domingo, 30 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 014

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

ESTUDANTES – A humildade, segundo Hugo de São Victor, é a virtude primeira para a realização duma vida de estudos; para sermos, de fato, um bom estudante. E, um bom estudante, por definição, não arroga querer transformar o mundo em algo que ele presume ser melhor, mas sim, ele almeja modestamente compreendê-lo e, nesse ato humilde e amoroso, acabar conhecendo-se melhor e tornando-se alguém mais digno prestativo e bom.

É impossível aprender qualquer coisa se não estamos dispostos a reconhecer o real tamanho de nossa ignorância sobre praticamente quase tudo. É improvável que cresçamos moral e intelectualmente se presumimos estar acima da realidade e, por uma leviandade dessa, acabamos, sem perceber, nos colocando para muito além do bem e do mal.

Bem, agora quando adultos desprovidos de caráter aplaudem a intemperança de crianças e jovens presunçosos dizendo a eles que seus atos inconsequentes são um exemplo de cidadania, ou qualquer sandice do gênero, esses biltres estão maliciosamente apagando no coração desses mancebos a frágil chama da humildade para inflamar suas almas com as fátuas labaredas da soberba que acabam reduzindo-os à condição amorfa de uma massa de manobra indigna, desocupada e má.

ESSE É O ÚNICO JEITO – Estudar é similar ao ato de rezar: é um ato de doação, de entrega de tempo, da vontade e de toda a atenção e intenção de nossa alma. Ou seja: quanto maior for nossa entrega, maior será o crescimento e melhor será a colheita. Porém, quanto menor for nossa oferta, maior será o desperdício de tempo e energia.

SEM NOÇÃO - Para os cidatontos engajados em suas arruaças (depre)cívicas a total falta de senso do ridículo tornou-se sinônimo de razoabilidade. Sim, sei que isso é absurdo; mas é a mais pura e cristalina verdade.

UMA SIMPLES RECEITA - Para manter a sanidade a receita que nos é dada pelo filósofo colombiano Nicolás Gómez D’Ávila é muito simples: não supervalorize os julgamentos e opiniões dos jovens e mantenha uma boa distância dos divertimentos cultivados pelos adultos. Faça isso e, segundo ele, ficará tudo certo.

OS ESCLARECIDOS - Quando alguém vem com aquele papinho de que é muito crítico por se considerar uma alminha mui esclarecida, não perco meu tempo e, sem pestanejar, saco logo dum rolo de papel higiênico dupla face a título de precaução contra a criticidade que ser-me-á atirada nas ventas.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

[áudio] CONVERSA QUIXOTESCA (n. 12), 30 de outubro de 2016.

sábado, 29 de outubro de 2016

[áudio] CONVERSA QUIXOTESCA (n. 11), 29 de outubro de 2016.

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 013

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

ESSE É O PREÇO – Ensina-nos o dito popular que todo aquele que tem muita pressa acaba ou comendo cru ou sapecando os beiços.

Um dito simples que simplesmente é desdenhado, principalmente nos momentos que urge termos um cadinho de paciência para, razoavelmente, entendermos o que está acontecendo diante de nossas ventas.

Bem, o resultado todos nós conhecemos muitíssimo bem: é lambança e bobagem para todos os lados e para todos os gostos.

O NOME DEVIDO - Quando está tendo aula num Colégio, as salas estão devidamente ocupadas e, bem ou mal, está ocorrendo o tal do ensino. Agora, quando uma Escola é trancada e transformada numa "madraça rubra" por um punhado de infantes desorientados, instigados por adultos inescrupulosos, pode-se chamar isso de muitíssimas coisas, muitas mesmo, menos de zelo e amor pela tal da educação.

ROSAS RUBRAS DE SANGUE - Somente uma alma atormentada por uma mentalidade psicopática celebra, sorridentemente, as palavras do facínora democida Ernesto Che Guevara como se ele fosse um símbolo de zelo pela justiça e pela democracia. Somente uma alma perturbada é capaz de criticar soberba e hipocritamente qualquer forma de autoritarismo à luz de uma ideologia genocida e totalitária como o marxismo.

Não tremo de indignação diante disso não, porque esse negócio de indignar-se é fanfarronice barata de gente dissimulada, mas confesso: é lamentável. Um deplorável insulto contra a memória das milhares de vítimas do Covarde Guevara de la Sierra, uma afronta cínica contra as mais de cem milhões de vítimas do marxismo e um tapa na cara de milhões de pessoas que, ainda hoje, padecem sob os flancos dessa ideologia tirânica que é tão tolamente idolatrada aqui nessa sorumbática pátria de chuteiras gastas.

ESCOLA SEM PARTIDO - Com o perdão da palavra, mas todos aqueles que ficam babando na gola da camiseta dizendo que o projeto Escola Sem Partido quer acabar com a livre troca de ideias não passam de uns biltres sem um pingo de honestidade intelectual e de vergonha nas ventas. E o são assim por duas razões: porque não há livre troca de ideias no âmago da educação brasileira. Não mesmo. O que há é uma baita inculcação de cacoetes ideológicos advindos dum marxismo cultural rasteiro em todos os níveis e das mais variadas formas; e é justamente isso que o senhor Miguel Nagib, através do Escola Sem Partido, vem a muito tempo denunciando.

SOMBRAS DO AMANHÃ - Um professor, que abusa de sua posição e se aproveita da plateia cativa de seus alunos para sorrateiramente inculcar-lhes suas convicções políticas-ideológicas é algo tão abjeto e nojento quanto à forma licenciosa de desdém manifesta por boa parte da sociedade em relação a essa espinhosa questão.

(ANTI)EDUCAÇÃO - Não existe arrependimento sincero quando não nos reconhecemos como culpados. A consciência moral perece e fenece quando não mais somos capazes de nos responsabilizar pelos frutos, diretos e indiretos, de nossos malfadados atos. Um educador, seja ele um pai ou um professor, que ensina aos infantes que a culpa por suas ações equivocadas seria da sociedade, do sistema ou de terceiros é uma (anti)educação voltada para o estímulo de atitudes e comportamentos psicopáticos e antissociais. É uma verdadeira obra de mutilação da alma da gurizada, uma aberração que, infelizmente, é celebrada por muitos em nosso país como sendo uma tal da “educação crítica e democrática” que, no fundo, não passa de uma sinistra piada de mau gosto.

O MEDO DOS COMUNAS – Os comuno-petistas perderam o controle sob o governo brasileiro, porém, eles ainda tem o controle de uma ampla rede de instituições de poder junto a sociedade.

Sindicatos, associações, entidade estudantis, igrejas, postos de mídia, o sistema de educação e tutti quanti, ainda são dominados pela turma rubra. Como são!

Por isso é de fundamental importância compreender que muitíssimo mais importante que afastar os tentáculos comunistas do instrumental político de Brasília é desmantar a atuação marxista junto ao maquinário burocrático estatal e que está entranhado nessas entidades e instituições que se apresentam como interface entre a sociedade e o aparato estatal.

Se isso não for feito, perdoe-me dizer o óbvio, mas será apenas uma questão de tempo para que esse passo dado pra trás pela esquerda, em pouquíssimo tempo, converta-se em três passos pra diante.

Resumindo: um projeto totalitário de poder extremamente organizado só poderá ser combatido de modo eficaz por um projeto democrático de contra poder também extremamente arregimentado.

E isso, meu caro Watson, é o que os comuno-petistas realmente temem.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 012

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

APENAS UM BOM COMEÇO – A cada dia que passa me convenço mais e mais da urgência de se disseminar o estudo da teologia do corpo do Papa São João Paulo II.

Diante da avassaladora inculcação das espúrias doutrinas feministas e da abjeta ideologia de gênero realizada através dos meios de comunicação e do sistema educacional nos mais variados níveis, esse é o melhor antídoto que há. 

Por isso, repito de modo enfático: o estudo sério e sistemático das obras desse grande filósofo e teólogo que foi Karol Wojtyla é urgente para preservarmos o nosso discernimento dessas forças dissolventes da inteligência humana.

CEMITÉRIOS À LUZ DA LUA – Tudo o que promove a comunhão e a concórdia entre as pessoas alicerçando-as sob a rocha da Verdade é bom, pois eleva-nos em dignidade. Agora, toda e qualquer tranqueira que fomenta o rancor e a cizânia entre os indivíduos, dividindo-os em guetos, com base no afago de nossa movediça vaidade, é uma droga, pois sempre estimula o que há de pior em nossa alma, tornando-nos dependente daquilo que mais nos degrada.

SILÊNCIO – Morreu um jovem. Um jovem morreu. Morreu porque imaginava estar realizando um ato cívico quando, na verdade, apenas participava da invasão de um edifício público para realização de fins políticos que, provavelmente, ele não compreendia.

Agora, o que resta é silêncio. O silêncio do corpo desprovido de vida, caído no chão do banheiro duma escola semiviva. A dor silente dos pais e familiares que não mais poderão sonhar com seu guri empunhando o canudo numa formatura. O silêncio culpado de todos aqueles que, às ocultas, estimularam e continuam a estimular esses jovens a invadir colégios e fazendo-os crer que esse ato vil seria uma espécie de exercício de cidadania.

Enfim, esses figurões provavelmente continuarão taciturnos e não se responsabilizarão pelo ocorrido porque não irão mudar a forma de agir. Não irão mudar o modo canalha e covarde de proceder.

PODRE DO PRINCÍPIO AO FIM - Não sei se certas práticas são legítimas ou não. Não sei mesmo. O que me parece inquestionável é que muitíssimos deles, dos ditos atos legítimos, são ridículos em sua motivação, indecentes quanto aos seus fins e deploráveis no que se refere aos meios utilizados.

É SIMPLES ASSIM – O aborto é um grande e sinistro holocausto silencioso. Os abortistas, que defendem, de modo escancarado ou velado, o assassinato de inocentes sem o menor direito a defesa, são cúmplices dum monstruoso assassinato em massa que, covarde e cinicamente, é fantasiado de direito reprodutivo da mulher, garantido na forma duma tal de antecipação terapêutica do parto. Resumindo: muda-se o nome, mas a atrocidade continua sendo a mesma.

VÁ PRA PEC QUE PARIU (1) – No começo do ano, o então ministro da fazenda do governo Dilma, o senhor Nelson Barbosa, havia anunciado a necessidade urgente de se estabelecer um teto para limitar os gastos da União. Bem, nessa ocasião, o que os cidadãos podres de criticidade fizeram sobre a questão? Nada, porque os seus mestres ocultos nada mandaram fazer.

Antes disso, no começo do mesmo ano, a mamãe da tal da Pátria educadora havia cortado dez bilhões e meio de reais da educação e, adivinhem o que os cidadãos tontos de tão críticos que são, fizeram? Adivinhem? Isso mesmo: nada. Por quê? Pela mesma razão.

Agora, toda essa turma está bem nervosinha pra lá e pra cá. E por quê? Porque seus mestres ocultos assim mandaram e eles, caninamente, estão obedecendo. Por quê? Porque eles são pessoas muitíssimo críticas, carambolas! Criticamente desorientadas.

VÁ PRA PEC QUE PARIU (2) – Será que a turminha fetidamente crítica sabia que o Governo Federal gerou, apenas neste ano, um déficit de até R$ 170 bilhões?

Será que eles estão legitimamente cientes do fato de que a dívida bruta do governo passou de 51,7% do PIB, em 2013, para 67,5% do PIB em abril de 2016? Será que a turminha politizada sabia que se nada for feito poderemos chegar aos próximos anos numa dívida bruta equivalente a 80% do PIB?

E não sabem por quê? Porque não leram a tal da PEC. Leram e/ou ouviram apenas o que lhes foi dito sobre ela sem nunca terem tido a mínima curiosidade de conhecer o real conteúdo da dita cuja.

É. Por essas e outras que, de todos os sentimentos humanos, o da indignação é, sem dúvida, o menos sincero que existe. Poderoso, mas todo coberto de fingimento.

Pois é, pois é, pois é.


(*) Professor, cronista e bebedor de café.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 011

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

CARÁTER EM DECOMPOSIÇÃO – Se um indivíduo não é capaz de, diante de um sofrimento, se resignar amorosa e corajosamente, pode ter certeza de que estamos diante de uma alma incapaz de qualquer ato digno; de que estamos diante dum monstro moral cheio de presunção e podre de mimo até a medula. Pior! Esses tipos de aberrações, infelizmente, podem ser encontrados em farta quantidade na sociedade atual.

NEUROSE EDUCACIONAL – O nosso sistema educacional, definitivamente, é o maquinário perfeito para levar qualquer um, professores e alunos, à demência total.

E assim o é porque um sistema, dito educacional, que enjoativamente vive falando de ética pra lá e pra cá ao mesmo tempo em que ensina histericamente que todos os valores morais são relativos poderá apenas apresentar como fruto de seu lavoro a degradação geral da inteligência nacional.

Por essas e outras que, atualmente, muitos não sabem mais diferenciar uma opinião sobre um fato do que seja a descrição de um fato. Por essas e muitas outras que hoje muitíssimas almas ignoram a diferença abissal que existe entre um discurso que justifica algo e uma preleção que procura explicar alguma coisa.

E não mais se sabe fazer essa distinção porque durante anos a fio, foi e continua sendo pregado em todos os cantos do Brasil, que tudo é relativo e, fazendo isso, acabou-se reduzindo a tal da ética a um reles conjunto de chiliques referentes a certas condutas que devem ou não ser aceitas como politicamente corretas.

Detalhe: condutas essas que são fiscalizadas pelos olhares policialescos duma horda de ignorantes presunçosos devidamente (de)formados para tal e que se auto intitulam como sendo a massa crítica e bem pensante da sociedade. Ou seja: o sistema educacional brazuca conseguiu o (de)mérito de transmutar a ética em seu contrário e a educação em seu inverso.

Por fim, essa choldra ignóbil (depre)cívica, não se contenta apenas com a destruição da capacidade das pessoas enxergarem e reconhecerem o óbvio ululante. Não! Ela fomenta as almas desavisadas a reunirem-se festivamente, de vez em quando, aqui e acolá, em assembleias de inconscientes para celebrar as suas vidas inconsequentes. Assembleias essas que, no jargão modernoso, são tidas como sendo um excelso ato de cidadania.

Pois é. Por hora, é isso o que temos para o presente e para o futuro.

O QUADRADO REDONDO - Não existe esse troço de amor livre. Esse trelelê todo é apenas uma forma elegante de safadeza envergonhada.

Amor, por definição, é uma ligação, um compromisso incondicional de uma pessoa com outra.

Por isso, todos aqueles que advogam fervorosamente em favor desse trambolho chamado “amor livre” não estão, de fato, interessados em amor e, na real, nem sabe o que é.

No fundo, o que esse tipo de gente deseja é que essa safadeza, de usar os outros para a satisfação dum gozo egocêntrico, seja socialmente aceita. Só isso e olhe lá.

É AÍ QUE A PORCA TORCE O RABO – De um modo geral o absurdo não choca as pessoas. Nana nina não. Ao menos, não no Brasil atual.

Na verdade, a absurdidade, aqui por essas plagas, é aceita como crível pela maioria das pessoas, principalmente por aquelas que se consideram as mais esclarecidas.

E assim o é porque essas almas, supostamente ilustradas, são geralmente tão presunçosas quanto mesquinhamente desatentas e, por isso, acabam dando maior credibilidade a uma absurdidade qualquer que para a mais gritante das obviedades.

E isso ocorre porque o absurdo corresponde com maior fidedignidade aos cacoetes mentais e estereótipos politicamente corretos assimilados bovinamente por essa gente que não mais está habituada a encarar de frente a tal da realidade.

A PEDRA DE TOQUE – O que a alma mais clamorosamente deseja é aquilo que ela procura obter ou realizar quando o tempo lhe brinda com uma folga.

O que fazemos com o tempo ocioso, seja ele um tempo livre ordinário ou extraordinário, é aquilo que, de fato, nos anima e mais nos faz querer viver.

E isso que procuramos, que nos motiva, é justamente o “tesouro” que revela quem e o que somos.

COM O PERDÃO DA PALAVRA - Santo Agostinho ensina-nos que devemos preferir sempre aqueles que nos criticam, porque nos corrigem e nos afastam do mal, àqueles que nos lisonjeiam porque nos corrompem e nos distanciam do bem.

Infelizmente, na sociedade atual, a lição não apenas sistematicamente é ignorada. Ela é maliciosamente invertida.

Hoje, o bajulador passa a ser visto pelas almas incautas como o melhor amigo que alguém pode ter, simplesmente porque o biltre lhe massageia o ego, de quem e quando lhe convém, para estraga-lo até à medula.

E, sejamos francos: os cínicos aduladores cívicos hodiernos têm sido muito bem sucedidos nesse empreendimento diabólico, para a infelicidade geral da nação.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 010

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

UM CÍNICO AFAGO NO EGO JUVENIL – Um traço comum a todos os movimentos políticos totalitários, estejam eles à destra ou à sinistra, é o uso de jovens como massa de manobra.

Movimentos desse tipo de peçonha, usa sistematicamente um velho ardil do demônio para instrumentalizar politicamente a gurizada: o apelo a vaidade que, nos mancebos, não é pequena não.

Esses canalhas enchem a bola da piazada! Dizem cinicamente que eles são os arautos da criticidade, que as injustiças do mundo só serão reparadas se eles, os jovens, agirem de pronto e de imediato para mudar tudo, que o futuro a eles pertence e que, por isso, devem toma-lo em suas mãos, já e agora e, vaidosamente, muitos acabam caindo nessa vil conjuração, sendo reduzidos a condição dum mero peão num abjeto tabuleiro de xadrez ideologicamente desorientado.

E, é claro, tudo isso é feito sob os auspícios das mais decantadas boas intenções. Sempre as tais das boas intenções.

Detalhe: não nos esqueçamos de que as tais boas intenções, sem caridade e sabedoria, não passam de mais um dos muitos ardis utilizados pelo pé sujo.

Enfim, seja como for: todo aquele que vier com aquele velho papo de que os jovens devem tomar e ocupar as ruas e tutti quanti, todo adulto que afirme docemente que uma multidão de guris é um impoluto baluarte de justiça, cuidado! Porque quando o afago é demasiado até mesmo o maior dos pecadores desconfia.

Por isso, jovem navegante, abra olhos e não caiam no canto dessas malditas sereias totalitárias. Despertai e vigiai porque o mar é tenebroso.

DECADENTE BRASILIDADE - O Brasil está a cada dia que passa mais e mais abestalhado mesmo. Tanto estamos assim que, atualmente, para muitos, covardia tornou-se sinônimo de coragem cívica.

E não é só isso. Não são poucos os que encaram a desídia intelectual como sendo algo equivalente a uma espécie de virtude cardinal, que encaram a incúria moral como sendo algo equivalente ao tal do respeito e, não menos importante, para muitíssimos, saber beijar na boca é penhor seguro de maturidade. Só por Deus mesmo.

Enfim, se continuarmos por essa decadente vereda, o melhor que temos a fazer, urgentemente, é revogar a brasilidade atual para salvar o pouco de dignidade que ainda resta da nossa cambaleante nacionalidade.

NA CONTRAMÃO DA EDUCAÇÃO - Somente é possível falar em educação quando se tem em vista o cultivo e a realização das virtudes cardinais no coração dos mancebos para, desse modo, edificar o seu caráter em dignidade e verdade.

Agora, quando temos a substituição do cultivo das referidas virtudes pela lavoura do rancor e da presunção na alma dos infantes, como o faz a tal “educação crítica”, tão primada nessas plagas, invariavelmente o coração dos guris torna-se vulnerável a ser tomado, sorrateiramente, pelas mais baixas inclinações que, gradativamente, deformam o seu caráter.

Desse modo, a piazada fica susceptíveis a manipulação rasteira da parte das mais vis almas sebosas que não se cansam de massagear seus egos juvenis para realizar os mais escusos propósitos e, os biltres fazem isso, levando-os crer, candidamente, que eles estão agindo com total autonomia.

Resumindo: as tenras gerações são ensinadas a agir feito gado imaginando que são cidadãos esclarecidos. E, infelizmente, muitos acabam agindo assim.

VERDADE SEJA DITA – Uma das grandes mentiras de nossa época é aquela que reza que nós não temos tempo pra nada, que nossos dias estão cheios demais e blábláblá. Na verdade, os nossos dias são estufados de bobagens que recebem de nossa parte uma imensa e indevida atenção e não cheios de obrigações impreteríveis.

Eliminadas as asneiras que tanto pareço damos em nossas horas livres veremos a quantidade de tempo que diuturnamente nós jogamos na lata de lixo com coisas que, se devidamente ponderadas, a única coisa que mereceriam de nossa parte seria o nosso desprezo. Só isso e olhe lá.

SEM RODEIOS – Todos aqueles que acabam sendo manipulados para realização de fins políticos escusos, fantasiados de boas intenções, que acabam sendo instrumentalizados como uma arma política, pouco importando a circunstância, a idade ou nacionalidade, necessariamente, sempre ignoram que estão sendo utilizados como massa de manobra porque estão alienados de si e do mundo. Aliás, se estivessem cônscios do entrevero, não se entregariam tão alegremente para cair em tamanho e vil engodo.

E se isso já não fosse suficiente, as vítimas desse tipo de artimanha (depre)cívica, não querem nem saber de serem alertadas do mal que elas estão sofrendo e, principalmente, do mal que estão causando, pois, como já havíamos dito, se soubessem, não estariam sendo usadas como gado, sendo marcadas ideologicamente sem nada saber ou perceber, tal qual uma turba de alienados (in)felizes.

Pior! Quando os ditos cidadãos vem a tomar consciência de sua ignóbil condição, na maioria dos casos, negam, com os pés juntos, que foram feitos de bobos, porque a vergonha diante do vexame revelado é, muito, muito grande mesmo que, nesse caso, o melhor é agir feito avestruz: enfiar a cabeça num buraco e fingir que nada aconteceu.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 009

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

PARA DISSOLVER AS BASES DUMA SOCIEDADE – Todo grande livro é similar a um grande e majestoso espelho. Sempre e sem pestanejar, esse, com suas letras e entre suas sinuosas linhas, nos apresenta um reflexo de nossa alma, como se fosse um espelho.

Por essas e outras que é impossível a um jerico ao colocar-se diante dum espelho livresco ver um sábio. Não tem jeito mesmo.

Entretanto, tamanha é a estultice que hoje impera nessas plagas que, quando um douto ignorante deita suas vistas nas páginas dum livro ele invariavelmente vê um bocó e nele, no tonto, reconhece uma suposta e, ao mesmo tempo, inconteste genialidade sapiencial.

Pois é. Pois é. Pois é. E é nesse trote que temos a (de)formação da mentalidade criticamente crítica de nossa gente bem pensante.

MORINGA PUTREFAZ – Um dos grandes vícios cognitivos de nossa época, vício esse especialmente praticado pelas pessoas ditas esclarecidas e devidamente diplomadas, é confundir a realidade que se apresenta diante de nossos olhos com as ideias e pensamentos que são confabuladas em nossas moringas. Eita confusão miserável essa!

E MAIS OU MENOS ASSIM - Que o fato seja dito em português bem claro e à luz do dia: não existe esse negócio de ocupação de Escola pública. O que há é invasão. Repito: invasão de Colégios Públicos Estatais por menores de idade instigados por pessoas bem crescidinhas.

E tem outra: todo aquele que instiga, de maneira velada ou escancarada, os alunos a invadirem uma instituição de ensino, com o perdão da palavra, dificilmente são professores. Dificilmente o são.

Ao pé da letra esses tipos seriam tão somente manipuladores, doutrinadores que, sem medir a (in)consequência de seus atos, instrumentalizam a gurizada para realização de fins que pouco ou nada tem que ver com a tal da educação.

Por fim, que o Brasil e seus tentáculos estatais deixam muitíssimo a desejar no quesito educação, isso é fato. Ninguém nega isso. Ponto. Agora, instigar a piazada a invadir prédios públicos não resolverá problema algum. Esse é outro fato que somente uma mente alucinada é incapaz de enxergar. Ponto final.

UMA VELHA LIÇÃO – O embaixador José Osvaldo de Meira Penna, em seu livro O BRASIL NA IDADE DA RAZÃO, dizia de modo lacônico que há, em nosso país, dois tipos de estudantes.

Um desses tipos integra uma horda presunçosa que perambula de um lado para o outro agitando o coreto e se apresentando como os detentores de uma tal de "consciência crítica".

O outro tipo integra uma silenciosa multidão que, em sala de aula, ou no claustro duma biblioteca, ou em qualquer lugar, fia-se zelosamente no cumprimento de seu dever que é estudar e se preparar para tornar-se um cidadão digno, prestativo e bom.

Os segundos são, de acordo com Meira Penna, a esperança da nação. Quanto aos primeiros, apenas a massificação mimada e pueril de toda a desventura que assombra o nosso país; um infortúnio que vem, a gerações, sendo acumulado e sedimentado no fundo da alma nacional.

REGRA SIMPLES - Quanto mais desvairada uma multidão for, mais alienada ela é.

NÃO É MERA COINCIDÊNCIA – Quando um grupo de adultos maliciosos, ideologicamente desorientados, cheios das tais boas intenções, usam descaradamente incautas crianças para realizar fins políticos no mínimo suspeitos, não estamos apenas diante de um sintoma de mau-caratismo não. É bem mais do que isso. O que temos diante de nossas vistas é algo similar à atitude que é adotada pelas redes terroristas que iludem e inflamam crianças para lutarem uma pugna que não é delas.

Enfim, com ou sem bombas, em todos os casos onde crianças são usadas como arma política é porque existe uma chusma de adultos, tão covardes quanto maliciosos, ocultando-se atrás da inocência delas para atingir os seus intentos. É só isso e nada mais.

É OU NÃO É? – Independente da situação, pouco importando a circunstância, todo aquele que se esconde atrás de uma criança pra defender qualquer coisa, sempre foi e sempre será um covarde. Ou não?

UMA REFLEXÃO (METAFÍSICA) FECAL – Todos nós, uns mais outros menos, tontamente acreditamos muitas vezes ser o tal do bicho da goiaba. Porém, basta uma bactéria para nos debilitar; para agrilhoar-nos ao trono sanitário com uma soltura desenfreada para reconhecermos que, no fundo, não somos nada mais do que um bosta.

Pois é. Dessa e doutras formas Deus, o supremo pedagogo, sutilmente mostra-nos o quão tola é a nossa maneira soberba de ser. O quão pequeno e débil somos diante de toda a criação.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

domingo, 16 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 008

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

DIRETO DO ESGOTO – A mentira tem perna curta, já a calúnia rasteja sebosamente sobre o próprio excremento. A primeira, com o tempo, cai devido ao seu passo claudicante; já a segunda, desde o princípio, fede, é asquerosa e impregna em tudo e em todos com seu toque putrefaz e, por isso, dá nojo em qualquer alma minimamente decente. Como dá.

NO CAMINHO HÁ CAMINHO – Um amigo desportista contava-me duma experiência que ele havia realizado num fim de semana desses. Dizia-me ele que havia decido a serra da Esperança de bicicleta; chegando até a praça do pedágio e retornou pedalando para seu porto seguro em Guarapuava. Dessa experiência, confidenciou-me que aprendeu duas preciosas lições - se assim podemos chamar.

A primeira: subir a serra é mais fácil que descê-la, como na vida é muito mais fácil ascender em dignidade do que afundar em fealdades.

Explico-me: parece fácil descer aos patamares mais baixos e rasteiros da existência, mas não é tão simples quanto imaginamos. Na verdade, a decadência exige de nós um grande esforço para nos autodestruir, pois, há muitos elementos em nós que resistem à degradação - por mais incrível que isso possa parecer - similar ao vento que sopra contra nossa face na descida duma serra.

Agora, quando decidimos ascender, o trem é outro, haja vista que, para tanto, é imprescindível a tal da constância; de modo similar a subida duma serra com uma bicicleta com pedaladas lentas, fortes e constantes.

Resumindo: o perseverar é apenas difícil aparentemente, haja vista que, com o tempo, ele nos fortalece pra caramba, tornando a jornada mais leve de modo similar ao cultivo das virtudes cardinais.

Agora a segunda lição: quando nos livramos do ritmo maquinal que nos é imposto pelos automóveis - e demais bugigangas tecnológicas -  tornamo-nos capazes de sentir a imensidão de tudo que está em nossa volta e, consequentemente, começamos a reconhecer com um realismo brutal a nossa pequenez frente à realidade.

Ora, ficamos tão, tão habituamos com o artificialismo da vida moderna que passamos a medir a nossa importância através duma régua inumana e irreal que tolhe o nosso senso de realidade.

Enfim, não digo que para recobrar o referido senso, um passeio de bicicleta pelas rotas que frequentemente percorremos de carro, resolva; mas, confesso: já seria um bom começo. Um belo começo.

POUCO IMPORTA – Há muitas almas sebosas, aqui e acolá, que gostam de gastar boa parte de seu precioso tempo com toda ordem de futilidades (im)possíveis e (in)imagináveis. E detalhe: quando o assunto é frivolidade a capacidade humana é tão dilatada quanto às fronteiras do universo conhecido.

Fazer o quê? É nesse passo que a humanidade segue em sua jornada pela crosta do planetinha azul.

Doravante, é mais que compreensível que, vez por outra, desperdicemos nosso escasso tempo com bobagens. Aliás, quem não faz isso, não é mesmo? O que fica difícil de entender é que façamos dos nossos disparates de cada dia o critério ordenador máximo de mensuração e valoração do uso que fazemos do nosso tempo, principalmente quando as sandices passam a tomar o lugar dos momentos que, substantivamente, deveriam estar sendo dedicados noutra atividade, como o trabalho e os estudos. Atividades essas que não deveriam incluir, de modo algum, os trelelês bocós mediados por um aparelho celular, como muitas vezes acontece.

Enfim, dum jeito ou doutro, para uma sebosa alma online, toda essa conversa é de pouca valia para sua vidinha offline, haja vista que seu desleixo para com o uso do tempo apenas revela o quão medíocre é sua existência vivida agrilhoada num punhado de insignificâncias forjadas num wi-fi.

UMA IMAGEM É QUASE TUDO – Uma imagem vale mais que mil palavras. Assim reza o dito popular. Porém, para que as mil palavras contidas numa imagem possam ser devidamente decodificadas é necessário que saibamos lê-las nas ditas cujas das imagens. Por essas e outras que Roland Barthes dizia, de maneira lacônica, que no século XXI analfabeto não seriam tão somente aqueles que não souberem ler e escrever, mas também, todo aquele que não saber desemaranhar adequadamente uma imagem.

DOIS TENTOS – Antigamente ou, como diria meu pai, no meu tempo quando uma visita chegava numa casa era costume desligar o televisor. E, assim o era, por uma questão de educação.

Se a televisão estava liga, assistia-se o que ela estava comunicando. Se estivéssemos tomando chimarrão e conversando, então a atenção deveria estar na prosa e ponto final.

Bem, assim éramos educados naquele tempo. Hoje, infelizmente, a conversa é outra.

Atualmente, pouco importa quem chegue aos lares; a televisão, o rádio, o computador, os celulares, enfim, seja o que for; os ditos cujos continuarão ligados como se a presença física da pessoa não tivesse a mínima importância ou, como se aquilo que está sendo noticiado pela mídia não devesse receber dos presentes a atenção devidamente apropriada.

Dum jeito ou de outro, tornou-se um hábito, cultivado desde o ambiente doméstico, que não há nada de errado em estar conversando enquanto outro esteja falando, esteja ele presente física (visita) ou virtualmente (televisor), como muito bem nos aponta o finado professor Pierluigi Piazzi.

Na sociedade atual o dito que afirmava que enquanto um fala o outro cala e escuta não faz mais o menor sentido, tamanha a falta de senso das proporções que impera entre nós.

Resumindo o entrevero: somos mal educados desde o berço para centrarmos nossa vida na mais torpe egolatria. Habituamo-nos a falar o tempo todo sem dar a devida atenção a qualquer um e achamos esse barbarismo a coisa mais normal do mundo.

Pior! Qualquer um que ouse dizer que isso é grotesco passa a ser visto como um ser anormal, haja vista que a petulância cretina tornou-se a régua de medida da educação modernosa que não se cansa de parir cidadãos podres de mimados. Cidadãos que, devido a esse mimo, imaginam-se detentores duma infusa pseudo-criticidade tão abjeta quanto inculta; a cara escarrada da educação recebida por esses tipos desde o berço.

É ASSIM MESMO – Quando uma pessoinha procura chamar a atenção de todos, das formas mais disparatadas possíveis, nos momentos mais inapropriados, você pode ter certeza de que, tal indivíduo, não passa, na melhor das hipóteses, dum poço de presunçosa nulidade.

Encurtando o eito: gente desse naipe não passa duma criatura de caráter disforme, tão vazia e tão desprovida de personalidade que, por uma torpe necessidade existencial, tem de inventar toda espécie de firulas pra disfarçar sua indelével condição anódina de ser. A realidade de sua condição é demasiadamente feia para ser, num derradeiro ato de dignidade, afrontada por ela mesma.

A ÚLTIMA PALAVRA – Não desejo ter razão em nada, muito menos ser o detentor da última palavra numa conversação. Pra mim tudo isso me parece uma grande perda de tempo; pura vaidade mal disfarçada entre egos inchados. O que almejo, dentro das minhas muitas limitações é procurar conhecer a verdade e, se possível for, no ato de conhecê-la, conhecer-me e tornar-me algo melhor.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 008

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

DIRETO DO ESGOTO – A mentira tem perna curta, já a calúnia rasteja sebosamente sobre o próprio excremento. A primeira, com o tempo, cai devido ao seu passo claudicante; já a segunda, desde o princípio, fede, é asquerosa e impregna em tudo e em todos com seu toque putrefaz e, por isso, dá nojo em qualquer alma minimamente decente. Como dá.

NO CAMINHO HÁ CAMINHO – Um amigo desportista contava-me duma experiência que ele havia realizado num fim de semana desses. Dizia-me ele que havia decido a serra da Esperança de bicicleta; chegando até a praça do pedágio e retornou pedalando para seu porto seguro em Guarapuava. Dessa experiência, confidenciou-me que aprendeu duas preciosas lições - se assim podemos chamar.

A primeira: subir a serra é mais fácil que descê-la, como na vida é muito mais fácil ascender em dignidade do que afundar em fealdades.

Explico-me: parece fácil descer aos patamares mais baixos e rasteiros da existência, mas não é tão simples quanto imaginamos. Na verdade, a decadência exige de nós um grande esforço para nos autodestruir, pois, há muitos elementos em nós que resistem à degradação - por mais incrível que isso possa parecer - similar ao vento que sopra contra nossa face na descida duma serra.

Agora, quando decidimos ascender, o trem é outro, haja vista que, para tanto, é imprescindível a tal da constância; de modo similar a subida duma serra com uma bicicleta com pedaladas lentas, fortes e constantes.

Resumindo: o perseverar é apenas difícil aparentemente, haja vista que, com o tempo, ele nos fortalece pra caramba, tornando a jornada mais leve de modo similar ao cultivo das virtudes cardinais.

Agora a segunda lição: quando nos livramos do ritmo maquinal que nos é imposto pelos automóveis - e demais bugigangas tecnológicas -  tornamo-nos capazes de sentir a imensidão de tudo que está em nossa volta e, consequentemente, começamos a reconhecer com um realismo brutal a nossa pequenez frente à realidade.

Ora, ficamos tão, tão habituamos com o artificialismo da vida moderna que passamos a medir a nossa importância através duma régua inumana e irreal que tolhe o nosso senso de realidade.

Enfim, não digo que para recobrar o referido senso, um passeio de bicicleta pelas rotas que frequentemente percorremos de carro, resolva; mas, confesso: já seria um bom começo. Um belo começo.

POUCO IMPORTA – Há muitas almas sebosas, aqui e acolá, que gostam de gastar boa parte de seu precioso tempo com toda ordem de futilidades (im)possíveis e (in)imagináveis. E detalhe: quando o assunto é frivolidade a capacidade humana é tão dilatada quanto às fronteiras do universo conhecido.

Fazer o quê? É nesse passo que a humanidade segue em sua jornada pela crosta do planetinha azul.

Doravante, é mais que compreensível que, vez por outra, desperdicemos nosso escasso tempo com bobagens. Aliás, quem não faz isso, não é mesmo? O que fica difícil de entender é que façamos dos nossos disparates de cada dia o critério ordenador máximo de mensuração e valoração do uso que fazemos do nosso tempo, principalmente quando as sandices passam a tomar o lugar dos momentos que, substantivamente, deveriam estar sendo dedicados noutra atividade, como o trabalho e os estudos. Atividades essas que não deveriam incluir, de modo algum, os trelelês bocós mediados por um aparelho celular, como muitas vezes acontece.

Enfim, dum jeito ou doutro, para uma sebosa alma online, toda essa conversa é de pouca valia para sua vidinha offline, haja vista que seu desleixo para com o uso do tempo apenas revela o quão medíocre é sua existência vivida agrilhoada num punhado de insignificâncias forjadas num wi-fi.

UMA IMAGEM É QUASE TUDO – Uma imagem vale mais que mil palavras. Assim reza o dito popular. Porém, para que as mil palavras contidas numa imagem possam ser devidamente decodificadas é necessário que saibamos lê-las nas ditas cujas das imagens. Por essas e outras que Roland Barthes dizia, de maneira lacônica, que no século XXI analfabeto não seriam tão somente aqueles que não souberem ler e escrever, mas também, todo aquele que não saber desemaranhar adequadamente uma imagem.

DOIS TENTOS – Antigamente ou, como diria meu pai, no meu tempo quando uma visita chegava numa casa era costume desligar o televisor. E, assim o era, por uma questão de educação.

Se a televisão estava liga, assistia-se o que ela estava comunicando. Se estivéssemos tomando chimarrão e conversando, então a atenção deveria estar na prosa e ponto final.

Bem, assim éramos educados naquele tempo. Hoje, infelizmente, a conversa é outra.

Atualmente, pouco importa quem chegue aos lares; a televisão, o rádio, o computador, os celulares, enfim, seja o que for; os ditos cujos continuarão ligados como se a presença física da pessoa não tivesse a mínima importância ou, como se aquilo que está sendo noticiado pela mídia não devesse receber dos presentes a atenção devidamente apropriada.

Dum jeito ou de outro, tornou-se um hábito, cultivado desde o ambiente doméstico, que não há nada de errado em estar conversando enquanto outro esteja falando, esteja ele presente física (visita) ou virtualmente (televisor), como muito bem nos aponta o finado professor Pierluigi Piazzi.

Na sociedade atual o dito que afirmava que enquanto um fala o outro cala e escuta não faz mais o menor sentido, tamanha a falta de senso das proporções que impera entre nós.

Resumindo o entrevero: somos mal educados desde o berço para centrarmos nossa vida na mais torpe egolatria. Habituamo-nos a falar o tempo todo sem dar a devida atenção a qualquer um e achamos esse barbarismo a coisa mais normal do mundo.

Pior! Qualquer um que ouse dizer que isso é grotesco passa a ser visto como um ser anormal, haja vista que a petulância cretina tornou-se a régua de medida da educação modernosa que não se cansa de parir cidadãos podres de mimados. Cidadãos que, devido a esse mimo, imaginam-se detentores duma infusa pseudo-criticidade tão abjeta quanto inculta; a cara escarrada da educação recebida por esses tipos desde o berço.

É ASSIM MESMO – Quando uma pessoinha procura chamar a atenção de todos, das formas mais disparatadas possíveis, nos momentos mais inapropriados, você pode ter certeza de que, tal indivíduo, não passa, na melhor das hipóteses, dum poço de presunçosa nulidade.

Encurtando o eito: gente desse naipe não passa duma criatura de caráter disforme, tão vazia e tão desprovida de personalidade que, por uma torpe necessidade existencial, tem de inventar toda espécie de firulas pra disfarçar sua indelével condição anódina de ser. A realidade de sua condição é demasiadamente feia para ser, num derradeiro ato de dignidade, afrontada por ela mesma.

A ÚLTIMA PALAVRA – Não desejo ter razão em nada, muito menos ser o detentor da última palavra numa conversação. Pra mim tudo isso me parece uma grande perda de tempo; pura vaidade mal disfarçada entre egos inchados. O que almejo, dentro das minhas muitas limitações é procurar conhecer a verdade e, se possível for, no ato de conhecê-la, conhecer-me e tornar-me algo melhor.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 007

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

O BURACO É MAIS EMBAIXO - A ignorância dos fatos não é suficiente para explicarmos um erro e, o conhecimento manifesto pelo agente sobre algo, é tão insuficiente quanto à ignorância para compreendermos uma atitude qualquer, seja ela estúpida ou não.

Dum jeito ou de outro, o desconhecimento ou a ciência sobre alguma coisa é apenas uma variável entre inúmeras outras que, se forem devidamente ponderadas, são menores, bem menores em importância, que o destempero do caráter manifesto pelo sujeito que comete esse ou aquele  deslize.

ENTRE LINHAS TORTAS – Uma derrota, bem como uma vitória num pleito eleitoreiro são sinais dados pela sociedade que devem ser devidamente lidos tanto pelos vencedores, como pelos perdedores e, principalmente, por todos os cidadãos de bem.

Das várias leituras que podem ser realizadas, juntamente com as inúmeras variáveis que podem e devem ser levadas em consideração, há dois pontos que não podemos ignorar.

Primeiro: a soberba cega-nos, como ela deixa-nos obtusos! E, por isso mesmo, a queda, seja ela grande ou pequena, é um ato de misericórdia para abrirmos os olhos e voltarmos a enxergar a vida com olhos mais sensatos e com a alma humildemente reclinada frente à realidade de nossos atos.

Quanto à vitória, bem, essa é um teste. E que teste! Uma séria provação para averiguarmos de que material é feita a nossa alma. Exame esse que coloca a vista de todo aquele que tiver olhos e estômago para ver, a matéria pútrida que há no abismo de nossas entranhas.

Segundo: o povo, numa democracia, gosta sim de ser cortejado. Aliás, quem não gosta? Porém, isso não significa que ele, o tal do povo, seja um bicho bobo. Não mesmo. Bobo é que pensa assim. Ele, o povo, comete lá suas estripulias, mas não é estulto não. Não mesmo. Detalhe: com frequência muita gente esquece-se desse fato e acaba pagando caro por tal esquecimento.

Enfim, de um jeito ou doutro, a vida, em sua pedagogia, sempre está disposta a nos ensinar a verdade por entre a tortuosidade dos traços de nossa existência. Sempre. Porém, infelizmente, nós preferimos muitas vezes ignorar as lições que nos são ministradas por ela e, soberbamente, acabamos por optar em continuar agindo, pensando e vivendo de maneira atravessada. Fazer o que, não é mesmo?

OUTRAS LINHAS TORTAS – O mais engraçado ao fim dum pleito eleitoral são as histórias de campanha. Muitíssimas histórias, uma mais cabeluda que a outra. Historietas essas que se fossem devidamente escritas engordariam um belo volume com crônicas e contos que, por sua deixa, serviriam como um poderoso instrumento para educar as futuras gerações, tanto de cidadãos candidatos como de cidadãos eleitores.

Com uma obra assim poderíamos aprender algo de bom com as coisas profundamente ridículas que se fazem presentes numa eleição e que, diga-se de passagem, não são poucas.

Práticas que revelam o que somos capazes de fazer em nome do tal do poder; práticas que revelam as sombras que habitam nossa alma; práticas essas que desvelam as turvas inclinações de nosso caráter que devem, necessariamente, ser devidamente admoestadas por cada um de nós em nós.

E O TEMPO NUBLOU – Lembro-me que, certa feita, havia assistido um episódio do seriado Star Trek onde o senhor Spock e o doutor Mccoy estavam presos num planeta devido a uma avaria em sua nave e, lá pelas tantas, uma besta galáctica se aproximou do módulo espacial deles e aí o tempo nublou de vez.

O vulcano, sem pestanejar, disparou alguns tiros e argumentou com o doutor Mccoy que, feito isso, a criatura iria se assustar e fugir. Ledo engano. Ledo e vaidoso engano. A fera, no frigir dos raios lasers, ficou enfurecida e investiu violentamente contra a nave e quase os matou.

Ou seja: o senhor Spock, até então, não havia compreendido que, diante de uma ameaça, uma criatura pode reagir de muitas formas e que, muitas vezes, tais reações não se enquadram em nosso raciocínio rasteiro, viciado em esquemas mentais simplórios de causas e efeitos; raciocínios que, na maioria dos casos, desconsidera as inúmeras variáveis que podem determinar um efeito que é desencadeado por uma determinada causa.

Enfim, resumindo o entrevero estrelar: todo aquele que ameaça, velada ou descaradamente, uma ou mais pessoas, todo aquele que persegue indivíduos por essa ou por aquela razão, esquece-se, com muita frequência, que os perseguidos e ameaçados também podem revidar e, cedo ou tarde, de modo circunspecto, o fazem.

APENAS UMA REFLEXÃO INDOLOR – Goethe nos ensina que devemos tratar a todos com decência e, tratar o semelhante desse modo, significa que, antes de tudo, devemos respeitar a inteligência alheia. Bem, é nesse desrespeito que reside boa parte das indecorosas imposturas de nossa sociedade.

Dum modo geral, a inteligência do povo é diuturnamente desrespeitada das mais variadas formas possíveis e, de tempos em tempos, ela é insultada de modo mais que avassalador por todas as hostes, que juram de pés juntos, serem seus fiéis benfeitores.

Pior! Com o devir dos dias, de tanto ter sua inteligência aviltada ela pode acabar degenerando na mesma medida em que é afrontada.

Enfim, não sei se é assim que a humanidade segue seu rumo, mas, com grande margem de acerto, esse é o ritmo do passo da brasilidade.

OUTRA REFLEXÃO INDOLOR – Toda e qualquer pretensão democrática, numa sociedade que não tenha uma forte inclinação aristocrática enraizada no coração dos cidadãos, está fadada a degenerar numa oclocracia.

NÃO É POR MALDADE – Volver as vistas para a cultura brasileira contemporânea e não reconhecer o estado deplorável em que a alma verde amarela se encontra não é ufanismo desvairado não. É doideira pura e simples mesmo.

Digo isso não por maldade. Não é isso não! De jeito maneira. Mas, consideremos os seguintes dados: nós, brasileiros, ficamos em 2016 no quinquagésimo oitavo lugar no ranking do PISA (numa lista de sessenta e cinco países); somos recordistas mundiais em número homicídios (são ceifadas, por ano no Brasil, mais vidas do que em toda a guerra do Iraque); somos o país onde as pessoas iniciam a vida sexual mais precocemente; estamos em primeiríssimo lugar em casos de estupros de vulneráveis; cresce significativamente nas plagas brasileiras o número de usuários de drogas lícitas e ilícitas; e, por fim, ostentamos, sem corar de vergonha, o número cada vez maior de analfabetos funcionais (in)devidamente diplomados.

Já sei, já sei: é o fim da rosca, não é mesmo? Pois é. E é por essas e outras que digo e repito, com tristeza no coração: volver os olhos para a cultura brasileira contemporânea e não reconhecer o estado decrépito em que a alma brazuca se encontra não é sinal de patriotismo não. É estupidez pura e simples. Uma prova de desamor por tudo aquilo de significativo que um dia foi produzido no finado Brasil.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.