quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PROGRAMA AVE MARIA, 28 de novembro de 2013.

FULCANELLI. O Mistério das Catedrais.

Uma questão de bom senso


Falando francamente, o que você prefere, a segurança ou a insegurança, o previsível ou o imprevisível? Em suma, quer acordar de manhã certo de que as coisas vão caminhar normalmente ou prefere estremecer ao pensar no que fará, neste dia, o seu filho drogado?

Acho muito difícil que alguém prefira viver no desespero, temendo o que pode ocorrer nesse dia que começa. Estou certo de que todo mundo quer viver tranquilo, certo de que as coisas vão transcorrer dentro do previsível.

Mas quem se droga comporta-se, inevitavelmente, fora do previsível, ou não é? Já imaginou a apreensão em que vivem os pais de um filho drogado? Começa que ele já não vai à escola e, se vai, arma sempre alguma encrenca por lá. Se já trabalha, abandona o emprego e começa a roubar o dinheiro da família para comprar drogas.

Se isso se torna inviável, entra para o tráfico, passa a vender drogas ou torna-se assaltante, porque tem de conseguir dinheiro para comprá-las, seja de que modo for. Daí a pouco, não apenas assalta e rouba como também mata. Os pais já não reconhecem nele o filho que criaram com tanto carinho. Pelo contrário, o temem, porque, drogado, ele é capaz de tudo.

E mesmo assim há quem seja a favor da liberação das drogas. Conheço muito bem o argumento que usam para justificá-la: como a repressão não acabou com o tráfico e o consumo, a liberação pode ser a solução do problema. Um argumento simplista, que não se sustenta, pois é o mesmo que propor o fim da repressão à criminalidade em geral. O argumento seria o mesmo: por que insistir em combater o crime, se isso se faz há séculos e não se acabou com ele?

Fora isso, pergunto: se não é proibida a venda de cigarros e bebidas, por que há tráfico dessas mercadorias? E pedras preciosas, é proibido vendê-las? Não e, no entanto, existe tráfico de pedras preciosas. E ainda assim os defensores da liberação das drogas acham que com isso acabariam com o problema. Claro, Fernandinho Beira-Mar certamente passaria a pagar imposto de renda, ISS, ICMS e tudo o mais. Esse pessoal parece estar de gozação.

Todo mundo sabe que, dos que se viciam em drogas, poucos conseguem largar o vício. E, se largam, é por entender que estavam sendo destruídos por ele, uma vez que perdem toda e qualquer capacidade de refletir e escolher; são verdadeiros robôs que a droga monitora.

Qual a saída, então? No meu modo de ver, a saída é uma campanha educativa, em larga escala, em âmbito nacional e internacional, para mostrar às crianças e aos adolescentes que as drogas só destroem as pessoas.

E isso não é difícil de demonstrar porque os exemplos estão aí aos milhares e à vista de quem quiser ver. Os traficantes sabem muito bem disso, tanto que hoje têm agentes dentro das escolas para aliciar meninos de oito, dez anos de idade.

Confesso que tenho dificuldade de entender a tese da descriminalização das drogas. Todas as semanas, a polícia apreende, nas estradas, em casas de subúrbio, em armazéns clandestinos, toneladas de maconha e de cocaína. É preciso muitos drogados para consumir essa quantidade de drogas.

Junto às drogas, apreendem, muitas vezes, verdadeiros arsenais de armas modernas de grosso calibre. É preciso muito dinheiro e muita gente envolvida para que o tráfico tenha alcançado tal amplitude e tal nível de eficiência. Como acreditar que tudo isso desaparecerá, de repente, bastando tornar a venda de drogas comércio legal? Sem falar nos novos tipos sofisticados de cocaína e maconha, que estão diversificando o mercado.

A verdade é que o tráfico existe e cresce porque cresce o número de pessoas que consomem drogas. Como se sabe, não pode haver produção e venda de mercadoria que ninguém compra. Se se reduzir o número de consumidores, o tráfico se reduzirá inevitavelmente. E a maneira de fazer isso é esclarecer os jovens do desastre que elas significam.

O resultado maior não será junto aos viciados crônicos, que tampouco devem ser abandonados à sua má sorte. Virá certamente do esclarecimento dos mais jovens, dos que ainda não foram cooptados pelo vício. A eles devem ser mostrado que as drogas destroem inevitavelmente os que a elas se entregam.

O SILÊNCIO DOS FORTES

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 28 de novembro de 2013.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Piadas de salão


E agora, como ficam Lula e seu partido? O processo do mensalão chegou ao final, com a condenação dos responsáveis pela falcatrua levada a cabo por destacados membros do governo Lula e do PT: José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil da Presidência; José Genoino, então presidente do Partido dos Trabalhadores; Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, e João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara de Deputados.

Isso sem falar em Marcos Valério, operador do sistema, e um alto funcionário do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que entregou R$ 73 milhões ao PT para a compra de
deputados. A pergunta é como ficam Lula, seu partido e o governo petista agora, diante da nação.

Vou referir-me aqui a determinados fatos, de que o leitor talvez não se lembre, mas o ajudarão a entender como nasceu o mensalão. Os fatos são estes: quando Lula foi eleito presidente da República, José Dirceu disse-lhe que o PMDB estava disposto a apoiar seu governo, mas Lula não quis.

Sabem por quê? Porque o PMDB, com o peso que tinha no Congresso, iria exigir dele ministérios e a direção de empresas estatais. Preferia aliar-se a partidos pequenos que, em lugar de altos cargos, se contentariam como muito menos. E assim foi: em vez de ministérios ou empresas estatais, deu-lhes dinheiro. Falando claro, comprou-os com dinheiro público.

Não tenho dúvidas de que Lula não sujou suas mãos nessa tarefa. Encarregou disso, conforme ficou evidente na apuração processual, seu ministro José Dirceu, que, como disse o procurador-geral da República na época, era o chefe da quadrilha. E dela faziam parte, entre outros, além de Marcos Valério e do presidente do PT na época, José Genoino, o diretor da marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, companheiro de partido.

A compra de deputados veio a público porque o então presidente do PTB, Roberto Jefferson, negou-se a aceitar dinheiro em troca do apoio ao governo: queria a direção de Furnas, mas José Dirceu disse não. Esse conflito entre os dois chegou a tal ponto que ele foi à imprensa e denunciou o que o governo fazia para ter apoio dos partidos de sua base parlamentar: comprava-os. Era o mensalão que vinha à tona.

Lula, pego de surpresa, declarou: "Fui traído". Ou seja, admitiu que a denúncia era verdadeira, mas ele ignorava a falcatrua. Isso ele disse naquela hora, para se safar, porque, pouco depois, refeito do susto, passou a afirmar que era tudo mentira, nunca houve mensalão nenhum. Sucede que, durante sete anos, a Justiça, por meio do exame de documentos, interrogatório e testemunhos, apurou o que realmente aconteceu e definiu o papel de cada um nesse grave crime.

O escândalo, ao eclodir, quase acaba com o PT e o governo Lula. Os membros efetivamente comprometidos com a ética deixaram o partido, e Lula, ao que tudo indica, chamou os executores do mensalão e os fez se deixarem acusar sem contar a verdade. Delúbio assumiu sozinho a culpa por tudo, disse que Lula não sabia de nada. Isso, mesmo estando todos os domingos com ele, na Granja do Torto, fazendo churrasco.

A verdade é que, embora eles pensassem que tudo ia acabar como piada de salão, não foi isso que aconteceu. Rompendo com a tradição de impunidade, que sempre favoreceu aos poderosos, o Supremo Tribunal Federal, num julgamento que foi realizado à vista da nação inteira, decidiu pela condenação e prisão de todos os que comprovadamente participaram da operação criminosa, cujo objetivo era dar apoio político ao presidente Lula.

Em consequência dessa decisão, José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e Delúbio Soares, entre outros, irão pagar na cadeia pelo crime que cometeram.

Condenados pela Suprema Corte da Justiça, num julgamento em que todos os ministros manifestaram suas opiniões e votaram conforme sua consciência, não tem cabimento dizer que se trata de um julgamento político. Não obstante, Dirceu e Genoino se fazem de vítima e se dizem "presos políticos". Para isso, seria preciso que o atual governo fosse uma ditadura e que

Dilma é que tivesse mandado prendê-los. Isso, sim, é piada de salão. Soube que, ao sair a ordem de prisão, Lula telefonou para Dirceu e Genoino e lhes disse: "Estamos juntos!". Só que os dois estão em cana e ele, solto. Outra piada.

A CAVERNA DE MEFISTÓFELES

Escrevinhação n. 1070, redigida no dia 26 de novembro de 2013, dia do Beato Tiago Alberione e de São João Berchmans.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Em sua obra “A origem da Linguagem”, Eugen Rosenstock-Huessy afirma, com a serenidade que lhe é característica, que a saúde moral e cognitiva de um grupo depende da origem da linguagem de seu meio, depende das realidades que os símbolos, que compõe o meio sócio-cultural, nos remetem. Por isso, chega ser desesperador quando refletimos sobre as fontes da linguagem circulante e bem como sobre os símbolos que são utilizados corriqueiramente para referirmo-nos as realidades que se apresentam de modo fugidio, ou direto, em nosso dia a dia.

Tendo isso em vista não temos como nos esquivar duma alegoria que com freqüência é apresentada como uma figura análoga ao mito da caverna, apresentado no livro VII da República de Platão. A figura em questão é a trilogia Matrix dos irmãos Wachowski. Quando se menciona o mito platônico, rapidamente, muitos o comparam com a referida produção cinematográfica.

Ora, e não se pode fazer isso? Olha, você pode fazer o que quiser. Entretanto, reflitamos sobre a saúde de nossa sociedade a partir desta pequena amostra. Num primeiro momento, percebemos muitos elementos que aproximam os dois cenários, porém, se nos colocarmos no lugar do prisioneiro da caverna e bem como do senhor Thomas A. Anderson do filme Matrix e vivermos, imaginativamente, os dramas de cada uma das personagens, perceberemos diferenças específicas gritantes entre as duas narrativas.

O prisioneiro, por um ato da Graça (ou por mero acaso) liberta-se de seus grilhões e foge da caverna seguindo o feixe de luz que adentra o sombrio covil para chegar à realidade banhada pela luz solar, pela Verdade, que impacta sua alma e inunda-a de júbilo ao ponto de desejar partilhar tal contento com os seus que ainda se encontram agrilhoados no reino das sombras. Resumindo: literalmente temos diante de nossas vistas uma experiência de ascese.

Muito bem, e na “versão” distópica dos irmãos Wachowski, o que temos? Nela, a realidade seria uma ilusão construída por um Demiurgo (um Deus maligno) e o que é apresentado como sendo o mundo real, é um horizonte sem luz (o céu foi queimado), sombrio, lúgubre, sem vida e a cidadela da liberdade encontra-se no subsolo. Trocando por miúdos: o caminho trilhado é literalmente oposto ao do mito platônico. Detalhe: quando Neo desperta, ele é jogado no que um dia foi o sistema de esgoto duma grande metrópole. Bem sugestivo, diga-se de passagem.

Em suma, tal imagem, em seu uso analógico com o cavernoso mito helênico, revela a dimensão luciferina dos símbolos que compõe a cultura contemporânea que ao invés de apontar para o que há de mais elevado na alma humana, convidam-nos a fecharmo-nos num tribalismo de idéias furibundas que toma o lugar da sabedoria universal, como nos ensina Mário Ferreira dos Santos em seu livro “A invasão vertical dos bárbaros”.

Vivemos imersos nesta gritaria inarticulada de relativismos mil que nos são repetidos de maneira hipócrita e que repetimos hipnoticamente na vã crença de que estamos ascendendo intelectualmente ao mesmo tempo em que nos descolamos de tudo que nos humaniza, caindo numa triste bestialidade que imola nossa humanidade, em favor de grosseiros impulsos e desejos, na ilusão de estarmos nos emancipando de tudo, de todos e de nós mesmos.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.k6.com.br
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

A ERA DO MEDO

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 27 de novembro de 2013.

Arrependimentos


Padre Pio de Pietrelcina confessava-se no mínimo a cada sete dias. Se até um santo homem como ele tinha arrependimentos semanais, o que dizer de um miserável pecador como este cronista?

Arrependo-me diariamente de várias palavras, atos, pensamentos e omissões. Às vezes, o arrependimento se refere a algo que aconteceu há muitos anos. Querem um exemplo? Lamento ter invadido a reitoria da Universidade de Londrina em meados de 1990. Esse fato me veio à mente alguns dias atrás, quando vi as imagens da destruição provocada pelos invasores da reitoria da USP.

Devo ressaltar, porém, que éramos invasores bem civilizados. Vinte e três anos se passaram, mas eu me lembro do cuidado que tínhamos em evitar qualquer tipo de depredação ou dano ao patrimônio público. Logo no primeiro dia da invasão, flagramos um companheiro mexendo na fechadura de uma sala; ele foi duramente advertido e quase expulso do movimento. À noite, tocávamos canções de Caetano e Djavan ao luar. Minha maior ousadia foi dormir (sozinho) em uma colchonete na Sala do Conselho Universitário.

Destruição, sujeira e vandalismo eram coisas de "fascista" (o pior xingamento da época). Nunca nos passaria pela cabeça esconder o rosto ou usar coquetel molotov durante manifestações. Escrevíamos slogans e mensagens revolucionárias? Claro que sim! Mas para isso usávamos folhas de papel kraft cuidadosamente coladas com fita crepe nas paredes. Um estudante de arquitetura, com dotes artísticos, fez um belo desenho utilizando canetas Pilot de várias cores. Lembro-me que escrevi uns versos de Drummond ao lado da imagem. Ou seria uma canção de Cartola?

Sim, eram tempos inocentes: fomos inocentes úteis ao participar daquela invasão, que só serviu para consolidar o poder da esquerda na administração universitária.

O maior arrependimento que carrego é ter acreditado que a revolução socialista poderia conduzir ao paraíso na Terra. Na verdade, como aprendi duramente nos livros e no cotidiano da militância esquerdista, o mundo que sonhávamos não passava de um inferno dentro do pesadelo.

Espero que meu filho não tenha de passar pelos mesmos erros e arrependimentos. Rogai por nós, Padre Pio.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

PEDRINHAS NA ALGIBEIRA

Escrevinhação n. 1069, redigida entre os dias 19 de novembro de 2013, dia de Santa Matilde de Hackeborn e de São Roque Gonzales e companheiros mártires, e 25 de novembro de 2013, dia de Santa Catarina de Alexandria.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Não quero mudar o sistema. Nem tenho planos para um mundo melhor. Tenho planos para mim, para tentar, na medida do possível e nos limites do impossível, corrigir esse mentecapto inveterado que habita esse mundo e navega sem rumo pelas linhas turvas do sistema. Sim, há muitas injustiças no mundo e o sistema que rege essa desafinada orquestra societal não colabora com realização da justiça. Ninguém nega isso e não serei eu o primeiro a fazê-lo. O que digo é que eu não peço, de modo algum, a Deus que me dê meios e poder para corrigir o mundo, porque eu não sou melhor do que a imagem que invade minhas vistas. Na verdade, estou bem abaixo e entregar os destinos de milhões de almas em mãos tão ineptas é algo temeroso por demais. Contento-me em estender minhas trêmulas mãos àqueles cuja face clama por um gesto de amor. Imagino que as alminhas revolucionárias nunca pararam pra pensar nisso e, por essa razão, são o que são: uma massa bufa, desalmada, que dissimula excelsas intenções.

2. Renato Rabelo, em discurso proferido no XIII Congresso do PC do B, afirmou que o regozijo manifesto pela sociedade brasileira frente à prisão dos [companheiros] mensaleiros, e a condenação em si dos mesmos, seriam reminiscências dos idos da inquisição. Ora, a alegria manifesta se deve a um reles sentimento de alma lavada, júbilo partilhado por todas as pessoas que ganham o pão de cada dia com o seu labor. Somente canalhas confessos e inconfessos não se indignam com a imoralidade pública de nosso país (independente da cor ideológica). De mais a mais, o senhor Renato Rabelo deveria louvar aos céus pelo fato da prisão dos [companheiros] mensaleiros ser numa prisão da polícia federal brasileira. Isso mesmo! Ele deveria lamentar se os mensaleiros tivessem sido presos em algo similar a um Gulag soviético, ou a um “Campo de reeducação” chinês, ou a uma prisão da República Democrática da Coréia do Norte (ditadura que seu partido tanto louva), ou um Campo de prisioneiros do Kimer Vermelho no Camboja, ou algo similar a prisão de La Cabaña em Cuba. Por fim, como nos ensina o brocardo popular: errar é humano, reconhecer nossos erros chamar-se caráter.

3. Vivemos na era do medo. Não me refiro ao medo advindo da criminalidade, dos atentados terroristas, da insegurança no transito e da Gripe do porco, da galinha e do tigre. Vivemos hoje numa época em que temos medo de ser sinceros para com os outros e, principalmente, para conosco mesmo. Vivemos um tempo em que as pessoas se borram nas calças de medo de falar e ouvir a verdade. E essa distinta dama é temida porque, necessariamente, ela nos chama para a realidade e, conseqüentemente, nos revela todas as nossas culpas que tanto nos esforçamos em nos esquivar e, principalmente, para fingirmos que elas nada têm para nos dizer. Ora, uma vida sem culpas é uma vida vivida pela metade. É a encarnação da irresponsabilidade, um monstro sem coração com a percepção tolhida pelo sacrifício da verdade em favor da vaidade e dos mais rasteiros desejos advindos dela. Tal é estado de nossa época tomada e governada pelo medo da verdade.

4. Não passamos de reles mendigos ingratos. Essas palavras da lavra de Leon Bloy retratam piamente a nossa mesquinha condição humanamente decaída. Temos nossos olhos por demais fintados nos momentos imediatos e em nosso umbigo, julgando o valor de tudo e de todos de acordo com a serventia que tenham para nós e não de acordo com a devida medida que é cabida a cada um e a cada coisa. Muitas pessoas nos servem. Gentilmente ou não, lá estão elas a nos servir e nós, em retribuição, apenas nos servimos delas como se tudo e todos tivessem o dever fundamental de estar ao nosso dispor. Os humildes diriam simplesmente que o que há nessas almas é ruindade pura e simples. Não tenho como discordar. Pensando bem, nada tenho para acrescentar. A ruindade nos cega. Ela nos faz crer na pífia ideia de que somos o centro da realidade e, deste modo, imaginamos que com apenas um estalar de dedos devemos ser atendidos, como se tudo e todos tivessem sido criados para nos servir. Nunca cogitamos que, uma vez ou outra, só pra variar, poderíamos servir aqueles que, gentilmente ou não, nos estendem a mão e os braços.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.k6.com.br
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

RECONHECER CHAMA-SE CARÁTER

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 25 de novembro de 2013.

Papa Francisco: homilia de clausura do Ano da Fé

O santo padre lembrou a centralidade de Cristo na vida e na história de cada um

Por Redacao do ZENIT

ROMA, 24 de Novembro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos a seguir a homilia do santo padre na celebração eucarística do fechamento do Ano da fé:

***

A solenidade de Cristo Rei do universo, que hoje celebramos como coroamento do ano litúrgico, marca também o encerramento do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, para quem neste momento se dirige o nosso pensamento cheio de carinho e de gratidão por este dom que nos deu. Com esta iniciativa providencial, ele ofereceu-nos a oportunidade de redescobrirmos a beleza daquele caminho de fé que teve início no dia do nosso Baptismo e nos tornou filhos de Deus e irmãos na Igreja; um caminho que tem como meta final o encontro pleno com Deus e durante o qual o Espírito Santo nos purifica, eleva, santifica para nos fazer entrar na felicidade por que anseia o nosso coração.

Desejo também dirigir uma cordial e fraterna saudação aos Patriarcas e aos Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas, aqui presentes. O abraço da paz, que trocarei com eles, quer significar antes de tudo o reconhecimento do Bispo de Roma por estas Comunidades que confessaram o nome de Cristo com uma fidelidade exemplar, paga muitas vezes por caro preço.

Com este gesto pretendo igualmente, através deles, alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz e da concórdia.

As Leituras bíblicas que foram proclamadas têm como fio condutor a centralidade de Cristo: Cristo está no centro, Cristo é o centro. Cristo, centro da criação, do povo e da história.

1. O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura tirada da Carta aos Colossenses, dá-nos uma visão muito profunda da centralidade de Jesus. Apresenta-O como o Primogénito de toda a criação: n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas. Ele é o centro de todas as coisas, é o princípio: Jesus Cristo, o Senhor. Deus deu-Lhe a plenitude, a totalidade, para que n’Ele fossem reconciliadas todas as coisas (cf. 1, 12-20). Senhor da criação, Senhor da reconciliação.

Esta imagem faz-nos compreender que Jesus é o centro da criação; e, portanto, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade - é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. uando se peE, assim, os nossos pensamentos serão pensamentos cristãos, pensamentos de Cristo. As nossas obras serão obras cristãs, obras de Cristo, as nossas palavras serão palavras cristãs, palavras de Cristo. Diversamente, qrde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem.

2. Além de ser centro da criação e centro da reconciliação, Cristo é centro do povo de Deus. E hoje mesmo Ele está aqui, no centro da nossa assembleia. Está aqui agora na Palavra e estará aqui no altar, vivo, presente, no meio de nós, seu povo. Assim no-lo mostra a primeira Leitura, que narra o dia em que as tribos de Israel vieram procurar David e ungiram-no rei sobre Israel diante do Senhor (cf. 2 Sam 5, 1-3). Na busca da figura ideal do rei, aqueles homens procuravam o próprio Deus: um Deus que Se tornasse vizinho, que aceitasse caminhar com o homem, que Se fizesse seu irmão.

Cristo, descendente do rei David, é precisamente o «irmão» ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. N’Ele, nós somos um só; um só povo unido a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino. Somente n’Ele, n’Ele por centro, temos a identidade como povo.

3. E, por último, Cristo é o centro da história da humanidade e também o centro da história de cada homem. A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele dá-nos esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho de hoje.

Enquanto todos os outros se dirigem a Jesus com desprezo – «Se és o Cristo, o Rei Messias, salva-Te a Ti mesmo, descendo do patíbulo!» –, aquele homem, que errou na vida, no fim agarra-se arrependido a Jesus crucificado suplicando: «Lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). E Jesus promete-lhe: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (23, 43): o seu Reino. Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontra a coragem de pedir este perdão, o Senhor nunca deixa sem resposta um tal pedido. Hoje todos nós podemos pensar na nossa história, no nosso caminho. Cada um de nós tem a sua história; cada um de nós tem também os seus erros, os seus pecados, os seus momentos felizes e os seus momentos sombrios. Neste dia, far-nos-á bem pensar na nossa história, olhar para Jesus e, do fundo do coração, repetir-lhe muitas vezes – mas com o coração, em silêncio – cada um de nós: «Lembra-Te de mim, Senhor, agora que estás no teu Reino! Jesus, lembra-Te de mim, porque eu tenho vontade de me tornar bom, mas não tenho força, não posso: sou pecador, sou pecadora. Mas lembra-Te de mim, Jesus! Tu podes lembrar-Te de mim, porque Tu estás no centro, Tu estás precisamente no teu Reino!». Que bom! Façamo-lo hoje todos, cada um no seu coração, muitas vezes: «Lembra-Te de mim, Senhor, Tu que estás no centro, Tu que estás no teu Reino!»

A promessa de Jesus ao bom ladrão dá-nos uma grande esperança: diz-nos que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. O Senhor dá sempre mais – Ele é tão generoso! –, dá sempre mais do que se Lhe pede: pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino! Jesus é precisamente o centro dos nossos desejos de alegria e de salvação. Caminhemos todos juntos por esta estrada!

domingo, 24 de novembro de 2013

Solenidade de Cristo Rei do Universo

PROGRAMA TESTEMUNHO DE FÉ - Padre Paulo Ricardo.
 
Site: http://padrepauloricardo.org

ALVES, Castro. OBRAS COMPLETAS.

Um Genoíno homem de esquerda


O DEPUTADO JOSÉ GENOÍNO tem hoje a fama de ser homem respeitado igualmente pela esquerda e pela direita. Contribuem muito para isso a inteligência, a polidez, a simpatia e o ar despretensioso com que S. Excia. encanta a todos os que o ouvem falar. Muito o ajudam, também, a elegância e a retidão com que ele tem cumprido os deveres da ética parlamentar, seja diante de seus companheiros de partido, seja dos adversários. Tudo isso faz dele um homem digno da distinção que hoje o cerca. Mas o motivo principal de seu prestígio é que ele encarna, segundo a opinião geral, a personificação mesma de uma “nova esquerda”, esclarecida e democrática, despida de toda pretensão totalitária e avessa ao emprego da violência como meio de acesso ao poder.

O próprio Genoíno dá verossimilhança a essa interpretação, na medida em que, sem renegar de todo sua atuação de guerrilheiro, ele a vincula a um determinado momento do passado, como coisa adequada àquele tempo e inadequada ao nosso. O Genoíno de hoje, ao contrário do de ontem, crê mais no voto, no diálogo e no império da lei do que na retórica brutal das metralhadoras.
Ele subscreve, em nome da esquerda, a máxima predileta da direita: Os tempos mudaram. E como direita e esquerda têm por dogma comum de seus respectivos evangelhos a crença piedosa no mito do progresso, o deputado torna-se assim um sacerdote da deusa ante a qual se prosternam os fiéis de ambas as igrejas: a Modernidade.

Porém, mais importante que isso é o lado moral da transformação. A edição revista e melhorada do deputado Genoíno faz dele, no consenso da opinião consagrada pelos jornais e por todas as pessoas de bem, um esquerdista diferente: alguém, em suma, que, mesmo nos momentos decisivos das radicalizações e dos confrontos mais duros, será sempre mais obediente à moral do que à ideologia, mais fiel ao compromisso democrático do que a uma estratégia para a tomada do poder, mais atento à palavra dada em público do que a lealdades secretas de conspirador e revolucionário.

Se essas qualidades já não delineassem, por si, o perfil de alguém fundamentalmente inapto para a carreira política, deixando sem explicação o sucesso parlamentar de homem tão destituído daquele mínimo de maquiavelismo e hipocrisia, que o senso comum considera indispensável a semelhante ofício, elas ainda assim imporiam, ao observador atento e conhecedor da história da esquerda, algumas constatações bastante inquietantes.

Em primeiro lugar, a rejeição que o deputado faz da violência armada não é de ordem moral: é estratégica. Num determinado quadro político-social, o uso das armas é sensato; num outro, torna-se insensato. Não se trata portanto de rejeitar o terrorismo, as bombas e o morticínio, a contestação violenta da ordem estabelecida, mas apenas de usá-los segundo um diagnóstico das condições objetivas e subjetivas que, em determinada fase do processo histórico, os aconselham ou desaconselham segundo as conveniências da estratégia revolucionária. Somente pessoas totalmente ignorantes da história das esquerdas — ou seja, a totalidade da nossa opinião pública, incluindo os jovens universitários — podem imaginar que a atitude presente do deputado Genoíno seja, nisso, algo de novo e diferente. Ela é a repetição literal e fidedigna de uma posição já adotada, em várias circunstâncias, por Marx e Lênin, Stálin e Mao, Guevara e Fidel Castro. São somente os anarquistas e os fascistas que, seguindo Bakunin e Georges Sorel respectivamente, têm o emprego da violência como um princípio incondicional e uma regra de ação permanente. Para os comunistas, a violência é e sempre foi instrumental e dependente das conveniências ou inconveniências estratégicas assinaladas pela análise realista do quadro histórico. E é precisamente isto o que ela é para o deputado Genoíno, o qual, se for sincero, há de reconhecer que expressei com exatidão o seu mais profundo pensamento a respeito desse ponto.

Em segundo lugar, é um fato histórico dos mais notórios que a esquerda mundial, nos momentos em que as conveniências a levaram a adotar predominantemente a via pacífica e democrática, tirou sempre disto um indevido proveito moral, dando ares de virtude ética ao que era apenas um meneio estratégico provisório, prestes a ceder lugar, na primeira oportunidade em que isto se fizesse necessário, ao emprego maciço dos meios sangrentos. Nunca faltaram platéias devotas que, nas fases de pacifismo estratégico, acreditassem — por ignorância ou por puro wishful thinking — estar presenciando o nascimento de uma nova esquerda, humanizada e redimida. Este espetáculo— com sua contrapartida cíclica de desilusões e autocríticas choronas — repetiu-se dezenas de vezes no curso da história do movimento esquerdista.

O deputado Genoíno, portanto, não é nada novo também sob este aspecto: ao tirar proveito do equívoco que toma por pureza moral o que é esperteza estratégica, ele continua rigorosamente dentro do padrão tradicional de conduta das esquerdas. Se ele faz isso conscientemente ou apenas se deixa deleitar num estado de embriaguez moral em que o aplauso dos enganados acaba por enganar o próprio enganador, é coisa que ignoro: não conheço as profundezas de sua psique para saber se nele predomina o maquiavelismo consciente ou a falsa consciência; o que sei é que, em qualquer dos dois casos, ele continua a ser um personagem típico do circo esquerdista, onde não há lugar senão para dois personagens, os equivalentes ideológicos de Pierrot e Arlequim: a ilusão e o cinismo.

Em terceiro lugar, nunca existiu para as esquerdas a hipótese de fazer uma opção categórica entre via armada e via pacífica, pela simples razão de que toda e qualquer estratégia revolucionária exige o emprego, ora sucessivo, ora simultâneo, dos dois instrumentos. Entre as armas da retórica e a retórica das armas, a esquerda sempre optou pelas duas. Nenhuma revolução esquerdista, em qualquer parte do mundo, se fez jamais por uma dessas vias exclusivamente, ou mesmo predominantemente. A única distinção que cabe é a seguinte: como é impossível, fisicamente, um mesmo indivíduo participar ao mesmo tempo das duas, tomando assento no parlamento às segundas, quartas e sextas e fazendo guerrilha nas selvas às terças, quintas e sábados, é inevitável que uma distribuição de funções atribua a alguns membros do movimento esquerdista o papel mais brando e civilizado, a outros o mais violento e selvagem. Assim, Trótski, na clandestinidade, preparava a insurreição armada, enquanto na cidade a intelligentzia e os deputados esquerdistas na Duma (parlamento russo) pregavam, em linguagem perfeitamente compatível com a ordem e as leis, a defesa dos direitos humanos de trabalhadores e camponeses. Somente Lênin, de longe, era a cabeça por trás dos dois braços, que atuavam com total independência mútua e não raro se hostilizavam.

Do mesmo modo, no tempo em que o jovem Genoíno treinava guerrilha no Araguaia, os deputados e senadores da esquerda, no Congresso, auxiliados pela intelectualidade urbana e pela imprensa de oposição, procuravam obstar por meios legais e pacíficos a ação do governo militar.

A esquerda, naquele tempo, não optou pela via armada: acrescentou-a, apenas, ao combate parlamentar e legal, atuando em dois planos, como quem mantém o adversário distraído por um abundante fluxo de argumentos enquanto junta forças para chutá-lo no baixo ventre.

É absolutamente necessário, ao sucesso de qualquer estratégia revolucionária, que as duas mãos da revolução atuem independentemente e sem que se possa identificar por trás delas o menor sinal de um comando unificado. A convergência dos resultados de uma e de outra — o abalo e destruição do adversário — deve parecer, até o último momento, pura obra do acaso. Não é incomum que o comando estratégico chegue a tornar-se invisível, abstendo-se de interferir e deixando que as duas alas atuem de maneira realmente incoordenada, para só forçar a unificação do movimento no instante do desenlace. Foi precisamente o que fez Lênin em seu exílio europeu. O comando de uma revolução é um ser evanescente e ambíguo, que, durante todo o tempo em que as águas correm na direção desejada, se mantém na posição de um discreto observador a quem ninguém, à primeira vista, atribuiria qualquer poder significativo.

Ora, não havendo opção entre legalidade e ilegalidade, ação parlamentar e ação de guerra, combate de palavras e combate militar, mas sim sempre convergência e articulação mesmo por trás da duplicidade aparentemente incoerente das duas correntes de atuação, o deputado Genoíno sabe que, ao assumir sua aparente opção pela via pacífica, está simplesmente desempenhando um dos papéis do enredo revolucionário, seguro de que alguém estará se incumbindo do papel complementar e fazendo a parte suja do serviço, sem comprometer em nada a imagem de bonzinho que as circunstâncias e conveniências da estratégia esquerdista atribuíram no momento à pessoa do deputado.

José Genoíno sabe que, excluída do campo de sua atuação pessoal, a parte violenta da ação revolucionária não foi de maneira alguma excluída da estratégia global do esquerdismo. Apenas, o papel que cabe hoje a José Genoíno é aquele que, nos seus tempos de guerrilheiro, incumbia a Francisco Pinto no Congresso, a Mário Martins no Senado, a Ênio Silveira e não sei mais quantos na luta cultural, ao passo que o papel que então foi de José Genoíno é desempenhado hoje por José Rainha e suas legiões de posseiros armados.

E, se sabe tudo isso, Genoíno sabe também que sua pretensa opção pela via pacífica é pura pantomima para disfarçar o que não passa de redistribuição de funções segundo as idades e os talentos de cada combatente, no quadro de uma estratégia esquerdista que, hoje como ontem, no Brasil como na Rússia, discursa em cima e bate em baixo, com suas duas mãos de sempre. Se não fosse puro fingimento de militante fiel, se fosse genuína e não apenas genoínica, a recusa da violência imporia ao deputado o dever de não apenas condenar em termos veementes as operações de guerra empreendidas por José Rainha, mas, com toda a coerência lógica, a obrigação de exigir que fossem punidas com os rigores da lei, malgrado o discurso ético-social que lhes serve de pretexto. Se, em vez disso, o próprio Genoíno as aprova tacitamente e as justifica em nome de não sei quantas racionalizações moralizantes, gastando em benefício delas o seu próprio prestígio de pacifista inofensivo, é porque está lá precisamente para esse fim, para dar à violência a cobertura retórica e a legitimação política sem a qual ela perderia toda aura de respeitabilidade e seria condenada como banditismo puro e simples. Já tendo passado da idade de dar tiros, que é coisa feia, o deputado foi transferido, na periódica rotatividade dos quadros esquerdistas, para a seção de embelezamento.

Tudo isso é de uma obviedade patente, e o fato de que mesmo pessoas letradas se recusem a enxergá-lo, ou, enxergando-o, teimem em escondê-lo aos olhos dos demais, só se explica pela mesma mistura e alternância de ingenuidade e cinismo, que mencionei acima, e que constitui a típica receita mental da platéia esquerdista, tal como o Arlequim da falsa consciência e o Pierrot da consciência pérfida são os únicos personagens no palco da sua fantasia. Desafio publicamente o deputado Genoíno a provar com fatos e razões — e não mediante artifícios de retórica depreciativa ou apelos sentimentais — que meu diagnóstico é falso ou deficiente em algum ponto. Caso ele o prove, estarei disposto a abjurar minha opinião imediatamente.

www.olavodecarvalho.org
www.seminariodefilosofia.org

sábado, 23 de novembro de 2013

FRANCA, Pe. Leonel. LIBERDADE E DETERMINISMO.

EDUCAÇÃO E DISCIPLINA

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 22 de novembro de 2013.

Joaquim Barbosa não praticou uma só ilegalidade; gritaria é fruto da máquina de difamação do PT.


Joaquim Barbosa, relator do mensalão e presidente do Supremo Tribunal Federal, não cometeu ilegalidade nenhuma ao determinar a prisão dos mensaleiros. Nada! Zero! A gritaria é só decorrência da máquina de propaganda e de difamação do petismo. Os presos estão sob a guarda da Polícia Federal, que também é polícia judiciária. A Vara de Execução Penal que cumpre as determinações do Supremo é a do Distrito Federal. Pergunta com resposta óbvia: o deputado Natan Donadon (sem partido) cumpre pena em Rondônia ou na Papuda? Agora, sim: executadas as prisões, analisam-se os pedidos para cumprimento em outros estados por esta ou por aquela razão.

Wadih Damous, presidente do Comissão de Direitos Humanos da OAB, saiu atirando contra a Joaquim Barbosa. É o que ele sempre faz quando seus “companheiros” de esquerda estão em apuros. Esse senhor vinha se especializando, nos últimos tempos, em sair em defesa de mascarados violentos no Rio. Agora, arrumou uma causa ainda mais especiosa… O Conselho Federal da OAB, ainda bem!, preferiu deixar o homem falando sozinho e não endossou seu chilique. Sabia que havia na gritaria mais ideologia do que questão técnica.

Leiam abaixo algumas perguntas e respostas sobre a prisão dos mensaleiros, pubicadas na VEJA.com.

Por Laryssa Borges

1. É legal transportar os condenados para Brasília previamente, mesmo antes da definição do local definitivo para o cumprimento da pena?
Sim. O juiz responsável pela execução se encarrega de estabelecer todas as condições para o cumprimento da pena e isso pressupõe que todos os réus possam ser levados ao local onde fica o magistrado. A justificativa para a transferência dos condenados baseia-se, por exemplo, na possibilidade de o juiz achar necessário convocar audiências, determinar exames médicos ou verificar previamente condições de cumprimento de prisões em regime semiaberto. No caso do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, dividiu as funções de execução com o juiz Ademar Silva de Vasconcelos, da Vara de Execução Penal (VEP) do DF. Caberá ao relator do mensalão, por exemplo, analisar pedidos de indulto e liberdade condicional, enquanto a Vara será responsável por emitir guias de recolhimento dos mensaleiros e calcular as multas impostas aos condenados.

2. É legal determinar a prisão de um condenado mesmo sem a expedição da carta de sentença?
A Lei de Execução Penal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) exigem a expedição da carta de sentença para se documentar o início do processo de execução da pena, mas não estabelecem nenhum tipo de sanção caso a guia não seja encaminhada previamente ao juiz. Para juristas, a divulgação do documento é um ato meramente protocolar e administrativo, ou seja, não se pode classificar como ilegal a prisão de um condenado sem a carta se sentença.

3. Um condenado reconhecidamente em estado de saúde debilitada pode cumprir a pena normalmente em um presídio, independentemente de ser na ala para regime fechado ou semiaberto?
Sim. A decisão cabe ao juiz de execução, que, para proferir seu veredicto, pode pedir laudos periciais e análises de juntas médicas especializadas. Com base nesses documentos, o juiz pode negar, por exemplo, pedido de prisão domiciliar e determinar que o detento continue no presídio. O condenado tem direito à assistência de médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos e nutricionistas, mas caso ele precise de atendimento específico na área da saúde, a direção do presídio e o juiz da execução podem conceder autorização especial para tratamento fora da unidade prisional.

5. O juiz pode se recusar a enviar um preso para cumprir pena perto da família?
Sim, desde que fundamente sua decisão. Em geral, os argumentos utilizados pelos juízes para negar pedidos desta natureza são questões de segurança, ausência de vagas e alertas para evitar que o condenado exerça influência de dentro da cadeia. Em casos específicos, o criminoso pode ser transportado para presídios distantes do local onde sua família vive. É o caso de presos que são encaminhados, por exemplo, aos presídios de segurança máxima no interior de São Paulo.

6. O juiz pode se negar a autorizar trabalho externo para um condenado em regime semiaberto?
Sim. A Lei de Execução Penal não prevê o trabalho externo como um direito automático dos condenados em regime semiaberto. Para pedir o benefício, o condenado precisa apresentar carta com proposta de emprego na unidade prisional onde estiver cumprindo pena. O presídio encaminhará uma assistente social ao local do emprego para fazer um relatório sobre as condições de trabalho. Por lei, o trabalho externo só é autorizado quando o condenado tiver cumprido, no mínimo, um sexto da pena, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem jurisprudência que autoriza o trabalho independentemente deste cumprimento. O Supremo Tribunal Federal (STF), entretanto, tem decisões em sentido contrário exigindo a comprovação de cumprimento prévio de parte da sentença.

7. Em que circunstâncias um condenado pode utilizar tornozeleira eletrônica?
O juiz, a seu critério, pode decidir se um condenado que cumpre pena nos regimes semiaberto ou domiciliar deve ser fiscalizado por meio de tornozeleira ou colar eletrônico. As tornozeleiras devem ser equipadas de sistemas GPS, blindadas e à prova de fogo e de água. No caso dos condenados no mensalão, a tornozeleira eletrônica pode ser usada para evitar que seja necessário deixar policiais federais na vigilância dos detentos.

8. Que tipo de trabalho o condenado pode fazer na prisão? E em regime semiaberto?
Cabe ao juiz analisar subjetivamente que atividades podem ser desenvolvidas pelo condenado, desde que as atividades tenham dever social e respeitem a dignidade humana. O trabalho do detento tem de necessariamente ter finalidade educativa e produtiva. O condenado pode trabalhar enquanto cumpre pena, inclusive em regime fechado, sendo remunerado por isso. A cada três dias de trabalho, o preso tem direito a redução de um dia da pena. A jornada é de seis a oito horas diárias, com descanso aos domingos e feriados. O trabalho externo é permitido para presos em regime fechado somente em obras públicas ou empreendimentos de entidades privadas, desde que tomadas cautelas contra fugas. A Lei de Execução Penal não traz orientação expressa sobre o trabalho dos condenados em regime semiaberto, mas cabe ao juiz autorizar ou não que o detento exerça atividade externa.

Para a elaboração das respostas, o site de VEJA se baseou na Lei de Execução Penal, em documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e ouviu dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior e do ex-presidente do STF Carlos Velloso.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

QUASE NADA

Comentário proferido na rádio Cultura AM em 21 de novembro de 2013.

Estréia: Lobão e Olavo, Olavo e Lobão

Por que desarmar o cidadão de bem e armar a bandidagem?


Anos atrás o Brasil aceitou de forma passiva, quase letárgica, o desarmamento da sociedade, com promessas de redução gradual, e até exponencial de sua violência, considerando que o porte de arma do cidadão comum seria um dos grandes motivos da violência diária nas cidades do Brasil. Ledo engano, a violência aumentou, o contrabando de armas continua de forma gritante, cada vez mais os “bandidos” usam armamentos mais pesados que nossas Forças Armadas, o cidadão de bem todos os dias sofre com o estado de insegurança, crianças usam .45 quase todos os dias em vez de escolas e “carrinhos”, assim, qual a lógica do desarmamento até agora? Praticamente nenhum político consegue explicar, e poucos se atrevem em falar publicamente, principalmente em expor seu arrependimento por esta lei.

De uma forma geral a sociedade se engana com casos esporádicos, ou pontuais de pessoas de bem que utilizam armas e comentem violências caseiras, ou até por problemas mentais, como casos de mortes em família por acidentes, ou por descontrole mental, sem contar ideologias baratas que levam à violência, como no caso dos diversos atentados nos Estados Unidos, Noruega, e até mesmo no Brasil. Mas será que isto tudo se justifica para a manutenção de uma lei, que até agora na verdade só deu condições para a criminalidade crescer junto à uma sociedade amedrontada e sem defesa? Por sinal, uma das bases da lei de desarmamento estava na condição de melhoria da estrutura policial e de segurança pública, inclua sistema prisional, mas o que vemos? Nada, cada vez mais polícias sem infra-estrutura, sem condições salariais, e o pior, despreparo operacional para as ações.


E se compararmos a outros países, a questão tem um diálogo mais profundo, e não raso como foi realizado no Brasil. Por exemplo, não se discutiu a obrigatoriedade, e intensidade da preparação, além do uso técnico do armamento. No Brasil, ter acesso a um brevê de aviação, ou a uma autorização de condução de um automóvel é muito simples, e no final, os mesmos geram acidentes que mais matam do que armas de fogo. Outro ponto, nem toda sociedade quer ter uma arma, imagina se somente 20% da população civil teria autorização, sem estar nas prerrogativas profissionais que têm a devida autorização, alguns casos de criminalidade poderiam ter sido evitados. Por exemplo, lembra do caso do estuprador do coletivo no Rio de Janeiro, que rendeu o motorista, e estuprou uma passageira? Nesse mesmo coletivo, tinham 10 pessoas que ficaram atônitas no fundo do ônibus vendo toda aquela cena de terror, se pelo menos 20%, duas pessoas estivessem armadas, a história teria sido bem diferente. Hoje me pergunto, se direitos humanos e pessoas que defendem o desarmamento deram suporte para aquela cidadã que hoje amarga o terror em sua mente, sem amparo algum do Estado. Já o “bandidinho” armado tem honras de Estado. Desencontro total de valores.

O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o Professor Bene Barbosa, que é bacharel em direito, especialista em segurança pública, autor de quase uma centena de artigos publicados nos principais jornais do país, fonte para centenas de reportagens e entrevistas e um dos coordenadores da campanha vitoriosa do referendo de 2005, uma campanha governamental para desarmar a população. Presidente do MVB, Movimento Viva Brasil. A visão do Movimento Viva Brasil é muito clara, defende o direito da população se armar de forma consciente, técnica e preparada, além da forma legal, e responder pelo erro que cometer no uso do armamento. Mas também é crítico ao estado de insegurança que a população foi colocada, sem amplitude de defesa, sem segurança policial, e principalmente com um estado contínuo e perverso de violência.

Brasil no Mundo: O estado de insegurança é crescente no Brasil. A violência “galopa” de forma exponencial. Na sua visão, a política de desarmamento resolveu alguma coisa?

Bene Barbosa: A política de desarmamento civil fracassou completamente. Não é nem questão de visão, basta se verificar os números. Em 2012 o Brasil ultrapassou, mais uma vez, a barreira dos 50 mil assassinatos anuais. O número de estupros ultrapassou o de homicídios, já são mais de 54 mil por ano e o Brasil tem a terceira posição dos países com as maiores taxas de roubos da América Latina, perdendo apenas para Argentina e México.

Brasil no Mundo: Por que o Governo Federal, e o próprio Congresso, insistem em desinformar a sociedade em relação ao desarmamento?

Bene Barbosa: Podemos classificar essa atitude de duas formas. A primeira é uma questão de assumir o fracasso, ou seja, prometeram que o desarmamento seria um benefício e isso não passou nem perto de acontecer, muito pelo contrário. Dificilmente chegarão e dirão: nós erramos! A segunda, e que a mais forte e dominante, é a questão ideológica. Desde que começou a ser implantada muitos sabiam que não havia no mundo um só caso onde a restrição às armas de fogo ou o desarmamento civil tenham obtido sucesso em reduzir a violência ou a criminalidade. Sendo assim, fica fácil concluir que grande parte tinha apenas e exclusivamente a meta de deixar nas mãos do Estado o monopólio da força. Quando verificamos o atual viés totalitário do governo atual que tenta inclusive controlar a imprensa e agora a internet, isso se torna cristalino.

Brasil no Mundo: Que experiências, ou modelos internacionais poderiam ser analisadas para a construção de um novo estado de segurança e de auto defesa da sociedade?

Bene Barbosa: Não existe fórmula mágica em segurança pública. Há dezenas de variáveis que precisam ser levadas em conta, mas há duas que são primordiais e funcionaram em todos os país punição e elevação do IDH. País com IDH elevado e punição exemplares e certas são os que possuem menores índices de criminalidade. Lembrando que a necessidade de se melhorar o IDH não significa que a simples distribuição de renda vai diminuir a criminalidade. No Brasil é muito comum a ideia plantada por certos sociólogos que criminalidade tem relação com pobreza. NÃO TEM!

Brasil no Mundo: Quais os grandes desafios do Movimento Viva Brasil?

Bene Barbosa: O maior de todos é, sem dúvidas, a questão política. Grande parte dos deputados aprovam e rejeitam projetos de lei baseados única e exclusivamente na sua ideologia, no que o partido determina ou em opiniões superficiais. Para se ter uma ideia, em uma pesquisa feita pelo MVB com mais de 300 parlamentares, 60% acham que possuir legalmente uma arma não é um direito do cidadão! Isso mostra a deficiência de se conhecer pelo menos a lei que vige hoje.

Brasil no Mundo: Por que a sociedade brasileira assume uma postura totalmente “passiva” sobre as questões de segurança e violência?

Bene Barbosa: Não é só nesta questão. O Brasileiro se acostumou a ser tutelado pelo Estado que ele mesmo tanto critica. A maioria das pessoas sempre esperam que alguém faça alguma coisa. Ficam sempre esperando um salvador da pátria, um messias! Enquanto houver essa passividade continuaremos a ver o agigantamento do Estado e a supressão das liberdades individuais.

Brasil no Mundo: Que propostas você faria para mudar o quadro atual?

Bene Barbosa: Revogação imediata do chamado Estatuto do Desarmamento, a modernização da legislação penal e mudança na estrutura das polícias para que haja celeridade e certeza às punições, além de investimento maciço na educação. Ou seja, deixem que o cidadão possa se defender quando o estado falha, criem a certeza de punição para aqueles que comentem crimes e deem expectativa de boa vida para aqueles que não estão no crime.

Para saber mais sobre o Movimento Viva Brasil acesse - http://www.mvb.org.br

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

PROGRAMA AVE MARIA, 21 de novembro de 2013.

Oração a Santa Catarina de Alexandria

Santa Catarina de Alexandria, que tivestes uma inteligência abençoada por DEUS, abre a minha inteligência, fazei-me compreender as matérias de aula, dá-me clareza e calma na hora dos exames, para que possa ser aprovado. Eu quero aprender sempre mais, não por vaidade, nem só para agradar aos meus familiares e professores, mas para ser útil para mim mesmo, a minha família, à sociedade e à minha Pátria. Santa Catarina de Alexandria, conto contigo. Conta também tu comigo. Eu quero ser um bom cristão para merecer a tua proteção. Amém.

ENTRE BATMAN E BENTO XVI

Escrevinhação n. 1068, redigida no dia 19 de novembro de 2013, dia de Santa Matilde de Hackeborn e de São Roque Gonzales e companheiros mártires.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Na edição do Cansástico do dia 17 de novembro foi exibida uma matéria sobre um garotinho portador dum tipo de câncer que teve um desejo seu realizado com a ajuda do valoroso trabalho da Fundação Make-a-Wish que, por meio da coleta de doações, procura realizar um desejo de muitas pessoas que sofrem dessa enfermidade. No caso do infante, o desejo era poder ser o Batman e salvar a cidade de Gotham City. E o desejo foi realizado e tornou-se notícia na aldeia global.

Tal notícia é um exemplo muito claro para podermos compreender como a grande mídia contribui sorrateiramente na edificação duma sociedade materialista-hedonista anticristã. Sim, sei que tal observação, num primeiro momento, pode parecer confusa, mas não te apoquente que eu já me explico.

A mesmíssima Fundação realizou, no ano de 2012, o desejo de Peter Srsich. Esse rapaz, na ocasião, tinha 17 anos de idade e um tumor no tórax do tamanho de uma bola de softball que estava no quarto estágio do linfoma de Hodgkin. Em meio ao tratamento os pais do rapaz conheceram a Make-a-Wish. Bem, e qual foi o desejo dele? Encontrar-se com o Papa em Roma. Pirlimpimpim! O desejo foi atendido e em maio de 2012 Peter e sua mãe foram recebidos por Bento XVI na Praça de São Pedro numa audiência geral.

Peter lhe contou seu drama e ofereceu ao Vigário de Cristo uma pulseira verde com a inscrição: "Rezando por Peter". Neste momento o Papa ofereceu-lhe sua bênção. Pôs sua mão no peito do rapaz e, justamente, no local onde estava o tumor. Detalhe: Ratzinger não tinha como saber onde dito se encontrava. Um ano se passou e Peter encontra-se em perfeitas condições de saúde, está no segundo ano da faculdade e planeja tornar-se sacerdote.

Sim, um milagre realizado pela interseção de Bento XVI. Graça essa derramada sobre a vida dum rapaz que foi auxiliado pelo pio trabalho da Make-a-Wish, porém, o fato não teve a mesma repercussão que foi dada ao caso do pequeno Batman. E é desta forma que se constrói uma visão materialista-hedonista da realidade. Basta que sejam silenciados os fatos que nos convidam a refletir sobre o eterno e a atuação de Deus em nossa vida.

De mais a mais, C. S. Lewis, em seu livro “Milagres”, lembrando-nos o seguinte: se partirmos do pressuposto de que tais fatos não ocorrem e, para reforçar esse sentimento, não recebermos notícias dessas ocorrências, obviamente que acabamos por perverter a medida da realidade imaginando que o real é apenas aquilo que eu possa “entender” através dos esquemas simplistas que se encontram subentendidos na omissão de notícias como essa.

Sem mais delongas, vocês seriam capazes de conceber a possibilidade da grande mídia informar a população de algo desta grandeza que envolva a pessoa do Papa Emérito Bento XVI? Vermos um dia a mesma agir de modo honesto e honrado para com ele seria um milagre tão grandioso como a cura dum linfoma.

Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

kAMEL, Ali. NÃO SOMOS RACISTAS.

SOBRE A PATERNIDADE

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 20 de novembro de 2013.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O PROGRESSISTA

Por Flávio Gordon

Terá o leitor alguma vez se questionado sobre o sentido do termo “progressista”, ou será tal curiosidade nada mais que uma impertinente idiossincrasia do autor destas mal digitadas? No primeiro caso, peço que ele acompanhe-me nas reflexões que se seguem; no segundo, que faça o mesmo, pois, se cedeu à insensatez de gastar o seu precioso tempo lendo este parágrafo introdutório que ora já se encaminha para o fim sem nada dizer, seria ainda mais insensato tê-lo gasto à toa, sem ao menos, no fim das contas, poder conferir-lhe algum propósito, quando nada o de concluir entredentes – “ora, mas que artigo mais cretino”.

Eu, insisto, tenho grande curiosidade pelo termo em questão. O que é um progressista, afinal? Dentro da minha área de formação, a antropologia social, a idéia de progressismo está inexoravelmente atrelada ao século XIX e ao zeitgeist científico de então. O progressista era alguém que acreditava estar em posição de apreender a totalidade (as “leis gerais”) da história, por meio da adoção, por analogia, dos métodos das ciências naturais, segundo o cânon positivista. Se Darwin descrevera as leis que supostamente presidiam a evolução da natureza, autores como Herbert Spencer, Henry Lewis Morgan, Edward Tylor, James George Frazer, entre muitos outros, pretendiam estar fazendo o mesmo em relação à cultura e à história, entendida de maneira teleológica (do grego telos: “meta”, “alvo”, “objetivo”) e unilinear, ou seja, como convergindo para um mesmo ponto.

Alguns daqueles autores passariam a ser conhecidos na história das idéias como “darwinistas sociais”, embora Spencer, por exemplo, tenha começado a formular suas teses antes da publicação de A Origem das Espécies. Se a obra de Darwin causou, sem dúvida, um impacto profundo em todo o universo intelectual e científico da época, o fato é que, ela própria, inseria-se num “clima de opinião” mais amplo, que vinha desde o século anterior, e que já apostava na concepção de que a natureza – o homem, incluso – evoluía gradualmente de formas mais simples para formas mais complexas. Em 1794, por exemplo, ninguém menos que Erasmus Darwin, avô de Charles, escrevera em seu Zoonomia uma síntese do naturalismo teológico de então, advogado, entre outros, por Kant: “O mundo mesmo deve ter sido gerado antes que criado; ou seja, deve ter sido gradualmente produzido a partir de pequenos começos, desenvolvendo-se pela ação de seus princípios inerentes mais do que através de uma súbita evolução total vinda do fiat do Todo Poderoso. Que idéia magnífica do poder infinito do grande arquiteto! A Causa das causas! O Pai dos pais! Ens Entium! Pois, se nos for permitido comparar infinitos, pareceria requerer uma maior infinidade de poder causar a causa dos efeitos do que os efeitos eles próprios”.

No contexto das ciências sociais do século XIX, as diferenças observadas, num eixo espacial e geográfico, entre as muitas culturas humanas foram transpostas para uma escala temporal, na qual os homens eram classificados de acordo com o seu “grau” de evolução. Era comum na época a adoção de uma divisão tripartite da história cultural da humanidade, separada em “fases” evolutivas. Presente já na antropologia filosófica iluminista[1] – especialmente em autores como Turgot e Condorcet –, tal esquema celebrizou-se no século XIX por meio da “lei dos três estados” de Augusto Comte, que influenciou a classificação evolutiva de Morgan em “selvagens” (povos caçadores-coletores), “bárbaros” (agricultores) e “civilizados” (as sociedades complexas da Europa e Estados Unidos); e também a de Frazer (“magia”, “religião” e “ciência”). O progresso de fase a fase era, na famosa expressão de Morgan em A Sociedade Antiga (1877), “tanto natural como necessário”.

Por meio da observação comparativa entre sociedades distintas no tempo e no espaço, os evolucionistas acreditavam ser possível registrar a totalidade do progresso cultural humano; registrar, inclusive, os sinais de transição entre as etapas evolutivas, transição essa que sempre deixava vestígios de etapas anteriores. Em A Cultura Primitiva (1871), Tylor cunhou o termo  “sobrevivências” para se referir a tais vestígios. Elas eram, para o antropólogo, aquilo que os fósseis são para o paleontólogo.

Foi também no século XIX que o progresso cultural humano deixou de ser um mero objeto de estudo e converteu-se em ideologia e programa político, dando origem ao que, efetivamente, compreendemos ainda hoje por “progressismo”.

Seguindo a exortação de sua famosa 11a Tese sobre Feuerbach, pela qual o filósofo já não devia apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo, Karl Marx – um dos pais do progressista contemporâneo – elaborou a sua filosofia milenarista da história. Se os antropólogos sociais limitavam-se à classificação e interpretação da evolução cultural, Marx queria pôr esse conhecimento a serviço da revolução. Seu companheiro Friedrich Engels baseou-se integralmente no livro de Morgan para escrever A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (1884), um projeto que Marx morrera sem conseguir realizar, e que consistia em utilizar as mais recentes descobertas antropológicas da época para comprovar a tese do materialismo histórico.

À diferença dos antropólogos sociais, para Marx e Engels, as “sobrevivências” – artefatos, instituições, costumes e tradições de épocas e povos tidos por menos evoluídos – não deviam ser preservadas e documentadas, mas superadas, por constituírem obstáculos à marcha histórica rumo ao comunismo. Surge então o anátema definidor do progressista: o “reacionário”, que é a transposição do conceito de “sobrevivência” para a esfera do juízo político. O progressista é, essencialmente, alguém que vê com desprezo aqueles a quem considera “reacionários”. No campo da história política, tal desprezo converte-se quase sempre em violência física ou moral. Marx e Engels levavam muito a sério – mais do que os marxistas de hoje gostariam de admitir – a noção que, inspirado em Darwin, Spencer denominou de “a sobrevivência do mais apto” (ver o pós-escrito de O Homem contra o Estado, de 1884).

No capítulo 14 de Revolução e Contra-Revolução na Alemanha (1851-52), Marx e Engels criticam o reacionarismo do movimento pan-eslavista, fazendo uma defesa da superioridade germânica e da necessidade de esmagar a tentativa dos eslavos de recuperar uma existência nacional independente em face da unificação alemã. Os autores argumentam que o destino histórico “inevitável” daquelas “nações moribundas” (sic.) era o de “permitir que se completasse este progresso de dissolução e de absorção pelos seus vizinhos mais fortes”, os alemães. Ressalvando que aquela certamente não era uma perspectiva agradável aos “sonhadores pan-eslavistas”, os dois questionavam: “mas podem eles esperar que a história volte atrás mil anos a fim de agradar alguns grupos humanos tísicos (sic.) que, em toda a parte do território que ocupam, estão penetrados e rodeados de alemães?” Insistindo no caráter reacionário e contra-revolucionário daquelas etnias, Marx e Engels prosseguem: “Traidores da causa popular, partidários e principais suportes da cabala do governo austríaco colocaram-se, eles próprios, aos olhos de todas as nações revolucionárias, na posição de fora da lei.” Os primeiros esforços pan-eslavistas já haviam sido frustrados em 1848. No entanto, os autores faziam um alerta: “Se eles tentarem de novo, com pretextos semelhantes, aliar-se à força contra-revolucionária, o dever da Alemanha é claro. Nenhum país num estado de revolução e envolvido numa guerra externa pode tolerar uma Vendée[2] no seu próprio seio.”

Já em “O Conflito Magiar”, artigo publicado em janeiro de 1849 na Nova Gazeta Renana, periódico editado por Marx, Engels demonstrara o mesmo desprezo pelos reacionários eslavos, qualificados por ele com o termo Völkerabfälle, que poder-se-ia traduzir como “lixo étnico ou racial” (Völker = plural de “povo”, “nação”, “etnia” + Abfälle = plural de “lixo”, “detrito”, “dejeto”). Para o autor, aqueles povos eram “fanáticos porta-estandartes da contra-revolução”, e continuariam assim “até o seu completo extermínio ou perda de seu caráter nacional”. A expressão original em alemão traduzida aqui por “completo extermínio” é gänzlichen Vertilgung, sendo que este último termo, um substantivo feminino, costuma ser usado para se referir ao extermínio de pragas e insetos. Segundo George Watson, historiador da literatura socialista (ver A Literatura Perdida do Socialismo, 1998), essa era uma das primeiras vezes na história contemporânea em que o genocídio fora advogado de maneira tão explícita.

No regime soviético, desde os tempos de Lênin, e em particular durante o Grande Terror stalinista, acusações de “reacionarismo” formavam a base para todo tipo de violência e perseguição. Stálin e Trótsky acusaram-se mutuamente de “reacionários” até que o primeiro encerrasse de vez a discussão com o irretorquível argumento da picareta. Na China de Mao Tsé Tung, os “reacionários” eram silenciados com tiros na nunca. E até as crianças eram incentivadas a “matar automaticamente os reacionários” (ver Mao: A História Desconhecida, de Jung Chang e Jon Halliday, 2005).

Mas não foram só os comunistas que usaram e abusaram do expediente. Os nazistas – os seus “gêmeos heterozigóticos” (na expressão de Pierre Chaunu), ou a “outra face de Janus” (como preferiu A. James Gregor) – também apontavam os seus “reacionários”: entre eles, é claro, os judeus. Não se pode esquecer que a Canção de Horst-Wessel, hino do Partido Nacional-Socialista Alemão, inicia-se, com aquele sentimentalismo para com os seus tão típico da alma revolucionária, rogando aos camaradas “fuzilados por reacionários e pela Frente Vermelha” que marchassem em espírito nas fileiras nazistas.

O leitor, se é que ainda está aí, talvez já tenha começado a ver alguma vantagem, comparativa que seja, em ser chamado de “reacionário”. Parece restar evidente que pior seria identificar-se com aqueles que, ao longo da história, têm acusado os outros de sê-lo.

É pena que, em geral, a classe falante brasileira não pense assim. Basta abrir os jornais, ou ligar a televisão, para topar com uma série de palavras e expressões que compõem o campo semântico progressista – “avanço”, “atraso”, “moderno”, “ultrapassado”, “progresso”, “retrocesso”. Ministros do STF fundamentam suas decisões com loas “à ciência moderna” contra as “trevas” (o adjetivo “medieval” também é muito utilizado nesse contexto, para sugerir que alguma opinião ou atitude é velha, ruim e atrasada). Jornalistas inventam “momentos históricos” a cada cinco minutos. A frase “isso já não é mais tolerável em pleno século XXI” é repetida por todas as bocas, como se à passagem dos séculos correspondesse um evidente aprimoramento moral do homem e da sociedade, o que, à luz da história, é uma tese no mínimo duvidosa. Quem se opõe, ou manifesta a mais mínima ressalva, a eventos tidos como especialmente avançados (curiosamente, quase todos meras re-encenações enfadonhas da hybris modernista ou da contra-cultura, envolvendo sex lib, feminismo, políticas da identidade e outras miudezas pretensamente transformadoras), é logo tratado como um estorvo (alguns como cachorros hidrófobos), quando não um inimigo do bem comum – uma incômoda “sobrevivência”, enfim.

O progressista tem a mente aberta. Sabe o caminho que todos devemos percorrer para atingir o estágio final de evolução, o fim da história. Sabe, por exemplo, que o beijo gay na novela da Globo é um destino histórico inexorável que nenhum Marcos Feliciano poderá impedir. No milênio progressista, cartunistas do sexo masculino poderão frequentar banheiros femininos. (Será proibido, aliás, dizer que o cartunista é do sexo masculino se ele assim não o quiser). E ai do reacionário que tente barrá-lo na porta. Teremos famílias poliafetivas (“afeto” é o nome do “sexo” progressista), transespecíficas e até inter-reinos (quem ainda não conhece os OS, objectum-sexuais?[3]). Teremos mais e mais presidentas, estudantas e gerentas. Teremos – momento histórico! – o primeiro presidente (president@, presidentX?) cross-dresser. Teremos a democracia direta. Teremos a “voz das ruas” como fundamento do Direito. Teremos a OAB do B. Teremos Wagner Moura. Teremos Marcelo Freixo. O Brasil inteiro será um grande Esquenta da Regina Casé. O grito de “Set Genoíno Free!” ecoará nos rincões mais obscuros da pátria. Abram alas para o progresso, pois o futuro é glorioso. Tremei, reacionários! – talvez diga o Vladimir (o nosso). “Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar”, diz efetivamente o poeta. “Eu odeeeeeeeeio a classe média”, a antiga musa canta.

- - - - - - - - - - - - - - -

[1] Embora alguns autores, entre eles os filósofos Karl Löwith (ver O Sentido na História) e Eric Voegelin (ver A Nova Ciência da Política), façam recuar aquela forma mentis até o século XII, com a separação proposta pelo monge calabrês Joaquim de Fiore (1131-1202) entre as “três Idades da História”, correspondentes às três pessoas da Santíssima Trindade.

[2] Alusão ao motim contra-revolucionário na Vendée (província ocidental da França), desencadeado em 1793 pelos realistas franceses, que utilizaram o campesinato da província para a luta contra a Revolução. Os historiadores estimam que cerca de 170.000 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas a sangue frio pelos revolucionários comandados pelo general Louis-Marie Turreau. Muitos franceses reivindicam atualmente que o massacre seja qualificado oficialmente como “genocídio”. Que o leitor compreenda bem: quando Marx e Engels afirmam não ser tolerável uma nova Vendée, eles não estavam condenando o genocídio. Justo o contrário, estavam elogiando a ação dos revolucionários e repudiando a existência mesma da contra-revolução, sugerindo ainda que o dever da Alemanha em relação a um eventual levante pan-eslavista era o mesmo cumprido pelas tropas de Turreau: esmagar a contra-revolução.

[3] Ver: www.buzzfeed.com/mjs538/the-15-hottest-objectum-sexual-relationships

Oração de São Jorge

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abre meus caminhos.

Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, defendendo-me com vossa força e grandeza.

Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço (fazer o seu pedido).

Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.

São Jorge, rogai por nós. Amém.

SOBRE A MATURIDADE

Comentário proferido na rádio Cultura AM no dia 19 de novembro de 2013.

COM O ROSÁRIO SOBRE A MESA

Escrevinhação n. 1067, redigida entre os dias 13 de novembro de 2013, dia de Santo Estanislau Kostka, e 19 de novembro de 2013, dia de Santa Matilde de Hackeborn e de São Roque Gonzales e companheiros mártires.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. Os fortes são silenciosos. Não gritam. Choram enquanto enfrentam suas batalhas diárias sem fraquejar diante dos desafios. Não desesperam diante dos nãos que a vida insiste em lhes dar. São essas pessoas, anônimas diante do mundo, que tem seus nomes inscritos no panteão eterno dos bravos. São essas almas que regam o chão com o suor de seu labor e com as lágrimas de sua dor que fazem Deus sorrir, apesar da fraqueza e do torpor em que a barulhenta multidão vive desprovida de mérito e sem valor. Por isso muito aprendamos com os fortes silenciosos. Com eles descobrimos a grandeza da vida que as multidões queixosas são incapazes de compreender.

2. Certa feita Ariano Suassuna havia dito que o que é bom de viver é ruim de contar e o que é ruim de viver é bom de contar. Batata! Esse é o segredo do bom humor e do riso dum modo geral. Por essas e outras que o povo que não é capaz de rir de si, de suas tragédias, é um povo infeliz. Medíocre é a alma que se torna incapaz de olhar para os seus rastros e dar boas gargalhadas dos seus defeitos, tropeços, quedas e, principalmente, das pedradas que a vida e as almas sebosas lhes deram.  E assim estamos ficando em nosso país que dia após dia desaprende as virtudes do riso em favor dos beicinhos politicamente-corretos que, no fundo, apenas cultivam um bom punhado de rancor em misto com outro tanto de preconceitos que julgam ser o mais excelso humanismo. Por essa e outras tantas razões que o melhor remédio para uma piada de mau gosto é uma piada inteligentemente cáustica e ferina. Com certeza seria uma defesa mais eficiente que fazer-se de vítima.

3. A mortificação é uma prática austera e pode ser-nos de grande valia para o nosso desenvolvimento pessoal, apesar de não sermos monges. Exercitando o caráter por essa via fortalecemos a vontade que gradualmente aumenta nosso domínio sobre nossas paixões. Sobre esse ponto, São JoséMaria Escrivá, ensina-nos que: “[...] o sorriso amável para quem te incomoda, aquele silêncio ante a acusação injusta, a tua conversa afável com os maçantes e os inoportunos, o não dar importância cada dia a um pormenor ou outro, aborrecido e impertinente, das pessoas que convivem contigo... Isto, com perseverança, é que é sólida mortificação interior”. Ora, através destas pequenas e ocultas realizações inevitavelmente nos elevamos. Por intermédio da flagelação de nossos mesquinhos desejos cotidianos aprendemos o que realmente significa abraçar a nossa cruz e segui-Lo. Em fim, dum jeito ou doutro, as pequenas mortificações são um santo remédio para o nosso crônico umbigocentrismo.

4. Não tenho a menor dúvida de que sou uma pessoa abençoada por Deus. Digo isso não por ter algum dom. De modo algum! Neste quesito, não passo de um reles mentecapto. Sou um homem abençoado por causa das pessoas que o Altíssimo colocou e coloca em minha vida. Desde meu berço até os dias que estão a soprar minhas grisalhas melenas, tive e tenho a grada alegria de conviver e aprender com pessoas aquilatadas. Seja no âmago de minha família, no ambiente de trabalho e bem como nos círculos de amizades, virtuais ou analógicas, todo santo dia tenho uma visão de dignidade, uma palavra de elevo, uma lição imemorável que me são brindadas por pessoas que, todos os dias, estão em minhas preces. Graças à grandeza dessas almas sou capaz de suportar minha atávica pequenez e de lutar contra ela.

5. Viu! Se você é daqueles que gosta de fazer-se de coitadinho, lá vai um conselho curto, grosso e seco de São Josémaria Escrivá: “Não sejas frouxo, mole. - Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo”. E, por isso, seu jaguarão, “agradece, como um favor muito especial, os santos aborrecimentos que sentes de ti mesmo”. Esses são santos sinais de que uma boa semente pode estar germinando no jardim de seu coração. Seja viril! Enfrente os dissabores cotidianos com gratidão, não com pesar. Ponto final.

Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

terça-feira, 19 de novembro de 2013

CORÇÃO, Gustavo. A DESCOBERTA DO OUTRO.

JUSTIÇA? ONDE?



Parte da nação se regozija, neste fim de semana, com a prisão de dez dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, decretada em data emblemática, a da proclamação da República. De uns tempos para cá, a palavrinha república andou ganhou ganhando prestígio. Foram os petistas que a trouxeram à baila, enchendo a boca com expressões como “valores republicanos”.

Como se valores republicanos quisesse dizer alguma coisa. Até 1991, tivemos a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ditadura que durou três quartos de século. Ainda temos, sob o tacão da Partido Comunista, a República Popular da China. Isso sem falar na República Democrática Popular da Coréia, que vem sendo governada por “ presidentes” da mesma família desde sua fundação em 1948.

Parte da nação se regozija, dizia. Pois há outra parte que não. A nação está dividida desde 1964, quando os comunistas tentaram reeditar a intentona de Prestes, com apoio da URSS, China e Cuba. Há quem pense que os militares foram os vencedores da luta contra a guerrilha. Nada disso. Os vencedores foram os derrotados. 

Derrotadas na luta armada, as esquerdas venceram a luta política. Tanto que uma guerrilheira é hoje a presidente do Brasil.

Foram derrotados os comunistas? O que vemos são seus líderes em prosa e verso cantados, na literatura e no ensino nacionais, ostentando aura de heróis, dando nomes a salas, ruas e rodovias e gozando de gordas aposentadorias. Os militares, que se pretendem vencedores, foram jogados à famosa lata de lixo da História e relegados ao papel de vilões.

Enquanto o Exército não tinha verba sequer para pagar o rancho de recrutas e sua Força Aérea desfilava a pé, aos vitoriosos de 64 Fernando Henrique Cardoso conferiu honras, glória e gordas aposentadorias.

Nada mais natural, pois, que os quadrilheiros tenham se entregue à polícia brandindo punhos e a auréola dos justos, jogados ao cárcere pelas elites do país. O Supremo Tribunal Federal foi relegado, pelos “heróis”, à condição de um monumento à iniqüidade. Nada de espantar em uma nação que venera como heróis celerados como Che Guevara, Marighella e Lamarca.

As prisões tiveram ampla repercussão na imprensa internacional. Segundo The Economist, “não haverá mais jabuticabas jurídicas para os mensaleiros”, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou protelatórios os recursos da maioria dos réus que entraram com segundos embargos durante a sessão da última quarta-feira. Para o The New York Times, “problemas burocráticos” atrasaram o envio dos condenados no processo para a prisão, e, no Brasil, “é raro políticos brasileiros de alto-escalão condenados por crimes cumprirem pena na prisão”. Para o Washington Post, as prisões dos condenados dispersam especulações de que os envolvidos no esquema encontrariam brechas jurídicas para fugir de suas penas. Já a BBC classificou o mensalão como o “maior caso de corrupção” do Brasil e destacou o ato do ex-presidente do PT José Genoino que, ao se entregar à Polícia Federal ontem, ergueu seu punho e gritou “viva o PT”. 

Glória ao país que decidiu pôr atrás das grades a cúpula do partido que hoje detém o poder. Restam algumas perguntinhas. Os líderes da negociata, seus autores intelectuais, foram condenados a penas significativas, mas no fundo simbólicas. Alguns ficarão alguns aninhos no cárcere, a maioria em regime de prisão aberta. Só quatro cumprirão a pena em regime fechado. 

Quanto aos operadores, mandaletes de fim de linha, todo o rigor da lei. O empresário Marcos Valério, o principal operador do esquema de compra de votos no Congresso Nacional, foi condenado a 40 anos, quatro meses e seis dias de prisão a ser cumprida no regime fechado em presídio de segurança máxima. Os seis dias denotam a preocupação dos ministros em medir com precisão microscópica a justeza da pena. Mas nem tudo é tragédia na vida do mais castigado pelo STF. 40 anos, em verdade, são pouco menos de sete anos.

Qui prodest? A pergunta é velha mas se impõe. A quem beneficiou a compra de votos? Il capo di tutti i capi está livre como um passarinho e ainda ousa se pronunciar cinicamente, em apoio aos condenados: “estamos juntos”. Domínio de fato só vai até Zé Dirceu. Daí não passa. Lula sabe disso. “Quando a gente começa a mentir, não pára mais" - disse o presidente, em admirável confissão de autoconhecimento. A bicicleta precisa continuar andando. Não são bandoleiros os condenados. Mas heróis injustiçados pela suprema corte.

Zé Dirceu alega inocência e seus relevantes serviços prestados à nação. Por que então saiu voando de seu cargo. Não foi nenhum político de oposição que ordenou "Sai rápido daí, Zé!". Foi Roberto Jefferson, presidente de partido aliado do PT. Sua ordem não admitiu tergiversações. Não passaram 48 horas e o Zé se esvanecia como fumaça ao vento. Bastaram quatro palavrinhas para demitir a Eminência Parda do governo. É óbvio que atrás das quatro palavrinhas havia uma mensagem cifrada, cujo sentido, a nós, pobres mortais, não foi dado entender. Só o presidente e seu todo-poderoso ministro o captaram. E o captaram rapidinho.

Por quatro vezes, os congressistas rejeitaram a taxação dos aposentados e pensionistas, por considerá-la afrontosa a princípios jurídicos como o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Mas a carne é fraca. Na quinta vez, o Congresso não resistiu e inclusive obteve do mandalete gaúcho instalado no STF a autorização definitiva para implantar a taxação da velharada indefesa.

Considera-se que pelo menos uma centena de deputados foram comprados. É um punhado considerável de prostitutas, capaz de virar qualquer votação. Esses deputados não cometeram crime algum? Permanecerão impunes posando de vestais no Congresso? Da centena de implicados, 25 foram condenados e dez foram em cana. E a turma toda dos vendidos?

Resta outra pergunta mais grave, que fiz há oito anos: voto comprado vale? Venalidade pode criar legislação? Pode derrubar cláusulas pétreas e extinguir direitos adquiridos? Se cassados estes deputados, não seria o caso de cassar também seus votos passados?

Dez réus passarão alguns meses no cárcere, em celas isoladas e com a segurança necessária para continuar “trabalhando”. O país continuará sendo regido pelas leis que promulgaram a soldo do governo. 

É a isso que a imprensa chama fazer justiça?