PARA ENCONTRAR UM BOM PRUMO

Por Dartagnan da Silva Zanela


CUIDADO - Todo canalha é boa gente, desde que esteja satisfeito. Agora, se ele estiver carecendo de algo, que considere seu por direito, prepare-se! Prepare-se porque ele irá revelar toda a vileza que há em seu coração.

QUE VERGONHA DO COMPADRE - Mais deprimente que ver uma multidão entregar-se ao vitimismo hipócrita, é termos de testemunhar um sujeito fazendo-se de coitadinho para cativar a afeição daqueles que o odeiam. É difícil dizer o que é mais ridículo. Aliás, o que não é ridículo nos dias de hoje?

COITADISMO - Sei que é perda de tempo, mas vale a pena lembrar: humilhação fingida e, bem como, vitimismo histriônico, não dignificam ninguém, por mais que você acredite nisso.

PAREM TUDO - Uma pessoa que fica remoendo sua raiva, lamentando seus problemas e culpando terceiros por tudo que lhe afeta, merece sim nossa misericórdia, mas jamais nossa admiração, por mais "críticos" que sejam seus gritos. Lamber feridas e entoar lamúrias aos quatro ventos, não são qualidades nem num cão. Quem o diga num dito cidadão.

SEM EXCLAMAÇÃO - Não sou dinheiro para arrancar sorrisos de todo mundo, muito menos alcoviteiro para querer impressionar meia-dúzia de canalhas. Recuso-me, terminantemente, a vergar a cabeça para intrigantes servis ou para dissimulados irresponsáveis.

ENTRE A SOMBRA E A LUZ - O que ensinamos por meio de nossos gestos é algo muito mais presente do que tudo aquilo que falamos com a intenção de ensinar. Na maior parte dos casos, o que dizemos encontra-se num cambaleante descompasso com os nossos atos. Nessa contradição, algumas vezes gritante, outras tantas sutil, revela-se toda a verdade subjacente às nossas intenções.

ENGANE-SE QUE EU GOSTO - Quem realmente gosta de ler? Não minta. Faz quanto tempo que você não deita as vistas nas páginas dum bom livro (ou e-book)? Há quantas luas os teus olhos não se banham em outra coisa que não seja um amontoado de rabiscos chinfrins como esse? A quem, além de si mesmo, você imagina enganar com essa posse de sabidinho? Pois é...

PERDEMOS O RUMO - Atos têm consequências. Ideias também. No caso das primeiras, se as implicações não são evidentes de imediato, logo se tornam. Quanto as segundas, não. Porém, os seus efeitos são muito mais devastadores e duradouros.

E mais! Todos nós conhecemos uma boa porção de pessoas que pediram perdão por seus atos errôneos. Já as pessoas que pedem escusas pelas ideias equivocadas que propuseram e defenderam são raras, pra não dizer inexistentes.

E assim o é, porque não há nada mais estupidificante na face da terra do que a idolatria duma ideia e de seu proponente. Nesses casos, os indivíduos jamais procuram refletir sobre as consequências delas. Nem mesmo sobre elas. Apenas as idolatram falando até pelos cotovelos sobre as ditas cujas.

Enfim, no dia em que ocorrer uma clara e sincera reflexão sobre as sandices (pressupostos filosóficos, teóricos e metodológicos) que norteiam a educação em nosso país, aí, quem sabe, poderemos reescrever os rumos de nossa nação. Quer dizer: se já não for tarde de mais pra isso.

NÃO DEIXE DE LER - Sei que, em nosso país, recomendar a leitura dum livro é um pecado imperdoável, mas como eu sou um danado mesmo, me dou ao luxo de lambuzar-me nessa iniquidade. Sugiro, vivamente, que deitemos as vistas no livro “Os intelectuais e a sociedade” de Thomas Sowell, uma obra fundamental para compreendermos porque os intelectuais modernos são pessoas tão perigosas quanto cínicas. Trabalho esse que nos auxiliará, e muito, para vermos o que há por trás de toda aquela pose afetada de cidadãozinho crítico e bonzinho que eles se esforçam tanto para sustentar. Algo que, como diz o autor, exige de nós um estômago bem forte. Enfim, leia.

NO FRIGIR DOS OVOS - Essa gente que vive revoltadinha, que pensa que tal impostura seja uma excelsa profissão; no fundo, bem lá no fundo, não está à procura de respeito não. O que querem mesmo é ser aduladas. É uma questão de estima profundamente mal resolvida. Praticamente sem solução.


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