DIÁRIO DE CLASSE – parte IV

Por Dartagnan da Silva Zanela

- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - -

[i] A inteligência é uma poderosa faculdade humana, porém, limitada e falível, tal qual nossa decaída natureza. Quanto a cretinice, essa é uma tendência constante, praticamente irresistível, que parasita a nossa alma e que incansavelmente insiste em ultrapassar os limites impostos pelos umbrais da razoabilidade.

[ii] A dignidade humana não encontra-se no clamor delirante da defesa dos nossos desejos, sejam eles carnais ou materiais. Na verdade, o apego excessivo aos gritos da carne e aos delírios mundanos apenas nos agrilhoam a mais vil bestialidade. De mais a mais, num quadro emoldurado desse modo, acaba-se colocando os apetites no centro da realidade e esses, por sua natureza, são insaciáveis, gerando apenas mais e mais insatisfação numa crescente onda auto-destrutiva.

Tal entrevero ocorre porque coloca-se os quereres mais rasteiros no lugar de Deus, idolatrando a realização material, as fantasias sexuais, resumindo: festeja-se a nossa irremediável egolatria, direito difuso e confuso número um da atualidade.

Porém, quando descobrimo-nos amado por Deus, compreendemos que a dignidade humana é transcendente, por definição. O problema reside em saber se realmente aceitamos que Deus nos ame e se, de fato, amamos mais a Deus que os nossos fugazes desejos.

Para o homem moderno, os ensinamentos da Igreja sempre estão equivocados e atrasados e ele, enebriado com sua soberba e vaidade, crê estar sempre certo, apesar de estae frequentemente com a alma confusa e atribulada pela falta dum sentido profundo em sua mísera vida.

[iii] O homem moderno, presunçoso e afogado em sua vaidade que verte com fartura de sua egolatria incurável, vive sua vida como se o sentido pleno da existência fosse resumido na aquisição de bens materiais (de qualquer ordem) e na satisfação de todos os apetites carnais, considerando tudo isso algo tão modernoso quanto chique.

Vivendo assim, invariavelmente, essas alminhas sentem-se incomodadas com os ensinamentos perenes da Igreja e acreditam que o Sumo Pontífice deveria atualizar os ensinamentos de Cristo para que esses se adaptem aos tempos modernos. Sobre isso, por hora, podemos destacar três pontos que, talvez, nunca tenham ocorrido no coraçãozinho moderninho dessas alminhas.

Primeiro: o papel do Papa não é o de um reformador doutrinal ou dum político populista que sobe ao trono para mudar tudo. Pelo contrário. Seu dever é o de preservar o patrimônio moral e espiritual da Igreja, defender a Igreja de todos os tempos contra os ataques, tentações e sedições do tempo presente.

Segundo: a Igreja não é uma instituição que deve moldar-se aos ditames volúveis do mundo. Se assim procedesse, provavelmente ela nem mais existiria. De mais a mais, a função primeira do Corpo Místico de Cristo não é adaptar-se a nossa vontade, mas sim, ser um instrumento da salvação das almas, da nossa alma, para que seja feita, em nossas vidas, a vontade Dele, não a nossa.

Por fim, se nos sentimos muito, mas muito contrariados com os ensinamentos da Igreja, devemos nos perguntar: o quanto realmente conhecemos os ensinos que nos são transmitidos pela Tradição, pelo Magistério e pela Sagrada Escritura? O que consideramos ensinamento da Igreja foi por nós conhecido das fontes citadas anteriormente ou de menções superficiais e tendenciosas advindas da grande mídia e tutti quanti? Por fim, nós temos maior amor pela Verdade revelada por Cristo ou por nossas volúveis opiniões? Pior! Cremos que nossas opiniões são mais acertadas e justas que a Verdade que nos foi revelada? É isso? Pois é, depois o maluco sou eu.

[iv] Muitas vezes, quem muito se faz de coitadinho, carece muito mais de uma repreensão que duma consolação.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

Comentários