APENAS UMA ANÁLISE DESCONJUNTADA

Por Dartagnan da Silva Zanela


[i] A densidade da alma deve estar à altura da intensidade do papel social que o indivíduo tem por intento realizar. Quando não há essa correlação de grandezas a mediocridade se impõe.

[ii] Não é preciso muito esforço para indignar-se, hoje, em nosso país. Não mesmo. Porém, vale lembrar que a mera indignação não sinaliza para a resolução da situação que nos leva a estarmos nesse estado. Ela é apenas o gatilho para uma série de ações e reações que podem vir de todas as direções e com os mais variados sentidos e tons.

Mais importante que a combustão cívica gerada é cultivar, urgentemente, uma clara compreensão do cenário atual, saber quais são os meios efetivos de ação que temos em mãos, quais podem ser efetivados e, principalmente, conhecer muito bem o que deve ser combatido e com quais meios. Saber quais são os mais eficazes.

Claro que não são poucos que consideram isso irrelevante. Sei disso. Porém, somente tolos entram numa luta política sem um prévio planejamento estratégico calcado numa sólida análise de conjuntura e numa aguda visão do horizonte de contingência. É isso. Apenas isso. Nada mais do que isso.

[iii] Uma das coisas mais danosas para inteligência humana são as rodinhas de botequim onde, após algumas ampolas de cerveja, os especialistas em todo e qualquer assunto manifestam-se. Eles batem a mão no peito, na mesa, elevam o tom da voz e capricham na pose, como se estivessem a discursar num parlamento.

Nesse ambiente, o que sobra em afetação, boçalidade e ignorância sobre os assuntos discutidos, falta em sinceridade, haja vista que a atenção exigida para o que se fala é infinitamente maior do que a atenção que é dada por todos os falantes ao assunto que é objeto da falação.

Resumindo: ambientes como esse são perfeitos para almas levianas, amantes de opiniões vazias, porém, impróprios para aqueles que, sinceramente, querem realmente conhecer algo e que não estão nem um pouco dispostos a desperdiçar o seu tempo.

[iv] Muitas vezes, quando adentramos um ambiente de convívio comum, um espaço público, defrontamo-nos com pessoas que portam-se como animais. Algumas vezes de maneira pior.

Trocando por dorso: infelizmente, com uma frequência maior que a desejada, somos obrigados pela força das circunstâncias a conviver com pessoas desprovidas dos rudimentos elementares duma razoável educação doméstica.

Paciência. Fazer o que? Não se pode exigir de outrem o que nunca lhe fora oferecido. Não é possível exigir, de pronto, uma postura contraria a que lhe fora transmitida em seu berço. Por isso, em princípio, se estivermos atolados numa situação similar a essa, sejamos pacientes para com essas confusas e conflitantes almas, tão carentes de atenção, quando de substância humana.

[v] Não sou revoltado, nem revolucionário, nem reacionário, nem libertário, não nenhuma dessas patacoadas dessas. Sou apenas eu mesmo em minha soturna luta diária para absorver as circunstância em que me encontro. Sou apenas uma alma a procura de salvação. Sou apenas eu mesmo lutando para não ser destruído pelas circunstâncias que lavoram para assaltar minha alma e desfibrar meu caráter.

[vi] Não se melhora nada defendendo, de maneira irascível e histérica, privilégios corporativistas, sejam eles custosos ou não ao erário.

Somente é possível melhorar alguma coisa quando instaura-se critérios meritocráticos para realização de ações com finalidades concretas estabelecidas para serem realizadas em curto e médio prazo.

E isso. Ponto. O resto é conversa fiada de baderneiro inconfesso fazendo posse de cidadão.

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