sábado, 30 de julho de 2016

FARPAS QUIXOTESCAS - n. 06

BLOGICAMENTE FALANDO – parte XI


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Recato, moderação e respeito. Três palavras. Uma única atitude.

(2)
O corpo humano, o nosso corpo, é templo de Deus. É santuário da Graça. Por isso, não o ultraje com sua vaidade. Não o macule com sua volúpia. Não faça de sua carne O cenário de escândalos e de sua alma um precipício para a perdição.

(3)
Quanto mais o Estado divide a sociedade em guetos, através do cinismo politicamente correto reinante, mais fragmentada e instável tornam-se as relações interpessoais e, consequentemente, mais onipresente torna-se o gélido arbítrio do Leviatã.

(4)
Saul Bellow ensina-nos que um dos papéis que deve ser desempenhado pela grande literatura é o de munir os indivíduos com o vislumbre de inúmeras possibilidades de realização humana; possibilidades essas que estejam para além dos estereótipos que imperam na sociedade presente. Uma das missões da literatura seria auxiliar os indivíduos a ver a época atual a partir dos olhares de todas as Épocas para, desse modo, fortalecer o caráter dos indivíduos. Todavia, na sociedade brasileira contemporânea, a preocupação central não é essa não, mas sim, o oposto disso. Ou seja: a reafirmação dos estereótipos politicamente corretos reinantes na Era presente em detrimento da sabedoria de todas as Eras com a (in)consequente mutilação da personalidade das pessoas. Não é à toa que vivenciamos hoje esse terrificante aviltamento cultural e moral, haja vista que somos, em grande parte, aquilo que consideramos ser tão possível quanto desejável.

(5)
O Brasil não existe. Enquanto país ele não é real. Não chega nem mesmo a ser um delírio surreal. É, no máximo, um acampamento de refugiados que não sabe donde veio, nem para donde vai.

(6)
Pois olhe, uma coisa é você manter-se zen num templo nos confins do Oriente; uma coisa é você ficar piamente sereno num mosteiro trapista num recanto qualquer do Ocidente, agora, manter-se zen frente a falência do sistema educacional brazuca, permanecer sereno frente as bobagens que passaram ser encaradas como educação é uma tarefa literalmente hercúlea. É difícil não mandar tudo pra casa do chapéu.

(7)
Quanto mais tentamos justificar um desejo perante o mundo, apresentando-o como se sua realização fosse um direito incontestável, menos direito a ele nós temos.

(*) professor e cronista.
Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

sexta-feira, 29 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte X

 Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
A presunção é o medalhão de distinção do ignorante. Ele crê, candidamente, sempre saber tudo, mesmo sem ter dado o devido tempo, e a indispensável atenção, para aprender alguma coisa. Seu mundinho, vasto e profundo como seu umbigo, é toda a realidade para ele, mesmo que isso, em termos simples e bem ponderados, nada seja além do que um circo armado por seu ego, mimado e inchado, para, toscamente, curtir os inúmeros produtos fecais de sua mente oca.

(2)
Qual será o futuro da Europa? Será o fruto da resposta que os europeus, e o Ocidente como um todo, derem ao desafio que o tempo presente lhes faz. E qual será o futuro do Brasil, de nosso triste país? A resposta é a mesma: dependerá do que estamos dispostos a fazer frente ao quadro em que nos encontramos e, em ambos os casos, no europeu e no brazuca, são temerários os dias que estão por vi. Ao que tudo indica, a resposta que será dada em ambos os cenários estará muito abaixo da magnitude dos problemas que nos impiedosamente nos sitiam.

(3)
Um gentil amigo, em conversa casual, perguntou-me se eu estava triste, se algo havia ocorrido comigo para não estar sorrido. Respondi-lhe que nada havia ocorrido que me arrastasse para as sombras da alcova da tristeza, porém, confesso: estou melancólico. Em termos shakespearianos, estou bem melancólico. Sim, isso eu estou. Sorumbático com tudo que minhas vistas contemplam e, taciturno, fico a meditar sobre a minha impotência demasiadamente humana frente à realidade que testemunho. E, sem nada poder fazer diante do caos reinante, tento, ao menos, entender os entreveros que assombram nossos dias e, quanto mais claro esses buchichos se tornam, mais macambúzio acabo ficando.

(4)
A malícia é a caricatura que o demônio faz da sabedoria. A esperteza malandra é a imitação estulta da caricatura sombria. O sábio, por sua deixa, sabe reconhecer uma e outra à luz do temor reverente despertado por Àquele que é a Verdade que nos aponta o Caminho para a Vida.

(5)
A história explica-nos o que deu certo e o que redundou em fracasso, e é isso bom; a literatura ensina-nos o que é desejável e o que não é, e isso também é bom; já a poesia nos auxilia a sermos aqueles que devemos ser, e isso é muito bom.

(6)
O importante não é pensar, mas sim, agir. Bobagem. Pensar é uma forma de ação que, necessariamente, deve anteceder todas as demais para que nossas realizações não sejam inconsequentes em seu desfecho e desastrosas em seu desenrolar.

(7)
Os bons, os bons alunos, sempre avançam, sempre seguem pra diante, não importando as circunstâncias. Eis aí um determinismo canalha. Uma bobagem cínica e desmesurada que, quando dita, o é por uma motivação vil, por um desejo de parecer uma alma boazinha, politicamente correta. E assim o é não por uma sincera preocupação com os caminhos e descaminhos da educação. Não mesmo.

Infelizmente, não são poucos os alunos que desejam havidamente ser alguém através do ato de conhecer, que se encontram inseridos num sistema educacional fundado no coitadismo, numa estrutura que olimpicamente desmerece e enxovalha o mérito, que desanimam e, ao invés dos infantes crescerem, acabam adaptando-se a mediocridade reinante que, tristemente, é tão valorizada hodiernamente por aqueles que dizem ser doutos nesse babado sem nunca ter, de fato, educado alguém. Nem a si mesmos.

(*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

segunda-feira, 25 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte IX

 Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Uma sociedade onde todos os indivíduos teriam seus desejos, todos eles, satisfeitos, é uma tentação infernal, haja vista que os desejos humanos, quando não contidos pela disciplina das virtudes, são um verdadeiro saco sem fundo que nos leva a auto-destruição.

Aliás, não é por menos que as pessoinhas que vivem batendo no peito dizendo que o desejo é fonte inexaurível de direitos sejam tão destemperadas de caráter e, invariavelmente, portadoras de uma personalidade mimadamente irascível.

Não é à toa, não mesmo, que seitas sombrias pregam algo similar e, nesse caso, a similaridade não deve ser considerada como um reles acidente verbal.

(2)
Quando alguém diz que a escola pra ser boa tem que ser "crítica", das duas, uma: ou o caiçara é, definitivamente, um doutrinador sem escrúpulos, um canalha militante, ou, no mínimo, um reles idiota útil. Um estulto que imagina que uma palavra bonitinha (como a tal de educação “crítica”), esvaziada de seu sentido originário, e reduzida a um parvo jogo de linguagem, seria capaz de tornar as pessoas mais sabidas, desde que, obviamente, as pessoas ignorassem a má intenção ideológica que se faz presente em todo esse palavrório, oco e totalitário, fantasiado de democrático para ludibriar as almas desarmadas que, infelizmente, não são poucas nesse país. Não são poucas e, na maioria dos casos, para piorar o quadro, são devidamente diplomadas e se consideram mui críticas por causa desse papel mal impresso.

(3)
Quando um cretino diz que a educação deve ser supostamente crítica, o que ele está dizendo, mesmo, é que no lugar de uma verdadeira educação, o que deve existir, no seu entender, é o que há: uma rasteira doutrinação marxista amancebada com um punhado de tranqueiras similares. Só isso. Nada mais.

E tem outra: mesmo que o biltre ache essa doutrinação a coisa mais linda desse mundo, ela continuará sendo o que é: um subproduto vil de um amontoado de almas desordenadas. E assim o é porque tudo o que um infame considera como sendo uma boniteza, jamais passará de uma miserável e vil ignomínia. Só isso e nada mais; mesmo que ele e seus pares insistam em convencer-nos do contrário.

(4)
Em ano eleitoral, tudo é proclamado em nome do povo, sem necessariamente levá-lo em consideração. Em tempos como esse tudo é feito pelo e para o povo, apesar da existência dele.

(5)
Gosto de gente simples, não por serem simples, mas sim, por serem sinceras e verdadeiras no que dizem e íntegras naquilo que são. Gosto de pessoas que vivem simplesmente como pessoas, por viverem a vida sem todos aqueles salamaleques politicamente corretos; gente que dispensa todas aquelas afetações de superioridade fingida que a galerinha supostamente esclarecida ama tanto ostentar em suas dissimuladas vidinhas.

(6)
Você entende melhor uma determinada narrativa histórica sobre um acontecimento qualquer não tanto pelo que dele nos é contado, mas sim e principalmente, sobre o que a respeito dele nos está sendo omitido, distorcido e negado. Compreende-se melhor a verdade sobre algo através da análise das entranhas das mentiras que a maculam. Sem que elas queiram, as farsas e dissimulações acabam nos falando muito mais sobre a verdade - que elas tanto se esforçam para ocultar em suas sombras - do que realmente os autores do engodo gostariam que fosse sabido. Basta prestar a devida e necessária atenção para enxergar o óbvio ululante.

(7)
Ficar dizendo aos outros que é preciso estudar história por esse ou por aquele motivo sem realmente dedicar-se ao babado é coisa de idiota presunçoso ou de militante adestrado. Quem de fato a estuda sabe que toda vez que ela é evocada publicamente é por pura sacanagem, jamais por amor ao que dela se pode colher.

(*) professor e cronista.

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Certas pendengas burocráticas existem simplesmente para diminuir-nos em nossa mísera humanidade, pra nos ocupar enfadonhamente com baboseiras formalmente fantasiadas de oca imprescindibilidade para, desse modo, acabarmos não tendo mais tempo para aquelas bugigangas bem nossas; para aquelas coisas que realmente importam.

(2)
Aprender qualquer coisa é uma questão de disciplina; de autodisciplina. Sem ela, todo e qualquer acesso a informação, principalmente em farta quantia, torna-se apenas uma futilidade entre outras tantas que ocupam as almas que perambulam pelas vielas da vida moderna. Idolatrar essa fartura informacional e desprezar afetadamente a necessária capacidade de auto-ordenação é a própria idiotia travestida superioridade hi tec.

(3)
Não sabermos de certas coisas é muitas vezes o caminho para uma ilusão. Sabermos determinadas coisas é sem pôr nem tirar o fundamento sólido para uma imensurável alienação. A galerinha dita crítica que o diga.

(4)
Todo aquele que idolatra as tecnologias de comunicação e que diz, de boca cheia, que elas são importantíssimas para a (de)formação estudantil, deveriam, antes de dar pitacos furados sobre educação, perguntar-se por que Steve Jobs, Bill Gates e tutti quanti não entregavam essas tecnologias (tablets e companhia) livremente nas mãos de seus filhos? Por quê? Outra: por que as escolas de elite dos EUA, Inglaterra e etc., fundamentam a educação de seus infantes em procedimentos pedagógicos tradicionais e não nas baboseiras modernosas que tanto encantam as almas deformadas e desarmadas? Enfim, por que os países que obtém os melhores resultados educacionais são justamente aqueles que não idolatram brinquedos tecnológicos e, inclusive, baseiam a educação dos seus mancebos em velhos e consagrados procedimentos pedagógicos? Por que meu caro Watson? Talvez, talvez, porque eles avaliem todas as questões dessa seara seguindo o preceito que nos é dado pelo Divino Ensinador que nos diz que devemos conhecer e julgar a cepa de uma árvore pelos seus frutos e não pela fascinação impactante de sua frondosa aparência que nos seduz de modo similar ao canto de uma sereia. 

(5)
Você já ouviu falar de uma carniça chamada psicose informática? Já ouviu falar dum trem fuçado chamado dissonância cognitiva? Então deveria conhecer essas tranqueiras e pensar mais no assunto com muitíssima seriedade antes de ficar idolatrando e apregoando aos quatro ventos os supostos benefícios que a informática pode trazer para a educação de nossos mancebos.

(6)
Não são poucos os caiporas que veem com aquele trelelê de que as tenras gerações não deveriam aprender isso ou aquilo porque elas jamais irão utilizar aquilo ou isso em suas vidas e se por ventura algum dia elas tiverem que utilizar essas supostas tranqueiras epistemológicas, poderão encontrá-las no grande oráculo dos dias atuais: a internet.

Que lindo. Que fofo. Que bobagem.

Esse tipo de conversa, sem nada pôr, sem nada tirar, é uma das maiores patacoadas pedagogescas de todos os tempos; uma patacoada diabolicamente cínica, diga-se de passagem.

Explico-me. Ao menos tentarei.

O que somos não é, de modo algum, somente o que utilizamos em nosso dia a dia, não mesmo. Na verdade, somos muitíssimo mais que isso. Tudo aquilo que sabemos e que, em regra, não tem serventia alguma no nosso cotidiano nos torna quem somos e, inclusive, faz daquilo que realizamos diuturnamente algo único, especial e pessoal.

Ora, como é que Sherlock Holmes resolve suas investigações? Através dum amontoado de conhecimentos miseravelmente práticos aprendidos numa consulta rápida a um site ou por meio de uma inabarcável quantidade de conhecimentos inúteis integrados em sua alma que dão forma a sua fascinante personalidade?

Pois é. Somente um indivíduo tapado, desprovido de personalidade é tão tonto ao ponto de ser incapaz, totalmente incapaz, de compreender isso.

Ponto. E tenho dito.

(7)
Para que as pessoas na sociedade atual possam estar desfrutando dos inúmeros benefícios que hoje temos, foram necessários os esforços e os conhecimentos acumulados de inúmeras gerações. Foram necessários milênios de esforços para chegarmos ao estágio em que nos encontramos.

Estancar o acesso a esses saberes e desdenha-los, francamente, é uma baita sacanagem para com as tenras gerações. Uma baita sacanagem, principalmente, para com as futuras gerações.

Pior! Isso é feito só porque uma meia-dúzia de estultos sem talento consideram isso ou aquilo algo inútil. Outra coisa: fazer isso é repetir o mísero trelelê utilitarista das pessoas que apenas se importam com os frutos do silencioso labor alheiro, ignorando o quão árduo e complexo é para criá-los e cultivá-los.

Tal situação prefigura a própria realização das "profecias" do filme "Idiocracia". Quem não assistiu, assista. Vale a pena não apenas pelas risadas.

Verdade seja dita: esse tipo vil de gente sempre existiu e sempre existirá, porém, absurdamente, somente hoje esses indivíduos acreditam que devam ditar os rumos da educação e, consequentemente, o futuro de nossa sociedade.

Enfim, como diria o meu irmão: é o fim da rosca.

(*) professor e cronista.

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VII

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Não nos cabe julgar os rumos da história. Não porque seja algo soberbo, não é isso não. Tal julgamento seria simplesmente irrelevante.

Desse grande latifúndio o que nos cabe, dentro de nossa capacidade e dos limites de nossa sinceridade, é avaliar alguns momentos da história ao mesmo tempo em que nos avaliamos enquanto pessoa, na condição de sujeitos, ativos ou passivos, de nosso devir nesse vale de lágrimas.

(2)
O mundo, a cada dia que passa, torna-se mais e mais um pesadelo. Um pesadelo parido de acordo com a medida de nossos utópicos sonhos desmedidos.

(3)
O tempo não é tudo na vida; entretanto, viver é uma questão de tempo. De mais a mais, saber usar o tempo, também, não é tudo; mas faz toda a diferença em nossa porca vida.

(4)
Pouco importa se somos revoltadinhos ou conformadinhos com isso ou aquilo. Esse tipo de conversa é coisa de bocó de mola. O que realmente interessa é que queiramos, sinceramente, conhecer a Verdade; que saibamos como procurá-La e, desse modo, possamos aprender o que fazer com a nossa porca vida a partir da luz que emana Dela e não mais nortear nossos passos pelas ignóbeis sombras que vicejam em torno dos hodiernos dias.

(5)
Só pra constar: Igreja não é lugar pra bater palmas, fazer gracejos e coisas do gênero. Palmas e gracejos, em seu devido lugar, têm o seu valor, porém, definitivamente, o seu lugar não é na Santa Missa.

(6)
Jesus, nosso Senhor, é o Pedagogo dos pedagogos. Com Ele aprendemos tudo o que é indispensável, inclusive Dele podemos aprender a melhor ensinar.

(7)
Enquanto Paulo Freire continuar sendo em nosso triste país uma referência venerada no quesito educação, iremos continuar à deriva, sem uma digna referência na matéria mencionada que nos permita não mais confundir o ato de educar com qualquer ato rasteiro e furibundo de doutrinação.

(*) professor e cronista.

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte VI

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Ativistas profissionais politicamente corretíssimos, defensores de minorias supostamente oprimidas, que se auto-intitulam progressistas e, por isso mesmo, julgam-se ser pessoas muitíssimo boazinhas, com seu sentimentalismo barato e caricato são indubitavelmente os pais de toda a brutalidade que se vê estampada na primeira página de todos os grandes jornais.

(2)
A história tem  muitas serventias. Dentre elas, a mais usual, é aquela em que suas turvas linhas são empregadas de maneira canalha para “fundamentar” mentiras ideologicamente concebidas. Bem, como a maioria das pessoas tem apenas uma miserável e esquemática “compreensão” histórica da realidade, as ideologizadas mentiras mais estapafúrdias acabam colando nas mentes incautas, feito chiclete velho nos fundilhos duma calça. Enfim, por essas e outras que quem dita o tom da memória coletiva oficiosa acaba forjando na realidade o sentido que bem entender a partir da versão histórica que eleger para justificar as sandices ditadas pelos seus grilhões ideológicos.

(3)
Essa gente boazinha e afetada que fica com esse trelelê fiado de discurso de ódio pra e pra cá, francamente, como diziam os antigos, não reza. E não adianta explicar e puxar prosa com essa trupe não porque, tal qual bêbedo sarna, essa gente alucinada só vê e apenas ouve o que se encaixa direitinho em seu desvairado mundinho de apartamento. Pra despertar esses tipos, seria necessária uma sacolejada bem no capricho, um choque de realidade nada afetuoso nos cornos e aí, quem sabe, os carcarás politicamente corretíssimos acabariam colocando as suas ideias no devido lugar e, desse modo, quem sabe, recuperariam o juízo a tanto perdido.

(4)
Para, em termos históricos, compreender um único dia são necessários muitos anos de estudo. E o pior de tudo é que a maioria das pessoas ignora esse axioma elementar duma reflexão histórica, principalmente aqueles que dizem que são críticos entendedores do babado.

(5)
O mais engraçado nessas discussões ditas críticas - realizadas por pessoas supostamente esclarecidas e estultamente diplomadas - é que elas são capazes de “explicar” tudo, tudinho, com meia dúzia de palavras ocas e, ao mesmo tempo, se enrolam pra caramba para tentar explicar as míseras decisões tomadas em sua porca vida.

(6)
A liberdade não é um problema. Problema, de fato, é o que fazemos com ela. Outra coisa: os poucos, ou muitos, recursos que temos a nossa disposição para efetivar nossa liberdade também não são o problema. Não mesmo. O problema, o grande problema nesse quesito, é como nós utilizamos os meios que temos para nos realizar enquanto pessoa; qual a finalidade que empregamos a esses meios; qual o sentido que realizamos em nosso coração com a liberdade temos é a questão que temos de encarar em nossa vida.

(7)
A vida cristã, necessariamente, é uma vida de oração; uma oração na forma dum viver para a eternidade. Um orar constante vivido através de gestos, palavras e ações permeados por um discreto, contemplativo e pio silêncio.

(*) professor e cronista.

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domingo, 17 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte V

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
O Brasil não vai pra frente; ele vai pra diante do mesmo jeitão de sempre, só que num trote um pouco pior do que o de antes.

(2)
Qualquer idiota diz o que pensa, porque na maioria das vezes, o que ele tem a dizer, no fundo, não quer dizer nada. Para fazer isso não se necessita de coragem. Nem um pouco. Coragem mesmo se deve ter pra chamar a atenção dos pares para aquilo que é óbvio, tão óbvio que tolamente muitos desviam seus olhares para não ultrajar os seus delírios pensantes porque, tais desatinos, são profundamente amados pelo envaidecido ego dos estultos pensantes que os cultivam.

(3)
Muitas pessoas imaginam - de modo confuso - que viver uma vida medíocre seria o supra-sumo da felicidade, da mesma forma que outras tantas imaginam - também de maneira desordenada - que repetir tudo aquilo que os inteligentinhos presunçosos dizem simiescamente fosse sinônimo de distinta criticidade.

(4)
Procurar, amorosa e abnegadamente, conhecer a verdade, não torna a vida mais fácil; mas, com certeza, torna-a mais digna de ser vivida por nos permitir distinguir com maior clareza o que é digno de ser vivido para, desse modo, não cairmos tolamente nas artimanhas da futilidade que insiste tanto em invadir e domar a nossa alma selvagem.

(5)
Todo sujeito que se sente inquieto com o mundo e tranquilo consigo mesmo é um monstro moral que imagina que sua deformidade espiritual deveria servir de modelo para consertar o mundo.

(6)
Paulo Freire, com suas ideias sobre educação, conseguiu arruinar com praticamente toda a educação brasileira. E continuam arruinando, haja vista que seus fieis leitores, seguidores e idólatras de plantão aprenderam a ler e a educar - infantes e adultos - com as ideias do dito cujo. Em muitos casos – nos piores casos - aprenderam isso com os subprodutos das ideias do pedagogo barbudinho.

(7)
A grande questão da educação brazuca é que os seus insolúveis problemas se acumulam embaixo duma montoeira de outras encrencas imaginárias. E se isso já não fosse o suficiente, todos falam doutras tretas – algumas reais, outras imaginárias - que tem a sua importância exagerada e que, ainda por cima, são pensadas e parladas a partir de soluções sem fundamento algum. Enfim, é mais ou menos assim que segue o andor da ensinação brasileira que, sem dúvida alguma, seria cômico, risível pacas, caso sua situação não fosse tragicamente irônica.

(*) professor e cronista.

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte IV

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Não provoque as pessoas de bom coração. Não seja tolo de irar aqueles que têm um coração fortemente inclinado à mansidão porque essas, mais do que todas as outras pessoas, têm adormecidas em seu íntimo um punhado de bestas ferozes que, sinceramente, é melhor que fiquem adormecidas. Por isso, repito: não as provoque. Não mesmo. Não queira ver a transfiguração dessas almas adocicadas feito favos de mel em terríveis cálices de amargo fel.

(2)
Não fique indagando sobre tudo o que está ocorrendo e muito menos sobre o que todos estão fazendo aqui e acolá. Isso, além de ser um trambolho inconveniente, também é um veneno para nossa inteligência porque quem quer saber de tudo, a respeito de tudo e de todos a tempo todo, acaba sabendo nada, sobre nada, em tempo algum. Queiramos ou não, tal disposição indiscreta tem um poder avassalador para desordenar a nossa alma. É por isso que, entre outras coisas, a Santa Madre Igreja condena veementemente o mexerico e a vã curiosidade. Por essas e outras que, como dizem os populares, a indiscrição matou o gato. Se não o matou, com toda certeza, o deixou idiota. Bem idiota.

(3)
Nos sofrimentos humanos, o mais agonizante, é saber que boa parte dos males que nos afligem são frutos de nossas escolhas e, um bom tanto de nossos gemidos, apenas um tolo exagero de nossa imaginação. E escolhemos mal por querermos parecer ser os mais espertos dos espertos. E extrapolamos muito em nossos alaridos dolorosos por seremos tão desfibrados quanto desordenados espiritual e moralmente.

(4)
A misericórdia é uma dádiva divina semeada enquanto possibilidade humana em nosso coração; porém, quando empregada com malícia para dissimular uma altivez inexistente, ao invés dela reparar o mal impingido, ela apenas aprofunda mais e mais o cinismo daqueles que fazem da transgressão e da barbárie um projeto de vida.

(5)
Somente almas tediosas procuram a tal da felicidade nas miudezas do mundo; somente elas fazem dessa vã procura a mais elevada meta a ser perseguida numa vida. Para elas, na verdade, essa seria a única coisa digna de sua destemperada atenção e talvez, por isso, elas sejam como são: vazias.

(6)
A leniência da justiça e a simpatia dos formadores de opinião para com os criminosos, sejam eles miúdos ou graúdos, tem uma força corruptora tão grande quando o próprio crime em si, seja ele vultoso ou minúsculo.

(7)
Lembremos sempre do óbvio ululante. Lembremos sempre que a canalhada jura de pés juntos que eles são bons-moços, de que todo meliante afirma, veementemente, sem fazer figas, que ele é uma alma inocente e injustiçada. Isso é tão óbvio, tão óbvio, que às vezes esquecemos, da mesma forma que não nos lembramos que todo justo, antes de qualquer coisa, considera-se um mísero pecador e que todo cidadão íntegro reconhece-se como sendo um improlífico devedor de seus pares.

(*) professor e cronista.
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terça-feira, 12 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Todos nós somos fruto do vinhedo da vida. Com o tempo, inevitavelmente, nos tornamos fortes como um bom vinho ou azedos feito um vinagre.

(2)
Deixe o mundo ser o mundo. Não dê a ele, com todas as suas intrigas de bastidores, uma importância maior do que lhe é devida. Ele não merece tanto. Ele não merece o melhor de nós não.

(3)
Quando se fala de alianças, conchavos e intrigas políticas, sejam elas provinciais ou palacianas, baixeza pouca é bobagem. Há sempre mais sujeira debaixo do tapete, muito mais, do que qualquer pessoa, decente ou não, possa imaginar. E se o cidadão comum, probo ou não, for capaz de vislumbrar toda a imundice que há nesses antros ele possivelmente vomitará aos borbotões. Ah! Se vai!

(4)
As manifestações iradas da parte de alguns em relação ao projeto da ONG Escola sem Partido apenas atesta o indelével viés totalitário dessa gente. Ora, o que há de autoritário em lembrar que sala de aula não é espaço para doutrinação ideológica? O que há de antidemocrático em lembrar que os valores partilhados pelas famílias, e ensinados por essas aos infantes, devem ser respeitados pelos poderes constituídos? Por que tanta indignação frente a uma ONG que apenas está lembrando a todos o óbvio ululante: que o Estado não tem o direito petulante de impor os valores e doutrinas de grupelhos ideológicos sem o claro consentimento dos responsáveis pelas crianças? Enfim, essa gente toda que diz, com a boca cheia, ser defensora do que eles mesmos chamam de “Escola democrática”, apenas estão confessando claramente que o que eles entendem por educação é uma furibunda doutrinação totalitária. Isso mesmo! Por mil raios e trovões! Será que esses caiporas não são capazes de ensinar algo sem introjetar as suas convicções ideológicas? Se são assim é porque, literalmente, nunca desejaram e nem desejam realmente educar alguém, mas sim, apenas e exclusivamente, querem arregimentar militantes para as fileiras de sua corrente ideológica. Ponto.

(5)
Todo aquele que transforma o espaço de uma sala de aula num espaço para doutrinação política ideológica é, por definição, um vil covarde. E não são poucos os covardes que estão, aos gritos, se levantando contra qualquer um que ouse levantar a sua voz contra essa violação da integridade intelectual da infância.

(6)
Sabe por que a gurizada gosta tanto das aventuras do Naruto e mangás similares? Porque as personagens, de um modo geral, não ficam se fazendo de coitadinhas não. Todas as personagens do referido mangá, cada uma ao seu modo, enfrentam as circunstâncias que lhes são apresentadas pelo destino com dignidade e sem chororô politicamente correto.

(7)
Histórias em quadrinhos da DC, da Marvel, os mangás japoneses e bem como os desenhos animados baseados nelas, fizeram e fazem muito mais pela educação de nossos infantes do que toda patacoada inspirada em Paulo Freire e tranqueiras similares.


(*) professor e cronista.
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domingo, 10 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Querer dar um jeito no mundo estando com a alma toda desordenada é a receita perfeita para uma tragédia totalitária.

(2)
O trem mais gozado nessas discussões políticas de caráter miúdo – que de tempos em tempos tomam conta das CIVITAS brazucas - é que não são poucas as alminhas que apresentam, orgulhosas, as mais mirabolantes soluções para os problemas que afetam a todos, porém, os abençoados não têm nenhum plano, nenhunzinho, para organizar as suas porcas vidas. Na verdade, é pra lá de bisonho ver um monte de vidas tortas querendo colocar a vida de todos no prumo.

(3)
No Brasil, a cultura é entendida como sendo qualquer bobagem que seja utilizada para ocupar o tempo ocioso de um amontoado de vidas vazias. Bem, nada mais apropriado para o temperamento nacional.

(4)
As paixões político partidárias, ideologizadas ou não, são típicas dos canalhas. Elas fazem da mesquinharia e das miudezas da alma a sua mais elevada grandeza. Não é à toa que tal seara atrai, preferivelmente, carcaças desprovidas de valor, ciosas por se dar bem e sedentas por um quinhão de poder para, desse modo, parecer ter alguma distinção, mesmo não tendo nenhuma em seu coração.

(5)
De tempos em tempos velhas e novas sandices são confirmadas ou renovadas tolamente por almas distraídas e pelos olhares perplexos. Isso, no Brasil, chama-se sufrágio universal. Eleições.

(6)
Uma sociedade que avilta o mérito e achincalha o senso de responsabilidade é uma sociedade condenada ao fracasso em tudo. Talvez seja por isso que no Brasil o fracasso tenha subido à cabeça de tanta gente.

(7)
Toda vez que uma pessoa usa a palavra "democrática" para adjetivar tudo o que ela faz ou deixa de fazer, pode ter certeza de que tudo aquilo que o tipinho inventa ou deixa de bolar é substantivamente o contrário do que é a democracia.

(*) professor e cronista.

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

BLOGICAMENTE FALANDO – parte I

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
O desejo é parte da vida, mas não é a mais importante. Há desejos que importam, porém, o desejar, em si, não pode ter tanta importância assim em nossa alma. Quando os nossos quereres - os nossos pequenos e tacanhos quereres - passam a marcar o prumo de nosso horizonte é porque perdemos totalmente o rumo de nossa existência.

(2)
Desejos são possibilidades de realização dum querer humano. Há possibilidades que são desejáveis e, outras tantas, que são desprezíveis. Para diferenciar uma da outra é necessário que nossa vontade seja sólida como uma rocha. Caso contrário, não será ela que dirá o que é ou não é abominável, mas sim, os desejos mais vis que passaram a determinar o que deveremos ser devido a nossa total fraqueza de caráter.

(3)
Todo aquele que coloca os seus desejos no cume da hierarquia de prioridades de sua vida é, inevitavelmente, candidato a ser uma alma fútil e frustrada. Fútil, porque os desejos sempre amesquinham a visão dos deveres. Frustrada, porque quanto mais desejamos, maiores são as possibilidades de nos decepcionarmos; e se realizarmos tudo o que queremos facilmente nos entediamos com a futilidade de nossos desejos.

(4)
Todo idiota diz, com falsa modéstia, que errar é humano. E o diz para ais facilmente aliviar a sua maliciosa consciência. As almas aquilatadas, por sua deixa, erram, como todos os seres humanos, porém, corrigem com modéstia a sua claudicação sem procurar uma justificativa “moral” para amenizar a sua culpa e, assim, aliviar a sua consciência.

(5)
A ignorância é a raiz de todos os males. Ela encontra no egoísmo a sua desculpa ordinária e no coletivismo justificação ideológica. E tudo isso é feito para mais facilmente nos desfazermos da responsabilidade por todas as nossas turvas obras.

(6)
A educação, os bons modos e as salutares inclinações dum infante, têm suas raízes nas virtudes de seus genitores e dos adultos próximos ao pequeno; da mesma forma que a deseducação, os modos vis e as inclinações degeneradas duma criança, têm suas raízes firmadas nos vícios de seus pais, familiares e demais adultos que convivem com o guri.

(7)
Nossos filhos, com seus hábitos, revelam o que há de melhor em nós. E o que há de pior também.

(*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

quinta-feira, 7 de julho de 2016

LOUCURA POUCA É BOBAGEM

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Quando o assunto é política; digo, quando o que está em jogo é uma disputa eleitoreira chinfrim, não há limites para a doideira. Não há mesmo.

O que sobra de chiliques da parte de um dos lados, motivado pelo ímpio desejo por se locupletar com a coisa pública, no outro sobra em delírios sem fim por imaginar, de modo similar ao velho Smigol, que o precioso úbere é somente seu e que ninguém tasca.

O trem é tão tosco, tão tosco, que chega a ser patológico. Um fiasco digno não de tratamento, porque esse troço não tem cura não, mas sim, de um sério estudo de caso pra ver se, ao menos, as gerações vindouras possam aprender alguma coisa com essa palhaçada toda que hoje chamamos, sem o menor pudor, de vida cidadã.

(*) professor e cronista.

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quarta-feira, 6 de julho de 2016

SIMPLÓRIAS REFLEXÕES BLÓGICAS – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Tudo aquilo que é honrado publicamente, tudo aquilo que é louvado pela massa de cidadãos e pelas autoridades constituídas, de maneira discreta ou escancarada, torna-se a força que impulsiona os indivíduos à ação. Dependendo do que for reverenciado, tem-se o estímulo do cultivo das mais elevadas virtudes ou dos mais ignóbeis vícios.

Ora, não é preciso nem dizer o que é incitado num triste país que faz da bunda, do oportunismo, da boemia vagabunda e da idolatria das chuteiras símbolos do orgulho nacional, não é mesmo? Por essas e outras que digo, sem constrangimento, que sou brasileiro, porém, não sou praticante.

(2)
Deve nos causar muita satisfação, mas muita mesmo, quando um biltre manifesta uma irremediável repugnância por nossa pessoa; devemos nos regozijar em saber que aquilo que somos lhe seja tão estranho e repugnante, pois, como dizem os populares: somos profundamente elogiados quando certas pessoas nos insultam. De mais a mais, é uma grande vergonha ser agraciado por um elogio proferido por esse tipo de gente, não é mesmo?

(3)
As pessoas de bem, necessariamente, devem sentir uma natural repugnância frente à possibilidade de se misturar com a canalhada. Se não sentimos essa ojeriza, devemos, urgentemente, reavaliar os juízos que temos a respeito de nosso caráter.

(4)
Os jogos de linguagens - e as intenções verbais - largamente disseminados na sociedade, que são utilizados pelas alminhas que se ufanam de ser muitíssimo críticas, frequentemente não correspondem à realidade da vida. Pior! Em muitíssimos casos são vilmente usados, noutros tolamente utilizados, para distorcer a percepção da realidade.

(5)
As pessoinhas que se consideram muito críticas e instruídas frequentemente confundem a sensação de saber alguma coisa com o ato de conhecer algo de fato.

(6)
Há uma carrada de gente por aí advogando em favor de toda essa penca de valores politicamente corretos que são apresentados pelas potestades estatais como se fosse uma espécie de “novo decálogo” que, segundo dizem, irá tornar o mundo um lugar tão legal, tão fofo, que os cidadãos não mais precisarão se preocupar em serem pessoas boas.

Ora bolas! Será que essas pias alminhas, com toda essa micagem, não percebem o quanto que essa sua pregação afetada dessa tábua de valores artificiosos é capaz de destruir a capacidade de percepção da realidade? Será que não veem o quanto esse palavrório mutila o senso de razoabilidade dos indivíduos? É bem provável que não. É bem provável que nunca tenham pararam pra cogitar essa possibilidade, haja vista que elas se acham a própria cada da lindeza por estarem fazendo esse angu todo.

(7)
Uma das notas características das leis é a coerção externa e da moral a coerção interna. Na primeira, o outro me acusa; na segunda, a minha consciência me acusa.

Bem, quanto mais a segunda se vê enraizada no coração dos indivíduos, mais estáveis são as relações humanas. Agora, quando a primeira vai tomando o lugar da moral, mais instáveis se tornam as relações sociais.

Ora, o que vivifica a prudência e as demais virtudes são corações animados pelos valores perenes que ordenam e coíbem as paixões individuais em favor de algo digno, prestativo e bom.

Quando esse elemento passa a ser desdenhado em favor de leis redigidas com o tinteiro das paixões ideológicas e grupais, as portas da alma são escancaradamente abertas para o cultivo dos mais torpes vícios no coração dos homens.

(*) professor e cronista.

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

SIMPLÓRIAS REFLEXÕES BLÓGICAS – parte II

 Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Num momento de crise, a honradez não mensurasse pela capacidade aguerrida de se manifestar na defensa dos ditos e escarrados "nossos direitos" em suas minúcias e miudezas, mas sim, em avaliarmos de maneira prudente a situação e sermos humildes e realistas o bastante pra reconhecer que a pequenez de nossas queixas nada é em comparação com o drama sofrido por muitos. Resumindo o entrevero: não compreender isso, francamente, é um claro sinal de infantilidade tardia fantasiada com a máscara duma decadente cidadanite.

(2)
Quando a situação aperta, todos nos vemos obrigados a apartar a cinta e a reorganizar a nossa vida. As pessoas maduras compreendem isso e procuram agir de modo ponderado frente à situação, procurando, dentro de suas limitações, resolver os problemas que vão sendo apresentados.

De mais a mais, é natural que muitos esperem que nossos governantes, as autoridades investidas de poder por nossos tolos e impensados votos, se portassem de modo magnânimo; mas, infelizmente, como todos nós sabemos, nossa classe política é tal qual nossa fauna: não há gigantes; não há estatura moral que se destaque em meio a esse lodaçal estamental partrimonialista.

Por isso, mais do que nunca, não podemos nos dar ao luxo de agir de modo leviano, pois, se o comando da frota é vil, cabe aos marujos de cada nau ser e agir feito leões do mar para que as embarcações de nossas vidas não venham a pique em meio a essa infausta tormenta em que nos encontramos devido ao mau rumo tomado pelos timoneiros ignóbeis que estão à frente dessa nação que está literalmente à deriva.

(3)
Há uma diferença abissal entre o que seja a tal da cidadania e o que é uma mera birra infantil.

(4)
O que uns garbosamente chamam de direito, para muitos não passa dum vil privilégio.

(5)
Há momentos que devemos ser agressivos e partir para o combate; para o bom combate. Há outros em que devemos nos colocar na defensiva para proteger o que mais estimamos. Porém, existem inúmeras circunstâncias em que, simplesmente, nada devemos fazer; nada, para podermos avaliar a situação com prudência e clareza e não acabarmos dando um tiro em nosso próprio pé, lutando um combate contra nós mesmos que pode acabar, em muitos casos, mutilando aquilo que mais estimamos. Em horas assim, de desesperança, urge que tenhamos paciência e, fundamentalmente, que sejamos prudentes.

(6)
Uma causa, para ser justa, deve necessariamente ser maior e mais digna que a dor de nossos bolsos e, de modo algum, deve fundar-se na furibunda insatisfação de nossos desejos.

(7)
O limite da compreensão de um indivíduo é o seu interesse. Se ele deseja realmente conhecer, as fronteiras do seu entendimento se dilatarão formidavelmente. Todavia, se o que ele almeja for apenas cumprir uma formalidade para obter um título que apenas atesta que ele cumpriu com certos ritos curriculares, a compreensão será literalmente agrilhoada nos ferros do desinteresse e seu entendimento atirado no calabouço da mediocridade.

(*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/