UM CONTO SEM PONTO


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

[1]
Imaturidade perene é chegar aos trinta, ou passar deles, e olhar para os dezoito com um forte gostinho de saudade das inconsequências dessa idade.

[2]
Se eu voltasse aos meus idos juvenis, a primeira providência que tomaria seria a de dar uns bons safanões em mim mesmo pra ver se eu criava bem rapidinho a tal da vergonha na cara e, desse modo, evitar um monte coisas estúpidas que fiz em minha porca mocidade. Pois é, mas como isso é uma impossibilidade, espero que com meus grisalhos cabelos eu tenha aprendido algo com minha tolice primaveril e, desse modo, me tornado um caipora menos sem vergonha.

[3]
Governar, antes de qualquer coisa, requer que se tenha a coragem mínima de assumir responsabilidades. É saber que se tudo vier a dar errado, a responsabilidade é de quem governa, mesmo que ele, hipoteticamente, não estivesse a par do que aconteceu porque, por definição, o governante é a pedra de orientação política e moral dos seus.

Se esse for de fato uma pessoa que, ciente ou não de suas limitações, chama para si a responsabilidade de sua governança, ele inevitavelmente terá a confiança dos seus pares e o respeito de seus adversários.

Ele será um Estadista, um líder disposto a sacrificar-se, se necessário for, em nome daqueles que governa.

Agora, se esse indivíduo, mesmo estando acima e a frente de todos, insiste em agir feito um João sem braço, como uma criança malcriada que diz não saber de nada e que fica escondendo-se de tudo e de todos, esquivando-se de toda e qualquer responsabilidade, chantageando uns e tentando comprar a consciência culpada de outros, então, esse sujeito não passará de um pútrido conjunto vazio onde almas deformadas ideologicamente, junto com oportunistas de ocasião, encontrarão um símbolo político de sua própria nulidade moral e de sua perversidade política congênita.

E tenho dito.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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