EMPURRANDO COM A BARRIGA

Por Dartagnan da Silva Zanela


RELATIVISMO É ISSO COMPANHEIRO - Existe uma distância abissal entre o que é o amor e que seria o reles tesão. Quem confunde uma coisa com outra ou gosta de ser usado como objeto, ou deseja apenas usar os outros para satisfação de suas egoísticas fantasias. E mais! Dar pito, com pose postiça de bom-mocinho politicamente-correto, dizendo que essa esbornia é igual, em valor e substância, ao que nos é ensinado na Cruz, é porque não sabe a diferença que há entre um pinico e uma baixela, com seus respectivos conteúdos.

QUASE PROFETA – Carneiro Leão, afirmava, com a melancolia duma voz engasgada, que pobre é a nação onde a mediocridade é a condição sine qua non para integrar, tomar parte, da elite dominante. Penso que ele, quando afirmou isso, estava tendo uma visão profética de nosso pobre e desavergonhado país.

PONTO - O Villa é rápido no gatilho e até engraçadão, mas não é tal, nana nina não. E não adiante espernear nem fazer insinuação porque, no fim das contas, é o Olavo quem tem razão.

A SOLIDÃO DA LIBERDADE - Tomar uma decisão, solitariamente, e arcar com o peso da escolha feita, é algo que pode ser feito apenas por aqueles que procuram a verdade para que Ela dê forma a nossa vida e guie os nossos passos. Pessoas de geléia são incapazes disso.

Dum modo geral, a maioria não procura a liberdade ofertada pela verdade. Na maioria dos casos, elas procuram apenas a segurança, seja ela oferecida por um poder constituído ou pelas massas. As instituições asseguram os nossos devaneios e a turba nos confirma em nossa loucura, dando-nos a sensação de que estamos agindo por conta própria ao mesmo tempo em que atiramos nossa liberdade na privada.

SOBRE O MEDO - Sentir medo é humano. Encará-lo de frente, senti-lo corroer nossas entranhas ao mesmo tempo em que faz estremecer os nossos ossos, é heroico. E isso é o mínimo que é exigido dum ser humano.

Sucumbir diante do medo é apenas uma fraqueza compreensível. Uma faceta tão humana quando o heroísmo. Faz parte de nossa tragicomédia aqui na terra.

Porém, viver com medo, não admitir que esteja sofrendo com suas ferroadas e procurar o consolo ofertado pelo pares, agindo feito rebanho, é covardia indisfarçada pura e simples. O prodígio da banalidade profunda fantasiada de heroísmo circense. A festejada cidadanite.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (i) - O estúpido também tem honra. Ao menos ele crê que tem uma para zelar. É bem provável que ignore totalmente o que poderia torná-lo uma pessoa proba. É possível que nem mesmo cogite quais de seus atos sejam honoráveis. E de tão honrado que ele é, que se ofende com qualquer coisa que lhe digam, haja vista que ele imagina que em qualquer mesquinharia sua tal honra encontra garrida. E assim age, porque não tem nenhuma.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (ii) - Muitas vezes, o homem honrado silencia frente à injúria, por saber que sua honra encontra-se acima das palavras ímpias que a ele são dirigidas. Já o biltre de carreira não. Para esse espécime qualquer mesquinharia é motivo para escândalo. Basta um olhar atravessado e meia dúzia de palavras deslocadas para ter-se um circo bufo armado.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iii) - Para bem compreender o jogo do poder, é de fundamental importância não interpretá-lo a partir de nossos interesses, sejam eles justos ou não.

Quando procedemos dessa forma, analisamos o cenário a partir de sua complexidade. Do contrário, nos submetemos ao arbítrio dos atores em cena pelo viés de nossa fraqueza e, por isso, ao invés de compreendermos o que está ocorrendo, acabamos por fazer e “entender” o que os senhores do cenário querem que façamos. Nesse casso, queira-se ou não, acabamos agindo como bons peões num tabuleiro de xadrez.

Resumindo: quem vê o jogo de forças apenas através de seus mesquinhos interesses grupais, achando que essa postura é o supra-sumo da criticidade, apenas confessa a sua total mendacidade.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iv) – O idiota paranoico típico é aquele que vê neoliberalismo subjacente a qualquer coisa que o contrarie. Frequentemente o sujeito não sabe o que o contraria, mas se alguém lhe sugerir que isso ou aquilo seja uma prática neoliberal, ele acreditará e sentir-se-á aliviado, pois imaginará que agora estará entendo tudo.


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