NÃO IRÁ ESCANDALIZAR NENHUM DESSES PEQUENINOS

Por Dartagnan da Silva Zanela


Muitas são as advertências que Nosso Senhor nos faz através da Sagrada Escritura, como também não são poucos os conselhos que nos são dirigidos pelo Pedagogo maior para que possamos crescer em dignidade e verdade. Não apenas ele, mas a sabedoria universal também o faz e ambas, a Verdade Revelada e as verdades semeadas, apontam para a mesma direção altiva.

Dentre os inúmeros conselhos, há um que deveria ser afixado na soleira de nossa vida, para jamais esquecermos e, principalmente, não ousarmos desdenhá-lo. Não causará escândalo a nenhum desses pequeninos, assim diz o Senhor. E sabedoria universal, pelos lábios tanto dos filósofos Romanos, como dos provérbios chineses, lembram-nos que os exemplos, ao contrário das palavras, não apenas movem. Eles arrastam.

Voltemos a questão do escândalo. Esse, nesse sentido, refere-se ao ato de abalar os alicerces fundamentais da vida que nos são ministrados pela piedosa tradição que prudentemente atualiza os ensinos da Revelação. Detalhe: atualizar não é, e nem deve, ser sinônimo de perverter, mutilar, manipular nem de subverter. Fazer isso é um péssimo exemplo para os pequeninos, para a sociedade de um modo geral.

Detalhe: não preciso dizer que essa distinção, ao que tudo indica, foi totalmente esquecida pelas pessoas que, direta e indiretamente, deveriam dar testemunho do que significa viver uma vida reta e justa. Zombado pelos indivíduos que deveriam, como dizem os populares, dar o exemplo.

Pessoas, investidas de autoridade, seja ela professoral, sacerdotal, legislativa ou governamental, deveriam ter em seu horizonte a clara compreensão de que todos os seus atos são simbólicos. Devido ao papel central que ocupam na sociedade não apenas seus gestos, mas sua pessoa como um todo, são um modelo de como um sujeito deve viver.


Suas ações, por mais discretas que sejam, são irradiadas por toda a sociedade e, por isso, acabam ou estimulando uma atitude edificante ou instigando a prática de vilezas. E assim o é, pois, como nos lembra o poeta Bruno Tolentino, dum modo geral nós aprendemos a ser quem devemos ser a partir de tudo que se ouve e, também, por meio de tudo o que houve.

Por isso, a posição ocupada por um indivíduo investido de autoridade tem um efeito pedagógico e moral. Seus atos, e mesmo sua pessoa, tornam-se uma espécie de ícone dum comportamento que ganha legitimidade pelo simples fato de estar sendo feito por esses indivíduos que se encontram nessa posição.

Um professor, um padre, um homem público e, numa escala microssocial, um pai, goste-se ou não, todos os seus atos são milimetricamente observados pelos olhares da sociedade e passam, mais cedo ou mais tarde, a servir de modelo de conduta para os demais membros da comunidade. Modelo esse que, como havíamos dito anteriormente, podem ser magnânimos ou escandalosos.

Por isso, Nosso Senhor adverte-nos, vivamente, para que não escandalizemos os pequeninos. Para que não subvertamos a ordem moral em nome de nossos desejos de ocasião. Não portemo-nos de maneira indigna porque, tal impostura, semeia em meio a sociedade a cizânia generalizada. Cizânia essa semeada por pura soberba e vaidade e que, como todo e qualquer exemplo, arrastam multidões.

Por isso, para ocupar-se uma posição investida de autoridade é de fundamental importância que os indivíduos que se proponham a tal tarefa cultivem, no âmago de seu ser, um agudo senso aristocrático. Compreendam que os cargos que lhes são confiados exigem deles uma clara compreensão de seu papel simbólico e educativo. Papel esse que não é desempenhado através do uso de palavras, mas sim, através de atitudes simples, da sua maneira de viver.

Se os homens públicos, sacerdotes, professores, líderes políticos e comunitários não estiverem cônscios desse aspecto fundamental que deve ser encarnado pela sua pessoa no exercício de suas funções, se essas pessoas acreditam que eles devem apenas gozar dos privilégios que lhes são conferidos (por menores que sejam), sem necessariamente apresentarem uma vida exemplar de austeridade e abnegação, tudo o mais acaba descambando, da mesma forma que uma casa cai em ruínas quando suas colunas e alicerces desmoronam.

E desmorona porque a sociedade aprendeu com a desrespeitar e a ser canalha com os exemplos ofertados com abundancia por aqueles que deveria apontar o caminho da dignidade cívica. Não é à toa que a modéstia sumiu, que a humildade sucumbiu e, junto com elas, desmoronou todo senso de dever e honra que tão bem identifica-se o espírito republicano.

Pois é, de escândalo em escândalo fomos nos tornando essa pachorra que, por falta de bom senso, chamamos impropriamente de nação; por falta de senso do ridículo há muitos outros que referem-se a essa fase de nossa história de “Pátria Educadora”. Infame pátria sem rumo, se eira nem beira guiada de alto a baixo por almirantes cegos, surdos e tolos.

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