O NAIPE DO BARALHO – parte I

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Tontos existem as pampas e dos mais vários naipes. De todos esses, com o perdão da palavra, o que mais me causa espécie são aqueles diplomados que paparicam a criminalidade com aquele discursinho pro-marxista que afirma que os meliantes, dum modo geral, são vítimas do tal sistema.

E, fazendo isso, entusiasticamente crendo que estão defendendo os interesses das classes populares.

Parece trelelê, mas são os fatos.

Porém, essa gente tão metida a sabida ignora que as maiores vítimas desses biltres são justamente as classes trabalhadores que tem seus bens roubados e sua vida devassada por toda essa cultura da impunidade tão enraizada e glamourizada em nosso triste país por esse tipo de gente chique.

Não preciso nem dizer, mas direi: cultura essa que, de quebra, dificulta muitíssimo o trabalho policial.

Não? Então pergunte, não ao policial, mas ao obreiro que teve sua casa assaltada pra ver o que ele pensa a respeito disso.

Sem mais delongas e milongas, sempre é bom lembrar que os criminosos fazem isso sob as bênçãos de toda aquela gente chique e diplomada, que frequenta os famigerados jantares inteligentes descritos pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. Gente essa que vive alheia a dura realidade vivida pelas vítimas das consequências de suas ideias inconsequentes.

E alheiam-se, é claro, estando mui confortáveis em seus condomínios fechados e, obviamente, bem seguros. Condomínios que, ao seu modo, são mui similares ao cenário distópico presente no filme Metropolis de Fritz Lang que, ao seu modo, tornou-se a imagem do Brasil contemporâneo.

(*) professor, cronista e bebedor de café.
Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/
Blog: http://zanela.blogspot.com/

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