segunda-feira, 30 de novembro de 2015

CONVERSA QUIXOTESCA, 30/11/2015: UM DEDO DE PROSA SOBRE O TAL DO PODER

COM A BALA NA AGULHA

 Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
O grande problema do Brasil, em Brasília ou nos grotões mais distantes dessa terra de desterrados, é a presença aviltante, junto às instituições, de incompetentes em tudo que, por total falta de caráter, são capazes de tudo para manterem-se agarrados nas poderosas úberes estatais.

(2)
A elite petista é uma casta que se locupleta com o capital alheio; usurpa os ganhos do espoliado povo trabalhador e eles, a vanguarda revolucionária do caviar, transformam facilmente tudo em massa falida, como bons incompetentes que são; e fazem isso tudo em nome duma ignóbil sanha utópico-totalitária e através da mais vulgar rapinagem.

(3)
Chamar José Dirceu de guerreiro do povo brasileiro é vilipendiar o Brasil, enxovalhar com o sofrido povo espoliado por essa turma que está transformando nosso país num envergonhado pardieiro.

(4)
Se na década de cinqüenta a compra suspeita duma fazendinha no Rio Grande do Sul era chamada pela alcunha de “mar de lama”, do que iremos chamar as falcatruas que nos são atiradas nas ventas todos os dias? Oceano do churume? Galáxia da Cloaca?

(5)
Num país onde a incapacidade é obrigatória, o talento torna-se um pecado imperdoável.

(6)
Quando as potestades estatais, com suas instituições “responsáveis” pela educação, vêm com aquele blá blá blá de gênero, cotas, preconceitos, violência e tutti quanti, vem-me a mente as palavras de
Roger Scruton que nos lembra o óbvio ululante: de que os valores são forjados através de nossas relações interpessoais, cara a cara, e não por meio da intermediação artificiosa do Estado que apenas faz parir entre nós, e em nós, aberrações morais como as que estamos vendo florescer nestes tristes trópicos.
(7)
O problema não é de gênero, nem de preconceito, mas sim, a vulgaridade geral e irrestrita que toma conta de toda a sociedade que reduz as relações humanas a mais rasteira infra-animalidade.

(8)
A burrice no Brasil não é compulsória, mas não há dúvida alguma de que ela é um elemento fundamental para que o indivíduo senta-se incluso. A dita é, praticamente, um símbolo de distinção.

(9)
Um direito só tem valor quando você está disposto a se sacrificar por ele. Agora, quando o sujeito crê, histericamente, que a sociedade deve ser sacrificada, ou que alguém deve ser penalizado para que ele vislumbre seus desejos contemplados, com o perdão da palavra, isso não é direito não; é apenas ressentimento, um mimimi dissimulando uma dignidade inexistente.

(10)
Quanto mais o Estado estende os seus tentáculos de controle sobre a sociedade, quanto mais o Leviatã amplia o seu poder, mais diminuto se torna o senso de responsabilidade dos indivíduos e, consequentemente, mais anêmica fica a liberdade dos mesmos. Essa é uma obviedade ululante tamanha que somente quem é demasiadamente “crítico” não percebe; é capaz de perceber.

(11)
Liberdade sem responsabilidade é um conjunto vazio que é facilmente invadido e tomado por um Estado totalitário.

(12)
Ao invés de fomentar o conhecimento, o que sistema educacional brasileiro faz é afagar egos até deixá-los podres de mimados para cultivar ressentimentos ocos no intento anódino de, com isso, elevar a auto-estima dos indivíduos.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

UM CAMINHO PRATICAMENTE PERDIDO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Aprender não é, geralmente, uma atividade prazerosa. Quando aprendemos algo é claro que há alguma espécie de gozo, como também é inegável que o aprendizado de certas coisas nos interessa muito mais do que outras; porém, na maioria das vezes, aprender qualquer coisa que seja exige de nós um esforço que vara bem longe do prazer, contrariando as pregações de muitos doutos em educação.

Na verdade, alimentar esse tipo de crendice modernosa, de que o aprendizado deve andar de mãos dadas com o prazer, é muito mais um anti-estímulo à educação do que a sua pedra fundamental.

Aliás, construir um sistema educacional todo baseado nesse lero-lero é colaborar na construção do edifício humano algo totalmente diverso do educar.

Mesmo que insistamos chamar esse trem fuçado de educação ela continuará a ser aquilo que seus frutos vergonhosamente nos apresentam.

(2)
Quanto mais o homem moderno vê-se munido de brinquedinhos tecnológicos, mais mutilada a sua inteligência se torna. Não que isso necessariamente seja uma regra pétrea, não mesmo; mas é o que frequentemente se constata.

(3)
As tecnologias podem ampliar significativamente os nossos poderes, a nossa capacidade de agir, ao mesmo tempo em que podem, também, aleijar a nossa consciência.

(4)
O resultado do processo de aprendizado pode ser prazeroso ou, ao menos, trazer-nos uma relativa satisfação com o resultado obtido por nosso esforço. Todavia, vale lembrar que inexiste satisfação sem esforço e, por isso, todo o caminho para o oásis do conhecimento é invariavelmente árido e pedregoso.

(5)
Há uma gama de aspectos danosos que se fazem presentes em toda e qualquer forma de ação afirmativa, em toda e qualquer política de caráter cotista. De todas elas, a que me parece mais nociva, é o fomento indevido do rancor histérico em misto com um vitimismo indecoroso, como se tais fraquezas morais fossem alguma espécie de excelsa virtude cívica.

(6)
O que há no Brasil contemporâneo pode até ter uma carinha bem sem vergonha de democracia, mas às vezes, muitíssimas vezes, tem um fedor de sovaco de ditadura que ninguém merece.

(7)
Ensina-nos Hermann Hesse que não há verdadeira leitura sem amor, nem saber sem respeito e muito menos cultura sem coração. O mesmo ainda nos lembra que ler sem amor, conhecer sem respeitar e a celebração duma cultura sem pulso seriam os grandes pecados contra o espírito cometidos em nossa época. Sabendo isso, o que podemos dizer a respeito de nosso sistema educacional? O que podemos dizer a respeito de nós mesmos? Pois é, o melhor a fazer é nada dizer.

(8)
O tédio é a mais letal das armas de destruição em massa. Ela dilacera silenciosamente a alma bem antes da morte começar a devorar a carne fatigada, bem antes de beber o sangue monótono da vítima.

(9)
Um pouco de desatenção, por mínima que seja, já é o suficiente para cometermos grandes erros.

(10)
O maior fruto desse trem fuçado conhecido como teoria do “preconceito linguístico” é o fomento indevido da ignorância orgulhosa e o elogio soberbo do desleixo para com a língua. E não são poucas as almas desavisadas que veem esse trambolho como se fosse alguma espécie de vanguarda literária.

(11)
O coitadismo vitimista é a ideologia dos canalhas, dos rancorosos e dos fingidos. Entre esses biltres há de tudo, de tudo mesmo, menos coitados; porque esses, ao contrário daqueles, têm vergonha na cara e não querem ser vistos como tal.

(12)
Se lermos algo sem a menor intenção de lembrarmo-nos do que foi lido, se nós ouvimos uma preleção sem o propósito de guardá-la em nosso íntimo, a nossa presença diante das palavras, ditas ou lidas, tornam-se um insulto e, nossa insistência em querermos parecer sabidos, uma piada grosseira e sem a menor graça.

(13)
A hipocrisia é um claro sintoma da decomposição dos costumes duma época; o cinismo, por sua deixa, é uma evidência inconteste de que a sociedade encontra-se num avançado estado de putrefação moral.

(14)
Não há nada de errado em contestar uma autoridade; o que é esquisito pra caramba é que existam tantas autoridades contestáveis que acreditam estar acima de tudo; e, por isso mesmo, tais excrecências acreditam merecer o tal do respeito; do nosso respeito.

(15)
Quem exige respeito, não é que não merece tê-lo; na verdade o sujeito não sabe o que está pedindo.


CONVERSA QUIXOTESCA, 27/XI/2015: o votar e outros bichos.

Conversa Quixotesca, 27-11-2015: Educação e hipocrisia.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A MISÉRIA É BEM MAIOR E NÃO É DE PÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Atualmente, de um modo geral, as pessoas no Ocidente não são paupérrimas em termos materiais. Não mesmo. Goza-se, nos dias de hoje, de confortos que até pouco tempo atrás não eram nem mesmo usufruídos pelas classes mais abastadas. Todavia, hoje as almas que perambulam sonsamente pelas vielas de sonhos e delírios modernosos padecem duma miséria existencial que nunca antes se viu na história da humanidade. Padecemos, muito mais do que em outras épocas, duma crônica miséria cultural, moral, mental, emocional e espiritual que nos faz cair não abaixo da linha da pobreza, mas sim, nos reduz a uma condição infra-animalesca.

(2)
Acabamos por conhecer um pouco sobre o caráter das pessoas quando descobrimos o que elas fazem de suas vidas e com o que elas padecem em seus soturnos dias; porém, as conhecemos muito melhor quando ouvimos atentamente as justificativas que as mesmas tecem sobre os seus atos e as explicações que elas apresentam frente aos males dos quais padecem.

(3)
Irresponsabilidade moral não é uma doença; por isso não pode ser curada. Ela é uma atitude que, para ser sanada, exige uma contra-atitude para substituí-la. Todo o resto que se diga não passará da consequência da polaridade moral da postura que se tornou a opção preferencial de nossas ações. Somente isso e nada mais.

(4)
Quem nunca, ao se olhar no espelho, teve aquela dolorosa sensação de ser uma fraude é por que é um farsante mesmo.

(5)
A idolatria que hoje se faz da libertinagem sexual nada mais é que um culto grotesco da infra-animalidade, uma adoração hedonista desregrada que reduz a humanidade aos mais rasteiros impulsos e desejos, como se tais descomedimentos fossem o que há de mais elevado em nossa alma; em nosso ser.

(6)
A cada dia que passa aumenta o número de pessoas, portadoras de diplomas, incapazes de se comunicar por escrito com relativa clareza. Quanto ao numero de indivíduos que não se encontram habilitados para ler uma mensagem razoavelmente clara é ainda maior, mesmo que esses tenham um canudo de papel que afirme que eles são portadores dessa competência que, infelizmente, não lhes pertence.

(7)
Um dos sinais mais claros da decadência de nossa sociedade é a ridícula presença de sujeitinhos vulgares que se ufanam, risonhos que só eles, de sua futilidade. Verdadeiros rabos de cachorros falantes que se rejubilam de sua vantajosa posição existencial.

(8)
O nosso país é farto de analfabetos funcionais; todos sabem disso e, por incrível que possa parecer, não causa escândalo na maioria das almas. E talvez seja assim, porque boa parte desses indivíduos que padecem desse mal também carecem, e muito, da elementar educação doméstica que garantiria que o sujeito soubesse conviver com os seus pares; se tivesse ao menos isso, saberiam portar-se com decoro em público mesmo que na intimidade de suas vidas fossem criaturas impudicas. Resumindo: em nosso país, infelizmente, o escândalo é a regra e a regra, por si só, é um escândalo.

(8)
Nunca antes na história desse país tantos almejaram atingir níveis tão baixos de cultura através do sistema educacional.

(9)
As pessoas querem ser livres? Mentira. No fundo, o que a grande maioria das pessoas quer é uma relativa segurança, que alguém seja responsável pela sua vidinha medíocre. Liberdade é um luxo que, sinceramente, a maioria das pessoas não quer nem saber, a não ser que alguém assuma a responsabilidades por suas possíveis e inevitáveis escolhas erradas. E, como todo mundo sabe, e finge ignorar, não há uma coisa sem a outra, não existe liberdade sem responsabilidade; por isso, não é inapropriado dizer que a maioria de nós age feito cães, desejando ter um bom dono para zelar de nossas pulgas. Somos, na real, voluntária e inconfessadamente inclinados a uma silenciosa e desavergonhada servidão. Enfim, La Boétie sabia o que dizia; Thomas Hobbes, nem tanto.

(10)
Por mais bem articulado que seja a apresentação de um argumento favorável ao consumo de drogas, ele sempre será um ataque frontal à razoabilidade; e se for um argumento “criticamente” formulado, será um insulto à inteligência.

(11)
Inteligência sem virtude é malandragem; malandragem sem inteligência é politicagem.

(12)
Uma sociedade que funda sua moralidade no mais rasteiro relativismo acaba desfibrando os indivíduos ao ponto de reduzi-los a condição de reles marionetes de geleia.

(13)
A miséria é bem maior e não é de pão nem de mortadela. A grande miséria é moral e espiritual mesmo.

(14)
Quem não castiga as suas vaidosas inclinações, por elas acaba sendo dominado.


Conversa Quixotesca - 24-XI-2015: O Cronocentrismo

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

DISSIMULAÇÃO POUCA É BOBAGEM

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Um importante passo para nos livrarmos da ignorância presunçosa é abdicarmos da vã curiosidade.

(2)
Quem não sabe servir generosamente ao próximo está abaixo do nível de um cão. Todo aquele que não sabe o quão importante é sermos zelosos quando estamos atendendo um pedido de alguém, ou a súplica de uma pessoa, não é digno para ser reconhecido pelo epíteto de gente; não é merecedor de ser tratado como dejeto de um cão.

(3)
Sim, a iniquidade existe desde tempos imemoriais; ela vagueia entre nós desde muito antes do surgimento das ideologias materialistas e igualitárias. Todavia, desde que essas ditas cujas passaram a parasitar o coração humano, as obscenas tiranias proliferaram formidavelmente, feito coelhos, por poderem esconder-se com mais facilidade por trás dessas máscaras ideológicas.

(4)
Quando um sujeito usa a alcunha “crítico” para dizer que alguém é inteligente e esclarecido, abandone, porque caboclo, mais do que provavelmente, não é uma pessoa esclarecida. Presunçosa sim, mas não esclarecida. Também, bem provavelmente, ele não saiba o que, de fato, significa ser crítico e não tenha a menor noção do que seja e para que serve a tal da inteligência, tamanho o grau da “criticidade” desse tipo de caipora tagarelante.

(5)
Mais vale conhecermos, humildemente, a nós mesmos que conhecermos o mundo com todos os seus discretos e indiscretos meandros. Entretanto, com uma infeliz frequência, por causa de nossa humana presunção, nos auto-enganamos construindo uma auto-imagem empavonada de nós mesmos imaginando que isso seja a mais excelsa verdade sobre nosso serzinho. Tolice. Uma baita palermice humana que nos faz fingir sermos quem não somos e que nos leva a ignorarmos quem deveríamos vir a ser.

(6)
A pergunta é bem simples: quem curar-te-á de tua ignorância se você orgulha-se tanto dela?

(7)
Os militontos vermelhos só não são mais risíveis porque são muito chatos. Chatos de dar dó. Em alguns casos, de dar nos nervos.

(8)
Quem leva tudo para o lado pessoal não passa de um babaca, da mesma forma que todo aquele que trata todas as situações como se fossem apenas negócios não passa de um miserável canalha.

(9)
Quando alguém escreve um livro intitulado “Como conversar com um fascista”, das duas uma: ou essa alminha está apresentando um manual para que as pessoas possam polidamente conversar com a sua totalitária pessoa, ou o serzinho acabou se esquecendo de ler [direito] uma edição de “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” e preferiu publicar uma confissão detalhada sobre sua delicada situação.

(10)
A ideologização marxista é, de fato, um grave problema; mal esse que se aproveita formidavelmente da covardia latente no coração da sociedade brasileira.

(11)
Quando a covardia se assenhora de nosso olhar, de nosso coração e de nossa alma, os maus, com sua petulância cínica e com suas atitudes sinistramente dissimuladas passam a imperar sobre tudo, inclusive e principalmente sobre nossa alma, em nosso coração e através de nosso trêmulo e assustado olhar.

(12)
Quando não há consideração pela oposição, quando nem mesmo essa se dá ao respeito e o governo, por sua deixa, não é respeitável, abandone, porque por mais que se carregue nas tintas pra dizer que tudo está correndo dentro da normalidade democrática, isso não encobre a triste realidade de que vivemos em uma mediocracia esfarrapada que arrota uma grandeza inexiste; grandeza que, ao que tudo indica, jamais foi almejada pelos seus pretensos defensores.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

NEM COMO FIM, MUITO MENOS COMO MEIO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Uma sociedade que despreza a alta cultura, substituindo-a por toda ordem de entretenimentos vazios paridos por cucas ocas, definitivamente não sabe a diferença que há entre um penico e uma panela; quem o dirá entre uma verdade e uma farsa. Uma sociedade formada por indivíduos com o olhar turvado dessa maneira está, irremediavelmente, condenada a corromper-se até a última raspa do talo de sua putrefaz (in)dignidade.

(2)
Quando uma figura histórica que comprovadamente possuía escravos, que nada fez para acabar com a escravidão, é escolhida como ícone da consciência da luta contra esse mal, é sinal de que a malícia encontra-se tão arraigada na alma da nacionalidade que não mais quer-se ver o óbvio, por mais ululante que ele seja, tamanho o desejo de nos tornarmos menores do que somos, para que os tentáculos das potestades estatais tornem-se mais longos e criticamente asfixiantes e, desse modo, possa mais eficientemente agrilhoar a liberdade que é celebrada nessa falsa imagem de nossa história e, é claro, de nós mesmos.

(3)
Quando a liberdade é celebrada a partir de uma farsa, a mentira acaba usurpando o trona da verdade distorcendo todo o sentido da realidade.

(4)
Um sistema educacional que elege como meta a medianidade, quando a mediocridade é o mais límpido horizonte que se almeja atingir, abandone o barco, porque o próximo passo que possivelmente será dado é a redução da existência humana a mais rasteira animalidade.

(5)
Nunca nos esqueçamos que uma meia verdade é uma mentira inteira e que uma mentira completa não seria nada mais que uma verdade veladamente envergonhada.

(6)
Só é coroado de glória o soldado valoroso. E esse apenas torna-se valoroso quando forjado pelo fogo das mais duras batalhas.

(7)
Pompa não é glória, mas sim, a fantasia surrada e gasta das almas recalcadas.

(8)
Quem não desconfia de suas boas intenções acaba condenando-se aos grilhões de suas mais ocultas e rasteiras paixões.

(9)
Desconfiarmos de nossas boas intenções não é o suficiente para crescermos em espírito e verdade. Para tanto, é imprescindível que confiemos, sem reservas, na imensurável bondade de Deus.

(10)
No Egito antigo as bibliotecas eram chamadas de tesouros dos remédios da alma; hoje, elas não são lembradas, nem livremente frequentadas, tamanho é o estado de putrefação das almas contemporâneas.

(11)
O pano de fundo da vida vulgar é o tédio irremediável do rotineiro gastar duma vida sem sentido.

(12)
A república brasileira e sua cambaleante democracia não passam de uma mesquinha mentira sistematicamente organizada e contada por almas cinicamente dissimuladas.

(13)
Ciente ou não, a abstração precede a ação, até mesmo para discordar e dizer que não é assim não.

(14)
O tempo é um precioso tesouro que generosamente nos é regalado pela Providência e, por nós, tolamente desperdiçado sem a menor cerimônia e sem a mais mínima decência.

(15)
Por trás de todo grito afetado de indignação em favor de toda ordem de coitadismo, há um encruado e mal disfarçado ressentimento em misto com um dolorido sentimento de inferioridade.

(16)
Aprenderíamos muito e até, quem sabe, nos tornaríamos sábios, se soubéssemos calar.

(17)
A arquitetura contemporânea, de um modo geral, é tão indigente quanto os representantes da espécie humana que habitam as cidades modernas e, ao mesmo tempo, tão megalomaníaca quanto o coração daqueles que idealizam esse cenário decrépito edificado em concreto armado.

(18)
Noutros tempos, não tão distantes dos atuais, a vileza fantasiava-se de nobreza, para os tolos poder governar. Hoje, contrariando a hipocrisia de outrora, o cinismo coloca-se a imperar; a vileza desnuda e despudorada pode tranquilamente tripudiar sobre a nobreza e soberbamente tomar o seu lugar sem que ninguém contrarie a sua vontade de mandar e desmandar.

(19)
É paradoxal sabermos que o que tem valor não tem preço, nem mesmo uma forma objetiva de sua preciosidade mensurar.

(20)
Em matéria de política, quando descobrem o preço de um indivíduo e o tomam por ele, é porque o sujeito vendeu sua alma; e vendeu porque nunca teve valor algum.

(21)
No Brasil, o aviltamento geral é a regra, e a degradação total o maior projeto nacional.

(22)
Não são poucos os que confundem a pusilanimidade com a virtude da prudência.

(23)
É muito bom quando nos envergonhamos de nossos erros, porém, isso não basta para começarmos a corrigi-los.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

A GRANDE FARSA MULTICULTURAL


Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Educar não é sinônimo de imposição de limites artificiosos; educação é a clara e gradativa apresentação dos indispensáveis limites da existência presentes na realidade para que o indivíduo possa crescer em espírito e verdade.

(2)
Devemos, necessariamente, nos adaptar aos limites da realidade para que possamos nos ajustar aos ditames da concretude de nós mesmos. É nessa tensão que se constitui a nossa personalidade e se forma, ou deforma o nosso caráter.

(3)
Sem limites razoáveis não há possibilidade de uma saudável estabilidade nas relações humanas. Uma verdade simples e elementar que os apregoadores do multiculturalismo e do relativismo moral jamais levaram em consideração, tamanho o grau de estupidificação que turva o olhar e deforma o coração dessa gente.

(4)
Regra simples: não se negocia com quem despreza as regras da civilidade; inexiste diálogo com aqueles que não medem esforços para destruir as bases desta. Com os inimigos da liberdade, com os apóstatas das colunas da honorabilidade, deve-se sempre manter a prontidão e a disposição para pelejar o bom combate.

(5)
Da mesma forma que a maior prova de amor que há é dar a vida pelo irmão, não há prova maior de monstruosidade que estourar uma bomba e matar um punhado de inocentes em meio a uma multidão. Aliás, prova de cretinice maior não há que querer relativizar e justificar atos absurdamente bárbaros em nome de qualquer imundice ideológica.

(6)
O culto do famigerado e mal parido espírito crítico, tão quisto pelas deformadas almas com duas mãos canhotas, não é nada mais, nada menos, que uma forma refinada e elegante de estupidez que leve o sujeito a imaginar que a sua mocoronguice cognitiva, ideologicamente mutilada, seja uma decantada manifestação da humana inteligência. É de doer, sei disso; mas eles acham isso lindo. Criticamente lindo.

(7)
Todo aquele que vê discriminação em tudo, que encara qualquer trocadilho ou gracejo como sendo uma pérfida manifestação de micro-relações de maldade racial, sexual ou de qualquer gênero que seja, no fundo, não sabe o que é preconceito, nem o que é humor e, é claro, não tem a menor noção de como as relações humanas são constituídas na tessitura da vida real, tamanho é o vazio ressentido de sua alma e a artificialidade rancorosa de sua vida.

(8)
A idolatria das palavras ciência, científico, progresso, moderno, revolução e tutti quanti não passa de um obscuro culto de razão que gradativamente atrofia a inteligência humana.

(9)
Os dementes ideologizados, em regra, tendem a substituir o mundo da vida pelas suas crendices ideológicas. Não é à toa que eles acabam falando todas aquelas sandices que os danados não se cansam de dizer.

(10)
Não raro o ceticismo empedernido leva o indivíduo ao fanatismo autodestrutivo.

(11)
Todo fanático, estupidificado pelas suas ideologias revolucionárias de meia pataca, acreditam que são membros impolutos de uma espécie de vanguarda do esclarecimento, iluminada e tolerante, ao mesmo tempo em que dão testemunho de sua brutal ignorância com seus chiliques de indignação farsesca, porém, esses caboclos fazem isso sem jamais perder a sua artificiosa e afetada doçura advinda seu fingimento histérico.

(12)
Ideias tem consequência; porém, ideias estúpidas de consequências trágicas.

(13)
Vingança e rancor são claros sinais de medo e fraqueza. O perdão, somente ele, é a única real demonstração de força e coragem capaz de alumiar a alma humana em sua peregrinação por esse vale de lágrimas.

(14)
É complicado, pra não utilizar outro termo, dizer que há democracia num país onde a maioria acachapante das pessoas não reconhece a legitimidade de suas instituições e não crê na lisura do processo eleitoral.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

COBARDIA TEM NOME, SOBRENOME E PARTIDO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Quando o titular do poder abusa dele pra tentar mostrar quem é que manda, na verdade acaba apenas atestando que, de fato, não é mais ele o depositário do dito mando e que nem mesmo é um sujeito que merece qualquer forma de dignidade oficiosa, por mais insignificante que seja.

(2)
O abuso sempre é um sinal de fraqueza. Por isso, todo incapaz investido de poder, qualquer que seja, conhece apenas esse vil expediente pra disfarçar sua nulidade existencial; para esconder a sua incompatibilidade com a função que supostamente desempenha.

(3)
Sejamos fortes! Essas são as palavras que deveriam estar a frente de todo conselho que um bom mentor pode dar aos seus alunos. Agora, se você é daqueles caboclos cheios de mimimi, não tem problema não; pode continuar se afogando em sua auto-piedade e esperando que os outros façam por sua pessoa tudo aquilo que você se recusa a fazer por si. Isso mesmo! Pode continuar a ser um fraco, em termos humanos e morais, apenas não aporrinhe o saco dos demais que não veem beleza nem dignidade nesse seu jeitão infantilizado de ser.


(4)
A atitude típica duma alma servil é o rejubilar-se diante da desgraça alheia, principalmente quando essa é fruto da truculência dum covarde investido de poder.

(5)
Onde há um covarde que, de maneira truculenta, abusa do poder, sempre há, também, um punhado de idiotas para lhe aplaudir e servir-lhe de capacho.

(6)
A verdade não é uma palavra para que indevidamente tomemos posse; a verdade é a realidade na qual devemos nos colocar humildemente para conhecermos a realeza da verdade que habita o íntimo de nossa alma.

(7)
Cristo é a Verdade. Quanto ao resto, não passa de metade. Partes e metades que, sem a luz que Dele irradia, nada valem. Essa é a realidade.

(8)
Não são poucos os que crescem recusando-se a assumir qualquer responsabilidade existencial. Esses tipos não passam de mimados crescidos, entupidos de vaidade e hedonismo que querem ser vistos e reconhecidos como adultos respeitáveis, mesmo que não saibam o que seja o tal do respeito e, por isso mesmo, não querem nem saber de, quem sabe um dia, se tornarem adultos de fato.

(9)
Tudo o que hoje, as cabeças de vento ideologizado gostam de chamar de consciência crítica, conhecimento crítico, visão crítica e blablablá, não passa duma idolatria canhestra dos instintos mais baixos em misto com os vícios morais e cognitivos mais mesquinhos.

(10)
Quanto mais petulante é a certeza grupal, mais patente é a ignorância individual.

(11)
Um indivíduo, formado nas coxas e entupetado de diplomas que atestam sua douta ignorância, acaba sempre guiando os seus atos com base numa moral de meia pataca, bem ao nível de seu mau caráter.

(12)
Muitos indivíduos não se flagram que ao mesmo tempo em que gritam histericamente em defesa duma total libertinagem a nível individual estão fazendo recair sobre seus ombros uma monstruosa estrutura totalitária; eles não consideram que a cada direito novo que é “conquistado” por seus gritinhos o Estado ganha garbosamente um novo mecanismo para intervir e controlar suas vidas justamente através das ditas “conquistas”.

(13)
Hoje em dia o sistema educacional fomente nas tenras almas toda forma de ressentimento e revolta, toda fraqueza moral em misto com recalque ideológico e, depois dessa meleca toda, os doutos não sabem por que quando o assunto é violência, o uso de drogas e precocidade sexual o nosso país está nas cabeças e, no que se refere ao desempenho intelectual, o último lugar é praticamente sempre nosso e ninguém tasca.

(14)
Ser capaz de rir de si é sinal de sabedoria; rir à toa de qualquer coisa é estupidez barata; viver azedo com beicinho de indignação politicamente-correto é idiotice pura.


Site: http://dartagnanzanela.webcindario.com/

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

NADA MENOS QUE ISSO, NADA MAIS DO QUE AQUILO

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Todo entendimento cristalino, quando exteriorizado graciosamente para qualquer massa ignara, é um claro sinal de falta de juízo, multiplicado por uma boa dose de vaidade.

(2)
Machado de Assis, através da distante voz de Brás Cubas, sua personagem pouco augusta, diz-nos que descobriu uma lei de equivalência das janelas. De todas elas. Segundo ele, “o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência”. Pois é, hoje em dia, os ouvidos contemporâneos fazem-se surdos a tal conselho, haja vista que é um hábito mais do que corriqueiro, em nosso país, fechar-se nas alcovas das consciências esquecidas e caladas, sem a menor ventilação, onde os mofos morais e os bolores da ignorância voluntária travestida de lucidez tomam conta da morada da alma, emporcalhando-a, adoecendo-a pela simples carência da abertura duma janela para que os ares da vida possam avivar a alma com a brisa moral que nos faz lembrar o frescor do que é o viver verdadeiramente em todos os tempos para, desse modo, podermos verdadeiramente viver o tempo presente.

(3)
Triste é a infância onde a criança é incompreendida pelos seus iguais. Triste é a vida daqueles que não são compreendidos pelos seus pares. Todavia, somente os idiotas são compreendidos pelos seus.

(4)
Auscultar o coração dum tolo, ou dum homem vulgar, para sondar seus sonhos e delírios, é o mesmo que pôr-se a ouvir as cólicas intestinais duma criança gulosa e desavisada.

(5)
Quando a possibilidade duma rígida punição desaparece do horizonte de possibilidades de uma sociedade, a educação da geração subsequente fica seriamente comprometida juntamente com a existência razoavelmente estável de qualquer sociedade que se entrega a esse tipo de desfrute hedonista.

(6)
Quando os indivíduos sentem-se ofendidos, ou ultrajados, porque lhes foi sugerido que eles deveriam ser fortes e encarar as agruras do dia a dia com maior altivez, é porque a maturidade foi pervertida e transubstanciada num reles infantilismo tacanho carente de mimo.

(7)
Realmente ama-se alguém, ou algo, quando somos capazes de realizar pequenos sacrifícios, silenciosos e anônimos, em favor do bem amado. Quando o indivíduo coloca em primeiro lugar, sempre, o seu bem pessoal, quando o elemento torna sua cobiça por prazer algo inegociável, deixando em segundo plano aquele, ou aquilo, que diz amar tanto, pelo amor de Deus, deixe de ser idiota e para de dar trela para esse palhaço sem graça. Pessoas assim não amam nada, nadinha, que esteja fora das fronteiras de seu mundinho umbilical. Para esse tipo de biltre, tudo que está além das fronteiras de seu egocentrismo não passa de um mero instrumento para realização de seus fúteis desejos e na mais.

(8)
Todo aquele que se recusa a enxergar o óbvio deveria calar-se antes de querer obrigar os outros a ouvir toda ordem de absurdidades que é regurgitada pela sua boca cheia de dentes e de tolices.

(9)
Há casos em que a estupidez é criminosa, como também há situações em que a inocência não passa duma terrível e leviana dissimulação.

(10)
Não pode haver educação sem correção; não há correção sem a possibilidade de extirpar arestas. Por isso, um sistema educacional que se ocupa fundamentalmente em afagar as arestas e a fomentar a egolatria não é outra coisa senão uma monstruosidade indigna de existir; uma farsa, do princípio ao fim.

(11)
A alma de um povo encontra-se condensada em sua moral e sua cultura, consequentemente, é apenas um reflexo dessa realidade. Por isso, quando a cultura dum povo encontra-se em franca degradação é porque a sua moral foi pras cucuias. E se ela, a moral, foi para tal destino é porque esse povo perverteu-se ao ponto de tornar-se desalmado.

(12)
Se nunca tivesse sido confundido materialismo, positivismo, e toda ordem de ismos, com ciência, bem provavelmente o cientificismo jamais teria existido ou, pelo menos, não teria sido levado tão sério como hoje tolamente se faz, tamanha é a confusão que impera entre as mais variadas formas de bobagismos e o que a ciência realmente é.

(13)
O fato dum sujeito dizer que afirma acreditar apenas naquilo que seja cientificamente comprovado não significa que ele saiba o que seja uma ciência, como é a sua prática e, muito menos o seja uma prova.

(14)
Bravos eram, nas centúrias passadas, os marinheiros que na incerteza de seus barcos e na fragilidade de seus rumos, enfrentavam com destemor o desconhecido. Hoje, bravos são os caminhoneiros que estacionam a margem dos caminhos negros, cientes da fragilidade de sua condição e da incerteza de sua luta e, mesmo assim, desafiam a brutalidade covarde daqueles que parasitam a dignidade de todos aqueles que lavoram silenciosamente para manter em pé o pouco que restou do Brasil.


domingo, 8 de novembro de 2015

BANANAS E DEMAIS FRUTAS REPUBLICANAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
No Brasil tudo é uma avacalhação só, especialmente em nosso espírito republicano. Aqui, nessas terras de tupinambás, quando alguém diz que há muitos novembros fora proclamada uma RES PUBLICA, uma coisa dita de todos, mais do que depressa, os (depre)cívicos indivíduos paridos por essa mãe gentil imaginam que, por ser de todos, não é de ninguém, logo, será de quem primeiro e melhor pôr a mão na cumbuca brasiliensis. Resumindo: é pura avacalhação mesmo, sem pôr nem tirar.

(2)
Quando alguma alma, assustada, aqui ou acolá, grita que estão tentando dar um golpe assim ou assado na democracia brazuca, a abençoadinha esquece que o grande golpe contra ela foi a proclamação da dita república e não outra coisa. Resumindo: golpes e sedições são da essência da rotina (depre)cívica de nossa RES PUBLICA, não a sua exceção.

(3)
O simples fato de sentirmos vergonha de nossa enfadonha república é um claro sinal de que ela é uma coisa de todos, que alguns colocam a mão nela, onde nem todos podem boliná-la e que, por isso mesmo, ninguém quer saber de assumi-la.

(4)
Os republicanos, quando sonhavam com a aurora de uma república nessas terras ensolaradas, diziam ansiar pela vinda de uma imaculada dama para, de maneira cortês, amá-la e idolatrá-la. Mentira deles! O eles que sempre, sempre desejaram mesmo era uma dama fácil que atendesse a todos os seus caprichos, todinhos; mas somente os deles e de mais ninguém. Isso, nessas terras carnavalescas, é a dita cuja da coisa pública que com seu suíno espírito continua a emporcalhar essa terra de Vera Cruz em misto com a cidadanite que insiste em não saber a diferença que há entre uma democracia e uma urna eletrônica.

(5)
A história da república brasileira pode ser resumida assim: inicia-se com um bando de barbados fazendo mimimi, que sob a liderança de um marechal senil, alimentavam a vã esperança de que ele livrasse os seus soldos; e culmina com uma desvairada guerrilheira que cultua e comunga a mandioca sem a menor cerimônia ao mesmo tempo em que cogita a possibilidade de estocar todo o vento que faz a curva, guardando-o todinho no rombo aberto pelas pedaladas de sua ideológica loucura.

(6)
A república brasileira é similar a uma tribo onde o cacique quer apitar em tudo e, no frigir dos ovos, não manda em nada.

(7)
Dizem que no Brasil tudo é feito pra inglês ver. Sim, tudo de fachada, pintado e lambuzado com uma fina camada de verniz para enganar a todos, inclusive e principalmente a nós mesmos, nesse vil intento de aparentar uma seriedade que nunca tivemos e que, bem provavelmente, não iremos ter tão cedo. De mais a mais, ouso perguntar: quem foi que disse que os ingleses, ou quem quer que seja, estão interessados em saber o que nós dissimulamos ser?

(8)
No Brasil, praticamente tudo é feito no grito, na última hora e empurrando com a barriga, seja ela tanquinho, seja ela saliente. E, por esse desleixo brasílico, imaginamos que tudo que seja feito por nossas maculadas mãos, desse jeitão, tem alguma excelsa importância. E que importância! Nisso resume-se o tão ufanado jeitinho que tanto enche de orgulho o homem-massa brasileiro.

(9)
Uma pessoa piedosa, quando recebe o Sacramento Eucarístico, está plenamente consciente de que está recebendo o corpo de Cristo. Ela sabe que, em sua pequenez, faz parte do Corpo Místico da segunda pessoa da Santíssima Trindade. Por sua deixa, qualquer cidatonto brasileiro, quando sufraga o seu votinho na eletrônica urninha padrão smartmatic, credulamente imagina que está contribuindo positivamente com sua insignificância para os rumos de nosso país.

(10)
Após a proclamação da república, magicamente, muitos dos que até então eram monarquistas de pai e mãe, declaravam-se ser republicanos a muitas gerações. Hoje, em meio a mensalinhos e mensalões, propininhas e petrolões, todos que até então diziam ser os baluartes da ética, orgulhosos de serem membros do partido impoluto, tem a cara de pau de dizer que apenas fazem o que todos sempre fizeram e que, por isso, todos os malfeitos de suas maculadas mãos estão perdoados; porém, todavia e entretanto, não os malfeitos de todos os outros, simplesmente porque eles não integram o partido da ética que veio para salvar a república. Pois é, meu amigo, não é à toa que a vaca está no brejo, exausta de tanto berrar; cansada de tantos maus tratos, enfim, não é por menos que o Brasil está do jeito que está.

(11)
A república brasileira é uma piada grotesca contada por vilões escandalosos que fazem da rapina sua profissão de fé.

(12)
Toda nação tem o seu mito fundador. Nele encontra-se compactada todas as possibilidades de realização das gentes que a ele aderem. Há cinco séculos, quando as naus portugas aqui aportaram, fora lançado um poderoso mito fundador: chamaram-nos de Terra de Vera Cruz. Já pararam pra imaginar as possibilidades? Pois é. Todavia, tal mito, aparentemente não correspondia à têmpera de nossa gente. Preferiu-se então a alcunha de Brasil, terra do pau vermelho e o cidadão, brasileiro, aquele que vive pra derrubá-lo. Resumindo: trocamos um mito fundador por um mico afundador.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CONTANDO DAS PEDRAS ALVAS DO CAMINHO


Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)
Todo aquele que não sabe respeitar a memória dos mortos não sabe viver de maneira respeitável.

(2)
Não existe imagem que mais eleve a nossa alma do que a visão de uma criança que, espontaneamente, ajoelha-se diante de uma lápide, beija-a, e em seguida coloca-se a rezar. Não há visão que mais nos revele sobre o mistério da vida que a imagem de um mancebo sentado diante de uma lápide; mergulhado em um oceano de preces e saudades que banha o seu rosto iluminado por amendoados olhos marejados de lágrimas.

(3)
A realidade da morte nos humaniza; a sua presença nos eleva do lodo bestial da banalidade cotidiana que tão facilmente coloca em primeiro plano todo ordem de futilidades.

(4)
A moralidade de um povo vê-se estampada, cristalizada, no zelo que esse aufere aos cemitérios. Quando maior for o zelo pelas lápides, jazigos e mausoléus, mais evidente é a elevada moral dos indivíduos que compõe a sociedade e integram os poderes constituídos. Quanto maior o descaso pelos finados cidadãos, mais decadente é sociedade e mais corrupto são aqueles que estão encastelados nas entranhas do poder. Enfim, a cidade dos mortos nos revela claramente como vivem aqueles vagueiam pelos caminhos e descaminhos dos vivos.

(5)
O desejo irascível por justiça é o caminho mais rápido e eficaz para realizarmos o contrário de nosso justo anseio.

(6)
A dedicação aos estudos e o esmero na realização dos mesmos não é, nem no infante, muito menos no adulto, um mero adorno existencial. É parte integrante dessa. É seu alicerce.

(7)
Devemos combater, sem cessar, a compulsão irascível que habita em nós e que nos arrasta para o meio dos círculos de palpiteiros que tagarelam sem parar e sem parar pra pensar no que estão falando. Para tanto, é de fundamental importância que reconheçamos que em muitíssimos assuntos nossa ignorância é praticamente absoluta; noutros tantos ela, nossa ignorância, é relativa e, por isso mesmo, não pode e nem deve ser encarada como algo que nos autorize a falar com arrogância. Enfim, se assim procedêssemos, compreenderíamos que não temos muito coisa pra dizer. Na verdade, descobriríamos, desconcertados, que muito do que falamos, não tem nem de longe a importância que julgávamos ter.

(8)
Todo aquele que não escreve com compaixão, por inteiro, deve temer as paixões que vertem de seu tinteiro.

(9)
Quem não se encanta com a simplicidade duma flor silvestre desencanta toda a abóbada celeste com seu parvo olhar.

(10)
A morte é uma grande dádiva pedagógica que o Sapientíssimo utiliza para nos educar, para nos libertar de nossa baixeza existencial. Se a sombra do crepúsculo de nossos dias não estivesse latente em nossa peregrinação por esse vale de lágrimas, dificilmente compreenderíamos nossa pequenez diante da criação e, bem provavelmente, não seriamos capazes de contemplar a luz da eternidade celeste.

(11)
A ganância e a inveja são as duas forças profundamente idolatradas no mundo contemporâneo. Aqueles que adoram a primeira acreditam que não devem satisfação de nada sobre seus ganhos e que esses, por mais vultosos que sejam sempre são poucos. Já aqueles que veneram a segunda acreditam candidamente que sua incapacidade seja uma espécie de excelsa virtude. Na verdade, na maioria dos casos, esses indivíduos são tão gananciosos quando os do primeiro grupo, porém, incapazes de dar dó e, por isso mesmo, invejosos.

(12)
Ensina-nos Hermann Hesse que se realmente desejamos conhecer uma determinada verdade devemos também entender o seu necessário sentido contrário, pois, se não somos capazes de cogitar o que seja o mal, como podemos estar seguros do bem que afirmamos conhecer? Se não somos capazes de imaginar a extrema feiura como podemos estar certos de que o belo com o qual nos deleitamos não seja apenas uma reles deformidade estética? Enfim, se não estamos dispostos a testemunhar tudo o que contraria a verdade que julgamos conhecer, como podemos afirmar que ela seja tão veraz quando dizemos ser?

(13)
A finalidade da vida humana não está em seu término, mas para além dele.

(14)
Somente os idiotas acreditam saber tudo e, por isso, sempre tem um palpite furado sobre todas as coisas. Palpite esse que ele sempre relativiza ao mesmo tempo em que relativiza tudo que lhe digam, tudinho mesmo, pouco importando o que seja dito, pois o que realmente interessa para ele é disfarçar a sua congênita estupidez.

(15)
Nada tenho contra as interpretações levianas que muitos chamam orgulhosamente de “opinião própria”. O que se torna difícil de engolir é que esses tipos de biltres, que tanto abundam com seus diplomas sem valor, é que eles acreditam, e querem que todos creiam, que suas “opiniões próprias” sobre a realidade, são mais reais que a própria realidade.

(16)
Os cretinos querem recuperar hipócrita e magicamente com palavras tudo aquilo que morreu e fedeu em suas porcas almas.

(17)
O verdadeiro filósofo é sempre objeto de difamação e escárnio; odiado com toda bile dos falsos profetas políticos e combatido por todas as jumenticas forças dos fanáticos de todas as alcovas ideológicas.