ATÉ ONDE, ESTAR NA LUTA, VALE A PENA

Por Dartagnan da Silva Zanela

Lutar uma peleja sinaliza que estamos compromissados com algo e com alguém e que estamos dispostos a nos sacrificarmos nesse combate por amor a esse algo e a esse alguém.

Nesse sentido todos nós, cada qual ao seu modo, trava uma batalha por dia. As batalhas são muitas e significativamente diversas e a grande maioria é travada silenciosamente, na calada soturna do cotidiano rotineiro sem o aplauso de ninguém e muito menos com a presença dos olhares indiscretos e turvos da mídia. Seja da grande mídia ou da rasteira.

Todavia, para sabermos se nosso pugilato é realmente dignificante, devemos nos perguntar algo bem simples; tão simples quanto lavar o rosto pela manhã: essa luta que é travada por nós é em defesa de quem e do que? Sinceramente, quem é o bem amado por nós que nos leva a atitudes tão extremadas? Quem é o grande beneficiado pela nossa irascível disposição para subir na arena?

Se, de fato, é um bem comum que está em jogo; se é o benefício dos mais frágeis, sim senhor, a luta é justa. Não há dúvida alguma sobre isso. Entretanto, se o ponto central de nossa preocupação e indignação é algo que majoritariamente nos beneficie a aureola de retidão perde um tanto de seu brilho, ainda mais se estamos passando por cima de muitos inocentes para satisfazer os nossos interesses, principalmente se somos movidos por um ódio maquinal contra algo ou alguém.

E é caro que todos nós achamos que os nossos interesses são justos. Como também é evidente que muitíssimas pessoas acham que o seu benefício categorial é sinônimo de bem comum. Na verdade, a maioria das pessoas jamais questiona os seus propósitos e, por isso mesmo, agem de maneira inconsequente acreditando que está realizando algo digno e bom, ao mesmo tempo em que comete uma sequência interminável de indignas fealdades.

Sim, sei que isso é chato, mas deve ser dito. Aliás, é necessário que seja lembrado. Uma causa pode até ser justa, porém, dependendo do preço que seja pago pela sua conquista, ela torna-se infame. Pior! Se o que está em disputa na luta não for tão justo quanto acreditamos que seja, ao final iremos nos envergonhar profundamente do que fizemos porque veremos o quão torpe tornou-se a nossa obra.

Sei também que a maioria das pessoas jamais pára pra fazer um bom exame de consciência para verificar se realmente está realizando a coisa certa, mesmo que a sua consciência a torture diuturnamente, deixando-a inquieta e mergulhada num inconfesso mal-estar físico, psíquico e moral, haja vista que é difícil encarar a verdade dos fatos quando ela contraria os nossos desejos.

Enfim, resumindo o entrevero: se seu peito, de fato, está apertado, se você está sentindo-se confuso, deixe de lado essa frescura de cidadão criticamente revolto, pare de ficar dando ouvidos a esse maldito canto de sereias militantes e volte-se para o seu dever de estado para cumpri-lo, como o faz a maioria dos cidadãos. Faça isso e, no mesmo instante você não mais estará sendo usado como um reles peão nesse sujo tabuleiro dessa luta ideológica e politicamente viciada.

Retorne ao zeloso cumprimento de seus deveres, volte a lutar o velho e bom combate das responsabilidades anônimas em favor daqueles que nos são confiados. Volte seus olhos para os inocentes que são sempre citados, mas nunca lembrados como deveriam.

Lembremo-nos dos alunos e de seus familiares porque as autoridades constituídas podem até não merecer nosso respeito, mas eles merecem.

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