Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

sábado, 19 de maio de 2018

SETE NOTINHAS CÁUSTICAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

NOTA UM: Se vier pro meu lado com mordaça politicamente correta, por causa do jeito que falo, motivado por aquilo que digo, mando tomar no fiote, sem dó e no mesmo ato. E tenho dito.


NOTA DOIS: Empoderamento, com o perdão da palavra, é poder portar uma armada, defender o seu filho e proteger as demais pessoas a sua volta com maestria, se necessário for. O resto... o resto não passa de gambiarra.

Por mais firulas retóricas e tranqueiras ideológicas que se use pra disfarçar e tentar convencer-nos do contrário continuará sendo apenas isso: uma gambiarra.


NOTA TRÊS: Só pra constar: apontar o óbvio não é discurso de ódio.


NOTA QUATRO: Para a mentalidade politicamente correta, nada soa mais agressivo e aviltante, do que dar voz ao óbvio ululante.


NOTA CINCO: É importantíssimo que o próximo presente da República, independente de quem seja, saiba, e saiba bem, como se faz um programa pra não terminar de phoder com o país.


NOTA SEIS: A ex-presidente(a) disse que fez muitos programas. Fez nada. Ela apenas gozou e continua gozando da nossa cara.


NOTA SETE: O Brasil não suporta mais amadores! Sim. É verdade. Mas que tipo de profissionais pretendem assumir a direção dessa barca furada verde e amarela? Profissionais em quê? É. Aguardemos os próximos episódios dessa tragicomédia que não para de nos surpreender.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

RESPEITO

Por Dartagnan da Silva Zanela

Quem não sabe qual é a diferença
Que há entre a devida reverência
E um escarnio pomposo e inconveniente
Não sabe o que é agir com deferência
Por não saber apartar o medíocre
De tudo aquilo que é bom,
Verdadeiro e excelente.

sábado, 12 de maio de 2018

ORAÇÃO FÚNEBRE À JOÃO MATHEUS SOARES

OSS. TODOS NÓS, QUE AQUI ESTAMOS, conhecíamos o João Matheus. Todos, que aqui estão, eram amigos do filho da Claudete, companheiros do piá do professor Vando. 

Conhecíamos bem o seu bom humor, o carinho que ele tinha para com os cães, a paixão e perseverança que ele nutria pelas artes marciais, pelo jiu jitsu, e a indignação manifestada por ele frente às injustiças que aqui, em nossa terra, não são poucas, infelizmente.

Porém, poucos conheciam e compreendiam a sinceridade que pulsava em seu coração.

Um coração que procurava, silente e ardentemente, por Deus.

Sim, como ele procurava! Procurava, todavia, não lhe despertava a menor confiança os olhares dissimulados que supostamente julgavam e julgam em nome do Senhor; os lábios fingidos que diziam e dizem falar em nome do Altíssimo, pela mesma razão, o inquietavam, pela falsidade que se faziam presente nas palavras ditas sobre Cristo, mas sem Deus no coração; ele não queria acreditar que a grandeza de Deus poderia caber simplesmente dentro da pequenez e mesquinharia das escaramuças de púlpito. É. Deus é maior que tudo isso. 

Pois é. Sem conhecer, ele sabia o que o Eclesiástico nos ensina: “Aí do coração fingido, dos lábios perversos, das mãos malfazejas, ai daqueles que levam na terra uma vida de duplicidade”. (II, 14)

O nobre coração desse rapaz, que sinceramente estava procurando a Verdade – Verdade que apenas ao Pai pertence - via de maneira translúcida a hipocrisia que, como uma névoa, pairava sobre nós.

E isso o deixava inconformado. Inquieto.

Essa inquietação que ele sofria, sem o saber, é a marca característica de todos aqueles procuram Deus com fervor, como nos ensina São Paulo em sua epístola aos Filipenses.

E aí daqueles que não se inquieta, pois, como nos lembra Santo Agostinho, Deus nos fez para Ele e, por isso, o coração que o procura anda sempre inquieto enquanto não descansa Nele. Enquanto não descansa no Senhor. E, agora, o nobre coração desse lutador está em paz. O João Matheus descansa no Senhor.

Santo Agostinho, o filho de Santa Mônica, certa feita havia composto uma belíssima prece para ser rezada em momentos como esse. Uma prece para rezarmos e meditarmos em todos os dias de nossa vida.

“A morte não é nada./Eu somente passei para o outro lado do Caminho./Eu sou eu, vocês são vocês./O que eu era para vocês, eu continuarei sendo./Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram./Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador./Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos./Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim./Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo./Sem nenhum traço de sombra ou tristeza./A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado./Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?/Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho…/Vocês que aí ficam, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi”.

É. Hoje, nesse momento os tatames desse mundo estão em silêncio. Eles perderam um de seus mais valorosos lutadores que, agora, está no Dojô celeste a encantar as hierarquias beatíficas com sua arte em uma série infindável de ippons.

Oss.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

DOIS PONTOS ESQUECIDOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

Há duas sentenças de Nosso Senhor Jesus Cristo que, infelizmente, não costumamos meditar com a devida atenção. 

Sentenças essas que, pessoalmente, considero capitais.

Esquecemo-nos, frequentemente, que o Verbo divino encarnado nos disse que nos enviaria como cordeiros em meio a lobos (Matheus X, 16). Lembram-se disso? Pois é.

Ele também nos disse que o nosso sim deveria ser sim e que, o nosso não, apenas um não e ponto (Matheus V, 37). 

Seja como for, pergunto, todo dia, aos meus alfarrábios: será que nós, Cristãos, de um modo geral, meditamos de modo apropriado a respeito dessas palavras? Será? Creio que não. Realmente, creio que não.

Se o fizéssemos não estaríamos esperando aplausos do mundo, como frequentemente fazemos.

Se estivéssemos atentos aos conselhos do Senhor, não ficaríamos cheios de “não me toque” para dizer pequenas verdades que provavelmente iriam agravar as grandes mentiras celebras em nosso tempo.

Enfim, por não estarmos atentos a esses ensinamentos, acabamos não mais tendo o salutar temor de Deus para ficarmos nos cagando de medo da desaprovação do mundo.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

SIMPLÓRIOS CONSELHOS DUM SIMPRÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela

O sonho de todo vagabundo
Sempre foi fazer-se na vida
Sem esforço...num minuto.

(ii)
A sorte é sempre mais amiga
Daqueles que nela não se fiam
Por não temerem suor nem fadiga.

(iii)
Gostar de ler é fácil.
Difícil mesmo é saber
Ler de fato e por hábito.

(iv)
O monge se faz no hábito.
Quanto ao canalha sem trato
Esse se faz torno e sem rastro.

(v)
Atualidade não é uma novidade.
É aquilo que ainda hoje atua
No mundo e em nossa personalidade.

EU HEIN! TÔ FORA

Por Dartagnan da Silva Zanela

MUITA COISA ESTRANHA deve ocorrer Nos bastidores do mundinho político brasileiro que a gente nem é capaz de imaginar. Muita...

Dias atrás uma mui filosófica filosofa havia dito que o Lula seria o crush da mulherada desse triste país. Perguntei pra várias senhoras e senhoritas e, invariavelmente ouvi um “credo” como resposta.

Creio que a dama filosofante estava tiburciamente imaginando que todas pensam, e sentem, a vida como ela.

Motivado por esse sensual anúncio dialético delirante, lembrei-me que, não faz muito, o ex-ministro da educação, Fernando Haddad, havia declarado numa manifestação pró-molusco que ele, o Lula, seria o tesão do Brasil e que, inclusive, o viagra deveria deixar de ser azul para ser vermelho para, desse modo, render-lhe uma singela homenagem.

Pois é. E depois o louco sou eu.

Loucuras à parte, fico cá com os maus alfarrábios a matutar: o que será que orientava esse senhor quando estava a frente do ministério da ensinação. O que?

Será que tais orientações íntimas podem nos auxiliar a compreender a danação da educação brasileira? Não sei. Aliás, quem sabe?

E tem outra: o que será que passa pelo cocuruto da distinta filosofa? Da filosofa que diz saber como conversar com um fascista, mas, como todos sabem, ela não sabe como prosear amigavelmente com um rapaz numa rateada radiofônica e, se isso já não bastasse, crê, candidamente, ser a porta-voz de todos os secretos desejos inconfessáveis do mulherio brasileiro. O que?

Eu hein! Melhor nem tentar especular muito sobre essas coisas. Vai que a gente descobre e acabe perdendo o pouquinho que resta do tal do respeito que a gente ainda tem por essa turma, não é mesmo?

Tô fora.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

UM CAIPIRA ENTRE IDEÓLOGOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

UM CRONISTA, DE BOA OU MÁ CEPA, ao seu modo, é uma espécie de alienista. Não como o Simão Bacamarte de Machado de Assis. Não. Mas espera lá que lá chegamos pra tratar desse disparate mal traçado. Por agora, tratemos doutro causo.

Tudo mundo já deve ter ouvido aquela prosa, vinda dos lábios venenosos daquela galerinha que vive no ideologizado mundo da lua, e que, por isso, com aquele ar de superioridade moral, dizem, batendo os pezinhos: “como você é tongo seu alienado! Você imagina que um único partido é o responsável por toda a corrupção do Brasil? É isso? Você acha que apenas prendendo o nosso “crush” (crush segundo a ululante filosofa) o nosso país irá se renovar e a corrupção acabar?”

Quem nunca ouviu isso, ou algo similar, que atire o primeiro rolo de papel higiênico!

Sim, tem que ter paciência, muita; mas, vá lá, convenhamos que apesar de tudo, isso tudo é divertido pra caramba. E te digo a razão do meu desajeitado gracejo.

Em primeiríssimo lugar: não. Isso mesmo. Eu porque falo apenas em meu nome, nunca esperei que a corrupção terminasse com a queda do PT. Aliás, nem espero que ela finde um dia em nosso triste país.

Parêntese. Cá entre nós: esse negócio de supostamente falar em nome de categorias e minorias é muito, muito... cê sabe o quê. Fecha o parêntese.

Espero outras coisas. Entre elas, que a dita cuja seja combatida ferozmente, mas não isso, que ela finde numa hecatombe armagedônica, pois sei de que matéria é feita a política e qual é o tom que rege esse tosco baile de máscaras.

Sim, já sei: sou um cínico (adivinhão). Aliás, nunca escondi isso de ninguém. Todavia, em meu cinismo sem cura, me permitam lembrar um trem que, pessoalmente, considero tão cômico quanto relevante pra matutarmos um pouco a respeito desse causo enjoado.

Toda vez que vejo alguém vindo pro meu lado com essa lengalenga de “górpi”, mais do que depressa, vem à minha memória – e, quando vem, rio - o fato de que quem esperava que a corrupção fosse varrida do mapa com a ascensão de um partido ao poder não era o tongo alienado que agora vos escreve não. Até parece que foi ontem que a esperança venceu o medo e se enforcou num pé de cebola.

E tem mais: quem imagina que apenas uma única pessoa seria capaz de varrer o atraso de nosso país não sou eu não.

E tem outra: quem acredita, com os dois pés juntos, que apenas um partido se importa realmente com o tal do povo, mais uma vez, com o perdão da obviedade, não sou euzinho não.

Sim, após dizer essas tonguices, é claro que poderá vir, bem rapidinho, aquela chusma rubra militante pra dizer que esse caipora escrevinhante é um fascista e blábláblá.

Cansa ouvir isso, mas, confesso, mais uma vez: divirto-me pacas com essa tranqueira toda. O que seria de nossa vida sem essas bobeiras ditas de modo tão criticamente crítico, não é mesmo?

Passado o momento confessional, voltemos ao correr cambaleante dessa mal ditada escrevinhada.

Vejamos: quem acredita que o Estado é a solução de todos os problemas? Quem, quem é que devota uma fé quase psicótica em torno da bandeira dum partido político? Quem é que nutre um sentimento idolátrico por uma liderança como se essa fosse uma espécie de salvador da pátria? Quem defende, com unhas e dentes, que o projeto totalitário de um partido político deve ser visto e encarado como superior aos interesses de toda uma nação? Quem chama de democracia a instrumentalização absoluta do Estado, e de seus tentáculos, para realização do projeto criminoso de poder do partido que fundou e integra o famigerado Foro de São Paulo? Pois é velhinho, mais uma vez: não sou eu não.

Tudo bem, tudo bem. Se o cara não vê nada de errado em agir assim, o que dizer? Cada qual com suas loucuragens, não é mesmo?

Porém, seria bacana, bem bacana mesmo, que o fofinho não ficasse tachando todos os que veem essas flagrantes contradições como supostos “promotores” de hipotéticos “discursos de ódio”. Não mesmo cara pálida. Não resistir ao óbvio hilariante e rir, gargalhar de maneira retumbante diante da comédia sorumbática da vida política brasileira não é discurso de ódio não. É só uma forma espirituosa de piedade para com a tolice ideológica alheia.

E quanto ao alienista? Bem, isso é causo pra outra rodada de mate. Já é hora dum abençoado café.

Fim.

domingo, 6 de maio de 2018

[podcast] DEUS É AMOR... O RESTO É PAPO FURADO

SER CAIPIRA POR OPÇÃO E CONVICÇÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela

ESTOU MUITÍSSIMO DISTANTE de ser um otimista. Mas também, não sou um cabra que esteja próximo do que se caracterizaria como um caipora pessimista. 

Sou apenas um caipira e, enquanto tal, sou desconfiado. Desconfiado de tudo. De tudo, de todos e, principalmente, de mim mesmo.

Aliás, somente os idiotas, urbanizados ou do mato, não desconfiam de suas supostas boníssimas intenções.

É claro que sempre há, aqui e acolá, aquelas alminhas críticas, mui críticas, excrementícias, de corpo e alma, de tão críticas que são, que não conseguem compreender a simploriedade dum capiau escrevinhante que, com suas notas e rabiscos, mais ou menos cáusticos, tenta dar um testemunho sincero daquilo que vê.

Por isso, pra resumir o entrevero, saibam que ser caipira é ser, fundamentalmente, um cético.

Isso mesmo. Cético. Cético frente a todas as frescuragens ideológicas, descrente de todos os salamaleques acadêmicos e, obviamente, incrédulo frente a todo e qualquer rapapé político.

E é isso, só isso e nada mais.

Pausa para o café porque, ser cético, não é sinônimo de ser um sujeito de ferro.

sábado, 5 de maio de 2018

A PERSPECTIVA DO VALOR

Por Dartagnan da Silva Zanela

EM QUE MEDIDA FAZER OU viver algo vale realmente a pena? Eis aí uma pergunta tão simples quanto cabeluda.

Bem, tudo vale, da mesma forma que nada tem importância alguma. Tudo depende da grandeza de nossa alma, como nos ensina o poeta portuga. Tudo.

Tudo tem profundidade e importância se pensamos, fazemos e vivemos algo sem perder de vista que somos uma alma imortal.  Se estamos cientes de que tudo aquilo que aqui vivemos ecoa na eternidade, toda e qualquer coisa revelar-se-á uma joia preciosa em nossa existência.

Agora, se vivemos, fazemos e pensamos qualquer coisinha tendo em vista apenas e exclusivamente a efemeridade do momento e de nossos desejos, como se fôssemos tão somente um reles aglomerado de moléculas que, casualmente, tornou-se consciente de sua existência, de fato, nada, realmente nada, terá algum valor.

Talvez, por essa razão, que quase tudo o que é ensinado nos dias de hoje como sendo algo supostamente importante acaba tendo um valor tão duvidoso.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O GRITO SILENCIOSO

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Hoje em dia o maior destruidor da paz é o aborto.”
(Santa Madre Teresa de Calcutá)


QUAL É A EXPLICAÇÃO, QUAL é a justificativa que um douto togado, ou um “especialista” diplomado qualquer, pode apresentar para negar o direito à vida para um inocente que cometeu o hediondo, o terrível crime de ter nascido com uma enfermidade? Qual? Que o infante deve ser morto, à míngua, para atender “o melhor interesse da criança”. Isso mesmo. Para atender o melhor interesse do pequenino. Isso foi alegado por doutos togados ingleses para justificar o desligamento dos aparelhos do garotinho Alfie Evans.

Não apenas isso. Foi-lhe negado a possibilidade de transferência de hospital – de um hospital inglês para um Italiano, onde receberia a atenção médica que estava sendo-lhe negada. Mas lembrem-se: isso não foi um assassinato. Não foi infanticídio. Tudo isso foi feito tendo em vista o “melhor interesse da criança”.

Quem ouve essa gente falando essas palavras doces, com aquele enjoativo tom untuoso, tem a impressão de que eles estão realizando uma prática profundamente humanitária, libertando uma alma sofredora dum corpo atormentado.

Pois é. O amigo leitor talvez não saiba, mas, essa era a justificativa que os Nacional-Socialistas apresentavam para o extermínio de pessoas portadoras de deficiências. De pessoas com necessidades especiais. Que coisa hein?

Por baixo de todas essas firulas judiciais, o que se está apresentando, gradativamente, é uma nova tendência que poderá ser adotada em todo mundo. Uma forma sorrateira e cínica de legitimar o infanticídio.

Não me espantará se, dentro em pouco, começarmos a ler e a ver membros da camarilha intelectual tupiniquim defendendo isso como se tal procedimento fosse um progresso do direito, como se fosse um novíssimo “direito reprodutivo”.

Absurdo ululante de minha parte? Ora, então vejamos: você imaginava que um dia o direito à vida seria tão cínica e friamente negado a um ser humano como foi negado no caso do garoto Alfie Evans? Imaginava? Pois é. Mas algo me dizia que, cedo ou tarde, isso iria ocorrer.

A sanha pela legalização do aborto já é, em si, uma forma nada sutil de relativizar o direito à vida; relativização essa cuja consequência lógica, praticamente inevitável, é a possibilidade do infanticídio (que, diga-se de passagem, é praticado em algumas tribos indígenas em nosso país, como todos sabem).

Sim, o assassinato silente de inocentes no ventre materno, sem direito a defesa ou recurso, já é considerado por seus apologistas como sendo um tipo de direito fundamental. Ou seja: o direito à vida dum indivíduo é relativizado para que a vontade doutros possa ser realizada e, desse modo, o Estado possa ser o senhor absoluto e total da vida e da morte.

Em favor disso, há quem diga que a vida não inicia na fecundação, que não dá para afirmar categoricamente que um feto seja um ser humano. Inclusive existe quem defenda isso citando Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, sem indicar claramente onde os santos doutores supostamente apresentaram tais argumentos favoráveis à cultura da morte (e olha que conheço razoavelmente bem a obra de ambos e nunca encontrei tais absurdidades).

Independente disso, podemos levantar dois pontos sobre esse conto mal contado. Um: quando um óvulo é fecundado nós já temos um ser humano, pleno, em potência. Isso mesmo. Da fecundação humana o único resultado possível é um ser humano, jamais um minotauro ou um rinoceronte.

Ah! Mas o Ministro Barroso afirma que o ser humano apenas é humano se tiver atividade cerebral, porém, ouso afirmar que o humano é bem mais complexo do que a capacidade cerebrina do ilustre ministro seria capaz de abarcar. Bem mais.

Dois: vamos supor, apenas supor, que nós não tenhamos como afirmar categoricamente que o feto seja um ser humano. Que concordemos que a discussão fique meio a meio. Bem, mesmo assim, não poderíamos executá-lo, pois há 50% de chance de estarmos cometendo um assassinato.

Doravante, alguns podem dizer que o corpo é da mãe e que ela é quem dita as regras. Sim. Todos já ouvimos isso. Até as revistinhas da Turma da Mônica trazem esse dito. Todavia, o feto não é corpo da mãe. Ele apenas está no corpo da mãe. Há uma grande diferença em ser parte de algo e estar em algo. Sim, mas tem gente que não entende isso nem desenhando, não é mesmo?

Outros podem dizer que se um pequenino, que possa nascer com alguma deficiência, ou que seus genitores não possam dar-lhe tudo o que ele precise, ou que tenha qualquer forma de impedimento que possa tornar sua vida muito difícil, assassiná-lo no ventre materno seria uma forma humana de evitar seus possíveis problemas. Abortá-lo seria uma forma de evitar sofrimentos desnecessários. Infelizmente, já ouvi muitas vezes esse blábláblá sinistro.

Bem, diante de tão sebosa justificativa, poderíamos apontar inúmeras considerações, porém, iremos nos restringir a apenas duas.

Primeira: toda pessoa que defende esse tipo de monstruosidade esquece-se que o sofrimento não é algo acessório à vida humana que, casualmente, passa a fazer parte dela. Pelo contrário. O sofrimento, gostemos ou não disso, é um traço característico da vida nos graus mais variados. A dor faz parte da vida e, necessariamente, ela é parte integrante do amor, como nos ensina Santa Madre Teresa de Calcutá e São João da Cruz. Porém, todavia e entretanto, como a mentalidade dos esclarecidos do mundo contemporâneo é tomada por um hedonismo rasteiro, eles se veem impedidos de compreender essa obviedade flagrante por não mais saberem o que é viver e muito menos o que significa amar.

Para e pense: quem nunca sofreu na vida? Quem nunca foi causa ou motivo do sofrimento de terceiros? Quem nunca fez as pessoas que ama chorar? Pois é. Mas, cá estamos, vivos e corados, vivendo nossas vidas, faceiros, com seus trancos, barrancos e entreveros e também com inumeráveis contentamentos, alegrando outros e fazendo muitíssimas pessoas que amamos, uma vez ou outra, sorrirem. Mas, do ponto de vista de alguns, certas pessoas devem ser “poupadas” disso tudo.

A própria Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood (a maior rede de clínicas de aborto dos EUA) era a sexta de onze filhos de uma família operária de origem irlandesa. Com certeza a sua infância não foi das mais fáceis, mas, mesmo assim, ela viveu e cresceu para defender que outras crianças não possam viver o que ela viveu. Já pensou se os pais dela pensassem como ela? Pois é, melhor não pensar nisso não senão, bem provavelmente, aparecerá um caipora politicamente correto pra nos acusar de discurso de ódio.

E tem outra coisa: todas as pessoas que defendem essa tranqueira – feliz ou infelizmente, não sei dizer – não puderam usufruir do direito fundamental que elas advogam para terceiros e, bem provavelmente, nunca procuraram reivindicar o seu usufruto retroativo dele, não é mesmo? Fazer o quê? Coisas do bom mocismo hipócrita nosso de cada dia, onde aborto nos olhos dos outros é direito, no deles, é odiosa agressão.

Segundo ponto: no caso específico dos portadores de deficiência. Tal prática nada mais é do que um genocídio puro e simples. Genocídio disfarçado com mil e um malabarismos jurídicos, retóricos e filosóficos, mas, ainda assim, um genocídio que já é oficialmente praticado em países como a Islândia onde 100% dos bebês que são diagnosticados como portadores da síndrome de down são executados no ventre da mãe. Mas lembre-se, sempre, que tudo isso é feito em nome do “maior interesse da criança”. Sempre.

Tal monstruosidade já foi e é combatida por muitos, mas, nada foi tão contundente quanto o discurso proferido no Senado Americano pelo escritor Frank Stephens, portador da referida síndrome, onde o mesmo deu o devido nome aos bois.

Stephens lembrou, em sua preleção, que aborto, antecipação terapêutica do parto, são eufemismos para “solução final” aplicada contra pessoas como ele.

Aliás, ele, em sua fala, nos lembra do óbvio ululante: “eu não precisaria justificar a minha existência”. É. Ninguém deveria ter que justificar a sua existência. Ninguém. Porém, há inúmeras almas sebosas que acreditam que, em nome dum suposto e sinistro bem maior, podem dizer quem merece ou não ter direito à vida.

Por isso, lembremos e jamais esqueçamos: todas as grandes tragédias perpetradas na modernidade foram realizadas em nome de supostos ideias e utopias. Todas. Hitler, Stalin, Mao, Pol Pot, Che Guevara e tutti quanti acreditavam que estavam construindo um mundo melhor e vejam só com que pútridos frutos eles brindaram a humanidade.

Aliás, Margaret Sanger, a fundadora da maior rede de abortos dos EUA, defendia absurdidades como a eugenia, a restrição aos casamentos, esterilização, a eliminação de determinados grupos de indivíduos portadores de genes e características, segundo ela, “indesejáveis”, a fim de, é claro, “melhorar o ser humano”.

Pois é. Por essas e outras que tenho pavor de qualquer um que pretenda melhorar o ser humano.

Sim, é claro que haverá aqueles que irão dizer, com todo aquele lindo e fofo ódio do bem, que eu escrevinho essas coisas porque sou homem, branco, heterossexual, católico e blábláblá. Não. Nada disso. Escrevinho isso porque estou vivo e não quero negar esse direito a ninguém. Só por isso.

Parêntese: uma coisa que me parece extremamente esquisita é que as mesmas pessoas que advogam em favor da execução dum infante são justamente as pessoas que se colocam contra o uso duma palmada como ULTIMA RATIO na educação duma criança. No entendimento dessas alminhas, um tapinha na bunda é algo brutal, mas matar um bebê não. Essas mesmas alminhas, também, colocam-se furiosamente contra a pena de morte para assassinos notórios, mas defendem o assassinato de alguém que, literalmente, não fez mal a ninguém. Estranho, não é mesmo? Fecha parêntese.

E tem outra: uma coisa que aqueles que são favoráveis ao homicídio de inocentes no ventre materno nunca falam são os inúmeros problemas e doenças que podem ser ocasionados por um aborto, que vão desde o câncer de mama, passando por problemas uterinos, psicológicos e, em alguns casos, chegando ao suicídio (mulheres que abortam são seis vezes mais propensas a atentar contra a própria vida). Mas, é claro que tudo isso é ignorado tendo em vista o “melhor interesse da criança e da mulher”.

Por essas e outras que Santa Madre Teresa de Calcutá dizia que “um país que aceita o aborto não está a ensinar os seus cidadãos a amar, mas a usar a violência para obterem o que querem. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza.”

Pra terminar, lembro-me aqui duma história que a muito me foi contada. Um rapaz, junto com sua namorada, havia praticado um aborto na juventude e, num determinado momento da maturidade, com o coração apertado, esse me disse que toda vez que via um rapaz andando pelas ruas, dizia para si, no silêncio de sua alma: meu filho poderia estar com a idade desse moço, com a desenvoltura dele. Poderia ter tido e dado todos os problemas que esse moço possivelmente viveu ou causou, poderia ter vivido e proporcionado todas as alegrias que esse rapaz provavelmente viveu e deu para sua mãe e para seu pai. Pois é. Poderia.

Poderia, mas, agora, o que resta é apenas um grande silêncio…

É isso. Hora do café.

FASCISMO SEGUNDO OS FASCISTAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

SEGUNDO MÁRCIA TIBURI, TODOS as pessoas que querem que Lula fique em cana tem problemas de ordem sexual porque, segunda a mesma, isso seria algo típico da mentalidade autoritária fascista. Sei.

Ainda, segundo a mesma... filosofa, toda mulher quer casar com Lula, que ele seria um docinho e blábláblá, porque isso seria, imagino, segundo a mesma, um comportamento democraticamente aceitável. Estou sabendo.

Enfim, vejam só como as coisas são gozadas (sem malícia). Essa gente democrática idolatra ícones de barro, como Lula, nutre fantasias mil com o cabra, acreditam estar, supostamente, sempre falando em nome de todos e aí os fascistas são todos os outros que ousam não cultivar os mesmos delírios deles.

Pois é, agora está claro. Muitíssimo. O fascista sou eu. A filosofa e os seus delirantes companheiros é que são o suprassumo da democracia.

NOTINHAS CÁUSTICAS


Por Dartagnan da Silva Zanela

FAKE NEWS, TERMO CUNHADO por Donald Trump contra a CNN na última eleição americana, seria simplesmente a grande mídia - como a rede globo e tutti quanti aqui em Pindorama.

Fake News não são, como se tem sido dito por aí, aos quatro ventos pela grande mídia, as notícias que circulam pela internet e redes sociais que ousam desmentir a dita cuja todo santo dia.

Mudando de saco pra mala...

O TREM QUE MAIS IRRITA o povinho criticamente crítico é ver alguém que ouse demonstrar - ou que queira lembrar - que eles, os cidadãos críticos, são sistematicamente feitos de otários na mesma medida e proporção que acreditam estar agindo de maneira criticamente consciente. É... é isso aí.

Saindo o eito pra tomar outro rumo sem perder o prumo...

EM TERMOS POLÍTICOS, ÉTICOS e econômicos, a prática corrupta mais danosa que há é a caiporenta da inflação.

Se não entendemos a razão dessa afirmação é porque, simplesmente, não entendemos patavina alguma de economia, quase nada sobre a tal da política e, por isso mesmo, no frigir dos ovos, a dita cuja da ética, por mais que seja dita e repetida por nossos lábios, acaba sendo apenas uma palavravinha oca e vazia pra melhor disfarçar nossa palpiteira canalhice cívica.

Follow by Email