ESTUPIDIFICAÇÃO COLETIVA


Por Dartagnan da Silva Zanela


PARADOXOS DA COMPANHEIRADA - Há quem diga que aquele que não adere às sandices duma patuleia corporativa seja uma pessoa egoísta que não se preocupa com a tal coletividade. Quem diz isso, apenas repete mais uma patacoada furibunda, um reles slogan comuna furado e nada mais.

Ora, quem diz estar lutando pelos interesses da coletividade, na verdade, na maioria das vezes, está apenas se juntando com a sua patota categorial para sentir-se “cidadã” e disfarçar, mal e porcamente, o seu espírito de rebanho.

Quem acredita que está fazendo algo de dignificante só porque se juntou com pessoas que repetem um amontoado de palavras de ordem vazias, na verdade está apenas preocupado com os interesses dum grupinho muito, muito, restrito da sociedade e que, no fundo, estão pouco se importando com a coletividade maior, que é a própria sociedade.

Enfim, se o caboclo confunde interesses com direitos, se ele imagina que a imagem de sua patota é mais importante que a realidade de toda a sociedade e conjumina, coletivamente, que a defesa dos interesses da turminha seja sinônimo de luta, de defesa dos direitos de toda sociedade, é porque não somente a razoabilidade deixou sua cuca, mas também, e principalmente, a sanidade abandonou a sua alma.

DA CORAGEM DE PAPELÃO - Dar a cara à tapa não é sinônimo de adesão a toda e qualquer balburdia que uma multidão acéfala adere. Isso, na real, é insensatez pura e simples.

Vale lembrar que se deve dar a cara à tapa na defesa de valores fundamentais, principalmente de maneira solitária, sem o conforto gregário que pode ser-nos ofertado pelos pares.

Aliás, exige-se uma boa pitada de coragem moral para enfrentar a mesquinharia diária daqueles que, para sentir-se alguém, fixam na face dos que ousam contrariá-los uma porção de rótulos difamantes.

E assim o é, porque a manada não sabe a diferença abissal que há entre a ousadia grupal e a virtude da coragem. Não é por menos que a multidão de valentes age, frequentemente, de maneira tão covarde.

QUEM AVISA AMIGO É - O perigo de crer estar fazendo a coisa certa, de maneira incerta, é a inevitabilidade certeira de estar irremediavelmente equivocado.

BOBINHO - Se, para sentir-se convicto, você carece da aprovação dos outros, das duas uma: ou você não considerou apropriadamente as suas ditas convicções, ou você nutre muito mais medo dos olhares tortos de seus pares do que amor pelo que diz acreditar e defender.

A NECESSÁRIA SOLIDÃO - É verdade que o homem não se basta a si mesmo. Também é verdade que ele não deve satisfazer-se com qualquer coisa, pois, desse modo, contentando-se com qualquer coisa, acaba-se degradando a nossa humanidade que, diga-se de passagem, não é lá aquelas coisas.

CIDADANIA FECAL - Quando um elemento vem até você, pessoal ou virtualmente, unicamente para jogar em sua cara impropérios, sermões de cueca, desafios bocós e coisas do gênero; esse sujeito porta-se assim não por magnanimidade, mas sim, por ser basicamente um simplório carentão engajado agindo feito um cão vira-latas que defeca na sua frente para chamar a sua atenção e, quem sabe, ganhar um afago ou um safanão. Resumindo: ele quer sua atenção porque acha que tem algo de relevante pra lhe dizer.

Na maioria absoluta das vezes, não recebe nem uma coisa nem outra. Apenas se limpa a calçada que foi marcada pela sua presença fecal e nada mais. Às vezes, nem isso.

Quanto aos chorosos latidos, agudos e incessantes, não se tem o que fazer a não ser tolerá-los, já que ele, como todo mundo, tem o direito de espernear. De mais a mais, não adianta lhe dizer para ir assombrar outro porque ele não apenas não irá, mas virá mais uma vez para o seu lado rosnando, ao mesmo tempo em que faz aquela dissimulada carinha de coitado.

Por isso, desse tipo de gente, distância e desprezo é o remédio mais que recomendado. É indispensável.

BESTAS EM MASSA - O caminho para a verdade é a sinceridade para consigo e para com Aquele que é. Sim, esse é um caminho soturno e solitário, mas não há outro. E, por essas e outras, que não existe força mais alienante na face da terra do que uma multidão bestificada que acredita ser portadora duma verdade; que acredita possuí-la ao mesmo tempo em que jamais a procurou e que, de fato, nunca a desejou.


Comentários