DIÁRIO DE CLASSE – parte VI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Ensina-nos Santo Ambrósio que “a instituição do poder deriva tão bem de Deus, que aquele que o exerce é ele mesmo ministro de Deus”. Porém, de maneira insensata, muitos homens públicos recusam-se a reconhecer a origem de seu poder. Soberbamente creem que excelência do cargo que ocupam funda-se unicamente na malícia com que eles manipulam a temperamento do povo, cujos interesses eles fingem representar.

De mais a mais, todos nós, um dia, teremos que nos explicar perante o tribunal celestial e aqueles que muito receberam, muito terão de explicar, principalmente se tiverem colocado a sua mesquinha vontade acima da Vontade Daquele que colocou nos seus ombros o fardo do mando que vilmente, em nosso país, é convertido no fausto do desmando.

Enfim, por essas e outras que a Sagrada Escritura nos ensina que o princípio da sabedoria é o temor de Deus. Tais palavras não são uma forma de ameaça. Não mesmo. Elas são um conselho para que fiemos nossos atos de acordo com as reais dimensões da realidade, para não confundirmos, jamais, os desígnios de Deus com as ilusões advindas de nossa visão limitada e turvada pela nossa vaidade.

[ii] Quando perguntam se somos favorável a isso ou aquilo, se tomamos posição em prol desse ou daquele outro, podemos responder: deixa de frescura. Se insistir, podemos dizer: Hulk esmaga!

Fuleragens à parte, vejamos uma coisa: pouco importa se somos ou não à favor da gripe, por exemplo. Ela simplesmente existe e é um problema que deve ser enfrentado sem chiliques histéricos. Nossa posição sobre ela, não infrói, nem contribói na cura. O que importa é saber claramente qual é o problema real a ser enfrentado e qual o tratamento mais eficaz.

Por isso, querer tomar, prioritariamente, uma posição em relação a algo não contribui muito no entendimento e, muito menos, na resolução de qualquer problema e o sujeito que muito insiste nisso quer apenas fazer pose de bonzinho e nada mais. Enfim, frescura de principiante excessivamente intoxicado com patacoadas ideológicas.

[iii] Vejam só como são as coisas: até pouco tempo circulavam pelas redes sociais piadinhas do tipo: “quem é o autor de Vidas Secas? Graciliano Ramos? Não bobão! É Geraldo Alckmin”.

O ano eleitoreiro passou e constatou-se que outros Estados com o Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão sofrendo com falta d'água, porém, com uma pequena diferença em relação a São Paulo: somente agora, após as eleições, passou-se a falar de maneira responsável sobre o problema. Feito gente grande.

Diante disso, fico cá com meus botões, pensando: será que os engraçadinhos estultamente ideologizados irão fazer piadinhas também com a desventura hídrica mineira e fluminense? Provavelmente não. E não farão porque a inteligência desses sujeitos funciona tal qual o seu senso de humor: de maneira deficitária e sem finalidade razoável alguma que seja maior que a sua mesquinha e estultamente cegueira ideológica.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

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