domingo, 7 de junho de 2015

ATRAVANCANDO UM PAÍS SEM RUMO

Por Dartagnan da Silva Zanela

MUITAS MESMO - Muitas pessoas preferem supostas soluções que tenham um forte apelo dramático do que optar por uma atitude razoável e prudente frente aos problemas que lhes são apresentados.

PROGRESSISTAS À BRASILEIRA - O historiador Ernest Renan dizia que os verdadeiros progressistas são aqueles que nutrem um profundo respeito pelo passado. Nesse sentido, no Brasil atual, a palavra progressista teria o sentido inverso do que fora apontado, haja vista que nessas terras os intelectuais e cidadãos que se intitulam progressistas não apenas tem um grande desdém pelo passado; eles desejam, na real, destruir tudo o que nos foi legado por ele.

ESPELHO, ESPELHO MEU - Não existe beleza, nem mesmo amor, sem uma razoável dose de pudor. Na ausência desse odor, a beleza transfigura-se em vulgaridade e o amor transubstancia-se numa reles relação coisificada. Por essa e outras que hoje o Brasil é tão vulgar quanto deprimente.

SEM CAMINHO ACERTADO - Quem não sabe para onde deve ir está à deriva e, dum modo geral, encontra-se cônscio de sua desorientada situação. Porém, quem vai para onde bem quer está perdido e imagina estar no rumo certo. Tadinho do tontinho. Mais perdido que um cego no meio de um tiroteio.

TROLOLÓ EPISTEMOLÓGICO - Pouco importa se você é parcial ou imparcial. Não tem muita importância se você é ou não objetivo. Tudo isso é frescura de quem tem preguiça de estudar.

O que realmente importa é saber se realmente desejamos conhecer a verdade, mesmo que ela nos contrarie. É isso o que realmente interessa. O resto não passa de trololó de gente que gosta de fazer pose de sabido sem, necessariamente, saber nada.

JARDINS MORTOS - Atualmente o que o sistema educacional tem feito, com grandessíssima eficiência, é criar e alargar desertos e mais desertos culturais, morais e espirituais ao invés de cultivar jardins onde essas flores, noutras primaveras, abundavam.

E tem mais! Se os intelectuais, políticos e militontos, com duas mãos esquerdas, não conseguem realizar os seus projetos criminosos de poder, no ritmo que eles desejam, é porque estão sendo contrariados por vários setores da sociedade e por muitíssimas pessoas que simplesmente desaprovam suas sandices.

Outra coisa: o nome que se dá a isso não é dificuldade institucional, nem retrocesso conservador e muito menos fascismo, como eles gostam de rotular. O nome disso, meu caro, é democracia. Capenga, mas é.

HIPOCRITAMENTE CORRETO - Se você é daqueles que gosta de erguer uma taça de vinho no conforto dum restaurante, ou no aconchego de seu lar, para falar da importância da preservação dos direitos humanos dos humanos que agem de maneira infra-humana, lembre-se que para você poder fazer isso há uma multidão de homens e mulheres tendo que sujar as mãos para que você possa manter as suas bem limpinhas, podendo, inclusive, enxovalhá-los com o seu discurso humanamente esterilizado.

De mais a mais, vale lembrar que as pessoas que veementemente reprovam todo e qualquer ato de violência assim procedem não porque sejam melhores do que o restante da humanidade, mas sim, porque elas podem contar, direta ou indiretamente, com pessoas que estejam realizando esses atos em seu lugar para que ela possa continuar sentindo-se boazinha, tomando seu vinhozinho no conforto e na segurança de seu lar.

QUANDO MENOS É MAIS - Seria interessante diminuir a interferência do Estado na sociedade. O Tiranossauro Rex estatal teria menos justificativas para abocanhar os ganhos dos cidadãos através dos impostos, tributos e taxas que ele ama nos cobrar. Diminuindo o gigantismo atrofiado do Estado diminuiria, necessariamente, o poder dos políticos sobre os recursos produzidos pela sociedade e, consequentemente, haveria menos corrupção.

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A CARROÇA ENGUIÇOU

Por Dartagnan da Silva Zanela

MAIORES DE DEZOITO - Um claro sinal de criancice em idade "madura" é quando o sujeito despreza a diferença abissal que há entre o que seja uma negociação razoável e uma chantagem descarada. Se o caiçara não sabe a diferença, não tente explicar; é perda de tempo. No final das contas ele não vai entender e, ainda, irá te chantagear.

VIDA SUÍNA - É muito mais fácil culpar os outros do que tentar entender e assumir a nossa cota de responsabilidade. É muitíssimo mais cômodo criar um bode expiatório para nos limpar de nossas imundices. E limpamo-nos, muitas vezes, em nossa própria sujeira para continuarmos sendo o mesmo tonto de sempre. Outras vezes conseguimos a façanha de nos tornar piores, bem piores, após esse tipo de lambança.

RESUMINDO O ENTREVERO - Ensina-nos Anatole France que todas, todinhas, as nossas verdadeiras misérias são íntimas. Muitas vezes procuramos ludibriar a nós mesmos creditando ao mundo a origem do fardo que temos de carregar sobre nossos ombros, mas não tem jeito não; formamos nossas tristes indigências dentro de nós com a nossa própria substância. Ou, falando em português bem claro: o mundo pode até ser uma merda, mas nós não passamos de uns bostas.

PROBLEMAS E PROBLEMAS - Uns tem dificuldade para escrever, outros tantos se sentem melindrados para falar em público e, há ainda aqueles que enfrentam de modo varonil, ambas as dificuldades. Porém, há muitos, muito mais do que se imagina, que não sabem do que estão escrevendo e muito menos o que estão falando e, pra piorar o quadro, não estão nem um pouquinho interessados em superar a sua gritante dificuldade. Ou, nesse caso, deveríamos chamar de leviandade?

VERSO E REVERSO - Na sociedade atual, quando algo é noticiado, a versão dos fatos sempre tem um apelo maior que os próprios fatos. No final, a versão acaba sempre tomando o lugar da realidade sonegada. E assim o é, porque tal qual o noticiário, dum modo geral há, perambulando pelas ruas, mais versões de terceira mão de cidadãos do que cidadãos de fato.

PROFUNDIDADES ABISSAIS - O mundo está cheio de cabeças ocas, mas eles não são iguaizinhos entre si não. Há aqueles que são superficiais, como dum modo geral são todos os cabeças de vento. Porém, há aqueles que querem parecer profundos, muito profundos, mas não tem jeito; eles são o que são. Aliás, nesse pífio esforço eles conseguem ser mais superficiais do que a média geral dos tontos, entregando-se a um papelão tão ridículo que até as moscas coram de vergonha, tamanha a profundidade abissal da esterqueira mental desses sujeitos.

CRITÉRIOS - Para a maioria dos intelectuloides com duas mãos canhotas, os fatos, a tal da lógica e dos procedimentos científicos, não tem grande valia. Para esses sujeitos, tudo isso é ideologicamente determinado e impregnado de elementos subjetivos. Tudo, para eles é socialmente construído, por isso, relativo.

Ora, quando se despreza a primazia dos fatos, dos procedimentos e, principalmente, a procura sincera pela verdade, o que resta como critério de credibilidade para qualquer conhecimento é o consenso grupal que, por sua deixa, além de ser algo muito importante para um adolescente sentir-se seguro de si também é um trem indispensável para um intelectuloide militante não cair no vexame de sua execrável condição.

A PALHAÇADA É TODA ESSA - Um dos grandes problemas dos sujeitinhos “pensantes”, com duas mãos canhotas e um grande limbo entre as orelhas, é que eles confundem postura e capacidade crítica com atitude e impostura dramática.

No fundo, bem lá no fundo, eles nunca pararam pra analisar seriamente os assuntos que tomam o centro de suas parlações; muito menos questionaram os pressupostos que norteiam os seus pontos de vista. Isso dá trabalho, leva tempo e, principalmente, fazendo isso correm o risco de ter de negar tudo o que eles acreditam. E isso, para essa gente, é dureza meu amigo.

Por isso eles carregam nas tintas pra dramatizar a apresentação de suas convicções pra contrabalançar a falta de fundamentos das mesmas. Dão chilique, batem o pezinho, esmurram o peito arrotando indignação, fazem manifesto, protesto, ato público, enfim, capricham na pose de bom-mocinho revoltado já que estudar seriamente dá um trabalho miserável. 

Resumindo o entrevero: quanto maior a dramaticidade da exposição dum ponto de vista, menor será sua alegada criticidade. Lamento.

DE “A” ATÉ “Z” - A sociedade brasileira não tem um “Q” de insanidade. Ela, em seu conjunto, é o alfabeto completo de demência.

FANTOCHES A GRANEL - O analfabeto nato tem uma relativa vantagem sobre o analfabeto funcional. O lato sabe que está privado de certas informações e, por isso, prudentemente fica sempre com o pé à trás com relação a tudo que lhe dizem. Sente-se ressabiado toda vez que lhe apresentam algo que contrarie tudo aquilo que ele aprendeu como sendo correto.

O analfabeto funcional não. Esse, ao contrário do primeiro, tem a ilusão de que está sempre muito bem informado. Nunca lhe ocorre que tudo o que ele supostamente sabe pode ter sido concebido para ele ter apenas essa sensação de suposta superioridade; sensação essa advinda do fato dele repetir continuamente um amontoado de slogans e palavras de ordem que são bem vistas pelos seus iguais e que lhe dá o status de gente sabida (crítica, como eles gostam de dizer).

Resumindo: é muito mais fácil manipular um analfabeto funcional presunçoso e diplomado do que um ignorante de pedra.

SENTA QUE O LEÃO É MANSO - Um dos muitos males que intoxica a alma do brasileiro é essa mania covarde de fingir que não está vendo um problema, principalmente quando a responsabilidade primeira por ele é do próprio dissimulado. E no fingir que não vê, inventam-se mil e um malabarismos para justificar ou minimizar a tragédia que está sendo encenada diante de sua fuça. Que coisa feia. Por essas e outras que vovó dizia que tapar o sol com uma desculpa não faz chover no sertão. Fazer isso apenas agrava mais e mais a situação.

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