UMA LONGA NOITE

Por Dartagnan da Silva Zanela

A COQUELUCHE DO BOM-MOCISMO - Quando vejo essa gente toda boazinha, se derretendo de tanto bom-mocismo, clamando por mais educação ao mesmo tempo em que gritam não para a redução da maioridade penal, imediatamente vem a minha mente as palavras do velho Karl Kraus que diz-nos que a boca de gente assim transborda daquilo que o coração está vazio. Bem vazio.

TOLICES ÁUREAS - Educação não é uma panaceia. Ela não é capaz de resolver todo e qualquer problema. Somente gente muito tonta, ou com uma séria deficiência de caráter, pode crer e mesmo defender uma patacoada como essa. Em regra, pessoas que batem o pezinho para defender isso, não sabem o que é educação, não iniciaram a própria, nunca educaram alguém e, obviamente, nunca colocaram os pés numa escola ou colégio da "pátria educadora" para realizar o milagre do EX DUCERE.

GENTE BOAZINHA É UM PORRE - Só para constar: uma possibilidade clara, razoável e eficaz de punição é um instrumento inestimável de educação. Quem não compreende isso, deveria calar e matutar ao invés de ficar tecendo bravatas sem fim para apregoar aos quatro ventos que escola transforma psicopata em pacato e ordeiro cidadão.

VOTAR PODE! SER RESPONSÁVEL NÃO - As perguntas que não querem calar: se um grupelho de adolescentes estuprarem quatro moças e matar uma, o que deverá ser feito com eles? Deverão ser enviados a uma escola para que eles aprendam que isso não se faz? Que é feio, muito feio violar a integridade física de alguém e, mais feio ainda matar esse alguém? E o que deverá ser dito aos familiares dessas quatro abençoadas? O que deverá ser dito para os familiares da moça que foi assassinada com requinte de crueldade? Que os criminosos não serão recuperados se condenados e que, no fundo, eles são vítimas inermes do sistema e que prisão, nesses casos, é bobagem? Bobagens, meu amigo, bobagens elegantemente ditas com todos aqueles trocadilhos enervantes típico de gente que gosta de fazer pose de boazinha sem importar-se com a natureza do bem e, principalmente, sem compreender a patologia do mal.

APENAS UMA HISTORINHA - Certa feita um professor, um “professorzinho”, como muitos gostam de nominar, que lecionava numa turma de sétimo ano (antiga sexta série) contou-me que havia nessa turma dois alunos com um longo e sombrio histórico. Ambos tinham dezesseis aninhos. Eram petulantes, indispostos a realizar o que era proposto, desordeiros e agressivos, com tudo e com todos, é claro.

Dizia-me ele que a sua preocupação não era com a integridade de sua pessoa, mas sim, com as crianças que visivelmente estavam assustadas com os garotos que, de fato, intimidavam.

Essas crianças, suas alunas, não moravam num condomínio fechado e o pai não vinha trazê-las até a porta do colégio. Pois é, mas os dois indivíduos tinham o direito de ali estar, mesmo que não estivessem interessados em exercê-lo direito devidamente.

Certo dia, o professor em questão teve a ingrata oportunidade de conversar com uma promotora e lhe descreveu a situação. Feito isso, perguntou para a senhora o que ele poderia fazer pra resolver o caso. A referida, de maneira sonsa e politicamente-correta, disse-lhe: “Conversar. E se não der certo, conversar de novo, de novo e de novo. A gente só não pode desistir desses dois garotos”. É isso mesmo que você acabou de ler. Era isso que o professor deveria fazer para resolver essa triste situação, segundo a distinta “otoridade”.

Pois é, mas o professor, por sua deixa, estava mesmo preocupado com os outros trinta e três alunos. Coisa que, em nenhum momento, passou pela cabeça da iluminada defensora pública. Não passou porque sua filhinha não estudava na turma em questão, nem no colégio em que ocorreu essa desconfortável situação. Aliás, dificilmente estudaria. Mas, e se estudasse, será que a atitude dela frente aos dois continuaria sendo a mesma? Pois é. É bem desse jeitão que a banda toca em nosso país onde o bom-mocismo ama fantasiar-se cinicamente de justiça.

ANTI-SOCIEDADE - Quando os indivíduos perdem o senso de realidade, quando as pessoas passam a raciocinar a partir de estereótipos ideologicamente deformados, todo e qualquer absurdo torna-se plausível. Quando, por exemplo, um criminoso tem mais apreço frente à justiça, bem como junto aos formadores de opinião, do que as vítimas do mesmo têm-se um claro sinal de que já varamos longe, bem longe, dos limites da razoabilidade.

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