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Mostrando postagens de Setembro, 2016

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 006

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Não sou ninguém pra dizer o que é agradável ou desagradável a Deus, ninguém mesmo; mas, a mim uma coisa parece-me certeira: Deus sempre humilha os soberbos. Eles podem até resistir e dar mil e uma voltas, porém, dum jeito ou doutro, eles sempre terminam aperreados.
(2) Deus, em sua grandeza, humildemente oculta-se na simplicidade da Eucaristia, o Santíssimo Sacramento, para nos tocar o âmago de nossa alma. Os soberbos, em sua mediocridade, exibem a todos a sua baixeza, do alto de suas imundas zombarias, para escandalizar os pequeninos com toda a deformidade de suas sebosas almas.
(3) O Arcanjo, ao encontrar-se com a Virgem Santíssima, disse: “Ave! Cheia de Graça. O Senhor é convosco”. Pois é, e se o Arcanjo São Gabriel, por um acaso, sempre o tal do acaso, se encontrasse conosco, nos diria o que? Pois é, pois é, pois é.
(4) A pressa é um claro sinal de desamor; a morosidade uma evidente manifestação de descaso para com tudo e com todos que dizemos querer …

EDUCAÇÃO NUM PAÍS ATRAVANCADO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Qualquer proposição de uma reforma do sistema educacional e, consequentemente, todas as discussões que verterão da mera ventilação de uma proposta desse gênero, estarão condenadas a morrer na casca.
Isso mesmo. Morrer na casca. E, assim o é, por causa de fatores que, em si, nada tem que ver com a dita cuja da educação, mas que, de maneira tangente, tem uma influencia acachapante sobre as atividades desenvolvidas em uma sala de aula.
Destes fatores, destacamos, aqui, nessa parva missiva, apenas sete, os quais seriam:
(i) a educação é organizada na maioria absoluta das vezes por políticos e burocratas que nunca educaram ninguém e, em muitos casos, nem mesmo terminaram a sua própria educação. Há inclusive alguns que, um dia, estiveram numa sala de aula, mas que, se tornaram burocratas para fugirem da tal sala de aula e agora lá estão para dizer o que deve ou não deve ser feito em matéria de educação.
(ii) Há inúmeras pressões de ordem corporativista que inter…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 005

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Conversa fiada com pretensões inteligentes são tão degradantes quanto todo e qualquer papo furado sem pretensão alguma. Em certa medita, e nalgumas situações, o primeiro tipo de colóquio é até mais perverso porque os interlocutores creem piamente que, por estarem fazendo isso, por estarem entretidos num bate-papo cheio de pose e afetação, darão mostras dalguma superioridade intelectual ou moral; superioridade essa que, de fato, inexiste. Em termos substanciais, esse tipo de trelelê, em nada difere do segundo tipo de prosa. A diferença real está apenas na banca, na pose exigida numa e dispensável na outra.
E se digo isso não por maldade não.Não mesmo. Aponto isso porque não existe nada mais letal para inteligência humana do que fiar-se numa conversa com pretensões intelectuais sem que de fato essa seja um diálogo desse gênero. E assim o é porque todo e qualquer saber fingido, com o tempo, embota todo e qualquer conhecimento substantivo.
(2) Falada ou e…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 004

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Quando a palavra amor vê-se pronunciada repetidamente sem a companhia de atos que substancialmente a representam, qualquer gesto tosco, pífio e egoísta passa a representá-la.
Não é à toa que na sociedade contemporânea não mais se saiba a diferença que há entre amar e ser meramente movido por uma paixão.
Não é à toa que não mais se saiba distinguir entre o que é sacrificar-se graciosamente pelo outro do ato de exigir insaciavelmente sacrifícios dos outros em seu favor.
Por essas e outras que o amor tornou-se uma palavra sem sentido, pois, somos uma sociedade onde as pessoas em sua maciça maioria vivem vidas sem propósito algum.
Resumindo o entrevero: somos imaturos demais para amar verdadeiramente. Talvez, por isso, e por outras razões, não sejamos capazes de parar, por um instante que seja, de brincar com nossos celulares.
(2) O espírito crítico, a consciência dita crítica, não é sinal duma excelsa inteligência; é sintoma duma séria lesão cerebral. Da mes…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 003

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Não há, em nosso triste país, nada mais obsceno que falar a verdade. Não há, aos olhos relativizantes dessa terra de desterrados, nada mais pornográfico do que esforçar-se para ser intelectualmente sincero. Não há mesmo.
(2) Os praticantes da filodoxia têm uma preocupação histriônica de não parecerem idiotas. Os filósofos, por sua deixa, esforçam-se, abnegadamente, para não serem idiotas.
(3) Uma das emoções mais valorizadas por toda aquela turminha, que cultua o tal do ídolo tribal da cidadania crítica, é a tal da indignação.
Todo bom tonto revolucionário ama dizer que está indignado com isso ou com aquilo. Para essa gente, colocar-se nesse estado, seria similar a um "êxtase místico" onde sua alminha entra em comunhão com algum espírito suíno.
Bem, não há dúvidas de que a indignação é uma emoção real; aliás, a indignação é um sentimento poderoso pra caramba, porém, na grande maioria das vezes não é uma emoção honesta não.
O indignado, dum modo g…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 002

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Vejam só como são as coisas nesse mundão velho: se o caboclo enche as guampas de canha, forra o bucho de carne, ferve o caneco até tarde da noite em dia de São Pega sem se preocupar, nem um pouquinho que seja, se está ou não perturbando o descanso daqueles que na manhã seguinte tem de levantar cedo, bem cedinho, pra lavorar, em termos brasileiros, um caipora desse naipe está mais que apto para candidatar-se a um posto qualquer de “otoridade” pública.

E, pode crer, que esse tipo de gente pode até não ser eleita, mas provavelmente terá uma boa margem de votos, haja vista que gente desse tipo (depre)cívico tem uma significativa representatividade junto ao nosso arremedo de sociedade.

Fazer o que? Coisas da democracia brazuca que aí está para atravancar o país.
(2) Não entendo, confesso, qual é a grande e misteriosa proposta subjacente ao foguetório que é solto diuturnamente durante um período eleitoreiro; foguetório esse disparado pela maioria dos candidat…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR INCERTA - 001

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Quanto mais superficiais são os pensamentos dum sujeito, mais criticamente pensante ele se imagina ser. Quanto mais crítico ele matuta ser, mais visível se torna sua oca soberba.
Gente assim, dum modo geral, tem opinião sobre tudo sem, necessariamente, saber realmente alguma coisa sobre algo e, por isso mesmo, julgam-se muito sabidas, tão espertas, tão fofas.
Pois é, somente aqui, nessa terra de desterrados que a ignorância voluntária e presunçosa é reconhecida como fonte de autoridade intelectual e moral. Basta nada saber e se negar a conhecer que qualquer um está autorizado a opinar com pose doutoral.
(2) O poder, por sua natureza, atrai preferencialmente os piores e corrompe os melhores e esses, por sua deixa, não nos iludamos, são pouquíssimos e frequentemente sucumbem.
Doravante, essa regra não é válida apenas para aqueles que mergulham de corpo e alma nas fétidas vísceras das disputas pelo poder, mas também, essa regra é certa para todo aqu…

DIÁRIO DE BORDO: DATA ESTRELAR 160904

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Que a galhofa faça parte da peleja eleitoral não há problema algum. Na verdade, é um dos temperos que tornam esse angu encaroçado mais palatável para todos, seja para o gosto dos eleitores ou dos candidatos. Agora, vermos a vida (depre)cívica brasileira ser reduzida a uma troça só é sacanagem. Ninguém merece. Ninguém mesmo.
(2) Os bocó de mola que se declaram alminhas críticas quando palestram sobre a realidade política brasileira, com a boca cheia de criticidade, afirmando que o povo não gosta de parlar sobre política confessam, a todos, que são um profundo poço de alienação.
Ora, se há um trem que as pessoas gostam de conversar é sobre política. Claro que não é do jeito e no tom que as mentes ideologicamente fecais desejam que seja, mas as pessoas conversam sim. Preocupam-se, indagam-se e defendem a causa que acreditam ser a mais justa neste ou naquele momento.
É óbvio que não será isso, falar sobre política, que tornará as pessoas mais dignas, presta…