quarta-feira, 29 de abril de 2015

EMPURRANDO COM A BARRIGA

Por Dartagnan da Silva Zanela


RELATIVISMO É ISSO COMPANHEIRO - Existe uma distância abissal entre o que é o amor e que seria o reles tesão. Quem confunde uma coisa com outra ou gosta de ser usado como objeto, ou deseja apenas usar os outros para satisfação de suas egoísticas fantasias. E mais! Dar pito, com pose postiça de bom-mocinho politicamente-correto, dizendo que essa esbornia é igual, em valor e substância, ao que nos é ensinado na Cruz, é porque não sabe a diferença que há entre um pinico e uma baixela, com seus respectivos conteúdos.

QUASE PROFETA – Carneiro Leão, afirmava, com a melancolia duma voz engasgada, que pobre é a nação onde a mediocridade é a condição sine qua non para integrar, tomar parte, da elite dominante. Penso que ele, quando afirmou isso, estava tendo uma visão profética de nosso pobre e desavergonhado país.

PONTO - O Villa é rápido no gatilho e até engraçadão, mas não é tal, nana nina não. E não adiante espernear nem fazer insinuação porque, no fim das contas, é o Olavo quem tem razão.

A SOLIDÃO DA LIBERDADE - Tomar uma decisão, solitariamente, e arcar com o peso da escolha feita, é algo que pode ser feito apenas por aqueles que procuram a verdade para que Ela dê forma a nossa vida e guie os nossos passos. Pessoas de geléia são incapazes disso.

Dum modo geral, a maioria não procura a liberdade ofertada pela verdade. Na maioria dos casos, elas procuram apenas a segurança, seja ela oferecida por um poder constituído ou pelas massas. As instituições asseguram os nossos devaneios e a turba nos confirma em nossa loucura, dando-nos a sensação de que estamos agindo por conta própria ao mesmo tempo em que atiramos nossa liberdade na privada.

SOBRE O MEDO - Sentir medo é humano. Encará-lo de frente, senti-lo corroer nossas entranhas ao mesmo tempo em que faz estremecer os nossos ossos, é heroico. E isso é o mínimo que é exigido dum ser humano.

Sucumbir diante do medo é apenas uma fraqueza compreensível. Uma faceta tão humana quando o heroísmo. Faz parte de nossa tragicomédia aqui na terra.

Porém, viver com medo, não admitir que esteja sofrendo com suas ferroadas e procurar o consolo ofertado pelo pares, agindo feito rebanho, é covardia indisfarçada pura e simples. O prodígio da banalidade profunda fantasiada de heroísmo circense. A festejada cidadanite.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (i) - O estúpido também tem honra. Ao menos ele crê que tem uma para zelar. É bem provável que ignore totalmente o que poderia torná-lo uma pessoa proba. É possível que nem mesmo cogite quais de seus atos sejam honoráveis. E de tão honrado que ele é, que se ofende com qualquer coisa que lhe digam, haja vista que ele imagina que em qualquer mesquinharia sua tal honra encontra garrida. E assim age, porque não tem nenhuma.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (ii) - Muitas vezes, o homem honrado silencia frente à injúria, por saber que sua honra encontra-se acima das palavras ímpias que a ele são dirigidas. Já o biltre de carreira não. Para esse espécime qualquer mesquinharia é motivo para escândalo. Basta um olhar atravessado e meia dúzia de palavras deslocadas para ter-se um circo bufo armado.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iii) - Para bem compreender o jogo do poder, é de fundamental importância não interpretá-lo a partir de nossos interesses, sejam eles justos ou não.

Quando procedemos dessa forma, analisamos o cenário a partir de sua complexidade. Do contrário, nos submetemos ao arbítrio dos atores em cena pelo viés de nossa fraqueza e, por isso, ao invés de compreendermos o que está ocorrendo, acabamos por fazer e “entender” o que os senhores do cenário querem que façamos. Nesse casso, queira-se ou não, acabamos agindo como bons peões num tabuleiro de xadrez.

Resumindo: quem vê o jogo de forças apenas através de seus mesquinhos interesses grupais, achando que essa postura é o supra-sumo da criticidade, apenas confessa a sua total mendacidade.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iv) – O idiota paranoico típico é aquele que vê neoliberalismo subjacente a qualquer coisa que o contrarie. Frequentemente o sujeito não sabe o que o contraria, mas se alguém lhe sugerir que isso ou aquilo seja uma prática neoliberal, ele acreditará e sentir-se-á aliviado, pois imaginará que agora estará entendo tudo.


domingo, 26 de abril de 2015

PARA ARROLAR O ROLO


Por Dartagnan da Silva Zanela


DA BREVIDADE DO NADA - Santo Agostinho nos ensina que a vida nada mais é do que uma breve passagem dum infinito, do qual saímos, para outro infinito, para o qual rumamos. Dum infinito ao outro apegamo-nos de maneira irascível, muitas vezes, a bens finitos que, comparados à eternidade, nada são. E não é com uma frequência menor que trocamos o eterno pela brevidade dum nada qualquer.

AS VÍBORAS NOSSAS DE CADA DIA – Santo Antônio de Pádua (também e primeiramente de Lisboa) era um homem que sabiamente construía translúcidas imagens para, através de seus piedosos sermões, ilustrar as obscurecidas almas que, naqueles idos, iam ouvi-lo pregar e bem como ilumina, até hoje, a alma dos distantes leitores de seus escritos, como nós.

Num desses sermões, ele nos diz: “Quando te sorriem a prosperidade mundana e os prazeres, não te deixes encantar; não te apegue a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como víboras”.

E assim são nossos projetos pessoais. E assim são nossos sonhos e desejos mundanos. Imaginamos poder encontrar a felicidade neles, desprezando a vontade de Deus e, sem percebermos, somos corroídos pelos mesmos por serem incapazes de nos realizar como pessoas. Afundamos cegamente nessa tosca busca pela felicidade onde ela não habita e nem encontra morada.

CONCILIAR É PRECISO – Há em nosso país uma grande tradição política que nos orgulha. É a tradição conciliatória. Também há outra tradição política em nosso país. Essa, porém, nos envergonha. É a tradição conciliatória. A primeira foi erguida sob os alicerces da virtude e do senso de responsabilidade. A segunda foi construída com base no oportunismo vil de grupelhos sem caráter. Infelizmente, a segunda abunda em nossas terras atualmente e, a primeira, ao que tudo indica, morreu à míngua, já faz algum tempo.

UM RETRATO ENVELHECIDO – O que me assusta não é a safadeza e a leviandade que muitos nutrem no trato da coisa pública. Não mesmo. O que me impressiona é o amoralismo sociopático que impera entre aqueles que deveriam ter um mínimo de sentimento de honra e um razoável senso de responsabilidade para tratar daquilo que se convencionou chamar de bem público que, ao que tudo indica, aos olhos desses biltres, parece ser apenas o bem de quem colocar a mão primeiro.

NÃO HÁ SOLIDEZ - Todo aquele que, de fato, estuda a história de nosso país, quase que de maneira inescapável acaba chegando à mesma conclusão que, certa feita, chegou o historiador Capistrano de Abreu que afirmava que a história do Brasil dá a ideia de que o país seria similar a uma casa edificada na areia. Ou seja: não há solidez que se sustente por essas plagas.

PARA SERMOS ÚTEIS - Todos nós, uma vez ou outra, nos preocupamos com os rumos do Brasil e, inclusive, ficamos inquietos por imaginarmos que não estamos fazendo tudo o que acreditamos que deveríamos fazer para sermos cidadãos ativos e úteis à nação para não nos tornarmos passivos e inúteis, alienados dos problemas que assolam esses tristes trópicos. Se assim estivermos a nos sentir, lá vai a diga, cáustica e certeira, do grande amigo de Eça de Queiroz, o escritor Ortigão Ramalho. Dizia ele, em suas farpas, que: “O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho”.

Pois é, se mais pessoas preocupassem-se em cumprir com os seus deveres paternais, cujos meios estão ao alcance de suas mãos, provavelmente poderíamos dar uma face menos doentia para a sociedade brasileira. Mas não! Renunciamos ou delegamos a terceiros nosso dever primeiro para nos ocuparmos de simulacros que nos dão uma hipotética sensação de grandeza cívica e moral. Simulacro esse que, mal e porcamente, oculta nossa impotência voluntária num misto com nossa omissão cretina.

Enfim, queremos muitas vezes mudar o mundo sem estarmos dispostos a dedicarmo-nos a nossos filhos, pois, para muitos, a ficção duma cidadania hiperbólica é mais atraente que o cumprimento abnegado dum amoroso dever anônimo e silencioso.

NÃO LAMENTAR – A bússola moral da classe falante brasileira nunca foi das melhores, porém, agora, nem a velha gambiarra de orientação é utilizada. Apenas isso já é mais do que suficiente para explicar a leviandade de muitas opiniões partilhadas pelos néscios diplomados. Era sobre isso que, penso eu, referia-se Silvio Romero quando afirmava que o brasileiro é um ser desequilibrado e ferido, agarrado a uma tábua de salvação que as marés do momento lhe colocam nas mãos.

UMA DIGA SEMPRE ATUAL - Apenas procure fazer o bem sem ver a quem e, se possível for, sem dizer a ninguém.

O QUE IMPORTA - Pouco importa se a pessoa é parcial ou imparcial. Isso é frescura de idiota recalcado metido a sabidão. O que importa, realmente, é que a pessoa seja verdadeira.


AMOLANDO A LÍNGUA CEGA


Por Dartagnan da Silva Zanela


CIRCENSE - Lula, atualmente, só dá o ar da graça em picadeiro fichado com publico prévia e devidamente amestrado.

PONTO - O Villa é rápido no gatilho e até engraçadão, mas não é tal, nana nina não. E não adiante espernear nem fazer insinuação porque, no fim das contas, é o Olavo quem tem razão.

LÍNGUA FERINA (i) - Muita gente gosta de ter uma “boa” resposta na ponta da língua e que essa, a língua, seja afiadíssima. De minha parte, não sou afeito a isso, por incrível que possa parecer. Na verdade, não desejo ser ferino e certeiro com as palavras o tempo todo e a qualquer momento.

Para mim, mais importante que ter uma suposta resposta na ponta da língua, é possuir um desejo sincero de encontrar a resposta apropriada para os problemas que nos são apresentados. Mais importante que termos uma língua amolada é sabermos claramente o peso das palavras que iremos ou não utilizar.

Outra coisa: muitas vezes, quando sinceramente procuramos uma resposta para as questões que a vida nos ventila, e as encontramos, nem sempre essa resposta é de fácil comunicabilidade para os demais. Às vezes, é uma tarefa hercúlea que exige de nós uma clareza que nem sempre conseguimos ter.

Por isso, mesmo que muitos creiam ter a resposta acertada na ponta duma lamina lingual, nem sempre isso é verdade. Por exemplo: muitas vezes imaginamos estar constrangendo alguém com algumas palavras duras sobre algo, porém, por não sabermos claramente do que estamos falando e nem mesmo compreendemos o peso de cada uma das palavras utilizadas nesse intento, acabamos mesmo nos expondo a um ridículo desnecessário simplesmente por não termos optado pelo silêncio.

Na verdade, a afobação para ter uma resposta persuasiva apenas nos brinda com o vexame de um engano inevitável. A petulância de queremos sempre ter uma língua aguda apenas oculta a insegurança gerada pela lufa-lufa anterior que habita e domina.

LÍNGUA FERINA (ii) – Engraçado. Vejam só como são as coisas: as pessoas que querem, muito, ter uma resposta na ponta da língua e expô-la a qualquer um, mesmo que essa não lhe seja solicitada, dum modo geral não nutrem, de modo algum, um interesse similar pela procura da dita resposta acertada.

É que para procurá-la demanda-se trabalho; para falar, imaginando sabê-la, basta não ter desconfiômetro e nem um cadinho que seja de educação doméstica.

LÍNGUA FERINA (iii) – As opiniões, não importam quais sejam, se reproduzem igual a bactérias: por divisão (mitose). O conhecimento, ao contrário, germina.

O segundo, muito lentamente, pode tornar-se uma frondosa árvore; a primeira, rapidamente manifesta-se como uma incontrolável epidemia.

DIPLOMA NA MÃO – Quando você ouve alguém dizer que: "só acredita naquilo que é lógico e cientificamente comprovado”, pode ter certeza que você está diante dum idiota. O fato do sujeito não ter cogitado as implicações lógicas dessa afirmação, e não entender o absurdo científico inerente a ela, atesta isso.

O DESGOSTO DO GOSTO - Uma coisa evidente, como nos ensina La Bruyère, é gosto. Ora, existe bom gosto e mau gosto. Não compreender a importância dessa fina distinção é manifestar, de antemão, o total desrespeito de si mesmo e, principalmente, um total desamor pelo próximo, como consequência inevitável de tal atitude. Por isso, gosto se discute, sim senhor.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

INDEFINIÇÕES BEM DEFINIDAS

Por Dartagnan da Silva Zanela


CATINGA MORAL - O cagão sempre fica valente junto com os seus. Por isso, uma multidão de cagões reunida sempre dá merda. Jamais alguma coisa que preste.

ASSIM DIRIA TIRADENTES - Contra a derrama de impostos, adversário da ingerência Estatal, contrário a estatolatria reinante, sou inconfidente. E inconfidente sigo caminhado em meu passo contra o Paço transbordante de iniquidades.

SINISTRO - Um homem de um único livro é temível, porém, indivíduos de livro nenhum, escorados em um e outro diploma, são deformações abomináveis que sepultam a cultura e a humana dignidade.

A MAGNIFICÊNCIA DA BAIXEZA - Antoine Albalat nos ensina que um talento nada mais seria que uma aspiração. Nesse sentido, o grande problema de nosso país não seria, exatamente, uma carência de talentos, mas sim, uma excessiva compulsão que almeja apenas ao que é baixo e vulgar. Uma constante cobiça por tudo que seja anódino. Cobiça essa que exige, obviamente, que essa mediocridade seja tratada com a honorabilidade devida apenas à magnificência. Resumindo o entrevero: dificilmente algo que preste pode nascer num ambiente como esse.

SEM RODEIOS (i) - Diga-me com o que você se distrai nas horas vagas que eu lhe direi o que você leva a sério.

SEM RODEIOS (ii) - Não é em nosso trabalho que nos dignificamos. São nas nossas horas de lazer que mostramos o quão digno somos.

SEM RODEIOS (iii) – Não é o trabalho em si que nos honra, mas a seriedade e a sobriedade com que realizamos nossas tarefas diárias.

O BRASIL DE LÁ E O DE CÁ - Definitivamente, há dois Brasis. Um que trabalha e está sentindo as agruras da crise que está se instalando em nosso país. O outro é o Brasil dos que parasitam todos aqueles que trabalham. E parasitam sob a égide de defender o primeiro Brasil dos tentáculos do tal sistema ou de qualquer outro fantoche retórico.

Para tanto, faz-se necessário que eles, os defensores dos frascos e comprimidos, recebam uma fatia maior, bem maior, de recursos para poderem continuar esse magnífico e pornográfico trabalho que é nos representar e nos defender de toda e qualquer zelite.

Trabalho esse que eles dizem fazer com tanto zelo e presteza, mas que, na real, todos sabem claramente, não é preciso dizer, o que esses sujeitos representam e de que material eles são feitos, não é mesmo?

SEM RODEIOS (iv) – A evolução técnica que vislumbramos nos dias atuais é algo inegável. Pra falar a verdade, é fascinante. Digo: aliciante.

ATÉ OS VERMES - O que torna a vida humana significativa é o “por que” vivemos. Esse “por que” embeleza-a e dá sentido a cada passo vivido por nós. Na ausência dum “por que”, e tendo a sua substituição por um desejo irascível, por um “como” viver, acabamos, irremediavelmente, portando-nos duma forma tal que até os vermes corariam de vergonha se ficassem diante de nós.

DIRETO DAS FARPAS - Ensina-nos Ortigão Ramalho que: "A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos atos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes".

DO MAL (i) - O mal prospera, e segue de vento em popa, quando as almas sebosas encontram um ideal mequetrefe para justificar os seus desmandos e malfeitos.

DO MAL (ii) – O mal prospera, e segue orgulhoso, satisfeito, enquanto as almas amornadas, que se imaginam boas, cruzam seus braços na vã esperança de que as hostes sombrias dissipem graciosamente sem que elas tenham que lavorar contra a escuridão que espreita suas vidas.

DO MAL (iii) – As trevas marcham, num passo acelerado, sem parar, especialmente quando imaginamos que suas garras estão distantes de nosso coração, quando presumimos que estamos imunes aos seus sortilégios. Quando nos portamos desse modo, perecemos sem a menor reação.

DO MAL (iv) - Uma coisa que deve ser lembrada: as circunstâncias dum crime podem, até, atenuá-lo, porém, jamais essas podem justificar o ato e, muito menos, vitimizar o criminoso ao mesmo tempo em que se culpabiliza a vítima. Ponto.


terça-feira, 21 de abril de 2015

ENCONTRANDO INDEFINIÇÕES


Por Dartagnan da Silva Zanela


ARTIFICIAL E ARTIFICIOSO - Tudo é uma questão de atenção e de percepção. Muitas vezes, por força de hábitos cognitivos viciosos, acabamos por julgar tudo que está a nossa volta a partir duma única e miserável chave interpretativa, querendo o tempo todo diminuir a complexidade da realidade para melhor enquadrá-la em nosso mundinho disforme.

Por exemplo: se um sujeito intenta interpretar a realidade a partir duma chave cognitiva como a tal “luta de classes”, ou qualquer uma de suas variáveis, ele estará, com muita facilidade e deformidade, criando um simulacro ao mesmo tempo em que imagina estar desvendando um fosso de mistérios insondáveis que os reles mortais seriam incapazes de vislumbrar. Tadinho.

Na verdade, é muito mais provável que seja uma fossa de enganos e engodos fecais do que outra coisa. E, tudo isso, parido por uma teimosia ideológica que não apenas deforma a compreensão humana, mas também, distorce as relações entre os indivíduos para que essas se tornem tão artificiais quanto são artificiosas às pessoas que assim procedem.

LISONJA AO MÉRITO - Desde a antiguidade os grandes sábios nutrem um grande desdém pelas honrarias. Nosso Senhor, o Verbo divino encarnado, fazia o mesmo e nos convidava a procedermos como Ele.

Não que o reconhecimento público não seja uma dádiva. Não é isso. O problema é quem representa o dito público. Dum modo geral, não são excelências, apesar de toda a deferência que lhes é facultada.

Excelências, ontem, dum modo geral, não o eram; e hoje, dum modo especial, não o são, haja vista que não mais se sabe a diferença substancial que há entre a respeitável admiração e a mais abjeta bajulação. Pra falar a verdade, apenas essa última de maneira rasteira se cultiva. A primeira, não se se sabe mais o que é.

A INDIGNIDADE E SUA MAJESTADE - Quando não temos mais coragem de dizer que algo seja bom ou ruim é porque, por excessivo respeito humano, perdemos a deferência devida à verdade, à beleza e à bondade.

Quando não mais sabemos a diferença que há entre o bem e o mal, entre o que bom e o que é ruim, é porque nossa alma já se encontra totalmente corrompida pela relativização da verdade, da beleza e da bondade, colocando qualquer delírio humano no patamar da mais excelsa dignidade.

SER SAFO É COISA DE MANÉ - Por hábito, por maus hábitos, tornamo-nos maliciosos e, consequentemente, safos. Ou seja: acabamos ficando por cima da carne seca.

Entretanto, com o tempo, por força da comodidade gerada pela malandragem, nossos hábitos maliciosos tornam-se menos habilidosos e, inevitavelmente, alguém mais safo nos dá um migue.

Por isso, vale lembrar que os bons hábitos, por sua natureza, apenas se aprimoram na mesma medida que nos aperfeiçoam simplesmente porque não tem em vista um ganho fácil, mas sim uma realização durável.

Por essas e outras que querer ser safo, é coisa de Mané. Sacou?

APRENDER É PARA OS FORTES - Sejamos curtos e grossos: aprender, como nos ensina tanto o livro do Eclesiastes e o filósofo Friedrich Nietzsche, é uma atividade dolorosa.

Todo aquele que vive com aquela lengalenga de que aprender é uma coisa lúdica e prazerosa é porque nunca aprendeu, nem ensinou nada.

Aprender qualquer coisa dá trabalho. Muitas vezes é algo fatigante e, o pior de tudo, é que com frequência nos enganamos no intento de acertar.

Mas é assim mesmo, não se preocupe. Quem nunca caiu e se ralou é porque nunca tentou caminhar sozinho. E o mundo está cheio de gente que gosta de fazer pose de bom caminhante sem saber dar um passo firme. E, é claro, evite esse tipo de gente. Principalmente, não seja um deles.

É O QUE TEMOS - Ocupe-se. Ocupe seu tempo com atividades que o dignifique e que lhe proporcione ganhos humanos. Ocupe-se para não desperdiçar esse precioso dom, que é o tempo. Ocupe-se para não cair na fatigante roda do arrependimento pelo que não foi feito, dos constantes embaraços que geram tantas e tantas desculpas esfarrapadas para justificar o injustificável. Enfim, ganhe tempo usando o tempo que se tem.

FIAT LUX - Poderia falar muitas coisas a respeito das mais variadas manifestações de anti-teísmo militante que infectam os ares hodiernos. Poderia, mas estou sem disposição. É a velha preguiça me puxando pelos garrões.

No momento, contento-me apenas em citar as palavras de Herald Bloom, que nos diz: “a religião não é o ópio do povo, é a poesia da humanidade”. Entendeu? Se não, tente e, pode crer, algo de bom, belo e verdadeiro germinará em sua alma.

COM QUANTOS PAUS SE FAZ UMA CANOA - Laurentino Gomes, em coluna recente, lembra-nos de um óbvio ululante: a história é escrita a partir de documentos, não a partir de suposições.

Sim, os documentos limitam o que podemos afirmar sobre os fatos, porque, felizmente ou não, é o que nos restou deles. São os indícios que nos restaram duma realidade vivida e que, dentro de determinadas circunscrições, nos ajudam a reconstituir os dramas humanos pretéritos e a compreender seus ecos que ainda se fazem presentes.

Não respeitar essa fronteira inerente ao fazer historiográfico é uma clara demonstração de desamor pela História. Ignorar as limitações do campo a ser conhecido é desprezar o objeto que dizemos “querer” conhecer. E é justamente isso que muitos dos supostos amantes da Mestra da vida fazem. Muitos, inclusive, são supostos ensinadores dela.


domingo, 19 de abril de 2015

PROCURANDO INDEFINIÇÕES


Por Dartagnan da Silva Zanela


O QUE SERÁ? - Engraçado, tem gente que chama o twitter (e o facebook) de esgoto, mas vive nele. Nesse caso, fica a pergunta: sujeitos como esse são ratos ou cocozinhos? Um produto híbrido das duas coisas? "Bostatos"? Não sei e, pra falar a verdade, nem quero saber.

É DESSE JEITO - O governo ama tanto os pobres que os multiplica, cinicamente, e conserva-os pobres, bem pobres, ao ponto deles serem incapazes de reagir a esse quadro de humilhante dependência.

É DESSE JEITO (ii) - A justiça é cega, mas não é estúpida. Nós, cidadãos brasileiros, por nossa deixa, enxergamos. Apenas isso. Enxergamos sem reconhecer nossa estupides. Ponto.

É DESSE JEITO (iii) - Muitas vezes dizemos que os problemas de nosso país nos preocupam e, inclusive, fazemos aquela cada de indignados, mas, porque fazemos isso? Pra falar a verdade, não sei. Porém, uma coisa é certa: na maioria das vezes nos portamos assim por pura e simples vaidade. Raramente o fazemos por caridade.

É DESSE JEITO (iv) - Muitas vezes uma pequena e modesta frase tem muito mais a nos dizer do que um pretensioso livro, volumoso na quantia de palavras e carente de bondade e generosidade na intenção de sua publicação.

É DESSE JEITO (v) - Entregar-se à preguiça logo pela manhã é, literalmente, abandonar-se garbosamente a uma derrota espiritual. Sim, uma pequena derrota que, sorrateiramente, vai aplanando o caminho para outras derrotas maiores. Grandes derrotas que, lentamente, vão sendo construídas bem debaixo de nosso nariz com nosso leniente consentimento.

É DESSE JEITO (vi) – É justamente quando reconhecemos toda nossa impotência que podemos encontrar nossa real potencialidade. Quando nos libertamos de nossos delírios de onipotência tornamo-nos realmente uma força agente. Uma força limitada e diminuta, na maioria das vezes, mas uma força real que nos eleva e nos alforria de nossas fraquezas.

É DESSE JEITO (vii) – Uns, sob o pretexto de salvar a democracia, clamam por uma intervenção militar. Outros tantos, por tramar a implantação de uma ditadura marxista, dizem defender a democracia. Os primeiros, em muitos casos, não sabe o que dizem. Os segundos, em sua maioria, não sabem o que fazem, mesmo que imaginem saber.

É DESSE JEITO (viii) – É incrível como as pessoas que se auto-declaram críticas, muito críticas, adoram se vangloriar como sendo profundas conhecedoras da tal História. Dizem conhecer muito bem a dita cuja sem, no entanto, terem estudado um pouquinho que seja sobre ela. Na maioria das vezes, quase nada. Incrível, não é mesmo? Como tal milagre suíno é possível? Bem, das duas, uma: ou elas decoraram, direitinho, as palavras de ordem, e cacoetes marxistoides, que o "mestre" mandou, que lhe dão uma sensação narcótica de saberem tudo sem conhecerem nada, ou então receberam uma infusão dum espírito de porco que as ilude com uma pseudo-sapiência delirante e histérica. Pra falar a verdade, acho que devem ser as duas coisas juntas e bem misturadas. Somente isso pode dar conta de explicar tamanha ignorância presunçosa.

É BEM SIMPLES - Para aquela turminha que fica com aquele papinho de discurso de ódio pra cá, discurso de ódio pra lá, um manifestante, no dia 12 de abril, apresentou num cartaz uma resposta bem simples que até a dita turminha entende: não é ódio. É nojo. Entendeu? Não? Então você é um nojo mesmo.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

SOMOS COMO CEBOLAS

Por Dartagnan da Silva Zanela


            E POR QUE NÃO? - Da mesma forma que, certa feita, Ulisses Guimarães foi anticandidato a presidência da República, por não reconhecer como legítimo o processo eleitoral que levou o General Ernesto Geisel à presidência da República, hoje, mais do que nunca, toda pessoa minimamente decente deveria portar-se como um anti-cidadão para afrontar essa esbórnia geral que tanto deforma nossa república e enxovalha a nossa dignidade. Seguir caninamente pelo catecismo da cidadania vigente, respeitar essa a choldra ignóbil que se apossou de nossa vida (depre)cívica, é dar-lhe a honorabilidade que apenas é devida a majestade da democracia.

            UM VELHO E ATUAL CONSELHO Se você estiver em dúvida quanto ao que devemos obedecer, se a Lei de Deus ou as leis dos homens, pergunte-se apenas: qual delas não passará? Qual delas existe para nos guiar para a eternidade? Feito isso, faça a sua escolha. Escolha que refletirá o tesouro que seu coração ama verdadeiramente com todas as forças do teu ser.

            O PROFESSOR IGNORADO - Às vezes fico conjuminando cá com meus botões o que o Bruxo do Cosme Velho escreveria a respeito da sociedade brasileira de hoje, o que diria sobre essa cloaca pustulenta que se tornou nosso país. Com toda certeza seria tão cáustico quanto divertido e nos ajudaria, e muito, a vermos com mais clareza e leveza os dramas hoje vividos por todos nós. E, na falta dum novo Machado de Assis, deitemos nossas vistas nas obras do velho que tem muito a nos ensinar, mesmo que os néscios franzam o narizinho para disfarçar sua patética nulidade existencial.

            UM BOM COMEÇO - Para formar um indivíduo com autonomia fuja longe da anti-educação e dos contra-ensinamentos da pedagogia da autonomia. Para emancipar os oprimidos e torna-los independentes, livres dos caudilhos que parasitam as potestades estatais e que querem apenas cabresteá-los com favores e cartões esmolas, vare muito longe da pedagogia do oprimidoe de tudo mais que esses livretos representam.

            DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO Lembrar é viver! Assim diziam os antigos. Pois é, então lembremos: a mais de trinta anos, o então presidente Ernesto Geisel disse: "Se é a vontade do povo brasileiro eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade do Regime Militar. Pois muitos desses que lideram o fim do Regime não estão visando o bem do povo, mas sim seus próprios interesses." Ora, podemos discordar em praticamente de tudo o que esse homem disse e fez, porém, não temos como negar que essas palavras, a muito ditas, tem lá os seus ares proféticos.

            UMA CONTRA-IDEOLOGIA - Ser conservador, em matéria política, não é sinônimo de defesa do que é ultrapassado, muito menos de ser à favor de tudo o que representa o atraso, como querem fazer crer os néscios com duas mãos esquerdas.

            Ser conservador, nessa matéria, é defender alguns princípios perenes e cultivar uma atitude prudente frente a todas as novidades que a patuleia progressista tanto festeja de maneira tão descuidada.

            Por isso, uma atitude política conservadora não é uma ideologia a mais que pode ser apresentada no cenário nacional, mas sim, uma contra-ideologia, uma vacina para nos imunizar contra todos os modismos mentais que nos imbecilizam sob o falso augúrio duma hipotética emancipação humana. É isso. Ponto.

            IDEOLOGIA, POLÍTICA E MODISMOS - Para sabermos o quando os modismos intelectuais e políticos são ridículos basta que, como nos ensina São Josemaria Escrivá, olhemos algumas fotos antigas onde as pessoas trajavam a última moda de sua época. Não é que os modismos, com o tempo, tornam-se ultrapassados. Não mesmo. A verdade é que todo e qualquer modismo é, desde o princípio, algo fundamentalmente bufo. Ridículo. Principalmente os modismos intelectuais e políticos.

            RECALQUE PURO - Querer mudar o mundo, fazer a tal revolução disso e daquilo, é coisa de moleque mimado que só perdia nas disputas de bola-de-gude na hora do recreio. Aí o sujeito cresceu “traumatizado” e, sob o manto redentor duma hipotética e farsesca justiça social, quer ir à desforra, ferrando com tudo e com todos, como uma forma de compensação psicológica.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

PARA ENSURDECER

Por Dartagnan da Silva Zanela

SILENCIOSA GRAÇA – Devemos saber ceder no pouco para poder conviver civilizadamente no todo. É imprescindível saber conceder o benefício da dúvida a todos para poder contar com a confiança do outro. É fundamental aprender a desconfiar de nossas certezas para que o próximo não duvide de nossa integridade. É necessário afastar-se do alarido bestificante para no silêncio encontrarmos a confiança inabalável na bondade Daquele que nos deu tudo e que nós, de nossa parte, tão pouco cedemos a Ele e ao próximo. Muito pouco! Nem mesmo a piedosa graça do silêncio que, ao seu modo, revela a nossa deferência, ou indiferença, para com o outro, pois, quando o respeito impera, o silêncio fala e a egolatria cala. Experimente. Já quando o egocentrismo grita e gargalha, abrem-se as portas para a mais vil barbárie. Silencie e testemunhe.

É DESSE JEITO - Nossas palavras evocam, nossos gestos ecoam e juntos, palavras e gestos, dão testemunho daquilo que somos.

UMA QUESTÃO DE TRABALHO - O talento não é algo que cai dos céus. Na verdade, qualquer talento é, necessariamente, uma longa e paciente caminhada para a realização de algo que apenas nós podemos fazer. Resumindo: os talentos são semeados pelos céus e cultivados pelas virtudes, ou sufocados pelos vícios.

O GRANDE GARGALO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Vieira, nos ensina que não basta que as coisas que se digam sejam grandes, se quem as diz não o é. O crédito e a autoridade não emanam espontaneamente dum cargo ou duma posição. Não! Eles são auferidos às palavras e aos atos pelos autores dos ditos e feitos, não dos títulos que esses ostentam a frente de seus nomes. É nisso, e não noutra coisa, que reside toda a crise institucional que assola o nosso país de norte a sul.

BASTA QUERER - Os critérios utilizados por nós para julgarmos as miudezas do dia a dia são os elementos que dão sentido a nossa caminhada por esse vale de lágrimas que é a vida. O tamanho que atribuímos às pequenas querelas e dificuldades diárias equivalem à grandeza de nossa mesquinhez ou de nossa magnanimidade. Basta observar e, realmente, querer perceber esse óbvio ululante.

APENAS UM CAUSO - Certa feita, uma amiga havia me contado que seu avô fora professor numa comunidade agrícola duma cidadezinha do interior. Esse senhor era conhecido por falar muito pouco. Pouco mesmo. Aliás, quase não falava.

Passaram-se os anos e o velhinho pendurou a toga do magistério e, numa determinada ocasião, um parente fez graça com o homem, dizendo: “mas vô, o senhor, quando foi professor, conseguiu ensinar os seus alunos a falar?” No mesmo instante as gargalhadas foram fartas. Todos os presentes riram. Porém, o velhinho, silencioso e prudente, aguardou até o estardalhaço diminuir e então, só então, disse laconicamente: “Sim, aprenderam. Mas apenas o necessário”.

VERDADE ÓBVIA - Todo bom entendedor sabe que dependendo de quem venha um elogio esse pode ser um insulto ou uma declaração incriminatória.

E COMO - O pecado, como muito bem nos lembra o Padre Paulo Ricardo, emburrece. No mínimo, limita nossa capacidade de entendimento e compreensão. Porém, o orgulho do pecado, transformá-lo num projeto de vida, é eficazmente idiotizante.

UMA QUESTÃO DE INVERSÃO - Quando você transforma suas preferências carnais em sua identidade, quando você eleva ao patamar de ponto central da personalidade humana esse ou aquele gosto, literalmente, você está vendo a vida de maneira sinistramente invertida.

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terça-feira, 14 de abril de 2015

NÃO ME VENHA COM TRELELÉ

Por Dartagnan da Silva Zanela

TAPETE NÃO FALA - A oposição feita pelo PSDB ao governo é similar à contraposição do capacho à sola imunda dum velho sapato dum ignóbil senhorio.

BOBINHOS - Otimistas são tontos assustados. Tão assustados que tentam disfarçar seu medo com postiças esperanças. Pessimistas, por sua deixa, são tontos desesperados que tentam disfarçar a sua languidez com toda sorte de azedumes supostamente realistas. No fundo, ambos são bobinhos da mesma estirpe com polaridades contrárias. Ponto.

ISSO BASTA PRA ENTENDER - As humanidades, a grande literatura universal de maneira especial, existem para defender a grandeza humana de todos os tempos da mediocridade humana do tempo presente.

A CIDADANITE DE CADA DIA - Quando ouço alguém falar em cidadania não sei se começo a chorar, se dou uma escandalosa gargalhada, ou se simplesmente corro pra bem longe. É muita besteira presunçosa mal disfarçada com uma simplória palavra.

CRISTÃO LIGHT - Quer um resuminho da mentalidade do cristão moderninho, do assim chamado cristão light? É bem simples: é o cristão que desconhece os ensinamentos de Cristo, despreza os ensinamentos da Igreja de todos os tempos e que deseja transformar a sã doutrina Cristã numa simplória ideologia social que verse sobre algumas atitudes sociais politicamente-corretas. Ele quer ser bonzinho com tudo por temor do que o mundo fala delezinho, mesmo que isso signifique negar o Cristo bem mais de três vezes.

É DESSE JEITO - Somente as almas medíocres amam aconselhar. Os notáveis mostram como se faz.

É POR AÍ MESMO - Ensina-nos o Padre Vieira que dos inimigos que mais devemos temer, em primeiro lugar estão a soberba e a ingratidão. Vícios que nos fazem imaginarmo-nos maiores do que realmente somos, nos dando uma imagem muito menor daqueles aos quais somos devedores e, desse modo, agiganta-se as nossas fraquezas e debilita-se as qualidades que poderiam nos elevar em dignidade e verdade.

UMA QUESTÃO DE MEDIDA - O silêncio nem sempre é a melhor resposta e o grito, por sua deixa, muitas vezes não é a menos apropriada.

ORAR, LUTAR E ESTUDAR - Qualquer reação contra um projeto político organizado, com planos de médio e longo prazo, somente tornar-se-á eficaz quando os indivíduos que o combatem procurarem conhecer a estratégia de médio e longo prazo desse projeto para saber claramente quais são as finalidades que se intenta realizar através do dito cujo e como se pretende chegar a isso.

Sem esse trabalho, silencioso e soturno, toda e qualquer organização que vise enfrentar tal monstrengo irá malograr.

Sim, combater sem recuar, no momento, é uma atitude necessária; porém, aprender com o inimigo, em meio ao combate, como fez Catão em sua luta contra Aníbal Barca, é urgente.

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

PARA NÃO SER CANASTRÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela


ESTUDANDO – Todos nós sabemos muitas coisas. Muitas. Porém, raríssimas vezes procuramos organizar essas nossas quinquilharias em nosso porão mental. Simplesmente recebemos as informações e as jogamos lá dentro e que lá fiquem. Não é à toa que nos sentimos um tanto que aturdidos quando somos indagamos sobre o que sabemos, pois, a bagunça é tamanha que fica difícil encontrar algo.

Por isso estudar nada mais é que colocar ordem nessa edícula cerebrina. Para tanto é indispensável que tenhamos um guia (uma lista de temas ou de questões simples e diretas) para fazermos um check-list gnosiológico. Listar o que devemos saber e como o devemos. Eis aí um bom e criterioso começo.

Além da lista, é de fundamental importância que tenhamos uma disciplina vontade para organizar essa bagunça epistêmica. Sem isso, meu amigo, não há Cristo que resolva nosso problema, nem lista que dê conta da zoeira, porque onde a desídia viceja é a balburdia e a ignorância voluntária que imperam; não o conhecimento.

Resolva-se isso, com decisão e prontidão, e tudo o mais será possível, inclusive e principalmente ampliar nosso entendimento.

PRA REMEDIAR - Estudar ao invés de palpitar levianamente não lhe garante boas respostas, na ponta da língua, para todas as perguntas que lhe são apresentadas. Entretanto, lhe permite ter um bom critério para reconhecer com facilidade e tristeza que a maioria dos palpiteiros não passam de evacuadores verbais que, sem a menor cerimônia ou pudor, revelam a todos os dejetos mentais que abunda em suas cucas.

PARA ALÉM DA VISÃO - Tatear pelo mundo, às vezes, é a melhor forma para compreendê-lo. Às vezes, fechar os olhos para as imagens do mundo midiático é o caminho mais eficiente para compreendermos tanto os sortilégios da grande mídia quanto o mundo criado, e o ocultado, por ela.

TEIMOSIA POUCA É BOBAGEM - Aquelas pancadas doloridas que a vida nos dá são, frequentemente, gestos de pura e cristalina misericórdia para com nossas confusas almas. Almas tão confusas que, na maioria das ocasiões em que isso ocorre, não compreendemos o tamanho do generoso regalo que Deus está nos ofertando. Chegamos, inclusive, ao ponto de recusar o presente redentor que está sendo gentilmente entregue em nossas mãos por pura arrogância vaidosa.

Eita bichinho teimoso esse tal de ser humano.

DIRETO AO PONTO (i) - A liberdade é um dom que se conquista, e reconquista-se, todo santo dia com a consciência em vigilante prontidão e de mãos dadas com uma espartana disciplina da vontade. O resto é colóquio flácido de coitadismo indisfarçado.

DIRETO AO PONTO (ii) - Eita bicho teimoso esse tal de ser humano! Insiste, sem parar ou cansar, em querer conquistar uma pequena parte do mundo, como se essa fosse todo o mundo, ao custo da perdição perpétua de sua alma. E a perde, tolamente, em nome duma conquista ínfima, duvidosa e instável, que nada é diante da grandeza da imortalidade de nossa existência eviterna. Tamanha é nossa cega vaidade.


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segunda-feira, 6 de abril de 2015

PALAVRAS PRA QUE TE QUERO

Por Dartagnan da Silva Zanela

É ISSO - Ele, o Cristo, é o caminho, a verdade e a vida. E você, é o que? Ele, o Verbo divino encarnado, ofereceu-Se em sacrifício por todos nós. E você, tem prova maior de amor a nos oferecer?

É SIMPLES ASSIM - Onde a descrença grassa, viceja a desgraça.

SILÊNCIO NOSSO DE CADA DIA - O homem moderno foge do silêncio a todo custo. Em toda ocasião, em qualquer momento que seja, procuramos o conforto que nos é oferecido pelo alarido hodierno. Ora pelas multidões, ora pelas mídias, seja qual for o subterfúgio, pouco importando as dimensões dum ou doutro, ambos, cada qual ao seu modo, nos aliciam a fugirmos de nós mesmos e, consequentemente, a fazermos ouvidos loucos para os conselhos que nos são sussurrados por nossa consciência, o arauto de Deus que habita nosso íntimo.

Não é por menos que o mundo moderno seja tão agitado. Do mesmo modo, não é à toa que nos neguemos tão facilmente ao silencioso recolhimento em nós mesmos. 

E estando todo imerso nessa confusa multitude de ruídos, podemos até afirmar que cremos em Deus, porém, sem estar crendo a Ele. Noutras ocasiões, podemos até dizer cremos a Deus, sem, necessariamente, estar crendo em Deus, tamanha é a nossa dificuldade de silenciarmos e compreendermos que é apenas Nele que somos, existimos e vivemos verdadeiramente, da mesma forma que grande é nossa vaidade que nos faz imaginar que somos algo independente Dele. Enfim, tal tolice facilmente seria sanada com uma boa dose dum generoso e contemplativo silêncio. Silêncio esse que não queremos nem saber de ouvir.

MAIS UM CONSELHO DO FILÓSOFO – Em 29 de janeiro de 2014 o filósofo Olavo de Carvalho disse, através duma publicação no facebook, o seguinte: “Fórmula infalível. Antes de julgar quem quer que seja, sobretudo negativamente, certifique-se de que você já se tornou, de maneira mais ou menos estável e geral, alguém BONDOSO, VALENTE, HUMILDE e CAPAZ. Exija de si essas qualidades básicas e, quando as alcançar -- porque ninguém tem as quatro de nascença --, seus julgamentos sobre os demais seres humanos serão razoavelmente justos, na medida do possível. Até chegar lá, contenha seu impulso de julgar. Praticamente todos os males do mundo vêm de que as pessoas exigem mais dos outros que de si mesmas”. Estando ciente disso, não diga, de jeito algum, faço minhas essas palavras. Não mesmo. Diga apenas: de agora em diante, faço minha essa atitude. Que tal? Pode ser?

UMA QUESTÃO DE TEMPERAMENTO - Não sou idealista. Na verdade, abomino esse cinismo travestido de hipocrisia. No fundo, não passo dum realista esperançoso. Só isso. O resto é bobagem.

DIMINUTA PORÇÃO - Não sou um homem muito afeito aos bate-bocas que, em nossa cambaleante sociedade, convencionou-se chamar pela elegante alcunha de “debates”. Não mesmo. Prefiro fiar meu passo pelo silêncio dos estudos para guiar-me em meio a esse oceano de murmurações rancorosas que banha a alma nacional. Fazer o contrário parece-me apenas mais uma bobagem vaidosa. Mais uma entre tantas.

A PARTE QUE ME CABE - Sei quem sou na ordem do dia e aceito estoicamente o pouco peso que minhas palavras têm. Certas ou erradas, minhas palavras nada movem a não ser minha carcaça e olhe lá.

Nessas condições, dissimular grandeza é posar de ridículo achando bonito o figurino de papelão e é por essa e outras razões que me privo dessa frivolidade contentando-me com o status de caipira escrevinhante. Isso já está de bom tamanho. Bom mesmo.

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sexta-feira, 3 de abril de 2015

LOUCO É QUEM ME DIZ...

Por Dartagnan da Silva Zanela

DE DELFOS À CÁTEDRA PETRINA - Quando procuramos sinceramente conhecer Deus, quando nos dispomos francamente a nos conhecer é justamente aí que começamos a cultivar, de fato e inevitavelmente, a virtude da humildade.

Dum modo geral, por soberba e vaidade, temos uma medida diminuta de Deus e uma expectativa superestimada de nós mesmos. Em muitos casos, sem percebermos, colocamos nossos pífios juízos (ou a falta deles) acima dos decretados pelo Altíssimo e achamos isso a coisa mais normal do mundo.

Muitas vezes chegamos ao ponto de imaginarmo-nos como sendo mais bondosos que Ele ousando, inclusive, a sugerir correções a Sua obra. Pra falar a verdade, raramente nos ocorre que deveríamos nos empenhar em corrigirmo-nos à luz Dele, tamanha é nossa vaidosa soberba quanto falsa é a imagem que temos de nós mesmos e de Deus, esse ilustre desconhecido que fingimos amar sem querer, de fato, conhece-lo. Quem o diga obedecê-lo e respeitá-lo.

MAL ESTAR SOCIETÁRIO - Eleições, a muito em nosso país, segundo João Ubaldo Ribeiro, era algo assim: o sujeito ia lá, até a urna, tapava o nariz e votava. Pois é, era assim, mas, ao que tudo indica, o povo após os últimos pleitos está passando mal e, em vista disso, não para mais de enjoar-se e de vomitar frente à pestilenta carniça que tomou conta dos brasílicos ares. Por isso, penso eu, está mais do que na hora de desinfetar o corpo político de nossa sociedade e de lavar a nossa (depre)cívica alma. Do jeito que está não dá mais. É muita porquice numa época só.

NÃO SE DÁ, NEM SE COMPRA - Um conselho curto e grosso que nos é ofertado por Thomas Mann: “Pensai como homens de ação, atuai como homens pensantes”. Luminosas palavras, sem sombra de dúvida, porém, aqui no Brasil, os conselhos não são vistos como coisas boas, porque se o fossem, não eram dados. Não é assim que todos falam? Logo, se fiamos nosso passo neste rastro, deixemos quieto e continuemos a pensar como homens de inação e a atuarmos feito uma massa estulta e ululante.

TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS - Apesar de todo neo-paganismo propagandeado e macetado através dos mais diversos meios, ardis e artimanhas sombrias, o coração do povo ainda encontra-se aberto para receber o Rei dos reis com suas dolorosas chagas para imperar em suas vidas. O que falta, muitas vezes, é a presença de vassalos que não temam anuncia-Lo e que não queiram bajular esse mundo vil que não mede esforços para tentar expulsá-Lo de nossas vistas e, principalmente, de nossas vidas.

UM GESTO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Antônio Vieira, nos ensina que nós somos o que fazemos. O que não fazemos não existe. O que deixamos de fazer deixa de existir. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos sem existir. Indo direto ao ponto, somos verdadeiramente Cristãos apenas nos dias em que lembramos que devemos servi-Lo. Quando nada fazemos do que devemos fazer, apenas nos colocamos soberbamente presentes diante Dele sem sermos alguém verdadeiramente. Sem sermos aquilo que deveríamos fazer.

OUTRO GESTO - Sejamos tão generosos em nossas orações quando somos dadivosos para com nosso lazer e diversão. Procuremos ser pródigos em nossas práticas piedosas quando somos abundantes na procura pela realização profissional e material. Ponto.

É POR VOCÊ - Somente um tolo presunçoso é capaz de escarnecer a dolorosa paixão de Nosso Senhor.

Somente um tosco que pensa que o universo todo foi criado para que o seu umbigo fosse o centro da criação é capaz de imaginar que seu amor próprio é mais excelso que o amoroso gesto do Verbo divino por nós.

Somente um estulto de pedra diz que entende a razão de tudo menos a paixão de Cristo. Estulto e leviano ao ponto de nunca ter meditado devidamente sobre a razão da existência dramática de um Deus que faz tudo por criaturas ingratas como eu e você.

Enfim, se você nunca tentou entender isso, na real, você nunca entendeu nada.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

CONSELHOS FURADOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

AMANTES VULGARES - Uma frase dita com frequência pelos pretensos conhecedores da História e, principalmente, pelos supostos amantes dessa distinta dama: “Por que ficar estudando as sociedades greco-romana e medieval? Isso é uma perda de tempo quando poderíamos estar estudando algo mais atual do que essas coisas que não tem nada haver conosco hoje, com o nosso dia a dia”.

Essa frase, na real, é um claro sinal de estultice, uma cristalina demonstração duma sabedoria histórica postiça parida por sujeitinhos de minguado quilate. Não apenas isso. Uma clara confissão de má intenção.

Explico-me: Quando um sujeito diz que nós não devemos conhecer os fundamentos da experiência civilizacional, desconsiderando o valor de toda experiência humana que fora acumulada no correr de milênios, ele está declarando, discretamente, o seu total desamor não apenas pela história, mas por tudo que dignifica o ser humano.

No fundo, o que ele quer mesmo é convencê-lo da posição política que considera como sua, mas que, devido a sua superficialidade histórica inconfessa, é ele que a ela pertence feito uma marionete que apenas repete as palavras que seu ventrículo oculto sussurra em seus ouvidos. E o faz de maneira tal que o bonecão imagina estar agindo por conta própria. Tadinho. Tão bobinho quando presunçoso. Tão curto no entendimento quanto profundo em seu discernimento histórico.

PRA ESTUDAR HISTÓRIA – Outro comentário recorrente vindo da parte daqueles que dizem amar a tal da História é que, muitas vezes, a dita cuja apenas apresenta figurões que, segundo eles, apenas representam a classe dominante e que, por isso, os mancebos das classes menos abastadas, acabariam não se identificando com eles por não pertencerem à mesma classe social (há livros didáticos com essa consideração logo no início).

É obvio que as figuras que ganham destaque nas páginas da História são selecionadas e que essa seleção é feita no intento de atender a determinados critérios que, dum modo geral, refere-se a importância das ações desencadeadas por Fulano ou Sicrano. Importância essa que deve ser mensurada pelo efeito das ações que são desencadeadas ou simbolizadas neste ou naquele indivíduo. Podemos até discordar, desaprovar e repudiar as ações de muitas figuras que ganham o seu lugar nas laudas da mestra da vida, todavia, não temos como não reconhecer o impacto que as escolhas e decisões desses tiveram sobre a vida de milhares (às vezes de milhões).

Mais que isso! Há aqueles cujo efeito de suas ações se prolongam através dos séculos. E há outros que simplesmente são figuras de tamanha magnificência que nos inspiram a imitá-los e a querer aprender a ser digno, prestativo e bom com os feitos e desfeitos de sua vida a muito vivida.

Quando defrontamo-nos com essas figuras, em especial quando estamos diante dos últimos, dum modo geral, não estamos preocupados se eles eram reis, sacerdotes, escravos, operários ou guerreiros. Nada disso. O que importa é que essas figuras nos inspiram uma sincera admiração e um profundo respeito. Enfim, reverenciamos certas figuras não por elas em si, mas sim, pelas virtudes que elas encarnam.

É por essa razão que tanto Júlio César e bem como Spartacus e Epicteto ocupam seus merecidos lugares na história. Um general, um gladiador e um filósofo-escravo, homens que, cada qual ao seu modo, abalaram o mundo. Homens que nos ensinam a sermos maiores que nossas penúrias e problemas circunstanciais e o fazem não por serem oriundos dessa ou daquela “classe social”, mas sim, por serem quem eles são.

Enfim, somente pessoas destituídas de qualidade humana não compreendem isso.

O CAMINHO SUAVE PARA A VERDADE – O Papa Emérito Bento XVI, na sua homilia proferida em Havana no dia 28 de março de 2012, falou aos presentes, e a todos aqueles que tiverem ouvidos para ouvir, algumas considerações a respeito da vocação natural do ser humano para a procura pela Verdade, que é o caminho que todos nós estamos naturalmente inclinados para verdadeiramente vivermos, mas que, infelizmente, os três grandes inimigos de nossa alma tentam, através de todos os meios, nos afastar.

Diz-nos ele que: “[...] a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (Jo XVIII, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer”.

E como lavamos nossas mãos! Negamos diariamente as verdades mais elementares para que estejamos sempre em paz com os ditames do mundo. Não queremos ser rotulados pelos outros como chatos, atrasados ou retrógrados, porém, não paramos nem por um instante para considerarmos a verdade sobre nossa alma que está sendo apresentada por nós à Deus com esse nosso descuidado gesto.

E não apenas isso. Bento XVI, na mesma homilia ainda nos lembra que: “[...] há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na ‘sua verdade’ e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: ‘Crucifica-o!’ (Jo XIX, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios”.

Enfim, a ânsia pela verdade não pode ser calada em nosso coração, porém, diante da má inclinação de nossa sociedade, muitos acabam substituindo-a pelas mais elegantes mentiras que, ao final das contas, obscurecem a nossa razão, empalidecem a nossa fé cambaleante e aviltam a dignidade humana que foi em nós semeada por Deus.

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