PALAVRAS DESOSSADAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

[i] Muitas vezes perguntam-me o que penso a respeito do Espiritismo. Muitas mesmo. Quando indagado sobre o assunto, invariavelmente recomendo a leitura do livro “O erro espírita” da autoria de René Guénon. O melhor livro sobre o assunto, na minha insignificante opinião.

Mas, em resumidas contas, o que ele nos diz a respeito do assunto? O fenômeno central no espiritismo é um fato, porém, explicado e interpretado de maneira equivocada.

Vejamos: um médium recebe uma entidade e comunica-se com os vivos. Nesse processo, o sujeito fica inconsciente enquanto a entidade apossa-se, momentaneamente, de seu corpo para parlar. Esse, em grossos traços, é o fenômeno, mas o que é isso? Aí é que entra a interpretação e/ou explicação do fenômeno. É justamente nesse ponto que a porca torce o rabo.

Pode ser a tal mediunidade, como também pode ser  sonambulismo, hipnose, magnetização, mentalização, indução ao estado de transe, dupla ou múltipla personalidade, possessão demoníaca ou, simplesmente, fingimento. Independente do que seja, não é algo simples e inofensivo, gostemos ou não disso.

Doravante, qualquer uma explicações para o fenômeno é plausível e, por isso, deveriam ser averiguadas é necessariamente sofrer uma avaliação imparcial. Porém, dum modo geral, muitos optam pela primeira.

Outra coisa: Guénon adverte-nos, entre outras coisas, que a mediunidade (fenômeno) é mais perigoso que sortilégios e magia. Nesse caso, o sujeito procura se proteger das forças que está manipulando (supostamente ou não), no outro, encontra-se inconsciente.

Enfim, se esse é um assunto que lhe inquieta, recomendo vivamente a leitura desse livro: O erro espírita, de René Guénon. É isso. Ponto.

[ii] Uma vontade enfraquecida pela carência de autodisciplina leva, necessariamente, a uma personalidade fragmentária, incapacitando o sujeito de realizar qualquer ação duradoura. Nesses casos, a palavra perseverança não é apenas uma ilustre desconhecida. É uma impossibilidade efetiva.

[iii] Em regra, na sociedade moderna, quando se fala em amor, quando evoca-se sua primazia dele nas relações humanas, isso é feito de maneira leviana e indevida.

Hoje, quando fala-se no tal do amor, na verdade, como nos ensina São Josemaria Escrivá, confunde-se ele com todo e qualquer impulso para autossatisfação, com todo e qualquer impulso para contemplar e satisfazer de modo egoísta a nossa própria personalidade (ou o trem fuçado que ocupa nossa alma a ausência dela).

Resumindo: o que hoje é nominado pela alcunha de amor não é o sacrifício gracioso pelo amado, mas sim, a reles satisfação egolátrica dos nossos prazeres como se isso fosse o centro da vida. Como se isso fosse a finalidade última de nossa existência.

[iv] Tudo que tem uma finalidade digna tem minha simpatia e, em alguns casos, minha adesão. Tudo que não uma tenha finalidade clara, de mim apenas conquista meu indecoroso desprezo. Agora, qualquer coisa que objetiva realizar qualquer propósito escuso, encontrará em mim um irascível inimigo.

[v] O filósofo Olavo de Carvalho nos ensina, já faz muito, que o único abrigo da verdade e da espiritualidade é a consciência individual. Essa é a nossa única trincheira para nos abrigarmos e nos defendermos dos assédios das ideologias alienantes e das multidões idiotizantes. 

[vi] Apreciamos algumas coisas por consideramos boas e desprezamos outras tantas por julgarmos que sejam ruins, porém, agimos assim levando em consideração apenas sua aparência, volúvel e momentânea, ou os fins últimos a que esse algo se destina? Verdade seja dita: a aparência de qualquer coisa muito nos revela, porém, algo é, fundamentalmente, bom ou ruim, pelos fins a que se propõem realizar, pouco importando a aparência que tenha.

Site: http://dartagnanzanela.k6.com.br/

Comentários