Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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QUEM GOSTA DE LIXO É INTELECTUAL



Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
ESQUISITICES ENGAJADAS - O caboclo que diz ter uma consciência crítica, que afirma ser o detentor de uma opinião crítica e que, por isso, declara ser uma pessoa criticamente crítica, não quer dizer que ele tenha uma compreensão mais profunda da realidade ou que ele seja mais sabido que a média geral da população. Nada disso. Ele é apenas um sujeito carente de atenção, com uma imaginação distorcida, que se apega mortalmente a qualquer esquisitice para, escandalosamente, tentar tornar-se o centro das atenções e poder, desse modo, encontrar-se com outros esquisitões como ele para não ter que se sentir diminuído em sua nulidade existencial criticamente crítica.

(ii)
UMA SALVA DE PALMAS - Para muitas almas sebosas, se um cretino, com toda aquela afetação intelectual típica das criaturinhas críticas, soltar um peito, para elas isso será tido na conta de uma eloquente obra arte. Obra digna de aplausos e de financiamento estatal. E aí de quem ousar dizer o contrário. Quer dizer: aí de quem tiver a petulância de dizer o óbvio ululante.

(iii)
TIC-TAC - A cada dia que passa, mais e mais evidente fica, para todos aqueles que não tem ramelas ideológicas nos olhos, de que matéria é feita a moral daquele trem fuçado que era ufanado por muitos como sendo o impoluto partido da ética.

(vi)
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: durante os anos vermelhinhos tivemos cinquenta milhões retirados da pobreza ou da pobreza foram tirados R$ 50.000.000.000,00? É. Imagino que a cifra seja bem maior que isso. Bem maior.

(v)
O DISCURSO VITIMISTA é mais ou menos assim: o caboclo fica revoltadinho porque ninguém fez por ele o que ele deveria ter feito por si.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

AS BOTAS DE CABRAL




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
CONFUSÃO TOTAL - Na sociedade atual muitas pessoas, muitas mesmo, se encontram num lamentável estado de desordem espiritual e, assim estão, por terem caído no malicioso canto das sereias cínicas e levianas de hálito politicamente corretas e, por isso, acabam facilmente confundindo o que é certo com aquilo que aparentemente lhes convém e, tal situação, é tão triste para os indivíduos, em particular, quando danosa para a sociedade, dum modo geral.

(ii)
RIDICULAMENTE NADA ORIGINAL - O carniça que diz, com aquela voz mansinha e disfarçada, que tudo é relativo e que, por isso, teria o mesmo valor, normalmente é o mesmo filho duma égua que histérica e violentamente afirma que o seu modo de ver o mundo é o único bonzinho que existe e que estaria totalmente liberto daquilo que eles raivosamente chamam de preconceitos e de discurso de ódio. Aí que ódio.

(iii)
NOVOS DEUSES - Os homens modernosos, com seus espelhinhos digitais sempre à mão, soberbamente abandonaram o devido culto a Deus para se agarrar tolamente aos ídolos do momento.

(iv)
QUE DÓ DA FORMIGUINHA - Chega quase dar dó imaginar os sectários da seita Lulista dos últimos dias lendo, agoniados, a cartinha do Palocci, enquanto seu castelo de cartas pútridas cai todinho no chão.

(v)
A VERGONHA DE DA VINCI - Tá virando rotina, na sociedade atual, termo de nos deparar com mostras fecais de depravados que apresentam-se como se fossem artistas. Pior! Se alguém ousa simplesmente dizer o óbvio, de que a sua suposta arte não passa duma depravação asquerosa, de uma devassidão não somente ética e moral, mas também e principalmente estética e conceitual, mais do que depressa aparece dos esgotos uma outra horda de depravados, progressista e revolucionários, para advogar em favor da destruição de todo senso de razoabilidade que é promovido por essas tranqueiras artísticas. E não apenas isso! Essas alminhas sebosas, todas enfezadinhas, vêm com aquele papo de sonso indignado dizendo que estão querendo cercear a liberdade de expressão dos supostos artistas e blábláblá. Ora bolas e carambola! Quer saber? Vão todos catar coquinho! Vão obrar no mato e se limpar com urtiga e apresentem o resultado disso como uma performance transversal da agonizante estultice diplomada contemporânea. Tal performance não será bonita. Não mesmo. Mas, ao menos, quem sabe, será engraçada.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

LÂMINA AFIADA, BARBA MAL FEITA




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Todo aquele que se gaba de viver matando o tempo, cedo ou tarde, mas em tempo, é morto por ele.

(ii)
Deveríamos agir de modo similar aos cães, no que se refere as amizades, livros e músicas. Tal qual os caninos, deveríamos conhecê-los pelo seu cheiro, pelo odor que a alma desses exala.

(iii)
Quando, por descuido, vejo um grupinho de pessoas dançando funk, onde as raparigas flexionam os joelhos, arrebitando os glúteos, no tal do quadradinho, para que os rapazolas insinuem estar deslizando sua mão sobre a protuberância empinada, tenho a clara impressão de que as primeiras estão, eroticamente, pedindo para terem suas nádegas limpas, enquanto os segundos manifestam, alegremente, o desejo de fazê-lo com a mão desnuda, sem um pedaço sequer de papel higiênico.

(iv)
Nada mais confuso que um caipora que confunde o brilho de uma ideia com o seu conteúdo.

(v)
O tongo de carteirinha é aquele sujeito que tem sua personalidade alicerçada em uma ideologia de araque. Retire-a dele e a única coisa que restará será apenas um garotinho, ao mesmo tempo assustado e revoltado com a realidade e com ele mesmo.

(vi)
Com grande frequência os filhos da modernidade, que se creem livres e emancipados, imaginam que a aceitação de toda e qualquer vulgaridade rasteira seria sinônimo de tolerância e liberdade.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

O VELHO SERROTE DESDENTADO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Não queira ter razão nisso ou naquilo. Queira, humilde e sinceramente, conhecer a verdade.

(ii)
Trocamos, hoje em dia, os preciosos tesouros que enriquecem a nossa alma por bugigangas eletrônicas de valor duvidoso, de modo similar aos índios de antanho com seus espelhinhos.

(iii)
Não tenho nada contra que Lula tenha, aqui e acolá, pessoas que o defendam. Não mesmo. Que todo cabra defenda o que bem entender. O juízo é de cada um e a consciência também.  O que é difícil de compreender é que alguém o idolatre como se ele fosse uma espécie de deidade imaculada, sem pecado algum, como certa feita havia dito a viva alma mais honesta dessas plagas.

(iv)
Não houve uma única grande tragédia humana que não tenha sido perpetrada com boas intenções; não houve um só morticínio em massa que não tenha sido realizado em nome duma utopia; em nome dum mundo melhor.

(v)
Bom-mocismo, cedo ou tarde, sempre acaba descambando em genocídio. Cedo ou tarde.

(vi)
Nosso Senhor disse que devemos amar uns aos outros como Ele nos amou, mas Ele não disse que devemos permitir que, toda ordem de canalhas, nos façam de otários sem o menor pudor.

(vii)
O coletivismo é o último refúgio dos canalhas da mesma forma que o individualismo é o primeiro esconderijo dos covardes.

(viii)
Todo canalha politicamente engajado faz da fogueira de futricas e maledicências o tribunal de primeira e última estância de sua deformada consciência.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

ISSO, ISSO, ISSO, ISSO...




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
O passado de um homem fala muito a respeito dele. Muito. Mas muitíssimo mais que seu passado, o que ele faz com seus ditos e feitos pretéritos, conta-nos que tipo de pessoa ele pretende ser. Que tipo de pessoa ele, de fato, é.

(ii)
Hoje, mais do que nunca, devemos ter muita atenção a tudo o que nos chega através dos meios de comunicação; de todos eles, pois, no quesito informação, uma boa dose de prudência e paciência, tal qual caldo de galinha, nunca fez mal a ninguém. Nunca mesmo.

(iii)
Reencontrar velhos amigos, mesmo que o encontro seja apenas virtual, é sempre muito bom. Uma graça dos Céus.

(iv)
Todos sabemos que na fala de muitos indivíduos, de muitíssimos, há uma não tão clara intenção ideológica, mas isso, em si, não é um complicador tão grave como muitos supõe. O enrosco, em meu ver, está no fato de que, independente do odor ideologizado que está presente na boca de Sicrano ou Beltrano, existe muitas vezes uma intenção deliberada de mentir, de falsear a realidade dos fatos que é muitíssimo mais danosa que uma mera crença ideológica de araque. E, tal encrenca, não se explica simplesmente analisando os pressupostos ideológicos deste ou daquele discurso, mas sim, confrontando-se o dito, ou o escrito, com os fatos mesmos para, desse modo, nos protegermos contra as artimanhas sombrias dos mais variados e sujos jogos linguísticos que infectam a sociedade contemporânea. Porém, todavia e, entretanto, não podemos nos esquecer que nós também devemos, necessariamente, ter uma sincera intenção de conhecer a realidade e não apenas de encobrir um engodo que repugnamos com uma farsa que simpatizamos, pois, se procedermos assim, estaremos apenas trocando seis por meia-dúzia.

(v)
Quando um sujeito exige o tal do respeito já está dando claríssimos sinais de não ser digno do dito cujo; do mesmo modo, todo o cretino que se esconde nas sombras do tal foro privilegiado não é merecedor de respeito algum.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

APENAS UMA E OUTRA OBSERVAÇÃO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Em momentos tenebrosos, quando a correnteza da desesperança abala os alicerces da sociedade presente, urge que voltemos nossos olhos, com seriedade e serenidade, para o passado de nossa sociedade para resgatarmos nossa ligação com a humanidade.

(ii)
É impossível compreendermos a realidade presente sem o devido estudo da dita cuja da História. Detalhe: estudá-la para obter a tal da compreensão histórica não significa decorar criticamente um amontoado de locares comuns com alto grau de infecção ideológica. Não mesmo. Significa, sim, muito esforço intelectual e uma abertura abnegada para possíveis defrontações com inevitáveis surpresas que, em muitíssimos casos, contrariam tudo o que temos por certo. Outro detalhe: conquistar a tal compreensão em profundidade não significa que estamos autorizados a absolver os desajustes presentes. Significa apenas que teremos uma visão mais profunda e clara do tamanho do enrosco que nosso país acabou se enfiando.

(iii)
Relativizar todos os valores e bens culturais é o primeiro passo dado pelos medíocres que, por sua natureza, não medem esforços para excluir tudo aquilo que é bom, belo e verdadeiro para que, desse modo, mais facilmente possam impor o disforme, tão quisto por eles, como se fosse o novo padrão de beleza, bondade e verdade.

(iv)
Tão pérfidos e abjetos quanto os carniças que se dedicam noite e dia a disseminar futricas e calúnias levianas são os filhos duma égua que se regozijam ao lê-las e ouvi-las.

(v)
Rezemos uns pelos outros para que Deus, em sua infinita misericórdia, não nos deixe esmorecer e cair diante dos desafios e obstáculos com que nos defrontamos em nossa caminhada por esse vale de lágrimas.


(*) Professor, cronista, caipira e bebedor de café.

CHIMARREANDO SÓ



Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Em toda e qualquer multidão que paire uma névoa de unanimidade, dificilmente encontraremos algo que não seja alguma forma, refinada ou bruta, de estultice. Do mesmo modo, dificilmente encontramos algo nos grupelhos histéricos, politicamente engajamos que divergem de tudo e de todos, que se assemelhe com um mínimo de bom senso. Enfim, seja como for, é somente na solidão de nossa consciência individual que podemos dar testemunho da verdade sobre algo e, principalmente, sobre nós mesmos.

(ii)
Se um sujeito depravado diz um punhado de verdades, a imoralidade do caipora não revoga a veracidade do que fora dito por ele. Saber fazer essa sutil distinção evidencia capacidade de discernimento. Ignorá-la é prova de pura e simples leviandade.

(iii)
Fofoca é o timbre distintivo das almas levianas. Essas guardam, silentes, em seus corações, todo ódio e rancor que sentem por algo ou alguém e, quando aparece no horizonte uma centelha de maledicência, que passa a ser espalhada de modo incauto, de imediato, se agarram a ela como se tal gesto fosse uma espécie da galardão de sapiência ou, como gostam de dizer, de criticidade.

(iv)
O apelo a calúnia é a única arma daqueles que não esmeram-se em procurar a verdade.

(v)
Só pra constar: velas apagadas não chamam mariposas da mesma forma que lâmpadas queimadas regozijam-se levianamente com toda ordem de futricas.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

PONTO POR PONTO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
O homem moderno perdeu o sentido da realidade trágica do pegado e crê, que tal perda, seria uma espécie de libertação. Como consequência disso, dessa suposta libertação, é que quanto mais pálida torna-se a compreensão do pecado em nossa consciência, mais nos afundamos no lodo da degradação moral, da perversão da inteligência e da mutilação do sentido da vida. Enfim, a perda do sentido do pecado não nos faz, simplesmente, perder a fé. É pior! Ela nos faz subvertê-la.

(ii)
Como a muito nos lembra G. K. Chesterton, o problema de não crer em Deus não é que o sujeito não acredita em mais nada. A encrenca seria que ele passaria a acreditar em qualquer coisa. Tendo isso em vista e pensando no sistema educacional contemporâneo, tais palavras, ao meu ver, são providenciais, haja vista que, para muitíssimos entendidos na arte de educar, rezar um PAI NOSSO com os infantes fere a tal da laicidade do Estado, o mais frio dos monstros frios; todavia, no entender dos mesmos entendidos, deve-se, o tempo todo, falar de sexo, diversidade e de toda e qualquer esquisitice humana como se tudo isso fosse a expressão do que há de mais sublime na face da terra. Ou seja: Deus é banido do horizonte educacional atual ao mesmo tempo em que se sacraliza as partes pudendas de nossos corpos e tudo o que a criatividade humana possa fazer com elas.

(iii)
Aprendermos a perdoar é algo imprescindível para o bem de cada um de nós. Todavia, não se aprende isso e não se compreende a profundidade do perdão se não procuramos conhecer e compreender o que é sumamente imperdoável.

(iv)
É importantíssimo sermos tolerantes. É importante mesmo. Entretanto, essa palavra torna-se totalmente desprovida de sentido quanto ignoramos o fato de que existem inúmeras coisas que são fundamentalmente intoleráveis.

(v)
A tolerância não é e não deve ser tida como um valor supremo, colocado acima de tudo e de todos. Acima dela está a verdade e o amor a ela. Se desdenhamos a verdade e negamos o amor que lhe é devido, a tolerância acaba se tornando um ídolo oco e pútrido para celebrar o que há de mais torpe na alma humana.

(vi)
Em matéria de educação, na atualidade, tudo é permitido, exceto aprender a cultivar a tal da vida interior e cogitar a importância do espírito.

(vii)
Os escolásticos diziam que quanto mais o indivíduo procura conhecer, mais ele realiza o seu ser, a sua humanidade. O homem moderno não. Para esse, quanto mais ele afirma os seus mais baixos e rasteiros impulsos, mais ele imagina estar realizando a plenitude de sua humanidade.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

NEM TÃO GAUDÉRIO ASSIM


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Por mais que as mentes bem pensantes da sociedade moderna insistam nisso, penso que não podemos, jamais, nos dar o desfrute de confundir afetação, revolta barata, histerismo engajado e carência de atenção com manifestação artística.

(ii)
A partir do momento que não mais procuramos a unidade do belo, do bom e do verdadeiro isso não significou a conquista dum largo passo rumo a plenitude da liberdade. Não mesmo. O que conseguimos foi cair de boca no chão da arapuca do reino arbitrário do grotesco, do mal e da falsidade que passaram a posar como guias de consciências na sociedade contemporânea.

(iii)
Comparar os trambolhos “artísticos” da exposição galderia do Santander (e outras tantas tranqueiras similares) com as obras de Da Vinci, Caravaggio, Bernini e tutti quanti é algo tão desmedido e grotesco quanto a própria exposição em si.

(iv)
Lembrando: certos especialistas, com aquele ar de superioridade postiça e afetada, disseram que a galderia exposição artística de Porto Alegre deveria, para não chocar a sensibilidade das pessoas, ter exposto quadros de natureza morta, paisagens, retratos e não aquelas obras "ousadas" e "vanguardistas" que lá foram exibidas. Sim, boa ideia. Para os caipiras, como eu, isso - a simplicidade com sua beleza, bondade e verdade; e, para os ilustrados e esclarecidos, motinhos e montões de lixo com nomes extravagantes e assim, desse modo, cada um ficaria com a arte que melhor retrata o estado de sua alma para o bem da avacalhação geral e de toda a tal da diversidade e de sua pervertida libertinagem.



(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

COMENTÁRIOS ATIRADOS AO VENTO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Assistir ao filme O JARDIM DAS AFLIÇÕES com o meu filho Johann, não tem preço. Melhor que isso, seria somente assistir a referida película com a minha amada, com minha filha Helena e com todos os meus amigos e alunos.

(ii)
Um trem que a muito chama minha atenção é o quanto algumas pessoas, muitas pessoas mesmo, se deixam afligir por causa de questões e problemas que elas não tem, em alguns casos, meio algum para influir, e que não tem uma relação direta com elas, noutros tantos. Já os problemas e questões que, por sua deixa, tem uma relação direta com a sua existência, que elas teriam meios para poder equacioná-los duma forma razoável, são sumamente desdenhados por elas. Tal desdém por essas questões em misto com a artificiosa atenção manifesta ao conjunto de problemas que foram indicados no início dessa escrevinhada, seriam, em resumo, o conjunto estruturante da mentalidade aflitiva daqueles que se proclamam detentores duma consciência crítica, que se consideram sumamente habilitados a dar pitacos a respeito de todas as pendengas da humanidade, mas que, não são capazes de dar um norte em suas porcas vidas.

(iii)
Pessoas muitíssimo apegadas a ideologias, sejam elas furadas ou não, são similares a crianças mimadas que, mesmo depois de grandinhas, insistem em continuar mamando em sua velha mamadeira ou em ficar chupando no bico. Bem, ao menos boa parte das crianças graúdas que assim procedem tem vergonha disso. Já ao grandões, com suas mamadeiras de Lênin e chupetas de Stalin, não. Pelo contrário. Tais figuras acham muito bonito ser feio.

(iv)
O apego sentimental a uma agenda ideológica é um indicador duma personalidade frágil e dum caráter fragmentado.

(v)
Nenhuma ideologia vale mais que a realidade duma única vida humana. Nenhum delírio dum mundo melhor vale o sangue de um indivíduo. Por isso repugno o marxismo, uma ideologia que ceifou a vida de mais de cento e dez milhões de inocentes. Por essas e outras que desconfio de todas as supostas boas intenções manifestas por aqueles que defendem essa tranqueira. Ponto.

(vi)
Tem muita gente que julga-se moralmente superior simplesmente porque diz defender um tal de “mundo melhor possível”. Esquecem-se elas de que Lênin, Stálin, Pol Pot, Hitler, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro e tutti quanti também sonhavam com um suposto “paraíso terreno” e, tal sonho, deu no que deu: um inferno na terra.

Por essas e outras que prefiro mil vezes ser o caipira cético que sou, com relação aos milagreiros ideológicos, que ser um sujeito bonzinho e crítico que, de maneira criticamente crédula, entrega sua consciência para ser deformada pelos curandeiros políticos do momento e acabar terminando como um fiel devoto de qualquer seita ideológica.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

E EIS QUE A VACA FOI PRO BREJO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
A exposição promovida pelo Santander é abominável. Ponto. Mas o que a torna mais abjeta ainda é o fato de que ela foi concebida como um projeto educacional e que reflete, em muitíssimos pontos, os valores que são disseminados em nossa sociedade por meio do sistema educacional.

(ii)
Relativismo cultural e moral é a justificativa, a desculpa esfarrapada adotada por aqueles que têm um gosto estragado e que possuem uma cultura de retalhos rotos emoldurada numa visão deformada e deformante de si e da humanidade.

(iii)
Quando se discute questões inerentes ao decadente sistema educacional brasileiro tem-se, logo de cara, um complicadíssimo gargalo, que seria o fato de que as partes que se colocam a parlar sobre, veem como questão fundamental a ser discutida, para poder equacionar de modo razoável as pendengas que atravancam a melhoria do dito cujo sistema de ensinação de nosso país, os pontos mais estabanados nas perspectivas mais descabidas possíveis o que, por sua deixa, acaba terminando não por gerar um diálogo, mas sim, uma assembleia de gargantas estridentes e de ouvidos moucos.

A observação é simples, não simplória, e, por isso, em meu ver, importante, pois, quando o assunto é esse, educação, devemos nos perguntar se o que estamos chamando de educação são questões de ordem realmente educacional ou, meramente, de ordem, propagandística, política, social, econômica, jurídica, burocrática, ideológica, individual ou corporativa e, necessariamente, analisar de que modo cada uma dessas dimensões da realidade pode contribuir na realização do educar e, em que medida, elas estão avacalhando com o ensinar. Pois é. Porém, todavia e, entretanto, tal distinção nem mesmo é cogitada.

Por isso, infelizmente, com uma frequência muito grande, sobrepõem-se às questões de ordem educacional elementos de ordem jurídica, política/ideológica, burocráticas e corporativas (quando não acabam tomando o lugar das questões educacionais) em misto com toda ordem de mesquinharias pessoais que tornam qualquer possibilidade duma discussão séria sobre o assunto inviável, porque, goste-se ou não do babado, ela, a educação, é a última a ser lembrada quando o assunto em pauta é ela mesma.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

DOIS DEDINHOS DE PROSA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Não conheço nenhum cidadão, que tenha na última eleição presidencial votado no senhor Aécio Neves, que não queira a sua prisão pelos seus malfeitos; da mesma forma que desconheço a existência de cidadãos, que religiosamente votaram em todas as eleições no partido da estrelinha, que queira a prisão do senhor Lula e de seus blues cats. Possivelmente deve de existir um e outros aqui e acolá, mas, até onde sei, são raros. Bem raros.

(ii)
Quando clamamos pela punição de alguém por algum mal realizado, tal clamor deve ser feito não com o intento de obtermos a mera reparação de nosso ego ferido. Proceder desse modo seria tão somente uma vingança vazia e rancorosa.

Por isso, toda punição, penso eu, deve ser realizada com o intento de possibilitar o arrependimento do transgressor e como sinal de advertência para todo o corpo social do quão grave é o mal cometido por ele. Nisso reside a manifestação de um grande gesto de misericórdia.

Agora, querer abolir ou abrandar as punições por dozinho do transgressor e por suma preocupação com a pose de bom-moço, que é tão amada por muitos, seria uma atitude de tamanha falta de amor ao próximo que possivelmente iria escandalizar até mesmo os impudicos mais empedernidos.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

TUDO NA MESMA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Estou com Nelson Rodrigues e não abro. Esse negócio de educação sexual é coisa pra animal. É um trem bom pra ser oferecido para os cães, cabritos, cavalos, mas não é algo que deva ser usado para adestrar os infantes humanos. O que toda pessoa precisa receber, em tenra idade, é educação amorosa que, diga-se de passagem, não tem nada que ver com a fisiologia do nosso corpinho.

(ii)
O choro é livre. Todo mundo sabe disso. O que muitas vezes algumas pessoas esquecem é que rir também é livre, não paga imposto e dispensa propina.

(iii)
Há aqueles que gostam muito da inquietude da noite urbana, com seus ruídos estridentes e baladas neurotizantes madrugada à dentro. Eu não. De minha parte, fico cá com as noitadas matutas, embaladas pelo som do vento que baila com as folhas das árvores no embalo do cantarolar dos grilos que ficam no sereno se refrescando em meio ao gramado orvalhado.

(iv)
Muitas pessoas imaginam que ser ativo no ato de aprender seria similar a estar, de alguma forma, agitando fisicamente. Ledo engano. Terrível engano. Muitas vezes, na maioria delas, estar ativo no ato de aprender, é estar atento ao que estamos ouvindo ou ao que estamos lendo. Resumindo: não temos como, realmente, ativar nosso potencial cognitivo se não formos capazes de aquietar a nossa alma. O mesmo é válido para a prática da oração.

(v)
É normal que, em tenra idade, por impulso pueril, acabemos assimilando ideias e ideologias furadas que nos inspiram a fazer um monte de tonguices. É natural, também, que no correr de nossa vida acabemos nos apegando a inúmeras outras patacoadas e, com a experiência dos anos vividos, terminemos por abandoná-las devido a sua idiotia intrínseca. O que, realmente, soa mui estranho, é o caipora que fica, depois de bem crescidinho, apegado as mesmas bobagens, adquiridas em sua juventude desregrada, achando isso a coisa mais linda e coerente do mundo.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

SIRIRI POUCO É BOBAGEM


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Para o caboclo, ideologicamente cego e mentalmente limitado, não adianta apresentar evidências acachapantes, nem fatos incontornáveis.

Não adianta, porque ele, em sua credulidade militante, sempre, sempre, sempre, irá imaginar que tudo o que lhe for apresentado, na forma de fatos e evidências que desmontam o seu castelo de superstições políticas, será sempre visto como uma terrível e malvada conspiração para pôr abaixo o seu amado ídolo excrementício que, de modo análogo a Barbie, é tudo o que ele quer ser se um dia amadurecer e crescer.

Enfim, tudo isso junto e misturado, apresenta-nos um retrato do tamanho do apego que os caboclos desse naipe nutrem pelas mais toscas crendices ideológicas, tamanha é a sua admiração pelas mais disformes tranqueiras políticas, que, ao seu modo, preenchem de sentido a insonsa vida dessas pobres almas.

(ii)
Só pra constar: tenho apenas cães de estimação. Três. Agora, bandido de estimação não é comigo não. É um bicho complicado de se criar. Custam caro, fazem seus donos passarem uma vergonha danada e, ainda por cima, não são da menor confiança. Mesmo assim, tem muita gente que cria esse tipo de animal e que nutre por eles um desmedido e incompreensível afeto. Fazer o quê? Tem louco pra todo nesse mundo.

(iii)
Me divirto pacas com aqueles que me insultam; que, nervosinhos, manifestam sem o menor pudor toda a sua infantilidade crítica em seu crítico estado de infantilismo. Aliás, como me dizia, certa feita, um velho amigo meu, dependendo de quem venha o ultraje, esse é um grande elogio manifesto na forma duma evacuação verbal advinda de uma ofendidíssima e frágil alma de papelão.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

SOLITO NO MAS


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
O sujeito que não é capaz de ficar solito é uma personalidade deformada, um nada que necessita mortalmente do apoio de uma multidão, de pessoas similares a ele, pra não acabar se afogando em sua total nulidade existencial.

(ii)
Não espere o mundo tornar-se bom para agir bem. Faça o bem para que o mundo não o inspire a se tornar mau.

(iii)
Aprender a sofrer com dignidade e amor é a chave para a felicidade. Crer que temos o direito de sermos felizes é o caminho certo para a mais abjeta e absoluta desventura.

(iv)
Quem não sabe e não quer aprender a ser e a sofrer pelos outros nunca compreendeu o que significa o santo sacrifício de Nosso Senhor no alto do madeiro da cruz.

(v)
O ser humano é visto, pelos doutos da atualidade, como uma criaturinha de porcelana, que não pode ouvir um “A” atravessado que logo fica traumatizada pelo restante de sua insípida existência. Essa fórmula, de fato, é perfeita. Perfeita para gerar indivíduos egoístas e egocêntricos que imaginam que tudo o que existe, no mundo, aí está para servi-los e atender a todos os seus desejos.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

NADA A DECLARAR


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Toda punição que não leve em consideração a dor impingida a vítima, que não queira ser um símbolo exemplar para todo o corpo social daquilo que é inaceitável e que apenas preocupa-se com a integridade, física e psicológica, do agente responsável pelo mal perpetrado, acaba, querendo ou não, tornando-se um mecanismo de fomento das rivalidades miméticas no tecido social que podem, cedo ou tarde, acabar culminando numa crise [sacrificial] sem precedentes, onde todos quererão fazer justiça com as próprias mãos num processo onde o corpo societal apenas irá parar quanto sentir de expiou todas as suas frustrações acumuladas. Frustrações de toda ordem, acumuladas por anos e mais anos de leniência, impunidade e bandidolatria de todas as magnitudes. E aí, meu caro Watson, quando esse dia chegar, não vai ter mamãe barriga me dói. O bicho vai ser feio mesmo.

Detalhe: não desejo isso. Não mesmo. Apenas vislumbro algo que, para mim, é ululantemente óbvio e que, se não houvesse a perversão ideológica que há do senso das proporções, que impera, principalmente, entre as mentes bem pensantes de nosso triste país, essa tragédia poderia ser evitada. Poderia.

(ii)
No Brasil, quando os cidadãos clamam por uma punição mais rígida para aqueles que praticam crimes ignóbeis, tal clamor, ao ver daqueles que cultuam a bandidolatria, seria apenas uma espécie de crime de lesa-humanidade.

(iii)
Todos aqueles que reivindicam para si o monopólio do bem, acabam, inevitavelmente, praticando o mal nas suas formas mais corruptoras, crendo, sempre, que estão lavorando pela realização daquilo que imaginam ser o sumo bem.

(iv)
Muitíssimas vezes, numa frequência muito maior que a desejada, as teorias que procuram explicar as causas, próximas e remotas, dum crime, terminam por servir de justificativa sociológica para sua prática.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

[vídeo] NEM A DIREITA, NEM A ESQUERDA

MEDITAÇÕES SOLITÁRIAS


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Setembro, para toda a catolicidade, é o mês da Bíblia. Mês esse em que devemos nos dedicar àquilo que todos os dias deveríamos fazer: a lectio orante.

(ii)
Todo mundo, de vez em quando, tem o seu momento de chatice. Faz parte da vida. Porém, há uns carniças que pediram pra ser chato e deu eco. São chatos praticamente todo dia.

(iii)
Coerência, pra esquerdista, é cometer o erro de acreditar em um monte de patacoadas ideologicamente deformadas na juventude e, passados os anos, continuar a crer e a defender ferozmente os mesmos disparates deformantes apreendidos em tenra idade.

(iv)
Maturidade não é sinônimo de uma vida onde o indivíduo insiste em defender as ideias e os ideais disformes apreendidos na juventude. Não mesmo. Isso é somente a coerência dos tontos. Maturidade é aprender a ter vergonha dos erros cometidos em idade juvenil e a abandonar todos as ideias e os ideais que deformam a personalidade duma pessoa - em idade adulta ou não.

(v)
Li muito as obras de Nietzsche em minha porca juventude. Praticamente tudo. Por isso digo, sem pestanejar, que ele era um doido varrido. De carteirinha. E, como todo maluco de pedra, ele tinha lá seus momentos de genialidade. Por isso, penso que a grande questão, na leitura de suas obras, é sabermos diferenciar as sandices do dito cujo dos seus lampejos de sabedoria. E sou franco em dizer: não são muitos que sabem fazer isso, como também não são tantos assim os lampejos sapiência que podem ser encontrados em suas laudas.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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