COM MUITAS LETRAS, MAS SEM PALAVRAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
A sociedade não quer saber da dita cuja da verdade. Ela é dura demais e possivelmente nos deixaria em frangalhos. Por isso os cidadãos, dum modo geral, preferem a segurança do engano. Mesmo que ele seja uma baita furada, as pessoas preferem ele ao invés da verdade porque a tal da segurança ofertada pela mentira não nos obriga a termos de sair da nossa perene infame infância moral. Já a verdade...

(ii)
Numa tragicomédia como a brasileira, sentir-se isolado é condição sine qua non para manter a sanidade mental e não perder a dignidade moral.

(iii)
Brasileiro não sabe votar. Eu não sei votar. Mas também, como é possível aprender a fazer isso num ambiente que necessita dessa deseducação?

(iv)
Não gosto de falar mal do Brasil. Me contento em vê-lo como ele é. Isso já me deixa suficientemente vexado diante do tribunal da História.

(v)

Brasileiro ama de opinar. Sobre o que? Qualquer coisa. Pouco importa a pauta que esteja à mesa de despacho para o nada na repartição do boteco da esquina. O importante é que se tenha algo a dizer, mesmo que este algo na diga em suas linhas ou entre elas. E não há perigo de parecermos bocós não. Posar-se-ia de bocó se numa destas rodas sapientes, de alto ou baixo grau etílico, se tiver a ousadia de falar de algo com propriedade. Aí sim fica-se com cara de taxo, porque o saber causa espanto nas tribos nativas. Se isso ocorrer, cuidado! Você poderá ser consumido pelos antropofágicos olhares que tudo devoram por medo de serem desnudados em seu despudorado desamor ao conhecer.

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