PARA ENSURDECER

Por Dartagnan da Silva Zanela

SILENCIOSA GRAÇA – Devemos saber ceder no pouco para poder conviver civilizadamente no todo. É imprescindível saber conceder o benefício da dúvida a todos para poder contar com a confiança do outro. É fundamental aprender a desconfiar de nossas certezas para que o próximo não duvide de nossa integridade. É necessário afastar-se do alarido bestificante para no silêncio encontrarmos a confiança inabalável na bondade Daquele que nos deu tudo e que nós, de nossa parte, tão pouco cedemos a Ele e ao próximo. Muito pouco! Nem mesmo a piedosa graça do silêncio que, ao seu modo, revela a nossa deferência, ou indiferença, para com o outro, pois, quando o respeito impera, o silêncio fala e a egolatria cala. Experimente. Já quando o egocentrismo grita e gargalha, abrem-se as portas para a mais vil barbárie. Silencie e testemunhe.

É DESSE JEITO - Nossas palavras evocam, nossos gestos ecoam e juntos, palavras e gestos, dão testemunho daquilo que somos.

UMA QUESTÃO DE TRABALHO - O talento não é algo que cai dos céus. Na verdade, qualquer talento é, necessariamente, uma longa e paciente caminhada para a realização de algo que apenas nós podemos fazer. Resumindo: os talentos são semeados pelos céus e cultivados pelas virtudes, ou sufocados pelos vícios.

O GRANDE GARGALO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Vieira, nos ensina que não basta que as coisas que se digam sejam grandes, se quem as diz não o é. O crédito e a autoridade não emanam espontaneamente dum cargo ou duma posição. Não! Eles são auferidos às palavras e aos atos pelos autores dos ditos e feitos, não dos títulos que esses ostentam a frente de seus nomes. É nisso, e não noutra coisa, que reside toda a crise institucional que assola o nosso país de norte a sul.

BASTA QUERER - Os critérios utilizados por nós para julgarmos as miudezas do dia a dia são os elementos que dão sentido a nossa caminhada por esse vale de lágrimas que é a vida. O tamanho que atribuímos às pequenas querelas e dificuldades diárias equivalem à grandeza de nossa mesquinhez ou de nossa magnanimidade. Basta observar e, realmente, querer perceber esse óbvio ululante.

APENAS UM CAUSO - Certa feita, uma amiga havia me contado que seu avô fora professor numa comunidade agrícola duma cidadezinha do interior. Esse senhor era conhecido por falar muito pouco. Pouco mesmo. Aliás, quase não falava.

Passaram-se os anos e o velhinho pendurou a toga do magistério e, numa determinada ocasião, um parente fez graça com o homem, dizendo: “mas vô, o senhor, quando foi professor, conseguiu ensinar os seus alunos a falar?” No mesmo instante as gargalhadas foram fartas. Todos os presentes riram. Porém, o velhinho, silencioso e prudente, aguardou até o estardalhaço diminuir e então, só então, disse laconicamente: “Sim, aprenderam. Mas apenas o necessário”.

VERDADE ÓBVIA - Todo bom entendedor sabe que dependendo de quem venha um elogio esse pode ser um insulto ou uma declaração incriminatória.

E COMO - O pecado, como muito bem nos lembra o Padre Paulo Ricardo, emburrece. No mínimo, limita nossa capacidade de entendimento e compreensão. Porém, o orgulho do pecado, transformá-lo num projeto de vida, é eficazmente idiotizante.

UMA QUESTÃO DE INVERSÃO - Quando você transforma suas preferências carnais em sua identidade, quando você eleva ao patamar de ponto central da personalidade humana esse ou aquele gosto, literalmente, você está vendo a vida de maneira sinistramente invertida.

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