sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

QUASE POESIA - DE 1 A 11

QUASE POESIA – n. 01 (06/XII/2016)
O azulado céu que minha vista encanta
Não é o mesmo firmamento que paira
No interior de mim animando minh’alma
Que dita sem rima o ritmo de meus dias.

QUASE POESIA – n. 02 (07/XII/2016)
A esperança do cidadão brasileiro
É tal qual um barco atirado ao mar
Primeiro encalha nos bancos do Senado
Pra depois na maresia do STF naufragar.

QUASE POESIA – n. 03 (07/XII/2016)
No face post publicado
É como barquinho de papel
Logo que o dito é postado
Ele se vê esquecido ao léu.

QUASE POESIA – n. 04 (07/XII/2016)
A mentira de tanto vagar
Resolveu descansar um tanto
Aconchegou-se no coração humano
E, por ali, resolveu de vez ficar.

QUASE POESIA – n. 05 (08/XII/2016)
A amarelada folha abraça as lembranças
Silenciando tudo aquilo que até então vi
E aquilo que vi e vivi em minhas andanças
Cultivo no silêncio que habita em mim.

QUASE POESIA – n. 06 (08/XII/2016)
Quando a soberba que habita o coração humano
É estimulada pelos diplomas e títulos vazios
Vaidosamente amplia-se um bom tanto
A presunçosa ignorância das almas sem brio.

QUASE POESIA – n. 07 (08/XII/2016)
Não sairemos desse nauseante retrete
Enquanto formos o país do futebol
E termos marotos como Paulo Freire
Sendo o patrono da educação nacional.

QUASE POESIA – n. 08 (08/XII/2016)
Quando um povo não mais se identifica
Em torno de sentimentos que os unifica
Ele transubstancia-se numa ignara massa
Dominada pela mais vil de todas as tiranias.

QUASE POESIA – n. 09 (08/XII/2016)
O duro não é ser golpeado
E, derrotado, beijar a lona
Osso mesmo é ser soqueado
Sem saber o que nos tomba.

QUASE POESIA – n. 10 (08/XII/2016)
O medíocre é simplesmente um sujeito que, assustado,
Se esconde quando a peleja clama alto por seu nome.
Já aquele que, quando para o combate é chamado
Manda outro lutar, não passa dum indigno homem.

QUASE POESIA – n. 11 (09/XII/2016)
O STF em sua sapiência singular e fenomenal
Diz que os casos de corrupção são pra analisar.
Porém, diz ele que um inocente em estado fetal
Não tem vida nem é gente, por isso, é lícito matar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

DESENHANDO SEM BORRACHA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

LOROTA - O erro é uma assinatura humana quando ele é francamente reconhecido por aquele que errou. Não apenas isso. O sujeito, com esse ato almeja, acima de tudo, o acerto. É nesse sentido que errar é humano. Agora, errar e usar essa afirmação, de que todos humanamente erram, pra justificar o seu desacerto, com o perdão da palavra, não passa dum cinismo suíno, dum subterfúgio diabólico para nos distanciar da verdade, agrilhoando nossa alma junto às sombras da farsa e do autoengano.

PAIS E MÃES DE BARRO - É incrível como muitos pais - muitos mesmo - confundem bajulação cretina com educação zelosa.

Resumidamente, essas almas levianas assim procedem pra tentar disfarçar o seu desdém contínuo pela educação de seu filho; é uma estirpe de gente que, frequentemente, ao fim de cada ano, faz aquele cirquinho que, no frigir dos ovos, convence apenas a eles mesmos e a mais ninguém de sua suposta preocupação com o destino do seu pimpolho.

Ah! Se elas soubessem o quão ridículo é esse papelão que sazonalmente é encenado por elas; teatrinho fútil onde tentam, com aquela conversa mole, demonstrar um amor incondicional que, no correr dum ano inteiro não se fez presente através de atos concretos que refletissem realmente a postura duma pessoa que amorosamente zela pela formação de seu rebento.

Na verdade, esse tipo de teatrinho bufo, que tanto se repete em nosso país ao final de cada ano, apenas realça os traços deformados e deformantes dessas pútridas almas fantasiadas de pais que, por mais que tentem dissimular o contrário, pensam apenas nelas mesmas e, raramente - pra não dizer nunca - lembram-se de que educar seus filhos é, também e principalmente, um grave dever seu; não da sociedade que, por sua deixa, dificilmente poderá dar aos infantes o que lhes foi sonegado no lar por aqueles que dizem amá-los.

MEDALHÃO - Quando alguém diz, genericamente, naquele tom de imodéstia e ironia, que muitos livros versam sobre isso ou aquilo – sem ao menos citar um de alguma relevância - é porque a alma incauta foi surpreendida por um dado que ela até então ignorava.

Todo indivíduo cheio de cacoetes mentais advindos duma cultura de medalhão, quando é pego de surpresa se vê abalado em seu pedestal de sapiência postiça; pedestal esse fundado tão somente na repetição de um ou mais lugares comuns aceitos pelos tolos diplomados como legítimos devido a sua repetição incessante e hipnótica.

Enfim, o caboclo escuda-se com uma frase evasiva em misto com uma cara feia pra reforçar para si a banalidade que ele aceita como uma incontestável verdade.

A ÁGUA E O PEIXE - Uma das constantes mais profundas da sociedade brasileira é um desprezo soberbo pelo conhecimento em misto com um desejo irascível e histriônico de exibir-se como sendo portador duma sabedoria que nunca fora cultivada pelos caiporas e que não é, de modo algum, almejada por eles.

O ABISMO DA EDUCAÇÃO - Uma das coisas mais fascinantes nessa terra de desterrados é a frequente visão que temos de uns pares de punhado de analfabetos funcionais discutindo algo que ouviram falar, ou que lhes foi informado por outro analfabeto - esse, diplomado - a respeito da obra dum grande escritor, ou de algum filósofo, ou sobre algum acontecimento político e/ou histórico.

É coisa linda de se ver porque basta que os infelizes repitam várias vezes certas palavras que essas funcionam como uma espécie de conjuração.

Palavras como “opinião crítica”, “consciência crítica”, “diversidade”, etc., tem um efeito mágico nesses tipos de tontos. Dizendo-as todos os dias nas mais variadas situações eles realmente acabam se convencendo de sua “criticidade” – seja lá o que isso for.

E esse tido de impostura, junto com outras tantas, em grande medida, explica porque continuamos avançando para o abismo da estultice recorde a cada novo exame do PISA.

Enfim, aqui, nessa terra de tupinambás, sabe-se muito bem como se faz uma pose afetada de sabido, como julgar os outros através de rótulos politicamente corretos e, inclusive, sabe-se protestar e fazer uma assembleia, mas não se sabe ler, nem escrever uma frase minimamente coerente e, muito menos, calcular o tamanho da tragédia da educação nacional.

GENTE CRÍTICA DE DOER - Desconfio sempre dos ditos intelectuais engajados, comprometidos com essa ou aquela causa, que vivem repetindo aqueles surrados chavões que foram aprendidos em sua mocidade e que, sobre os quais, construíram todo a sua carreira de intelectual. Gente assim é uma farsa do princípio ao fim e, de um modo geral, são muito mais aluados engajados que intelectuais de fato; apesar de, no Brasil atual, intelectual ser praticamente um sinônimo dessa enfadonha realidade.

(*) professor, cronista e bebedor de café.
Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/
Blog: http://zanela.blogspot.com/

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

COM O TINTEIRO PARTIDO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

FIM DE ANO – O tempo voa; os dias passam feito a revoada de um bando de andorinhas. E, tais quais nossas promessas, ele, o tempo, flui de modo inconsistente e sem nenhum propósito aparente para manter as aparências de nossa mal disfarçada existência.

O CORPO DECAÍDO - Quando a cabeça é fraca o corpo padece. Assim reza, com grande sabedoria, o dito popular. Seja nas mais elevadas esferas de nossa republiqueta, seja nos círculos de mesquinharias que nos avizinham cotidianamente; em todas elas o que vemos é o padecer de todos e o corromper de tudo devido à falta de solidez e altivez daqueles que estão à frente de algo; seja duma família, seja de nossa triste nação. As cabeças são muito fracas, limitadas e, por isso, o corpo social encontra-se desfibrado. E assim continuará enquanto as cabeças continuarem com seu olhar no mundo da lua e a extrair as suas ideias do fundo de uma latrina.

PRA NÃO CHORAR - No Brasil, ética não é uma disciplina filosófica não. É, antes de qualquer coisa, uma fonte inexaurível de piadas e causos para todos os comediantes. Sejam eles profissionais ou amadores, a ética brazuca nunca deixa os profissionais do riso na mão.

PERDA DE TEMPO - De nada serve a oferta de um conselho para resolução de um problema cujo ouvinte tem sua existência atrelada, dependente da manutenção da existência da encrenca.

NEM UMA PALAVRA - Há certas contradições que devem ser compreendidas para que a vida não degringole numa só tacada. É imprescindível que entendamos que muitos atos de aparente generosidade são corruptores e que, muitos gestos de certa crueldade são, ao seu modo, virtuosos.

Todo aquele que não compreende a verdade que está subjacente a essa afirmação não deveria dizer um “A” a respeito da tal educação.

Pois é, de mais a mais, vivemos falando, da boca pra fora, que não devemos avaliar nada apenas nos baseando nas tais aparências, mas, no quesito formação dos mancebos, esse é praticamente, o único critério: a aparente generosidade advinda de corações dissimulados.

Enfim, não é à toa que estamos seguindo pelo rumo que estamos.

O CÚMULO DO CÚMULO - O que realmente me impressiona não é tanto as atabalhoadas em torno da gestão da coisa pública nessa terra de Tupinambás. O que mais me deixa macedônia da vida é a incapacidade boçal daqueles que se apresentam como sendo as pessoas mais capacitadas para endireitar os rumos de nossa entristecida nação.

NA LINHA AMARELA - Deixe que o povo fale. Deixe que as ruas sejam tomadas por todos os cidadãos. Deixemos que aqueles que se apresentam como sendo as legítimas autoridades constituídas nada façam. Deixemos a nau brasileira seguir pelas atuais corredeiras só pra gente ver até onde todo esse forrobodó irá nos levar.

Goste-se ou não, a indignação do povo está no limite e o cinismo das autoridades já varou longe o seu e, cedo ou tarde, iremos descobrir o que há para além dessa linha amarela de nossa vergonhosa república.

NÃO É QUERER GORAR - O problema de se ficar abusando da paciência de alguém é que, cedo ou tarde, descobrimos o quão profunda e ferina é a fúria de quem estava apenas querendo ficar quieto sem ser molestado. Não é querer gorar, mas, não vai demorar muito para que nossa abusada classe política descubra o significado disso.

O PERIGO ESTÁ NO AR - É temível quando o medo ressentido toma conta da atmosfera duma sociedade. É temeroso porque o contágio da irá difusa pode ser desencadeado a qualquer momento por qualquer pequena e insignificante bobagem que seja dita, feito uma faísca num ambiente tomado por gás de cozinha. Enfim, essa é a atmosfera reinante em nosso país atualmente.

TREINANDO PARA A VIDA - Toda e qualquer prática, para ser devidamente aprendida e aprimorada, necessita de uma boa dose de treino. E, quando se fala em treinar algo, entenda-se que estamos falando de uma prática repetitiva e imitativa de modelos consagrados que foram realizados com maestria por outros. 

Repetição essa que deverá ser realizada até a imitação perfeita da maior quantidade possível de modelos.

Aprender a cozinhar é assim: antes de inventar uma receita, aprende-se repetindo imitativamente as receitas que outros conceberam.

Aprender uma arte marcial também é assim: antes de criar o seu jeitão de lutar, se assim me permitem dizer, primeiramente é necessário imitar e repetir até a exaustão as técnicas que tradicionalmente foram cultivadas pela arte marcial a qual o indivíduo está se dedicando.

Pois é, no aprendizado de tudo é assim, porém, todavia e, entretanto, os doutos em educação que regem os descaminhos educacionais de nosso país na atualidade jamais pararam pra refletir que todas as suas doutas e furadas teses sobre o assunto ignoram soberba e olimpicamente esse dado fundamental da vida.

Não é à toa que estamos nesse desterro. Não é à toa mesmo.

(*) professor, cronista e bebedor de café.
Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/
Blog: http://zanela.blogspot.com/ 

domingo, 4 de dezembro de 2016

[áudio] PROGRAMA AVE MARIA, 01 de dezembro de 2016.



O PROGRAMA AVE MARIA é o programa radiofônico da Paróquia NOSSA SENHORA DE BELÉM que vai ao ar pelas ondas da rádio IGUAÇU FM de segunda a sábado às 18h00. Na quinta-feira o programa é apresentado por DARTAGNAN DA SILVA ZANELA.

DARDOS E FLECHAS PERDIDAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

DARDO 01 - Governo forte é uma tranqueira apenas desejada por almas moralmente fracas.

DARDO 02 – Um claro sinal de nossa decadência é quando passa a imperar em nossa alma um desejo irascível de querer que os outros realizem por nós aquilo que nem mesmo nós almejamos fazer em benefício próprio.

DARDO 03 – Perguntar não ofende. Quer dizer, não sei, haja vista que vivemos hoje numa sociedade que cultiva o mimimi como sendo uma espécie de virtude (depre)cívica. Enfim, seja como for, vamos à pergunta: se um caipora não se preocupa em melhorar, em corrigir-se, em ser prestativo, porque os outros – sejam esses outros pessoas próximas a ele ou apenas ilustres desconhecidos - devem fazer por ele o que nem mesmo o caipora faz por si?

DARDO 04 – Quanto mais o politicamente correto policia as palavras que dizemos, quanto mais essa tranqueira fica a especular e a sondar nossos pensamentos e sentimentos para discipliná-los, enquadra-los nas forminhas deformantes da ideologia tacanha reinante, mais nos tornamos criaturas insensíveis à realidade, mais e mais nos assemelhamos a autômatos mutilados.

DARDO 05 – Os defensores da memória do finado ditador Fidel Castro, juntamente com a turminha que tenta colocar panos quentes em suas covardes atrocidades, nos brincam com cristalinos exemplos do que significa, em termos morais e cognitivos, a perda do senso das proporções.

DARDO 06 – Ser conservador não significa, de modo algum, defender o engessamento da sociedade num tradicionalismo vazio e estéril; ser conservador não é sinônimo da perpetuação as injustiças que reinam sobre nosso país. Não mesmo. Ser conservador é, antes de qualquer coisa, labutar pela preservação de determinados princípios universais que, sem os quais, a sociedade perde todo o seu dinamismo e as injustiças florescem e aviltam a dignidade humana.

DARDO 07 – Tem muita gente que, quando jovem, devido à insensatez e intemperança típicas dessa idade, acaba defendendo algumas ideias absurdas e se apegam a elas como se as ditas cujas fossem a sua segunda pele.

Os anos passam e, mesmo tudo indicando que aquilo tudo é uma absurdidade só, elas continuam apegadas irascivelmente a elas, pois, não conseguem renega-las.

E, não as renegam, por certa dose de orgulho e, em grande medida, porque abjura-las significaria negar parte de quem elas são e, para disfarçar tamanho papelão existencial, essas alminhas sebosas estufam o peito e dizem que assim procedem por serem pessoinhas coerentes. Bem coerentes.

Sim, e de fato são. Coerentes com o engano, com a vaidade, com o erro, com a negação da verdade.

Por essas e outras que Nosso Senhor Jesus Cristo disse que, se um de nossos olhos fosse causa de escândalo era preferível arrancá-lo que ficar com ele; que era preferível entrar no reino da Verdade [dos Céus] com um só olho do que danar-se eternamente no Tártaro flamejante do engano e na mentira existencial.

DARDO 08 – Quando procuramos incansavelmente encontrar alguém, ou algo, para arcar com nossas responsabilidades é porque, simplesmente, estamos preferindo nos infantilizar com o passar dos anos ao invés de aceitarmos o fardo da idade.

Aceitar o dito cujo é o que os antigos chamavam de madureza.

E tem outra: chamar esse mimimi deprimente que hoje impera em nossas terras de manifestação de, como dizem, “responsabilidade” cidadã, é um claro sinal da decadência de nossa época que está em franca, gradual e contínua putrefação moral.

De mais a mais, tal degradação nada mais é que a consequência lógica desse desarrazoado mimar sem fim que se apresenta diuturnamente fantasiado de educação crítica. E põem crítica nisso.

DARDO 09 – A manifestação mais cabal do desespero duma alma vazia é a tagarelice incessante. Para muitos, essa é a única forma de conseguir escamotear essa decadente situação. Imaginam que falando sem cessar irão disfarçar o nada que há no âmago de seu ser.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.
Site: http://dartanganzanela.webcindario.com/
Blog: http://zanela.blogspot.com/

O BRASIL É UMA OBRA SURREAL

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

ASSASSINATO SILENCIOSO 01 - De fato, somos um país miserável. Não materialmente. Espiritualmente. Um país que teme o nascimento de uma criança, um país onde o silencioso assassinato a sangue frio de um inocente é reconhecido como um “direito reprodutivo” é, infelizmente, uma sociedade desfibrada moralmente, pervertida antropologicamente e monstruosamente sombria em seu espírito.

ASSASSINATO SILENCIOSO 02 - Mais escandaloso que vermos covis de ladrões e guildas de larápios legislando cinicamente em benefício de si e dos seus é vermos prelados transubstanciando linguística e legislativamente o homicídio de um inocente em uma conquista democrática.

A TRISTEZA DO JECA - Felizes eram os dias em que reinava em nosso país a hipocrisia, pois o hipócrita ao menos tem a qualidade de reconhecer o valor da virtude. Por isso ele, o hipócrita, a homenageia com a sua fingida e superficial honorabilidade.

Inclusive em alguns casos, mesmo que eles fossem poucos, com o tempo o dissimulado acabava tornando-se, de fato, o simulacro.

Hoje não mais temos isso não. De jeito maneira.

O que atualmente impera nas esferas mais elevadas de nosso país, sejam círculos políticos ou republiquetas de letrados, é o cinismo criminoso puro e simples daqueles que acreditam que sua ganância em misto com o espírito de facção que os move seriam a medida de todas as coisas, inclusive do decoro e da ética.

Não é à toa que estamos nesse lúgubre lamaçal. Não é à toa mesmo.

BICHINHO DE PELÚCIA - É compreensível que um corrupto queira, com todas as forças de sua pútrida alma, esquivar-se dos braços da justiça e querer fazer o diabo para poder continuar a sua lambança junto as úberes estatais. O que, realmente, fica bem difícil de entender é o que leva as hostes de militontos e similares a defenderem com unhas e dentes os seus monstrinhos corruptos de estimação; a defende-lo de modo similar a uma criancinha mimada que tenta livrar o seu bichinho de pelúcia preferido das mãos da professora que quer confiscá-lo.

A REGRA DO JOGO - Uma das grandes chagas da vida política brasileira é o imundo espírito de facção que a domina.

Tal espírito suíno, nos círculos provincianos brazucas é chamado de “grupo” e, Oliveira Vianna, de modo mais sofisticado, chamava de clãs políticos.

Ou seja: não há no cerne desses clãs um plano de longo prazo que represente o bem comum. O que há é tão somente uma estratégia de curtíssimo prazo para que os membros do grupelho possam se locupletar por algum tempo nas mamas estatais.

Tais entidades, que nada mais são que um punhado de pessoas que se envolvem na vida pública para obter vantagens junto a coisa pública para a sua facção, definitivamente, são o veneno que carcome o espírito democrático de nosso país onde canalhas, incompetentes em tudo nas suas porcas vidas, ingressam numa suposta “carreira política” apenas com o intento de obter, como direi, uma renda mínima para os seus decaídos mimos existenciais sem ter de fazer muito esforço para tal.

Essas almas podem até realizar algo de bom em favor do bem comum, mas, tal bem não passa dum efeito colateral de sua ação que tem como finalidade primeira o benefício do dito cujo do grupo e não o bem-estar da sociedade.

Enfim, seja como for, tais grupos não tem uma política, uma diretriz programática para guiar as suas ações. A única orientação que se faz presente no âmago destas hostes provincianas, comandadas por mandões e "coronéis", é o parasitar sem peso na consciência que, por sua deixa, jaz amortecida por uma retórica populista vazia.

Não digo que em todo mundo a vida política seja assim, mas aqui, em praticamente tudo assim o é.

O PONTO DO CONTO - Não há dúvidas de que o momento atualmente vivido pelo Brasil é dramático. Porém, o terrível nisso não é o tragédia em si, mas sim, o fato de a sociedade estar muito mais sentido e ressentindo-se do drama do que procurando esforçando-se para analisa-lo e compreendê-lo.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 27 de novembro de 2016

SIM SINHÔ! NÃO SINHÔ!

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

ABRA AS ASAS – Em todo lugar onde a palavra liberdade é idolatrada, transmutada numa ideologia, ou infectada por tranqueiras dessa estirpe, ela acaba sendo transubstanciada na mais vil manifestação da decadência humana. Manifestação essa vivida como se fosse o mais cristalino exemplo de liberdade ao mesmo tempo a que sepulta. Tal atitude idolátrica, ao invés de abrir as portas da percepção, apenas agrilhoa o indivíduo numa fria e soturna alcova existencial que tolhe a sua capacidade de compreender a realidade e impossibilita o sujeito de torne-se apto para captar a verdade que se manifesta através da vivência das consequências dos turvos atos de nossa lavra, guiados por nosso livre-arbítrio.

TRISTEZA DO BRASILEIRO – Para muitos, deixar tudo pra última hora é a regra. Essa é uma coisa bem brasileira e ninguém tasca. A grande maioria dos brasileiros - uns mais, outros menos - acaba sempre deixando alguma coisa pra hora do pega pra capar. Gostemos ou não, essa traço mal traçado faz parte da alma nacional.

Porém, todavia e, entretanto, o que é de causar dilatação escrotal crônica em qualquer um, é termos de ver um punhado de caiporas fazerem isso e, ainda por cima, insistirem em fazer aquela pose de indivíduos preocupados e responsáveis. Coisa digna da Framboesa de Ouro.

E pior! Eles querem te convencer por “A” mais “B” que a irresponsabilidade manifesta por eles não é deles não.
É dos outros. De alguém. De qualquer um, menos deles.

Seria isso sinal dos tempos? Não sinhô. É apenas mais um triste traço bem característico da brasilidade que insistimos em dizer que não nos pertence, apesar de estar com o nosso nome estampado em sua fronte com letras garrafais.

PALAVRAS ODIADAS - A disciplina deve, urgentemente, ser imposta para restaurar um mínimo de razoabilidade no ambiente escolar. Opa! Certas alminhas ao lerem isso dirão, escandalizadas, que disciplina não se impõem, que é um absurdo, retrógrado e blábláblá.

Carambolas! É incrível como muitíssimas pessoas tem pavor da palavra imposição. Ou seria da palavra disciplina? Não sei. O que sei é que não são poucas as almas sebosas que ao ouvir o anúncio de ambas - disciplina e imposição - são bem capazes de ter sonhos bem ruins. Mãezinha do sarampo! Tadinha delas.

Então mudemos os termos da prosa: a ordem externa à alma humana e, em particular, a ordem no ambiente escolar deve ser cultivada para que ela, a ordem, seja interiorizada pelos mancebos convertendo-se em hábitos virtuosos que se integrarão a personalidade do indivíduo e o auxiliarão na ordenação interior de suas inclinações, capacitando-o a tornar-se, no mínimo, senhor de si.

Sem o cultivo disso, da dita cuja da disciplina, que nos infunde a vivência da autodisciplina, todo e qualquer causo sobre educação não será nada mais que um punhado de colóquios flácidos pra boi dormir. E zefini.

LAVA-JATO NELES - Tem muito abestado gastando o seu juridiquês chinfrim, recheado com aquele surrado democratismo de botequim, pra tentar desmerecer o trabalho hercúleo que vem sendo feito pela equipe da Operação Lava-jato, equipe essa capitaneada pelo Juiz Moro.

Um trem fuçado desses é, como se diz, tão ridículo quanto [nada] original.

Bem, mas no mercado do abestamento ideológico brazuca, há sandices para todas as idades e todos os gostos mesmos. Ninguém pode se queixar.

Para os moleques adestrados ideologicamente, temos a tal invasão fantasiada de ocupação; a mais nova modinha dos desocupados revoltados podres de mimados.

Para os mais adultinhos, contamos com a sandice totalitária desvairada disfarçada de justa indignação em defesa da democracia dos compadres contra a operação Lava-jato e, principalmente, contra aquele que, como eles mesmos dizem:  "não pode ser nomeado”.

Enfim, no fundo, tudo isso, nesse mercadinho de fanfarronices críticas, não passa de uma palhaçada sem graça vinda do mesmo circo que transformou o Brasil num picadeiro; palhaços sinistros e sem graça e que insistem sem cessar em arruinar o nosso país transformando-o numa choldra ignóbil.

A MORTE DE FIDEL - Menos um ditador, filho de meretriz, canalha, covarde e genocida no mundo. Fidel se foi, mas ficaram nesse vale de lágrimas, aliviadas com a sua partida definitiva dessa vida, os familiares das milhares e milhares de vítimas do carniceiro do Caribe.

Além disso, permanece nesse mundo, infelizmente, a todo vapor, a sucursal do inferno construída em Cuba pelo barbudo falecido, juntamente com os tentáculos e ramificações que se espalham por toda a América Latina.

E, se isso já não fosse o suficiente, temos ainda que aguentar a chusma de idiotas, militontos ou não, chorando a morte del comandante biltre, elogiando-o como se ele tivesse sido o portador de virtudes que, de fato, nunca cultivou e que eles, seus cínicos e devotos admiradores, provavelmente nunca cultivarão.

Enfim, que Deus tenha misericórdia de sua alma; misericórdia que ele nunca teve para com seus adversários, piedade que ele nunca manifestou pelo sofrido povo cubano que ele flagelou totalitariamente por cinquenta e sete anos.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

[áudio] PROGRAMA AVE MARIA, 24 de novembro de 2016.

Por Dartagnan da Silva Zanela



O PROGRAMA AVE MARIA é o programa radiofônico da Paróquia NOSSA SENHORA DE BELÉM que vai ao ar pelas ondas da rádio IGUAÇU FM de segunda a sábado às 18h00. Na quinta-feira o programa é apresentado por "nóis mermo".

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

TUDO COMO ANTES NESSA TERRA ABERRANTE

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

NÃO LEU E GOSTOU – A maioria das pessoas que se dizem críticas conhecedoras (entenda-se partidárias passionais) de toda e qualquer tranqueira ideológica (marxismo, feminismo, ideologia de gênero, libertarismo e tutti quanti), dizem gostar dessas bugigangas intelectuais porque nunca, de fato, as estudaram devidamente.

Isso mesmo! Se essas almas realmente as tivessem estudado devidamente, no mínimo, não estariam mais tão histericamente empolgadas com elas. Nos melhores casos, ficariam enojadas de si mesmas por terem, durante tanto tempo, apostado tantas fichas e desperdiçado tanta energia de sua vida em sandices desse naipe.

Esse tipo de decepção consigo mesmo faz parte do processo de amadurecimento moral e intelectual de qualquer pessoa. Não tem jeito, É sempre assim: temos que sepultar o homem decrépito que há em nós para dar a luz para algo melhorzinho. Trocando por miúdos: tem que desapegar.

Enfim, por essas e outras que, quando um carniça diz ser um caipora coerentíssimo só porque continua fiel aos seus erros juvenis (ou não tão pueris assim), isso não é sinal de maturidade e de coerência não. Nem aqui, nem na Cochinchina. Isso é pura idiotice ideologizada, presunçosa, alienada e alienante. Só isso e olhe lá.

É DESSE JEITO - O modus operandi dos desafetos do professor Olavo de Carvalho é mais ou menos assim: não li e, por isso, odiei. Fazer o quê? Não se pode esperar nada mais substantivo de indivíduos que tem seus passos regidos pela batuta da efemeridade e no tom da superficialidade de sua trupe coletivista. Ou podemos?

PEDRA DE TOQUE - Quanto mais uma pessoa usa a palavra “crítico” para qualificar algo que ela faça, que ela considere digno de reverência – como educação crítica, consciência crítica, opinião crítica e tutti quanti – mais imbecil ela é. Não tem erro. Em regra é assim mesmo.

EIS A QUESTÃO - Sábios de todas as épocas, figuras de elevadíssimo quilate como Platão e Edmund Burke, sempre nos advertiram de que bastaria que os bons nada fizessem para que os maus triunfem; que seria suficiente não nos preocuparmos com os rumos da política nacional (da nossa polis) para que os maus arrogassem para si o papel de falar em nosso nome. Todos nós, dum jeito ou doutro já ouvimos ou lemos alguma advertência similar a essas. Todos. Entretanto, às vezes fico cá com os meus alfarrábios a matutar: qual seria o destino de uma sociedade se ela fosse regida por idiotas egolátricos movidos unicamente pelo espírito suíno de facção? Qual? Pois é, meu caro Watson, no contexto atual não é preciso fazer muito esforço imagético, nem ler as obras de Platão ou de Edmund Burke para constatar as consequências tragicômicas de uma insensatez dessa monta, não é mesmo?

O RESTO É RESTO - Uma coisa que realmente mata a alta cultura de uma sociedade não é o fato das pessoas no dia a dia falarem (ou até mesmo escreverem) de modo impreciso e incorreto. Somente pessoas tão chatas quanto vazias ficam histericamente apagadas a essas ninharias cotidianas. Um elemento que, de fato, mata a alta cultura de um país é quando as pessoas, principalmente aquelas que são diplomadas, não mais sabem diferenciar um livro de uma obra da grande literatura universal. Isso sim, cara pálida, mata e sepulta a alta cultura.

O CAMINHO - Todo aquele que, realmente, deseja aprender algo de bom nessa vida deve, necessariamente, saber ouvir e, para tanto, é imprescindível saber calar exteriormente e internamente. Sem isso não há concentração e, sem ela, todo e qualquer aprendizado acaba ficando mutilado. Feliz ou infelizmente, esse é o único jeito. Tudo o mais que queira desdizer essa obviedade não passa de embromação.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

APENAS UM PUNHADO DE MATUTADAS


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

NÃO SE ESQUEÇA – Ensina-nos a Sagrada Escritura, juntamente com a sabedoria popular, que as companhias nos corrompem. Dependendo da qualidade delas, nos pervertem pra cacete. Sim, essa é uma verdade tão simples quanto óbvia e, por isso, em certa medida, ela não é totalmente fiel ao que afirma e, assim o é, porque na maioria dos casos, não são os colegas que corrompem o caipora não; os elementos apenas tornam evidente o tipo de pessoa que realmente somos. Trocando por miúdos: não são as companhias que nos acanalham não, elas apenas fazem o canalha que há em nós se sentir bem à vontade para colocar as suas manguinhas de fora e revelar-se sob os indultos de todas as luzes da cidade toda a sua desdita face.

APENAS UMA OBSERVAÇÃO - A celebração da memória de Zumbi como símbolo da luta contra a escravidão no Brasil não passa duma cabal demonstração duma profunda alienação histórica advinda dum orgulho tão soberbo quanto vazio que preocupa-se muito mais em, anacronicamente, inventar um herói nacional, para legitimar uma ideologia atual e atuante, ao invés de reconhecer os méritos e festejar a memória daqueles que, de fato, lutaram para pôr fim a essa prática ignóbil que é a escravidão.

O CINISMO DOS DEFENSORES DOS MANOS - Sabe aquela galerinha, que mora em condomínio fechado de classe média, com toda a segurança que o dinheiro pode pagar e que vive falando, dando chilique em defesa dos tais direitos dos manos, dessa depravação feita com os direitos fundamentais para indevidamente beneficiar os tais dos manos, sabe? Pois é, o que será que essa gente boazinha e cheia de não me toque teria a dizer, de relevante, quando traficantes; digo, manos, abatem um helicóptero da PM, matam quatro policiais e, de quebra, comemoram mui loucamente a atrocidade que fizeram? O que será que seria dito? O quê? Era bem isso que eu imaginei: nada que mereça ser ouvido com um mínimo de deferência. Nada.

PRA ORGANIZAR AS IDEIAS - Qualquer um que encare como sendo algo normal, numa sociedade minimamente civilizada, o fato de termos hordas criminosas abatendo um helicóptero da PM, atacando viaturas e delegacias de polícia, que aceite como algo normalíssimo para um país apresentar mais de sessenta mil homicídios por ano (aproximadamente), deveria, antes de qualquer coisa, enfiar a cabeça na privada e puxar a descarga pra fazer uma urgente lavagem cerebral e limpar a cuca de todo esse entulho ideológico, desse juridiquês politicamente correto infernal que apenas alenta e resguarda quem não presta, tornando todos os demais cidadãos reféns da insanidade que toma conta do nosso entristecido país.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.