terça-feira, 27 de junho de 2017

RECADOS DUMA OUTRA CORVADA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
FHC, enquanto presidente e como sociólogo, foi o maior fomentador do petismo e hoje continua sendo um dos seus maiores aliados discretos.

(ii)
Poder não é um cargo que pode ser obtido numa eleição. Não. Poder são meios a serem conquistados lentamente junto a sociedade no dia a dia.

(iii)
O fato de um governante dever obrigações e satisfações a grupelhos é um sinal mais do que claro de que ele não o real titular do poder.

(iv)
Quem está diante das câmeras não é o titular do poder; é um fantoche enviado por aqueles que de fato mandam e, por isso, não querem aparecer.

(v)
Informações ocultadas que são utilizadas como um meio para colocar pessoas no bolso são muito mais eficazes que dinheiro e armas pra mandar.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

RECADOS DUMA CORVADA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
A histeria (depre)cívica em misto com a afobação eleitoreira são os maiores obstáculos para compreender a gravidade da situação brasileira.

(ii)
A mornidão e o bom mocismo impedem de fazermos o que é necessário por medo de magoar as sensibilidades cínicas ideologicamente deformadas.

(iii)
O relativismo cultural levou o Ocidente a adotar a postura demente de querer conquistar o afeto daqueles que nos odeiam mortalmente.

(iv)
Enquanto no Ocidente as almas se afligem com futilidades politicamente corretas o Islã avança, sem pedir licença, sobre nossa inanidade.

(v)
Se a Cristandade naufragar a democracia tornar-se-á cinzas e virá em seu lugar um ignaro mundo novo totalitário como nunca se viu antes.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 25 de junho de 2017

DOMINGUEIRAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Senhor, te agradeço por toda atenção que imerecidamente recebo por conta de meu ofício e te suplico para que eu me torne de fato digno dela.

(ii)
Urge que todos aqueles que se dedicam ao ensino revejam criticamente o legado de Paulo Freire pra salvar o que resta da tal educação brazuca.

(iii)
A vida urbana moderna é um convite aberto para a neurose; a cultura modernosa, com seus chiliques epidêmicos de criticidade, é a própria.

(i)
O problema do Brasil não é o tal do povo que não sabe votar; o real problema é que nossos políticos não estão à altura da posição que ocupam.

(v)
Um governante é sempre um modelo de conduta mimetizável por grande parcela da população. Nesse sentido, o mal, a corrupção gerada pelos nossos políticos e seus parceiros vai muito além, muito além mesmo, do mal uso do dinheiro público. Essa geração de facínoras, definitivamente, acabou com o que o Brasil poderia ser e que, agora, jamais será.

(vi)
Os excrementos humanos que acabaram com o Brasil bem provavelmente não pararam pra pensar que irão entrar para a história da humanidade por aquilo que são: cocôs falantes e corruptos que traíram a Pátria e envergonharam a nação por um quinhão que eles não poderão levar para a latrina de seus caixões.

(vii)
Chamar um bosta de "seu merda" não é insulto. É a deferência que lhe cabe na devida medida. Qualquer coisa fora disso, aí sim, é um insulto.

(viii)
Um direito inexistente pode ser violado? Não. Mas a mentalidade politicamente correta agem, histericamente, como se existissem. Sim, sei que isso é absurdo, mas essa gente age e pensa com base nessa absurdidade.

(xi)
Abortistas não estão preocupados com saúde pública, nem com a dignidade feminina. Eles almejam macular de modo blasfemo o santuário da vida.

(x)

Agora que isso me ocorreu: será que, nos bastidores das sombras do poder, todo o cenário do impeachment e do governo Temer não foram desenhados com a finalidade de chegarmos ao picadeiro da refundação da esquerda sob a lona duma pseudo "Diretas já"? Sim, sei que isso é apenas especulação, porém, para meu olfato, isso fede tanto quanto a realidade midiaticamente compartilhada.

terça-feira, 20 de junho de 2017

ÁGUA CHOCA DÁ DOR DE BARRIGA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Lembre-se - como diz minha mãe - que quando você aponta o seu dedo craquento para acusar o outro, que existem outros três dedos que estão apontados pra você seu relaxado.

Vale lembrar também que tal preceito não nos convida, de modo algum, a fazermos vistas grossas frente ao mal cínico que assombra o nosso país.

Devemos perdoar o que é perdoável e a tolerar o que é tolerável, mas sermos implacáveis no combate a soberba do mal que se orgulha e se rejubila com suas pérfidas obras.

Enfim, como dizem os tongos: não confundamos alhos com bugalhos para, quem sabe, deixarmos de ser, assim, tão otários.

(ii)
O tal do sistema é corrupto, sim senhor, ninguém nega esse fato; mas corromper-se é uma escolha feita livremente e, nesse caso, ninguém admite esse triste fiasco. Ninguém sabe de nada, todo mundo é inocente e mais que rapidamente muda-se o rumo do papo.

(iii)
Todo ataque afetado de cidadanite tem seu "Q" de esquerdice.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

RECADOS DUM CORVO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
A destruição da imaginação moral é a base sólida da receita do insucesso da educação nacional.

(ii)
Uma imaginação moral deformada é um solo fértil para o cultivo de estereótipos estúpidos e estupidificantes.

(iii)
Muitas coisas são fáceis de serem compreendidas, porém difíceis de serem suportadas. Entender o Brasil não é o bicho da goiaba. Suportá-lo é.

(iv)
A lentidão da justiça nos dá a certeza de que estamos na casa da mãe Joana, onde os filhos da Dona tem preferência no trato e nas decisões.

(v)
O caos em que se encontra o país nada mais é que uma cortina de fumaça que encobre a ordem ditada pela corja que diz querer o nosso bem.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 18 de junho de 2017

RECADOS DUM OUTRO PASSARINHO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
O esquema do estamento burocrático é: que se danem os anéis do povo brasileiro. O que importa é que sejam salvos os seus levianos dedos.

(ii)
Suposições podem ser perigosas porque se forem devidamente exploradas em suas possibilidades podem nos ajudar a desnudar muitas mentiras.

(iii)
A grande tragédia da política nacional é que não são poucas as almas que se perdem em nome das vãs e efêmeras conquistas desse mundo.

(iv)
No jogo político, muitas vezes os conflitos internos dum partido são mais intensos e significativos que as pelejas com os demais partidos.

(v)
Uma imaginação moral limitada, deformada, é o caminho mais do que certo para a destruição total da inteligência de qualquer um. Não tem erro.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

sábado, 17 de junho de 2017

RECADOS DUM PASSARINHO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Definitivamente o Brasil é um manicômio. Uma nação formada por cidadãos esquizofrênicos, governada por psicopatas e orientada por dementes.

(ii)
O grande enrosco do Brasil é que o tal salvador da pátria diz não saber de nada e, mesmo assim, é idolatrado pelos matungos diplomados.

(iii)
Num país guiado por psicopatas é mais do que natural que a histeria, individual e coletiva, seja tida como uma de manifestação de cidadania.

(iv)
A única coisa que interessa ao estamento burocrático é conter os danos da crise pra poder salvar o esquema de toda a trupe que nos parasita.

(v)
Entenda, definitivamente, uma coisa: o fato de dois partidos brigarem aberta e publicamente não significa que eles sejam inimigos íntimos.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

BEBENDO ÁGUA DA MORINGA FURADA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Existe uma diferença abissal entre aquilo que é sensual e tudo o que venha a ser uma reles manifestação rasteira de vulgaridade, como bem nos lembra o escritor Mario Vargas Llosa. Porém, com uma frequência muito maior do que seria tolerável, confunde-se facilmente a segunda com a primeira simplesmente porque muitíssimos indivíduos não sabem o que é a primeira e, por isso mesmo, acabam imaginando que o vulgar seja um sinônimo de sensual.

(ii)
Podemos ter uma clara noção da gravidade em que se encontra nossa alma frente às pelejas contemporâneas apenas levando em consideração o profundo desdém que se nutre pelo silêncio e pelos preciosos momentos solitários.

Uma sociedade que não fomenta nem uma coisa, nem propicia a outra está fadada a se degradar. Os indivíduos que não procuram cultivar, nem defender esses tesouros espirituais são sujeitos condenados a cair numa ignóbil e lenta decomposição moral.

(iii)
As alminhas politicamente corretíssimas facilmente se impressionam e dão seus espetáculos de moralismo de meia pataca quando um cidadão reage de modo agressivo por estar farto de ser feito de otário pelo sistema, de ser ludibriado por aqueles que sempre contam com a leniência do dito cujo.

(Nossa [!], dizem as alminhas, como ele pôde ousar fazer isso e blábláblá).

Porém, todavia e, entretanto, essas mesmas alminhas jamais param pra cogitar no quanto esses cidadãos, anônimos até estourarem em seu dia de fúria, tiveram de aguentar até aquele momento de ira da camarilha que se locupleta com a cultura da impunidade que impera em nosso país.

E não pensam nisso porque o cidadão comum, que procura, na medida do possível, viver de modo correto, não se enquadra nos estereótipos de vítima do tal sistema que são consagrados pela grande mídia e pelo establishment.

Enfim, seja como for, são justamente essas alminhas, que tanto falam em alteridade, em procurar compreender o outro que são incapazes de compadecer-se dessas pessoas que, até então, apenas desejavam viver suas vidas em paz até que as estereotipadas vítimas do tal sistema resolveram vacilar e, de mãos dadas com as potestades estatais, afrontar a sua paciência.

Aí, meu caro Watson, não adianta protestar contra o leite derramado.

(iv)
A afirmação da busca pelo prazer como se fosse sinônimo da busca pela felicidade não é, de modo algum, como prega a mentalidade contemporânea, a mais excelsa forma de afirmação da liberdade individual. Não mesmo.

Na real, tal busca é o caminho certo para a escravização da alma humana ao que há de mais baixo em nossa natureza, tornando-nos subservientes justamente àqueles que diziam – e dizem - que tal procura hedonista seria um inalienável direito fundamental todinho nosso.

Enfim, da mesma forma que facilmente se engana uma criança com um docinho, hoje, grupelhos totalitários fazem de trouxas cidadãos que pensam que seus umbigos desejosos são ao mesmo tempo o centro do mundo e a coluna de sustentação duma tal democracia. Só que não.


(*) Professor, cronista e bebedor de café. 

domingo, 11 de junho de 2017

TRANSMISSÃO DE PENSAÇÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Ano que vem (2018) teremos eleições e, somente agora, agora, agorinha, que as contas da chapa Dilma/Temer, eleita no último pleito, estão sendo apreciadas pelo TSE. E estão sendo apreciadas dum jeito que até meus cachorros estão envergonhados, porém, os doutos apreciadores desse vexaminoso caso não estão não. Nem um pouquinho. Pois é, meus dogs que me perdoem, mas isso sim é que é uma baita cachorrada.

(ii)
O medo habita o coração de cada um de nós e suas raízes encontram-se firmemente calcadas em nosso imaginário. A força, a nossa força, também habita o âmago de nossa alma e tem as suas raízes firmadas no fértil solo de nossa imaginação moral. Por isso, sempre é bom que lembremos que podemos nos permitir ser limitados pelo medo ou controlarmos os ditos cujos impondo-lhes duros limites com a nossa força. Para tanto é imprescindível que conheçamos, que queiramos conhecer, tanto a amplitude real duma como a profundidade e a substância da outra.

(iii)
Quem nunca teve a impressão de ser uma grande farsa, por mais que viva falando da importância de tomarmos consciência disso ou daquilo, jamais tomou consciência de nada significativo sobre si mesmo, ou sobre os outros, por simplesmente ignorar a real significação de sua existência subjacente a todo o fingimento e afetação de sua suposta superioridade crítica. E põe crítica nisso.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

QUASE POESIA, n. 131 (sobre o dia D)

Jovens soldados morreram
Mães angustiadas choraram
Para podermos com alegria
Ainda falar em democracia.

QUASE POESIA, n. 130 (sobre o dia D)

Lembremos sempre desses homens
Dos inúmeros soldados sem nome
Que se sacrificaram em tenra idade
Para defender a nossa liberdade.

TUDO GUARDADO NA VELHA GUAIACA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Quando partimos dum pressuposto errado, tudo o que fizermos será equivocado, por mais bem intencionadas que sejam nossas intenções.

(ii)
Pois é, dizem que havia (e há) um projeto globalista, anticristão, antidemocrático, neopagão e totalitário que, até o momento, se fantasiava com as rotas vestes das tais preocupações ecológicas, maquiado com as tintas do dito cujo aquecimento global antropogênico e, tudo isso, capitaneado pelos Organismos internacionais que foram concebidos com o firme propósito de tornar esse projeto uma realidade.

Bem, lá pelas tantas, vem um tal de Trump e chuta o pau da barraca e deixa a elite globalista perdida e irritadíssima. Não só ela como os seus tentáculos que estão espalhados pela grande mídia e junto aos seus serviçais no universo acadêmico.

Putz! O presidente da cabeleira laranja rasgou a fantasia globalista e agora só não vê o óbvio totalitário e ululante quem não quer.

(iii)
No Brasil, o tal estatuto do desarmamento, é mais ou menos assim: imagina-se que a segurança pública será garantida mantendo a população - que procura viver de acordo com as leis - desarmada enquanto a bandigem pode manter-se armada até os dentes com brinquedinhos que vão muito além de faca, faquinha e facão.

(iv)
Há pessoas que não são capazes de compreender que elas não são o centro de tudo. Querem ser referência de tudo e para todos sem ao menos terem feito algo que seja significativo para alguma coisa.

Pior! São justamente essas almas que bradam aos quatro ventos que não devemos ser egocêntricos e egolátricos, que afirmam que seria imprescindível colocarmos o coletivo em primeiro lugar que apenas fazem isso se, é claro, eles estiverem à frente do dito cujo do tal coletivo e, principalmente, que sejam paparicadas como sendo o suprassumo do pancadão.

(v)
A regra é simples: se o caipora diz que sente muito orgulho de ser quem ele é, isso apenas indica que em sua vida pouco ou nada tem algum significado distintivo; por isso a necessidade premente de bater no peito, como se ele fosse um tambor, para gabar-se daquilo que não é e não se sentir reduzido aos limites de sua nulidade existencial.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

QUASE POESIA, n. 129

Uma vida barulhenta
E agitada
Oculta uma alma triste
e angustiada.

ISSO É IMPRESSIONANTE... SÓ QUE NÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Qual é porção de atenção que nossas palavras merecem? De cinco a dez por cento do tempo que foi dispendido por nós para elaborar isso ou aquilo que pretendemos que seja ouvido por nossos semelhantes.

Por isso que, sinceramente, considero uma baita sacanagem quando um sujeito pede nossa total atenção para algo que ele nunca havia pensado até o momento em que resolveu abrir a sua boca.

Tal atitude seria similar a do sujeito que soltou uma flatulência e quer que os outros cheirem na marra aquele troço que foi gerado sem um mínimo de esforço e que, como todos sabem, não tem valor algum.

Enfim, assim o são todas as opiniões emitidas sem um mínimo de consideração pelo conhecimento que necessariamente deveria fundamentá-las. Ponto.

(ii)
Com muita facilidade a covardia moral confunde-se com a virtude cardinal da prudência. Não se engane! A prudência, enquanto mãe de todas as virtudes, é a conquista da sabedoria; já a covardia moral, fantasiada da referida virtude, nos avilta e nos estupidifica sem a menor cerimônia em nome de nossa cobardia fundamental. Enfim, por essas e outras que, definitivamente, autoengano maior que esse não há.

(iii)
Bom mocismo não passa de malícia em misto com uma covardia moral sensibilíssima. Isso tudo bem juntinho, misturado e mal disfarçado de virtude é o tal do bom mocismo. E põe mal disfarçado nisso.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 4 de junho de 2017

QUASE POESIA, N. 128

O domingo, todos sabem, é dia do Senhor
Dia em que muitíssimas famílias brasileiras
Ao invés de render aos Céus o devido louvor
Preferem se entregar à TV com suas asneiras.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

DIZEM QUE O DEGA SUSTENTA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Cabeça de esquedopata radical chique é mais ou menos assim: feminazis podem introduzir crucifixos e rosários nos seus orifícios anais? Podem sim. Fazer isso seria apenas um protesto e uma manifestação estética. Fantasiar-se de Papa Bento XXIV e usar no lugar da Eucaristia uma camisinha pode? Pode sim. Isso seria apenas uma manifestação de diversidade cultural. Cuspir e defecar na fotografia de desafetos parlamentares numa via pública e convidar os transeuntes a fazer o mesmo pode? Claro que pode! Isso seria apenas um legítimo e salutar exercício de cidadania. Invadir prédios públicos e atear fogo neles pode?  Claro! Tal prática seria uma forma legítima de lutar contra um governo golpista. Receber grana de empreiteira pode? Pode sim. É uma forma discreta de lutar contra o “capetal” usando o próprio "capetal". Agora, um cidadão pode esculachar, num ato de desobediência civil, um parlamentar que quis melindrá-lo com uma notificação por causa de um e outro twitter de sua autoria? Ah! Aí não pode não. Isso aí é fascismo do bravo.

(ii)
Um dos grandes problemas do Brasil é que os comediantes são levados a sério, quando não deveriam, haja vista que eles são o que são. Por sua deixa, muitas de nossas autoridades não sabem agir de modo sério, quando deveriam, haja vista que essas não são o que deveriam ser.

(iii)
É sempre importante lembrar que no Brasil atual a hipocrisia não é um problema não porque, o que realmente impera entre nós a o cinismo rasteiro e calhorda que não se envergonha em num pouco do mal que faz a nação e que, inclusive, se ufana de assim proceder.

(iv)
Lembram do Salman Rushdie autor do livro Os versos Satânicos? Pois é, na época o Aiatolá Khomeini o transformou no alvo duma fatwa, nos seguintes termos: “[...] informo o orgulhoso povo muçulmano do mundo inteiro que o autor do livro Versos Satânicos, que é contrário ao Islã, ao Profeta e ao Corão, assim como todos os implicados em sua publicação e que conhecem seu conteúdo são condenados à morte".

Resumindo o entrevero, o escritor foi jurado de morte porque os brios islâmicos foram ofendidos com a dita cuja obra literária.

Por essas e outras que eu não tenho muito dó de gente ofendidinha não, principalmente se seus brios são politicamente corretos. O que eu tenho dessa gente é medo, pois, seja para os ultrajados de antanho, seja para magoados modernosos, não há limites para eles se sentirem agravados e pedirem a cabeça dos seus desafetos ao mesmo tempo que posam de vestais da tal democracia.

Sobre esse ponto, vale lembrar o que certa feita fora declarado pela Corte Europeia de Direitos do Homem. Diz ela que “a liberdade de expressão vale não apenas para as informações ou ideias acolhidas com favor, mas também para aquelas que ferem, chocam ou inquietam o Estado ou uma fração qualquer da população. Assim o querem o pluralismo, a tolerância e o espírito de abertura, sem o qual não existe sociedade democrática”.

Enfim, seja como for, penso eu que os ofendidos deveriam deixar essa sua sanha totalitária de lado e aprender o mais rápido possível a serem mais espirituosos se quiserem continuar a posar perante todos com essa sua velha e surrada imagem de alminhas democráticas porque, desse jeito, ninguém mais engole esse trololó não.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

terça-feira, 30 de maio de 2017

PAREM TODAS AS MÁQUINAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Não são os meios de comunicação, seja a grande mídia ou as redes sociais, uma sucursal do inferno não. O inferno está no coração daqueles que fazem uso desses meios e que, por sua deixa, acabam projetando sobre eles tudo o que há no âmago do seu ser. No frigir dos ovos, a TV, os livros, a internet, etc., são simplesmente espelhos que refletem a nossa face porque neles procuramos aquilo que nós somos, dum jeito ou doutro.

(ii)
As redes sociais, em si, não são imbecilizantes não. Elas, por sua natureza, apenas potencializam aquilo que cada um de nós é. Só isso.

(iii)
Ao seu modo, hoje em dia, as redes sociais são a ágora doutros tempos.

Nelas, nas redes sociais, as pessoas se encontram, discursam, palestram, vendem e compram coisas e serviços, contam causos, piadas e, é claro, protestam e xingam de modo similar ao que era feito nas antigas ágoras.

E, da mesma forma que nas praças de antanho, alguns recebem a atenção de multidões sem fim e, outros tantos, acabam falando apenas para meia dúzia de gatos pingados e, outros, terminam o dia falando sozinhos.

Obviamente que as dimensões dessa praça pós-moderna são bem mais amplas, porém, os indivíduos que nela circulam, de um modo geral, não são tão diferentes daqueles que fervilhavam entorno do velho coro onde a bandinha tocava.

Agora, o que cada um procura encontrar nas redes sociais (ou nas antigas praças), varia de um indivíduo para outro. Variação essa que, de indivíduo para indivíduo, vai da água para o vinho; em alguns casos, da água ao chorume.

(iv)
Muitos de nossos parlamentares – quero crer que existam nobres exceções – não desejam apenas as regalias fiduciárias das quais eles gozam em misto com tal imunidade parlamentar. Muitas desses – não todas, quero crer firmemente nisso – desejam também ser blindados contra qualquer crítica e enxovalho que seja dirigido as suas excelsas pessoinhas.

Para tais criaturinhas, tal exigência seria uma garantia fundamental para a preservação daquilo que eles entendem como sendo as tais instituições democráticas. E de fato são sim, porém, ao velho estilo orwelliano onde uns [eles mesmos] são mais iguais que todos os outros.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

QUASE POESIA, N. 127

Ocas e vazias são as bolhas de sabão
Feitas em nome de uma paz hipotética
Proclamada por um e outro coração
Que crê de maneira vã e patética
Que essa ação politicamente correta
Irá proteger os cidadãos da violência
E do cinismo da intocável delinquência.

QUASE POESIA, N. 126

Quando amigos não se entendem
Queira-se ou não, as crises vão aflorar.
Se inimigos não são capazes de dialogar
O terror da guerra torna-se eminente.

domingo, 28 de maio de 2017

sábado, 27 de maio de 2017

sexta-feira, 26 de maio de 2017

MATUTAS À BEIRA DO FOGÃO A LENHA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Quanto mais uma palavra é evocada, mais o objeto a qual ela se refere encontra-se morto ou, no mínimo, inexistente no horizonte moral daquele que a utiliza.

(ii)
A razão, pobre coitada, pra poder viver é obrigada a estar sempre exprimida nos limites da realidade para poder ponderar de acordo com a sua natureza que é a razoabilidade.

Já a estupidez, por sua deixa, também é uma infeliz, haja vista que ela opera na vastidão ilimitada da insensatez emitindo observações na medida de sua índole: a insanidade que anseia em ser como a tal da razão.

(iii)
A idiotia ideologizada sonha em ser vista como sendo a voz da razão sem, necessariamente, fazer o menor esforço para tornar-se minimamente razoável.

A razão, por sua deixa, teme terminar seus dias na alcova da idiotia, porque sabe que a fronteira que a separa dessa triste possibilidade é por demais estreita e fácil de ser ultrapassada.

(iv)
Não especulemos sobre os fatos que desconhecemos. Isso é masturbação mental com ejaculação precoce da pior espécie. Procuremos, primeiro, conhecer os fatos desnudos - sem as vestimentas que impomos muitas vezes com os nossos olhares - e, após isso, tentemos articulá-los com outros fatos sem levantar conjecturas delirantes. Doravante, após a realização do rastreamento das conecções e articulações possíveis entre os mais variados fatos, podemos ter certeza de que - se estivermos realmente dispostos a compreender o que está acontecendo - a realidade se desvelará aos nossos olhos sem a necessidade de invencionices ideologicamente desorientadas e pretensamente críticas.

(v)
O razoável, por definição, tem limites. Agora, a imbecilidade, por sua natureza, os ignora e, por isso, é um saco.

(vi)
Quando alguém diz que pensa e avalia os fatos com isenção e criticidade é porque o limite de seu horizonte de compreensão é do tamanho duma tacanha visão infantil turvada pelo veneno gregário duma ideologia imbecilizante.

(vii)
É bom entendermos que não é a realidade que tem de caber dentro da guaiaca dos nossos desejos, mas sim, que são os nossos desejos que devem ser situados nos limites da realidade.

Não entender essa obviedade é a mais pura e egolátrica infantilidade. Infantilidade que, em muitos casos, torna-se destrutiva na mesma medida em que se amplia a nossa indisposição para compreender que a realidade não está aí para atender todos os nossos caprichos, sejam eles graúdos ou miúdos.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

QUASE POESIA, n. 123

Toda vez que no sanitário
Dispomo-nos a sentar
Para sossegadamente obrar
É-nos sutilmente revelado,
Se pra pensar paramos,
A mais profunda verdade
Sobre a real face
De nossa humanidade.

domingo, 21 de maio de 2017

QUASE POESIA, n. 122

O rumo do destino
Não é por Deus feito.
Ele é fruto exclusivo
Dos rumos que elejo.

PONTO POR PONTO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Chesterton, com o seu jeitão de sempre, numa certa passagem duma de suas obras, chamou a atenção de seus leitores para uma obviedade que ululantemente é ignorada por cada um de nós na sociedade contemporânea; obviedade a qual seria a seguinte: a Santa Madre Igreja proíbe tudo, praticamente tudo, porém, por sua deixa, perdoa tudo também. O mundo, com todos os seus encantos e tentações, permite tudo, tudinho – essa é a sua lei; entretanto, ele não perdoa nada, nadinha. Se compreendermos isso, iremos aprender o que é o amor que nos foi ensinado no alto do madeiro da santa cruz.

(ii)
Aquele que não sabe ser razoavelmente competente naquilo que é certo, dificilmente fará a diferença na execução daquilo que é duvidoso porque, por incrível que possa parecer, tudo aquilo que é errado, para ser bem feito, exige muito mais preparo do que é exigido na realização daquilo que é correto.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

QUASE POESIA, n. 121

Na história existem
Os tais crimes perfeitos
Na sua execução
E proposição
Como também existem
Os que são mui ridículos
Em sua proposição
E execução.

sábado, 20 de maio de 2017

UMA QUESTÃO DE LEGÍTIMA BLOGICIDADE

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
Na atual conjuntura política, que vislumbra uma eventual eleição indireta para presidento (ou presidenta), se a mim pedissem para indicar um candidato a mais elevada cadeira dessa república das bananeiras, com certeza iria sugerir, sem pestanejar, o nome do meu cachorro mais velho, o Percy. Ele é um cabra bão, de confiança e tem uma larga experiência em morder tudo o que não presta. É isso! Está aí meu candidato: Percy! Um presidento que é o cão.

(ii)
Para salvar uma alma perdida, imersa nas trevas de si e do mundo – sombras plúmbeas que são orquestradas pelo inimigo - basta a luz de uma vela, o sussurro de uma prece feita com reta e sincera intenção para que o corações transviado entregue-se nas mãos Daquele que bem nos conhece e que, por isso mesmo, nos ama e quer nos salvar de nós mesmos, de nossas fraquezas e de nossa fácil inclinação para o desespero.

(iii)
Defender o senhor Lula da Silva, motivado por confessas convicções ideológicas que sua imagem representa – mesmo que essas convicções sejam equivocadas do princípio ao fim – é um direito que assiste a todo aquele que assim procede. Agora, ficar repetindo mecanicamente um punhado de palavras de ordem para defender o excelentíssimo senhor sem vergonha achando que isso é sinônimo de elevada inteligência e distinta postura ética - dizendo que não há nada provado contra ele e blábláblá - pode até ser um direito daqueles que agem assim, entretanto, é o cúmulo da sonsice engajada advinda duma militância demente ou duma simpatia ideológica inconsequente. Só isso e olhe lá.

(iv)
Só para constar: aquele que disse que a responsável por tudo seria sua excelentíssima senhora falecida é o mesmo que fez do velório da referida um vil palanque político - em misto com declarações auto lisonjeiras e comiserações egolátricas. E tem mais! Esse sujeito é o senhor que declarou em alto e bom som que não há no Brasil uma viva alma mais honesta que ele; é o mesmíssimo camarada que, certa feita, em Roma, após comungar sem se confessar, afirmou que fez isso porque não tinha pecado algum. Ecce homo. Esse é o homem idolatrado pela rubra multidão.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

QUASE POESIA, n. 120

Todos aqueles que ficam bravinhos
Com esses simplórios versinhos
Deveriam tomar naquele lugarzinho
Sem demora e bem sozinhos.

QUASE POESIA, n. 119

Frente a essa república decaída
Sou um confesso anarquista
Com um coração monarquista.

GORJEANDO COM OS PÁSSAROS NA PRAÇA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Uma coisa que todos nós deveríamos fazer - principalmente aquelas alminhas que acreditam ter uma solução mágica e burocrática para todas as pendengas humanas - seria organizar para sua própria vida uma hierarquia de prioridades de curto e longo prazo.

Isso mesmo! Todos nós - uns mais, outros menos - cultivamos o hábito nada salutar de dizer o que deveria ser colocado em primeiro lugar na escala das prioridades da humanidade, dos governos, das religiões, de tudo e de todos, porém, se perguntarmos a nós mesmos quais são as nossas prioridades é bem possível que não saberíamos responder de modo adequado.

Na verdade, na maioria dos casos, o quadro seria um pouco pior. Ao invés de respondermos sinceramente que nunca paramos pra pensar e efetivar uma hierarquia desse tipo em nossa vida; preferimos mentir, descaradamente, para nosso interlocutor, e para nós mesmos, dizendo que temos uma muito bem elaborada.

Sim, verdade seja dita: há aqueles que sinceramente apresentam uma e outra prioridade em sua vida, mas essas são tão rasteiras e imediatistas quando despropositadas que não mereceriam nem mesmo ser consideradas. Em muitos casos chegam mesmo a ser indignas de contarem como prioridades duma vida minimamente civilizada.

Aliás, como confundimos levianamente prioridades de curto prazo com as de longo prazo e, por essa razão, sem querer querendo, acabamos por avaliar o sentido de nossa vida pelo prazer efêmero dum momento.

Aquele tipo de atitude dissimulada, juntamente com essa total inexistência de uma intenção que tenha em vista razões de longo prazo e ambas em misto com a incapacidade de elegermos elementos dignos de serem colocados em primeiro plano na nossa existência, são, bem provavelmente, alguns dos grandes males que nos fazem padecer enquanto sociedade. Uma sociedade que almeja a grandeza sem nunca estabelecer seriamente o que deve ser colocado em primeiro lugar para realizarmos isso, seja em nossa vida, seja em sociedade, seja onde for.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.