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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

O Testamento de Bento XVI

Por Padre Paulo Ricardo
Em sua última audiência pública, o Papa Bento XVI se despediu dos fiéis e deu a todos uma grande lição de fé católica. Trata-se de uma fé muito específica e rara nos dias de hoje: uma fé que professa a presença e a ação de Deus na história da Igreja.
Todos deveríamos saber disto, mas nem sempre nos damos conta: a Igreja não é somente um sujeito da fé; a Igreja é também objeto de fé. Ou seja, a Igreja não somente crê, mas ela deve ser crida.
Bento XVI tem consciência de que a Igreja é portadora de um mistério divino. Como a lua, ela é reflexo de Cristo "luz dos povos". Por isto, nos convida a uma visão de fé:
"Deus guia a sua Igreja, ele sempre a sustenta, também e sobretudo, nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos…

Yoani Sánchez, insultada: "Ojalá en Cuba se pudiera hacer lo mismo"

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PARA DESENVENENAR A ALMA

Escrevinhação n. 993, redigida em 25 de fevereiro de 2013, dia de Santa Valburga e de São Tarásio.
Por Dartagnan da Silva Zanela

O futuro está nas mãos dos jovens. Sim, podemos afirmar isso com toda aquela lengalenga populista que insufla nos tenros corações desejos ululantes de mudar o mundo ou, simplesmente, lembrar o óbvio: nossa geração irá perecer e eles envelhecer, queiramos ou não.
Com esse espírito, o Beato João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, pronunciou-se, numa dada ocasião, aos jovens brasileiros. Wojtyla tomou como ponto de partida as seguintes palavras da Sagrada Escritura (Isaías LVI; 1): “Cumpri o dever, praticai a justiça”. Estas palavras, penso eu, devem tocar os corações de todas as gerações, porque nos acostumamos a apenas recitar opiniões como um boneco de ventríloquo e, na verdade, urge que aprendamos a ser testemunhas fiéis de nossos compromissos firmados com Aquele que é o caminho, a verdade e a vida. E, se formos sinceros, reconheceremos que falhamo…

Roda Viva | Yoani Sánchez | 25/02/2013

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“Quero um ensino de qualidade, não quero cota”

Leo Daniele
Sou contra as cotas. Por que eu deveria ser privilegiada se eu tenho a mesma capacidade que meu colega?“, declarou Tawany Gabriela de Oliveira, 16 anos, estudante da Escola Estadual Hiroshima (*).
Defender as cotas raciais equivale a considerar negros e pardos como “pessoas que sem privilégios não chegam a lugar algum”. É o que fazem os defensores das cotas. Ora, isso é racismo!
Em 2005, a 7a Vara da Justiça Federal deu ganho de causa a um jovem que tinha sido preterido no curso de engenharia química da UFPr, por causa do sistema de cotas universitárias. Ele tinha obtido 611,3 pontos, enquanto o melhor cotista tinha apenas 489,3.
Não se trata apenas de ser ou não uma injustiça ‒ e o é ‒ mas também de baixar a qualidade do ensino e assim prejudicar o País, e os futuros usuários.
Já que se fala tanto em função social, qual o efeito social da disseminação desses diplomados na sociedade, simpáticos mas despreparados? Será benéfico para o desenvolvimento do País? E para eles m…

A Reforma Ortográfica — um Acinte à Sensatez (I)

Por Carlos Nougué
Deixada à deriva, sem gramática, como querem muitos linguistas que, porém, defendem sua tese sem nenhuma deriva gramatical, a língua seria como a realidade-rio de Heráclito: seria puro fluxo, a ponto de não se poder falar duas vezes a mesma língua...
Ora, tal anseio, compartilhado de certa forma por híbridos de linguistas e gramáticos, não passa de fato do mais puro heraclitismo, ou seja, de uma negação da estabilidade do real. Mais simplesmente, é uma pura negação do óbvio: a gramática é parte intrínseca da linguagem; é o dique ou comporta sem a qual a língua-rio de fato fluiria e fluiria sem permanência alguma. Uma prova? A mais chã: que pai, que mãe, se dotados ao menos do ínfimo senso natural de cuidado e educação da prole, não corrigirão seu filho se ele disser algo errado? Se o pequeno disser, por exemplo, “zinza” em vez de “cinza”, hão de calar-se os pais e deleitar-se com mais essa novidade de uma permanente deriva linguística?
É tal a obtusidade daquela pos…

Armados e desarmados

Por Olavo de Carvalho
O Homeland Security está distribuindo às escolas, igrejas, clubes e outras instituições um vídeo em que ensina como reagir a um invasor armado de pistola, rifle ou metralhadora. Receita número um: saia correndo. Número dois: esconda-se debaixo da mesa. Número três: ataque o sujeito com uma tesoura, um hidrante, um cortador de papéis, um grampeador ou algum outro instrumento mortífero em estoque no almoxarifado. E assim por diante . (Não é gozação minha. Veja emhttp://www.youtube.com/watch?v=5VcSwejU2D0).       
A hipótese de manter um guarda armado ou de permitir que funcionários habilitados portem armas não é nem mesmo mencionada. É exorcizada. Há lugares, é claro, onde o exorcismo não funciona: a comissão de educadores da cidade de Newtown, aquela onde duas dezenas de crianças morreram assassinadas por um atirador alucinado, já declarou que vai seguir a sugestão da National Rifle Association e não as lições sapientíssimas do Homeland Security.
Para sua própria…

COM BENTO NA BARCA DE PEDRO

Escrevinhação n. 992, redigida em 18 de fevereiro de 2013, dia de Beato Jorge Kaszyra.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Bento XVI, em 24 de abril de 2005, pronunciou a homilia inicial de seu Pontificado. Na mesma data, em 387, Santo Agostinho recebeu o batismo. Dois grandes acontecimentos para cristandade de todos os séculos. Quanto à renúncia do primeiro, nada tenho a dizer. Entretanto, sobre a pessoa de Joseph Ratzinger, profundo conhecedor da obra do filho de Santa Mônica, permitam-me algumas palavras.
De sua obra, enquanto teólogo e como sucessor de São Pedro, devemos destacar três pontos que, penso eu, o mundo ainda não engoliu e demorará algum tempo para digerir.  O primeiro versa sobre a urgente necessidade de sermos não apenas católicos no sentimento, mas na fé. Ser católico não é um adjetivo. É substantivo. Substancialidade essa que, devido ao subjetivismo e ao sentimentalismo que infectam os ares modernos, foi sendo esquecida e que, por sua deixa, esvaziou a mensagem vivificant…

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True Outspeak - Olavo de Carvalho - 18 de fevereiro de 2013.

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Esculhambação

Por Ferreira Gullar
A tragédia de Santa Maria impactou o país pela quantidade de mortes que ocasionou mas também pelo que significa no quadro da realidade brasileira: a denúncia da irresponsabilidade que tomou conta do país.
Que, no Brasil de hoje, as leis, as normas sociais estão aí apenas para constar, a gente já sabia. Mas foi preciso, desgraçadamente, que o incêndio da boate Kiss resultasse na morte de quase 240 pessoas --na sua maioria jovens universitários-- para que as autoridades se mancassem e se sentissem obrigadas a fazer o que mais as desagrada: fazer cumprir as leis e, pior ainda, punir quem as desrespeita. Na verdade, querem ser todos bonzinhos, especialmente consigo mesmos.
A tragédia de Santa Maria tornou de repente inviável essa cômoda atitude. A postura usual dos governantes e das autoridades é a de não admitir os seus próprios erros, atribuindo-os a injúrias ou mentiras inventadas pela imprensa.
Mas, desta vez, diante de centenas de cadáveres amontoados na rua e do…

Cardeal Francis Arinze sobre a "dança litúrgica"

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A imbecilidade, segundo ela própria

Por Olavo de Carvalho
A queda do nível de consciência geral  é chamada de "imbecilização", quando a mera redução do número de gênios seria, mais apropriadamente,um "empobrecimento".
Faz dezessete anos que publiquei O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras, onde ilustrava com toda sorte de exemplos o desmantelamento da cultura superior no Brasil e sondava as causas de tão deprimente estado de coisas. Desde então, à medida que o fenômeno  alcançava dimensões maiores e mais alarmantes, não cessei de acrescentar a essa obra, em artigos e conferências, inúmeras atualizações, esclarecimentos e novas análises.
Ao longo de todo esse período, não veio, da mídia ou do establishment universitário, nenhum sinal de que alguém ali desejasse discutir seriamente o problema ou reconhecer, ao menos, que um cidadão desperto havia soado o alarma.
Ao contrário: tudo fizeram para ocultar a presença do mensageiro e dar por inexistente o mal que ele apontava, do qual eles …

Jean Borella, nossa verdadeira identidade (legendado - em 5 partes)

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A LUTA DO PAPA

Por Carlos Ramalhete
A surpreendente renúncia anunciada de Bento XVI, como se poderia prever, suscitou toda sorte de comentário absurdo. De especulações sobre o motivo – que o próprio Papa declarou ser sua saúde – a delírios que só fazem expor a ignorância de quem os profere, vimos de tudo. Cabe, assim, apontar as circunstâncias da guerra interna da Igreja, para que se possa perceber com mais clareza a dureza do múnus pontifical.
Nos anos 60, imediatamente antes da revolução de costumes que varreu o Ocidente, os bispos da Igreja se reuniram em um concílio, dito Concílio Vaticano II. Um grupo de bispos oriundos do Norte europeu (especialmente Alemanha, Holanda, Bélgica e Áustria), soberbamente organizados, virou de pernas para o ar a organização do concílio, desprezando os documentos preparatórios e conseguindo aprovar – contra a oposição liderada, entre outros, pelo arcebispo de Diamantina (MG), dom Geraldo Sigaud – documentos finais um pouco confusos, que poderiam propiciar a pessoa…

A Farsa da aprovação de 80% de LULA

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PARA LIMPAR OS OLHOS

Escrevinhação n. 991, redigida em 08 de fevereiro de 2013, dia de São Jerônimo Emiliano e de Santa Josefina Bakhita.
Por Dartagnan da Silva Zanela

O Viagra fez mais pela humanidade do que duzentos anos de marxismo. Essa afirmação, feita pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, tem lá seus ares jocosos, porém, se suspendermos as nuanças de seu humor cáustico, e refletirmos sobre as razões que o levaram a essa constatação, o gargalhar calar-se-á para dar lugar a um sisudo silêncio.
Se calcarmos nossos cotovelos sobre a mesa e fiarmo-nos a calcular o número de vidas ceifadas em nome da revolução rubra, veremos claramente que essa ideologia que arvora para si a candura duma pia imagem de preocupação para com os pobres é, na verdade, a ideologia mais assassina que já foi parida em toda a história. Isso mesmo! Se estudarmos com a devida atenção as ações inspiradas e orquestradas por ela, notaremos que, em nome do tal mundo novo possível, genocídio pouco é bobagem. Aliás, como nos ensina o professor…

Especial: Renúncia de Bento XVI - Vortex

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O AVESSO DAS PALAVRAS

Escrevinhação n. 990, redigida em 02 de fevereiro de 2013, dia da Apresentação do Senhor, de Nossa Senhora de Belém e da Bem-aventurada Maria Domenica Mantovani.
Por Dartagnan da Silva Zanela

Quanto mais uma palavra é utilizada, mais epidérmico torna-se seu significado. Sua única serventia é encobrir, mal e porcamente, a turva alma de seu repetidor. De mais a mais, como bem nos ensina o filósofo Tarcísio Padilha, em seu livro “Filosofia, Ideologia e realidade Brasileira”, quando se fala muito em liberdade, democracia, ética, amor, respeito, educação, etc., desconfiemos! Provavelmente, os valores representados por elas estão sendo distorcidos ou mesmo, como ocorre em muitos casos, sorrateiramente eliminados.
Em regra, essas palavras são repetidas a exaustão não porque o sujeito acredite piamente no que elas representam, mas sim, porque ao aderir ao coro da vanguarda papagaiesca ele sente-se uma pessoa, como direi: muito legal, superior a todos por, supostamente, respeitar as diferenças…

É proibido proibir?

Por João Pereira Coutinho
É um dos vícios do mundo moderno: a crença patética de que tudo é possível, tudo é permissível. Ou, como diziam os filhos do maio de 68, é proibido proibir.
Um caso ilustra esse vício com arrepiante precisão: as "barrigas de aluguel".
Li a excelente matéria de Patrícia Campos Mello publicada nesta Folha no domingo. E entendo a pergunta que anima o negócio: se um casal não pode ter filhos por infertilidade da mulher, por que não contratar os serviços de uma "mãe de aluguel", que terá o seu óvulo fecundado pelo espermatozoide do pai adotivo?
Na Índia, a pergunta virou turismo: só na cidade de Anand, conta a jornalista, nasce uma criança a cada três dias para "exportação". Os "clientes" costumam ser americanos, britânicos, japoneses, canadenses. Mas também há brasileiros na lista de espera. Que dizer do cortejo?
Começo pelas questões éticas básicas: será que um filho deve ser comprado (US$ 20 mil na Índia) como se compra …

A Igreja Católica e a escravidão

Por Ricardo da Costa
Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada levianamente ganha auréola de verdade. O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), por exemplo, se valeu de um trecho de uma mensagem do Papa Bento XVI para uma série de afirmações bombásticas. O Papa defendera a “estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – e disse que sua equiparação a outras formas radicalmente diversas de união constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o Papa, o deputado escreveu no Twitter que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”. Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações costumeiras que costumam ser feitas à Igreja. Ela teria, segundo seus detratores, apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África entre os séculos 16 e 19. Mas a verdade é exatamente o contrário disso.
O Cristianismo herdou do…

Mídia Sem Máscara na TV - 19 programas

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Espírito e personalidade

Por Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 31 de janeiro de 2013  
O espírito é aquilo que só chega a nós pelo pensamento, mas que o pensamento, por si, não pode nem criar nem alcançar. O espírito é a verdade do pensado, a qual, por definição, está para além do pensamento, mesmo nos casos em que este cria o seu próprio objeto. 
Quando, por exemplo, criamos mentalmente um triângulo, este já traz em si todas as suas propriedades geométricas que o pensamento, nesse instante, ainda ignora por completo; e quando ele as tiver descoberto uma a uma, ao longo do tempo, terá de confessar que estavam no triângulo em modo simultâneo antes que ele as apreendesse. E mesmo quando ele apreende uma só, apreende algo que está no triângulo e não nele próprio.
Não há, na esfera do mental, nenhuma diferença entre pensar o falso e pensar o verdadeiro. O pensamento só se torna veraz quando toca algo que está para além dele, algo que não se reduz de maneira alguma ao ato de pensar e nem ao pensamento pensado…

Eric Voegelin - Filósofo da Consciência

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