorre, de se progredir em direção à beira de um precipício. O pensamento conservador, jovem ou antigo, acredita que todos nós devemos obedecer à lei universal da mudança; mas muitas vezes está em nosso poder escolher quais mudanças aceitaremos e quais mudanças rejeitaremos. O conservador é uma pessoa que se esforça para conservar o que há de melhor em nossas tradições e em nossas instituições, conciliando o que é melhor com a reforma necessária de tempos em tempos.

“Conservar” significa “salvar”... (Considere) a maldição do cupido:

“Aqueles que mudam o amor antigo pelo novo, oram aos deuses para mudá-lo para pior.”

Um conservador não é, por definição, um egoísta ou uma pessoa estúpida; em vez disso, ele é uma pessoa que acredita que há alguma coisa em nossa vida que vale a pena salvar.

Conservadorismo, na verdade, é uma palavra com um significado antigo e honrado – mas, um significado quase esquecido pelos americanos até anos recentes. Abraham Lincoln queria ser conhecido como um conservador. “O que é o conservadorismo?”, disse ele. “Não é a preferência pelo antigo e experimentado, acima do novo e do não testado?” É isso; e é também um corpo de convicções éticas e sociais. Porém, a palavra “liberalismo” tem sido preferida entre nós por duas ou três décadas. Mesmo hoje em dia, embora haja um bom número de conservadores nas políticas nacional e estadual, em nenhum grande partido muitos líderes políticos descrevem a si mesmos como “conservadores”. Paradoxalmente, o povo dos Estados Unidos se tornou a principal nação conservadora do mundo exatamente quando deixou de chamar a si mesmo de conservador em seu próprio país.

No entanto, com a nossa severa oposição ao radicalismo dos soviéticos e nosso repúdio nacional do coletivismo em todas as suas variedades, um bom número de americanos agora têm muitas dúvidas quanto ao desejo de serem chamados liberais ou radicais. Os liberais, por um bom tempo, foram derivando para a esquerda em direção a seus primos radicais; e o liberalismo, nos últimos anos, passou a significar um anexo para o Estado centralizado e para a impessoalidade sombria do Brave New World, de Huxley, ou de 1984, de Orwell. Homens e mulheres que não se consideram liberais ou radicais estão começando a perguntar a si mesmos no que acreditam e do que deveriam se chamar. O sistema de ideias opostas ao liberalismo e ao radicalismo é a filosofia política conservadora.

O que é o Conservadorismo?

O conservadorismo moderno tomou forma por volta do início da Revolução Francesa, quando homens de grande visão na Inglaterra e na América perceberam que, se a humanidade existe para conservação dos elementos da civilização que tornam a vida digna de ser vivida, algum corpo coerente de ideias deve resistir ao nivelamento e ao impulso destrutivo de revolucionários fanáticos. Na Inglaterra, o fundador do verdadeiro conservadorismo foi Edmund Burke, cujas Reflections on the Revolution in France mudaram o rumo da opinião pública britânica e influenciaram incalculáveis líderes da sociedade no Continente e na América. Nos recém-criados Estados Unidos, os fundadores da República, conservadores por formação e por experiência prática, estavam determinados a moldar a Constituição que deveria guiar a sua posteridade em caminhos duradouros de justiça e liberdade. Nossa Guerra de Independência Americana não foi uma revolução real, mas antes uma separação da Inglaterra; estadistas de Massachusetts e da Virgínia não desejavam virar a sociedade de cabeça para baixo. Em seus escritos, sobretudo nos trabalhos de John Adams, Alexander Hamilton e James Madison, nós encontramos um conservadorismo sóbrio e provado, fundado sobre uma compreensão da história e da natureza humana. A Constituição que os líderes daquela geração elaboraram tem provado ser o dispositivo conservador mais bem sucedido em toda a história.

Os líderes conservadores, desde Burke e Adams, subscreveram certas ideias que podemos demonstrar, resumidamente, mediante definição. Os conservadores desconfiam do que Burke chamou “abstrações” - isto é, absolutos dogmas políticos divorciados da experiência prática e das circunstâncias particulares. Eles acreditam, todavia, na existência de certas verdades permanentes que regem a conduta da sociedade humana. Talvez, os princípios mais importantes que têm caracterizado o pensamento conservador americano são estes:

1. Homens e nações são governados por leis morais; e essas leis têm a sua origem em uma sabedoria superior à humana – a justiça divina. No fundo, problemas políticos são problemas morais e religiosos. O estadista sábio procura apreender a lei moral e reger sua conduta adequadamente. Nós temos uma dívida moral para com nossos antepassados, que nos concederam nossa civilização, e um dever moral para as gerações que virão depois de nós. Esta dívida foi ordenada por Deus. Portanto, não temos o direito de, impudentemente, mexer com a natureza humana ou com tecido delicado de nossa ordem social civil.

2. Variedade e diversidade são as características de uma grande civilização. Uniformidade e igualdade absoluta são a morte de todo verdadeiro vigor e liberdade na existência. Conservadores resistem, com imparcial virilidade, à uniformidade de um tirano ou de uma oligarquia e à uniformidade a qual Tocqueville chamou “despotismo democrático”.

3. Justiça significa que todo homem e toda mulher têm direito ao que lhes é próprio – às coisas que melhor se adaptam à sua própria natureza, às recompensas de sua capacidade e integridade, à sua propriedade e à sua personalidade. A sociedade civilizada requer que todos os homens e mulheres tenham direitos iguais diante da lei, mas essa igualdade não deve se estender à igualdade de condição: isto é, a sociedade é uma grande associação, na qual todos têm direitos iguais – mas não para igualar coisas. A sociedade justa requer liderança sólida, recompensas diferentes para habilidades diferentes e um senso de respeito e dever.

4. Propriedade e liberdade são inseparavelmente conectadas; nivelamento econômico não é progresso econômico. Os conservadores valorizam a propriedade para seu próprio interesse, é claro; mas a valorizam muito mais porque, sem ela, todos os homens e mulheres estão a mercê de um governo onipotente.

5. O poder é repleto de perigos; portanto, o bom estado é aquele no qual o poder é controlado e equilibrado, restringido por constituições e costumes sólidos. Na medida do possível, o poder político deve ser mantido nas mãos de instituições privadas e locais. A centralização é normalmente um sinal de decadência social.

6. O passado é um grande depósito de sabedoria; como Burke disse, “o indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia.” Os conservadores acreditam que precisamos nos guiar pelas tradições morais, pela experiência social e por todo o complexo corpo de conhecimentos legados a nós por nossos antepassados. Os apelos conservadores estão para além da opinião precipitada do momento, pela qual Chesterton os denominava de “a democracia dos mortos” - isto é, as opiniões consideradas dos homens e mulheres sábios que morreram antes de nosso tempo, a experiência da espécie humana. O conservador, em suma, sabe que não nasceu ontem.

7. A sociedade moderna necessita urgentemente de uma verdadeira comunidade: e verdadeira comunidade é um mundo distante do coletivismo. A comunidade autêntica é regida por amor e caridade, não por força. Através de igrejas, associações voluntárias, governos locais e uma variedade de instituições, os conservadores se esforçam para manter a comunidade saudável. Os conservadores não são egoístas, mas zelosos do bem-estar público. Eles sabem que o coletivismo significa o fim da comunidade genuína, e substituem uniformidade por variedade e força por cooperação voluntária.

8. Nos assuntos das nações, o conservador americano acredita que seu país deve ser um exemplo para o mundo, mas que não deve tentar reconstruir o mundo à sua imagem. É uma lei da política, bem como da biologia, que todo ser vivente ama, acima de tudo – até mesmo acima de sua própria vida –, sua identidade distintiva, que o diferencia de todos os outros seres. O conservador não aspira à dominação do mundo, nem aprecia a perspectiva de um mundo reduzido a um padrão único de governo e de civilização.

9. Os conservadores sabem que homens e mulheres não são perfectíveis; e nem o são as instituições políticas. Nós não podemos criar um paraíso na Terra, embora possamos fazer um inferno. Somos todos criaturas nas quais bem e mal estão misturados; e, quando as boas instituições negligenciam e ignoram os antigos princípios morais, o mal tende a predominar em nós. Por isso, o conservador suspeita de todos os esquemas utópicos. Ele não acredita que, pelo poder do direito positivo, nós podemos resolver todos os problemas da humanidade. Podemos ter a esperança de fazer nosso mundo tolerável, mas não podemos torná-lo perfeito. Quando o progresso é alcançado, o é através do reconhecimento prudente das limitações da natureza humana.

10. Os conservadores estão convencidos de que mudança e reforma não são idênticas: inovação política e moral pode ser tanto destrutiva como benéfica; e se a inovação é empreendida com espírito de presunção e entusiasmo, provavelmente será desastrosa. Todas as instituições humanas, em certa medida, se alteram de época para época, pois o lento processo de mudança é o meio de conservar a sociedade, exatamente como é, para o corpo humano, o meio de sua renovação. Mas, os conservadores americanos se esforçam para conciliar o crescimento e as modificações essenciais para nossa vida com a força de nossas tradições sociais e morais. Com Lord Falkland, eles dizem: “quando não é necessário mudar, é necessário não mudar.” Eles entendem que homens e mulheres são mais satisfeitos quando podem sentir que vivem em um mundo estável de valores duradouros.

O conservadorismo, então, não é simplesmente o interesse das pessoas que têm muitas propriedades e influência; não é simplesmente a defesa de privilégios e de status. A maioria dos conservadores não são nem ricos nem poderosos. Porém, eles fazem até mesmo o mais simples deles obter grandes benefícios de nossa República estabelecida. Eles têm liberdade, segurança pessoal e de sua casa, igual proteção das leis, o direito aos frutos de sua indústria e oportunidade para fazer o melhor que neles há. Eles têm um direito de personalidade em vida e um direito de consolo na morte. Os princípios conservadores são o abrigo das esperanças de todos na sociedade. E o conservadorismo é um importante conceito social para todo aquele que deseja justiça igualitária e liberdade pessoal e todos os amáveis caminhos antigos da humanidade. O conservadorismo não é simplesmente uma defesa do “capitalismo”.

(“Capitalismo”, na verdade, é uma palavra cunhada por Karl Marx, projetada desde o início para significar que a única coisa defendida pelos conservadores é a grande acumulação de capital privado.) Mas, o que o verdadeiro conservador faz corajosamente é defender a propriedade privada e uma liberdade econômica, ambas para seu próprio bem e porque elas são meios para atingir grandes fins.

Esses grandes fins são mais do que econômicos e políticos. Eles envolvem dignidade humana, personalidade humana, felicidade humana. Eles envolvem até mesmo o relacionamento entre Deus e o homem. Pois o coletivismo radical de nossa época é ferozmente hostil a qualquer outra autoridade: o radicalismo moderno detesta a fé religiosa, a virtude privada, a individualidade tradicional e a vida de satisfações simples. Tudo o que vale a pena ser conservado está ameaçado em nossa geração. A mera oposição negativa e irracional à corrente de acontecimentos, agarrando-se com desespero ao que ainda mantemos, não será suficiente nesta época. Um conservadorismo de instinto deve ser reforçado por um conservadorismo de pensamento e imaginação.

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Original adaptado de The Intelligent Woman’s Guide to Conservatism (New York: The Devin-Adair Company, 1957).

Do Russell Kirk Center.

Tradução: José Junio Souza da Costa

Fonte: http://midiasemmascara.org

Olavo: as manifestações e a aliança entre a grande imprensa e o Foro de São Paulo




DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE II

Por Dartagnan da Silva Zanela

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I
Infelizmente, nem sempre servimos com o zelo necessário a causa que mais amamos.

Isso não significa que, necessariamente, nosso amor seja duvidoso. Não. Sinaliza apenas que somos demasiadamente tímidos por não lutarmos por aquele que é o objeto de nosso amor. Significa que, por covardia, permitimos que ele não se tornasse o luzeiro que guiaria nossos passos em nossa jornada por esse vale de lágrimas.

II
A timidez, com o tempo, converte o amor sincero em frustração inconfessa. E essa, ao seu modo, encobre o nosso temor frente aos olhares dos outros. Encobre o nosso desejo de sermos aprovados pelas multidões. E essas, por sua deixa, vão nos matando, lentamente, até nos tornarmos um cadáver ambulante, vivendo uma vida sem sentido, como aqueles que integram a patuleia ululante que nos vigia e, dos quais, ansiamos pela aprovação de seus torpes olhares.

Matamos o objeto de nosso amor em nome da patética aprovação de pessoas que vivem a devorar os sonhos e a vida umas das outras para que todos tenham, ao mesmo tempo, uma vida fútil e tola. Uma não-vida.

III
Quando as pessoas chamam de monstruosidade uma banalidade e veem uma monstruosidade como sendo algo banal é porque elas perderam, literalmente, todo o senso das proporções, não restando o mais vago sentido de justiça em seu coração.

IV Ensina-nos Sto. Agostinho que não devemos descansar para trabalhar, mas sim, trabalhar para descansar; que não devemos exigir regalos dos outros sem antes servirmos abnegadamente ao próximo e que não devemos cobrar respeito de nossos iguais se antes não formos capazes de, obviamente, sermos respeitosos com todos e conosco mesmo.

Simplificando: os méritos apenas podem ser reconhecidos quando realizamos os necessários sacrifícios para merecê-los. Sem isso, não pode haver descanso, nem regalo, respeito ou mérito. Sem isso, a única coisa que resta é o recalque de gente criticamente crica que faz do lamento fingido a sua profissão. Apenas isso e nada mais.

V
Apenas nos tornamos gente depois que rezamos. Tornamo-nos gente apenas depois do momento que nos apresentamos desnudos diante do Senhor com nossa alma maculada e com nosso coração envergonhado, para que Ele possa nos perdoar e reparar os males que fizemos a Sua imagem que está em nós.

VI
Há duas formas de chamarmos a atenção dos olhares. A primeira é desejando que eles voltem-se para nós; a segunda é pouco importando-se com eles.

No que se refere ao segundo modo: chama-se a atenção realizando, abnegadamente, tudo aquilo que deve ser feito, importando-se pouco com a repercussão que isso ou aquilo venha a ter. Nesse caso, silenciamos nosso ego para que a verdade fale através de nossos gestos.

Já no primeiro essa dignidade inexiste porque a vaidade duma alma vazia não permite isso. Ela invade todo o espaço e por meio de estardalhaços indiscretos procurando chamar a atenção de tudo e de todos para si, pouco importando o que se esteja fazendo. Aliás, na maioria das vezes, é algo vexaminoso. No mínimo.

Na sociedade atual, é abundante o primeiro tipo com sua pseudo autossuficiência petulante e minguado o número daqueles que desprezam a efemeridade dos olhares em favor da substancialidade dum gesto que transpire dignidade. Infelizmente.

VII
O cargueiro é barulhento, não porque esteja vazio. Ele o é porque está cheio de abóboras podres que bem se acomodam na sua decomposição e na imundice do carroção. Por isso, junto com o sonoro incômodo ele deixa sua marca pestilenta no ar por onde passa.

VIII
O atual governo re-re-reeleito, ocultou, estrategicamente, os dados do IBGE e do IPEA, está “refazendo” o relatório da PETROBRAS por causa da operação Lava-jato e pedindo para que o Congresso "remende", em regime de urgência urgentíssima, a LDO para que o déficit, fruto da incapacidade congênita de governar, seja magicamente transformado em superavit (superavit negativo. Mais uma invenção da novilíngua petista). Isso sem falar dos escândalos que não param de pipocar. São tantos que fazem até mesmo os cretinos corarem de vergonha e indignação.

E tem gente que ainda acha que aqueles que votaram contra o PT tinham apenas, como dizem, ódio no coração e nenhuma razão para justificar a sua rejeição. Achem o que quiser. A verdade é uma só: o que aqueles que votaram contra o petismo tem chama-se visão.

IX
Quem faz da ética sua bandeira, o faz para melhor esconder a roubalheira.

X
George Orwell atualizado: Déficit é superavit. Superavit é déficit. Controle social da mídia é liberdade de impressa. Liberdade de impressa é censura.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DE FREI ANTÔNIO DE SANT'ANNA GALVÃO

HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

Aeroporto "Campo de Marte", São Paulo
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007


Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,

«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios» [Sl 33,2]

1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar.

Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.

Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação, minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.

Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece.

Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.

2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.

Deus vem ao nosso encontro, "procura conquistar-nos - até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente" (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.

Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em "laus perennis", em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.

3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira "recolhida" destinada a dar início ao "Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição", testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: "Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram". Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.

4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como "homem de paz e de caridade". Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?

A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.

Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.

Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida". Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?

5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.

De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.

Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: "tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor". São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.

É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.

6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava: "só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo" (Homilia, 20/08/2005). Este é o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!