TEM QUE TER ESTÔMAGO FORTE

Por Dartangan da Silva Zanela (*)

Ano que vem tem marmelada? Tem sim senhor! Em 2016 haverá xaveco, lorota e palhaçada? Haverá sim senhor! Nesse ano, que está por vir, serão realizadas eleições em todas as republiquecas municipais da pátria não tão grande de Banânia? Sim! Bem ou mal, haverá sim senhor.

Todos sabem que esse surrado espetáculo é grotesco, sem graça e repetitivo; nem mesmo os néscios dão crédito as, como direi, estrelas que despontam nos picadeiros em forma de palanque que pipocam em todos os cantos desse triste país, entretanto, como não há nada mais interessante pra se ver nas praças das cidades de Banânia, todos vão lá assistir os figurões que farsescamente posam de salvadores da lavoura, cheios de mandingas, prometendo salvar a bananada toda sem arruinar o bananal.

A canalhice é tamanha que todos os bananas votantes, mesmo sabendo que tanto “A” quanto “B” não valem a farinha que comem, mesmo estando carecas de saber que ambos têm a credibilidade de uma nota de sete reais, acabam votando num ou noutro meramente por esporte, pra dizer que participaram da tal festa da democracia.

É a não tão velha política do “já que tá que vá”. Como as cartas são tão parcas quanto ruins que a imaginação dos cidadãos acaba se limitando aos ditames dessa circunstância aviltante. O repertório de possibilidades de ações que os cidadãos conseguem vislumbrar torna-se tão limitada quanto às águas dum aquário. Tudo se resume a votar naquilo que se convencionou chamar de “o menos pior”.

E por mais simplória que tal atitude política seja, ela acaba encontrando dificuldades para ser empreendida, haja vista que a cada dia que passa se torna mais e mais complicado saber quem é o tal do “menos ruim”em meio a tantos tão ruins.

Tal quadro, para todo bom entendedor, é um claro sinal de derrocada da vida política para a barbárie. Qualquer um sabe que numa arena onde se disputa o poder sempre há um “Q” de risos e gracejos que, numa medida apropriada e em seu devido lugar, é tão saudável quanto desejável. Agora, outra coisa bem diferente é o que estamos vendo em nosso país, onde o descaramento deslavado tornou-se uma regra pétrea e uma rotina aviltante.

Nicolau Maquiavel dizia que qualquer um pode recuperar-se duma derrota política ou militar, porém, do ridículo, praticamente não há remédio. E em se tratando de ridículo, o Brasil, já varou longe, bem longe, já faz algum tempo. Por isso, é difícil precisar se iremos um dia nos recuperar do quadro de crise que atualmente assola o nosso país. Uma crise de ordem moral, política, econômica e, antes de qualquer coisa, uma crise que nos levou a perda do senso do burlesco que, por sua deixa, inviabilizou a realização de qualquer ação, menos os enxovalhos e a balburdia niilista, é claro, que tanto abundam em toda Banânia.

(*) professor e cronista.
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e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

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