LOUCO É QUEM ME DIZ...

Por Dartagnan da Silva Zanela

DE DELFOS À CÁTEDRA PETRINA - Quando procuramos sinceramente conhecer Deus, quando nos dispomos francamente a nos conhecer é justamente aí que começamos a cultivar, de fato e inevitavelmente, a virtude da humildade.

Dum modo geral, por soberba e vaidade, temos uma medida diminuta de Deus e uma expectativa superestimada de nós mesmos. Em muitos casos, sem percebermos, colocamos nossos pífios juízos (ou a falta deles) acima dos decretados pelo Altíssimo e achamos isso a coisa mais normal do mundo.

Muitas vezes chegamos ao ponto de imaginarmo-nos como sendo mais bondosos que Ele ousando, inclusive, a sugerir correções a Sua obra. Pra falar a verdade, raramente nos ocorre que deveríamos nos empenhar em corrigirmo-nos à luz Dele, tamanha é nossa vaidosa soberba quanto falsa é a imagem que temos de nós mesmos e de Deus, esse ilustre desconhecido que fingimos amar sem querer, de fato, conhece-lo. Quem o diga obedecê-lo e respeitá-lo.

MAL ESTAR SOCIETÁRIO - Eleições, a muito em nosso país, segundo João Ubaldo Ribeiro, era algo assim: o sujeito ia lá, até a urna, tapava o nariz e votava. Pois é, era assim, mas, ao que tudo indica, o povo após os últimos pleitos está passando mal e, em vista disso, não para mais de enjoar-se e de vomitar frente à pestilenta carniça que tomou conta dos brasílicos ares. Por isso, penso eu, está mais do que na hora de desinfetar o corpo político de nossa sociedade e de lavar a nossa (depre)cívica alma. Do jeito que está não dá mais. É muita porquice numa época só.

NÃO SE DÁ, NEM SE COMPRA - Um conselho curto e grosso que nos é ofertado por Thomas Mann: “Pensai como homens de ação, atuai como homens pensantes”. Luminosas palavras, sem sombra de dúvida, porém, aqui no Brasil, os conselhos não são vistos como coisas boas, porque se o fossem, não eram dados. Não é assim que todos falam? Logo, se fiamos nosso passo neste rastro, deixemos quieto e continuemos a pensar como homens de inação e a atuarmos feito uma massa estulta e ululante.

TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS - Apesar de todo neo-paganismo propagandeado e macetado através dos mais diversos meios, ardis e artimanhas sombrias, o coração do povo ainda encontra-se aberto para receber o Rei dos reis com suas dolorosas chagas para imperar em suas vidas. O que falta, muitas vezes, é a presença de vassalos que não temam anuncia-Lo e que não queiram bajular esse mundo vil que não mede esforços para tentar expulsá-Lo de nossas vistas e, principalmente, de nossas vidas.

UM GESTO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Antônio Vieira, nos ensina que nós somos o que fazemos. O que não fazemos não existe. O que deixamos de fazer deixa de existir. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos sem existir. Indo direto ao ponto, somos verdadeiramente Cristãos apenas nos dias em que lembramos que devemos servi-Lo. Quando nada fazemos do que devemos fazer, apenas nos colocamos soberbamente presentes diante Dele sem sermos alguém verdadeiramente. Sem sermos aquilo que deveríamos fazer.

OUTRO GESTO - Sejamos tão generosos em nossas orações quando somos dadivosos para com nosso lazer e diversão. Procuremos ser pródigos em nossas práticas piedosas quando somos abundantes na procura pela realização profissional e material. Ponto.

É POR VOCÊ - Somente um tolo presunçoso é capaz de escarnecer a dolorosa paixão de Nosso Senhor.

Somente um tosco que pensa que o universo todo foi criado para que o seu umbigo fosse o centro da criação é capaz de imaginar que seu amor próprio é mais excelso que o amoroso gesto do Verbo divino por nós.

Somente um estulto de pedra diz que entende a razão de tudo menos a paixão de Cristo. Estulto e leviano ao ponto de nunca ter meditado devidamente sobre a razão da existência dramática de um Deus que faz tudo por criaturas ingratas como eu e você.

Enfim, se você nunca tentou entender isso, na real, você nunca entendeu nada.

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