A ESBORNIA É GERAL

Por Dartagnan da Silva Zanela

CRONOS - Eu não sei se são os bons morrem cedo, ou se os maus vivem demasiadamente. Ao que me parece, os bons não vivem tanto quando gostaríamos que vivessem e os maus, por sua deixa, duram muito mais do que desejamos e ambos, bons e maus, vivem tanto quanto Deus permite. E é claro que nós não aceitamos e nem fazemos questão de compreender os desígnios Celestes, não é mesmo? Fazer o que? Rezar seria um bom começo. Ter fé, um destemido passo.

O PROBLEMA É OUTRO – Os maus resultados apresentados pelo nosso sistema educacional não serão resolvidos com o uso de livros didáticos, apostilas, textos e imagens de sites. Muito menos com pilhas e pilhas de fotocópias de páginas de livros didáticos, apostilhas e sites. Não é nada disso. Quem deposita uma fé cega, ou alimenta uma propaganda maliciosa, entorno disso, com o perdão da palavra: nunca educou ninguém, possivelmente não terminou a sua própria e, talvez, por essas e outras razões, não nutre uma sincera preocupação com esse borogodó que é o ato de educar e educar-se. O nosso problema é de outra ordem e é tão óbvio quando complexo e, por isso mesmo, poucos querem encará-lo de frente. É mais tranquilo fingir que está preocupado fazendo algo que nós sabemos que não irá resolver nada, mas que, dará a impressão de estarmos bem intencionados.

A MOTIVAÇÃO CERTA - Monteiro Lobato, numa carta ao seu amigo Godofredo Rangel, dizia que ele estava escrevendo para um jornaleco que, até onde sabia, possuía pouquíssimos leitores e, seus artigos, um número menor ainda. Isso o deixou um tanto triste. Aliás, quem não ficaria? Porém, certa feita, caminhando sem rumo, um modesto senhor o abordou e disse-lhe que apenas comprava o mísero jornaleco por causa de seus artigos. Ao ouvir essa confissão, o taturana disse a seu amigo Rangel que daquele dia em diante, desistiu da covarde ideia de abandonar a parva coluna do simplório jornal. Daquele momento em diante, ele decidiu que continuaria indefinidamente escrevendo para o pobre veículo de impressa, porém, não por causa do público que recorria a esse, mas apenas e unicamente, por causa do modesto senhor que foi tão bondoso e gentil com ele e que tanta atenção dedicava às suas palavras impressas. Enfim, resumindo a lição aprendida com o pestanudo: quem escreve para multidões são monstros que se afogam em sua própria vaidade. Escritores não. Eles escrevem com o coração na mão, pessoalmente, construindo pontes e mais pontes entre a vista de sua alma, seus leitores e a realidade que está entre eles, presente através das palavras.

A LAMBANÇA INDISFARÇÁVEL - Todos nós, em alguma medida, tendemos à acomodação. O “x” da questão, penso eu, é quanto ao objeto de nossa tendência. Em que nos acomodamos? Essa é a pergunta. E é bem aí que a porca torce o rabo e a lambança acontece.

O CAMINHO - Seja suave e constante como o vento. Paciente como ele que tudo derrota, inclusive a rocha, passo a passo, lentamente. Seja perseverante como as águas, sereno como elas, que perseveram contra a rocha e serenamente a derrubam do alto de sua soberba.

PALAVRAS GRANDES E PEQUENAS - Procurar clareza no uso das palavras, eis aí algo que realmente angustia todo aquele que meditou, por um minuto que seja, sobre o significado, importância e peso de cada uma das expressões que frequentemente utiliza-se nas conversações cotidianas porque, por traz de cada palavra empregada por nós há um mundo, uma história sedimentada em cada traço, em cada curva.

Mesmo que as utilizemos, mesmo que as leiamos de maneira leviana, esse patrimônio lá se encontra, presente, em cada evocação que fazemos dos vocábulos. E sejamos francos: não avaliamos apropriadamente o peso das palavras pela mesma razão que não ponderamos sobre o que percebemos com ou sem elas. Relativizamos tudo em nome de nossa absoluta vaidade, em nome da crença tola de que somos nós que ordenamos a realidade com nossas desordenadas palavras.

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