CADA UM EM SEU QUADRADO

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

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A propaganda petista afirma, laconicamente, que a democracia brasileira está em risco porque a maioria da população quer o impeachment da presidente – até mesmo muitos dos que nela votaram também querem que ela largue o osso. Por sua deixa, hoje, o óbvio ululante que a turminha rubra se recusa a reconhecer, é que a maioria da população, o mundo, inclusive o Curupira, sabem que o que colocou o Brasil em risco é a presidente, seu partido e associados. Não é à toa que eles andam tão, tão disfarçados.

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Para cometer um crime, o meliante dispõe de inúmeras garantias para que a sua pessoinha não sofra nenhum abuso caso ele seja impedido de realizar o seu intento criminal. Para defender a sociedade, o policial dispõe de inúmeros obstáculos pra poder defender o cidadão e a sociedade. A combinação disso tudo, com outras cocitas, garantem, com folga, o clima de insegurança geral que impera sobre o país. E o pior de tudo é que tem muita gente que acha que é assim mesmo que a banda deve tocar.

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Essa galerinha jovem que acredita ser a vanguarda pensante da nação, que toca o horror nas ruas acreditando que isso é uma forma democrática de manifestação e, por isso, imaginam saber como o mundo deveria ser, poderiam fazer um grandessíssimo favor pra todos: antes de ficarem fazendo o tipinho de cidatonto crítico, que seus mestres doutrinariamente lhes ensinaram tão bem, poderiam aprender a arrumar a cama, o quarto, ajudar a mamãe a fazer o almoço, quem sabe vocês poderiam até, quem sabe, doar parte da grana - que seria gasta na balada - para uma família carente e, porque não, tomar a resolução de passar a livremente estudar de maneira zelosa como um bom estudante. Aí, depois disso, quem sabe, vocês entenderão porque o transporte no Brasil está tão encarecido e porque o nosso país está na presente “m”.

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MANIPULAR E COÇAR É SÓ COMEÇAR - É bem simples manipular uma multidão de almas desarmadas. Simples mesmo.

Primeiro, massageie os egos dos indivíduos dizendo que eles são a vanguarda da consciência crítica, a nata pensante do país, que eles estão sendo injustiçados pelo Estado, que seus direitos estão sendo usurpados de maneira vil pra favorecer os interesses da ‘zelite’ e trelelê.

Se as pessoas imaginarem isso, elas farão tudo o que você desejar, mesmo que isso venha a lhes prejudicar.

Detalhe: para tanto, use apenas jargões e frases feitas. Jamais procure explicar a real situação porque, na verdade, essas almas querem apenas receber algo que elas imaginam merecer; elas não estão nem um pouco interessadas em realmente entender o que está, de fato, acontecendo. Elas querem apenas que algo aconteça, mesmo sem saber exatamente o que poderá acontecer.

Segundo: o que você dirá que lhes é devido por direito deve ser algo utópico, virtualmente impossível. Quanto mais implausível, melhor, porque a massa atordoada manter-se-á mobilizada, pronta a acatar as suas ordens – qualquer ordem – haja vista que não terão, tão cedo, a sua pauta atendida.

Não se esqueça: reivindicação não acatada - por ser impossível - é a fórmula perfeita para manter a massa mobilizada.

Terceiro: instigue, provoque sorrateiramente um confronto com as autoridades policiais. Quando o cacete come solto, a opinião publicada, sonsa como de costume, inclina-se sempre em favor de quem leva a coça, sem se perguntar o que há por detrás das imagens.

De um modo geral, ninguém quer saber das causas – eficiente, formal, substancial, final, remota e imediata. Todos pensam apenas que algo está sendo usurpado de suas mãos, mesmo sem saber exatamente o que é.

Outra coisa: todos se imaginam como membros duma vanguarda iluminada, porque, infelizmente, levam uma vida abjeta, sem sentido e, por isso, sentem uma forte carência de algo que dê algum sabor especial para seus dias insossos. E o fervo politizado lhes dá essa sensação com grande facilidade.

Enfim, desse jeitinho pode-se manipular uma multidão, bem grandinha até, para realização de uma manifestação, dum protesto ou de uma greve que tenha como objetivo, não atender justas reivindicações, mas sim, manipular inocentes úteis para finalidades que estão além, bem além da pobre imaginação das almas que vivem tão azedas e desavisadas.

Por essas e outras, abra olhos navegantes! Abra olhos, porque as sereias rubras não se cansam de tentar nos arrastar para as profundezas dos recifes politiqueiros através de seu vil canto ideológico.

(*) professor e cronista

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