A PEDRA PARTIDA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Um coração convertido à vontade de Deus pede ao Altíssimo que lhe dê uma vida de acordo com o coração Dele. A isso se dá o nome de sabedoria.

Já um coração desordenado, que ignora que Deus tenha um propósito para sua porca vida, quer apenas sentir-se bem de acordo com a desordenação que em seu peito habita. A isso se dá o nome de estupidez diabólica.

Nesse caso, o indivíduo se regozija em apontar para a hipocrisia alheia sem perceber o tamanho do cinismo que há nesse modo de falsear a consciência dos seus próprios pecados.

Algo que, diga-se de passagem, a galerinha progressista e politicamente correta ama fazer.

Enfim , resumindo o entrevero: esse tipinho de gente não se toca do quão leviano é acusar de hipócrita aqueles que ousam divergir de sua vaidade mundana. São capazes, inclusive, de quererem ser canonizados por sua insensatez.

É esse tipo de gente que aplaude o que a grande mídia afirmou que o Papa disse sem saber o que exatamente o Santo Padre falou.

(ii)
No Brasil, ignorância ideologizada é um sinal de grande mérito intelectual, um símbolo de distinção moral. Basta que o caipora diga que é contra isso ou aquilo, que repita meia dúzia de palavras de ordem que ele já está apto para ser considerado um cidadão criticamente impoluto.

(iii)
Estava matutando cá com os meus botões e, pensei (logo, fedeu): bem provavelmente a imagem mais surreal de toda a história recente, que melhor ilustram o estado demencial em que se encontra uma significativa parcela da sociedade contemporânea, foi a dos militantes LGBT e feministas protestando contra Donald Trump portando cartazes e faixas contra o que as mentes sonsas chamam de islamofobia. De fato: quase chega a dar dó dessas pobres almas. Quase. Sou ruim de mais pra sentir isso. Como sou.

(iv)
Poder não é ocupar um cargo de mando. Poder é influenciar e mesmo dirigir aqueles que ocupam cargos dessa natureza.

(v)
Os tontos falastrões se gabam de ter dinheiro em sua algibeira. Os que verdadeiramente são astutos têm pessoas em seus bolsos e, por isso, não precisam se vangloriar de nada. Os primeiros brincam de mandar; os segundos mandam sem nada falar.

(vi)
Os “pitista” não se cansam de dizer, histericamente, que o PMDB é um partido mequetrefe e blábláblá. Sim, concordo. Aliás, boa parte da população também, principalmente pelo fato de que, até a pouco, a dita legenda era uma querida aliada de longa data da companheirada vermelha, não é mesmo? De mais a mais, em que medida deixou de ser? Pois é, pois é, pois é.

(vii)
O partido tucano é mais perigoso que o partido lulista. Sempre foi e sempre será por uma razão bastante simples: ambos têm praticamente a mesma agenda socialista, porém, no segundo a loucura é clara e qualquer um com dois olhos é capaz de reconhecer; no primeiro ela é dissimulada e engambela todas as almas desavisadas que, no Brasil, abundam e todas as plagas.

(viii)
Cidadania, no Brasil, é um concurso de vitimismo. Quem conseguir posar de coitado com mais convicção será visto como o caipora mais crítico da paróquia e, se convencer a todos que a sociedade historicamente lhe deve alguma coisa aí sim ele ficará bicho velho. Será um cidatonto completo.

(ix)
Tão deprimente quanto orgulhar-se de seus pecados e deles fazer um projeto de vida é ufanar-se de suas fraquezas e torná-las o galardão de sua insignificante e crítica vida [depre]cívica.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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