DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Da mesma forma que tristeza não paga conta, maracutaias contábeis não transfiguram déficit em superavit. Do mesmo modo que declarar-se honestos não nos torna uma pessoa decente, fazer pose afetada de partido da ética não forma sequer um só estadista.

[ii] Barack Obama firmou um acordo esquisitíssimo com o ditador Raul Castro. Esquisito é apelido! Por isso, cá estou com meus botões a me perguntar: o que as vítimas do castro-comunismo ganharam, objetivamente, com esse acordo? Não precisamos responder, não é mesmo?

Outra coisa: após essa esquisitice diplomática do governo Obama será, por um acaso, instaurada uma comissão da verdade em Cuba para investigar os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo nos mais de cinquenta anos de ditadura totalitária marxista imposta sobre essa nação caribenha? Caramba! Eu acho que não.

Aliás, sei que é bobagem, mas perguntar não ofende (ofende?): após a data da assinatura desse esdruxulo acordo, Cuba passará a ter eleições livres e periódicas para todos os cargos do executivo e legislativo? Os irmãos Castro vão largar o osso do poder e libertar o povo cubano que a mais de cinco décadas vive sob a batuta do escravismo estatal Castrista? Vão?

Pois é, por essas e outras que digo e repito: muito esquisito esse acordo. Mais esquisito que ele, em si, é a bajulação midiática da assinatura do mesmo.

[iii] Sua Santidade, o Papa Francisco, tem umas pegadas que, as vezes, não dá pra entender. Num dado momento ele conclama os fiéis a não mais comprarem produtos que seja produzidos com mão de obra escrava. Detalhe: na China, bem como em todo e qualquer país comuna, o que impera é a escravidão estatal de toda a população, escravidão essa que os marxistas chamam de "democracia popular". Noutro momento, ele acaba mediando um acordo entre Cuba e Estados Unidos! Acordo esse que, na prática, ignora todos os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo. Como assim? Não sei. Definitivamente não dá pra entender.

[iv] Toda vez que ouço aquela lengalenga de paz universal, sou acometido por urticárias.

Qualquer trololó pacifista sempre exala ou uma covardia indisfarçada ou um cinismo cretino inconfessável. Dum jeito ou de outro, a paz é apenas um bem quando encontra-se irmanada com a justiça e com o respeito ao valor fonte de todos os valores que é a pessoa humana. Qualquer coisa fora disso não passa dum reles ardil do diabo.

Não? Então vejamos: teria sido possível celebrar a paz com a Alemanha Nazista sem exigir que ela deixasse de ser Nacional-socialista? Teria sido justo celebrar um acordo com a Alemanha de Hitler desprezando todos os crimes que foram cometidos contra a humanidade?

Detalhe: na época, um desses amantes da paz, o filósofo Bertrand Russell, havia proposto o seguinte aos ingleses: que eles não deveriam declarar guerra contra a Alemanha, mas sim, convidar os alemães para conhecerem o quão bela é a sociedade Britânica para, desse modo, convencê-los que o nacional-socialismo é ruim e de que a liberal-democracia é legal.

Aliás, os ingleses celebram um acordo sossega leão com os germânicos (a Conferência de Munique) e todos nós sabemos no que deu.

Hoje os Estados Unidos reatam relações diplomáticas com Cuba. Tendo isso em vista, creio que seja pertinente perguntar: a ilha dos Castros mudará algo com relação a sua política interna e externa? Mudará? Ora, tal qual a China, Cuba continuará a ser um país torturado por um regime totalitário que escraviza o seu povo, porém, agora com a guaiaca cheia de dólares americanos. Trocando por miúdos: mais uma vez os gringos estão adquirindo o pior inimigo que o dinheiro pode comprar.

Por isso, como havia dito no princípio, toda vez que se fala em paz para humanidade, sei perfeitamente que não é paz, mas sim, um indisfarçado medo em misto com um inconfesso cinismo, porque paz sem voz não é paz, meu amigo, é ditadura.

[v] Lembrete que certa feita fora feito por um cáustico amigo: toda vez que a grande mídia, em uma só voz, elogia algo que o Papa fez, o faz pelos motivos errados. Toda vez que a grande mídia condena, em coro, algo que o Papa realizou, o faz com base em razões equivocadas. Ponto.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com

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