COM QUANTOS NERVOS SE FAZ UM ESTADISTA

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Há quem diga, por liberalidade de suas luzes, ou por puro espírito propagandístico, que os pacotes de maldades anunciados pelos subalternos imediatos do governo do senhor Richa e pelos serviçais de primeira escalão da senhora Rousseff, seriam um sinal indelével de que ambos, cada qual no seu quadrado, seriam estadistas de primeira grandeza.

Quem deseja crer nisso, sinta-se a vontade. Quem sou eu para questionar as crendices de alguém? De minha parte, tenho lá as minhas. Todavia, vale lembrar que, sim, estadistas de grande envergadura, muitas vezes viram-se obrigados a tomar medidas impopulares em curto prazo para o bem da sociedade em longo prazo, porém, nenhum chefe de Estado diligente sacrificou os cidadãos, ludibriando-os com o objetivo de simplesmente garantir uma vitória eleitoral, fazendo-os cair numa ingrata arapuca. Aliás, uma visão de tamanha estreiteza, como a dos governantes citados, está a léguas de distância do que se espera dum estadista.

Um Estadista jamais realizaria uma campanha eleitoral mitômana. Jamais praticaria um estelionato eleitoreiro para garantir a sua permanência num cargo que não pode, e nem deve, ser colocado acima dos interesses da sociedade.

E não apenas isso. Um governante responsável e corajoso não fica esquivando-se da impressa livre sem dar uma clara e satisfatória explicação ao povo. De modo algum se esconderia atrás de seus secretários ou ministros para não ter de explicar que o seu discurso de campanha não passava duma fantasia psicodélica de ocasião.

Se ambos, Beto e Dilma, fossem Estadista de distinta cepa, teriam feito, em horário nobre, logo no início de sua segunda governança, um claro comunicado a população e tratariam os cidadãos como pessoas maduras e responsáveis. Apresentariam a real situação das  finanças, os acerto e erros cometidos por sua gestão, explicariam as medidas que seriam adotadas e, acima de tudo, desculpar-se-iam pelos malfeitos na campanha eleitoral.

Mas eles não fizeram isso e nem estão dando sinais de que pretendem agir dessa maneira. Aliás, já é tarde pra isso. O fiasco foi dado. Ambos deixaram para seus subalternos imediatos a espinhosa tarefa de entregar os pacotes, com a ressalva de não  reconhecer o óbvio ululante: que as palavras e imagens apresentadas em campanha foram, e estão sendo, sistematicamente desmitificadas pela crua realidade até então negada e/ou ocultada.

Detalhe: ambos dizem que isso não está acontecendo. Trocando por miúdos: continuam a desrespeitar a inteligência das pessoas. E assim procedem porque, definitivamente, agem como políticos profissionais, preocupando-se apenas com a manutenção do poder em suas mãos, e não como estadistas, que forjam seus atos pensando no bem comum e no futuro da sociedade. Tanto um quanto o outro estão a léguas de distancia de agir com magnanimidade.

Enfim, as notícias não param de chegar até nós e todas elas apenas confirmam o óbvio ululante que fora, certa feita, apontado por Humberto de Campos: No Brasil, os políticos são tal qual nossa fauna: não há gigantes. Por isso, para a infelicidade geral da nação, carecemos tanto de estadistas ao mesmo tempo em que abundam os políticos profissionais devidamente fantasiados com toda ordem de marketismo. Dum jeito ou doutro, a história um dia irá julgar os atos desses indivíduos investidos de autoridade e sentencia-los-á com a pena mortal de revelar a verdadeira face de sua (des)governança.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

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