quinta-feira, 30 de junho de 2016

QUANDO O TATU SAI DA TOCA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Tudo é breve e fugaz quando tomamos a eternidade como medida de todas as coisas, de todas as pessoas e de nossas ações. Tudo se torna perdurável e aflitivo quando tomamos nossa insignificância ontológica como medida de tudo, de todos e, principalmente, de nossas obras.

(2)
Ano eleitoral é assim mesmo: as raposas, as senis e as juvenis, escovam seus pelos, dão aquela recauchutada no visual pra, mais uma vez, tentar convencer todo mundo no sítio republicano que o galinheiro está seguro, ou que ele ficará mais seguro, se suas aveludadas mãos estiverem junto das incautas penosas e, é claro, dos ovos de seus preciosos ninhos galináceos.

(3)
Diante de Deus, coração pulsante de nossa consciência, nós temos apenas deveres. Ponto. Todavia, quando vemos no horizonte de nossa vida apenas os tais dos “nossos direitos” em toda parte, em todas as questões, seja aqui ou acolá, é porque expulsamos vergonhosamente o Sapientíssimo de Sua morada em nossa consciência para, desse modo, idolatrar o nosso perene egocentrismo com mais comodidade.

(4)
Encontrar a devida medida, o tom apropriado para as nossas palavras e atitudes é como achar uma espécie pedra filosofal das ações humanas.

(5)
Procure fazer o bem em tudo o que fazer, mas procure saber o que é o bem para não confundi-lo com a aparência de bonzinho e, principalmente, para não pensar que o bem seja a mesma coisa que as imposturas politicamente corretas ranhetas reinantes.

Como fazer isso, sinceramente, penso que seja algo que não se possa responder sem cair em grave leviandade.

Todavia, se tua consciência, se o coração pulsante de tua alma, procura ardentemente o Sumo Bem, se você deseja ser o instrumento Deste para que Ele seja derramado sobre tudo o que fazemos e sobre todos aqueles que tocamos com nossas palavras e ações você, com certeza, saberá.

(6)
Às vezes, gostemos ou não, há certos males que são necessários. Ignorar essa afirmação que nos é brindada pela sabedoria popular é desprezar uma verdade universal: que o coração humano necessita muitíssimas vezes ser contrariado para poder conhecer o bem e, consequentemente, tornar-se bom.

(7)
Jamais espere que uma pessoa lhe dê o que ela é incapaz de ofertar-lhe. Prefira fazer como São Paulo: procure ser para todos aquilo que cada um carece. Esqueça-se de si para ser quem você deve ser. Todo o resto é bobagem, por mais importância que atribuamos ao restante.

(8)
Muitas vezes, quando alguém almeja muito um cargo público, é porque o fracasso, humano e existencial, subiu-lhe à cabeça. Isso talvez explique a voracidade manifesta por muitas almas sebosas pelas ditas sinecuras que podem ser tomadas, em qualquer tempo, de maneira imoral, não necessariamente ilegal, através das sazonais investiduras eleitoreiras.

(9)
Muitas vezes não sabemos o que dizer, nem como fazê-lo, porque simplesmente não aprendermos a ouvir e, principalmente, porque ignoramos como deveríamos fazê-lo.

(10)
O caminho que nos encaminha para as alegrias futuras é aquele que nos leva a regressar ao nosso doce lar, junto de nossa amada família.

(*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

segunda-feira, 27 de junho de 2016

SEM AREIA NOS OLHOS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Em política faz-se aliados; num trabalho, companheiros. Partilhando valores cultivasse amigos e, quando esses são espirituais, um irmão.

(2)
A dissolução da razão de ser da família é calculada pra atomizar o indivíduo, subordinando-o aos poderes que planejaram essa treta sinistra.

(3)
Não sei até onde o ritmo dos átrios do coração alcança, nem o quanto as sinapses cerebrinas alumiam. Sei apenas que o Divino a tudo arrebata.

(4)
Ler - ler bem - é um trem que exige que o sujeito tenha uma alma amadora, verde, sempre imatura para que ele não perca a sede vivaz pelo saber.

(5)
Surpreendentemente, a galerinha do tal de STF, depois de tantas traquinagens sem graça, ainda consegue nos surpreender com novas marotices.

(6)
O que há no Brasil é cultura da impunidade que, de um modo geral, é defendida por abibolados fingidos que vivem falando de cultura do estupro.

(7)
Quanto mais a esquerda - a podre e a chique - atacam o deputado Jair Bolsonaro, mais claramente mostram a todos o quanto eles são covardes.

(8)
Viver é como estar diante dum pôr do sol. Cada instante é precioso e nós, totalmente, sempre estamos com pressa e ignoramos a luz do viver.

(9)
Fogão a lenha, pinhão na chapa, chimarrão, um garrafão de vinho e boa prosa. Eis aí a receita perfeita pra reunir os amigos da velha guarda.

(10)
Sou apenas um brasileiro não praticante, um simplório caipira por convicção. Desdenho a chiqueza; ela não faz morada no meu rincão. E ponto.

(11)
Os gestos silenciosos não fazem questão de serem vistos pelos indiscretos olhos que espiam tudo e que são incapazes de se enxergar.

(12)
A força moral é o ponto vital de uma alma. Se ele torna-se frouxo a personalidade cai. Se for maleável, perverte-se. Se ele é tosco, fenece.

(13)
Antes de exigir que os outros sejam isso ou aquilo, seja, de fato, o que você quer que todos sejam, pois, um valor deve ser mais que palavras.

(14)
É a desordem que nos torna escravos. A sociedade brasileira compreenderá muito bem o que isso significa se não mudar urgentemente de rumo.

(15)
Uma semana se foi, uma nova semana se apresenta e nós continuamos os mesmos de meses atrás - com os velhos vícios fantasiados de virtudes.

(*) professor e cronista.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O PATO E SUA PATA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
É importante saber a diferença que há entre o "caminho do meio” e a mediocridade para não acabar caindo numa tolice mendaz desnecessária.

(2)
Estar consciente é perceber-se como um exilado no mundo. Alienar-se é crer que há um lugar verdadeiramente nosso nesse vale de pó e sombras.

(3)
Não queira ter uma resposta cínica na ponta da língua para toda e qualquer ocasião. Prefira ser prudente no falar e diligente no agir.

(4)
Ostentar títulos, venerar carreiras e benesses tolas que exigem de nós apenas trejeitos de superioridade é a própria mediocridade manifesta.

(5)
Seja generoso para com todos; procure trazer alegria aos corações aflitos; porém, busque na medida de suas forças não ser inconveniente.

(6)
Após a última do STF não há mais a menor dúvida de que o Brasil tornou-se um colossal manicômio onde lunáticos travestem-se de autoridades.

(7)
Cristo - o Verbo divino encarnado - é o Centro da revelação, o vértice de toda a história, a razão da existência de toda a criação.

(8)
Cristo não É o messias esperado; nem tão só o messias inesperado. Ele é o Deus incompreendido, a Verdade negada e o Amor repudiado por nós.

(9)
O STF ao intimar Bolsonaro por suas querelas parlamentares com Maria do Rosário apenas atesta que não passa de uma piada muito mal contada.

(10)
Não sei em que medida o trabalho dignifica o homem; sei apenas que certas almas dignificam tudo o que fazem com seu labor zeloso e dedicado.

(11)
Todo aquele que confunde os meios para realizar algo com os fins que deverão ser atingidos deveria, francamente, tomar o muitíssimo cuidado quando for tecer qualquer consideração sobre o que seja a grandeza ou a mendacidade de qualquer coisa.

(12)
Tornar-se consciente dos males do mundo, dos males que se fazem presentes em nossa vizinhança e não se reconhecer neles é um claro sinal de alienação de si e, consequentemente, de tudo.

(13)
Os desejos de onipotência que arrebatam a nossa alma apenas nos revelam o quão grande é nossa impotência frente a vastidão da criação e o quão insignificante somos diante do peso da eternidade que se faz presente em nosso horizonte.

(14)
Procure fazer boas obras; não deixe de ajudar os demais a crescer em espírito e verdade. Porém, antes disso, lembre-se: sacrifica os teus desejos e os teus sonhos de "grandeza".

(15)
Escola, pra ser escola, tem que ser sem partido. Qualquer coisa diferente disso é subterfúgio totalitário pra doutrinar a criançada.

(16)
A consciência é como se fosse um oráculo, digo, é a própria presença da divina Verdade em nós para nos aconselhar e guiar nesse vale de lágrimas se, obviamente, estivermos dispostos a ouvir sua voz.

(*) professor e cronista.

terça-feira, 21 de junho de 2016

ABRA O OLHO NAVEGANTE

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Pessimismo e otimismo diante de situações graves são duas formas diversas de disfarçar aquele acovardamento inconfessável. No primeiro caso se diz que não adianta fazer nada porque está tudo perdido. No segundo afirma-se que não é preciso fazer coisa alguma porque o que está acontecendo não há de ser nada. E, desse jeitão, ambos, cada qual ao seu modo, recusam-se, fazendo pose, a ver o que está acontecendo diante de seus olhos para não ter que fazer o que é necessário simplesmente por medo de ter de encarar a realidade tal qual ela se manifesta diante de nós.

(2)
Pessimismo é covardia fantasiada de orgulho. Otimismo é acovardamento disfarçado com plumas de vaidade. Realismo é fazer o que é necessário.

(3)
William Blake dizia que quem nunca, nunquinha muda de opinião seria tal qual uma grande poça de água parada: com o tempo sua alma fede feito a um pântano e começa a criar répteis e toda ordem de criaturas peçonhentas. Essa é a clara impressão que eu tenho quando um comuna - ou um cripto-comuna - descerra seus lábios para repetir os velhos e surrados cacoetes mentais que ele chama de “sua opinião crítica” sobre tudo e sobre todos.

(4)
O principal problema do Brasil, até pouco tempo atrás, não era a falta de inteligência não. Era a falta de caráter. E, essa falta de caráter corrompeu e degradou a minguada inteligência nacional e hoje, infelizmente - mas consequentemente - acabamos tendo a estultice presunçosa, congênita e diplomada, como um dos mais graves problemas da pátria que foi um dia amada e que hoje apenas é vilmente usada, escorraçada, salve, salve, pelos tipos mais desprezíveis que já foram paridos por essa mãe gentil de filhos ingratos mil.

(5)
Se há um trem fuçado que não quer dizer nada, patavina alguma, que literalmente é um embuste do princípio ao fim, é o tal do empoderamento.

(6)
Empoderamento disso ou daquilo, desse e daquele outro, no frigir dos ovos, não passa de um jogo de linguagem para distorcer a inteligência.

(7)
Exemplo clássico de inversão da categoria da substância pela da paixão são os usos e abusos dos jogos de linguagem. Pura sacanagem cognitiva.

(8)
Perdemos borbotões de tempo por considerarmos de nosso interesse aquilo que nunca o foi. Por isso é urgente renunciar a vã curiosidade. Como é!

(9)
A grande artimanha dos jogos de linguagem é que, gradativamente, eles substituem a percepção da realidade por uma reação pré-fabricada a ela.

(10)
Nem tudo é aquilo que parece; principalmente aquilo que necessita de malabarismos linguísticos e retóricos para aparentar alguma realidade.

(11)
Um indivíduo armado é um homem que pode lutar pra defender a liberdade; o indivíduo desarmado, apenas um escravo reconhecido por outro nome.

(12)
Com razão muitos desconfiam do Estado e de seu precário funcionamento, mas, creem piamente que apenas ele (e a bandidagem) deva portar armas.

(*) professor e cronista.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PEDRINHAS CAÍDAS NO CAMINHO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
O Brasil vive embevecido em sua alienação, se ufana de seu fracasso e se indigna quando ousam lembrá-lo desse vergonhoso quadro delirante.

(2)
Educação não é uma questão de método; é sim de conteúdo. Seu grande problema não está em como ensinar, mas sim, no que está sendo ensinando.

(3)
Quando a vergonha é grande demais o caipora finge indignação e, afetado, dissimula um pastiche de dignidade pra melhor disfarçar o vexame.

(4)
Com terrorista não se negocia pela simples razão de que ele abdicou ao diálogo quando mandou seu recado escrito a todos com sangue inocente.

(5)
Sem sacrifício não há glória, inexiste ganho digno, não há vida honradamente vivida; sem auto-sacrifício o real valor do existir é ignorado.

(6)
O estudo não deve ser encarado como uma reles obrigação que nos é imposta, mas sim, vivido como uma sincera devoção à procura pela verdade.

(7)
Estudar só para obter nota é similar a presentear uma pessoa que mal conhecemos (e que não nos importamos) com um presente de elevado valor.

(8)
Estudar sem uma amorosa entrega ao bem que está sendo conhecido é similar ao ato de prostituir-se por vil valor. Ou seja: pura degradação.

(9)
Bem pior que os ladrões da república de Banânia são as excrecências que dissimulam dignidade ferida pra defender a amada cleptocracia deles.

(10)
Seja paciente com aqueles que erram e, na medida de suas limitações, ajude-os a reconhecer o erro para poderem realizar o acerto necessário.

(11)
Afagar o erro, mimar o ego daquele que falha não é um ato de misericórdia. Ao contrário! É um gesto cruel para com quem precisa de correção.

(12)
Seja gentil e firme com aqueles que tropeçam; duro com os petulantes e presunçosos; e seja implacável com os dissimulados mal intencionados.

(13)
Uma comunidade pobre de marré-de-si construir uma obra ao custo de cinco mil barões quando o governo do Estado havia orçado-a em 270 mil barões é - para todos aqueles que dizem que o povo brasileiro tem o governo que merece - um cala-boca definitivo.

Isso mesmo! Calem a boca! Cretinos!

Confesso que, a cada dia que passa, estou mais e mais convicto de que é a nossa classe política é que está longe, bem longe de merecer o povo trabalhador e gentil que ela desgoverna e desorienta cinicamente.

Gente vil que não passam de uma raça de víboras, dum amontoado de sepulcros caiados!

(14)

O caipora não é capaz de renunciar as distrações que estão no centro de sua vida e quer fazer crer que irá dar a atenção devida a um livro.

(*) professor e cronista.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

MUITO BARULHO POR NÁDEGAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Liberdade e solidão são palavras que frequentemente se confundem uma com a outra e, por essa e outras razões, nos confundem tanto a moringa.

(2)
A dolorosa solidão de Cristo na cruz revela-nos a face - humana e divina - da liberdade. A reação da multidão diante dessa visão libertadora mostra-nos as múltiplas faces - humanas e demoníacas - da escravidão.

(3)
Um castigo, seja ele doméstico, escolar ou social, é um ato de misericórdia para com aquele que fere o mínimo razoável que é esperado da conduta de uma carcaça humana. Se ele não sente nem compreende o erro que cometeu, se seu deslize não é exemplarmente punido para sinalizar aos demais que aquilo que foi feito por sua pessoa é inadmissível, com o tempo, seu ato desarrazoado ganha status duma atitude incompreendida e discriminada injustamente pela comunidade estabelecida. Resumindo o entrevero, é o óbvio ululante que vovó dizia: panela quente queima os beiços pra ensinar o moleque arteiro que ele não deve bolinar no tacho enquanto o angu não for servido. Ou seja: numa sociedade onde entende-se que repreender o delinquir e o transgredir seria algo inadmissível, todo e qualquer absurdo passa a ser visto e tratado como normal e progressista, como dizem por aí. Tudo passa a ser aceitável, menos esforçar-se em agir de acordo com a normalidade que certa feita nos fora ensinada por nossos avós.

(4)
Não é a sociedade que tem o dever de entender as “razões” dum criminoso, mas sim, o bandido que deve acatar as razões que levam a sociedade a reprimir as suas atitudes infames.

(5)
O coração de Cristo é o doloroso espelho que revela o amor Dele por nós e, ao mesmo tempo, mostra-nos a nossa cruel indiferença por Ele.

(6)
Aprender a rezar é como aprender a escrever. Todos nós, de algum modo, sabemos como proceder; todavia, por vermo-nos absorvidos pelas lides cotidianas de nossas vidas, acabamos não praticando a arte aprendida nos anos iniciais de nossa caminhada por esse vale de lágrimas. E, se a praticamos, o fazemos com pouco interesse e com muita desídia, não é mesmo?

(7)
Uma das artimanhas mais diabólicas dos dias atuais é a confusão que se faz entre misericórdia e coitadismo, entre piedade e bom-mocismo.

(8)
Filhos são pérolas preciosas em nossa vida, as joias que coroam o amor e que fazem a vida dum casal ser mais que um reles caminhar a dois.

(*) professor e cronista.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

BRANQUEOU OS CAMPOS, AS SERRAS E O QUINTAL

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
A geada revela aos olhos uma beleza ímpar e, ao tato, uma dor singular. E ambas tocam o nosso coração sem pedir licença e sem se desculpar.

(2)
Sinta nojo, mas não sinta inveja. Até fique furioso se quiser, mas não sai cuspindo nos outros ou defecando no retrato de alguém. Isso é feio.

(3)
Por que feministas derrubam cruzes, profanam Igrejas, agridem sacerdotes e enxovalham imagens sacras? Por empoderamento ou por respeito?

(4)
O que uma pedagogia equivocada apresentada com certo refino acadêmico fará pela educação quando colocada nas mãos de estultos diplomados?

(5)
A educação brazuca aposta cada vez mais em refinadas técnicas para ensinar cada vez menos e incutir mais tolices ideologizadas nos infantes.

(6)
Muitas vezes é imprescindível regressar para podermos seguir em frente de maneira acertada.

(7)
Tentar compreender a sociedade brasileira, na maioria das vezes, é uma tarefa inglória e, por isso mesmo, um trabalho imprescindível.

(8)
Tão truculenta quanto à pressão dum Estado totalitário é a pressão silenciosa dos grupos sociais que fazem a interface de praticamente todas as relações humanas na sociedade hodierna. São neles em que se arraigam os tentáculos censores do politicamente correto que dão sustentação a truculência totalitária. Essas organizações são, literalmente, o gélido sangue pútrido que anima o cinismo leviatânico.

(9)
Toda norma “moral” que fortaleça o Estado enquanto mediador de todas as relações humanas não passa duma cínica e diabólica anti-moral.

(10)
Quanto menor é a tensão interior cultivada pela moral no coração dos indivíduos maior será a pressão do Estado sobre as pessoas para poder dominá-las de modo mais eficaz. Esse, literalmente, é o papel da mentalidade politicamente correta.

(*) professor e cronista.

Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O SÁBIO OLHAR DO JUMENTINHO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Cultive as virtudes do jumentinho. Seja duro no trabalho, perseverante em suas resoluções, fiel aos seus valores e manso para com os seus.

(2)
O ser humano, nós em nossa humanidade, não somos essencialmente maus nem fundamentalmente bons. Somos apenas medíocres. Só isso e nada mais.

(3)
Hobbes, Rousseau e tutti quanti se equivocam sobre a natureza humana porque, como nós, eles não eram capazes de confessar a sua mediocridade.

(4)
Quem ri o tempo todo de qualquer coisa não é uma pessoa plena não; é apenas uma alma desesperada tentando disfarçar sua plúmbea desesperança.

(5)
Nada é tão estranho quanto gratificante que rever o lugar onde passamos a infância. Tudo que um dia foi gigante apresenta-se pequenino.

(6)
Desconfio de pessoas convictas de sua bondade, que fazem questão de parecer boazinhas. Em regra não passam de canalhas dissimulados. Só isso.

(7)
A questão não é saber um monte de coisas e coisinhas, mas sim, saber o que e porque fazer certas coisas e coisinhas. Todo resto é bobagem.

(8)
A questão fundamental em nossa vida não é saber se iremos ou não realizar as nossas esperanças ou as expectativas que os outros depositam em nos. O “X” da questão, em meu ver, é saber se realmente estamos nos tornando o sujeito que devemos ser.

(9)
Nada torna uma pessoa mais infeliz que a cobrança incessante de que ela deve ser feliz. Esse, de fato, é o mais infame dos critérios de valor.

(10)
Uma coisa é realizar algo pelo seu valor em si. Outra coisa bem diferente é realizar alguma coisa para ser valorado por isso. Isso é vaidade.

(12)
Vaidade das vaidades, todos conhecem esse dito. Maldito todo aquele que encara suas presunções como se elas fossem as mais elevadas virtudes.

(13)
Não existe esse negócio malvadinho bonzinho. O que há são alminhas tolas, ou mal intencionadas, que confundem histericamente um discurso politicamente correto sobre o mal com o que seja a bondade e, consequentemente, acaba-se distorcendo totalmente a percepção e reconhecimento da maldade, reduzindo tudo a uma confusão infernal de valores que apenas aprofunda mais e mais o ignóbil fosso de barbárie em que nos encontramos atolados.

(14)
Construir pontes entre nós e o outro, entre nós e o mundo; entre nossa alma e Deus, abrindo um caminho que nos ligue a nós mesmos de maneira profunda, esse é, em meu ver, o propósito maior de nossa caminhada por esse vale de lágrimas. E, desse modo, todo o resto não passaria de bobagem caso não contribua para esse edificante intento.

(15)
Certa feita, Lula teria dito, conforme lemos nos Diários da Presidência de FHC, que “ser professor de ciência política não significa saber política”. Causa-me desgosto dizer isso, mas, infelizmente, ele está certo sobre esse ponto.

(16)
Estou arrastando minhas vistas sobre as laudas dos diários de FHC - vol. 1. Desgoste-se ou não do homem, esse é um importante livro para ampliar nossa compreensão sobre a vida política brasileira contemporânea. Podemos Aprovar ou não suas decisões, festejar ou não as suas realizações; porém, uma coisa é certa: ele, FHC, manjava e manja dos paranauê.

(17)
A filosofia é uma arte do ser e, essa arte, consiste em conhecer o Ser. Por isso jamais se confunda o filosofar com um diploma de filosofia.

(*) professor e cronistas.

domingo, 5 de junho de 2016

PELO FIM DA HEGEMONIA DO CINISMO RUBRO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Sala de aula não é lugar pra ideologia. Onde ela fixa suas garras, não há educação; há apenas uma hegemônica e rasteira doutrinação.

(2)
Escola sem partido não é mordaça não; é libertação. Libertação da hegemonia cínica de doutrinadores fantasiados de professor.

(3)
Verdade seja dita: hoje a educação brasileira se encontra asfixiada por uma mordaça ideológica, mordaça essa tecida por uma trama de trapos tecidos com o mais grosseiro linho marxista [cultural], que mutila a alma infante sem dó; reduzindo a educação, transformando-a num vil e rasteiro processo de doutrinação.

(4)
Doutrinação marxista, apresentada com o pseudônimo fofo de educação crítica, reduz criticamente a capacidade cognitiva do indivíduo e mutila drasticamente o horizonte de compreensão de suas vítimas.

(5)
O Estadossauro não pode soberbamente doutrinar as crianças e chamar essa vil prática de educação para autonomia. Isso é uma afronta às futuras gerações que não tem comparação.

(6)
Uns defendem a humanidade dos delinquentes (e querem ser louvados por isso); poucos ousam reconhecer a dignidade ferida e ultrajada de suas vítimas (e são enxovalhados por isso).

(7)
A pergunta indispensável não é se os direitos de um criminoso serão ou não meticulosamente respeitados, não mesmo. A questão que não deve ser calada é saber quais serão as medidas, concretas e eficazes, que serão adotadas pelo Estado para garantir a segurança dos cidadãos de um modo geral; quais ações serão tomadas para que ocorra uma razoável e piedosa reparação para as vítimas dos criminosos. Criminosos esses que são tão bem quistos pelos seus egrégios defensores que, por sua deixa, imaginam-se sendo pessoinhas sumamente boazinhas por fazerem isso - defender histericamente quem não vale um tostão furado como eles.

(8)
A pena vence a espada quando ela sabe o que deve ser dito para a dita cuja.

(9)
Um Estadista, de fato, deve ter como traço distintivo a renuncia de seus interesses pessoais. Quanto aos que aqui, no Brasil, se apresentam como tal, toda e qualquer palavra sobre o assunto torna-se dispensável. Todos sabem, até as pedras e os cães sabem, qual é o traço característico dessas personalidades de duvidoso caráter.

(10)
Não existe esse papo furado de ocupação de colégios e de prédios públicos. O nome disso é invasão. Ponto final.

(11)
A nova modinha das hordas ideologicamente adestradas é invadir Colégios e Escolas sob a égide de estarem supostamente defendendo a tal da educação. Conversa fiada. O que essa trupe quer é apenas defender os interesses de sua matilha ideológica e, para isso, eles são capazes de tudo. De tudo mesmo.

(12)
Não recrimino a compaixão pelos criminosos; apenas acho que a dita não passa de um punhado de palavras ocas regurgitadas por almas vazias.

(13)
Não é a leviana leveza que faz um movimento político ser sério. Aliás, onde ela impera a ação política dá lugar ao estrelismo raso e vaidoso.

(14)
Não entendo. Por que a turma dos direitos dos manos fica ofendidinha quando sugerem que eles adotem um anjinho delinquente pra recuperá-lo?

(15)
O amor aos delinquentes, supostamente vítimas da sociedade, que é manifesto pelas almas limpinhas e politicamente corretas, com todo aquele entojamento de bom-mocismo de ocasião, acaba bem rapidinho quando lhes é pedido uma solução razoável para os problemas que são gerados por esses anjinhos decaídos e mal compreendidos que infernizam a vida daqueles que não moram num condomínio bem protegido como o dessas pessoas limpinhas, justas e boazinhas. E assim o é porque essas pessoinhas consideram lindo, muito lindo, defender esses graduados aprendizes do mal, desde que esses indivíduos vivam a milhas, muitas milhas de distância de suas lindas casinhas, de suas superficiais vidinhas.

(16)
Todos parecem bonzinhos quando vivemos seguros numa torre de marfim com uma resma de ideias politicamente corretas que negam a realidade.

(17)
Olha, sinto piedade por um criminoso; por qualquer um. Isso mesmo que você leu. Sinto isso mesmo. Porém, sinto muitíssimo mais pelas vítimas dessa gente; vítimas que tem a sua dignidade aviltada por esses indivíduos e pelo sistema acanalhado que os ignora, na cara e na práxis, fazendo pouco caso de sua humanidade.

(18)
Quando o erro não é claramente sinalizado pelo que é (um erro) ele passa a ser a regra; e qualquer observação em contrário torna-se um erro.

(*) professor e cronista

quarta-feira, 1 de junho de 2016

BORRÕES E RASURAS SEM PROPÓSITO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Frota e Freire. O primeiro é um ator pornô sem noção do que seja educar; o outro, com sua pedagogia do oprimido, sodomizou a educação brazuca.

(2)
A questão não é a necessidade primaz de um ministério da cultura, e mesmo um da educação, mas sim, que elas, cultura e educação, existam.

(3)
Perdemos o senso das proporções, a noção do ridículo, literalmente abdicamos daquilo que os antigos chamavam de juízo e vergonha na cara.

(4)
Fala pelos cotovelos da programação televisiva, que ela é um isso e aquilo, mas não consegue deixar de ver a dita cuja da novelinha da Globo.

(5)
A turma boazinha chama de enredo inteligente e legal os surrados clichês e estereótipos politicamente corretos mastigados pelas telenovelas.

(6)
Morre, cumprindo o dever, um policial a cada 32 horas. Policiais que recebem dos bons moços apenas uma fria, tacanha e "crítica" indiferença.

(7)
Tudo bem você me odiar com todas as tuas forças; mas, por favor, odeie-me pelas razões certas, não por essas invencionices ideológicas tuas.

(8)
Encarar a realidade como ela se apresenta é uma atitude indispensável para podemos ouvir as suas razões sem projetar as nossas sobre ela.

(9)
Não queira dizer como as coisas devem ser sem antes procurar vê-las como realmente são para somente depois ousar dizer o que deve ser feito.

(10)
Não fique batendo no peito exigindo direitos aqui e acolá como se isso fosse algo digno de respeito. Procure sim, discretamente, servir aos teus semelhantes no intento de tornar vida mais digna. Tal atitude pode ser chamada de civilidade se você quiser; quanto ao primeiro caso, com o perdão da palavra, não passa de pirraça mal disfarçada, mesmo que insistamos em chamá-la de cidadania.

(11)
Que teus colóquios, que sua vida não fique girando em torno do seu umbigo, de tuas fraquezas e pretensas fortalezas. Seja maior que isso.

(12)
Não espere pelo amanhã para tomar uma resolução em sua vida, porque tardar uma atitude já é uma decisão tomada. Tomada contra si mesmo.

(13)
Qualquer idiota é capaz de ser coerente com suas idiotices, digo, com suas ideias. O que realmente é imprescindível é que sejamos responsáveis pelas nossas ideias e ações, sejam elas coerentes ou não.

(14)
Dum modo geral, uma conversão não é um ato que se consuma instantaneamente tal qual uma mensagem eletrônica. A conversão de uma alma é uma peça de teatro shakespeariana composta de vários atos que nos levam, gradativamente, a um grand finale.

(15)
A vida humana é vivida numa estrutura dramática e, por isso, deve ser pensada nessa perspectiva. Para compreender o sentido da existência é imprescindível que sejamos capazes de contar a nossa própria vida como um romance, ou feito um roteiro cinematográfico. Se não nos habilitamos a enfrentar essa empreitada e, ao mesmo tempo, ousamos querer dar uma explicação cabal para os sofrimentos e dilemas humanos, tudo o que dissermos sobre não passará duma presunçosa tolice. Só isso e nada mais.

(*) professor e cronista.