quarta-feira, 28 de julho de 2010

[pdf] UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

Escrevinhação n. 842, redigida em 28 de julho de 2010, 17ª. Semana do Tempo Comum, dia de Santo Inocêncio I, São Nazário e São Celso.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"A caridade é como o andar do espírito. Se tens dois pés, não coxeies. Ama a Deus e ama a teu próximo". (Sto. Agostinho)

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No correr dos séculos algo que se faz patente na história da humanidade é a presença do mal e a luta do ser humano contra as suas sombras. Seja no Ocidente ou no Oriente, temos diante das vistas humanas a presença desta luta infindável que invade as meninas do olhar dos filhos de Adão se aquartelando em nossa alma, transformando o âmago de nosso ser num grande campo de batalha desta pugna que apenas terá término no fim dos séculos.

Por essa razão que lemos nas luminosas laudas da Constituição Pastoral Gaudium et Spes que a sociedade hodierna faz ressoar as palavras de São Paulo (Romanos XII; 2), quando este diz: “Não vos conformeis a este mundo”. Isso não significa, de modo algum, que devemos nos abraçar em uma ideologia política, a um partideco, partidão, ou similar, para mudar o mundo. Aliás, isso seria um cabal sinal de orgulho e soberba a tomar conta de nossa alma imortal. Devemos sim, segundo o referido documento, parido pelo Concílio Vaticano II, nos resguardar, ficarmos atentos “àquele espírito de vaidade e malícia que transforma a atividade humana, ordenada ao serviço de Deus e do homem, em instrumento de pecado”.

Porém, o mal está ficando tão garboso e vitorioso nos umbrais da alma que a pessoa humana, dia após dia, vai se habituando a esse raciocínio superficial e viciado onde tudo o que deve ser mudado e transmutado é o mundo, a sociedade, o sistema, os outros, sem ao menos ponderarmos sobre as chagas que estão abertas e pustulentas em nosso coração. Ora, mudar o mundo não é difícil. Ele sempre está mudando. A pergunta que julgamos ser apropriada é: melhorar o mundo é fácil? É necessário? E na intenção de melhorá-lo, não estamos piorando-o?

Além disso, nós esquecemos, com grande freqüência, que tudo que está na face da terra é obra do Criador. Deste modo, tudo a nossa volta, é um símbolo da realidade. Isso mesmo! Não esqueçamos que, como nos ensina o Papa Bento XVI, que o real é o espiritual. Se existe algo que o homem moderno perdeu do seu horizonte de consciência é a compreensão da natureza simbólica do universo. O homem moderno não mais vê a criação como um símbolo do Criador para que possamos aprender dele o que devemos fazer e para que direção devemos pender o nosso ser.

Por orgulho e arrogância esquecemo-nos dos atributos divinos que são Sua onipotência, onipresença e a onisciência. Tudo o que está acontecendo no mundo é porque Deus permite, pois, se assim não o fosse, Ele não seria Deus. Naturalmente que muitos se perguntam se é da Vontade do Criador que exista miséria, guerras, doenças, infortúnios, corrupção e tragédias e, obviamente, que a proposição de tal indagação está viciada pela visão turvada por nossa inclinação pecaminosa.

Sim, tudo a nossa volta está ocorrendo porque Aquele que É permite que ocorra, porque Ele é onipotente. Mas, como esse mundo é apenas um reflexo da Realidade, devemos indagar o que Deus quer que aprendamos disso tudo, porque Ele é onisciente. Se há tantas chagas no mundo, o que eu aprendo com elas? O que tenho feito pelo sofrimento de quem está próximo? De que maneira luto contra o mal que assola o meu coração? Eis a questão que o mundo, com suas chagas, suscita a todos nós, por que Ele é onipresente.

Por isso, o mundo não é o que decidimos fazer dele, mas sim, o que nós decidimos fazer de nós mesmos. O Artífice Celeste criou-nos dotado de vontade para que livremente compreendamos e aceitemos o nosso lugar em sua obra e assumamos nosso posto neste bom combate que é travado dia após dia nos átrios de nossa alma.

Agindo assim não iremos mudar o mundo, mas também não o pioraremos. Procedendo deste modo não iremos corrigir a criação, mas iremos olhá-la com outros olhos, com olhos piedosos, que irão mudar a nossa maneira de viver e de ser, irradiando silenciosamente através de nossos gestos e palavras essa perspectiva abandonada pelo ser humano em sua caminhada pelo ciclo moderno.

E, no fundo, é isso que realmente importa. Sejamos ou não capazes de perceber isso.

Pax et bonum
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

[pdf] A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA

A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA (Publicado no Boletim Diocesano)

A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA (publicado no Boletim Diocesano)

Escrevinhação n. 841, redigido em 15 de julho de 2010, dia de São Boaventura, São Vlademir de Kiev e do Bem-aventurado Inácio Azevedo e Companheiros.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Não se fixe voluntariamente naquilo que o inimigo da alma lhe apresenta”.
(Sto. Padre Pio)

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Se existe uma instituição que é atacada por todos os flancos é a família. Abordar e ponderar sobre todos estes ataques seria uma tarefa irrealizável em tão sucinta missiva. Entretanto, cremos que seja apropriado tecermos nestas parcas linhas algumas pequenas e simplórias considerações sobre a família e, deste modo, projetar algumas luzes, mesmo que diminutas, sobre os riscos que a alma humana corre com os ataques sórdidos que minam essa basilar configuração simbólica da alma humana.

Isso mesmo! Um dos elementos fundamentais que se perdeu do horizonte humano com o advento da modernidade foi a compreensão simbólica da realidade. Esquecemo-nos que toda criação é uma escritura codificada do Criador, inclusive a família. Ora, se todo artista deixa a sua marca na feitura de sua obra por que haveria o Grande Artífice de não deixar os Seus sinais em sua criação?

Neste sentido, a imagem da família é um símbolo que nos religa a realidades espirituais que, em si mesmas, nos são fugidias. Mas, o que a imagem da família nos ensina sobre nós, sobre nossa alma? O que a imagem de nossa família, nos ensina sobre a nossa alma imortal? Ao ver a família humana, com as suas virtudes e vícios, estamos vendo a imagem refletida de nossa alma, porém, o que vemos nela? Esse é o “x” da questão.

Muitas são as expressões da família nas mais variadas culturas, porém todas, necessariamente, têm uma tríade basilar que é a figura paterna, a imagem materna e a prole advinda da união destes. Bem, esse é o núcleo central que espelha a alma humana e, neste sentido, o símbolo não é um elemento arbitrário, mas sim, uma matriz de interpretações como nos ensina Suzanne Lange, em seu livro FILOSOFIA EM NOVA CHAVE. Ainda, segundo Frederico Gonzales, em seu livro SIMBOLISMO E ARTE, o símbolo “[...] reflete autenticamente o que expressa, requisito sem o qual seria impossível qualquer relação ou comunicação. Deve-se ter em mente que, por tomar uma forma, constitui uma estrutura na torrente do não-enunciado, na vida larval e caótica do vir a ser”.

Talhando nossas vistas por essa vereda, podemos indagar o que a figura paterna e materna representam, respectivamente. A primeira simboliza a razão e as virtudes morais como a prudência, a justiça e a temperança. O pai é aquele que representa a autoridade solene, a firmeza e o ordenamento. A mãe, por sua deixa, é um claro espelho da vontade e das virtudes teologais como a fé, a esperança e a caridade. É ela, a mãe, quem representa o consolo, a benevolência que nos conforta quando estamos temerosos e feridos.

Vislumbrando essa dimensão simbólica da realidade compreendemos porque São Paulo (1Coríntios XI; 2-3) ensina-nos que a mulher deve se submeter-se ao seu marido. A vontade deve submeter-se a razão, e a razão submeter-se ao Logos Divino e imitar o Logos Divino encarnado. Por esse mesmíssimo motivo, que o mesmo Justo nos diz que o homem deve amar a sua mulher como Cristo nos ama (Efésios V; 25), porque sem o amor a razão não dispõe de meios para iluminar a vontade. Aliás, a submissão da vontade à razão só se justifica através do amor. Qualquer outra via seria uma negação da própria razão e, conseqüentemente, uma vil abolição da humana vontade, que também é um dom divinal que nos é facultado.

Quanto à prole, o que são nesta ordem simbólica? São as paixões. Desordenados, caóticos e em boa parte do tempo se encontram em conflito um com o outro, engalfinhando-se um com o outro pelas querelas mais pífias e tolas imagináveis. Por essa razão que os infantes devem ser submetidos à autoridade da vontade (mãe) guiados pela soberania da razão (pai).

A configuração da família, deste modo, apresenta ao indivíduo uma imagem simbólica da alma e, através desta, têm-se uma ferramenta pela qual vislumbramos os umbrais que deverão ordenar nossa vida interior para que, desta maneira, possamos reproduzir no âmago de nosso ser, uma sã ordenação. Ou seja: orientar a nossa vontade à luz da razão para que assim possamos dominar nossas paixões, aprimorando-nos, lapidando-nos, tornando sublimes as faculdades que habitam potencialmente o nosso ser.

Bem, estando esse dito claro, compreendemos porque toda tentativa de ataque a família é um ataque direto a própria estrutura da alma humana. Se o símbolo nos auxilia na compreensão da realidade, todas as tentativas de minar as bases desse símbolo natural, que é a família humana, não passam de subterfúgios ignóbeis, entre tantos outros, que tem apenas um único objetivo: afastar o ser humano da dimensão real da existência, afundando-nos em uma perspectiva atomística e subjetivista, atolada em suas paixões indomadas, escravizando nosso caráter a elas.

É isso que significa uma família desestruturada. Essa é a tradução da vida de um pai, de uma mãe, que não se sacrificam na realização de sua vocação. Esse é o problema de uma sociedade onde os infantes não mais podem ser devidamente corrigidos pelas mãos de seus tutores naturais. Todas as infâmias auferidas contra a família não passam de um reflexo assustador do estado em que se encontra a alma do homem contemporâneo.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 22 de julho de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.



Obs.: Semana passada o programa Ave Maria não foi ao ar na quinta-feira porque estávamos em CONSELHO DE CLASSE no Colégio onde lecionamos. Dito isso, Fiquem todos com Aquele que É e até.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Jesus, Alegria dos Homens - JOHANN SEBASTIAN BACH

[pdf] E QUANDO A SEMENTE GERMINAR?

E QUANDO A SEMENTE GERMINAR?

E QUANDO A SEMENTE GERMINAR?

Escrevinhão n. 840, redigido em 15 de julho de 2010, dia de São Boaventura, São Vlademir de Kiev e do Bem-aventurado Inácio Azevedo e Companheiros.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Quem diz verdades perde amizades".
(Sto. Tomás de Aquino)

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O ofício professoral nunca foi e, provavelmente, nunca será uma empreitada destinada para almas desfibradas, fragilizadas. As rudezas que imperam neste ofício são muitas das vezes desconcertantes. Todavia, como poderia ser diferente? Se educar uma pessoa que deseja ser educada não é tarefa fácil, quem o diga educar uma pessoa que não o deseja isso e que a sociedade, sutilmente, lhe diz que ele tem direito a isso. E, tal direito, deve ser respeitado, não é mesmo?

Sejamos francos: o critério vigente para aprovação de um aluno em nosso sistema de ensino é o mínimo relevante de mediocridade dissimulada e olhe lá. Pode parecer grosseiro o que afirmamos nestas linhas, entretanto, é a mais pura realidade. Realidade esta conhecida por todos nós. Gostemos ou não de enxergar o que está em nossa volta este é o quadro.

Ilustrando o que apontamos linhas acima, lembro que, certa feita, uma professora cansada deste fingimento reinante no sistema educacional, disse, com ironia, dias antes do conselho de classe de sua Instituição de ensino, o seguinte: “[...] você tem que ver os progressos obtidos pelos alunos! Na quinta série ele não sabe ler (analfabeto funcional, ou mais), mas quando ele chega à oitava série ele já sabe enxerga! E, se bobear, chegando ao terceiro ano do Ensino Médio, quem sabe ele aprenda a te escutar!” E assim estamos. Quantas e quantas vezes alunos e mais alunos não foram aprovados sem o devido mérito nas últimas décadas? O número é significativo. Basta olhar os APC (aprovado por conselho de classe em duas, três, quatro ou mais disciplinas) que constam nos resultados finais.

De mais a mais, o que torna essa situação uma tragicomédia é o fato de que os elementos que apresentam essa lengalenga de “analisar o contexto do aluno” esquecem-se de estabelecer um critério objetivo de aprendizagem. Isso mesmo! O fato de ele viver em um determinado contexto não é um critério de avaliação, mas apenas uma variável entre tantas que pode ou não influir no resultado. Provavelmente os proponentes destas “coisas” que eles chamam de “concepção pedagógica” nunca pararam para pensar nesta sutil diferença.

E são essas “concepções” que estão dia após dia afundando mais e mais não apenas o sistema educacional, mas toda a sociedade. Hoje estamos plantando essa tosca semente daninha. Amanhã (e esse amanhã está cada vez mais próximo), estaremos colher os frutos que estão sendo plantados. Hoje esses jovens que estão sendo (des)educados serão os profissionais que estarão à frente da sociedade. E, como nos lembra o saudoso Rui Barbosa, “os maus alunos serão maus professores, que, por sua vez, serão péssimos líderes”.

Por fim, resumindo essa opereta, lembro aqui apenas uma breve passagem escrita pelo educador Gilbert Highet, em seu livro A ARTE DE ENSINAR (5ª. Ed.; 1967), onde esta hercúlea alma nos diz que é: “[...] uma tortura despender as energias de uma vida, dia a dia, na tentativa de estimular o gosto pelo estudo e o apreço pelas coisas mais belas e importantes do mundo a um grupo de jovens corrompidos, bobos mal-educados, pretensiosos ou ameaçadores, desatentos ou conversadores, cujos ideais de vida se repartem entre ser gangster, jogador de futebol, ou mulher divorciada em Hollywood. Tem-se a impressão nesse caso, de uma cena de transfusão em que o sangue generoso do doador caia no chão, para escorrer pela sarjeta”.

Exagero? Creio que não. Apenas convidaria para que essas almas sebosas que adoram falar de educação colocassem os seus formosos pesinhos em uma sala de aula por um ano e, obviamente, apresente-se um resultado substancial, com crescimento qualitativo na formação dos mancebos e não apenas uma mera exposição de dados estatísticos duvidosos. Aí, meu caro Horácio, é que eu quero ver até onde vai essa lengalenga de bom-mocismo fingido que toma conta dos defensores deste populismo pedagógico que pune o mérito e premia a desídia intelectiva, motivando o desânimo e desestimulando a perseverança e a dedicação abnegada.

E tenho dito.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

TIRANDO A CERA DO OUVIDO

TIRANDO A CERA DO OUVIDO

TIRANDO A CERA DO OUVIDO

Escrevinhação n. 839, redigido em 06 de junho de 2010, dia de Santa Maria Goretti e da Bem-aventurada Maria Teresa Ledochowska.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Em alto e bom som temos de ouvir os estardalhaço vindo dos lábios dos (de)formadores de opinião sobre a tal liberdade de pensamento e o direito a livre expressão. Maravilha! Todavia, para o exercício de tais regalos é imprescindível que se tenha algo em mente que mereça ser pensado e que se tenha algo que merecidamente deva ser expresso. De mais a mais, se temos o direito de manifestar o que supostamente pensamos, todos também tem o sacrossanto direito de não ouvir e mesmo desprezar o que estará sendo dito. Ou de ouvir a preleção e desaprová-la, não é mesmo?

Pois é, desta primeira observação poderíamos desdobrar inúmeras considerações. Porém, procuraremos restringir à apenas algumas poucas. Primeiro: donde advém esse culto obsessivo ao “direito a expressar a sua opinião”? Simplesmente devido ao diabólico desdém pela verdade que cultivamos em nossa alma. Ora, se a maioria das pessoas não cultiva o amor pela verdade, pelo estudo, e não procura amorosamente devotar-se a procura dela, mais do que naturalmente que estes indivíduos terão seu ser tomado pelo orgulho e pela vaidade e passarão a imaginar que estes, juntamente com suas vagas impressões sobre o real, são os detentores de verdades incontestes, mesmo que nunca tenham sequer cogitado a necessidade de procurá-la.

E o pior de tudo, meu caro Watson, é que tal disparate, é ensinado atualmente com filosofia de elevado valor. Isso mesmo! Em todas as direções que voltamos nossas vistas vemos critérios relativistas, ceticistas, niilistas, materialistas e tutti quanti, fundamentando as ações humanas. É claro que as pessoas que assim agem dirão que não atuam assim de modo algum e que não utilizam tais critérios. Isso se deve, provavelmente, porque nunca desejaram conhecer a verdade sobre as suas parvas opiniões e, por isso mesmo, desconhecem o significado destes conceitos que, queiram ou não, estão presentes em suas falas e ações.

Antes de qualquer consideração, antes de exercermos o nosso jus esperniandi expressando nossos resmungos rotos, deveríamos, penso eu, reivindicar o nosso direito divinal ao silêncio. Ao silêncio interior e ouvirmos as inúmeras vozes que ecoam no âmago de nossa alma para assim, em um primeiro momento, distinguirmos as vozes do engodo opinante da voz da Verdade suplicante. Falamos tanto, nos dedicamos com tanto afinco a parlar que nos esquecemos da basilar necessidade de limpar bem os ouvidos e nos calar.

Ué! Como poderemos conhecer se não somos capazes de ouvir? Como poderemos falar com propriedade se não sabemos apropriadamente o que invadiu o nosso ouvir?

É por essas e outras que dia após dia o sistema educacional e a sociedade hodierna como um todo vem se tornando um imenso manicômio, similar ao descrito pelo cineasta Fritz Lang em seu clássico “Doutor Mabuse – o jogador”.

E, como sempre, os nossos ancestrais têm muito a nos ensinar, mesmo que continuemos a ser arrogantes por demais para aprender. Plutarco, grande escritor latino, nos legou um pequeno grande livreto intitulado COMO OUVIR. Ora, para aprender temos que saber como aprender e, para tanto, temos que saber ouvir. E ouvir bem. Saber exercer essa faculdade com atenção, discernimento, parcimônia, generosidade, argúcia, humildade, perseverança, honestidade criteriosidade e longanimidade. Qualidade estas que, por sua deixa, irão refletir na forma de pensar, se expressar e de viver.

Por essa razão que Plutarco, em seu livreto citado, nos ensina que apenas quando se aprende o que se deve pode-se viver como se deseja, pois, quem aprende o que deve, vive como se deseja. Quando essa ordenação se inverte, o que temos é uma alma humana entregue aos impulsos e ações estúpidos e irracionais que, por sua deixa, torna a livre vontade envilecida e diminuída na intensa mudança das intenções, fragilizando-a, como uma folha seca lançada ao relento que se permite arrastar ao mais leve sopro de uma brisa, deixando-se manipular pelos modismos e, mesmo assim, crê estar agindo por conta própria.

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domingo, 11 de julho de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 08 de julho de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

[pdf] UMA QUESTÃO DE DECISÃO

UMA QUESTÃO DE DECISÃO

UMA QUESTÃO DE DECISÃO

Escrevinhação n. 838, redigida em 06 de julho de 2010, dia de Santa Maria Goretti e da Bem-aventurada Maria Teresa Ledochowska.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”. (Sto. Tomás de Aquino)

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Em muitas ocasiões procuramos chamar a atenção para a importância da faculdade volitiva no processo de aprendizagem/ensino, faculdade esta sumamente desdenhada com relação à figura do educando e superestimado no que tange a figura do educador principalmente quando deitamos nossas vistas nas cansativas e parvas laudas que versam sobre questões de ordem pedagógica que são redigidas por mãos que apenas teorizam sobre algo que desconhecem por completo.

A vontade é a faculdade que molda o nosso caráter e não meramente a razão como comumente costuma-se afirmar. Por essa razão que se torna extremamente tola qualquer tentativa de se explicar a educação com base em clichês meramente racionalistas, ideológicos, materialistas e funcionais como se costuma fazer. Isso mesmo! Quando abrimos aquelas belas considerações presentes em livros e revistas, especializados ou não, tudo parece perfeito, porém, quando confrontamos essas com as tensões presentes na realidade, revela-se a sua total nulidade.

Permitam-nos o uso de um exemplo para demonstrarmos o que estamos apontando. Quantas e quantas vezes nós realizamos escolhas que eram totalmente contrárias a nossa razão? Quantas e quantas vezes tomamos decisões contrariando todos os conselhos que nos foram dados pelos nossos pais, pelos nossos familiares, pelos nossos amigos e, principalmente, contrariando as evidências que nós mesmos percebíamos. E assim o fizemos por decidirmos, por manifestarmos a nossa vontade e não por outro motivo.

Bem, essa é a alavanca, de toda ação humana. Tudo o que fazemos nada mais é do que o fruto de uma decisão, de uma manifestação de nossa vontade que, por sua vez, é uma tensão interna, inerente a alma humana. Ou seja, não são os afagos ou dificuldades que irão levar o indivíduo a realizar algo, mas a decisão que ele tomou para a sua vida. Não são as oportunidades que nos são ofertadas ou negadas que determinará o que seremos, mas sim, o que fazemos com o que nos é apresentado como um regalo ou como uma penalidade em nossa vida.

Talvez um caso ilustrativo do que estamos chamando a atenção do amigo leitor, seja a do grande músico Johann Sebastian Bach. Este teria, aos olhos dos pseudo-educadores populistas hodiernos, tudo para ser um “problema”. Perdeu seus pais muito cedo. Foi morar com o irmão com quem aprendeu a tocar órgão. Todavia, este não se entusiasmava com o talento dele e não apenas não dedicava-se a ensinar o próprio irmão como o proibia de ler as suas partituras. Bach chorou? Ficou deprimido? Procurou alguém para garantir os seus direitos? Nada disso. Ele, escondido, copiava no escuro as partituras do irmão para em outros momentos poder estudá-las. É óbvio que quando o seu irmão Christoph descobriu as tais cópias, as destruiu. Entretanto, nem mesmo esse gesto foi um obstáculo para que Johann viesse a ser quem ele se tornou: Johann Sebastian Bach.

E se o amigo leitor se dedicar a leitura da biografia dos grandes homens e mulheres da história da humanidade irá perceber que todos eles têm essa marca em comum. Todos eles tiveram obstáculos e dificuldades para enfrentar e poucos afagos lhes foram dados nesta empreitada de sua formação pessoal. Mas todos estavam decididos quanto ao rumo de seus passos.

Por fim, julgamos que seria apropriado perguntarmos quantos desafios e obstáculos nosso sistema educacional apresenta para os nossos alunos superarem e, conseqüentemente, superarem-se a si mesmos neste ato. Quantos desafios nós aceitamos para a realização de nossa formação, de nosso caráter. Quantos? A resposta a essas perguntas poderá revelar o caminho percorrido por nossos passos e apontar a trilha que deveria ser enveredada pelos mesmos.

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domingo, 4 de julho de 2010

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

[pdf] GRATIDÃO TARDIA

GRATIDÃO TARDIA

GRATIDÃO TARDIA

Escrevinhação n. 837, redigido em 16 de junho de 2010, dia de Santa Julita e São Ciro.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Faz alguns dias, estava lendo um ensaio do economista estadunidense Thomas Sowell intitulado A BUSCA PELA JUSTIÇA CÓSMICA. Entre os pontos tratados pelo referido autor, um chamou-me a atenção e nos levou a mover os dedos frente ao pergaminho digital. Este ensaio trata da questão da educação.

Conta-nos Sowell que ele passou a sua infância no Harlem. Ou seja: uma infância nada fácil e com poucas oportunidades para um jovem negro. Sobre os professores que teve nesses idos ele nos diz: “Graças a Deus meus professores foram injustos comigo quando eu era um garoto crescendo no Harlem”. Hoje Sowell é um dos intelectuais mais respeitados nos USA. Com essa afirmação ele nos diz o obvio ululante. Que não se realiza a justiça dita social passando a mão na cabeça das pessoas, mas sim, munindo-as com as ferramentas intelectuais para que ela possa agir com autonomia e dignidade.

Ele nos diz que um desses professores “injusto”, especialmente aos olhos dos pedagogos modernos, era a senhora Simon. Segundo ele: “Cada palavra que soletrávamos ou escrevíamos errado, tinha de ser escrita cinquenta vezes – não em classe, mas em nossas lições de casa a serem apresentadas na manhã seguinte, e isso além de toda a outra carga de tarefas que ela e os outros professores jogavam sobre nós. Se você errasse a ortografia de quatro ou cinco palavras, uma longa noite de trabalho o aguardava”.

Quanta crueldade, dirão esses biltres politicamente-corretos. Mas, por quê? Segundo o nosso amigo supracitado, ele não tinha em casa acesso a outras fontes de informação mais ricas do que a que lhe era fornecida pela escola. Graças à rigidez de seus mestres como a Sra. Simon ele se tornou apto a se embrenhar na sociedade e realizar-se como pessoa. Não apenas ele, mas boa parte de seus colegas que encararam o desafio de superar as suas limitações.

Superar a si mesmo é um dos pontos fundamentais de uma boa educação. Superação dá-se quando temos a apresentação de obstáculos a serem enfrentados para que possamos provar para nós mesmos o quanto somos capazes de mudar o nosso destino quando esse parece irreversível. Neste caso, quando a professora estava sendo “injusta” estava dando uma oportunidade para os alunos serem justos para consigo mesmo. Quando um professor estava lhes apresentando um pesado fardo para carregarem, estava lhes fortalecendo o caráter. Esses mestres estavam, literalmente, dando uma legítima surra intelectual e moral em seus alunos inocentes. Entretanto, não é apanhando que se aprende a bater? Era isso que os ditos professores “injustos” estavam ensinando aos seus alunos.

Todos nós tivemos em nossa infância e mocidade um e outro professor deste gabarito apontado pelo professor estadunidense. E, provavelmente, foi graças a esse tipo de magistério que muitas das boas marcas que dão forma ao nosso caráter advieram das surras morais e intelectuais que nos foram aplicadas por eles. Eu mesmo lembro-me até os dias de hoje da Irmã Odila. Ela não era a senhora Simon. Era mais branda em alguns quesitos e a superava-a em muitos outros, sem dúvida alguma.

Obviamente que quando eu tinha os meus doze anos de idade não morria de amores por ela. Porém, o parco conhecimento que tenho da língua mátria devo a ela. Esta além de nos cobrar pontualmente as lições ministradas em sala de aula, remetia uma infinidade de tarefas para serem realizadas em casa juntamente com a leitura obrigatória das obras de literatura que integravam o programa da disciplina.

Naturalmente que a direção acabou por fazer o que não se deve: deram ouvidos aos queixumes de um bando de alunos temerosos tomados pela desídia intelectual. No ano seguinte não tivemos mais aula coma referida madre, porém, até hoje, lembro-me dela com grande clareza. Não apenas dela, mas de suas lições.

Se Deus permitisse-me, gostaria muito de poder me encontrar com ela e dizer apenas duas coisas. A primeira: pedir perdão pelas insolências motivadas pela minha desídia. Segundo: agradecer-lhe por tudo que ela fez por mim e pelos meus colegas. Com certeza tanto eu como os meus pares somos grandes devedores. Provavelmente ela sabe disso. Pena que nós aprendemos isso apenas tardiamente.

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 01 de julho de 2010.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

[pdf] ENTRE A CRUZ E O GOL

ENTRE A CRUZ E O GOL

ENTRE A CRUZ E O GOL

Escrevinhação n. 836, redigida em 15 de junho de 2010, dia de São Vito e da Bem-aventurada Albertina Berkenbrock.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Confesso que para uma pessoa que não é um grande apreciador deste desporto, o futebol, fica um tanto que difícil escrever algo a respeito do mesmo e, provavelmente, por isso mesmo torna-se desafiador a nossa alma meditar sobre esse assunto. Não sobre ele em si mesmo, mas principalmente sobre o que esse desporto, que move multidões, pode suscitar em nossa alma a respeito da realidade vivida por todos nós. Penso eu que muito mais interessante que criticar a Copa do Mundo e o espetáculo encenado pelos apreciadores desta, ou sobre as tramóias que podem estar sendo tramadas longe das vistas dos reles mortais seria pensarmos a Copa como uma alegoria interpretativa de nossa realidade. Da realidade da alma humana.

Podemos pensar a Copa do Mundo, meu caro, como um retrato de nossa alma. As seleções que estão disputando esta são os vícios e as virtudes que estão, a todo o momento, se digladiando em nosso ser. Muitas vezes as disputas são homéricas. Outras vezes dá zebra e o time mais fraco, virtuoso ou vicioso, ganha a disputa nos últimos instantes da prorrogação ou mesmo na cobrança dos pênaltis. O problema aqui, neste caso seria em sabermos o seguinte: para quem nós estamos torcendo?

Se a nossa alma é Copa do Espírito, a torcida é a nossa faculdade volitiva que motiva os jogadores a vencer. Obviamente que as tendências que formam as tensões que existem em nosso ser são as mais variadas possíveis. Estas dependem do temperamento de cada um e da circunstância histórica e social em que nascemos. Entretanto, em cada um de nós há uma grande torcida organizada chamada vontade sendo um dos fatores decisórios que poderá determinar o resultado dessa luta que é deflagrada em nós todo santo dia.

Por sua deixa, os técnicos representam a nossa imaginação. Esta faculdade de nossa alma é responsável por apresentar para nossa alma os cenários possíveis de serem realizados e vividos por nós. Nada está para ação sem antes estar para a imaginação. Tudo o que realizamos antes projetamos em nossa imaginação que se alimenta das imagens que nos são apresentadas pela memória (a equipe técnica, neste caso). O problema aqui, que penso ser bastante evidente, é sabermos que tipo de imagens nossa equipe técnica tem fornecido ao nosso técnico para que ele construa os cenários possíveis onde os times viciosos e virtuosos irão jogar. Trocando por miúdos: quanto mais imagens virtuosas projetam-se em nossa alma, maior a possibilidade de êxito de uma vida desta monta. Quanto maior a quantidade de figuras viciosas introjetadas em nosso ser, maior será a probabilidade do boi ir com a corda pra o brejo da perdição.

E temos o juiz. Este, naturalmente será a nossa consciência moral. Aquele que mediará à disputa entre as seleções que se enfrentam no âmago de nosso ser. Naturalmente, as mesmas tensões que condicionaram a Copa de nossa vida até aqui, também irão amoldar o arbítrio de nosso juiz interior. Todas essas tensões que tanto influenciam essa disputa, por sua vez, advêm do mundo exterior. Esses fatores externos nada mais seriam que o fruto de nossas escolas livremente realizadas em nossos dias e que, lentamente, passam a fazer parte de nossa vida interior e, como um preço destas, a ser um dos fatores que norteiam toda a disputa.

Por fim, o Troféu! O que é o Caneco na Copa do Espírito? É simplesmente a nossa Salvação ou nossa danação eterna. Isso mesmo meu caro. Temos a impressão que sempre teremos Copas do mundo, mas essa teve um começo e terá um fim neste mundo, do mesmo modo que nossa alma imortal que está apenas de passagem por esse vale de lágrimas. Ficamos tão distraídos com o espetáculo do mundo que nos esquecemos do propósito da vida e, no final, quando as competições deflagradas em nossa alma findarem e forem seladas por uma lápide teremos o resultado frutificado da atenção dada aos nossos vícios e virtudes morais e espirituais.

E o pior de tudo, meu caro, que nessa Copa não há repescagem e muito menos reedição.

Pax et bonum
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