sábado, 28 de fevereiro de 2015

SEM TROPICAR NAS PEDRAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

[i] Todos, de vez em quando, contra a vontade, são feitos de trouxa. Porém, somente os militontos, de corpo e alma, são trouxas voluntários.

[ii] Comunas de todas as colorações, entendam uma coisa, sem fazer beicinho ou comiseração: a sociedade está padecendo com a mobilização dos caminhoneiros, sim, mas está com eles nesta luta poque todos nós estamos padecendo juntos com os mandos e desmandos daqueles que estão enlameando e desmantelando a nação em nome dum totalitário projeto de poder que, desde de sua concepção, está fadado ao fracasso e, goste-se ou não disso, eles estão arrastando toda a sociedade brasileira junto com eles e seus delírios vermelhos para o fétido pântano da cubanização.

[iii] Muitas pessoas, com justa indignação (ou não), chamam, muitas vezes, os simpatizantes do comuno-petismo de jumentos. Pô! Isso é sacanagem da brava. Uma desnecessária falta de respeito. O que os pobres moares tem haver com os entreveros brasílicos?

Pois é, e tem outro ponto neste conto: como todos sabemos, os burrinhos simbolizam a humildade. Eles carregaram o Verbo Divino em sua triunfal entrada na cidade de Jerusalém. Já os comuno-petistas idolatram Dilma, Lula, Maduro, Fidel, Che e tutti quanti.

Os simpatizantes e militantes do comuno-petismo, ao contrário dos bichinhos citados, em sua maioria, verte soberba e orgulho indisfarçável pelos seus olhos, tornando a analogia com o pobre animal algo inapropriado, pois acaba falseando a realidade de nossa maculada república que hoje, mais do que nunca, vê-se atormentada por uma grande multitude de pessoas que sofrem dessa terrível miopia ideológica que está arrastando o país numa longa e interminável marcha para o brejo.

Em tempo, e sem delongas, se alguém interessar-se pelo burrifico tema, há um maravilhoso livro da lavra do embaixador J. O. de Meira Penna intitulado “O elogio do Burro", o qual recomendo vivamente.

Enfim, deixemos os bichinhos em paz. Os pobres burrinhos não podem ser responsabilizados pelos nossos teimosos erros humanos. Demasiadamente humanos.

[iv] Ouvi, faz pouco, a entrevista concedida pelo senhor Ivar Schmidt ao programa Vide Versus da Rádio Vox a respeito da mobilização dos caminhoneiros, sobre a forma truculenta e autoritária que o governo comuno-petista vem tratando-os e, naturalmente, sobre o fortíssimo apoio que a sociedade brasileira vem lhes dando nesta luta pela defesa da Republica da Terra de Vera Cruz.

Recomendo, vivamente, a audiência da referida entrevista, porém, gostaria de destacar dois pontos ditos pelo entrevistado que, pessoalmente, considero emblemáticos.

Primeiro: que eles não são representados por nenhum sindicado, associação ou federação. Que essas entidades representam os interesses do governo comuno-petista e não da categoria que essas organizações dizem representar. Ora, uma verdade cristalina como um claro dia de verão: a CUT, e seus asseclas, é o braço sindical do PT. Todos sabem disso, mas nem todos tem a coragem de reconhecer o óbvio ululante.

Segundo: próximo ao final da entrevista, o senhor  Ivar Schmidt pediu a toda a população desculpas pelos transtornos gerados. Ele pediu perdão se, porventura, alguma pessoa estiver passando necessidade por causa da luta dos caminhoneiros, mas eles não podem recuar.

Ora, diante das inúmeras mostras de covardia que esse desgoverno vem nos mostrando, eis que uma pessoa, um humilde e anônimo trabalhador, ensinou a todas as lideranças o que significa dignidade e, principalmente, estão dando mostras do que é um coração valente de fato.

[v] O governo brasileiro, digo, o governo comuno-petista que encontra-se à frente da república de Vera Cruz (Brasil), acha linda a ditadura bolivariana que está a esfolar o povo da Venezuela, considera exemplar a ditadura Castro-comunista que flagela o povo cubado, reconhece os narco-guerrilheiros das FARC como um movimento político legítimo que a décadas apenas espalha terror ao povo colombiano e cocaína em nossas ruas, solidariza-se com inúmeras ditaduras sanguinárias que espoliam o sofrido povo da África, porém, ao que tudo indica, esse governo supostamente democrático, não considera, nem reconhece como legítimo as súplicas e, nem de longe, se solidariza com o povo que ele diz representar, mas que, de maneira indisfarçável, recusa-lhe a respeitabilidade elementar que lhe é devida.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Olavo de Carvalho - Comentários sobre a literatura no Brasil

DIÁRIO DE CLASSE – parte X

Por Dartagnan da Silva Zanela


[i] É comum ouvirmos um e outro sujeito afirmar que a verdade não existe, que tudo é relativo, que todo ponto de vista não passa da vista dum ponto. Pois bem, mas o que há entre um e outro ponto? A realidade e, consequentemente, a verdade, que não pertence nem a um, nem a outro e que, aliás, independe da existência de ambos.

É claro que sempre há aqueles que dirão, para legitimar a relatividade de tudo, que é impossível captar a totalidade da realidade e, por isso, tudo seria relativo. Não mesmo. O fato de nós não sermos capazes que captar a totalidade do real sinaliza apenas que nossa capacidade de captá-lo é limitada e relativa, não que ele o seja.

Enfim, concluir que a verdade é relativa simplesmente porque não somos capazes de chamá-la de nossa, em sua inteireza, é o mesmo que acreditarmos que Jennifer Lopez é relativamente bela só porque não podemos furtar-lhe um beijo. Seja como for, tanto nesse caso ou frente as observações feitas anteriormente, o melhor seria revermos nosso relativo ponto de vista que negar o óbvio ululante: que a verdade é absolutamente maior que nossa relativa capacidade e vontade de conhecê-la.

[ii] Se um sujeito insistir muito, mas muito mesmo, em dizer que a verdade não existe, ou que ela é relativa, faça o seguinte: dê-lhe um bom pé no ouvido. Isso mesmo! E o faça por pura caridade. Se ele olhar pra você com os olhos vertendo sangue de raiva e lhe perguntar porque você bateu nele, responda, com angelical candura, o seguinte: bater? Eu não lhe bati não. Isso foi apenas um carinhoso afago. Isso mesmo! Conforme você disse, se tudo é relativo, meu safanão brucutu, no seu ponto de vista, no meu não passa dum afetuoso carinho.

[iii] É de fundamental importância que compreendamos que antes de falarmos ou realizarmos algo, é necessário que nos preparemos devotamente para tanto. Um grande profissional do esporte não nasce da noite pro dia, por exemplo. Ele pode até ter, e muitas vezes o tem, um talento inato para o borogodó, porém, se esse talento não for devidamente lapidado, definha, morrendo sem ao menos quebrar a casca.

O mesmo vale para todos os jovens que estão atracados em seus estudos. Esse é um momento de preparação, de recolhimento para, num futuro não muito distante, mostrar a todos ao que veio.

Por essas e outras que o embaixador J. O. de Meira Penna, em seu livro “O Brasil na idade da razão”, dizia que ele confiava muito mais nos jovens que mantem-se silenciosos, preparando-se para servir à sociedade, do que naquela multidão barulhenta que acredita que com sua impostura [depre]cívica estaria, entre uma borracheira e outra, construindo um mundo melhor.

[iv] Uma sociedade razoavelmente melhor se constrói com sacrifício e trabalho, não com gritos histéricos e beicinhos de militontos amestrados em resposta aos apelos de seu adestrador mor.

[v] Qual é o significado duma derrota? Qual é a importância duma determinada vitória? Essas duas perguntas são fundamentais, desde que se tenha um projeto de poder para ser realizado em médio e longo prazo. No correr de sua execução, as estratégias mudam, conforme a avaliação da conjuntura, para a realização da finalidade almejada. Porém, caso tal plano inexista, tais perguntas não fazem muito sentido.

[vi] Estrategistas traçam suas ações com vistas a realização dum objetivo. As estratégias e ações, com o correr do tempo podem até metamorfosear-se da água para o vinho; o intento final não. Oportunistas de ocasião, por sua deixa, são incapazes de compreender e reagir aos planos dum grupo político que sabe o que deseja, haja vista que eles não conseguem pensar para além das mesquinharias correntes que levam, no máximo, a uma virtual vitória numa eleição.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte IX

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Verdade seja dita: dialogar é preciso. Dialogar, não jogar conversa fiada pra boi dormir. Capcioso detalhe: o pior é que nem sempre o bicho dorme.

Trololós à, sobre esse ponto, o tal do dialogar, o filósofo judeu Martim Buber era categórico chamando nossa atenção para o que o mesmo denominava como sendo um diálogo dialógico e um diálogo monológico.

O primeiro seria simplesmente uma conversa franca e transparente entre um EU e um TU. Um diálogo onde ocorre uma abertura do sujeito cognoscente para a realidade, para o ser. Ou seja: da realidade duma pessoa para o ser doutra, ou do ser dum indivíduo para a realidade de Deus, ou dum sujeito consigo mesmo.

No segundo, tal não ocorre. Entre o EU e o TU edifica-se um obstáculo, ou uma série deles, que impede que o sujeito tenha uma clara visão do seu interlocutor, seja ele uma outra pessoa, Deus, ou ele mesmo. Trocando por miúdos: por mais loquaz que seja o figurão ele não tem, como diremos, um interlocutor real, mas sim, apenas um boneco, um espantalho, com quem ele supostamente troca umas figurinhas.

Obviamente, se formos fazer uma avaliação qualitativa de nossos diálogos, tristemente concluiremos que a maioria encontra-se na clave monológica e raríssimos na dialógica. As razões que nos levam a tal situação não são poucas, porém, todas elas podem ser resumidas, em grossos traços, a uma só: a falta de sinceridade. Falta de sinceridade para conosco mesmo, para com o próximo e, consequentemente, para com Deus.

[ii] Com relativa frequência, batemos no peito para defender algo que convencionamos chamar de “nossas opiniões” que, na maioria das vezes, são tão nossas quanto a PETROBRAS.

Na verdade, a maioria inconteste desse palavrório todo que repetimos indevidamente não passa dum estranho que nos habita, que assimilamos levianamente aqui e acolá e que repetimos com a mesma falta de solenidade.

Para não ficarmos assim, divagando, há um exercício mui simples que podemos realizar para sabermos se o que dizemos é realmente algo que nos pertence. Vamos ao exercício: pense a respeito dum tema polêmico e, na sequência, reflita sobre o que você sabe a respeito do mesmo. Feito isso, levante três perguntinhas: (i) De onde tirei essas ideias? Qual é a fonte e de qual natureza ela é? (ii) Através de quem tive acesso a essas informações? (iii) Por fim, quando tive acesso a tudo isso?

Pois é, se não conseguimos fazer esse simplório mapeamento de nossas, tão nossas, opiniões, está mais do que na hora de pararmos com essa pose de sabidão de meia pataca e começarmos a cultivar melhor nossos estudos para que possamos, quem sabe, chamar algum conhecimento de nosso.

[iii] Opinar sobre todo e qualquer assunto é um vício cognitivo caipora e, como todo e qualquer vício, esse também acaba trazendo sérios danos a nossa inteligência.

Primeiro dano (e fiquemos, por hora, apenas nele): se acreditamos que estamos aptos a falar, com relativa autoridade, sobre todo e qualquer assunto sem ter estudado nada com razoável profundidade, dificilmente nos sentiremos impelidos a conhecer qualquer coisa duma forma apropriada.

Se, por um longo tempo, às vezes até por toda uma vida, insistirmos em manter uma pose afetada de especialista sem nunca ter realmente se dedicado ao estudo de nada, nem mesmo prestado a devida atenção nas palavras que não para de sair de nossa boca, é bem possível que progridamos, em marcha acelerada, rumo ao processo contínuo de bestialização voluntário que, gostemos ou não, aprofundará, como nunca se viu antes nesse país, nossa confusão interior e a impropriedade de nosso pretenso conhecimento.

[iv] A forma como utilizamos uma palavra diz muito a respeito de nós mesmos, do amor que temos pela procura da verdade ou da forma como idolatramos o nosso ego que insiste em deformar a realidade de acordo com a nossa confusa vontade.

Um bom exemplo encontra-se no uso da palavra amor. No confuso e disforme uso que se dá a dita palavra.

Para boa parte dos indivíduos da sociedade modernosa qualquer forma de comichão, toda e qualquer espécie de friozinho na barriga é sinônimo de amor, sem variação alguma de substância.

O Papa Emérito Bento XVI, ciente desse estado de coisas, dedicou a sua primeira Encíclica, DEUS CARITAS EST, a tão urgente e espinhoso tema. Carta essa que bem provavelmente foi “tolerantemente” desprezada pela turmada que gosta de falar no tal do amor, mas que, deveria ser amorosamente lida por todos, especialmente por eles.

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sábado, 21 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Discutir, trocar umas ideias, é bom? Nem sempre. Tudo depende da intenção que nos motiva a entrar numa discussão e com quem iremos realizar o brique.

Se você for uma pessoa razoavelmente séria, e se seu contendor também for, com toda certeza, a proza será bem proveitosa para ambas as partes. Se ambos querem conhecer, partilhar o que sabem, e estão mergulhados nesse intento com uma profunda sinceridade, bons frutos poderão ser colhidos.

Entretanto, como ocorre na maioria dos casos, se um dos interlocutores for um embromador de carteirinha que apenas está preocupado com a sua pose postiça de sabido, abandone de imediato porque, sinceramente, será apenas uma perda de tempo a mais em sua vida.

Enfim, não caia nessa esparrela de discutir por esporte. Esse negócio de querer discutir tudo, o tempo todo, com qualquer um não passa dum impulso vaidoso boboca que apenas emburrece. Detalhe: com o tempo, não haverá trejeitos de sabidão afetado que disfarcem a decadência adquirida com essa prática vil. Ponto.

[ii] Há uma passagem do Evangelho segundo São Matheus que nos diz que o coração de um homem encontra-se onde está o seu tesouro. Essas pias palavras nos apresentam uma singular pedra de toque para compreendermos a nossa degradadamente condição humana, para refletirmos sobre o caráter que dá forma a nossa personalidade.

Em resumidas contas, a passagem bíblica sugere a cada um de nós para que atinemos nosso entendimento para o seguinte: um amante inveterado de prazeres momentâneos dificilmente compreenderá a seriedade dos compromissos cívicos que todo ser humano adulto deve assumir para com os seus iguais e desiguais, para com sua pátria e para com Deus.

Seguindo por essa vereda, compreende-se porque um indivíduo que presa demasiadamente pela sua integridade física dificilmente compreenderá o destemor dum  Sócrates, que recusa-se a negar a procura abnegada pela sabedoria em favor da preservação de sua vida, nem a coragem dum Simón Bolívar em sua luta idealista, nem mesmo a pujança que movia aventureiros como Vasco da Gama que enfrentaram as fronteiras do desconhecido, presentes nos bravios mares. 

Enfim, apenas compreende-se e admira-se os tesouros que cabem na largueza, ou estreiteza, de nosso coração.

[iii] O Papa Francisco, recentemente, numa de suas mensagens aos fiéis, e a todos aqueles que estiverem disposto a ouvi-lo, disse: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores”.

Sentir se culpado é uma das grandes dádivas que nos foram dadas pelos céus. Reconhecer-se maculado pelo pecado é admitir as acusações auferidas pela nossa consciência, onde o olhar de Deus nos lembra de nossa pequenez, apesar de, muitas vezes, crermos tolamente que somos criatura impolutas e autossuficientes.

Uma pessoa que não se sente culpada, que almeja um dia viver sem culpa alguma, não mais é um ser humano. É apenas uma besta vulgar que imagina que tudo o que há em seu entorno existe para sua satisfação.

Por isso, repitamos com o Santo Padre: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores” para, deste modo, elevarmo-nos em espírito e verdade e realizarmos dignamente nossa humanidade, porque sem arrependimento não há conversão.

[iv] Errar é humano. Todo mundo sabe disso. Também todos sabem que errar e negar-se a reconhecer a responsabilidade pelos seus atos é criancice da brava. Agora, errar, errar e errar, não assumir a culpa pelos malfeitos e ainda colocar na conta dos outros é canalhice sem cura.

[v] Um dia o Governo cai,/ esparramando-se todo pelo chão,/ aí pacutia gritará ai, ai ai ai,/ para o regozijo geral da nação.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

[vídeo] Olavo de Carvalho e seus "debatedores" científicos

DIÁRIO DE CLASSE – parte VII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Cansei-me das palavras que não se cansam de  ficar circulando aqui e acolá, porque os atos que transitam pelos mesmos caminhos já me disseram tudo o que eu preciso saber.

[ii] Não são necessárias palavras para reconhecermos um canalha e sabermos se ele está mentindo ou não. Basta apenas que observemos atentamente o olhar do biltre, ou a maneira como o mesmo esquiva-o, para que ele nos conte tudo o que precisamos saber sobre o seu caráter sem que, necessariamente, ele abra a boca para dizer uma única mentira.

[iii] Dizer que está na luta soa bonito. Dá aquele ar de destemor estilo Clint Eastwood. Bacana mesmo, porém, toda a belezura descamba quando associa-se a dita luta com a figura dum psicopata como o Che Guevara, pois, das duas uma: ou você é um estúpido facilmente influenciável sendo utilizado como massa de manobra por aqueles que idolatram esse monstro, ou você é um desses idólatras. Infelizmente, não há meio termo.

[iv] Militonto é uma criaturinha engraçada mesmo. Os fulanos odeiam visceralmente tudo o que os seus coleguinhas (e 'mestres') dizem que deve ser odiado e, por odiarem com fidelidade as suas ilusões ideológicas, e com uma obediência canina aos seus pares que incansavelmente repetem a mesma patacoada ideológica, eles acreditam piamente que sabem tudo, tudinho, a respeito de seus 'adversários'.

Por isso, torna-se compreensível porque eles são tão obtusos. Ora, quando recomenda-se a esses indivíduos desindividualizados que, para eles saberem algo sobre esse ou aquele autor, ou sobre certos problemas, eles deveria ler determinados livros, os caiporas, rapidamente, dizem: “eu não preciso ler essas coisas pra saber que ele é um direitista, neoliberal, reacionário, retrógrado, preconceituoso, conservador e o caramba à quatro”. E falam isso com aquela empáfia pseudointelectual que chega azedar o cheque do leite.

Pois é, cabeça de militonto é assim mesmo, não importa a idade: imaginam que odiar quem o mestre e o amiguinhos mandam seja sinônimo de conhecer. De conhecimento crítico. Não é à toa que o Brasil está do jeito que está.

[v] Quer saber duma coisa: que cada um defenda a causa que bem entender. A manifestação da vontade é da responsabilidade de cada um. O juízo de consciência também. Porém, lembre-se: nunca, nunca mesmo, coloque suas convicções políticas e ideológicas acima da verdade porque isso, queira ou não, é estupidez pura e simples. E o é não porque estou dizendo. São as consequências dessa inversão que não se cansam de dizer, mesmo que nos recusemos a ouvi-las e, principalmente, a reconhecê-las como fruto de nossas escolhas.

[vi] Uma fala recorrente em todos os corredores e cantos, vielas e becos, é a de que vivemos atarantados, sem tempo pra nada, que estamos sendo sufocados, sádica e lentamente, pela sociedade hodierna. Que triste. Tudo culpa do sistema.

Pois é, pode até ser, porém, se assim vivemos é, em boa parte, porque desperdiçamos o nosso tempo com futilidades sem valor. E como desperdiçamos.

Calma! Não entremos em pânico que eu já me explico. Vamos supor que viveremos até os oitenta anos de idade (considerando a possível margem de erro). Bem, dos vinte aos oitenta teremos 530.000 horas de vida. Até nos aposentarmos teremos trabalhado, aproximadamente, de setenta a oitenta mil horas (mais ou menos mil e setecentas, duas mil horas por ano). Vamos supor que nós necessitemos de dez horas por dia para dormirmos e cuidarmos daquelas coisinhas básicas. Desse modo, teremos utilizado nisso algo em torno de duzentas e trinta mil horas e, no frigir dos ovos, ainda nos sobram duzentas e trinta mil horas ociosas que, inevitavelmente, são gastas em algo, mas em que?

Detalhe: dos oito anos de idade até os vinte nós tivemos ao nosso dispor cento e cinco mil horas. E essas horas, cara pálida, foram bem ou mal vividas?

Enfim, hoje, mais do que em qualquer outra época, tempo é questão de gosto, gostemos ou não de ouvir isso.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte VI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Ensina-nos Santo Ambrósio que “a instituição do poder deriva tão bem de Deus, que aquele que o exerce é ele mesmo ministro de Deus”. Porém, de maneira insensata, muitos homens públicos recusam-se a reconhecer a origem de seu poder. Soberbamente creem que excelência do cargo que ocupam funda-se unicamente na malícia com que eles manipulam a temperamento do povo, cujos interesses eles fingem representar.

De mais a mais, todos nós, um dia, teremos que nos explicar perante o tribunal celestial e aqueles que muito receberam, muito terão de explicar, principalmente se tiverem colocado a sua mesquinha vontade acima da Vontade Daquele que colocou nos seus ombros o fardo do mando que vilmente, em nosso país, é convertido no fausto do desmando.

Enfim, por essas e outras que a Sagrada Escritura nos ensina que o princípio da sabedoria é o temor de Deus. Tais palavras não são uma forma de ameaça. Não mesmo. Elas são um conselho para que fiemos nossos atos de acordo com as reais dimensões da realidade, para não confundirmos, jamais, os desígnios de Deus com as ilusões advindas de nossa visão limitada e turvada pela nossa vaidade.

[ii] Quando perguntam se somos favorável a isso ou aquilo, se tomamos posição em prol desse ou daquele outro, podemos responder: deixa de frescura. Se insistir, podemos dizer: Hulk esmaga!

Fuleragens à parte, vejamos uma coisa: pouco importa se somos ou não à favor da gripe, por exemplo. Ela simplesmente existe e é um problema que deve ser enfrentado sem chiliques histéricos. Nossa posição sobre ela, não infrói, nem contribói na cura. O que importa é saber claramente qual é o problema real a ser enfrentado e qual o tratamento mais eficaz.

Por isso, querer tomar, prioritariamente, uma posição em relação a algo não contribui muito no entendimento e, muito menos, na resolução de qualquer problema e o sujeito que muito insiste nisso quer apenas fazer pose de bonzinho e nada mais. Enfim, frescura de principiante excessivamente intoxicado com patacoadas ideológicas.

[iii] Vejam só como são as coisas: até pouco tempo circulavam pelas redes sociais piadinhas do tipo: “quem é o autor de Vidas Secas? Graciliano Ramos? Não bobão! É Geraldo Alckmin”.

O ano eleitoreiro passou e constatou-se que outros Estados com o Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão sofrendo com falta d'água, porém, com uma pequena diferença em relação a São Paulo: somente agora, após as eleições, passou-se a falar de maneira responsável sobre o problema. Feito gente grande.

Diante disso, fico cá com meus botões, pensando: será que os engraçadinhos estultamente ideologizados irão fazer piadinhas também com a desventura hídrica mineira e fluminense? Provavelmente não. E não farão porque a inteligência desses sujeitos funciona tal qual o seu senso de humor: de maneira deficitária e sem finalidade razoável alguma que seja maior que a sua mesquinha e estultamente cegueira ideológica.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte V

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Nesses últimos dias, alguns legisladores federais manifestaram contrários ao pacote de maldades do governo Richa no Paraná, declarando, em uma só voz, que eles estão ao lado do povo paranaense.

Tal manifestação é bem vinda, não há dúvidas. Entretanto, a casa legislativa que lhes abriga é o Congresso Nacional e não a Assembleia Legislativa Estadual. Levando isso em consideração, creio que seria de bom alvitre que os legisladores que manifestaram-se ardorosamente em defesa do povo que o façam, com a mesma paixão, no Congresso Nacional, contra o pacote de maldades do governo Dilma que também nos afetam barbaridade.

Enfim, se os distintos legisladores paranaenses que estão a nos representar no Planalto Central, na esfera federal, mantiverem-se calados, como estão, diante dos mandos e desmandos do governo petista, os cidadãos paranaenses dificilmente irão levar a sério suas bravatas contra a (des)governança tucana estadual e, muito menos, a declaração de apoio ao povo dessa terra adornada com pinheirais.

[ii] O Brasil, hoje, sofre nas garras dos rebentos nascidos do casamento corrupto do totalitarismo marxista com o fisiologismo patrimonialista.

[iii] Um bom caráter é formado pela combinação equilibrada e apropriada dum determinado conjunto de virtudes para a realização duma vocação. Dependendo da vocação que o indivíduo for realizar, é imprescindível que determinadas virtudes se destaquem para que as obras realizadas sejam realmente dignas, relevantes e benevolentes.

Quando penso na vocação política, há duas virtudes que devem estar profundamente enraizadas na alma do sujeito: a coragem e a magnanimidade. Sem elas a vocação política não realiza-se em sua plenitude e, desse modo, inevitavelmente, os gestos do indivíduo que se propõem a realizá-la, sem a devida diadema virtuosa, acabam ficando mancas, raiando a fronteira da indignidade.

Sobre esse problema, há um belíssimo e substancial livro da lavra do senhor Johan F. Kennedy, intitulado “Política e Coragem”, onde o ex-presidente dos Estados Unidos teceu uma profícua meditação sobre a realização dessa vocação. Livro esse que todos os políticos brasileiros deveriam ler e, desse modo, refletirem sobre a forma como estão realizando-a ou, simplesmente, pervertendo-a.

[iv] Quando determinados legisladores se reúnem para organizar uma comissão, dando as costas para o povo, é porque alguém irá se lambuzar na orçamentária começão.

[v] Ensina-nos Sun Tzu que, muitas vezes, é melhor preservarmos nossos inimigos intactos que destruí-los. Numa luta, seja ela no campo de batalha, ou numa arena política, a vitória numérica não se sustenta por si só. Para legitimá-la é necessário um elemento moral, que dê magnificência para a ação. Sem esse elemento, a vitória num combate pode facilmente ser vista como uma carnificina e uma conquista política, seja em uma eleição ou numa votação numa casa legislativa qualquer, pode converter-se num claro sinal de abuso de autoridade. Trocando por miúdos: nem sempre destruir o inimigo, mesmo tendo os meios para tanto, é a ação estratégica mais eficaz. Muitas vezes, essa acaba se convertendo numa pífia vitória de Pirro. As vezes, nem nisso. Enfim, não nos basta ter os meios de ação em mãos para conquistar uma posição vantajosa no tabuleiro do poder. É de fundamental importância saber usá-los e compreender que, muitas vezes, os efeitos das ações são mais significativos que a ação em si.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

[vídeo] Reuven Feuerstein y la Teorìa de la Modificabilidad Cognitiva Estructural

COM QUANTOS NERVOS SE FAZ UM ESTADISTA

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Há quem diga, por liberalidade de suas luzes, ou por puro espírito propagandístico, que os pacotes de maldades anunciados pelos subalternos imediatos do governo do senhor Richa e pelos serviçais de primeira escalão da senhora Rousseff, seriam um sinal indelével de que ambos, cada qual no seu quadrado, seriam estadistas de primeira grandeza.

Quem deseja crer nisso, sinta-se a vontade. Quem sou eu para questionar as crendices de alguém? De minha parte, tenho lá as minhas. Todavia, vale lembrar que, sim, estadistas de grande envergadura, muitas vezes viram-se obrigados a tomar medidas impopulares em curto prazo para o bem da sociedade em longo prazo, porém, nenhum chefe de Estado diligente sacrificou os cidadãos, ludibriando-os com o objetivo de simplesmente garantir uma vitória eleitoral, fazendo-os cair numa ingrata arapuca. Aliás, uma visão de tamanha estreiteza, como a dos governantes citados, está a léguas de distância do que se espera dum estadista.

Um Estadista jamais realizaria uma campanha eleitoral mitômana. Jamais praticaria um estelionato eleitoreiro para garantir a sua permanência num cargo que não pode, e nem deve, ser colocado acima dos interesses da sociedade.

E não apenas isso. Um governante responsável e corajoso não fica esquivando-se da impressa livre sem dar uma clara e satisfatória explicação ao povo. De modo algum se esconderia atrás de seus secretários ou ministros para não ter de explicar que o seu discurso de campanha não passava duma fantasia psicodélica de ocasião.

Se ambos, Beto e Dilma, fossem Estadista de distinta cepa, teriam feito, em horário nobre, logo no início de sua segunda governança, um claro comunicado a população e tratariam os cidadãos como pessoas maduras e responsáveis. Apresentariam a real situação das  finanças, os acerto e erros cometidos por sua gestão, explicariam as medidas que seriam adotadas e, acima de tudo, desculpar-se-iam pelos malfeitos na campanha eleitoral.

Mas eles não fizeram isso e nem estão dando sinais de que pretendem agir dessa maneira. Aliás, já é tarde pra isso. O fiasco foi dado. Ambos deixaram para seus subalternos imediatos a espinhosa tarefa de entregar os pacotes, com a ressalva de não  reconhecer o óbvio ululante: que as palavras e imagens apresentadas em campanha foram, e estão sendo, sistematicamente desmitificadas pela crua realidade até então negada e/ou ocultada.

Detalhe: ambos dizem que isso não está acontecendo. Trocando por miúdos: continuam a desrespeitar a inteligência das pessoas. E assim procedem porque, definitivamente, agem como políticos profissionais, preocupando-se apenas com a manutenção do poder em suas mãos, e não como estadistas, que forjam seus atos pensando no bem comum e no futuro da sociedade. Tanto um quanto o outro estão a léguas de distancia de agir com magnanimidade.

Enfim, as notícias não param de chegar até nós e todas elas apenas confirmam o óbvio ululante que fora, certa feita, apontado por Humberto de Campos: No Brasil, os políticos são tal qual nossa fauna: não há gigantes. Por isso, para a infelicidade geral da nação, carecemos tanto de estadistas ao mesmo tempo em que abundam os políticos profissionais devidamente fantasiados com toda ordem de marketismo. Dum jeito ou doutro, a história um dia irá julgar os atos desses indivíduos investidos de autoridade e sentencia-los-á com a pena mortal de revelar a verdadeira face de sua (des)governança.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

SÃO JOÃO BOSCO, rogai por nós....


Oh! Pai e mestre da juventude, São João Bosco, que tanto trabalhastes pela salvação das almas, sede nossa guia em buscar o bem da nossa e a salvação do próximo, ajudai-nos a vencer as paixões e o respeito humano, ensinai-nos a amar a Jesus Sacramentado, a Maria Santíssima Auxiliadora e ao Papa, e obtende-nos de Deus uma santa morte, para que possamos um dia achar-nos juntos no Céu.
Amém.

Oração para obter alguma graça especial

Oh! Dom Bosco Santo, quando estavas nesta terra não havia ninguém que acudindo a Vós, não fosse, por Vós mesmo, benignamente recebido, consolado e ajudado.

Agora no céu, onde a caridade atinge a perfeição quanto deve arder vosso grande coração em amor até os necessitados!

Vede, pois, minhas presentes necessidades e ajudai-me obtendo-me do Senhor (pede-se a graça).

Também vós haveis experimentado durante a vida as privações, as enfermidades, as contradições, a incerteza do porvir, as ingratidões, as afrontas, as calúnias, as perseguições e sabeis que coisa é sofrer.

Pois, oh! Dom Bosco Santo, volvei até mim vosso bondoso olhar e obtende do Senhor quanto peço, se é vantajoso para minha alma; ou se não, obtende alguma outra graça que me seja ainda mais útil, e uma conformidade filial a divina vontade em todas as coisas, ao mesmo tempo que uma vida virtuosa e uma santa morte. Amém.

Oração a São João Bosco

Oh! Dom Bosco Santo, que com tão grande amor e zelo cultivastes as múltiplas formas de ação católica que hoje florescem na Igreja, concedei a suas associações o maior progresso e desenvolvimento.

Redobrai em todos os corações a devoção a Santíssima Eucaristia e a Maria Auxiliadora dos cristãos.

Acrescentai neles o amor ao Papa, o zelo pela propagação da fé, um solicito esmero pela educação da juventude e grandes entusiasmos para suscitar novas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.

Fazei que em cada uma das nações se fomente e inicie a guerra contra a blasfêmia e o mal falar e contra a imprensa ímpia; fazendo surgir em todas partes novos cooperadores para as diversas formas de apostolado recomendadas pelo Vigário de Cristo.

Infundi em todos os corações católicos a chama de vosso zelo, para que, vivendo em caridade difusiva, possam ao fim de suas vidas recolher o fruto das muitas obras boas praticadas durante ela.

Pai-Nosso, Deus te salve e Glória…

São João Bosco, rogai por nós.


DIÁRIO DE CLASSE – parte IV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] A inteligência é uma poderosa faculdade humana, porém, limitada e falível, tal qual nossa decaída natureza. Quanto a cretinice, essa é uma tendência constante, praticamente irresistível, que parasita a nossa alma e que incansavelmente insiste em ultrapassar os limites impostos pelos umbrais da razoabilidade.

[ii] A dignidade humana não encontra-se no clamor delirante da defesa dos nossos desejos, sejam eles carnais ou materiais. Na verdade, o apego excessivo aos gritos da carne e aos delírios mundanos apenas nos agrilhoam a mais vil bestialidade. De mais a mais, num quadro emoldurado desse modo, acaba-se colocando os apetites no centro da realidade e esses, por sua natureza, são insaciáveis, gerando apenas mais e mais insatisfação numa crescente onda auto-destrutiva.

Tal entrevero ocorre porque coloca-se os quereres mais rasteiros no lugar de Deus, idolatrando a realização material, as fantasias sexuais, resumindo: festeja-se a nossa irremediável egolatria, direito difuso e confuso número um da atualidade.

Porém, quando descobrimo-nos amado por Deus, compreendemos que a dignidade humana é transcendente, por definição. O problema reside em saber se realmente aceitamos que Deus nos ame e se, de fato, amamos mais a Deus que os nossos fugazes desejos.

Para o homem moderno, os ensinamentos da Igreja sempre estão equivocados e atrasados e ele, enebriado com sua soberba e vaidade, crê estar sempre certo, apesar de estae frequentemente com a alma confusa e atribulada pela falta dum sentido profundo em sua mísera vida.

[iii] O homem moderno, presunçoso e afogado em sua vaidade que verte com fartura de sua egolatria incurável, vive sua vida como se o sentido pleno da existência fosse resumido na aquisição de bens materiais (de qualquer ordem) e na satisfação de todos os apetites carnais, considerando tudo isso algo tão modernoso quanto chique.

Vivendo assim, invariavelmente, essas alminhas sentem-se incomodadas com os ensinamentos perenes da Igreja e acreditam que o Sumo Pontífice deveria atualizar os ensinamentos de Cristo para que esses se adaptem aos tempos modernos. Sobre isso, por hora, podemos destacar três pontos que, talvez, nunca tenham ocorrido no coraçãozinho moderninho dessas alminhas.

Primeiro: o papel do Papa não é o de um reformador doutrinal ou dum político populista que sobe ao trono para mudar tudo. Pelo contrário. Seu dever é o de preservar o patrimônio moral e espiritual da Igreja, defender a Igreja de todos os tempos contra os ataques, tentações e sedições do tempo presente.

Segundo: a Igreja não é uma instituição que deve moldar-se aos ditames volúveis do mundo. Se assim procedesse, provavelmente ela nem mais existiria. De mais a mais, a função primeira do Corpo Místico de Cristo não é adaptar-se a nossa vontade, mas sim, ser um instrumento da salvação das almas, da nossa alma, para que seja feita, em nossas vidas, a vontade Dele, não a nossa.

Por fim, se nos sentimos muito, mas muito contrariados com os ensinamentos da Igreja, devemos nos perguntar: o quanto realmente conhecemos os ensinos que nos são transmitidos pela Tradição, pelo Magistério e pela Sagrada Escritura? O que consideramos ensinamento da Igreja foi por nós conhecido das fontes citadas anteriormente ou de menções superficiais e tendenciosas advindas da grande mídia e tutti quanti? Por fim, nós temos maior amor pela Verdade revelada por Cristo ou por nossas volúveis opiniões? Pior! Cremos que nossas opiniões são mais acertadas e justas que a Verdade que nos foi revelada? É isso? Pois é, depois o maluco sou eu.

[iv] Muitas vezes, quem muito se faz de coitadinho, carece muito mais de uma repreensão que duma consolação.

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sábado, 7 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte III

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] A verdade não é um parecer que emitimos. Algo  não se torna verdadeiro simplesmente porque nos apetece. Alias, todo aquele que é capaz de ser razoavelmente sincero consigo sabe que muitas vezes apreciamos coisas desprezíveis e que rejeitamos outras tantas que são evidentemente verdadeiras. Essa aceitação, ou rejeição, em nada contribui para a veracidade ou falsidade do objeto; apenas reflete o nosso estado subjetivo em relação a ele.

Essa praga, o subjetivismo como critério de veracidade, tornou-se uma epidemia que infecta todos os meandros da sociedade contemporânea onde tudo passa a ser julgando pelo critério do “eu penso assim” ou do “ou acho assado”, substituindo a constatação direta de que algo seja assim ou assado.

Só o fato da grande maioria dos indivíduos confundirem o que pensam e sentem em relação a algo com o que esse algo seja, por si só, é um sinal inconteste de que chegamos a um nível praticamente intolerável de demência.

Perguntar o que algo é, ou o que está ocorrendo de fato, independente do que se pense ou sinta sobre o assunto, é reconhecer que a realidade é maior e mais abrangente que o nosso inchado ego. Não é à toa que tal postura seja tão difícil de ser exercitada em nossa egocêntrica sociedade.

[ii] Stanislaw Ponte Preta lembra-nos, laconicamente, uma verdade simples que nós, atualmente, simplesmente fizemos questão de esquecer. Digo: que fizemos questão de perverter. Ele nos aponta o óbvio: Os valores morais são os únicos que conservam os preços de antigamente. Ponto. Mas nós, obviamente, fazemos questão de não entender isso. Fingindo ouvidos loucos, fazemos pose de sabidos, modernosos e independentes que agem de maneira imprudente, com base em volúveis e impudicos juízos construídos a partir das telenovelas e minisséries da Globo. Ou algo pior.

[iii] Houve um tempo em que um filho era visto como uma benção. Dum modo geral, com um sorriso sincero no rosto, as pessoas diziam: “Que Deus lhe abençoe! Um filho é uma dádiva dos Céus! Que bom!” Bom mesmo.

Pois é, de lá pra cá, muitas primaveras passaram e hoje, quando um casal comunica que terá um rebento, nem sempre o faz com júbilo. Há pessoas que não mais veem os pequenos como uma dádiva. Inclusive temos aqueles que veem uma criança como um custo adicional, um incômodo, um acidente de percurso, algo que aconteceu e que era indesejado pelos genitores.

A maternidade, bem como a paternidade, não mais são projetos de vida. Tornaram-se algo de segunda classe que poderá vir a ocorrer caso sobre um tempinho para isso, tendo em vista que existem muitíssimos outros planos e desejos, mais desejos que planos, à frente da responsabilidade pelo cultivo duma família.  Resumindo: poucos são aqueles que abrem mão da realização da egolatria nossa de cada dia em favor da vida.

[iv] No Brasil, o progresso, caminha assim: um passo pra frente, três tombos pra trás.

[v] A dignidade humana começa onde a frieza e a malícia do Estado terminam.

[vi] Que tipo de organização é essa onde, em seu aniversário de fundação, seu presidente de honra ataca frontalmente a polícia federal e a impressa livre? Que tipo? Pois é, bem que eu desconfiava...

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[vídeo] A atualidade do tomismo na psicologia

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O AVESSO DO AVESSO

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Muitas vezes somos insultados, noutras tantas somos nós os agentes das ofensas, infelizmente. Para realização de tal indelicadeza a nossa natureza demasiadamente humana nos oferta várias possibilidades. Infindáveis possibilidades, diga-se de passagem.

A mais sorrateira, a forma mais cretina de desrespeitar uma pessoa (ou várias ao mesmo tempo), é a de gerar falsas expectativas no sujeito. Por exemplo: descumpre-se promessas ao mesmo tempo que anuncia outras, ou muda-se as regras e contratos das regras do jogo do ganha-pão a seu bel prazer, sem anúncios ou comunicados prévios.

Como havíamos dito anteriormente, não há limites para isso, porém, dum jeito ou doutro, o sujeito que assim procede, seria similar a um moleque que muda as regras da partida de futebol só porque é o dono da bola ou porque acredita ser o mais fortinho da turma. Resumindo: em regra, é sempre um babaca mimadinho que acha que pode fazer tudo sem ter que dar explicação a ninguém.

Gente dessa baixeza inclusive gaba-se de tirar o chão dos outros como se estivesse fazendo uma grande coisa. Nesses casos, aqueles que levaram o tombo, inevitavelmente, se enervam com o biltre que lhe fez isso, xingando-o, mandando-o, no mínimo, para PQP. Entretanto, nesses casos, a vítima não está insultando o biltre. Isso mesmo! Nesse contexto, um palavrão proferido pela alma ultrajada não é uma ofensa. É apenas um desabafo.

[ii] Um sujeito sem caráter ocupando o poder executivo é lastimável. Seja a Presidência da República, o Governo dum Estado ou a cadeira dum Paço Municipal qualquer, invariavelmente, um biltre com poder nas mãos é o receituário certo para o padecimento de toda sociedade, menos, obviamente, dos asseclas do crápula governante.

Mas pior que isso, bem pior, é termos um legislativo leniente e indigno de representar a sociedade, de defendê-la frente aos abusos dos biltres que agem de maneira autocrática. Seja no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas Estaduais ou numa Câmara Municipal qualquer, pouco importa o lugar, esse tipo vil de gente faz de nossa democracia uma brincadeira de faz de conta sem graça e espinhosa. Brincadeira dantesca e cara essa que, ao final das contas, deve ser paga pelos cidadãos de bem.

[iii] Uma posição política razoável: ser favorável a tudo que seja bom e contrário a tudo que seja ruim.

[iv] Pode-se até errar e confundir-se aqui e acolá. Somos humanos e, nessa condição, o erro faz parte do borogodó. Corrigir o erro também. Todavia, persistir nos equívocos cometidos é estupidez pura e simples.

[v] José do Patrocínio, o grande líder abolicionista, já em idade avançada, fora ao púlpito da pátria discursar. Posto nele, devido ao peso dos anos, demorou-se para parlar. Gaguejou um pouco e, em meio a essa demora, surgiu rapidamente no meio da multidão alguns gracejos permeados por um punhado de risos amarelados.

O velho orador, diante da patuleia ululante, disse em alto e bom tom: “O Brasil... o Brasil... que somos nós?” O silêncio pairou sobre a assembleia. Então ele prosseguiu: “Sim, que somos nós? Somos um povo que ri, quando devia chorar”.

Pois é, os anos passaram e, ainda hoje, infelizmente, as palavras do velho abolicionistas continuam atuais. Quanto ao povo, ao que tudo indica, esse está mais desfibrado que o de antanho.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

CARTA ABERTA AOS REPRESENTANTES DO POVO PARANAENSE


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Senhores legisladores, legítimos representantes do povo paranaense, por meio dessa missiva, apresentamos aos senhores um apelo. Uma súplica, pra sermos sinceros. Não por nós ou por uma categoria em particular, mas sim, pelas futuras gerações que pisarão esse abençoado chão vermelho.

Esse Estado que, primeiramente, fora presidido por Zacarias Góis de Vasconcelos, hoje encontra-se sob a governança do senhor Carlos Alberto Richa, vulgo Beto Richa, que, como é de conhecimento de todos e escândalo geral de todos os cidadãos, vem demonstrando grande incapacidade em capitanear o Paraná, brindando-nos com um amargo cálice de medidas para tentar, aparentemente, corrigir os equívocos advindos de seu “apagão de gestão”, conforme fora apontado, certa feita, pelo Senador Álvaro Dias.

Com as atitudes recentes, o senhor governador vem portando-se de maneira truculenta, ultrajando os funcionários públicos Estaduais e os cidadãos dessa terra de pinheirais dum modo geral e escarnecendo, de modo particular, com os professores da Rede Pública, tratando-os como peças descartáveis, desgastadas e dispensáveis. Conjunto de atitudes essas indignas dum indivíduo que ocupa um cargo de tão elevada dignidade, que é o de Governador dum Estado da grandeza do Paraná. Na verdade, tais atitudes são indignas por si só, independente do poder que o sujeito tenha em suas mãos.

Ao que tudo indica, num primeiro momento, o senhor Beto Richa não apresenta a menor boa vontade em curvar o seu inflado ego para os clamores da educação. Aliás, apenas homens baixos nunca se curvam, como nos ensina José de Alencar. Esperamos, francamente, que o senhor Governador não seja um desses homens, da mesma forma que confiamos que os senhores não são almas de tão diminuto quilate.

Por isso viemos, na pequenez de nossa condição de cidadãos, pedir-lhes, encarecidamente, que votem em favor do futuro do Estado, que os senhores votem na defesa dos direitos elementares dos cidadãos, na defesa da educação, que é dever áureo de todo Estadista esclarecido.

Confiante na boa vontade dos ilustres representantes do povo paranaense reiteramos nossa súplica, para que, tal qual o Visconde do Rio Branco, os senhores possam dizer, sem temor ou tremor, que: “Confirmarei diante de Deus tudo quanto houver afirmado diante dos homens”.

A hora é agora e confiamos que cada um dos senhores estará a altura da excelência do cargo que ocupam e dirão NÃO ao desmonte do Estado do Paraná, NÃO a espoliação dos cidadãos dessa terra e, definitivamente, dirão NÃO ao descaso e ao desrespeito a primazia da educação.

05 de fevereiro de 2014.

E-mails dos Deputados Estaduais:

deputado.adelino@hotmail.com; traiano@alep.pr.gov.br; deputadoademirbier@hotmail.com; alexandrekhury@alep.pr.gov.br; andrebueno@alep.pr.gov.br; anibelli@alep.pr.gov.br; artagaojunior@alep.pr.gov.br; bernardo@bernardocarli.com.br; cantoramaralima@terra.com.br; douglas@pps.org.br; drbatista@alep.pr.gov.br; eliorusch@uol.com.br; evandrojr@alep.pr.gov.br; deputado@fernandoscanavaca.com.br; franciscobuhrer@alep.pr.gov.br; gilbertoribeiro@alep.pr.gov.br; jonasguimaraes@alep.pr.gov.br; paranhos@deputadoparanhos.com.br; uizcarlosmartins@alep.pr.gov.br; romanelli@pr.gov.br; mrequiaofilho@gmail.com; mauromoraes@mauromoraes.com.br; nelsonjustus@terra.com.br; nelsonluersen@rline.com.br; nmoura@pr.gov.br; nleprevost@alep.pr.gov.br; pastoredson@pastoredson.com.br; dep.pedrolupion@gmail.com; pericleshm@uol.com.br; contato@plauto.com.br; lemos@professorlemos.com.br; rrasca@uol.com.br; tadeuveneri@terra.com.br; deptercilioturini@gmail.com

Dep. Bruno Araújo reproduz áudio da presidente Dilma e aponta contradição no discurso

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE CLASSE – parte II

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Podemos fazer o que quisermos e dizer o que nos der na ventana, porém, nem tudo convêm. Assim nos ensina São Paulo através duma de suas epístolas.

Mesmo que com a admoestação do apóstolo dos gentios, seja conhecida por todos, sua prática é ignorada por muitos. As razões para tanto podem ser as mais variadas possíveis, entretanto, podemos resumir a duas que são conhecidas de todos nós a muitíssimo tempo. São elas: a soberba e a vaidade.

Embebido em nossa soberba de cada dia, cremos que sempre temos algo a dizer a respeito de tudo ignorando nossa real condição e,  por isso, nos inflamos a uma posição bem acima de nossos méritos.

Não é por menos que esse é o primeiro pecado. O pior de todos. Ele se aproxima de tudo para tudo destruir em favor de nosso engrandecimento auto-bajulatório que é um terreno fértil para o cultivo das pútridas tulipas da vaidade. E, por essas e outras, não nos flagramos que não somos o centro da criação, mas apenas uma pequena e diminuta parte dela. Detalhe: estamos muitíssimo, mas muitíssimo mesmo, longe de ser a melhor. Basta um pouco de sinceridade para consigo pra confessar e reconhecer no silêncio da consciência o quão miserável é nossa humana condição.

[ii] Um bom homem, certa feita, confidenciou-me que ele havia ficado estarrecido com a declaração feita por uma filosofa em um determinado programa televisivo. Em meio a sua declaração, a senhora, devidamente munida dum título de doutora, ironicamente, indagou: “por que um aluno deve aprender o nome das capitais dos Estados brasileiros?” Pois é, toda cidade é igual na forma, aparência, organização, importância e localização, não é mesmo? Não. Não mesmo. Porém, se fiarmos nosso raciocínio pelo da doutora, poderíamos então concluir que também não precisaríamos saber o nome que damos para os nossos animais domésticos, apesar de suas muitas diferenças. Cão é cão e jumento é jumento, independente de suas peculiaridades e pouco importando se o moar tenha ou não um título de doutor.

Firulas à parte, poderíamos indagar e apontar muitíssimas coisitas sobre e singela pergunta, porém, sejamos breves em esse colóquio. É o seguinte: não é relevante que uma pessoa conheça as principais cidades brasileiras, com suas peculiaridades, saber localizá-las e, desse modo, saber localizar-se em seu país? Como podemos nos localizar no espaço se não sabemos nos posicionar nele? Se tudo o que existe tem nome e encontra-se nalgum lugar, como irei localizar-me se eu não sei onde estou e para onde desejo ir? Aliás, o que é um mapa mesmo?

Um e outro podem até dizer que tal prática apenas exercita a memória e que isso não é necessário. É mesmo? Que lindo. Entretanto, vale lembrar que antes de irmos para algum lugar, ou de realizarmos alguma coisa, primeiro nós temos que saber, razoavelmente, para onde estamos indo, ou o que deverá ser, aproximadamente, o resultado do que pretendemos realizar e, para tanto, necessitamos recorrer a elementos mnemônicos como estamos fazendo agora na leitura dessas turvas linhas.

É claro que saber o nome das capitais e cidades mais importantes em termos econômicos, políticos e geopolíticos não irá trazer de lambuja todas as informações sobre elas. Porém, antes de querermos aprender sobre isso é de bom alvitre sabermos os nomes e os títulos de importância das civitas, da mesma forma que é razoável que primeiro perguntemos a uma pessoa o seu nome e sua procedência antes de escrafuncharmos a sua vida.

De mais a mais, tudo o que existe tem nome e forma e nós captamos o seu conteúdo, significado, singularidade e importância porque sabemos identificar as múltiplas formas na imensidão do espaço através da singularidade duma palavra. Dum nome.

Sem mais delongas, saber tudo isso pode até não ser imprescindível, porém, não é algo que possa ser considerado totalmente dispensável como quer a inominada doutora.

[iii] Hugo de São Vitor ensina-nos que a virtude fundamental para que uma pessoa possa realmente aprender e crescer em conhecimento e verdade é a humildade. 

Tal observação, feita pelo grande mestre do medievo, não é apenas válida para os infantes. Ela é perene, pra vida toda e para todos.

A referida virtude estimula em nós o desejo de conhecer porque ela fomenta em nosso íntimo uma clara visão de nossa real e diminuta condição. Se estamos com nosso ego inflado, crendo que somos a última bolacha do pacote, inevitavelmente, pouco aprenderemos, haja vista que já nos julgamos sabedores de praticamente tudo sem nada saber, ou pouco sabendo.

Podemos dizer que a humildade nos faz esvaziar o copo da alma que, frequentemente, vê-se cheio de vinagre e fel. Essa virtude nos liberta da soberba e nos purifica da vaidade para, desse modo, nos predispor a receber o vinho do saber para podermos nos embeber da verdade.

Por fim, vale lembrar que a verdade não habita onde a superficialidade da soberba e as pompas da vaidade imperam. E é por isso, somente por isso, que onde não há humildade, não há conhecimento, mas apenas um simulacro afetado de educação que, no fundo, não passa duma simplória procura por diplomação.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Heitor Villa-Lobos - Bachianas Brasileiras nº 2

CONTE NOS DEDOS PRA NÃO ERRAR

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Os pacotes de maldades estão vindo de todos os lados. As notícias não são, de modo algum, alvissareiras  para a sociedade brasileira. Todos sabemos disso. Agora, enfim, todos estão sabendo.

Diante desse quadro, pra ser sincero, o que me chama a atenção, não são os fatos, mas sim, as reações que estão sendo emitidas em todas as claves e tons, cada uma à sua maneira, com suas razões, porém, praticamente todas, entoadas a partir duma pergunta pouco apropriada para a ocasião.

Tem-se a clara impressão de que a primeira pergunta que se faz, diante das maldades anunciadas é: “como isso vai me atingir?” Pergunta essa que muitas vezes pode nos levar a conjecturas absurdamente delirantes. O medo faz isso. Não que essa pergunta não deva estar presente, não mesmo. Entretanto, a primeira que deveríamos levantar é: como é que isso chegou a esse ponto? Qual é a real situação de nosso país? Infelizmente ou não, o tempo pode e deve ser utilizado nesse tipo de atividade: tentar entender para melhor agir.

Bem, dum jeito ou doutro, após essas perguntinhas, devidamente ponderadas e investigadas sem paixões pessoais, grupais ou ideológicas, podemos, ainda, perguntar: como é que eu não havia visto isso antes? Porque bem provavelmente estávamos muitíssimo mais preocupados conosco mesmo do que em compreender o que está acontecendo. Pode-se dizer que quando agimos assim, portamo-nos de modo similar a uma das partes duma briga entre marido e mulher: cheios de razão, mas sem uma visão clara da situação.

Por fim, como nós, cidadãos comuns, somos desprovidos de meios que possam efetivar uma decisão que equacione os males que assolam nosso país, o que nos resta, nesse primeiro momento, é nos esforçar para compreender razoavelmente a atual situação de nosso país para, ao menos, não sermos arrastados feito objetos inermes por essa turbulência que hoje se abate sobre o Brasil e que, ao que tudo indica, irá demorar muito, muito mesmo, pra passar. E muito disso, infelizmente, deve-se a nossa indisposição para querer compreender o que ocorre em nossa nação, contrabalançada por nossa colossal pressa pra livrar o nosso lado, pouco importando o quanto isso custará ao país.

[ii] Não existe essa de populismo barato. Todo populismo custa caro e é sempre pago com o sacrifício daqueles que os caudilhos populistas dizem estar defendendo.

[iii] Chega ser engraçado ver e ouvir as pessoas falarem a respeito da importância da educação, que ela é isso, que é aquilo e blablablá.

Detalhe: não me refiro aqui aos biltres investidos de poder. Não mesmo. A imagem que me ocorre, nesse momento,  é a de pessoas anônimas, como eu e você, que sempre numa e noutra roda de conversa fiada acabam dando um jeitinho de encaixar uma fala a respeito da importância da tal educação e afirmam que o tal do professor deveria ser o profissional mais valorizado da nação. Que lindo...

Pois é, mas tal fala não passa dum flatus vocis tão artificial e desprovido de sinceridade quando os discursos daqueles que estão no poder (e, é claro, também da fala daqueles que desejam tê-lo).

Falar em favor disso ou daquilo qualquer um faz, haja vista que falar pelos cotovelos nada nos custa. Porém, se fosse pedido aos defensores casuais da educação uma doação espontânea para um e outro professor, ou para uma e outra instituição de ensino, como uma forma de reconhecimento,  mesmo que modesta, da importância dos educadores, mais do que depressa todo aquele trololó furado murcharia e revelaria a verdadeira face do falador e a real importância que é dada pelo sujeito a esse trem fuçado chamado educação e bem como aos caboclos que tem suas mãos esbranquiçadas de giz.

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domingo, 1 de fevereiro de 2015

LEÔNIDAS NAS TERMÓPILAS, por Jacques-Louis David (1814)




Artista: Jacques-Louis David
Material: Tinta a óleo
Período: Neoclassicismo
Dimensões: 4,0 m x 5,3 m
Criação: 1812–outubro de 1814
Gênero: Pintura histórica