DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 011

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

CARÁTER EM DECOMPOSIÇÃO – Se um indivíduo não é capaz de, diante de um sofrimento, se resignar amorosa e corajosamente, pode ter certeza de que estamos diante de uma alma incapaz de qualquer ato digno; de que estamos diante dum monstro moral cheio de presunção e podre de mimo até a medula. Pior! Esses tipos de aberrações, infelizmente, podem ser encontrados em farta quantidade na sociedade atual.

NEUROSE EDUCACIONAL – O nosso sistema educacional, definitivamente, é o maquinário perfeito para levar qualquer um, professores e alunos, à demência total.

E assim o é porque um sistema, dito educacional, que enjoativamente vive falando de ética pra lá e pra cá ao mesmo tempo em que ensina histericamente que todos os valores morais são relativos poderá apenas apresentar como fruto de seu lavoro a degradação geral da inteligência nacional.

Por essas e outras que, atualmente, muitos não sabem mais diferenciar uma opinião sobre um fato do que seja a descrição de um fato. Por essas e muitas outras que hoje muitíssimas almas ignoram a diferença abissal que existe entre um discurso que justifica algo e uma preleção que procura explicar alguma coisa.

E não mais se sabe fazer essa distinção porque durante anos a fio, foi e continua sendo pregado em todos os cantos do Brasil, que tudo é relativo e, fazendo isso, acabou-se reduzindo a tal da ética a um reles conjunto de chiliques referentes a certas condutas que devem ou não ser aceitas como politicamente corretas.

Detalhe: condutas essas que são fiscalizadas pelos olhares policialescos duma horda de ignorantes presunçosos devidamente (de)formados para tal e que se auto intitulam como sendo a massa crítica e bem pensante da sociedade. Ou seja: o sistema educacional brazuca conseguiu o (de)mérito de transmutar a ética em seu contrário e a educação em seu inverso.

Por fim, essa choldra ignóbil (depre)cívica, não se contenta apenas com a destruição da capacidade das pessoas enxergarem e reconhecerem o óbvio ululante. Não! Ela fomenta as almas desavisadas a reunirem-se festivamente, de vez em quando, aqui e acolá, em assembleias de inconscientes para celebrar as suas vidas inconsequentes. Assembleias essas que, no jargão modernoso, são tidas como sendo um excelso ato de cidadania.

Pois é. Por hora, é isso o que temos para o presente e para o futuro.

O QUADRADO REDONDO - Não existe esse troço de amor livre. Esse trelelê todo é apenas uma forma elegante de safadeza envergonhada.

Amor, por definição, é uma ligação, um compromisso incondicional de uma pessoa com outra.

Por isso, todos aqueles que advogam fervorosamente em favor desse trambolho chamado “amor livre” não estão, de fato, interessados em amor e, na real, nem sabe o que é.

No fundo, o que esse tipo de gente deseja é que essa safadeza, de usar os outros para a satisfação dum gozo egocêntrico, seja socialmente aceita. Só isso e olhe lá.

É AÍ QUE A PORCA TORCE O RABO – De um modo geral o absurdo não choca as pessoas. Nana nina não. Ao menos, não no Brasil atual.

Na verdade, a absurdidade, aqui por essas plagas, é aceita como crível pela maioria das pessoas, principalmente por aquelas que se consideram as mais esclarecidas.

E assim o é porque essas almas, supostamente ilustradas, são geralmente tão presunçosas quanto mesquinhamente desatentas e, por isso, acabam dando maior credibilidade a uma absurdidade qualquer que para a mais gritante das obviedades.

E isso ocorre porque o absurdo corresponde com maior fidedignidade aos cacoetes mentais e estereótipos politicamente corretos assimilados bovinamente por essa gente que não mais está habituada a encarar de frente a tal da realidade.

A PEDRA DE TOQUE – O que a alma mais clamorosamente deseja é aquilo que ela procura obter ou realizar quando o tempo lhe brinda com uma folga.

O que fazemos com o tempo ocioso, seja ele um tempo livre ordinário ou extraordinário, é aquilo que, de fato, nos anima e mais nos faz querer viver.

E isso que procuramos, que nos motiva, é justamente o “tesouro” que revela quem e o que somos.

COM O PERDÃO DA PALAVRA - Santo Agostinho ensina-nos que devemos preferir sempre aqueles que nos criticam, porque nos corrigem e nos afastam do mal, àqueles que nos lisonjeiam porque nos corrompem e nos distanciam do bem.

Infelizmente, na sociedade atual, a lição não apenas sistematicamente é ignorada. Ela é maliciosamente invertida.

Hoje, o bajulador passa a ser visto pelas almas incautas como o melhor amigo que alguém pode ter, simplesmente porque o biltre lhe massageia o ego, de quem e quando lhe convém, para estraga-lo até à medula.

E, sejamos francos: os cínicos aduladores cívicos hodiernos têm sido muito bem sucedidos nesse empreendimento diabólico, para a infelicidade geral da nação.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

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