REFLEXÕES DOMINICAIS DUM SAQUAREMA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Não há mudança de hábito se não estamos disposto a trucidar os nossos antigos costumes. Não temos como ser iluminados pela luz da verdade se não estamos dispostos a abandonar o nosso apego irascível às sombras duma vida de mentiras.

(2)
Jamais levo a sério o papinho tosco dessa gente revoltadinha com Deus e com o mundo; gente que quer mudar tudo de acordo com sua imagem e semelhança; gente que se baba de raiva quando grita suas palavras de ordem ou qualquer coisa similar e de mesmo efeito imaginando-se um poço de tolerância e amor só porque está se babando com o entoar dessas palavrinhas.

Dum modo geral esse tipo de gente ama exigir dos outros e do mundo as mais elevadas virtudes e a realização de obras de excelência ao mesmo tempo em que ela, uma alminha livre de qualquer culpa e responsabilidade, vive uma vida vil rejubilando-se em sua vida de excrecências críticas e, por fazer isso, acredita que o mundo deveria agradecê-la por isso.

(3)
Se conselho fosse bom não era dado, mas sim, vendido. Assim reza o dito popular. Porém, o dito está incompleto para os maus entendedores. Incompletíssimo. E lhes digo o porquê penso assim.

Todo conselho é bom, sim senhor, mas numa sociedade em que todos estão satisfeitos consigo mesmo, que amam suas excrecências existenciais, todo aquele que ousar dizer o óbvio será tido como um doido inconveniente e, bem provavelmente, será enxovalhado.

E de fato é um sujeito bem inconveniente, haja visto que dar bons conselho a medíocres é um gesto similar a jogar pérolas aos porcos.

Enfim, seja como for, por essas e outras que, em nosso triste país, bom conselho é conselho calado.

(4)
Vejam só como são as coisas: o caipora quer mudar o mundo e não é capaz de assumir um punhadinho de responsabilidades miúdas para com os seus. Isso não dá. É opressão.

Por isso, chega a ser tragicômico vermos pessoas despossuídas dos rudimentos duma educação doméstica elementar quererem, com meia dúzia de palavras de ordem politicamente corretas em misto com bafo de noitada, darem lições de moral sobre os todos os problemas em nome dum tal de mundo melhor possível que não chega nem mesmo a ser bonito em seus delírios ideologizados, mas que lhes causam chiliques (depre)cívicos só de pensar.

Enfim, tudo isso seria apenas ridículo se não fosse trágico. Mas é trágico. E põem trágico nisso sem se esquecer do quão ridículo tudo isso é.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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