domingo, 25 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 005


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Conversa fiada com pretensões inteligentes são tão degradantes quanto todo e qualquer papo furado sem pretensão alguma. Em certa medita, e nalgumas situações, o primeiro tipo de colóquio é até mais perverso porque os interlocutores creem piamente que, por estarem fazendo isso, por estarem entretidos num bate-papo cheio de pose e afetação, darão mostras dalguma superioridade intelectual ou moral; superioridade essa que, de fato, inexiste. Em termos substanciais, esse tipo de trelelê, em nada difere do segundo tipo de prosa. A diferença real está apenas na banca, na pose exigida numa e dispensável na outra.

E se digo isso não por maldade não. Não mesmo. Aponto isso porque não existe nada mais letal para inteligência humana do que fiar-se numa conversa com pretensões intelectuais sem que de fato essa seja um diálogo desse gênero. E assim o é porque todo e qualquer saber fingido, com o tempo, embota todo e qualquer conhecimento substantivo.

(2)
Falada ou escrita, a palavra é um dom gracioso de Deus e, por isso, não deveríamos nos entregar ao vil desfrute de desperdiçá-la com coisas tão levianas quanto vãs. Não deveríamos, mas o fazemos diuturnamente com uma sorumbática alegria.

(3)
Em tudo e com tudo pedir a Deus o devido e necessário discernimento.

(4)
É fundamental, indispensável, que fiemos nosso posso na contenção de nossos apetites; principalmente, dos nossos apetites por vãs glórias.

(5)
O caboclo passa, por baixo, quatro horas por dia no celular vendo sacanagem e toda ordem de bobagens; o caipora, todo dia quando chega no seu rancho, liga a televisão, ou a netflix, e fica estrebuchado até tarde da noite vendo qualquer coisa, e assim o fica simplesmente pra ocupar seu tempo ocioso; no fim de semana, de sexta a domingo, fica umas par de horas no boteco falando tranqueiras com qualquer tranqueira que apareça, ou na balada balançando as pelancas e, no frigir dos ovos, ainda tem a cara de pau de dizer que não tem tempo pra ler um bom livro. Bem, o tempo é nosso e o que fazemos com ele é o que somos, por mais que nos esforcemos em fingir o contrário nessa sociedade de dissimulados.

(6)
Silenciar, não é calar; da mesma forma que aquietar a alma não é sinônimo de nada fazer. Silenciar é predispor-se a ouvir a verdade que não cala e aquietar é estar pronto, sempre pronto, para agir a partir da silenciosa verdade ouvida.

(7)
Se, numa conversa sobre política e outros bichos similares, você for rotulado de fascista ou algo do tipo, pode ter certeza que você está diante de um perfeito idiota pretensiosamente crítico que, por sua deixa, é um bicho nem um pouquinho raro na falta brasileira, infelizmente.

Numa situação como essa você poderia recomendar ao seu interlocutor uma pilha de livros sobre o assunto para ele ver o tamanho da asneira que disse; poderia, mas, fazer isso seria uma perda de tempo se você também não leu nada sobre o assunto e não compreende claramente do que foi chamado.

Sim, você sabe que foi chamado de algo terrível, que lhe foi imputada uma ideologia horrorosa, mas, possivelmente, não sabe o que exatamente é esse algo.

Bem, nesses casos é mais do que recomendada a leitura do livro A IDEOLOGIA DO SÉCULO XX do embaixador José Osvaldo de Meira Penna que, pro meu paladar, ainda é a melhor introdução a essa cabeluda questão que é tratada, hoje em dia, de maneira tão leviana por gente diplomada e dissimuladamente inteligente. Os ditos cujos dos idiotas criticamente críticos.

Ah! E, dum jeito ou doutro, não se esqueça de deixar bem claro que fascista é a mãe.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.


sábado, 24 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 004

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Quando a palavra amor vê-se pronunciada repetidamente sem a companhia de atos que substancialmente a representam, qualquer gesto tosco, pífio e egoísta passa a representá-la.

Não é à toa que na sociedade contemporânea não mais se saiba a diferença que há entre amar e ser meramente movido por uma paixão.

Não é à toa que não mais se saiba distinguir entre o que é sacrificar-se graciosamente pelo outro do ato de exigir insaciavelmente sacrifícios dos outros em seu favor.

Por essas e outras que o amor tornou-se uma palavra sem sentido, pois, somos uma sociedade onde as pessoas em sua maciça maioria vivem vidas sem propósito algum.

Resumindo o entrevero: somos imaturos demais para amar verdadeiramente. Talvez, por isso, e por outras razões, não sejamos capazes de parar, por um instante que seja, de brincar com nossos celulares.

(2)
O espírito crítico, a consciência dita crítica, não é sinal duma excelsa inteligência; é sintoma duma séria lesão cerebral. Da mesma forma, educação crítica não é sinônimo duma boa formação intelectual; é garantia de que a lesão poderá ser profunda é praticamente irreversível.

(3)
A alma humana, neste mundo, é similar a uma ave sem pouso e sem exuberantes asas. Tentamos alçar voo, mas não saímos do chão. Tentamos encontrar repouso e nada nos conforta. Talvez, por isso, procuramos consolo e refúgio de nossos tormentos terrenos no seio de nossos deuses, das coisas que elegemos como sendo nossas divindades, mas que, também, não são capazes de nos confortar pelo simples fato de serem o que são: apenas coisas, somente simplórias criaturas. Resumindo: é só Nele que encontraremos pouso e descanso. Aqui, neste vale de pó e sombras temos que seguir peregrinando sem dar voltas em nossos calcanhares. Devemos seguir rumo a Ele sem nada desde mundo esperar, pois não há bem adquirido ou ideologia que possa, de fato, nos consolar.

(4)
Em época eleitoreira todos aqueles que correm a carreira do pleito juram de pés juntos que são almas humildes e impolutas que querem apenas o voto de confiança dos eleitores para honradamente representá-los. Na verdade, o que a maioria dos pedintes eleitorais está realmente fazendo é trilhar obstinadamente uma peregrinação em favor do agigantamento de seu já dilatado ego orgulhoso e que, por isso mesmo, veem no eleitor apenas um meio para realização de seus inescrupulosos intentos, jamais como uma pessoa. Enfim, não se enganem não! Na maioria dos casos é só isso e olhe lá.

(5)
As exceções que me perdoem, mas quando o assunto é a política brasileira, a regra é ridiculamente deprimente; ridícula ao ponto de estragar todas as palhas boas. As exceções, se existirem, que me perdoem. Caso não existam, então, que siga o cortejo fúnebre da furibunda democracia brasileira.

(6)
Sem um constante esforço da parte do indivíduo não há retidão. Sem constância de caráter tudo na alma desordena-se e, com o tempo, se esfacela.

Sem um constante e comprometido esforço pessoal na feitura de nossos grandes e pequeninos atos tudo se torna vão. Ao invés de edificarem, nossos atos acabam desorientando tudo por sua total falta de ordem e de reta orientação.

Enfim, resumindo o entrevero: é uma questão de sabermos por que estamos fazendo algo e fazê-lo com vistas a atender as demandas desse por que sem confundi-lo com outros. Ponto.

(7)
Eça de Queiroz ensina-nos o seguinte: os homens se assemelham muitíssimo mais pelo que pensam do que pelo que eles fazem ou deixam de fazer.

Bem, essa é uma regra obvia para todo aquele que procura ver o mundo com os dois olhos da cara, dispensando os pútridos filtros ideológicos, mas que, para aqueles que se utilizam desses, é algo bastante complicado de se entender. Azar o deles.

Ora, o que irmana os torcedores dum time de futebol? Suas profissões, suas contas bancárias? Nada disso. O que eles pensam e sentem a respeito do referido desporto, de um modo geral, e deste ou daquele time em particular é o que faz um punhado de barbados se reunirem para celebrar os feitos do planeta bola.

O mesmo vale para os apreciadores de seriados televisivos, aos degustadores de literatura e, inclusive, para os indivíduos que amam discussões de ordem política – sejam elas feitas na clave provinciana ou em tons mais elevados.

Resumindo: em todas as facetas da vida, os homens identificam-se muitos mais pelo que há em seus corações e mentes dando uma importância menor, bem menor para as suas ditas classes sociais.

Para compreender isso, basta viver e saber que apenas os perfeitos idiotas, insuportavelmente idiotas, são capazes de colocar o dinheiro com o centro da vida. E, todos sabem que não é preciso ter dinheiro para pensar e agir assim.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

sábado, 17 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 003

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Não há, em nosso triste país, nada mais obsceno que falar a verdade. Não há, aos olhos relativizantes dessa terra de desterrados, nada mais pornográfico do que esforçar-se para ser intelectualmente sincero. Não há mesmo.

(2)
Os praticantes da filodoxia têm uma preocupação histriônica de não parecerem idiotas. Os filósofos, por sua deixa, esforçam-se, abnegadamente, para não serem idiotas.

(3)
Uma das emoções mais valorizadas por toda aquela turminha, que cultua o tal do ídolo tribal da cidadania crítica, é a tal da indignação.

Todo bom tonto revolucionário ama dizer que está indignado com isso ou com aquilo. Para essa gente, colocar-se nesse estado, seria similar a um "êxtase místico" onde sua alminha entra em comunhão com algum espírito suíno.

Bem, não há dúvidas de que a indignação é uma emoção real; aliás, a indignação é um sentimento poderoso pra caramba, porém, na grande maioria das vezes não é uma emoção honesta não.

O indignado, dum modo geral, não procura a compreensão, nem o perdão e muito menos a compaixão. O que acaba sendo celebrado no coração dessa gente é o rancor, a inveja e o remorso. Só isso e, tudo junto e muito bem escondido sob as mais esfarrapadas desculpas politicamente corretas.

Não é à toa que na democracia brasileira contemporânea, as alminhas criticamente indignadas, que se agitam aqui e ali, se rejubilam tanto com a baixeza moral como se essa fosse uma espécie de virtude cívica áurea.

Em resumo: todo o ódio com que as almas enfurecidas se apresentam frente aos vícios de outrem jamais infunde em seus corações algo de bom, nem mesmo as sombras duma pequena virtude.

É simples assim. Entenda isso e, de pronto, sua alma começará a serenar.

(4)
Sabe por que muitos jovens transviados se revoltam e, nalguns casos, até mesmo insultam grosseiramente e agridem pais e professores? Porque eles são covardes. É simples assim. Petulantes e covardes.

Na verdade, eles foram ensinados a serem pusilânimes. Foram ensinados a serem assim sob a guarnição da lei e por intermédio das instituições e ambas fizeram isso sob a desculpa cínica de que se estava apenas fazendo o melhor por eles, pela piazada.

Esse cinismo politicamente correto estimulou e estimula os infantes a crerem que o limite para suas ações são seus desejos e que, os seus desejos, não tem limites.

Por essas e outras, os marotos mancebos proferem impropérios e desafiam a autoridade dos genitores e dos maestros porque sabem que os tentáculos estatais e para-estatais irão protegê-los daqueles que os amam e desejam apenas o seu bem e, por isso ainda insistem em contrariá-los para corrigi-los.

Isso mesmo! Esse sistema que hoje impera, de antemão coloca sob suspeita todos aqueles que são responsáveis pela formação dum guri, amarrando-lhes as mãos e, consequentemente, dificultando pra caramba o seu trabalho; o que gerou esse estado de coisas onde a impossibilidade da educação (doméstica e formal) tornou-se a nova regra da nação.

Carambolas! A inevitável consequência lógica desse bom-mocismo todo que joga uma geração contra a outra, que atira todos contra todos, é a formação duma turba de indivíduos egocêntricos, podres de mimados, que respeitam apenas o seu voraz apetite por direitos, a sua insaciável fome pela realização de todos os seus desejos, devidamente travestidos como direitos humanos fundamentais, é claro.

Enfim, todo aquele que não percebe isso; que não reconhece a origem disso tudo nas sandices colhidas junta as pútridas ideias do marxismo cultural e demais sandices ideológicas similares, é porque está aturdido demais com o furdunço todo, ou porque tem medo de reconhecer a sua gritante responsabilidade nisso tudo, ou simplesmente por pura desídia intelectual e moral.

(5)
Regra número um: antes de falar sobre educação de infantes, eduque a sua gurizada. Regra número dois: se até o momento não se dedicou devidamente a educação dos seus, eduque-se urgentemente para poder realizar essa tarefa de modo razoável.

(6)
Nós estamos com o coração apertado e com a garganta amarga; porém, ao mesmo tempo em que estamos aqui com os olhos marejados, o Céu está em festa por estar recebendo o Padre Gabriele Amorth que, aos 91 anos de idade, faleceu, partindo rumo a Pátria Celeste. Muitíssimos desses anos piamente dedicados ao combate, pelejando contra as potestades das trevas.

A grande mídia não noticiou, não está noticiando e bem provavelmente jamais noticiará que o Padre Gabriele Amorth, em seu silente apostolado, realizou mais de cem mil exorcismos. Isso mesmo. Mais de cem mil. E se alguém dizia que não cria na atuação do pé sujo ele convidava o incrédulo a acompanhá-lo num dia de trabalho dele pra ver até onde a incredulidade do indivíduo resistia.

Não só isso. Quando alguns psiquiatras não conseguiam tratar seus pacientes através dos meios convencionais eles procuravam os préstimos dele que realizava aquilo que os psicanalíticos olhos não compreendiam; mas que, fazia com que os lunáticos recuperassem a razão que aparentemente estava perdida.

Padre Amorth foi um bravo soldado das fileiras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Agora ele está diante do Comandante das forças celestes sendo honrado com as mais elevadas comendas, pois, ele lutou bravamente o bom combate enquanto esteve aqui neste vale de lágrimas.

Enfim, descanse em paz Padre Gabriele Amorth que aqui na terra o combate continua.

(7)
O que os revolucionários de todos os naipes querem não é transformar o mundo decadente num trem melhor, em algo decente; o que eles desejam mesmo, do fundinho de seus corações, é simplesmente fazer com que o decadente mundo sirva-os melhor para que possam realizar plenamente os seus projetos megalomaníacos de poder.

No fundo, na frente e atrás, o que eles querem é isso: poder. E o querem totalmente, haja vista a inclinação totalitária desses biltres. Inclinação essa que é praticamente um tombo.

Quanto a todo aquele papo de justiça social, direitos humanos e blablablá, são apenas desculpas furibundas para melhor dissimular as suas intenções tortas e enganar muitíssimas pessoas bem-intencionadas. Engambelar principalmente as “benévolas almas” bem ou mal diplomadas.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 002

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Vejam só como são as coisas nesse mundão velho: se o caboclo enche as guampas de canha, forra o bucho de carne, ferve o caneco até tarde da noite em dia de São Pega sem se preocupar, nem um pouquinho que seja, se está ou não perturbando o descanso daqueles que na manhã seguinte tem de levantar cedo, bem cedinho, pra lavorar, em termos brasileiros, um caipora desse naipe está mais que apto para candidatar-se a um posto qualquer de “otoridade” pública.


E, pode crer, que esse tipo de gente pode até não ser eleita, mas provavelmente terá uma boa margem de votos, haja vista que gente desse tipo (depre)cívico tem uma significativa representatividade junto ao nosso arremedo de sociedade.


Fazer o que? Coisas da democracia brazuca que aí está para atravancar o país.

(2)
Não entendo, confesso, qual é a grande e misteriosa proposta subjacente ao foguetório que é solto diuturnamente durante um período eleitoreiro; foguetório esse disparado pela maioria dos candidatos – de todo e qualquer naipe político – como se fosse uma interminável torrente de flatulências desinibidas e, isso tudo, em misto com aquelas musiquinhas do Saci que, só por Deus, ninguém merece ouvir. Enfim, seja como for, quem saberá o segredo esotérico que existe por trás disso tudo, não é mesmo? Eu não sei, haja vista que sou apenas um mísero caipira escrevinhante, mas há quem diga que esse forrobodó todo seja o prenúncio do que está por vir quando o pleito findar e uma das partes for confirmada após a evacuação eletrônica das urnas. Bem, de qualquer jeito, em breve poderemos constatar com nossos olhos e olfato o que teremos reservado para os próximos anos, não é mesmo?

(3)
Quem diz verdades, perde amizades. Isso faz parte da vida e todos sabem. Agora, aqueles que ousam tecer zoeiras para rir do ridículo geral que impera entre nós, acabam ganhando patrulhas políticas e rondas ideológicas em seu encalço para fiscalizar o tom e o ritmo de suas risadas, sejam elas gargalhadas digitais ou risos analógicos. Pois é, fazer o que? Em sociedade mimizenta é assim mesmo.

(4)
Todo esse papo de neutralidade e de objetividade científica não passa duma frescuragem. O que realmente importa, o que de fato interessa, é a dita cuja da sinceridade intelectual.

Quem é sincero não é neutro; quem é objetivo, necessariamente, deve ser sincero.

Para investigar qualquer coisa, por mais simples que seja, devemos tomar, logo de início, partido pela verdade e objetivamente reconhecer que a realidade é muito mais ampla e complexa que nossa limitada capacidade de descrevê-la.

Sem isso em nosso horizonte, toda e qualquer atividade intelectual não passará dum caricatural esnobismo diplomado. Só isso e olhe lá.

(5)
Há uma diferença ontológica entre a filodoxia e a filosofia. Existe um abismo imenso entre a paixão idolátrica pelas opiniões e o abnegado amor à verdade.

A constatação disso é auto-evidente, porém, causa-nos assombro ver que na sociedade hodierna o magistério da segunda literalmente vê-se, na maioria dos casos, reduzida ao cultivo da primeira.

Enfim, como reza a sabedoria popular: é o fim da rosca mesmo.

(6)
Quem não suporta a árdua tarefa de estudar; todo aquele que não tem disposição para conhecer pontos divergentes sobre uma questão; que repudia antecipadamente as interpretações conflitantes sobre a realidade e recusa-se a ponderar, com sinceridade, sobre o que isso tudo se refere sem ficar, de antemão, tomando partido em favor de A, B ou C, antes de se gabar tolamente disso ou daquilo, deveria sim, lavar a boca com creolina.

Isso mesmo. Antes de ficar proclamando aos quatro ventos que é um sabichão dotado de consciência crítica e portador do escambau a quatro, seria, de bom alvitre, criar vergonha nas vetas e reconhecer a pequenez de sua suposta sapiência e comparação com a imensidão de sua ignara soberba.

Enfim, seria bacana, bem bacana mesmo, que os elementos desse naipe parassem de ficar rotulando os demais de alienados, porque, na real, gente que assim procede não passa duma alma de papelão alienada de seu ridículo nada original.

Em resumo: qualquer um que assim proceda não passa de um pretensioso bocó de mola. Só isso e olhe lá.

(7)
Quando legisladores, pessoas doutas e toda ordem de gente metida à sabida referem-se a um assassino e estuprador como se esse biltre fosse uma espécie de vítima da sociedade é porque já passou da hora de mudarmos o nome de nosso país; mudar de República Federativa do Brasil para Hospício Psicótico de Banânia.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

sábado, 10 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 001


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Quanto mais superficiais são os pensamentos dum sujeito, mais criticamente pensante ele se imagina ser. Quanto mais crítico ele matuta ser, mais visível se torna sua oca soberba.

Gente assim, dum modo geral, tem opinião sobre tudo sem, necessariamente, saber realmente alguma coisa sobre algo e, por isso mesmo, julgam-se muito sabidas, tão espertas, tão fofas.

Pois é, somente aqui, nessa terra de desterrados que a ignorância voluntária e presunçosa é reconhecida como fonte de autoridade intelectual e moral. Basta nada saber e se negar a conhecer que qualquer um está autorizado a opinar com pose doutoral.

(2)
O poder, por sua natureza, atrai preferencialmente os piores e corrompe os melhores e esses, por sua deixa, não nos iludamos, são pouquíssimos e frequentemente sucumbem.

Doravante, essa regra não é válida apenas para aqueles que mergulham de corpo e alma nas fétidas vísceras das disputas pelo poder, mas também, essa regra é certa para todo aquele que aprecia o jogo político, contempla-o e faz dele o centro de suas preocupações.

Nesses casos, também, as lutas políticas por si não são o solo mais apropriado para a edificação da mansão de nosso coração, pois, tais inquietações acabam por corromper o que há de melhor em nossa alma e a fomentar o que há de pior em nosso ser.

(3)
É natural que as questões sobre o poder ocupem uma relativa importância em nossa vida e que circunstancialmente furtem a nossa atenção.

O que se torna isso, no mínimo, estranho é quando tais questiúnculas ocupam o centro de nossa vida.

Quando isso ocorre, tornamo-nos volúveis, instáveis e, por isso mesmo, nos tornamos tão corruptíveis quanto corruptores.

Nessa situação, vemo-nos reduzidos a condição de marionetes das circunstâncias.

Acabamos tal qual um navegador que fixa a sua atenção unicamente na agitação das ondas, ignorando a presença da estrela Polar e desprezando a localização do porto seguro.

(4)
A obrigação número um de qualquer pessoa minimamente decente é reconhecer que não presta; que não vale um vintém; que tem o seu coração ferido pelas suas más inclinações.

Pois bem, essa, meu caro Watson, é a primeira obrigação que é rasgada pela turminha que têm duas mãos canhotas, haja vista que eles acreditam candidamente que suas alminhas rubras são impolutas, puras e incorruptíveis e, por isso, imaginam que vão limpar toda a imundice da face da terra com seu ímpeto revolucionário.

Por essas e outras que elas são pessoas vis, dissimuladas e incapazes de reconhecer o fosso pútrido em que se encontram; elas negam-se a reconhecer que o coração delas é tão maculado quanto o de qualquer pessoa e, por negarem-se a tal tomada de consciência (como eles gostam de dizer), as obras de suas intenções supostamente imaculadas falam por elas e deixam bem claro que tipo de pessoas são.


(5)
Uma coisa é ser um professor; outra, bem diferente, é tentar ser um e, infelizmente, nem sempre conseguimos sê-lo.

Professor, digno do título foram, são e sempre serão: São José de Anchieta, Santo Agostinho, Sócrates, Platão, Mortimer Adler, Mário Ferreira dos Santos, Olavo de Carvalho e tutti quanti.

Diante desses senhores, confesso, não passamos duma pálida imitação do que, de fato, deveria ser um professor no pleno sentido do termo.

Claro que haverá aqueles que dirão que a referência é muitíssimo elevada e, de fato, o é. Porém, justamente por tomarmos como referência criaturas de baixo quilate que a educação na sociedade brasileira, que já não era lá essas coisas, decaiu vertiginosamente.

Basta olhar para as referências, para os modelos de professor (ou educador, como muitas almas sebosas preferem) que são quistos como exemplares pra entender porque o sistema educacional brazuca encontra-se nessa lastimável situação.

Resumindo: num país onde Paulo Freire é tido como exemplo de excelência em matéria de educação não se pode esperar frutos diferentes dos que estão sendo colhidos aos borbotões em nossos pagos.

(6)
Informação é tudo? Não sei. Tenho lá minhas dúvidas.

Algumas vezes fico cá com meus alfarrábios a matutar: noutras primaveras, que a muito se foram, muitas pessoas, com uma parca quantidade de informações que chegava até as suas mãos, realizavam grandes feitos e grandes obras. Se não eram grandes, todas elas, dum modo geral, eram dignas.

Hoje em dia, na era do conhecimento, onde boleiras de informações estão à disposição de qualquer um temos como grandes realizações apenas uma infinidade de mediocridades que se ufanam por seus feitos pífios e por suas obras ocas.

É simples assim. Basta abrir os olhos para constatar essa ululante obviedade.

(7)
Todo aquele que não reconhece a sua dose de canalhice original e sua porção ontológica de babaquice pessoal é porque, de fato, é um canalha por inteiro, um babaca incontestável. Só isso e olhe lá.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR 160904

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Que a galhofa faça parte da peleja eleitoral não há problema algum. Na verdade, é um dos temperos que tornam esse angu encaroçado mais palatável para todos, seja para o gosto dos eleitores ou dos candidatos. Agora, vermos a vida (depre)cívica brasileira ser reduzida a uma troça só é sacanagem. Ninguém merece. Ninguém mesmo.

(2)
Os bocó de mola que se declaram alminhas críticas quando palestram sobre a realidade política brasileira, com a boca cheia de criticidade, afirmando que o povo não gosta de parlar sobre política confessam, a todos, que são um profundo poço de alienação.

Ora, se há um trem que as pessoas gostam de conversar é sobre política. Claro que não é do jeito e no tom que as mentes ideologicamente fecais desejam que seja, mas as pessoas conversam sim. Preocupam-se, indagam-se e defendem a causa que acreditam ser a mais justa neste ou naquele momento.

É óbvio que não será isso, falar sobre política, que tornará as pessoas mais dignas, prestativas e boas. Na verdade, as pessoas simples não fazem apenas isso não. Fazem muito mais.

Agora, querer reduzir a vida unicamente a dimensão política, como querem a turminha com duas mãos canhotas, é que nos bestializa. Pena, pena mesmo, que essas pretensas mentes críticas não percebam isso.

(3)
O hino da independência, numa belíssima passagem, lembra a todos os patriotas que “vossos peitos, vossos braços são muralhas do Brasil”. Há, com toda certeza, muitas almas que atendem a esse apelo. Com certeza há. Todavia, atualmente, surgiram entre nós algumas sebosas almas que colocam um partido político vil acima da sua pátria. Não só isso! Cobardes que, no ápice de sua pusilanimidade, usam seus bebês como escudos humanos para defender a perfídia de uma ideologia ímpia.

(4)
Por mais acrobacias discursivas e linguísticas que se use, por mais que se tente disfarçar o indisfarçável, invadir prédios públicos, atear fogo em pneus nas ruas, virar viaturas da política, depredar a propriedade alheia, etc., não é e nunca será um ato cívico-democrático, nem mesmo um ato de desobediência civil. Não mesmo. Atos como esses não passam dum punhado dum vandalismo calhorda, dum terrorismo chinfrim de militontos desmamados. Só isso e nada mais.

(5)
A verdade é somente reconhecida e apreendida quando testemunhada pela consciência individual. Coletividades, ideologicamente engajadas ou não, jamais dão testemunho da verdade, haja vista que essas são desprovidas de personalidade.

(6)
A vida é feita de momentos e, os momentos de nossa vida, são similares ao ato de degustar um cigarro de boa procedência.

Isso mesmo! Para que esse possa ser prazerosamente tragado é indispensável que o braseiro que o anima seja intenso. Se não o for, o fumar, como o viver, torna-se sofrível em cada um de seus momentos, em cada uma de suas tragadas.

E, cada sorvida do fumo, bem ou mal devorada, vai consumindo o dito cujo do rolinho de fumo deixando para traz apenas cinzas; só fumaça e cinzas daquilo que até então parecia ser tão intenso e vivaz.

Enfim, viver é tal qual fumar, goste-se ou não da analogia.

(7)
O voto, quando sufragado, é similar ao ato de comunhão; e o pleito eleitoral, dum modo geral, uma verdadeira celebração onde a sociedade manifesta aquilo que deseja, sente e, principalmente, aquilo que o coração dos cidadãos tem na conta de valioso.

Por isso, muito cuidado, muito cuidado mesmo, na hora de sufragar o seu precioso votinho numa urna, pois, dum jeito ou doutro, gostando ou não, acabamos nos tornando aquilo que comungamos porque, no frigir dos ovos, esse gesto reflete muito daquilo que nós mais admiramos.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A CULPA NÃO É DA MAMÃE, NEM DO PAPAI


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Em regra, todos os pais e todas as mães que se esquivam do dever moral de educar os próprios filhos são justamente  os primeiros a apedrejar os professores pelo estrago que eles mesmos, com sua desídia e falta de caráter, causaram aos seus rebentos.

Dum modo geral, tais alminhas, que são pessoas crescidas, bem crescidinhas, insistem em viverem feito adolescentes fúteis curtindo a vida com suas “ocupações”. Ocupações como ficar estrebuchado num sofá, com seu celular, em frente à televisão ou; nalguns casos, fervendo numa baladinha qualquer de maneira inconsequente e, tudo isso, ao mesmo tempo em que desdenham vilmente suas obrigações morais para com seus guris. Para com seus amados guris.

Esse tipo de gente literalmente deixa os seus filhos ao deus-dará, pouco importando a classe social a que pertençam. Ignoram o que eles estão fazendo no Colégio, não se importam com o que os abençoadinhos realizam nas ruas, nas horas vagas e,  inclusive, desprezam o que eles fazem debaixo do próprio teto.

Na real, genitores desse naipe não sabem nem quais são os programas de televisão que a piazada assiste e/ou sites que acessam. Resumindo: são ilustres desconhecidos que vivem na mesma casa, mas que, perante a sociedade, apresentam-se fingidamente como sendo zelosos pais e amorosas mães que preocupam-se muito com o bem dos seus filhos (como todos sabem, nesses casos a hipocrisia não tem limites).

Doravante, quando o mancebo apresenta um péssimo rendimento escolar é a hora que a porca torce o rabo. Aí a figura lembra-se que o pequeno que vive em sua casa é seu filho e, sem o menor pingo de vergonha nas ventas, procura disfarçar a sua irresponsabilidade congênita tentando ocultar de todos, e principalmente de si, o atentado que cometeu contra o seu próprio rebento.

Esse tipo de figura, que todos nós conhecemos muito bem, nessas horas de aperto, faz aquele teatrinho furibundo de genitor(a) responsável e diz, bufando, que vai à luta pelos direitos de seu filhinho e, inclusive, jura de pés juntos que irá até as últimas instâncias e consequências para defendê-lo. Defender aquele cuja existência até então não a preocupava.

No frigir dos ovos, o que essa vil alma está tentando fazer é tão só e simplesmente varrer para debaixo do tapete os frutos pútridos de sua (ir)responsabilidade. É mais fácil, e bem mais cômodo, colocar a culpa de tudo na escola e, principalmente, nas costas dos professores do que, pela primeira vez na vida, agir de maneira verdadeiramente madura e responsável.

O cinismo desse tipo de gente só não é maior que a sua gélida capacidade de dissimulação. Capacidade essa que, junto com outras pendengas que se acumulam em nossa sociedade, colabora significativamente para a educação brasileira encontrar-se no estado em que está. Ou seja: de ser a palhaçada é.

Uma diabólica e amarelada palhaçada, diga-se de passagem, onde a bajulação tornou-se sinônimo de educação e o intento de corrigir e educar passou a ser visto como um atendo contra a infância.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 4 de setembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR 020930

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Em ano eleitoral é assim: os candidatos atiram uns contra os outros os mais ferinos pelotaços na forma dos mais infamantes adjetivos. O bicho é feio mesmo. Chega a ser cômico de tão feinho que o trem é. Em alguns casos, nem as genitoras são perdoadas. Tadinhas. E que a verdade seja dita: todos eles, cada um ao seu modo, substancialmente tem razão naquilo que diz através dos seus disparatados adjetivos disparados. Enfim, bem ou mal, essa é nossa classe, a nossa fauna e flora política (depre)civicamente constituída. Fazer o quê? É o que temos. É o que mais temos.

(2)
A estultice, a leviandade e toda ordem de vilezas que arrastam a alma humana para as latrinas da existência são, por definição, contagiosas; tal qual uma doença viral.

A inteligência, a virtude e todas as dignidades que podem germinar na alma humana são, por sua deixa, verdadeiros anticorpos contra todas essas pestilências que diminuem a nossa humanidade.

E, ao que tudo indica, a cultura brasileira anda com a imunidade baixa pra cacete contra essas infames enfermidades da alma e, consequentemente, todos nós estamos meio pesteados.

(3)
Quanto vejo um garoto maroteando um adulto, fico cá com meus alfarrábios a perguntar-me: se esse vinagre destrata assim uma pessoa estranha, imagine só o que ele faz com os seus professores e, obviamente, com seus pais. Imaginou? Eu não. Vai que eu, imaginariamente, venha a traumatizar o xarope. É bem capaz de uma dessas alminhas sebosas politicamente corretas querer me passar um pito, não é mesmo? Por isso, apenas rio, mesmo que de maneira amarelada, rio muito do ridículo bestial a que chegamos onde uma geração inteira se nega a educar os infantes com medo da reação dos deseducados e da possível ação das almas sebosas que os mimam sob a égide de estarem supostamente tutelando os seus direitos. Enfim, vivemos hoje sob a borduna duma conspiração conjunta de medíocres e pusilânimes contra a maturidade e, pasmem, tudo isso é feito em nome da tal “educação”.

(4)
Mensurasse a necessidade, a indispensabilidade de algo, pela frequência e intensidade que precisamos deste ou daquele objeto, desta ou daquela pessoa.

Bem, então perguntemos, e lembremos que perguntar não ofende: quantas vezes, e com que intensidade, precisamos da intervenção das potestades estatais em nossas vidas? Em que medida os governantes são figuras imprescindíveis para que toquemos as nossas lutas diárias?

Pois é, um par de sapatos é algo indispensável; um aparelho celular, na sociedade hodierna, também. Um sacerdote, um comerciante, um policial e tutti quanti, são fundamentais; mas, e quanto a todos esses distintos caciques que se apresentam como sendo nossos legítimos e insubstituíveis representantes são assim tão impreteríveis como dizem ser? Pois é, eu estava pensando a mesma coisa.

(5)
Pessoas que num ato falho, num ato falho porque hoje em dia ninguém mais confessa esse tipo de coisa, dizem gostar deste ou daquele livro por causa das suas ilustrações e/ou por ser “fininho”, por mais pose que façam, por mais afetadas que sejam, dificilmente serão um dia uma pessoa ilustrada e, bem provavelmente, seu entendimento sobre tudo e sobre si também será, invariavelmente, bem curtinho.

(6)
Em se tratando de política, há uma regra de ouro a ser observada. Não da parte das raposas que juram de pés juntos que pretendem proteger o galinheiro público contra todos os males deste mundo. Não mesmo.

Acreditamos que a regra que será sugerida nestas linhas deva ser de relativa utilidade aos galináceos cidadãos do aviário brasiliano.

Bem, o critério seria o que segue: quanto mais um candidato se explica, quanto mais ele se justifica aqui e acolá, mais trambiques ele oculta, mais malfeitos ele fará; e quanto mais ele fala, inevitavelmente mais ele se enrola em seu tagarelar. É batata! Basta parar de torcer e começar a observar.

Pois é, já sei: é de assustar a quantidade de explicações, de justificativas que são atiradas aos quatro ventos nessa época. Como assusta. Mas não ignoremos as advertências que as raposas mesmas nos dão de bandeja para avaliarmos as suas verdadeiras intenções. Não ignoremos não.

(7)
Abra os olhos navegante! Abra olhos! Quando os candidatos dizem que tem uma ótima proposta, que eles têm muito por fazer pelo tal do povo e blá-blá-blá, lembre-se que todo e qualquer intestino também sempre tem muitas propostas, muitas a apresentar e olha só o que ele faz quando tem a possibilidade de atuar junto ao sanitário trono. Por isso, cuidado, muito cuidado nessa época em que tanta gente de repente resolve o povo cortejar.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.