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Mostrando postagens de Julho, 2016

FARPAS QUIXOTESCAS - n. 06

BLOGICAMENTE FALANDO – parte XI

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Recato, moderação e respeito. Três palavras. Uma única atitude.
(2) O corpo humano, o nosso corpo, é templo de Deus. É santuário da Graça. Por isso, não o ultraje com sua vaidade. Não o macule com sua volúpia. Não faça de sua carne O cenário de escândalos e de sua alma um precipício para a perdição.
(3) Quanto mais o Estado divide a sociedade em guetos, através do cinismo politicamente correto reinante, mais fragmentada e instável tornam-se as relações interpessoais e, consequentemente, mais onipresente torna-se o gélido arbítrio do Leviatã.
(4) Saul Bellow ensina-nos que um dos papéis que deve ser desempenhado pela grande literatura é o de munir os indivíduos com o vislumbre de inúmeras possibilidades de realização humana; possibilidades essas que estejam para além dos estereótipos que imperam na sociedade presente. Uma das missões da literatura seria auxiliar os indivíduos a ver a época atual a partir dos olhares de todas as Épocas para, desse modo…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte X

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) A presunção é o medalhão de distinção do ignorante. Ele crê, candidamente, sempre saber tudo, mesmo sem ter dado o devido tempo, e a indispensável atenção, para aprender alguma coisa. Seu mundinho, vasto e profundo como seu umbigo, é toda a realidade para ele, mesmo que isso, em termos simples e bem ponderados, nada seja além do que um circo armado por seu ego, mimado e inchado, para, toscamente, curtir os inúmeros produtos fecais de sua mente oca.
(2) Qual será o futuro da Europa? Será o fruto da resposta que os europeus, e o Ocidente como um todo, derem ao desafio que o tempo presente lhes faz. E qual será o futuro do Brasil, de nosso triste país? A resposta é a mesma: dependerá do que estamos dispostos a fazer frente ao quadro em que nos encontramos e, em ambos os casos, no europeu e no brazuca, são temerários os dias que estão por vi. Ao que tudo indica, a resposta que será dada em ambos os cenários estará muito abaixo da magnitude dos problemas q…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte IX

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Uma sociedade onde todos os indivíduos teriam seus desejos, todos eles, satisfeitos, é uma tentação infernal, haja vista que os desejos humanos, quando não contidos pela disciplina das virtudes, são um verdadeiro saco sem fundo que nos leva a auto-destruição.
Aliás, não é por menos que as pessoinhas que vivem batendo no peito dizendo que o desejo é fonte inexaurível de direitos sejam tão destemperadas de caráter e, invariavelmente, portadoras de uma personalidade mimadamente irascível.
Não é à toa, não mesmo, que seitas sombrias pregam algo similar e, nesse caso, a similaridade não deve ser considerada como um reles acidente verbal.
(2) Quando alguém diz que a escola pra ser boa tem que ser "crítica", das duas, uma: ou o caiçara é, definitivamente, um doutrinador sem escrúpulos, um canalha militante, ou, no mínimo, um reles idiota útil. Um estulto que imagina que uma palavra bonitinha (como a tal de educação “crítica”), esvaziada de seu sentid…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Certas pendengas burocráticas existem simplesmente para diminuir-nos em nossa mísera humanidade, pra nos ocupar enfadonhamente com baboseiras formalmente fantasiadas de oca imprescindibilidade para, desse modo, acabarmos não tendo mais tempo para aquelas bugigangas bem nossas; para aquelas coisas que realmente importam.
(2) Aprender qualquer coisa é uma questão de disciplina; de autodisciplina. Sem ela, todo e qualquer acesso a informação, principalmente em farta quantia, torna-se apenas uma futilidade entre outras tantas que ocupam as almas que perambulam pelas vielas da vida moderna. Idolatrar essa fartura informacional e desprezar afetadamente a necessária capacidade de auto-ordenação é a própria idiotia travestida superioridade hi tec.
(3) Não sabermos de certas coisas é muitas vezes o caminho para uma ilusão. Sabermos determinadas coisas é sem pôr nem tirar o fundamento sólido para uma imensurável alienação. A galerinha dita crítica que o diga.
(4) T…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VII

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Não nos cabe julgar os rumos da história. Não porque seja algo soberbo, não é isso não. Tal julgamento seria simplesmente irrelevante.
Desse grande latifúndio o que nos cabe, dentro de nossa capacidade e dos limites de nossa sinceridade, é avaliar alguns momentos da história ao mesmo tempo em que nos avaliamos enquanto pessoa, na condição de sujeitos, ativos ou passivos, de nosso devir nesse vale de lágrimas.
(2) O mundo, a cada dia que passa, torna-se mais e mais um pesadelo. Um pesadelo parido de acordo com a medida de nossos utópicos sonhos desmedidos.
(3) O tempo não é tudo na vida; entretanto, viver é uma questão de tempo. De mais a mais, saber usar o tempo, também, não é tudo; mas faz toda a diferença em nossa porca vida.
(4) Pouco importa se somos revoltadinhos ou conformadinhos com isso ou aquilo. Esse tipo de conversa é coisa de bocó de mola. O que realmente interessa é que queiramos, sinceramente, conhecer a Verdade; que saibamos como procurá-La …

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VI

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Ativistas profissionais politicamente corretíssimos, defensores de minorias supostamente oprimidas, que se auto-intitulam progressistas e, por isso mesmo, julgam-se ser pessoas muitíssimo boazinhas, com seu sentimentalismo barato e caricato são indubitavelmente os pais de toda a brutalidade que se vê estampada na primeira página de todos os grandes jornais.
(2) A história tem  muitas serventias. Dentre elas, a mais usual, é aquela em que suas turvas linhas são empregadas de maneira canalha para “fundamentar” mentiras ideologicamente concebidas. Bem, como a maioria das pessoas tem apenas uma miserável e esquemática “compreensão” histórica da realidade, as ideologizadas mentiras mais estapafúrdias acabam colando nas mentes incautas, feito chiclete velho nos fundilhos duma calça. Enfim, por essas e outras que quem dita o tom da memória coletiva oficiosa acaba forjando na realidade o sentido que bem entender a partir da versão histórica que eleger para ju…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte V

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) O Brasil não vai pra frente; ele vai pra diante do mesmo jeitão de sempre, só que num trote um pouco pior do que o de antes.
(2) Qualquer idiota diz o que pensa, porque na maioria das vezes, o que ele tem a dizer, no fundo, não quer dizer nada. Para fazer isso não se necessita de coragem. Nem um pouco. Coragem mesmo se deve ter pra chamar a atenção dos pares para aquilo que é óbvio, tão óbvio que tolamente muitos desviam seus olhares para não ultrajar os seus delírios pensantes porque, tais desatinos, são profundamente amados pelo envaidecido ego dos estultos pensantes que os cultivam.
(3) Muitas pessoas imaginam - de modo confuso - que viver uma vida medíocre seria o supra-sumo da felicidade, da mesma forma que outras tantas imaginam - também de maneira desordenada - que repetir tudo aquilo que os inteligentinhos presunçosos dizem simiescamente fosse sinônimo de distinta criticidade.
(4) Procurar, amorosa e abnegadamente, conhecer a verdade, não torna a …

BLOGICAMENTE FALANDO – parte IV

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Não provoque as pessoas de bom coração. Não seja tolo de irar aqueles que têm um coração fortemente inclinado à mansidão porque essas, mais do que todas as outras pessoas, têm adormecidas em seu íntimo um punhado de bestas ferozes que, sinceramente, é melhor que fiquem adormecidas. Por isso, repito: não as provoque. Não mesmo. Não queira ver a transfiguração dessas almas adocicadas feito favos de mel em terríveis cálices de amargo fel.
(2) Não fique indagando sobre tudo o que está ocorrendo e muito menos sobre o que todos estão fazendo aqui e acolá. Isso, além de ser um trambolho inconveniente, também é um veneno para nossa inteligência porque quem quer saber de tudo, a respeito de tudo e de todos a tempo todo, acaba sabendo nada, sobre nada, em tempo algum. Queiramos ou não, tal disposição indiscreta tem um poder avassalador para desordenar a nossa alma. É por isso que, entre outras coisas, a Santa Madre Igreja condena veementemente o mexerico e a vã…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Todos nós somos fruto do vinhedo da vida. Com o tempo, inevitavelmente, nos tornamos fortes como um bom vinho ou azedos feito um vinagre.
(2) Deixe o mundo ser o mundo. Não dê a ele, com todas as suas intrigas de bastidores, uma importância maior do que lhe é devida. Ele não merece tanto. Ele não merece o melhor de nós não.
(3) Quando se fala de alianças, conchavos e intrigas políticas, sejam elas provinciais ou palacianas, baixeza pouca é bobagem. Há sempre mais sujeira debaixo do tapete, muito mais, do que qualquer pessoa, decente ou não, possa imaginar. E se o cidadão comum, probo ou não, for capaz de vislumbrar toda a imundice que há nesses antros ele possivelmente vomitará aos borbotões. Ah! Se vai!
(4) As manifestações iradas da parte de alguns em relação ao projeto da ONG Escola sem Partido apenas atesta o indelével viés totalitário dessa gente. Ora, o que há de autoritário em lembrar que sala de aula não é espaço para doutrinação ideológica? O que…

BLOGICAMENTE FALANDO – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Querer dar um jeito no mundo estando com a alma toda desordenada é a receita perfeita para uma tragédia totalitária.
(2) O trem mais gozado nessas discussões políticas de caráter miúdo – que de tempos em tempos tomam conta das CIVITAS brazucas - é que não são poucas as alminhas que apresentam, orgulhosas, as mais mirabolantes soluções para os problemas que afetam a todos, porém, os abençoados não têm nenhum plano, nenhunzinho, para organizar as suas porcas vidas. Na verdade, é pra lá de bisonho ver um monte de vidas tortas querendo colocar a vida de todos no prumo.
(3) No Brasil, a cultura é entendida como sendo qualquer bobagem que seja utilizada para ocupar o tempo ocioso de um amontoado de vidas vazias. Bem, nada mais apropriado para o temperamento nacional.
(4) As paixões político partidárias, ideologizadas ou não, são típicas dos canalhas. Elas fazem da mesquinharia e das miudezas da alma a sua mais elevada grandeza. Não é à toa que tal seara atrai, …

BLOGICAMENTE FALANDO – parte I

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) O desejo é parte da vida, mas não é a mais importante. Há desejos que importam, porém, o desejar, em si, não pode ter tanta importância assim em nossa alma. Quando os nossos quereres - os nossos pequenos e tacanhos quereres - passam a marcar o prumo de nosso horizonte é porque perdemos totalmente o rumo de nossa existência.
(2) Desejos são possibilidades de realização dum querer humano. Há possibilidades que são desejáveis e, outras tantas, que são desprezíveis. Para diferenciar uma da outra é necessário que nossa vontade seja sólida como uma rocha. Caso contrário, não será ela que dirá o que é ou não é abominável, mas sim, os desejos mais vis que passaram a determinar o que deveremos ser devido a nossa total fraqueza de caráter.
(3) Todo aquele que coloca os seus desejos no cume da hierarquia de prioridades de sua vida é, inevitavelmente, candidato a ser uma alma fútil e frustrada. Fútil, porque os desejos sempre amesquinham a visão dos deveres. Frustr…

LOUCURA POUCA É BOBAGEM

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Quando o assunto é política; digo, quando o que está em jogo é uma disputa eleitoreira chinfrim, não há limites para a doideira. Não há mesmo.
O que sobra de chiliques da parte de um dos lados, motivado pelo ímpio desejo por se locupletar com a coisa pública, no outro sobra em delírios sem fim por imaginar, de modo similar ao velho Smigol, que o precioso úbere é somente seu e que ninguém tasca.
O trem é tão tosco, tão tosco, que chega a ser patológico. Um fiasco digno não de tratamento, porque esse troço não tem cura não, mas sim, de um sério estudo de caso pra ver se, ao menos, as gerações vindouras possam aprender alguma coisa com essa palhaçada toda que hoje chamamos, sem o menor pudor, de vida cidadã.
(*) professor e cronista.
Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

SIMPLÓRIAS REFLEXÕES BLÓGICAS – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Tudo aquilo que é honrado publicamente, tudo aquilo que é louvado pela massa de cidadãos e pelas autoridades constituídas, de maneira discreta ou escancarada, torna-se a força que impulsiona os indivíduos à ação. Dependendo do que for reverenciado, tem-se o estímulo do cultivo das mais elevadas virtudes ou dos mais ignóbeis vícios.
Ora, não é preciso nem dizer o que é incitado num triste país que faz da bunda, do oportunismo, da boemia vagabunda e da idolatria das chuteiras símbolos do orgulho nacional, não é mesmo? Por essas e outras que digo, sem constrangimento, que sou brasileiro, porém, não sou praticante.
(2) Deve nos causar muita satisfação, mas muita mesmo, quando um biltre manifesta uma irremediável repugnância por nossa pessoa; devemos nos regozijar em saber que aquilo que somos lhe seja tão estranho e repugnante, pois, como dizem os populares: somos profundamente elogiados quando certas pessoas nos insultam. De mais a mais, é uma grande verg…

SIMPLÓRIAS REFLEXÕES BLÓGICAS – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(1) Num momento de crise, a honradez não mensurasse pela capacidade aguerrida de se manifestar na defensa dos ditos e escarrados "nossos direitos" em suas minúcias e miudezas, mas sim, em avaliarmos de maneira prudente a situação e sermos humildes e realistas o bastante pra reconhecer que a pequenez de nossas queixas nada é em comparação com o drama sofrido por muitos. Resumindo o entrevero: não compreender isso, francamente, é um claro sinal de infantilidade tardia fantasiada com a máscara duma decadente cidadanite.
(2) Quando a situação aperta, todos nos vemos obrigados a apartar a cinta e a reorganizar a nossa vida. As pessoas maduras compreendem isso e procuram agir de modo ponderado frente à situação, procurando, dentro de suas limitações, resolver os problemas que vão sendo apresentados.
De mais a mais, é natural que muitos esperem que nossos governantes, as autoridades investidas de poder por nossos tolos e impensados votos, se portassem d…