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Mostrando postagens de 2017

MIMADOS POLITICAMENTE ENGAJADOS

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UMA COISA QUE OS DOUTOS em matéria de educação se esquecem é que a vida é composta por desafios e obstáculos e que, aprender a lidar com eles e, principalmente, a lidar com possíveis frustrações, é parte fundamental do processo de ensinação.
É desse jeito que amadurecemos ou, como dizem os antigos, que nos tornamos gente.
Mas como eles, os doutos diplomados, ignoram isso, e por estarem muito mais preocupados em fazer populismo em educação do que educar a população infante, o resultado continuará, por muito e muito tempo, a ser esse: a formação de cidadãos criticamente mimados, dependentes dos regalos estatais e essencialmente egocêntricos.
E é obvio que eles aprenderam também, e muitíssimo bem, disfarçar todas essas feiuras com uma e outra palavra de ordem politicamente correta e socialmente engajada.
Dissimulação essa que eles aprenderam na escola através do currículo não tão oculto que rege ela em seu (des)fazer pedagógico.
Enfim, no fundo, eles foram bons alunos. O problema é que eles a…

SINTO MUITO... GAME OVER

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Muitas vezes algumas pessoas se perguntam porque os infantes levam tão a sério um jogo, seja ele o futebol ou um videogame, mas não encaram com a mesma seriedade os seus estudos. Essa é uma pergunta tão justa quanto atual e que, por isso mesmo, merece ser meditada, mesmo que de maneira breve e caipira.
Tomemos, nessa escrevinhada, apenas o caso dos videogames e sejamos curtos e diretos: o que atrai a gurizada pra mergulhar de cabeça neles é que os ditos cujos são mortalmente sérios. Isso mesmo. Todo e qualquer jogo é mortalmente sério.
Explico-me: independente de qual seja o jogo, esses sempre tem regras muitíssimo claras, regras essas que se não forem devidamente respeitadas, implicarão em consequências capitais para o competidor.
Fez corpo mole, não prestou a devida atenção, não realizou as tarefas exigidas, sinto muito, mas não tem lesco-lesco. Vai perder. Vai reprovar.
Quando isso acontece, o piá fica dando peti, dizendo que foi injustiçado e blábláblá? Nada disso. Ele compreende, se …

NÃO É DISSO QUE O BRASIL PRECISA

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(i) O SER HUMANO NÃO É MAU por natureza, nem bom. Nada disso. No fundo, somos apenas indivíduos com anseios mesquinhos e com sonhos medíocres e, por isso mesmo, acabamos sendo facilmente influenciados por qualquer sujeito que esteja minimamente acima da reinante mendacidade das massas.
(ii) O BRASIL NÃO CARECE de um grande plano de salvação nacional. O Brasil precisa, urgentemente, de pessoas humanamente qualificadas para fazer alguma coisa com suas próprias vidas que não seja, com o perdão da palavra, uma majestosa merda.
Em resumo, o nosso país continuará perdido e atrapalhado feito cachorro correndo atrás do seu próprio rabo se nós, individualmente, continuarmos a agir feito um pulguento que caiu do caminhão de mudança.

(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

E NÃO ADIANTA REINAR NÃO

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ALGO PODE SER TIDO COMO VERDADEIRO ou falso, bom ou ruim, justo ou injusto, não por causa da convicção ideológica que tenhamos sobre isso e aquilo, muito menos pela posição política que defendamos aqui e acolá, mas sim e fundamentalmente, apesar dessas coisinhas.
Toda vez que emitimos juízos sobre a realidade deste ou daquele fato, guiando-nos unicamente com esses tipos de tranqueiras, ideologias e seus carrapatos, invariavelmente acabamos caindo vergonhosamente do cavalo da razão com as ventas no chão.
Ou simplesmente caímos sem corar de vergonha, pois, como todo mundo sabe, em regra, a vergonha na cara se esgota e seca bem rapidinho quanto colocamos uma ideologia no lugar da inteligência e transformamos uma opção política mequetrefe numa tábua de (des)orientação moral.
Enfim, por definição, a realidade de qualquer coisa sempre foi, e sempre será, muitíssimo maior e mais complexa que o reducionismo de qualquer ideologia, inclusive e principalmente, a própria realidade desse tipo de trem…

ABOLINDO O BOM SENSO

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UMA INJUSTIÇA COMETIDA NÃO PODE SER reparada com a realização de outra injustiça. Uma infâmia perpetrada contra um inocente jamais será reparada com a realização duma outra ignomínia contra uma outra pessoa. Um mal sofrido amargamente jamais será extirpado praticando-se o mal indiscriminadamente.
Todavia e, infelizmente, esse nefasto ciclo vicioso impera no coração e na mente de muitos e é tido, por esses indivíduos, na conta duma atitude cidadã digna de respeito.

Enfim, não é à toa que estamos, a cada dia que passa, mais e mais semelhantes a um grande manicômio dirigido por lunáticos democrática e criticamente constituídos que, numa assembleia de inconscientes e inconsequentes, resolveram abolir de vez a razão e o bom senso.
(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

COISAS DA NOSSA TRISTE NAÇÃO

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TODA VEZ QUE, POR DESCUIDO, presto a indevida atenção aos produtos da cultura midiática e que me defronto com os assuntos que são celebrados pelo sistema educacional brasileiro atual, acabo tendo a clara impressão de que tanto o primeiro quanto o segundo são a expressão cristalina da lei de Thelema.
A realização do ‘faça tudo o que tu queres, pois essa é toda a lei’, passou a ser a nova palavra de ordem, onde toda e qualquer rabugice é entendida como uma espécie de direito pétreo e que, se não for devidamente atendida, tal desfeita acabará sendo vista como uma afronta contra toda a humanidade.
E é por isso que toda e qualquer insatisfação caprichosa passou, atualmente, a ser vista como uma bandeira política criticamente concebida, tornando o debate político mais cômico do que nunca. Na verdade, tragicômico.
Ora, uma sociedade que celebra tranqueiras desse naipe como sendo a pedra fundamental para edificação de sua vida cívica está condenada a total degradação.

E tem mais uma: afirmar isso…

QUANDO A PROSA ACABA

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QUANDO A CONFUSÃO É GRANDE DEMAIS, qualquer empreendimento para tentar identificar e responsabilizar o possível, ou suposto, culpado pelo deus-nos-acuda é algo praticamente infrutífero, na maioria dos casos.
Não porque o sistema seja corrupto, ou porque o Estado seja incompetente, ou porque a sociedade seja, em si mesma, má. Não se trata disso.
Em princípio, quem deve tem de pagar. Todavia, o “x” da questão é que todos aqueles que estão envolvidos num determinado furdunço tem lá sua cota de responsabilidade e, muitas vezes, a de um não é menor que a do outro e, por essas e outras que, dum modo geral, as cirandas acusatórias que giram em torno dessa ou daquela pendenga nossa de cada dia, apenas tendem a aumentar cada vez mais, chegando ao ponto do esgotamento de toda e qualquer possibilidade de entendimento e, consequentemente, duma solução minimamente razoável.
Enfim, seja como for, lembremos sempre que quando vizinhos, colegas e amigos não mais são capazes de conversar com franqueza…

DUM BAIXÍSSIMO GABARITO

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DA MESMA FORMA QUE UMA decisão judicial está longe de ser um mandamento divino, os feitos e desatinos de movimentos supostamente sociais não são, nem aqui, nem acolá, uma espécie de imperativo categórico. E, justamente, por ignoramos isso, que o Brasil, cada vez mais, se parece com uma casa de tolerância de baixíssimo gabarito.


professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

ATRAVÉS DO ZÓIO DE MINERVA

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OU É ASSIM, OU É ASSADO

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(1) SE NÃO SOMOS CAPAZES DE silenciar para ouvir, não estamos aptos para dizer qualquer coisa que preste.
(2) CONHECER É SIMILAR A COZINHAR. Se o produto de nosso labor intelectual é puro azedume e azia mental é porque, definitivamente, a matéria de nossas reflexões, e o proceder de nossa investigação, se houverem, será indigesta e não vai nos levar a lugar algum.
(3) FILOSOFAR NÃO É - DE JEITO MANEIRA - o exercício duma profissão, a ocupação dum cargo público e, muito menos, a prática duma atividade de caráter escolar. Filosofar é o atendimento amoroso e abnegado ao chamado duma vocação superior.
(4) LEMBRE-SE: UMA ALMA INQUIETA, tomada por paixões desordenadas, poderá apenas reagir aflitivamente diante dos desafios que são apresentados pela vida. Nunca como um adulto.
Dartagnan da Silva Zanela professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

NÃO ME VENHA COM LENGA-LENGA

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SE NÃO SOMOS CAPAZES DE NOMINAR e descrever uma coisa simples, como os objetos que estão presentes em nosso quarto, não sejamos presunçosos ao ponto de imaginarmos que estamos mais que habilitados para nominar e descrever qualquer coisa que esteja minimamente acima dessa diminuta escala. Não sejamos presunçosos ao ponto de acreditar que temos algo minimamente relevante pra dizer sobre qualquer coisa.
Dartagnan da Silva Zanela professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

A LIBERDADE COBRA SEU PREÇO

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ENTENDAMOS UMA COISA BEM SIMPLES: somente a verdade nos libertará. A ideologia não liberta ninguém; nem o partido, nem a política, nem o Estado, nem fulano ou sicrano. Nada disso. É somente ela, a verdade, e nada mais. Se não somos capazes de entender essa obviedade, com o perdão da palavra, não somos capazes de entender nada com um mínimo de decência. Nada.
Dartagnan da Silva Zanela professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

PARA ALÉM DE NOSSOS TEMORES

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NÃO DEVEMOS PROCURAR ALGO QUE apenas nos dê uma sensação de segurança não. Isso é para almas fracas, para aqueles que temem a realidade e não suportam encarar a vida face a face.
Infelizmente, quando muitas pessoas dizem estar trilhando o caminho da filosofia, o que elas anseiam desesperadamente encontrar é algo que tão somente confirme a sua inconformidade consigo e com o mundo. Só isso. Jamais a sabedoria em seu esplendor porque ela, a sabedoria, não cabe no minimalismo de seu horizonte de consciência.
Enfim, de jeito maneira essas pobres almas procuram a verdade. Na real, elas fogem dela como o coisa ruim foge da santa cruz.
Pior! Muitas vezes nós mesmos acabamos resvalando por esse turvo viés. Basta que sejamos sinceros para conosco mesmo para constatarmos essa vergonha nada original em nossa caminhada por esse vale de lágrimas.

Agora, se estamos de fato à procura de algo que fortaleça a nossa personalidade, é a verdade que devemos procurar e, tal procura, necessariamente, irá nos for…

COMO NUNCA SE VIU

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A casa não caiu. Foi derrubada pelo mais frio dos monstros frios.
Friamente foi feito, à sombra da suja toga de tretas e malícias mil
Que vive amancebada com a mais suja das castas, ignóbil e vil
Rindo, cinicamente, enquanto o infante e o homem senil
Choram ao ver que o trabalho de suas vidas inteiras caiu
Rente ao chão, junto a esteira do trator que tudo destruiu.
O trator destruiu o que o trabalhador, com seu suor, construiu.
A esperança que luzia no olhar do infante lacrimou e sumiu
Quando a ganância e a vileza contra sua família investiu
Sem clemência, sem justiça, sem dó, como nunca se viu.

por Dartagnan da Silva Zanela, 07 de dezembro de 2017.

UM CADINHO MAIS DE TEMPO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Queria ter mais tempo. Mais tempo para estar com aqueles que amo, que são a razão de meu existir. Queria tê-lo, fartamente, para poder ler e escrever mais e, quem sabe, melhor. Queira ter mais tempo para revolver a terra e cultivá-la, pra ver as sementes lançadas germinar e crescer. Queria. Como queria. Mas não o tenho. Entretanto, não me lamento por isso. Não mesmo. Faço o que posso com o cadinho que disponho em minhas mãos, aproveitando todo o tempo que tenho para fazer valê-lo. Para me fazer valer.
(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

NOTAS E RABISCOS NADA LITERÁRIOS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(a) OS ANSEIOS DA BRASILIDADE NÃO são compatíveis com a vontade que manifestamos para torná-los reais. Desejamos mundos e fundos, queremos que o Brasil seja a tal da mãe gentil, mas, praticamente ninguém, quer ser o filho que acolhe e defende com e por amor a mãe que está em apuros.
(b) ANTES DE DISCUTIRMOS O FUTURO político de nosso triste país é imprescindível que conheçamos, desnudos de toda e qualquer paixão ideológica, os caminhos e descaminhos que foram trilhados até o presente momento, por todos os partidos e seus respectivos caiporas que os integram, para vermos o quão profunda é a conexão que há entre todos os biltres que instrumentalizaram, em nome dos mais variados fins, toda a pachorra Estatal e, consequentemente, acabaram por avacalhar com toda a sociedade brasileira. Ah! É claro. Não nos esqueçamos de fazer o mesmo com as decisões imprudentes que foram adotadas por todos os indivíduos, inclusive e principalmente, refletirmos sobre as decisõe…

OLHARES PERDIDOS EM UMA SALA VAZIA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Uma das coisas que mais me encanta em uma sala de aula, mesmo depois de duas décadas lavorando em suas cercanias, é a variedade de olhares que dão forma e brilho a paisagem desses ambientes, fechados para o mundo presente e imediatista e que, na medida de seus limites, possibilita a abertura das almas infantes para inúmeros outros mundos que se fazem luzir em seus olhares miúdos.
Vendo-os, fico a imaginar o que está se passando por aquelas cabecinhas que, caprichosas, ficam a fintar com seus olhinhos para a movimentação que toma conta, algumas vezes, dos corredores ou do pátio. Noutras vezes procuro, de modo quase que paterno, tentar ler os anseios, angustias e aflições que estão presentes nas profundas águas dessas alminhas e que se fazem refletir em seus cândidos zoínhos.
Dessa multidão de janelinhas da alma, naturalmente, há algumas que, à sua maneira, marcaram mais profundamente o meu espírito do que outros, devido à singularidade de sua expressão e …

GASTRIMARGIA E OUTROS BICHOS

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) ESTAVA CÁ COM MEUS ALFARRÁBIOS a matutar: o que será que mulheres da envergadura intelectual duma Edith Stein, ou duma Simone Weil, diriam a respeito do feminismo contemporâneo, de um modo geral, e de figuras como Judith Butler, de modo particular. O que será? Não sei não, mas, algo me diz que o dito seria muito, muitíssimo interessante e que elas, as engajadas e empoderadas hodiernas, possivelmente, num primeiro momento, não iriam se sentir muito confortáveis com a possível preleção. Por isso, penso eu, que a leitura das obras dessas senhoras, necessariamente, deveriam ser lidas e levadas em consideração, obras essas que, por sua deixa, são sumamente ignoradas por essa época que, por meio de inúmeros organismos e entidades internacionais, não mede esforços para advogar em favor da tal ideologia de gênero, como se essa fosse uma espécie de verdade ocultada por milênios e que, agora, somente agora, foi revelada profeticamente pela soberba e iluminada…

O RISO É A MELHOR ARMA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) O SILÊNCIO QUE INVADE NOSSA ALMA numa noite solitária tem lá o seu charme, pouco importando qual seja a estação do ano em que nos encontramos com ele. E seu charme permanece a coroar-nos até o momento em que a silente soledade é quebrada, sem a menor cerimônia, por uma companhia – por uma má companhia – tão inesperada quanto indesejada, com sua luminosidade eletrônica manifesta através do brilho duma tela fria, sem vida, com seus inconvenientes sinais sonoros que tem o claro intento de nos inebriar com suas efêmeras ilusões digitais.
(ii) QUANDO SE AFIRMA QUE O TRABALHO FILOSÓFICO de Judith Butler é um trem lindo de doer é porque se tem uma noção muito caipora do que seja o tal do filosofar, e do que seja a dita cuja da filosofia, ou porque se possui uma desconjuntada compreensão do que seja a tal da boniteza. Das duas, uma. Ou as duas.
(iii) A GRANDEZA QUE PODERÁ COROAR o amanhã pode muito bem ser parida pelos erros de ontem. Tudo depende do que nós es…

NÃO SOU BOM COM NOMES

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
PROCURO ESFORÇAR-ME PARA SER UM HOMEM DE FÉ, temente a Deus, confessando a religião que herdei de meus pais, cônscio das limitações inerentes a mim e dos limites que constituem minha herança.
Sei que sou um ser restrito. Sei que que o acumulo de experiências humanas no intento de se reencontrar com Deus tem seus contornos. Sei também que o poder e o amor infinito do Divino não cabem, de jeito algum, em nossa limitadíssima capacidade de compreensão, como também não cabem dentro das fronteiras da criação; por isso, procuro não me esquecer que minha fé, e a religião que herdei, não abarcam a totalidade da realidade e, muito menos, que elas não podem tomar o lugar do fundamento último desta, que é Deus.
Por essas e outras que rio, rio muito e por misericórdia, da tigrada que diz, com a boca cheia de não sei o que, que apenas acredita nisso ou naquilo porque seja suposta e cientificamente provado, ou comprovado, ou demonstrado, ou que tenha remotas evidências…

ATÉ A ÚLTIMA GOTA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) VOU TE DIZER UMA COISA: amor não é uma cocegazinha que dá na barriga, nem um friozinho que sobe pela espinha. O nome disso é queredeira. Não amor.
Amor é a disposição graciosa de sacrificar-se abnegadamente pelo bem amado. Confundir isso com excitação é perversão mundana.
E te digo mais uma: por essas e outras que o amar é tão mal compreendido hoje em dia. Ele foi mutilado pela mentalidade hedonista moderna que doentiamente imagina que o saciar de todos os nossos desejos e apetites seja algo equivalente ao sublime dom.
Enfim, resumindo o entrevero: o sexo faz parte do amor, porém está muitíssimo longe de poder sê-lo em sua totalidade.
Se bobear, até os cães sabem disso, menos a humanidade do terceiro milênio.
(ii) UMA COISA É AMAR ALGO E, COM humildade e dedicação, procurar reforma-lo na medida de nossas limitações e nos limites da coisa amada, para não acabar deformando-a. Outra, bem diferente, é ansiar por reduzir a coisa amada a imagem e semelhança de…

O ROSTO REFLETIDO NO ESPELHO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) QUANDO MOLEQUE, SEMPRE QUE eu via na escola o mapa mundi, imaginava que metade do globo terrestre era ainda desconhecido, haja vista que, para mim, apenas metade do globo teria sido mapeado, e que, um dia, eu poderia explorá-lo e, quem sabe, descobrir novas terras e novos mundos.
Minha imaginação procedia de modo similar quando via o mapa do Brasil ou do Estado do Paraná. Imaginava, na inocência de minha meninice, que um município era apenas o pontinho que representava a cidade e que, todo o restante da área multicolor do mapa representava áreas ainda inexploradas que estavam apenas esperando pela ousadia dum Darta veio da vida.
Enfim, confusões cognitivas da tenra infância que, ao seu modo, até hoje me ensinam uma preciosa e imorredoura lição que me vacinou contra as tentações ideológicas e delírios utópicos que tão facilmente pervertem o velho e bom senso das proporções.
Lembro-me sempre, quando rememoro essa doce lembrança de meus idos pueris, que a…

APENAS UMA ÂNFORA QUEBRADA

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) AMIGOS SÃO AQUELAS PESSOAS QUE riem-se umas das outras, sem a menor cerimônia, porque se amam. E se amam não por causa de suas possíveis virtudes, mas sim, apesar de seus inumeráveis defeitos. Qualquer um que não compreenda isso, provavelmente, nunca teve um amigo de verdade e não sabe sê-lo verdadeiramente.
(ii) NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM EM DEFENDER uma causa política, como não há entrevero nenhum em filiar-se a um partido e, muito menos, em advogar a favor de uma ideologia política. Não mesmo.
Aliás, qualquer pessoa minimamente razoável sabe muito bem disso.
O grandessíssimo problema reside no fato de que, em muitíssimos casos, o sujeito que advoga em favor de uma causa, que adere a um partido e que defende com unhas e dentes uma ideologia, acaba colocando essas coisinhas acima da verdade, no lugar da realidade e num lugarzinho muito além do bem e do mal.
Aí, meu amigo, idiotia pouca é bobagem e, qualquer um com um mínimo de bom senso, percebe isso de long…

TODO DIA É DIA DE CRISTO

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Desde longa data, um dos traços característicos da brasilidade é a mimetização de tudo o que vem de fora. Não que a imitação seja algo ruim. Não mesmo. O probleminha aqui, com esse quesito, é que temos por hábito imitar tudo o que não presta, haja vista o péssimo costume que temos de considerar bonito ser feio.
Porém, não escrevinho essas linhas para apontar esse óbvio ululante. Escrevo-as para indicar um sinal jubiloso de mudança dessa mentalidade.
Nessa semana, a Escola Municipal Monteiro Lobato, onde meu filho mais velho estudou e que, agora, minha filhota estuda, promoveu uma palestra com os infantes sobre o dito cujo “dia das bruxas”, instruindo-as para não celebrá-lo, haja vista que virou modinha a macaqueação desse folguedo popular estrangeiro aqui nessas plagas verde-amarela.
Bem, quando vi minha pequenina, com seu semblante serenamente iluminado, falando-me das inúmeras razões pelas quais não seria conveniente, nem desejável, comemorar a referida…

NADANDO CONTRA A MARÉ

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) ANTES, MUITO ANTES DE USARMOS UM argumento que imaginamos ser fundamentado historicamente é importantíssimo que estudemos a dita cuja da história para sabermos, de fato, se o que estaremos dizendo sobre isso ou aquilo realmente tem o requerido fundamento nas envelhecidas e amarelada páginas da mestra da vida.
(ii) O ESTUDO É UM ATO SIMILAR A PRÁTICA de uma oração. É um ato de doação, de entrega do nosso tempo, de oferta de nossa vontade e atenção, de ordenação das intenções e inclinações de nossa alma. Quanto maior for a entrega, maior será o nosso crescimento. Melhor será a colheita. Quanto menor for a oferta, maior será o desperdício de tempo, energia e talento.
(iii) TUDO AQUILO QUE DIZEMOS E QUE, de antemão, não exigiu de nós um mínimo de esforço, de reflexão e estudo, pode até ser bonitinho e ter toda a nossa afeição, mas, gostemos ou não, esses ditos continuarão a ter um valor equivalente ao estudo e reflexão que não foram realizamos de antemão pa…

ENTORPECENTE E DEGRADANTE

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Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) POR MAIOR QUE SEJA A POMPA e o simulacro de superioridade que um caipora, doutamente empavonado, queira exibir com sua artificiosa elegância verbal, o tesouro carcomido que jaz em seu coração fica, dum jeito ou de outro, mais que visível ao luzeiro de todos, menos para as meninas de seus olhos, tendo em vista que esse tipo de gente não se enxerga de jeito maneira, devido a sua intratável afetação diplomada que apenas atesta a fatuidade que infecta sua alma.
(ii) O POLITICAMENTE CORRETO ENTORPECE a alma de tal forma que, quando um indivíduo é tomado por essa praga, acaba tornando-se incapaz de distinguir um simples gracejo cáustico de um, como dizem, discurso de ódio; o sujeito fica impossibilitado de diferenciar uma simples ironia de um ato de violência. Isso é triste, sim senhor, mas é assim mesmo. E, assim o é, porque a única coisa que essa tranqueira, o politicamente correto, faz é cevar o ódio nos corações dos indivíduos ao mesmo tempo em que insu…