NOVAS NOTAS SOBRE UM VELHO TEMA

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(1)
Os covardes só conseguem manter a pose de sabichão porque varem, ou mandam varrer, a verdade pra debaixo do tapete.

(2)
Proteger os filhos dos erros cometidos por eles não é sinônimo de ser um bom pai. O bom pai ensina-os a aprender com os erros ajudando-os a corrigi-los; ele, o bom pai, jamais os mima, escondendo e esquecendo debaixo do tapete o senso de responsabilidade do infante. Essa é uma verdade simples simplesmente desdenhada nos dias atuais.

(3)
Pais inconsequentes acabam, irremediavelmente, pervertendo seus filhos com sua moral torcida, de querer tirar vantagem em tudo e de todos, guiando-os, a passos largos rumo a uma vida imprudente.

(4)
Ser conservador, no Brasil atual, é ser um sujeito estranhamente consciente de que praticamente nada - do que hoje encanta os sonsos olhares contemporâneos - merece realmente ser conservado simplesmente porque não há, atualmente em nosso país, praticamente nada que seja verdadeiramente valoroso que mereça tamanha honra.

(5)
O grande problema do brasileiro é que ele se escandaliza com facilidade sem saber reagir com maturidade.

(6)
Nada é mais eficaz pra destruir o caráter de um homem do que o sujeito manter-se irascivelmente apegado, com unhas e dentes, a uma idiotice que o tonto diz ser um sonho ou, pior, um ideal. É batata! Não como não acanalhar-se. Não mesmo.

(7)
No Brasil, a única instituição realmente séria, digna de respeito, é a chalaça. Quanto ao restante das tais instituições, lamento dizer, mas são apenas, na melhor das hipóteses, reles assessores diretos ou indiretos dela. Apenas isso e olhe lá.

(8)
Todos aqueles que querem ganhar fama mundana e “estrelato” midiático enxovalhando a imagem duma pessoa que, reconhecendo ou não, são grandes devedores intelectuais e morais, sem a menor sombra de dúvida, com esse gesto digno de moleques malcriados, acabam, sem querer querendo, dando a todos com seu esnobismo soberbo uma clara demonstração de ingratidão vaidosa, de estupidez orgulhosa e de covardia histriônica. Fazer o que, não é mesmo? E o pior é que esse tipo de gente, que dizem ser a nata esclarecida da sociedade, pretende salvar o Brasil da devassidão reinante. Como diria Seu Omar: trágico!

(9)
Vela apagada não chama mariposa. Por sua deixa, mesmo uma multitude de mariposas não é capaz de apagar uma vela. Podem, momentaneamente, ofuscar a sua luz, mas não são capazes de extinguir a sua chama.

(10)
A primeira ação pra mudar os rumos do nosso país é estudar, e muito, para tentar compreender a conjuntura em que nos encontramos. Qualquer ação que ignore a importância dessa ação, francamente, é uma ação suicida.

Essa é a grande obviedade que é desdenhada pelas almas alvoroçadas, apressadas, ciosas pra fazer barulho feito carroças vazias. Por isso, penso eu, é urgente estudar, formar grupos de estudo para procurar entender o que está, de fato, acontecendo com o Brasil e não apenas marchar pelas ruas gritando palavras de ordem e coisas do gênero.

Obs.: Um trem não exclui o outro, é óbvio. Mas o segundo sem o primeiro não dá rock não meu amigo. Não mesmo.

Enfim, se não nos empenharmos para nos tornar cônscios da complexidade dos problemas presentes, do quão espinhoso é o cenário político brasileiro atual, permaneceremos do jeitão que estamos: com muitos pontos cegos. Pontos cegos que continuarão sendo ignorados por nosso orgulho tacanho e por nossa ignorância pedante. Pontos esses que irão determinar os rumos de nossas ações, mesmo que a gente não goste disso. E quando nossos efervescentes atos de boa vontade nos levar para num porto muito distante de nossas expectativas iniciais, não adianta reclamar não. Imprudência presunçosa dá nisso mesmo.

(11)
Treta de facebook é como bate-boca em boteco. Sempre tem aqueles que querem mudar o mundo num brado etílico. No caso do face, o urro é dado por meio dum post irado.

Quando dá briga em torno duma mesa sempre é feita aquela rodinha e aí, o banzé tá feito. Voa faíscas pra tudo que é lado e todo mundo fica bravo e bicudo sem pestanejar. Coisa linda de se ver.

Pois é, depois do fervo a vida segue no seu ritmo de sempre, mudando apenas o assentar da poeira até que, num dia qualquer, sem aviso prévio, estoura outro fight pra alegria do povo e júbilo geral dos urubus.

Pois é, no face não é muito diferente não. Só não dá pra sentir o bafo e o fedor do sovaco que fica impregnado no ar. Mas dá pra imaginar.

(12)
Amo, sem reservas, São Paulo, o apóstolo dos gentios. O amo por ele ser quem é: um homem de gênio difícil e de coração verdadeiro.

Dentre as muitas coisas que aprendi com Paulo de Tarso, destacaria, nesse momento, a seguinte: um homem de coração sincero não tem como ser um doce de pessoa, porque a franqueza jamais se enamora com a dissimulação farisaica, com seus títulos e pompas, porque sem amor e verdade - sem amor à verdade - toda e qualquer honraria, estrelismo, fama e tutti quanti, nada valem.

Ou, como o próprio ex-Saulo diz: sem Amor e Verdade, sem amor à Verdade, tudo se torna um montão de excremento.

(*) professor e cronista

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