CONTE NOS DEDOS PRA NÃO ERRAR

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Os pacotes de maldades estão vindo de todos os lados. As notícias não são, de modo algum, alvissareiras  para a sociedade brasileira. Todos sabemos disso. Agora, enfim, todos estão sabendo.

Diante desse quadro, pra ser sincero, o que me chama a atenção, não são os fatos, mas sim, as reações que estão sendo emitidas em todas as claves e tons, cada uma à sua maneira, com suas razões, porém, praticamente todas, entoadas a partir duma pergunta pouco apropriada para a ocasião.

Tem-se a clara impressão de que a primeira pergunta que se faz, diante das maldades anunciadas é: “como isso vai me atingir?” Pergunta essa que muitas vezes pode nos levar a conjecturas absurdamente delirantes. O medo faz isso. Não que essa pergunta não deva estar presente, não mesmo. Entretanto, a primeira que deveríamos levantar é: como é que isso chegou a esse ponto? Qual é a real situação de nosso país? Infelizmente ou não, o tempo pode e deve ser utilizado nesse tipo de atividade: tentar entender para melhor agir.

Bem, dum jeito ou doutro, após essas perguntinhas, devidamente ponderadas e investigadas sem paixões pessoais, grupais ou ideológicas, podemos, ainda, perguntar: como é que eu não havia visto isso antes? Porque bem provavelmente estávamos muitíssimo mais preocupados conosco mesmo do que em compreender o que está acontecendo. Pode-se dizer que quando agimos assim, portamo-nos de modo similar a uma das partes duma briga entre marido e mulher: cheios de razão, mas sem uma visão clara da situação.

Por fim, como nós, cidadãos comuns, somos desprovidos de meios que possam efetivar uma decisão que equacione os males que assolam nosso país, o que nos resta, nesse primeiro momento, é nos esforçar para compreender razoavelmente a atual situação de nosso país para, ao menos, não sermos arrastados feito objetos inermes por essa turbulência que hoje se abate sobre o Brasil e que, ao que tudo indica, irá demorar muito, muito mesmo, pra passar. E muito disso, infelizmente, deve-se a nossa indisposição para querer compreender o que ocorre em nossa nação, contrabalançada por nossa colossal pressa pra livrar o nosso lado, pouco importando o quanto isso custará ao país.

[ii] Não existe essa de populismo barato. Todo populismo custa caro e é sempre pago com o sacrifício daqueles que os caudilhos populistas dizem estar defendendo.

[iii] Chega ser engraçado ver e ouvir as pessoas falarem a respeito da importância da educação, que ela é isso, que é aquilo e blablablá.

Detalhe: não me refiro aqui aos biltres investidos de poder. Não mesmo. A imagem que me ocorre, nesse momento,  é a de pessoas anônimas, como eu e você, que sempre numa e noutra roda de conversa fiada acabam dando um jeitinho de encaixar uma fala a respeito da importância da tal educação e afirmam que o tal do professor deveria ser o profissional mais valorizado da nação. Que lindo...

Pois é, mas tal fala não passa dum flatus vocis tão artificial e desprovido de sinceridade quando os discursos daqueles que estão no poder (e, é claro, também da fala daqueles que desejam tê-lo).

Falar em favor disso ou daquilo qualquer um faz, haja vista que falar pelos cotovelos nada nos custa. Porém, se fosse pedido aos defensores casuais da educação uma doação espontânea para um e outro professor, ou para uma e outra instituição de ensino, como uma forma de reconhecimento,  mesmo que modesta, da importância dos educadores, mais do que depressa todo aquele trololó furado murcharia e revelaria a verdadeira face do falador e a real importância que é dada pelo sujeito a esse trem fuçado chamado educação e bem como aos caboclos que tem suas mãos esbranquiçadas de giz.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

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