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Mostrando postagens de Novembro, 2017

NOTAS E RABISCOS NADA LITERÁRIOS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(a) OS ANSEIOS DA BRASILIDADE NÃO são compatíveis com a vontade que manifestamos para torná-los reais. Desejamos mundos e fundos, queremos que o Brasil seja a tal da mãe gentil, mas, praticamente ninguém, quer ser o filho que acolhe e defende com e por amor a mãe que está em apuros.
(b) ANTES DE DISCUTIRMOS O FUTURO político de nosso triste país é imprescindível que conheçamos, desnudos de toda e qualquer paixão ideológica, os caminhos e descaminhos que foram trilhados até o presente momento, por todos os partidos e seus respectivos caiporas que os integram, para vermos o quão profunda é a conexão que há entre todos os biltres que instrumentalizaram, em nome dos mais variados fins, toda a pachorra Estatal e, consequentemente, acabaram por avacalhar com toda a sociedade brasileira. Ah! É claro. Não nos esqueçamos de fazer o mesmo com as decisões imprudentes que foram adotadas por todos os indivíduos, inclusive e principalmente, refletirmos sobre as decisõe…

OLHARES PERDIDOS EM UMA SALA VAZIA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Uma das coisas que mais me encanta em uma sala de aula, mesmo depois de duas décadas lavorando em suas cercanias, é a variedade de olhares que dão forma e brilho a paisagem desses ambientes, fechados para o mundo presente e imediatista e que, na medida de seus limites, possibilita a abertura das almas infantes para inúmeros outros mundos que se fazem luzir em seus olhares miúdos.
Vendo-os, fico a imaginar o que está se passando por aquelas cabecinhas que, caprichosas, ficam a fintar com seus olhinhos para a movimentação que toma conta, algumas vezes, dos corredores ou do pátio. Noutras vezes procuro, de modo quase que paterno, tentar ler os anseios, angustias e aflições que estão presentes nas profundas águas dessas alminhas e que se fazem refletir em seus cândidos zoínhos.
Dessa multidão de janelinhas da alma, naturalmente, há algumas que, à sua maneira, marcaram mais profundamente o meu espírito do que outros, devido à singularidade de sua expressão e …

GASTRIMARGIA E OUTROS BICHOS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) ESTAVA CÁ COM MEUS ALFARRÁBIOS a matutar: o que será que mulheres da envergadura intelectual duma Edith Stein, ou duma Simone Weil, diriam a respeito do feminismo contemporâneo, de um modo geral, e de figuras como Judith Butler, de modo particular. O que será? Não sei não, mas, algo me diz que o dito seria muito, muitíssimo interessante e que elas, as engajadas e empoderadas hodiernas, possivelmente, num primeiro momento, não iriam se sentir muito confortáveis com a possível preleção. Por isso, penso eu, que a leitura das obras dessas senhoras, necessariamente, deveriam ser lidas e levadas em consideração, obras essas que, por sua deixa, são sumamente ignoradas por essa época que, por meio de inúmeros organismos e entidades internacionais, não mede esforços para advogar em favor da tal ideologia de gênero, como se essa fosse uma espécie de verdade ocultada por milênios e que, agora, somente agora, foi revelada profeticamente pela soberba e iluminada…

O RISO É A MELHOR ARMA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) O SILÊNCIO QUE INVADE NOSSA ALMA numa noite solitária tem lá o seu charme, pouco importando qual seja a estação do ano em que nos encontramos com ele. E seu charme permanece a coroar-nos até o momento em que a silente soledade é quebrada, sem a menor cerimônia, por uma companhia – por uma má companhia – tão inesperada quanto indesejada, com sua luminosidade eletrônica manifesta através do brilho duma tela fria, sem vida, com seus inconvenientes sinais sonoros que tem o claro intento de nos inebriar com suas efêmeras ilusões digitais.
(ii) QUANDO SE AFIRMA QUE O TRABALHO FILOSÓFICO de Judith Butler é um trem lindo de doer é porque se tem uma noção muito caipora do que seja o tal do filosofar, e do que seja a dita cuja da filosofia, ou porque se possui uma desconjuntada compreensão do que seja a tal da boniteza. Das duas, uma. Ou as duas.
(iii) A GRANDEZA QUE PODERÁ COROAR o amanhã pode muito bem ser parida pelos erros de ontem. Tudo depende do que nós es…

NÃO SOU BOM COM NOMES

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
PROCURO ESFORÇAR-ME PARA SER UM HOMEM DE FÉ, temente a Deus, confessando a religião que herdei de meus pais, cônscio das limitações inerentes a mim e dos limites que constituem minha herança.
Sei que sou um ser restrito. Sei que que o acumulo de experiências humanas no intento de se reencontrar com Deus tem seus contornos. Sei também que o poder e o amor infinito do Divino não cabem, de jeito algum, em nossa limitadíssima capacidade de compreensão, como também não cabem dentro das fronteiras da criação; por isso, procuro não me esquecer que minha fé, e a religião que herdei, não abarcam a totalidade da realidade e, muito menos, que elas não podem tomar o lugar do fundamento último desta, que é Deus.
Por essas e outras que rio, rio muito e por misericórdia, da tigrada que diz, com a boca cheia de não sei o que, que apenas acredita nisso ou naquilo porque seja suposta e cientificamente provado, ou comprovado, ou demonstrado, ou que tenha remotas evidências…

ATÉ A ÚLTIMA GOTA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) VOU TE DIZER UMA COISA: amor não é uma cocegazinha que dá na barriga, nem um friozinho que sobe pela espinha. O nome disso é queredeira. Não amor.
Amor é a disposição graciosa de sacrificar-se abnegadamente pelo bem amado. Confundir isso com excitação é perversão mundana.
E te digo mais uma: por essas e outras que o amar é tão mal compreendido hoje em dia. Ele foi mutilado pela mentalidade hedonista moderna que doentiamente imagina que o saciar de todos os nossos desejos e apetites seja algo equivalente ao sublime dom.
Enfim, resumindo o entrevero: o sexo faz parte do amor, porém está muitíssimo longe de poder sê-lo em sua totalidade.
Se bobear, até os cães sabem disso, menos a humanidade do terceiro milênio.
(ii) UMA COISA É AMAR ALGO E, COM humildade e dedicação, procurar reforma-lo na medida de nossas limitações e nos limites da coisa amada, para não acabar deformando-a. Outra, bem diferente, é ansiar por reduzir a coisa amada a imagem e semelhança de…

O ROSTO REFLETIDO NO ESPELHO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) QUANDO MOLEQUE, SEMPRE QUE eu via na escola o mapa mundi, imaginava que metade do globo terrestre era ainda desconhecido, haja vista que, para mim, apenas metade do globo teria sido mapeado, e que, um dia, eu poderia explorá-lo e, quem sabe, descobrir novas terras e novos mundos.
Minha imaginação procedia de modo similar quando via o mapa do Brasil ou do Estado do Paraná. Imaginava, na inocência de minha meninice, que um município era apenas o pontinho que representava a cidade e que, todo o restante da área multicolor do mapa representava áreas ainda inexploradas que estavam apenas esperando pela ousadia dum Darta veio da vida.
Enfim, confusões cognitivas da tenra infância que, ao seu modo, até hoje me ensinam uma preciosa e imorredoura lição que me vacinou contra as tentações ideológicas e delírios utópicos que tão facilmente pervertem o velho e bom senso das proporções.
Lembro-me sempre, quando rememoro essa doce lembrança de meus idos pueris, que a…

APENAS UMA ÂNFORA QUEBRADA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) AMIGOS SÃO AQUELAS PESSOAS QUE riem-se umas das outras, sem a menor cerimônia, porque se amam. E se amam não por causa de suas possíveis virtudes, mas sim, apesar de seus inumeráveis defeitos. Qualquer um que não compreenda isso, provavelmente, nunca teve um amigo de verdade e não sabe sê-lo verdadeiramente.
(ii) NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM EM DEFENDER uma causa política, como não há entrevero nenhum em filiar-se a um partido e, muito menos, em advogar a favor de uma ideologia política. Não mesmo.
Aliás, qualquer pessoa minimamente razoável sabe muito bem disso.
O grandessíssimo problema reside no fato de que, em muitíssimos casos, o sujeito que advoga em favor de uma causa, que adere a um partido e que defende com unhas e dentes uma ideologia, acaba colocando essas coisinhas acima da verdade, no lugar da realidade e num lugarzinho muito além do bem e do mal.
Aí, meu amigo, idiotia pouca é bobagem e, qualquer um com um mínimo de bom senso, percebe isso de long…

TODO DIA É DIA DE CRISTO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Desde longa data, um dos traços característicos da brasilidade é a mimetização de tudo o que vem de fora. Não que a imitação seja algo ruim. Não mesmo. O probleminha aqui, com esse quesito, é que temos por hábito imitar tudo o que não presta, haja vista o péssimo costume que temos de considerar bonito ser feio.
Porém, não escrevinho essas linhas para apontar esse óbvio ululante. Escrevo-as para indicar um sinal jubiloso de mudança dessa mentalidade.
Nessa semana, a Escola Municipal Monteiro Lobato, onde meu filho mais velho estudou e que, agora, minha filhota estuda, promoveu uma palestra com os infantes sobre o dito cujo “dia das bruxas”, instruindo-as para não celebrá-lo, haja vista que virou modinha a macaqueação desse folguedo popular estrangeiro aqui nessas plagas verde-amarela.
Bem, quando vi minha pequenina, com seu semblante serenamente iluminado, falando-me das inúmeras razões pelas quais não seria conveniente, nem desejável, comemorar a referida…

NADANDO CONTRA A MARÉ

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) ANTES, MUITO ANTES DE USARMOS UM argumento que imaginamos ser fundamentado historicamente é importantíssimo que estudemos a dita cuja da história para sabermos, de fato, se o que estaremos dizendo sobre isso ou aquilo realmente tem o requerido fundamento nas envelhecidas e amarelada páginas da mestra da vida.
(ii) O ESTUDO É UM ATO SIMILAR A PRÁTICA de uma oração. É um ato de doação, de entrega do nosso tempo, de oferta de nossa vontade e atenção, de ordenação das intenções e inclinações de nossa alma. Quanto maior for a entrega, maior será o nosso crescimento. Melhor será a colheita. Quanto menor for a oferta, maior será o desperdício de tempo, energia e talento.
(iii) TUDO AQUILO QUE DIZEMOS E QUE, de antemão, não exigiu de nós um mínimo de esforço, de reflexão e estudo, pode até ser bonitinho e ter toda a nossa afeição, mas, gostemos ou não, esses ditos continuarão a ter um valor equivalente ao estudo e reflexão que não foram realizamos de antemão pa…