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Mostrando postagens de Março, 2017

QUASE POESIA, n. 83

A alma pragmática acha louvável O vulgar espírito utilitário soturno De sua vida banal e imprestável.

SEM CONFIDÊNCIAS INCONFIDENTES

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Houve um tempo, não faz muito, que o céu era um alento para as pessoas que, ao cair da noite, contemplavam as estrelas entregando-se aos mistérios que suas piscadelas que inspiravam todo aquele que deleitosamente entregavam-se ao seu espetáculo silencioso.
Atualmente, ao contrário dos tempos de antanho, vivemos com nossos olhos voltados para altura de nosso umbigo, para a tela luminosa dum brinquedinho eletrônico que suga uma porção significativa de nossas horas e um bom tanto do elã de nossa vida.
Enfim, diferentemente dos outros animais, nós éramos a únicas criaturas que contemplavam o firmamento e hoje, tais quais todas as bestas, ignoramos a sua celestial presença tendo os olhos voltados para a viseira eletrônica que voluntariamente passamos a carregar em nossas mãos.
(ii) A perenidade das palavras não nos garante a eternidade dos aplausos que massageiam nosso ego [envaidecido] através do regozijo que nos é ofertado pela efemeridade dum momento.
Fi…

QUASE POESIA, N. 82

Seja em verso ou em simples prosa A brincadeira com letras e palavras É uma inutilidade franca e heroica Que só escandaliza almas fracas.

MULTICULTURALISMO E OUTRAS PATACOADAS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) A verdade está praticamente sempre sendo esfregada em nossas ventas, sempre mesmo. Porém, na maioria das vezes, nós estamos com os nossos olhos atentos demais, não para ela, mas sim, para nossas míseras opiniões o que, por sua deixa, nos impede de contemplarmos o seu esplendor.
(ii) Não suportamos, na maioria absoluta das vezes, olhar diretamente para a realidade, para a face lavada e escarrada da verdade. Por isso, preferimos nos auto-enganar olhando para o mundo por meio do filtro de nossas rasas opiniões. Sem a proteção desse torpe filtro nossa personalidade de papelão seria incendiada pelas labaredas da verdade.
(iii) Temos medo da verdade porque sabemos que ao ouvi-la e aceita-la teremos que, necessariamente, mudar de vida ou admitirmos que somos um tongo convicto de nossa tonguice.
(iv) O grande problema das conversações sobre a tônica política em que nos encontramos imerso é que a maioria absoluta das vezes as pessoas falam, e como falam, do que el…

COISINHAS SONSAS DA MODERNIDADE

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
O mundo moderno é uma lindeza! Todo mundo, cada um ao seu modo, luta, quer dizer, faz manha e bate o pezinho para ver os seus desejos mais obscuros reconhecidos como um direito fundamental inalienável.
Seguindo esse andor (depre)cívico onde, bem ao contrário do que as almas sonsas esperavam, a cada dia que passa aumenta significativamente o narcisismo, cresce abusivamente o uso do outro como um mero instrumento para a obtenção de prazeres tão efêmeros quanto egoístas, temos a expansão do hedonismo e contamos com um número crescente de divórcios.
Pois é, e com tudo isso, bem ao contrário do que muitos esperavam, as pessoas estão mais e mais solitárias e infelizes (mesmo tendo uma chusma de "seguidores" e “amigos” em suas redes sociais).
Porém, todavia e, entretanto, o importante mesmo, para as cabeças sonsas e modernosas, é que todos nos sintamos mais emancipados, liberados e empoderados com nossas infelicidades coletivas, angustias difusas e, pr…

O MAIS PURO XUCRISMO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Uma cena muito comum que temos de testemunhar quase que diariamente é a de vermos a gurizada, estando ouvindo um tedioso e repetitivo sermão proferido por um adulto - seja esse adulto seu pai ou um professor - dizer que eles já estão cansados pra caramba de ter que ficar ouvindo aquela lengalenga toda. Triste isso.
Pois é, porém, sem querer ser chato, mas já o sendo, como de costume, de minha parte, diria o seguinte para esse tipo de fedelho: me diga uma coisa seu moleque mimado e presunçoso: quando você irá se cansar de continuar fazendo as mesmas bobagens de sempre e começar a criar vergonha da cara? Quando?
Lembre-se: errar é inerente a condição humana, mas persistir no erro achando isso a coisa mais linda do mundo é estupidez da brava. Só isso e olhe lá.
(ii) A “valentia” de certos jovens e adolescentes que afrontam pais e professores só se justifica pelo seu desfibramento estupidificante estimulada pelos valores degradantes da sociedade contemporân…

BEM LONGE DA CIDADE DAS ESMERALDAS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Uma das frases mais sonsas ditas pelas pessoas pretensiosamente sabidas é de que a filosofia de forma particular, e a educação de um modo geral, têm por meta “ensinar as pessoas a pensarem”. Vejam só: ensinar a pensar.
Tal afirmação, com toda sua pompa, simplesmente diz nada com coisa nenhuma. E, assim o é, porque todo mundo, qualquer um, sabe pensar sem que ninguém os ensine a fazer isso, da mesma forma que respiramos, enxergamos e comemos.
O que todos nós, dum jeito ou doutro, aprendemos com o tempo, é a pensar sobre novos temas e a abordá-los duma outra perspectiva e/ou através de novas referências, mas não a pensar. Não mesmo.
Aliás, quando alguém afirma que aprender isso seria “aprender a pensar” é porque essa alminha está querendo que os indivíduos pensem exclusivamente a partir de sua concepção ideológica do mundo e que passem a tê-lo na conta de um guru venerável duma patacoada ideológica.
Trocando por miúdos: para esse tipo de gente, aqueles que n…

TIRANDO A CASQUINHA DA FERIDA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) As ideias subjacentes às palavras que frequentemente repetimos e que estão subentendidas nas frases feitas que regularmente usamos para dar forma as deformidades que matutamos e falamos acabam, sorrateiramente, determinando o tipo de pessoa que acabaremos, cedo ou tarde, nos tornando sem que estejamos cônscios disso.
(ii) Muitos são os pecados que cometemos. Muitos mesmos. Mas, é bom lembrar sempre que a base de todos os desvios cometidos por nós nessa matéria consiste simplesmente em procurarmos Deus onde Ele não está; em tratarmos como divino aquele ou aquilo que, definitivamente, não o são.
(iii) Amizade é um luxo, uma joia preciosa que, quando encontrada, carregamos em nosso íntimo para todo o sempre, mesmo que raramente ela esteja ao nosso lado em nossa caminhada em nossa jornada por esse vale de lágrimas.
(iv) Em regra, na sociedade atual, o que leva muitas pessoas a sentirem orgulho e a fundarem sua autoimagem seriam certas bobagens que, fundamenta…

PIOR QUE UM BERNE NO LOMBO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Não tenho a pretensão de proferir uma verdade cientificamente comprovada, nem de utilizar-me de títulos furados de valor duvidoso para calçar minhas palavras mal escrevinhadas.
Aliás, somente imbecis se apresentam como portadores de tais coisas para parecerem sabidos e importantes e, talvez, por isso mesmo, esse tipo de gente, que tanto abunda nessas terras cabralinas, nunca sabem do que exatamente estão parlando apesar de toda a pose de “sinhô dotô” que cultivam com tanto esmero.
De minha parte, me darei por satisfeito se conseguir, dentro de minhas jumenticas limitações, descrever os fatos, as cenas, os fenômenos e as inquietações geradas por elas em minha alma suína tal qual elas todas se apresentam ao meu ser e, principalmente, da forma mais sincera que me seja possível.
Enfim, resumindo o entrevero: fazer pose e repetir frases de efeito é moleza, até um adolescente metido faz isso. Ostentar um currículo burocraticamente cheio de papéis que atestam…

TEDIOSAMENTE TEDIOSO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Gente sabida, diplomada e engaja, dum modo geral, imagina que todo mundo deve ser reduzido e enquadrado dentro dos contornos mesquinhos da imagem e semelhança de suas limitações mentais; gente essa que é capaz de mover mundos e fundos para tentar na base do grito e do patrulhamento ideológico colocar tudo e todos dentro do esquadro da subcultura degradante que elas elegeram como sendo o cume mais elevado da realização humana.
(ii) Aprendermos a olhar a nós mesmos pelos olhos de Platão e, definitivamente, deixar de olhar Platão com as limitações de nossos olhares entorpecidos pela cultura contemporânea. Eis aí uma grande empreitada. O mesmo vale para todos os grandes mestres. Enfim, sem rodeios, essa é uma lição simples que deveria ser aprendida por todo aquele que diz gostar da tal filosofia e da dita cuja da literatura.
(iii) A totalidade da realidade é sempre bem, bem maior que o olhar esquadrinhador de qualquer ofício. Bem maior mesmo. Porém, maior q…

A PALAVRA CÃO NÃO MORDE

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Muitos amam assistir seriados. Uns mais que outros. Inclusive há aqueles que se fiam em grupos de discussão para adentrar nas vísceras das tramas formulando inúmeras teorias e, de quebra, acabam apresentando várias interpretações possíveis e plausíveis sobre as mesmas.
Aliás, tais práticas são profícuas formas de exercitar a imaginação moral. Show de bolice.
Dois grandes sucessos que merecem destaque seriam os seriados “Game of Thrones” e “The Walking Dead”. Não há dúvidas: são duas grandes produções.
Porém, o que de fato me chama muita a atenção é o seguinte: como pode uma pessoa gostar desses dois seriados citados e, ao mesmo tempo, ser favorável ao desarmamento civil? Como?
Bem, ou o caboclo não entendeu nada do que está em jogo na vida real, ou não entende patavina nenhuma do que as referidas séries nos convidam a pensar.
(ii) As palavras não são a expressão da realidade. São pontes movediças que podem nos auxiliar a entrarmos em contato com o mundo o…

ENTRE PONTES E MATA-BURROS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Não queira, jamais, fiar os seus estudos no intento de ser entendido pelos ignorantes, principalmente por aqueles néscios que vivem da pose postiça de sabichão engajado.
Estude para conhecer a verdade e compreender a realidade. Se os estultos não compreenderem o que você faz e não entenderem o que você diz, não te apoquente não, porque não existe conhecimento da verdade quando esperamos candidamente que os sonsos nos compreendam.
Resumindo: não há procura pela verdade que não seja acompanhada pela incompreensão da manada presunçosamente [des]informada. Não mesmo.
(ii) Deveríamos, penso eu, iniciar o nosso dia com a apresentação – para nós mesmos – duma intenção que deverá ser realizada o findar do dia. Proposito firmado, dia iniciado.
Quando chegar a hora crepuscular, com a mesma inclinação, deveríamos, pensou eu, realizar um exame de consciência e verificar em que medida realizamos o proposito firmado e, além dele, o que mais realizamos no anonimato sil…

UMA CASA MUITO ENGRAÇADA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) É incrível como, hoje em dia, muitas pessoas confundem tristeza, profunda ou rasa, com a tal da dita cuja da depressão. Basta que um fardo um pouco mais pesado que o de costume pese sobre os ombros para que o sujeito diga todo macambúzio: “Tô deprimido”.
Muitas vezes, como nos aponta Theodore Dalrymple, não é nada disso. Não é depressão. É apenas tristeza.
Porém, tamanho é o estímulo à fragilização do caráter dos indivíduos que hoje impera que muitos, sem perceber, acabam tornando-se almas desfibradas ao ponto de se deixar abater por um olhar torto, ou com meia dúzia de palavras ríspidas, vendo nisso um imenso desterro que demandaria uma atenção especial, um tratamento singular ou, ao menos, um colinho estatal.
Resumindo a peleja: nosso país não está deprimido não; ele é triste e carece urgentemente de símbolos culturais que arrastem os indivíduos a abandonarem de vez a cidadanite do mimimi para abraçar de peito aberto o indispensável senso aristocráti…

É NÓIS MERMO MANO VEIO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) O direito dos manos nada mais é que o uso, a instrumentalização feita pelas hostes do marxismo cultural, dos direitos humanos transformando-os num cavalo de batalha para solapar as frágeis bases das nossas instituições e, de modo sorrateiro, fazer ruir toda ordem social e, de quebra, erodir com os fundamentos dos direitos humanos.
(ii) Toda vez que a camarilha esquerdopática começa a dar piti politicamente correto na defesa dessas ou daquelas minorias, ela faz isso não tanto por amor ao próximo, mas sim, por devoção idolátrica ao seu projeto totalitário de poder que instrumentaliza tudo e todos para realização de seus delírios políticos.
 (iii) O grande problema não é tanto a direção que é apontada pela bússola ideológica dum indivíduo. O grande problema é a falta de honestidade intelectual e a total ausência de amor ao próximo que habita, dum modo geral, no universo político e intelectual brasileiro. Tais pedras angulares – o amor ao próximo e à verdad…

ABRA OS OLHOS NAVEGANTE

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Uma das palavras mais celebradas na sociedade contemporânea é a tal da tolerância e, como toda palavra que é utilizada como uma carta-coringa, ela acaba no final das contas significando coisa nenhuma pra poder dissimular que diz algo.
Senão, vejamos: primeiramente não podemos esquecer que há coisas toleráveis e outras tantas intoleráveis. Se perdemos essa distinção elementar, inevitavelmente, a vida torna-se gradativamente intolerável por tolerarmos toda e qualquer coisa.
Outra coisa: não se deve confundir tolerância com apatia moral da mesma forma que ela, a tal da tolerância, não é de modo algum sinônimo de complacência com o que é evidentemente errado e ruim.
E tem mais uma: não existe nada mais intolerante, e mesmo totalitário, do que um grupo ideologicamente deformado exigir no grito e na marra que todo mundo seja “tolerante” com isso ou aquilo ao mesmo tempo que considera como algo intolerável que alguém tenha a audácia de divergir deles.
Enfim, e…

QUASE POESIA – n. 81

Nesse dia dois do mês de março que agora raia
Faz dezessete anos que nossas mãos se acariciaram
Que nossos dedos, pela primeira vez, nossa pele roçaram
Dando início a uma história - única - que não se apaga.

ENTRE GRANDES QUEDAS E PEQUENAS VITÓRIAS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Se o sujeito se preocupa muito, muitíssimo, em ter “fortes” argumentos para defender suas crenças e convicções é porque elas são demasiadamente superficiais. Tudo que carece, que necessita da confirmação, da concordância advinda de terceiros para poder ter ares de verdade não passa duma ilusão que apenas conquista a adesão de almas sem consistência.
(ii) Empoderamento [ou empoleiramento] é apenas uma palavra vazia, uma expressão não significativa que acaba sendo utilizada para justificar toda ordem de sandices impensadas, mas que, na aridez do mundo real, não preteje ninguém das investidas sombrias que espreitam a vida das almas desavisadas. Resumindo: palavras bonitas nada podem contra a maldade que está armada até os dentes e, no frigir dos ovos, apenas revelam a fragilidade presente nas ideias politicamente corretas e rudemente engajadas.
(iii) Empoderamento é só uma palavra mal utilizada para justificar atitudes enervantes e, em muitos casos, pra lá…