ILUSTRAR-SE PARA ILUSTRAR

Por Dartagnan da Silva Zanela

UM DADO CABAL - A história nos ensina que ela raramente é consultada quando é excessivamente citada como fonte inconteste de autoridade. Ela mesma demonstra que somente idiotas que nem mesmo completam, e nem mesmo pretendem completar, a sua educação doméstica agem assim.

CANJA DE GALINHA – Até algumas primaveras atrás, existia um negócio que as famílias sentiam-se obrigadas a dar para os seus. Esse trem era a tal educação doméstica que consistia simplesmente no ensino das mais elementares normas de boas maneiras, de convívio nos mais diversos tipos de ambientes para se cultivar o bom trato com todos, sejam nossos iguais ou não.

Bem, ao que tudo indica, muitas famílias abdicaram da transmissão desse simplório saber. Ou seriam as crianças, jovens e adultos que abandonaram o seu uso? Não sei dizer.

Mas uma coisa é certa: muitas pessoas, mas muitas mesmo, não sabem estar em um lugar sem colocar-se como o centro de todas as atenções. Seja numa sala, biblioteca, mercado, ônibus, calçada, shopping, pouco importa, lá vemos indivíduos agindo sem a menor consideração com aqueles que partilham o mesmo espaço, como se tudo existisse para elas disporem como bem entenderem.

Quando aos outros, esses seriam apenas, em sua imaginação egolátrica, objetos que adornam o ambiente, não carecendo ter por eles um mínimo de respeito humano que seja. Tanto é assim que, se elas são lembradas das mais elementares normas de convívio, rapidamente reagem de forma bestial, indignadas, ou com chacotas, por terem sido ofendidas em sua majestade umbilical.

É triste. Sei disso. Mas, infelizmente, é verdade. Uma triste realidade.

BINGO - A sensatez carece de limites razoáveis e claros para existir e avaliar-se. A estupidez também, porém, não para respeitá-los e mensurar as néscias ações e seus possíveis efeitos, mas sim, para escarnecer deles, dos limites, ao mesmo tempo em que o parvo enaltece a si próprio em sua boçalidade.

VANITAS - São Josemaria Escrivá nos lembra, vivamente, que nunca devemos ter medo de dizer a verdade. Nunca. Porém, o mesmo adverte-nos que não podemos esquecer que, em muitas ocasiões, é melhor calar por caridade para com o próximo.

Pois bem, mas em que medida nós realmente procuramos conhecer a verdade? Em que medida o amor à verdade nos move a procurá-la? Em que proporção é o amor ao próximo que nos leva a comunicar ou calar algo? Hum? Oh! Vaidade das vaidades! Como pode ser tudo tão porcamente maculado pela vaidade.

DOIS PESOS - Algumas pessoas ficam indignadas com a mera ventilação da possibilidade de termos a presença da Sagrada Escritura numa escola pública por ferir, no entendimento delas, a tal laicidade da referida instituição.

Sim, o Estado é laico, as sociedades não o são. Doutra parte, por ser laico, o Estado deve representar os valores cultivados pela sociedade, não impor os valores que são quistos por um e outro grupelho politicamente organizado que atue junto às potestades estatais. Essa segunda atitude, pra bom entendedor, não é democrática, mas sim, uma impostura totalitária mal disfarçada.

De mais a mais, é curiosa a estranheza que se manifesta frente à possível transmissão duma ínfima parte do legado Judaico-cristão ao mesmo tempo em que se silencia diante da ostensiva doutrinação marxista, materialista e niilista que se faz através das mesmas instituições ditas laicas.

E há décadas temos isso envenenando nosso sistema educacional. Entra Chico, sai Francisco, o discurso único marxista permanece (des)norteando a educação brasileira e poucos são os que ousam combater esse óbvio ululante. Pouquíssimos. Mas quando o assunto é a possível leitura da Bíblia aqui ou acolá, sobram valentes de ocasião, sejam eles piolhos de Marx ou não.

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