BLOGICAMENTE FALANDO – parte XIX

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Lição que é desdenhada pelas alminhas críticas: saber observar os acontecimentos com paciência e sem se enervar.

Essa atitude é imprescindível para conhecer o tempo de cada fato e o passo de cada ato. Ficar nervosinho, dando peti de cidadanite, pode até dar IBOPE, mas não ajuda a entender nada e não resolve coisa alguma.

E te digo uma coisa: indignação não passa duma birra. Isso mesmo. Por mais que se diga que ficar indignado seja uma “virtude cívica”, no fundo não passa de uma criancice aceita socialmente em sociedade moralmente decadentes.

E te digo outra: ter nervos de aço é fundamental para conhecer os fatos sem ser arrastado pelas paixões do momento e, consequentemente, para sermos capazes de agir sobre os acontecimentos com razoável consistência.

E, por fim, te digo isso: ficar nervosinho pode até fazer-nos parecer bonitinho na foto e aos olhos instantâneos do momento, entretanto, tal atitude não passa dum impensado rompante infantil e ordinário. Só  isso e nada mais.

Por isso, pare, pense, compreenda e pondere sobre a situação presente e sobre nossas atitudes patentes antes que seja tarde de mais.

(2)
Precipitação - em misto com indignação colérica - é um claro sinal de que a situação que estamos dispostos a enfrentar nos domina; não o contrário.

Enquanto não somos capazes de ordenar e de controlar nossas emoções frente aos problemas e dilemas que a vida nos atira à face, não estaremos aptos a agir de modo eficaz, mesmo que estejamos cobertos de razão quanto ao que motiva nosso sentimento de cólera cívica.

Não basta sentirmo-nos indignados frente às injustiças; temos sim que fazer os injustos indignar-se frente a nossa presença por aquilo que representamos; fazê-los tremer com o vislumbre de nossas possíveis ações.

Quanto ao resto, bem, todo o resto é bobagem, mesmo que essa bobagem tome conta das ruas de verde e amarelo fazendo-nos imaginar que isso seja o suprassumo da cidadania.

(3)
Ruas cheias de cordeiros, gritando palavras de ordem e vestidos a caráter para um passa-tempo cívico com dia previamente marcado pode até impressionar, mas não assusta, nem derrota as alcateias de lobos e os covis de leões que nos assaltam sorrateiramente a partir dos meandros Estatais, para-Estatais e corporativos.

É preciso muita astúcia e um tantão de paciência para encurralar e enquadrar essas bestas e, principalmente, sermos mui vigilantes para não acabarmos nos tornando presas delas numa de suas sutis arapucas; para não fazermos o jogo deles imaginando tolamente que estamos fazendo o nosso.

Se não formos vigilantes, pacientes e astutos estaremos apenas fazendo papel de bobos num teatro de loucos patrocinado por canalhocratas.

(4)
Boa parte dos críticos do juiz Sérgio Moro apegam-se caninamente aos mais toscos detalhes de qualquer formalismo burocrático - formalismos tão vazios quanto cínicos - fantasiando-os com toda ordem de dissimulações jurídicas e dessa forma, cônscios ou não, acabam ignorando o que ele está realizando, o mal que ele e sua equipe ousaram afrontar, que continuam ousadamente combatendo. Quem não percebe isso ou é aparvalhado ou parte interessada – material ou ideologicamente interessada.

(5)
A disciplina é um dos alicerces da formação da personalidade; outra coluna importante é o senso de responsabilidade devidamente balizado por uma aguda consciência de que tudo aquilo que fazemos - de bom e de ruim - é de nossa autoria, de nossa responsa, e não culpa de algo ou de alguém malvadão que está sempre nos sacaneando desde tempos imemoriais.

Por isso, enxovalhar a disciplina e perverter a consciência moral dos indivíduos é a pedra angular da pedagogia da mediocridade que há décadas vem destruindo, silenciosa e criticamente, o pouco de honradez e integridade que havia em nosso país.

Está mais do que na hora de procurarmos salvar o pouco que restou.

(6)
Onde não há retidão de propósito, não há boa intenção nem ação responsável. Num lugar onde carecesse disso as únicas coisas que reinam é a dissimulação histriônica, o artificialismo (depre)cívico duma multidão de canalhas disfarçados de cidadãos em conluio com outro tanto de biltres fantasiados de redentores públicos dessa choldra ignóbil maquiada de democracia. Essa, meu caro Watson, é a canalhocracia tão vigorosa e cheia de vida a parasitar o nosso anêmico país.

(7)
Não sou fã de futebol, porém, nada tenho contra aqueles que o são. Porém, todavia, entretanto, acessar as redes sociais no dia seguinte após a final olímpica da referida modalidade desportiva e ver a galerinha multiculturalista - com duas mãos canhotas - pau da vida com a seleção brasileira de futebol não tem preço.

Onde já se viu - pensa a turminha politicamente correta com seus alfarrábios e postagens - o Neymar usar uma faixa na testa escrito 100% Jesus; como é que pode o goleiro Weverton Pereira da Silva declarar em entrevista que o ouro é nosso, mas a glória é de Deus, como? Bem, turminha, pode porque estamos no Brasil e, apesar de toda hegemonia cultural e intelectual exercida sobre nós pelos grilhões rubros, ainda há no coração brazuca os ecos da Palavra que jamais passará.

Enfim, eles piram o cabeção enquanto os atletas militares batem continência ao pavilhão nacional e surtam ao ver os futebolistas dando glória ao Senhor por terem conquistado o ouro olímpico para a nossa mãe gentil.

E deixem que eles pirem, pois é divertido demais vê-los assim.

 (*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

Comentários