BLOGICAMENTE FALANDO – parte XVII

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
O mal educado de carteirinha sempre imagina que qualquer um que ouse exigir dele um pingo daquilo que ele não tem, deve fazê-lo com o máximo de decoro possível. Ora, onde já se viu alguém falar com um sem educação na linguagem dele, não é mesmo? Isso é demais para sua sebosa alminha suportar.

(2)
Só para constar: toda essa defesa, constante e irascível,  da busca pela satisfação egoística de todo e qualquer prazer não tem por intento emancipar essa ou aquela minoria não. Não mesmo. Tais inclinações da alma humana, da sua alma e da minha, são, de fato, estimuladas porque nada na face dessa terra é mais facilmente manipulável do que uma massa que fundamentalmente busca a satisfação de sua insaciável sede por prazer. Enfim navegante, seja como for, abra olhos e não cai nesse pérfido canto de sereia politicamente correto.

(3)
Quanto mais se estimula a liberdade pessoal; quanto mais é fomentada a libertinagem dos costumes para realização das inclinações mais baixas que se fazem presentes na alma humana, em nossa alma, mais facilmente as ideologias tirânicas conseguem deitar suas pérfidas raízes nos corações; mais sorrateiramente elas passam imperar sobre as vidas levianamente vividas e, inevitavelmente, sem muito esforço elas conseguem corromper as consciências desarmadas pela volúpia pessoal desenfreada.

(4)
Quem não aprende a sacrificar a liberdade pessoal em favor do bem estar dos seus acaba, sem querer querendo, tornando-se um brinquedinho mais que perfeito para destruir todas as liberdades civis em favor da tirania Estatal.

(5)
Só pra constar, só isso: cultura nunca foi, e jamais deve ser vista como um reles entretenimento. O aperfeiçoamento moral dos indivíduos, de cada um de nós, é a finalidade maior da cultura. Por isso, se uma manifestação cultural não almeja esse intento, podemos até chamar esse trem fuçado de cultura, mas, na real, esse trambolho não passará dum dejeto enfeitado; dum excremento com purpurina a refletir o que há de mais profundo em nossa alma. E põem profundo nisso.

(6)
A verdade sempre é boa para alma humana. Sempre. O que não significa que ela será necessariamente confortável para almas maculadas como a nossa. Todavia, como estamos profundamente encalacrados com o hedonismo rasteiro contemporâneo, toda vez que ouvimos uma verdade, por mais pequenina e generosa que seja, reagimos com um punhado de ui, ui, ui, ai, ai, ai feito criancinha que ralou o joelho e a mamãe acabou de passar mertiolate. Ora, carambolas! Deixemos de frescuragem. Ouçamos e assimilemos devidamente as verdades, as grandes e pequeninas, para que possamos crescer em dignidade e virtude com elas; procuremos dar um basta a todas as mesquinharias morais e intelectuais que massageiam nossos vaidosos egos podres de  tanto mimo; tenhamos coragem para olhar a realidade para conhecê-la e crescer conhecendo-a.

(7)
A grande literatura é como um bosque com frondosas árvores. Quando as colocamos abaixo, quando destruímos a mata, deixando o solo nu e desprotegido e, com o tempo, em seu lugar crescerá uma tristonha e feia quiçaça rasteira. Bem, é o que está acontecendo com a literatura e com a alta cultura em nosso triste país. O desmatamento foi feio e o que restou é essa vil capoeira cultural que temos. Só isso. E ao que tudo indica vai piorar.

 (*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

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