DIÁRIO DE CLASSE – parte V

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Nesses últimos dias, alguns legisladores federais manifestaram contrários ao pacote de maldades do governo Richa no Paraná, declarando, em uma só voz, que eles estão ao lado do povo paranaense.

Tal manifestação é bem vinda, não há dúvidas. Entretanto, a casa legislativa que lhes abriga é o Congresso Nacional e não a Assembleia Legislativa Estadual. Levando isso em consideração, creio que seria de bom alvitre que os legisladores que manifestaram-se ardorosamente em defesa do povo que o façam, com a mesma paixão, no Congresso Nacional, contra o pacote de maldades do governo Dilma que também nos afetam barbaridade.

Enfim, se os distintos legisladores paranaenses que estão a nos representar no Planalto Central, na esfera federal, mantiverem-se calados, como estão, diante dos mandos e desmandos do governo petista, os cidadãos paranaenses dificilmente irão levar a sério suas bravatas contra a (des)governança tucana estadual e, muito menos, a declaração de apoio ao povo dessa terra adornada com pinheirais.

[ii] O Brasil, hoje, sofre nas garras dos rebentos nascidos do casamento corrupto do totalitarismo marxista com o fisiologismo patrimonialista.

[iii] Um bom caráter é formado pela combinação equilibrada e apropriada dum determinado conjunto de virtudes para a realização duma vocação. Dependendo da vocação que o indivíduo for realizar, é imprescindível que determinadas virtudes se destaquem para que as obras realizadas sejam realmente dignas, relevantes e benevolentes.

Quando penso na vocação política, há duas virtudes que devem estar profundamente enraizadas na alma do sujeito: a coragem e a magnanimidade. Sem elas a vocação política não realiza-se em sua plenitude e, desse modo, inevitavelmente, os gestos do indivíduo que se propõem a realizá-la, sem a devida diadema virtuosa, acabam ficando mancas, raiando a fronteira da indignidade.

Sobre esse problema, há um belíssimo e substancial livro da lavra do senhor Johan F. Kennedy, intitulado “Política e Coragem”, onde o ex-presidente dos Estados Unidos teceu uma profícua meditação sobre a realização dessa vocação. Livro esse que todos os políticos brasileiros deveriam ler e, desse modo, refletirem sobre a forma como estão realizando-a ou, simplesmente, pervertendo-a.

[iv] Quando determinados legisladores se reúnem para organizar uma comissão, dando as costas para o povo, é porque alguém irá se lambuzar na orçamentária começão.

[v] Ensina-nos Sun Tzu que, muitas vezes, é melhor preservarmos nossos inimigos intactos que destruí-los. Numa luta, seja ela no campo de batalha, ou numa arena política, a vitória numérica não se sustenta por si só. Para legitimá-la é necessário um elemento moral, que dê magnificência para a ação. Sem esse elemento, a vitória num combate pode facilmente ser vista como uma carnificina e uma conquista política, seja em uma eleição ou numa votação numa casa legislativa qualquer, pode converter-se num claro sinal de abuso de autoridade. Trocando por miúdos: nem sempre destruir o inimigo, mesmo tendo os meios para tanto, é a ação estratégica mais eficaz. Muitas vezes, essa acaba se convertendo numa pífia vitória de Pirro. As vezes, nem nisso. Enfim, não nos basta ter os meios de ação em mãos para conquistar uma posição vantajosa no tabuleiro do poder. É de fundamental importância saber usá-los e compreender que, muitas vezes, os efeitos das ações são mais significativos que a ação em si.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

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