RETALHOS E RASURAS – PARTE I

Por Dartagnan da Silva Zanela


[i] O ano começou com um grande coro exigindo aqui e ali o tal do respeito. Sobre o canto das ruas de lá de acolá, com suas razões e desrazões, nada tenho a dizer. Pessoas muitíssimo mais gabaritadas que esse professorzinho caipira já proferiram luminosas considerações sobre a questão que, confesso, tornaram o problema claro para todos aqueles que desejam realmente compreender a gravidade da situação.

Porém, peço licença para, modestamente, lembrar quatro palavrinhas que os antigos sempre tinham afiadas na ponta de suas línguas. Primeiro: realmente, posso fazer e dizer o que eu bem quiser, todavia, nem tudo convêm. Segundo: respeito é bom, todo mundo gosta e conserva os dentes, mas ele não é dado graciosamente. Ele deve ser conquistado. Terceiro: um revide razoável, apenas o é, se for proporcional a ofensa cometida. Quando o troco é maior que o soco, antigamente, dava-se a isso o nome de covardia.

Sem mais delongas, número quatro: para saber respeitar é necessário que compreenda-se a importância da rejeição, pois quem não sabe desprezar, nunca soube, e dificilmente saberá, o que é o tal do respeito e, consequentemente, não sabe o que está exigindo quando está reivindicando ele.

[ii] Criança não é um serzinho rebelde por natureza. Quem fala isso ou não sabe o que é infância, ou sabe muito bem e não mede esforços para pervertê-la. Aliás, o Brasil está cheio de gente desse naipe.

Em regra, os que acham que os infantes devem ser tratados a ferro e fogo, no fundo, ou não gostam de crianças, ou tem saudades da sua meninice, ou inveja da molecagem atual, ou as três coisas juntas e misturadas e mal disfarçadas sob um tosco véu duma pseudo preocupação para com a formação dos pequenos.

Já aqueles sujeitinhos afetados que possam de bajuladores mor dos 'santos diabinhos', que vivem dizendo a todos aqueles que tem a incumbência de educar os pequenos que esses devem ser tratados como se fossem bonecos de porcelana, são justamente  os indivíduos que odeiam a sociedade e, por isso, fazem qualquer coisa pra destruir a infância para, desse modo, 'reconstruir' a sociedade de acordo com a sua pervertida imagem e ingrata semelhança.

Infelizmente, é isso o que basicamente tem sido feito atualmente no lugar do que deveria ser ocupado pela educação. Por termos aderido a revolta moderna contra a realidade imaginamos que infundindo na moçada toda ordem de modismos politicamente corretos misturados com um punhado de cacoetes mentais marxistas, estaremos construindo um mundo melhor, ao mesmo tempo em que, sem querer querendo, desvirtuamos as mais elevadas potencialidade que existem no coração dos guris.

De modo consciente ou não, é isso que se faz presente no âmago de todo trololó afetado de bom-mocismo, cheio de preocupação social politicamente correta, que transformou a educação num cavalo de batalha em favor da velha patacoada revolucionária da canoa furada que, como todos podem ver, está afundando.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/

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