terça-feira, 27 de novembro de 2012

MAIS UM COLÓQUIO FLÁCIDO


Escrevinhação n. 978, redigida em 26 de novembro de 2012, dia de Bem-aventurado Tiago Alberione, de São Leonardo de Porto Maurício, de Santo Humilde de Bisignano, do Bem-aventurado Charles-Martial Allemand Lavigerie e de São Silveste.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Não há educação sem disciplina. A clareza das normas nos revela limites. Com essa medida que nos é apresentada por elas vislumbra-se as possibilidades humanas. Os limites fortalecem o sujeito por exigir que ele seja exigente consigo, robustecendo o seu caráter e lapidando a sua personalidade. O aprendizado de qualquer coisa é assim.

Para que as normas cumpram seu desígnio, é de fundamental importância que elas sejam claras em seu enunciado, atribuam de maneira equilibrada o que é devido e o dever de cada um, apontando firmemente as sanções previstas no caso do cumprimento ou não do que fora estabelecido pela letra ordenadora. Sem isso, a disciplina é morta.

Por essa razão, entre outras tantas, que uma normatização truncada que exacerbe os direitos e minimize os deveres anula-se em o seu efeito educativo, pois, a banalização de uma sanção possível cria um curto-circuito em todo sistema, invertendo o sentido do mesmo.

Todo aquele que tem dois olhos e tem o hábito de usá-los, sabe que tais considerações ilustram o que vem acontecendo com a educação brasileira nas últimas décadas. Problema esse que, penso, cá com meus botões, é o ponto nevrálgico desta situação lastimável em que ela se encontra.

Por isso, francamente, não vejo no efeito sanfona que é imposto à carga horária das disciplinas escolares, um caminho sereno para melhorar a educação. Muito menos a introdução ou a retirada duma e doutra disciplina, mesmo que essas tenham validade duvidosa na formação dos mancebos.

Pra falar a verdade, no fundo de toda essa celeuma que hoje se orquestra em torno da carga horária das matérias, temos da parte dos professores, uma querela fortuita em nome dum corporativismo tacanho e uma gambiarra de gabinete da parte das autoridades responsáveis que se recusam, por pusilanimidade, ou por qualquer outra razão, a enxergar o óbvio ululante.

Falta coragem moral, aos professores e as autoridades, para admitir que o grande fiasco em que se encontra nossa educação deve-se justamente as concepções marxistas (e ópios similares) que são defendidas por ambos.

Não? Então me diga donde veio todo esse trololó que vitimiza o educando e criminaliza o professor como uma espécie de agente malicioso e excludente? E as hostes politicamente-corretas? E toda essa patacoada que sobrepõem o contexto social ao objetivo que deveria ser atingido pelo ato de educar? E a conversa fiada que reza que boa parte dos gestos dos educadores são atos potenciais de violência simbólica? Donde veio tudo isso?

Pois é, no frigir dos ovos, o que temos é uma imensa assembleia de inconscientes, com sua frívola criticidade inovadora, ditando o que deve ou não ser a (des)educação. Sem rever isso, sinceramente, não há solução. Trocando por miúdos, é o fim da rosca.

Pax et bonum
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Com a palavra... São Gregório de Narek (Monge armênio)


Jesus, Filho único do Pai, 668-673; SC 203
«Desce depressa»

Não me ergui desta terra miserável,
Como Zaqueu, o publicano,
Montado em alta árvore de sabedoria
Para Te contemplar na Tua divindade.

A pequena estatura do homem espiritual que há em mim
Não cresceu por boas obras:
Ao contrário, foi sempre diminuindo
Até me fazer voltar a beber leite, como criança (cf 1Co 3,2).

Pegando às avessas na parábola,
Direi que subi à árvore da sensualidade
Por amor às coisas de agradável gosto deste mundo,
Tal outro Zaqueu montado em diversa figueira.

Com Tuas poderosas palavras,
Faz-me daí descer depressa, como fizeste a ele;
Vem-Te abrigar na casa da minha alma,
E, conTigo, o Pai e o Santo Espírito.

Faz que este corpo que tanto mal causou à minh'alma
Lhe dê o quádruplo em serviço
E metade de seus bens
A este meu empobrecido livre arbítrio.

A fim de que, segundo as palavras de salvação que dirigiste a Zaqueu,
Também eu seja digno de ouvir a Tua voz,
Pois também eu sou filho de Abraão,
E sigo a fé do nosso patriarca.

TODOS PELA DESONRA AO MÉRITO

Por Dartagnan da Silva Zanela

                Um dos mantras que os sabichões da educação, com ou sem pose de guru, adoram repetir é a tal da educação democrática. Se gasta laudas e laudas para versar sobre essa nulidade que tanto ocupa o vácuo dessas alminhas. Laudas essas floreadas com aquele palavrório “cientificamente” empavonado que, no fundo, diz nada com coisa nenhuma.

                Mas, vamos ao ponto: não existe democracia sem elite. Sim, sei que para as igrejinhas do Butantã essa afirmação soa sacrílega, fazer o que? Uma elite é apenas um grupo de pessoas que se destaca em algo e isso é um dos elementos estruturantes da realidade, gostemos ou não.

                Sim, devemos questionar os critérios que são utilizados para formar uma elite, mas não a existência duma. Uma elite formada por critério familiar, censitário, corporativista, ideológico ou racial é reprovável, mesmo que seja a regra duma sociedade. Doravante, temos outros, como o mérito e o talento que deveriam ser a base para formar uma elite.

                Os mais talentosos deveriam formar um verdadeiro corpo aristocrático e a eles ser entregue os mais elevados postos, comendas e responsabilidades, pois, como nos lembra o saudoso Wilson Martins, a democracia funda-se ao mesmo tempo no princípio da igualdade de oportunidade e no estímulo das diferenças por mérito, únicas legitimas do ponto de vista individual e bem como social.

                Todavia, o que temos em nosso sistema educacional com seu pedagogesco democratismo é o contrário disso. Temos um simulacro de igualdade de oportunidade através dum Ensino (Fundamental e Médio) capenga com atestado de inépcia assinado pelo MEC por meio de sua política de cotas (um arremedo de [in]justiça social) num misto com o desestímulo a meritocracia através da nada velada política de não reprovação, digo, de reconhecimento do esforço (inexistente) de muitos alunos.

                Desde os idos de Anísio Teixeira, nossa educação, toda ela, é uma ficção feita por meio de decretos e portarias. Ainda hoje, para ser boa, no entendimento dos sabichões, ela deve ser cheia de formulários a serem preenchidos e que isso, em seu imaginário doentio, garantiria que todos teriam acesso a uma educação formal de qualidade. Tudo muito bonitinho, no papel, mas ordinário, em sua execução.

                Por isso, penso que devemos, urgentemente, lembrar, e não esquecer, três dados ululantes da natureza humana: (i) todos os seres humanos são diferentes quanto as suas potencialidades e talentos, (ii) a maioria absoluta dos indivíduos tende sempre a seguir a lei do menor esforço e (iii) sempre os medíocres irão invejar (por isso desdenham) os talentosos.

                Imaginar que se pode educar alguém ignorando esses dados, ou é um claro sinal de demência, ou uma evidência inconteste de que os medíocres estão ditando as regras para a derrocada da democracia e da educação.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Guarani Kaiowá de boutique


Por Luiz Felipe Pondé

As redes sociais são mesmo a maior vitrine da humanidade, nelas vemos sua rara inteligência e sua quase hegemônica banalidade. A moda agora é "assinar" sobrenomes indígenas no Facebook. Qualquer defesa de um modo de vida neolítico no Face é atestado de indigência mental.

As redes sociais são um dos maiores frutos da civilização ocidental. Não se "extrai" Macintosh dos povos da floresta; ao contrário, os povos da floresta querem desconto estatal para comprar Macintosh. E quem paga esses descontos somos nós.

Pintar-se como índios e postar no Face devia ser incluído no DSM-IV, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Desejo tudo de bom para nossos compatriotas indígenas. Não acho que devemos nada a eles. A humanidade sempre operou por contágio, contaminação e assimilação entre as culturas. Apenas hoje em dia equivocados de todos os tipos afirmam o contrário como modo de afetação ética. [continue lendo]

sábado, 17 de novembro de 2012

Regra geral


Por Olavo de Carvalho

Se vocês ainda não notaram, aproveitem o festival de homicídios em São Paulo como ocasião perfeita para notar esta regra geral nunca desmentida: com a mesma constância com que em qualquer nação agrária e atrasada as revoluções socialistas resultam imediatamente na instauração de ditaduras genocidas, em todo país mais ou menos próspero e democrático onde a esquerda se torne hegemônica as taxas de criminalidade sobem e não param mais de subir. O primeiro desses fenômenos observou-se na Rússia, na China, na Coréia do Norte, no Camboja, em Cuba etc. O segundo, na França, na Inglaterra, na Argentina, na Venezuela, nos EUA, no Brasil e um pouco por toda parte no Ocidente.

Por que? E há alguma relação entre essas duas séries de fatos?

Todo o esquema socialista baseia-se na idéia de Karl Marx de que o proletariado industrial é a classe revolucionária por excelência, separada da burguesia por uma contradição inconciliável entre seus interesses respectivos.

Quando um partido revolucionário toma o poder numa nação atrasada, predominantemente agrária, como a Rússia de 1917 e a China de 1949, não encontra ali uma classe proletária suficientemente numerosa para poder servir de base à transformação da sociedade. O remédio é apelar à industrialização forçada, para criar um proletariado da noite para o dia e “desenvolver as forças produtivas” até o ponto de ruptura em que a burguesia se torne desnecessária e possa ser substituída por administradores proletários. Para isso é preciso instaurar uma ditadura totalitária que possa controlar e remanejar a força de trabalho a seu belprazer (Trotski chamava isso de “militarização do trabalho”). Daí a semelhança de métodos entre os regimes revolucionários socialistas e fascistas: ambos têm como prioridade a industrialização forçada, com a única diferença de que os fascistas a desejam por motivos nacionalistas e os socialistas pelo anseio da revolução mundial. [continue lendo]

Com a palavra a Beata Teresa de Calcutá


Somente através da meditação e da leitura espiritual podemos cultivar o dom da oração. A oração mental cresce simultaneamente com a simplicidade, ou seja, o esquecimento de si próprio, a superação do corpo e dos sentidos, e a renovação das aspirações que alimentam a nossa oração. É, como diz São João Maria Vianney, «fechar os olhos, fechar a boca e abrir o coração». Na oração vocal somos nós que falamos com Deus; na oração mental, é Ele que nos fala. É neste momento que Ele se derrama em nós.

A nossa oração deve ser feita de palavras quentes, nascidas da fornalha do nosso coração cheio de amor. Nas tuas orações, dirige-te a Deus com grande reverência e confiança. Não te atrases nem te precipites, não grites, nem te entregues ao mutismo, mas com devoção, com grande delicadeza, com toda a simplicidade, sem qualquer afectação, oferece o teu louvor a Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma.

Finalmente, deixa que o amor de Deus possua inteira e absolutamente o teu coração e deixa esse amor tornar-se no teu coração uma segunda natureza; não permitas que o teu coração seja penetrado do que lhe é contrário; deixa-o aplicar-se continuamente ao crescimento deste amor, procurando agradar a Deus em todas as coisas, não Lhe recusando nada; deixa-o aceitar tudo o que lhe acontece como vindo das mãos de Deus; faz com que esteja firmemente determinado a jamais cometer qualquer ofensa deliberada ou conscientemente - ou, se não, deixa-o humilhar-se e aprender a erguer-se logo a seguir. Então, esse coração estará continuamente em oração.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

INDO E VINDO DE ARRASTO


Escrevinhação n. 976, redigida em 08 de novembro de 2012, dia de São Godofredo e do Bem-aventurado Dun Scoto.

Por Dartagnan da Silva Zanela


As palavras movem, os exemplos arrastam. Esse é um brocardo que todos conhecem. Os exemplos, ninguém ignora, podem ser apresentados intencionalmente ou de modo velado através de nossos gestos e ações. Em muitas ocasiões, o primeiro é contradito quando defrontado com o segundo, noutras, complementam-se. Bem, dum jeito ou doutro, sempre estamos tendo diante de nossas vistas modelos de conduta que guiam nossas escolhas.

Doravante, René Girard demonstra, com elegância e argúcia, através de sua teoria do “desejo mimético” o quão presente os exemplos se fazem na formação de uma pessoa e, bem como, na estruturação da vida em sociedade. Segundo o referido antropólogo, somos seres ciosos por ser, em nos realizar como indivíduo, por não sabermos exatamente quem e o que somos. Frente a essa angústia substancial, somos movidos a preenchê-la com algo que dê sentido a nossa vida. Sentido que, por sua deixa, é colhido no pomar de modelos que tornam latentes todas as possibilidades humanas almejáveis e indesejáveis.

Levantamos essa pedra tendo em vista a grande confusão mimética reinante. Os noticiários apresentam-nos a vilania moral como padrão de comportamento por meio de pessoas públicas, celebridades, de suas novelas e tutti quanti. Temos de modo onipresente a baixeza como padrão. Sim, há exceções, porém essas são minguadas, caricatas, e apenas auxiliam na reafirmação da torpeza reinante.

Na seara educacional, o cenário não é diverso. Aliás, nesta temos um agravante maior. Devido ao pensar, e ao educar, dito crítico, cultiva-se um grande desdém pelo que seja realmente representativo do potencial humano ao mesmo tempo em que se estimula um largo sentimento de rancor no coração dos infantes. Sentimento esse que é devidamente sevado pelas posturas e imposturas que são apresentadas a estes em sala e fora dela que coloca os púberes no patamar de juízes universais do que realmente pode ser tido como respeitável e louvável. Francamente, somente tolos são capazes de idolatrar o mimado discernimento juvenil. 

Destruindo-se a imagem dos modelos de conduta humana que refletem os valores perenes não se está libertando os infantes, não mesmo. O que se está fazendo, cônscio ou não disso, é substituir um exemplo de elevado valor por um de pérfida mediocridade que, em regra, é a cara de seus proponentes.

Com a ausência de modelos que realmente figurem as reais potencialidades da alma humana, perde-se o sentido da admiração e bem como o senso de grandeza que são substituídos por sentimentos e desejos fúteis guiados pelas referências torpes apontadas pelas almas embebidas num rancor advindo do fato de serem elas, simplesmente, pessoas desprovidas de qualquer qualidade. Não é por menos que estamos a viver sob as rédeas de uma mediocracia. Não é de espantar que nada mais escandalize a alma brasileira.

Por essas e outras que a futilidade nos subiu a cabeça e tornou-se marca distintiva de cívica brasilidade.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quem manda no mundo?

Por Olavo de Carvalho

Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, poucas  perguntas me impressionaram como aquela que dá título à segunda parte de La Rebelión de las Masas, de José Ortega y Gasset: “Quién manda en el mundo?”

O filósofo não a formulava em sentido metafísico, onde poderia ser respondida por algo como “Deus”, “o acaso”, “a fatalidade”, mas em sentido geopolítico, e chegava à conclusão de que era uma lástima a Europa ter perdido seu posto de liderança, cedendo a vaga para a Rússia e os Estados Unidos.

A resposta parecia deslocada da pergunta. Estados, nações, governos e continentes não mandam. Quem manda são os indivíduos e grupos que os controlam. Antes da geo-política vem a política tout court.  E aí tudo se complica formidavelmente. É fácil perceber quais Estados ou países predominam sobre os outros. Mas descobrir quem realmente manda num Estado ou país – e através dele manda nos outros -- é um desafio intelectual mais atemorizante do que o pode imaginar o analista político usual.

O verbo “mandar” vem do latim manus dare: quem manda empresta os seus meios de ação (sua “mão”) para que outros realizem algo que ele pensou. Um governante dá ordens a seus subordinados, mas, examinando bem, você verá que só raríssimos governantes, na História – um Napoleão, um Stálin, um Reagan –, foram eles próprios os criadores das idéias que realizaram. Os primeiros teóricos do Estado moderno acertaram na mosca quando inventaram a expressão “poder executivo”: em geral o homem de governo é o executor de idéias que ele não concebeu nem teria a capacidade – ou o tempo -- de conceber. E os que conceberam essas idéias foram os mesmos que deram a ele os meios de chegar ao governo para realizá-las. Quem são eles? [continue lendo]

sábado, 10 de novembro de 2012

¿Piensan los jóvenes?


Por Jaime Nubiola

La impresión prácticamente unánime de quienes convivimos a diario con jóvenes es que, en su mayor parte, han renunciado a pensar por su cuenta y riesgo. Por este motivo aspiro a que mis clases sean una invitación a pensar, aunque no siempre lo consiga. En este sentido, adopté hace algunos años como lema de mis cursos unas palabras de Ludwig Wittgenstein en el prólogo de sus Philosophical Investigations en las que afirmaba que "no querría con mi libro ahorrarles a otros el pensar, sino, si fuera posible, estimularles a tener pensamientos propios".

Con toda seguridad este es el permanente ideal de todos los que nos dedicamos a la enseñanza, al menos en los niveles superiores. Sin embargo, la experiencia habitual nos muestra que la mayor parte de los jóvenes no desea tener pensamientos propios, porque están persuadidos de que eso genera problemas. "Quien piensa se raya" —dicen en su jerga—, o al menos corre el peligro de rayarse y, por consiguiente, de distanciarse de los demás. Muchos recuerdan incluso que en las ocasiones en que se propusieron pensar experimentaron el sufrimiento o la soledad y están ahora escarmentados. No merece la pena pensar —vienen a decir— si requiere tanto esfuerzo, causa angustia y, a fin de cuentas, separa de los demás. Más vale vivir al día, divertirse lo que uno pueda y ya está. [continue lendo]

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A História do Mensalão em Quadrinhos

O Círculo Vicioso Brasileiro



Por Mario Guerreiro

Há uma coisa que acontece frequentemente comigo, mas estou certo de que acontece também com muita gente. Como não uso óculos para ler, quando começo a ler um livro ou um jornal tiro imediatamente os óculos e os ponho em algum lugar.

Terminada a leitura e quando tenho que sair à rua, procuro então meus óculos. Mas, para encontrá-los onde os pus, preciso de óculos. E como enxergar os óculos sem óculos?

Esse é um dos muitos círculos viciosos com os quais costumamos deparar na vida cotidiana, mas o que pretendo formular aqui é muito mais grave e angustiante.

A educação no Brasil vem sofrendo há muitos anos uma deterioração crescente. Isto é algo facilmente reconhecível por qualquer pessoa com um mínimo de percepção das coisas.

Desde o ensino básico até o superior, a educação tem piorado exponencialmente. As conseqüências mais palpáveis talvez possam ser detectadas no vocabulário pobre e no linguajar tosco da maioria da população em todas as classes sociais.

Não só as pessoas em geral falam mal como também debocham dos que falam bem e, além disso, carecem de algumas noções elementares de geografia, história, matemática, etc. – nada que não faça parte dos currículos do primeiro e do segundo grau e que era de se esperar que as pessoas tivessem aprendido ao concluir essas duas etapas do ensino.

As pessoas que chegam à universidade - e que são um pequeno número em relação à grande população do Brasil - carregam todas as deficiências herdadas de uma péssima formação básica – coisa que dificilmente pode ser suprida no terceiro grau.

Mas até aqui estivemos nos restringindo à educação formal, quer dizer: a que é fornecida pelas escolas, colégios, universidades, etc.. Esta forma de educação complementa-se com a educação informal, quer dizer: a que começa em casa. E esta é tão ruim quanto aquela. [continue lendo]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

AS BOTAS FURADAS DO CORONEL


Escrevinhação n. 975, redigida em 30 de outubro de 2012, dia da Bem-aventurada Retistuta Kafka.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Duas pústulas infectam os ares de nossa sociedade quando esta se vê arrebatada por rompantes democráticos de ocasião. A primeira são as cloacas de utopias. A outra, o repicar do taco partido das botas dos arcaicos coronéis (ou mandatários se preferirem). De tão fétidas que são suas manifestações que o mau cheiro destas ilações, na verdade, fazem-me rir. Mas fedem.

De um lado temos os barbudinhos enfezados, similares a Eduardo Cambará e Adão Stein, personagens de “O tempo e o Vento” de Érico Veríssimo. Fanáticos que tratam o marxismo como algo superior as religiões. Creem-se sacerdotes de uma nova era de (in)justiça social e, não sei porque cargas d’água, são sujeitos desprovidos de senso de humor e com um senso crítico praticamente anulado ao mesmo tempo que julgam-se acima da, como eles diriam, patuléia alienada e aburguesada.

Chega cansar termos de ouvir esses tipos furibundos, que tanto abundam nestas plagas, com as suas efusivas intervenções todas enfeitadas com palavras de ordem decoradas que eles ouviram aqui e outras tantas frases dogmáticas que eles colheram acolá. Almas rasas que, em regra, acreditam ter chegado à profundidade das verdades incontestes simplesmente porque papagaiam um amontoado de cacoetes e estereótipos que lhes permitem sentir-se um pouco acima de sua nulidade bestial.

Do outro lado temos a coronezada fisiológica. Isso mesmo! Esses tipinhos, também, acotovelam-se em nossa sociedade e que, inclusive, finjo não saber qual a razão deles imaginarem que o patrimônio público seja um brinquedinho que seus paizinhos lhes deram quando infantes para brincar de Coronel Amaral. Sim, a personagem que quase pelejou de verdade (faltou-lhe bagualidade) com o Capitão Rodrigo Cambará, no primeiro volume da trilogia citada.

Adoram mandar e desmandar, gostam de ser reverenciados pelas virtudes que não possuem. Aliás, a bajulação é indispensável para que sua nulidade não venha à tona. Todos veem e reconhecem a sua falta de qualidades dignificantes, mas ninguém deixa de entrar neste jogo de cartas viciadas e adulam o chefinho do feudozinho pós-colonial.

O pior de tudo é que esses sujeitos por terem como “ideologia” apenas a defesa dos seus interesses e dos integrantes de sua trupe, acabam imitando o palavrório dos barbudinhos e, fazendo isso, pensam que estão fazendo um grande negócio, sem dar-se conta de que ao imitarem o discurso de seus adversários eles passam, sem perceber, a jogar o jogo deles e, não mais o seu. Eles enfraqueceram, estão sendo usados para fins que não compreendem e, ainda, contam vantagem.

Ora, quem diria que um dia José Sarney seria o office boy do Partido dos Trabalhadores no Senado. Sim, quem diria que, um dia, Paulo Malluf seria o garoto de recados de um candidato petista em São Paulo. Bem, é isso o que ocorre quando se parasita o discurso político do adversário imaginando que ainda poderá continuar agindo com um coronel de antanho.

Tem louco pra tudo neste mundo.

Pax et bonum
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Dos Estados Unidos à Europa


Por João Pereira Coutinho

1. Os americanos vão hoje às urnas. Não sou vidente. Não vou cansar o leitor com análises detalhadas sobre os "swing states", os votos colegiais, as últimas pesquisas. Tudo é possível.
Mas, dentro do possível, confesso que gostaria muito que Mitt Romney ganhasse. Eu sei, heresia: lemos a imprensa "liberal" (no sentido americano da palavra, ou seja, esquerdista) e Romney é apresentado como um fanático que acredita em extraterrestres. Pior: um fanático que pretende entregar os Estados Unidos à plutocracia doméstica, de que ele faz parte.

Barack Obama, pelo contrário, é a personificação da bondade e do realismo. Mesmo Guantánamo, que continua a funcionar, tem outro sabor com Obama: no tempo de Bush, a prisão era o inferno terreno e a prova da malignidade republicana. Com Obama, Guantánamo é um jardim de infância.

Sejamos sérios: o julgamento sobre Obama, quatro anos depois, não pode ser brando ou entusiasmante. Fato: em 2008, Obama recebeu de herança uma nação quebrada. Novo fato: em 2008, Obama dispunha de condições incomparáveis --aprovação popular em níveis estratosféricos, Congresso favorável etc.-- para fazer mais e melhor. [continue lendo]

domingo, 4 de novembro de 2012

O novo imbecil coletivo

Por Olavo de Carvalho

Quando entre os anos 80 e 90 comecei a redigir as notas que viriam a compor O Imbecil Coletivo, os personagens a que ali eu me referia eram indivíduos inteligentes, razoavelmente cultos, apenas corrompidos pela auto-intoxicação ideológica e por um corporativismo de partido que, alçando-os a posições muito superiores aos seus méritos, deformavam completamente sua visão do universo e de si mesmos. Foi por isso que os defini como “um grupo de pessoas de inteligência normal ou mesmo superior que se reúnem com a finalidade de imbecilizar-se umas às outras”.

          Essa definição já não se aplica aos novos tagarelas e opinadores, que atuam sobretudo através da internete que hoje estão entre os vinte e os quarenta anos de idade. Tal como seus antecessores, são pessoas de inteligência normal ou superior separadas do pleno uso de seus dons pela intervenção de forças sociais e culturais. A diferença é que essas forças os atacaram numa idade mais tenra e já não são bem as mesmas que lesaram os seus antecessores.

          Até os anos 70, os brasileiros recebiam no primário e no ginásio uma educação normal, deficiente o quanto fosse. Só vinham a corromper-se quando chegavam à universidade e, em vez de uma abertura efetiva para o mundo da alta cultura, recebiam doses maciças de doutrinação comunista, oferecida sob o pretexto, àquela altura bastante verossímil, da luta pela restauração das liberdades democráticas. A pressão do ambiente, a imposição do vocabulário e o controle altamente seletivo dos temas e da bibliografia faziam com que a aquisição do status de brasileiro culto se identificasse, na mente de cada estudante, com a absorção do estilo esquerdista de pensar, de sentir e de ser – na verdade, nada mais que um conjunto de cacoetes mentais. [continue lendo]

Qué es el Concilio Vaticano II Alejandro Bermúdez con Enrique Elías (14/04/2011)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A realidade como nós a conhecemos


Por Umberto Eco

Eu certamente já disse antes, mas direi de novo: um dos meus desejos é colocar um fim a esta coluna, ao menos em sua encarnação atual. Em intervalos de poucas semanas, eu tenho de conjurar um tema que seja atual, mesmo que meu desejo seja realmente reler a obra de Pinder e escrever uma crítica (um tanto tardia) de seus poemas. Em outras palavras, eu gostaria de falar sobre livros que talvez tenham sido esquecidos, mas que sinto serem “atuais” para serem lidos de novo. Poderiam ser livros de séculos atrás, apesar de que também gostaria de discutir obras contemporâneas que demorei a ler. Afinal, nem sempre é possível se manter atualizado.

Recentemente eu li “O Imaginário”, de Jean-Jacques Wunenburger, que saiu na França em 2003 e explora a ideia do imaginário individual e coletivo. É difícil dizer o que é o imaginário coletivo, mas com base neste livro, nós podemos ao menos tentar esboçar uma teoria possível. O imaginário coletivo não pertence às construções da razão, como a lógica, matemática ou ciências naturais, mas sim a uma série de representações “imaginárias” que podem variar de mitos antigos até ideias contemporâneas que circulam em cada cultura e às quais todos nós nos adaptamos –mesmo que sejam fantásticas, errôneas ou cientificamente não provadas.

Se formos falar de um imaginário coletivo para mitos, certamente “Ulisses” de James Joyce é um exemplo que domina nosso modo de pensar. E há as visões sagradas, as narrativas que se infiltram em nossas experiências individuais: é por essa lógica que Pinóquio se torna mais real para nós do que, digamos, o príncipe Klemens von Metternich da Áustria, ou outros titãs da história. E em nossa existência cotidiana, pode ser mais fácil seguirmos as lições da vida fictícia de Pinóquio do que as da vida real de Charles Darwin. [continue lendo]

De como Dostoiévski foi o primeiro olavete; e o desaparecimento iminente dos moderninhos com cara de nojo


Por Lorena Miranda

Escrevi recentemente um artigo sobre Dostoiévski onde avalio a relação deste com a noção de Ocidente e a cultura ocidental. O artigo foi lido por Joel Pinheiro e Julio Lemos e desagradou a ambos pelo que seria um excessivo tom “olavista-voegelinista”. (Nota: Não conversei com Julio Lemos sobre o assunto; sua apreciação me foi brevemente transmitida por Joel Pinheiro. Já com este último venho discutindo abundantemente todas as questões em torno do malfadado artigo, de modo que boa parte do que direi nesse texto não lhe será novidade. No entanto, creio que a grande maioria das pessoas tem sobre Dostoiévski a mesma impressão truncada que verifiquei ser a do Joel. Este texto é uma tentativa de desfazer parte desses nós e de quebra pegar o gancho da discussão mais interessante que a internet viu nos últimos tempos: aquela em que Olavo de Carvalho respondeu às indiretas de Julio Lemos.)

No que pese a crítica razoável de que meu artigo deveria citar menos comentadores (notadamente, Ellis Sandoz, discípulo de Eric Voegelin) e mais o próprio Dostoiévski, é notório que o problema de Joel Pinheiro é principalmente com a linha interpretativa que eu sigo no artigo, tomada, sim, a Sandoz-Voegelin, uma vez que desconheço fonte teórica mais acertada para interpretar o Dostoiévski político (e acrescento que Dostoiévski é o objeto da minha pesquisa de mestrado; há pelo menos três anos não faço outra coisa senão ler interpretações de sua obra). Mas faço o mea culpa que me cabe: o leitor não-especializado, que não leu as mil e quinhentas páginas de textos jornalísticos de Dostoiévski, tampouco suas cartas e cadernos de notas, além, evidentemente, de sua obra literária, não tem obrigação de saber que o ideólogo por trás de obras enigmáticas como Os Irmãos Karamázov e Crime e Castigo identificou pioneiramente o fenômeno a que Eric Voegelin chamou “gnose moderna”. Eu deveria, portanto, ter escrito algo como um preâmbulo justificando a pertinência de minhas fontes teóricas. Concedido isto, sigamos adiante. [continue lendo]

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

'Drummond foi um grande pensador'

Politicamente correto - a vingança do marxismo


POR EDWARD S. MAY - “BARON BODISSEY”

Tal como já disse previamente, o Islã é apenas uma infecção secundária, uma que, de outro modo, nós poderíamos resistir. O marxismo cultural enfraqueceu o Ocidente e tornou-o pronto a ser tomado. O marxismo cultural é AIDS cultural, devorando o nosso sistema imunológico até que esteja demasiado fraco para resistir as tentativas de infiltração Islâmicas. O Marxismo Cultural tem que ser destruído antes que nos destrua a todos.

A aliança esquerdista-islâmica terá consequências profundas. Ou ela derrotará o Ocidente, ou ambos cairão juntos. Nós nunca chegamos a vencer a Guerra Fria do modo decisivo que a deveríamos ter vencido. O marxismo recebeu permissão para perdurar e, sorrateiramente ou através dum proxy, levar a cabo outro ataque contra nós. No entanto, este namoro com os muçulmanos pode potencialmente revelar-se mais devastador para os marxistas que a queda do Muro de Berlim.

Como William S. Lind ressalva: “embora estejamos atrasados, a batalha ainda não está decidida. Muito poucos americanos se apercebem que o politicamente correto é, na verdade, marxismo com outra roupagem. À medida que a realização se propagar, a resistência vai-se propagar também. Atualmente, o politicamente correto prospera ao se disfarçar. Através da resistência, e através da educação levada a cabo por nós mesmos (que deve fazer parte de todos os atos de resistência), podemos revelar a camuflagem e revelar o marxismo por trás de termos como "sensibilidade", "tolerância" e "multiculturalismo."

O politicamente correto é marxismo com uma operação no nariz. O multiculturalismo não tem nada a ver com a tolerância e a diversidade; é, sim, uma ideologia de ódio anti-ocidente criada com o expresso propósito de destruir a civilização ocidental. [continue lendo]

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