DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 015

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

CONFUSÃO DO CÃO – A liberdade é, ao mesmo tempo, uma realidade e uma ilusão. Uma realidade enquanto uma possibilidade de realização humana frente às limitações que nos são impostas pela estrutura do mundo real; e uma ilusão diabólica quando certas concepções de liberdade passam a ser idealizadas por nós, como se elas fossem uma manifestação absoluta de nossa vontade que se sobrepõe a estrutura do real. Na primeira agimos na realidade a partir de seus limites e dos nossos. No segundo agimos num simulacro a partir dos ditames de nossos desejos.

CIDADANITE E OUTROS BICHOS - Não confundamos o que queremos com aquilo que é - ou que deveria ser - porque toda confusão desse gênero é um fruto pútrido.

A feliz coincidência do querer com o que deve ser ocorre quando o primeiro (o desejo) é devidamente ordenado e isso apenas ocorre quando procuramos dispor nossa vida à luz das virtudes.

Agora, quando vivemos de modo desordenado, fiando o nosso passo na vereda dos vícios morais e cognitivos, gostemos ou não, as nossas veleidades serão apenas uma manifestação, um sintoma da nossa intemperança.

Descomedimento esse que vê nesse tipo de faniquito uma imagem aliciante daquilo que será considerado pelo indivíduo uma necessidade inalienável, imprescindível, levando-o a agir feito criancinha mimada que bate o pé para, de birra em birra, poder chantagear os pais e assim obter o que quer.

Pois é, no Brasil atual, esse tipo de atitude mesquinha, tosca e infantil tornou-se sinônimo de cidadania crítica. Uma coisa linda de se ver sendo praticada por adultos e incitada (ou ensinada) aos jovens.

O PONTO DO CONTO – Não existe nada mais desprezível no mundo político que as perseguições e represálias que tenham motivação partidária.

Quando mandatários, ou caciques legisladores, usam de suas prerrogativas para assediar uma ou mais pessoas que não endossaram o seu apoio a suas pessoas, esses estão mostrando o quão mesquinho e cinicamente pueril eles são.

E, como almas desse naipe abundam nessas terras de botocudos, não será tão cedo que teremos essa pestilência varrida pra longe de nossa anêmica democracia.

A BOLA DA VEZ – Lulinha, o ex-presidente maravilha, discursou, não faz muito, para algumas alminhas perdidas de sua trupe, num ambiente controlado, em algum canto do Brasil. Ele disse, entre outras lulices, que aqueles que são anti-petistas e que desprezam sua pessoa pelo que ele é não passam de pessoas que estão azedas feito limão.

E é claro que ele foi aplaudido! Direito dele e daqueles o que o mimam. Direito o qual ninguém negará. Mas, tem uma coisa: a turma anti-petista não tá azeda não. Pelo contrário! Todos estão faceiros, ao menos a maioria, feito pinto no lixo, haja vista que não tem como não rir pacas frente ao vil e ridículo estado em que se encontra o partido da ética juntamente com seu grande líder, o homem mais honesto do Brasil.

VALORES TROCADOS - Para bandidinho e bandidão, aqui nessa terra de desterrados, todas as garantias e mimos lhe são afiançados; agora, para os homens fardados que, dentro de suas muitas limitações e possibilidades, procuram servir e proteger aqueles que se esforçam em seguir o estreito caminho, a esquisita tribo brazuca, esclarecida e diplomada, não diz nem mesmo um modesto e envergonhado obrigado.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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