quarta-feira, 26 de maio de 2010

CONSELHOS DESDENHADOS [pdf]

CONSELHOS IGNORADOS

CONSELHOS DESDENHADOS

Escrevinhação n. 830, redigido em 17 de maio de 2010, dia de São Pascoal Baylon e da Bem-aventurada Júlia Salzano.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Viver sempre foi uma coisa simples. Aliás, continuará a ser para todo o sempre. Todavia, seja ontem, hoje ou em um amanhã qualquer, lá estaremos nós desdenhando as orientações mais elementares para podermos nos tornar aquele que devemos ser.

Poderia eu aqui, por meio destas parvas linhas, apontar mil e uma utilidades de um bom conselho e dois mil e uma odisséias sobre os benefícios que advém da devida aceitação das verdades que nos são reveladas através das simples palavras que denunciam a maneira tosca que vivemos a nossa passagem por esse vale de lágrimas, mas não o farei. Digo isso porque os conselhos não são muitos, mas as maneiras de nos esquivar deles, estas sim, são de difícil mensuração.

Por essa razão, ao invés de pontuarmos sobre os desvios ou a respeito dos conselhos desdenhados, pedimos licença ao amigo leitor para atinarmos nossa vista para um que nos é dirigido por Marco Aurélio, o Imperador filósofo – o último dos Antoninos. Em suas Meditações, livro I, o César sapiencial nos apresenta as pessoas que contribuíram para formação da têmpera de sua alma e que, de diz-nos que de seu bisavô, aprendeu a “[...] ter em casa mestres excelentes, em vez de freqüentar escolas públicas, e compreender que a instrução requer se despenda largamente”.

Então o que este reles missivista está querendo dizer é que não há bons mestres nas Instituições de Ensino? Não mesmo. Somente um tolo diria isso. Então quer dizer que o sábio imperador seria no fundo um néscio dissimulando sabedoria? Também não. Então ou quê? Ora, somente um tolo não percebe que um mestre, seja ele bom ou ruim, pouca atenção poderá dirigir na formação de seus alunos amontoados em uma sala.

De mais a mais, por mais zeloso que ele seja, ele sempre terá que se dedicar a inúmeras outras atividades que exigem dele uma ação imediata que vão do acalmar os ânimos da turma até simplesmente explicar para todos aquilo que até pouco tempo atrás era compreendido de imediato por qualquer um.

Em casa, para começo de prosa, temos a autoridade imperial dos pais. Não há necessidade de ficarmos recorrendo aos mais variados subterfúgios para requerer um simples silêncio seguido da devida atenção ao que está sendo dito. Mas e quanto ao ter em casa grandes mestres, como viabilizar isso? Ora, ora meu caro. O grande mestre de um lar chama-se exemplo paterno e materno. Aliás, esses são os primeiros que o nosso imperador antonino nos aponta como fonte de sua formação.

Por isso sempre achei por demais jocosas as queixas de muitos pais sobre o desinteresse de seus filhos pelos estudos sendo que eles nunca procuraram demonstrar a importância disso através do exemplo, porque eles mesmos não se importam com isso. É mais do que comum vermos casais com a dita formação (ensino médio completo, graduação e, em muitos casos especialização) nunca darem um testemunho vivo de amor ao conhecimento.

Com toda certeza tinham e têm amor pelos diplomas e pelos benefícios que advém da obtenção desses ídolos, mas não pelo conhecimento. Desta maneira, quando o jovem se defronta com um sistema educacional degradado, é mais do que natural que ele queira demonstrar in loco o que aprendeu em casa exempi gratia: tirar vantagem.

Outro ponto que merece ser destacado são os sacrifícios que realizamos para obtenção de um bem material qualquer como um carro, uma roupa elegante, uma viagem para praia, mas nunca, repito, nunca, a apresentação de um gesto de envergadura similar para obter-se um livro, para aprender algo. Pedimos aos nossos filhos para que fiquem em silêncio para vermos a telenovela, o futebol, porém, nunca pedimos silêncio – ou mesmo os convidamos – para a leitura de um bom livro ou para rezar o Terço em família.

Esses, meus caros, são os grandes mestres que devemos ter em casa para iluminar os nossos gestos tornando-os aos olhos de nossos filhos algo digno de ser imitado e vivido com toda a força de suas tenras almas.

Educar uma criança é simples. Porém, por desídia de nossa parte optamos pelo caminho mais fácil, ainda que seja o de desdenhar a nossa própria formação por preguiça de nos tornarmos melhores, visto que, é muito cômodo descontarmos a culpa em outrem por aquilo que é e deve ser responsabilidade nossa. Assumir responsa dá trabalho, mas e quem disse que isso não deve ser assim? Somente os tolos que, na conjuntura contemporânea, não são poucos.

Pax et bonum
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 20 DE MAIO DE 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ENTRE DEDOS E ANÉIS [pdf]

ENTRE DEDOS E ANÉIS

ENTRE DEDOS E ANÉIS

Escrevinhação n. 829, redigida em 13 de maio de 2010, dia de Nossa Senhora de Fátima.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Não importa com que materiais são feitas as grades que encarceram a nossa mente. Podem elas ser de ouro, de prata, de âmbar ou mesmo de uma simplória liga de ferro. Pouco importa. Elas sempre serão grades. Essas grandes podem ser os nossos mais elevados princípios, as nossas mais pífias convicções ideológicas, os mais tolos erros advindos de nosso orgulho, ou simplesmente a nossa coleção interminável de pecados rasteiros. Pouco importa. Todos esses apegos e desleixos que temos conosco são grades que nos afastam, nos isolam, de nós mesmos.

Não são poucas as ocasiões em que nos flagramos, em nossos momentos de isolamento, perguntando sobre a razão de estarmos vivendo a vida da maneira como vivemos. Ou seja: por que vivemos fingindo ser algo que não somos e que, no fundo, não desejamos ser, mas que, faz-se conveniente que finjamos, caminhando gradativamente do auto-engano hipnótico para a neurose.

Tais observações em um primeiro momento parecem ser banais, como tudo o mais em nossa vida. Todavia, perguntaria ao amigo leitor se após o assalto que sofremos com essas indagações procuramos refletir devidamente sobre o problema que elas nos propõem. Refletimos? Como estamos mais do que habituados a mentir para nós mesmos, podemos então dar um passo adiante. Por uma acaso nós permitimos que essas indagações e reflexões realmente acabem por colaborar em uma significativa transformação de nossa maneira de viver? Bem, é justamente aí que a porca torce o rabo.

É chique meu bem ficarmos conversando sobre temas sublimes, principalmente se não entendemos nadica de nada do que estamos falando. O que importa é que saibamos repetir um clichê aqui, outro cacoete acolá, que o identifique com o estereótipo de pessoa instruída, bem informada, e tcha tcha tcha! Temos uma típica pessoa portadora de um canudo, ao mesmo tempo em que é desprovida de conhecimento, procurando com os mais variados ardis disfarçar a sua insignificância intelectual e pessoal.

Por essa razão que somos muitas das vezes apegados em demasia as nossas ditas opiniões. Deus nos livre e guarde que alguém diga algo contrário ao que pensamos ser a verdade. Indignamo-nos profundamente com isso por uma razão muito simples: sinceramente nós nunca procuramos a verdade, apenas nos apegamos a uma palavrinha aqui e outra ali, palavras estas que despertaram em nós uma forte empatia, mas que, em si, não sabemos realmente o que querem dizer e nunca nos preocupamos realmente com isso. Para a maioria das pessoas e para nós em muitíssimas ocasiões, a verdade era e é apenas uma questão incômoda que deve ser varrida para debaixo do tapete do desdém. Por esse motivo, simples e canalha, que a maioria de nossas opiniões não vale nem sequer uma flatulência, porque elas, no fundo são isso mesmo, em uma versão verbal.

Vem-me a mente uma situação que em certa feita acabei testemunhando. Lá vai: um ilustre diplomado falava com sua áurea autoridade sobre a vida ascética e sobre a santidade citando o velho F. Nietzsche e et caterva. Como estava ali, ouvindo tudo aquilo, pedi simplesmente que ele me desse um exemplo de um asceta. Não soube me responder, obviamente. Ele, como muitos outros, sabia direitinho algumas frases do “filósofo” alemão citado (como muitos o fazem) e foi repetindo-as com todo aquele ar de autoridade e arrogância, entretanto, ele não era capaz de identificar um caso real do fenômeno que ele comentava com tamanha autoridade postiça.

Esse é um dos belos anéis de ouro que enfeitam as mãos de muitas pessoas. Superstições modernas que com suas pompas de conhecimento (pseudo)científico fazem-se de peneira para obstruir a visão do brilho radiante do Sol da verdade para que o liquinho de nossa vaidade faça sentirmo-nos grandes.

Por essa e outras tantas que Tomas de Kempis em seu fantástico livreto A IMITAÇÃO DE CRISTO, nos diz que: “O que principalmente e mais nos impede é o não estarmos ainda livres das nossas paixões e concupiscências, nem nos esforçamos por trilhar o caminho perfeito dos santos. Basta pequeno contratempo para desalentarmos completamente e voltarmos a procurar consolações humanas”. Trocando por miúdos, amamos muito mais nossas opiniões e pensamentos do que a sabedoria que tudo alumia e por estarmos tão apegados a estes chulos anéis que vivemos com a nossa alma imersa na escuridão de ignorância fingida criada por nós mesmos.

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domingo, 16 de maio de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 13 DE MAIO DE 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

QUEM EU DEVO SER

Escrevinhação n. 826, redigido em 04 de maio de 2010.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Senhor, fazei-me conhecer a grandeza das ofensas que vos fiz, e a obrigação que tenho de amar-vos”. (Sto. Afonso de Ligório)

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Como nos magoamos com tanta facilidade. Como somos sensíveis e frágeis quando o assunto é o nosso ego, nosso pequenino e medíocre “eu”. Basta que uma pessoa, tão insignificante quanto nós, nos diga algo que logo nos sentimos injuriados. Alguns ficam bravos, em elevado grau, exteriorizando esse estado de espírito. Outros, por sua deixa, apresentam-se de maneira mais discreta, dissimulando certa serenidade, mas que, em seu interior, secretamente, estão a se carcomer-se de raiva, juntamente com todos os sentimentos que lhe são a fim.

Interessante seria se, ao menos, em um reles momento de nossa vida, pudéssemos criar a coragem que tanto carecemos e encarássemos essa faceta indiscreta e mesquinha de nossa alma e procurássemos, de uma maneira franca e sincera, apontar em uma gentil lauda, todos os insultos que nos são atirados contra a face dispondo-os ao lado de todos os insultos que são proferidos contra Deus, contra Aquele que É, em especial, os insultos que são proferidos por nós contra Ele.

Julgamos que tal gesto seria, no mínimo, interessante e explico-lhes a razão disso. Simplesmente pelo fato de que toda vez que esquecemos o nosso lugar na ordem do cosmos e de quem é Deus diante de sua Criação, acabamos por invertendo a ordem da estrutura da realidade nos colocando no lugar Daquele que É, o Ser fundante e estruturante do cosmos, reduzindo-O a uma mera conjectura de nossa pérfida e fútil (in)capacidade mental.

A partir dessa inversão da ordem do real, obviamente que temos uma limitação monstruosa de nossa capacidade de compreender quem somos, o que somos e qual o nosso lugar diante do real e frente Aquele que o funda. Em nome de um antropocentrismo bocó, procuramos dia após dia desdenhar a face do Criador simplesmente porque a nossa compreensão sobre tudo e sobre o todo nós parecem muito mais interessantes ou, se preferirem, mais “legal”, que a própria realidade. Isso meus amigos, é que é um bagual de um insulto.

Provavelmente ainda estará parecendo aos nossos olhos que tal fato não é decorrente e que não agimos de um modo tão mesquinho. Então imagine a seguinte situação: você está diante de um grande amigo seu e este ao invés de chamá-lo pelo seu nome o chama por outro qualquer. Aliás, ele muda o seu nome de acordo com a ocasião e variação de humor. Se isso não bastasse, esse mesmo elemento quando fala a respeito de você inventa sempre uma história diferente. Algumas vezes bonitinha. Outras vezes ordinária. Mas sempre apresenta essas lorotas como se fossem “verdades cientificamente comprovadas”. Ou seja: verdades que ele desconhece totalmente através de uma ciência que o mesmo ignora por meio de comprovações que não passam de um reles flatus vocis de quinta categoria.

Conjecturado isso pergunto: você, cara pálida, não sentir-se-ia insultado? Pois é, mas você, como qualquer pessoa, não passa de um grão de areia impotente diante da estrutura da realidade e mesmo nesta condição você se sentiria ultrajado por uma atitude de desprezo pela realidade da tua pessoa, não é mesmo? Então por que ainda insistimos em crer que as nossas vagas impressões da vida e da criação são mais importantes que a própria criação?

Pode parecer estranho para muitos devido à grande valoração que se dá na sociedade atual ao cultivo de, como se diz, “ter a sua própria opinião” (seja lá o que isso seja). E se insistimos nesse apego patético às nossas impressões vagas e confusas, pergunto então: o que tem mais valor na ordem do real: um cão ou sua opinião sobre o cão? Obviamente que é o cão, simplesmente porque sua opinião é apenas uma impressão sobre a criatura que você, meu caro, é incapaz de criar tal qual ele se apresenta diante das vistas de qualquer observador humano.

Por isso, deixe de frescura. Deixe de orgulho e curve sua cabeça diante da Verdade e permita que ela ilumine a sua inteligência para que ela não seja sufocada pelas sombras mesquinhas e tacanhas de suas opiniões para que a sua vida não seja apenas uma vaga impressão desprovida de substância.

E tenho dito.

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A TORMENTA QUE ASSOLA OS OLHOS QUE DESDENHAM

Escrevinhação n. 825, redigida em 23 de abril de 2010, dia de São Jorge e de Santo Adalberto.

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A covardia literalmente paralisa a inteligência humana. O medo, quando toma conta da alma, afasta a pessoa da verdade, da realidade, movendo-a em uma procura desesperada por segurança. Quando somos dominados por este vil sentimento, acabamos por trocar a realidade por qualquer simulacro que nos transmita a gentil sensação se conforto e comodidade.

No fundo, o que os indivíduos que integram a sociedade moderna procuram, de um modo geral e irrestrito, é a sensação de estarem confortáveis. Seguras de que ela possam continuar crendo em suas supertições modernas e poder com traquilidade continuar a praticar as suas idolatrias. Quando estamos nos referindo as superstições modernas estamos, em princípio, apontando para a crença de que a sociedade atual e os elementos que a integram são, em seu conjunto, o que de melhor já ocupou a face do planeta azul onde, tolamente, cultuamos a nossa própria auto-imagem como se esta fosse similar a uma imagem (disforme, é claro) de uma deidade.

De tanto procurarmos obter uma vida “plenamente” segura que fomos gradativamente perdendo a capacidade de captarmos a Verdade. A verdade sobre a vida e sobre nós mesmos, visto que, não é isso que, no final das contas, estamos procurando, mas sim e basicamente, segurança.

Poderíamos aqui ilustrar a nossa missiva com uma penca de exemplos, mas as linhas se seriam parcas para tal empreendimento. Entretanto, isso não impede-nos de nos fiar em um e outro. Vejamos então: alegremente festeja-se em nossa sociedade que a educação é o caminho para se realizar tudo o que há de bom, que a bendita é a senda para que possamos edificar a tal da “sociedade melhor possível”. E o pior que a maioria ululante repete esse mantra de modo incansável em todos os rincões deste país. Constrói-se escolas ali, bibliotecas acolá e, obviamente, muita propaganda esparramada pelos quatro ventos.

Tudo muito bonitinho, mas totalmente ordinário. E olha, não estou a me referir a todo esse teatrinho de feição burlesca. Isso mesmo, paremos de ficar olhando apenas para a dimensão exterior da existência e voltemos as nossas vistas para a perspectiva interior de nossa vida para vermos o ridículo original de nossas superstições e a futilidade de nossos ídolos moderninhos.

Bem, se a educação é o caminho para solução de todos os nossos problemas devemos então nos perguntar se ela é ou não um dever moral. Se o é, então é de basilar importância que cada um chame para si a responsabilidade de fiar as trilhas de sua educação. Porém, essa trilha deve nos levar para onde? Para procura pela verdade ou pela segurança? Devemos estudar para compreendermos algo ou simplesmente para nos sentirmos bem, portando um diploma? Aliás, se é um dever pessoal grave nos dedicar em nossa educação, em que medida nós nos dedicamos a ele? Aha! É aí que a porca torce o rabo meu caro.

Todo mundo fala de boca cheia que a educação é o único meio para se resolver todo e qualquer problema de uma nação, entretanto, para infelicidade geral da tal da nação, podemos contar nos dedos de uma única mão as pessoas que realmente tem amor pela educação, pela sua educação. Ora, paremos com esse trololó de ficarmos mentindo para nós mesmo e sejamos francos da mesma forma que Machado de Assis o foi com toda brasilidade quando nos ensinou o quão ridículo é esse nosso fingimento endêmico que toma conta de nossa vida, fingimento esse que tão ridículo quanto nossa disposição auto-hipinótica de acreditar nele.

Idolatramos essa idéia de educação como uma via de salvação ao mesmo tempo que não aderimos a ela. Usamos essas palavras como uma espécie de patuá, como um amuleto que garanta magicamente a solução de todos os problemas que estão a nossa volta. Estou exagerando? Poxa vida, vivemos em uma sociedade onde os alunos se gabam por serem aprovados por nunca terem estudados. Vivemos em uma sociedade que se espera que o conhecimento integre nossa vida de modo similar ao que ocorre no filme Matrix com o Mr. Anderson. Não queremos esforço. Não queremos a verdade. Desejamos apenas nos sentir seguros e confortáveis.

Você consegue imaginar uma superstição mais boba? Consegue imaginar uma idolatria mais bocó? Não? Provavelmente porque nos orgulhemos dos diplomas que adornam nosso curriculum vitae e nos protejem do fosso sombril de nossa parva existência.

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MAIS UM ANO ELEITOREIRO VEM AÍ

Escrevinhação n. 824, redigida em 29 de abril de 2010, dia de Santa Catarina de Sena e de São Pedro de Verona.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Em terra de cego, quem tem um olho é doido”.
(Olavo de Carvalho)

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Eu não me agüento. Tenho de escrever alguma coisa sobre a palhaçada organizada em nome da tal da cidadania. Tenho de falar algo sobre esse circo armado para dissimular uma persona democrática onde há apenas plúmbeos ares totalitários. Isso mesmo, só não vê quem não quer, porque os fatos estão a assaltar a nossa vista sem pedir licença. Mas de que fatos? Bem, sigamos a máxima de Jack.

Primeiro: desde a década de noventa da centúria passada que as plataformas eleitorais e as legendas ideológicas são majoritariamente de esquerda. Umas mais à esquerda, outras menos, mas todas redigindo seus planos e devaneios com a mão canhota. Talvez o amigo não tenha percebido isso justamente porque não leu (i) os “planos” de governo dos partidos, (ii) as resoluções que são tomadas internamente pelos mesmos e (iii) porque provavelmente nunca parou para pensar seriamente sobre o assunto porque imagina que “ser de esquerda” seja sinônimo de honestidade e benevolência. Infelizmente, não são poucos os que crêem neste mantra. Aliás, o próprio Lula, FHC, Serra e tutti quanti já declararam em inúmeras ocasiões que entre eles não há uma divergência ideológica, mas apenas uma disputa de cargos. E mais! Já no início da década de 90 o sociólogo Alain Tourraine havia afirmado que seu amigo FHC seria o principal responsável pela transição do Brasil para o socialismo. Bem, aí está a obra do “homi”.

Segundo: desde a década de noventa que se tem à presença de claro viés ideológico marxista no tom que é dado as notícias e ao conteúdo que é ministrado nas salas que deveriam ser destinadas ao ministério de aulas. Se o amigo não parou para prestar atenção nisso, perca um pouco de tempo e verá com grande clareza que a única coisa que importa para os senhores que estão capitaneando o sistema educacional é utilizá-lo para impregnar toda uma nova orbe de valores morais que em nada interessa realmente na formação dos jovens e não corresponde de modo algum às expectativas dos pais do mancebos que estão entregues a uma máquina de engenharia social para transmutá-los em algo que convencionou-se chamar pela alcunha de cidadão.

Terceiro: desde 1991 que o partido governante mantém acordos com as FARC, com o MIR chileno coordena uma estratégia continental de todos partidos e movimento políticos de esquerda da América Latina com o objetivo de recuperar neste continente o que foi perdido pelo movimento comunista no Leste Europeu. Esse é o Foro de São Paulo. Se o amigo estudar (eita palavrinha chata) esse assunto compreenderá claramente porque o nosso atual governo fez os acordos que fez com a Bolívia e Paraguaia, porque Hugo Chávez é tratado com tanta deferência (o ditador venezuelano entrou no Foro em 1996 e tornou-se ditador com o apoio dos membros do Foro) e porque o nosso governo se recusa a chamar os narcotraficantes (guerrilheiros) das FARC de terroristas, entre outras coisas como o PNDH-3.

Quarto: para piorar tudo isso, o único critério que as pessoas instruídas (as que têm diploma) utilizam para avaliar a conjuntura política atual de nosso país é o de ordem econômica e ponto. Ou seja: se eles estiverem ganhando uns bons trocados está tudo bem. Se os valores Cristãos, se a liberdade de expressão, o direito a propriedade e a segurança do cidadão honesto e trabalhador estão sendo varridos para debaixo do tapete, pouco importa. A única coisa que esses ditos senhores e senhoras com (de)formação superior, que se auto-proclamam senhores da criticidade mor, é dindim no bolso e nada mais. Quanto aos outros fatores que estão presentes e que permeiam as políticas vigentes na atualidade lhe são ilustres desconhecidos. E provavelmente continuaram, devido ao seu olímpico desdém pela realidade. Trocando em miúdos: continuarão cegos por temer e mesmo detestarem a verdade estampada em suas ventas.

Mas tudo bem. Esse ano é um ano eleitoral e podemos votar em um ou outro candidato, mesmo que todos esteja caminhando pela mesma via. Poderemos votar e, independente do resultado, a política de nosso país continuará a ser ditada pelas resoluções do Foro de São Paulo e seus parceiros sombrios. Mais uma vez, iremos votar e nos preocuparemos unicamente com a política dita social e com econômica e desdenharemos por completo as outras propostas que incidem diretamente nos frágeis fundamentos de nossa dita e remendada democracia. Em fim, a palhaçada de sempre, porém, cada vez mais aprimorada e mais próxima de seus objetivos primeiros que nunca foram negados pelo partido governista e pelos seus demais parceiros. Aliás, objetivos estes que foram reafirmados em 1991 com a fundação do referido Foro (re-fundação da OLAS) e continuamente renovado em suas reuniões e em suas deliberações.

Mas o importante é que iremos votar e decidir se caminhamos a passos largos ou tímidos para a sovietização de nosso país. É claro, cara pálida, que isso não ocorrerá em quatro ou oito anos. Porém, pare e pense nos grandes “progressos” que essa ideologia teve em nosso país e em nosso continente nos últimos vinte anos e você compreenderá, claramente, do que estamos falando.

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A PEDRA DESDENHADA PELOS CONSTRUTORES – parte V

Escrevinhação n. 823, redigida em 17 de abril de 2010, dia de Santo Aniceto e São Roberto de Turlande.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Nada a constar nas terras do Rei. Nada a declarar nestas terras aluadas, nada que a majestade desta terra de desterrados possa, em sua perfídia, declarar, tomado ou não por sua côlera visceral. Mas a quem pertenceria tal poder, poderia indagar o incauto leitor? A quem pertence todo o poder que neste reino de sombras e pó que tantas lágrimas e rangeres de dentes semeou nos corações humanos, sejam esses tenros ou marcados pelos sutis toques das frias mãos de Saturno? Eis aí uma questão que não poderia de modo algum ser desdenhada por nós.

Ora, a grande fonte de poder de todo e qualquer indivíduo humano é o conhecimento. Através do ato de conhecer podemos nos tornar dignos, prestativos e bons. Ou, se agirmos maliciosamente, podemos fazer com que muitas almas nos sirvam na realização dos nossos intentos mais sórdidos e infra-humanos. Todavia, penso que aqui, caberia a indagação: afinal, como somos capazes de conhecer? Muitos na atualidade se “dedicam” a responder a essa pergunta e muitas são as resposta dadas para essa indagação, algumas inclusive de grande valia, todavia, a maiora não o é, não passando de um amontoado de colóquios flácidos.

De mais a mais, está apesar de ser uma pergunta interessante, não seria a principal, que primeiramente deveria constar em nossa vista. A questão primeira que precisaria constar em nosso horizonte é “por que nós somos capazes de fazer o que fazemos, por que nós somos capazes de compreender o que nós compreendemos? Por que somos detentores deste poder? Ora, poderíamos muito bem agir como um animal qualquer, como muitos “doutos” presumem, todavia não agimos. Vivemos como seres humanos que, em algumas ocasiões agem de modo semelhante a uma besta, porém, em relativa constância, tentamos agir com vistas a realizar em nós algo que é maior e mais dignificante do que nossos momentaneos, e muitas vezes persistentes, erros.

É claro que muitas serão as explicações para o como fazemos isso ou aquilo, entretanto, não é essa a questão. A pergunta central agora é: porque fazemos isso, por que aprendemos? Esse, meus caros é o “X” da questão. Obviamente que tal pergunta não é algo simples para ser respondido. Aliás, não deve ser respondido de maneira leviana. Esta, meu caro, é uma indagação para ser seriamente meditada na solidão da alma humana. No silêncio de nossa alma.

Doravante, meu caro Watson, para responder a perguntas do gênero “como nós fazemos algo” é fácil. Para elas teremos uma resposta quase que, como diríamos, na ponta da língua. Entretanto, nós indaguemos sobre o sentido da existência disso tudo, do porque justamente nós, seres humanos, e justamente nós, fazemos isso. Aí a coisa fica um tanto que complicada, não é mesmo? E assim o fica por estarmos nos indagando sobre o fim último das coisas e de nós mesmos. Descobrir a finalidade que algo implica, necessariamente, em assumirmos a responsabilidade que lhe é inerente. E por essa mesma razão que muitos desdenham essa indagação.

É claro que se virarmos as costas para essa inquietação nós continuaremos a viver e a fazer tudo o que sempre fizemos e não deixaremos de aprender por essa razão. Todavia, continuaremos tendo e manuseando um poder que não sabemos claramente porque está em nossas mãos e, provavelmente continuaremos a utilizados para fins que não lhe são apropriados. De mais a mais, somos detentores apenas daquilo que temos consciência de sua presença e nosso círculo de existência. Somos apenas senhores daquilo que compreendemos claramente a finalidade, o propósito de sua existência e, assim sendo, finalizamos essa breve missiva, mais uma vez, perguntando: por que aprendemos? Por que o Criador nos concedeu esse poder? Qual a finalidade deste dom e em que medida estamos empregando-o e de maneira apropriada?

Eis aí uma questão que não deve calar em nosso peito se, obviamente, desejamos ser algo mais do que o pó e as sombras que compõem o que nos circunda e o que somos neste momento.

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